I've Got a Burning Desire For You, Baby

1 Conto I - Eu tenho um desejo ardente por você...


Notas iniciais
Olá. Falando pelos dois autores, eu, Jordan Carter, digo que estamos na esperança de que quem ler esta junção de contos, goste da mesmo. Juntaremos nossos talentos em cada capítulo para que possamos surpreender quem ler e a nós mesmos. Esperamos que gostem.

“Eu tenho um desejo ardente por você, baby”

– Lana Del Rey

Cidade de Los Angeles, Ano de 1996.

Era noite de sábado, ela se olhava no espelho, o cabelo castanho escuro caindo em cascata pelas costas, os lábios carnudos e rosados estavam entreabertos, a respiração rápida e pesada, ela estava nervosa. Finalmente chegara sábado. Ele estava a esperando, as luzes de Santa Mônica a aguardavam. Mal podia esperar pelo vento no rosto, o possante roncando na velocidade máxima. Nada poderia ser mais perfeito que Santa Mônica naquele verão. Enquanto ele imaginava aquela noite, ela passava o perfume caro, o seu preferido. Amalya se olhou novamente no espelho, seu olhar ansiava por vê-lo novamente. Usava uma camiseta preta da banda Rolling Stones, as mangas rasgadas, uma bermuda curta, mas não tão curta, chegando a ficar um pouco acima dos joelhos, seus sapatos surrados ainda combinavam com o seu pé. A mãe estranhava a filha sair todo sábado a tarde, com mala no porta-malas, voltando apenas domingo no meio da madrugada, sonolenta, triste. Esse ritual vinha acontecendo desde o início de verão. “É só uma fase”, pensou ela. “Uma hora ela voltará a ficar caseira!”. Tolamente. Depois de Emerson entrar em sua vida, nada mais voltaria a ser normal.

Pegando a chave da sua BMW Z3 V8 em cima da cômoda, a mala já estava no carro, embora não tivesse necessidade da mesma lá. Passava a maioria do final de semana despida, entregue a um homem que conhecera num bar um dia antes do verão começar. Mas ele era o homem. Sua pele bronzeada, seus olhos escuros, seu corpo escultural, seus lábios carnudos, seu cabelo negro, seu sorriso perfeito. Aquele homem era o desejo de toda mulher. Era um cafajeste irresistível. Como pudera aquele rapaz seduzir uma jovem recém-formada? Por prazer, assim como ele havia feito com todo o resto. Emerson não prestava, embora ele soubesse que Amalya o estava mudando. Ao vê-la no bar pela primeira vez, junto de duas amigas, também recém-formadas, deu um sorrisinho canalha e seguiu para o banco vazio ao lado do dela. O olhar dela destilava desejo e apreciação, como de todas as outras. O grande conquistador, ele era conhecido entre os amigos.

Garagem aberta, motor ligado, pé no acelerador enquanto os vizinhos olhavam ela sair de casa, chocados. Aquela garota mudara bastante desde o início do verão. Mal a reconheciam. Com toda a certeza aquilo fora um choque para a sociedade local. Mas ela não se importava com a ideia dos outros, ele muito menos, só o queria ali e agora.

Cada qual se dirigindo separadamente a boate, tinham marcado o encontro naquele local barulhento e divertido. Agiam de forma parecida no carro: ambos tinham algo tocando no rádio, algum som grunge, mas nenhum deles estava realmente escutando, só pensavam um no outro e em chegar. Tinha fogo entre os dois, queriam abafar as chamas crescentes que sentiam. Dobraram uma esquina e a luz neon da avenida os brindava. Ela se deliciava ao sentir os cabelos ao vento por conta da capota abaixado, sua risada ecoava no ar. Vendo o famoso letreiro de Hollywood, agora que não passava de uma visão monótona para ela, aumentou o som, sentindo a batida em seu sangue, e ao mesmo tempo, a fumaça do cigarro dele se misturava com o vento na rua...

***

Cigarro na boca, pé na parede, a jaqueta de couro preta acima da camisa branca, sua calça jeans também preta era meio folgada sem o cinto, revelando um pouco da boxer preta que usava. Recebia olhares deliciados de mulheres e homens, adolescentes e adultos, todos admirando o homem que encaravam na porta da boate, porém ele só tinha olhos para uma única pessoa, que era a garota que descia da BMW que estava estacionada na esquina, cerca de dois metros de distância de onde ele estava. Jogou a guimba do cigarro no chão, pisou em cima da mesma e jogou um chiclete de hortelã na boca. Assim que Amalya o viu, correu em direção a ele, que abriu um sorriso de canto de boca. Ela correu até o abraço dele e ele a girou no ar. Depois de um beijo apaixonado e intenso eles adentram a boate underground e escutam sua banda favorita no palco.

Ela dançava pulando e ele apenas se movia devagar a seu redor, gostava de apreciá-la. Ela era ainda mais bonita nas luzes disformes. Ela gostava de vê-lo ali a protegendo dos outros. Depois de algum tempo ele a puxou para um canto e tomam uns drinks, conversas sobre nada, algumas cervejas e dois cigarros ilegais. Quando o sol começou a aparecer no horizonte eles saíram de lá, continuariam o que começaram na boate. Por que o desejo não pode ser contido. Carros na garagem daquele motel fim de estrada barato, ambos se dirigiam para o mesmo quarto. Era sempre o mesmo. Número 549. Ela passara toda a semana pensando na manhã de domingo. Diversas vezes por dia, seus dedos invadiram sua entrada, somente para pensar nele ali dentro, movimentando-se dentro dela. Logo aquilo seria real. Os segundos pareciam eternidade. Logo as vestes se dirigiam para o chão, deixando ambos despidos, os corpos dedicados aos toques, deitados no colchão puído da cama. O cheiro de sexo e tesão emanava no ar, a juventude era aproveitada. As mãos dele estavam na cintura dela, que gemia o seu nome incessantemente. Ela temia que algo acontecesse a eles, como alguma DST, ou o preservativo estourasse, mas não pensava naquilo naquele momento. Ela se sentia de volta a vida quando estava com ele. Seus desejos realizados por um homem mais velho, mais experiente. Era tudo o que precisava naquela hora. Os flashes da luz da boate vinha sempre em seus olhos quando ela os fechava, o que era quase sempre. Emerson era intenso, Amalya gostava daquilo. Ela tinha um desejo ardente por ele, um desejo que nunca havia sentido por ninguém.

Terminaram depois de um tempo, só que não ligavam. A luz do sol entrava na fina cortina da janela do quarto, o ventilador decadente que estava do lado da cama, em uma cômoda, não estava os refrescando. Um banho seria necessário, mas não agora. Ambos com a respiração ofegante, deram um beijo apaixonado, e logo dormiam tranquilos, sem pensar no dia de amanhã.

Notas finais
Nesta primeira fase da história, usaremos as músicas da Lana cujo as letras são mais pesadas, mais fortes e mais sensuais. Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.