I've Got You Under My Skin
13 Sem mão boba!
Notas iniciais
Eu mal conseguia conter a minha ansiedade. Quer dizer, estamos falando de um Deus! O Deus das corridas disse que eu era bonita! E agora eu estava sentada no meu sótão, esperando algum sinal... Ou qualquer coisa. Dei uma olhada no relógio; já era tarde!
— Será que aconteceu alguma coisa? – perguntei para mim mesma, mas outra voz respondeu.
— Não, Sunshine. Estou aqui. – Hermes apareceu de repente. Nossa, eu tinha que me acostumar com isso. Espera aí, ele me chamou de quê? – Demorei muito.
— Vamos apenas dizer que foi um pouco mais tarde do que o esperado, mas sem problemas. – apelido novo. Gostei disso. – E então?
— Pensei que poderíamos dar uma voltinha no Olimpo... O que acha?
— Olimpo? Jura? – eu nunca havia ido lá, e só ouvia boatos. Diziam que era o lugar mais lindo do mundo... – Isso seria perfeito!
— Vem cá, me dá sua mão. – fechei os olhos, imaginando que aquele transporte poderia me causar tonturas. Em um segundo, ele pediu para que eu os abrisse novamente. – Chegamos.
Querido leitor, eu vou te dar uma dica. Esqueça tudo o que sabe sobre o Olimpo. Tudo. Pois eu posso te dizer, meu amor, que não é nada do que você pensa.
É muito melhor.
— Isso é o paraíso. – eu disse, vendo o céu estrelado que nos cobria. Dava para ver as galáxias! – É a definição de perfeição.
— Você ainda não viu nada. – ele riu e pegou minha mão novamente. Já falei como eu gostava disso? – Venha comigo, vou te mostrar.
Quanto mais andávamos, mais maravilhada eu ficava. Estava um pouco deserto, é claro. Apenas algumas ninfas ainda perambulavam pela noite. Elas acenaram felizes para Hermes, e eu estreitei os olhos.
— Não liga pra elas, são inofensivas.
— É, eu tô sabendo. – deu uma gargalhada.
— Não seja ciumenta. – diminuiu o passo, e desviou da rua principal. – É por aqui.
Andamos mais algum segundos, até chegarmos no jardim mais encantador que eu já tinha visto. Havia flores por todo o lado. Alguns vagalumes davam luz ao lugar e no centro, uma fonte brilhava em todo o seu esplendor. Uou.
— Isso é um sonho? Se for, não me acorde. – falei, andando pelo lugar.
— Tudo bem, eu prometo não acordar. – parecia estar achando graça de minha reação. – Você gostou mesmo?
— Mas é claro! Eu adorei, é uma das coisas mais lindas que eu já vi! – fiz uma pausa. – Será que eu poderia acampar aqui?
— Por mim, sem problemas... Mas acho que as ninfas não iriam gostar.
— Bem, foi bom enquanto durou. – sonho de semideus dura pouco.
— Mas não precisamos ir embora agora. Na verdade, eu imaginei que isso fosse um bom lugar para criar um clima... – deu um sorriso torto. Tão lindo, tão sedutor...
— Ah, é mesmo? E o que planeja fazer agora?
— Tenho algumas ideias... – se aproximou de mim, fazendo menção de me beijar. Mas ao invés disso, tropeçou propositalmente e nós dois fomos ao chão. De novo!
— Você gosta mesmo de fazer isso, né?
— Velhos hábitos não podem ser mudados. E além do mais, o chão é mais confortável.
Eu ainda estava deitada no chão, e Hermes ficou em cima de mim. Começou a me beijar, com calma e delicadeza. Era bom. Não tinha pressa, o tempo trabalhava ao nosso favor.
Ou pelo menos, era o que eu imaginava.
— Que horas são? – perguntei, já meio tonta. Suas mãos descansavam em meus quadris.
— Não faço a menor ideia. – me deu mais um beijo rápido. – Por que a gente não vai pro meu templo? Se estiver tarde, você pode dormir lá.
— Mas... Eu realmente preciso voltar. Charles não pode saber. Nem Apolo.
— Não se preocupe com eles. E então, o que me diz? – era tentador, devo dizer. Já conseguia imaginar, nós dois enroscados na cama, debaixo da coberta quentinha...
— Acho melhor deixar pra outro dia...
— Tá bom. Promete? – mesmo com pouca luz, eu podia ver um biquinho se formando em seus lábios. Que fofo!
— Prometo. Agora me leve pra casa.
— Claro, Vossa Majestade. Seu desejo é uma ordem. – que exagero!
— Rá rá. – fechei os olhos, e quando abri novamente já estava no meu sótão. Na cama, para ser mais precisa. Hermes ainda não havia ido embora. – Vai ficar aqui comigo?
— Não posso. – sua voz era meio triste. – Mas a gente se vê amanhã... Certo?
— É claro. Boa noite.
— Boa noite, Sunshine.
.
Ainda embriagada pela minha adorável noite com o Deus dos ladrões, eu até me esqueci de ser fria com Charles. Fui cordial, ainda pensando nos beijos, na mão dele no meu quadril, no jardim... Eu já estava derretida na mesa.
Onde está sua dignidade, Emma?!
Debaixo do tapete, rindo de mim.
— Vou voltar tarde. Não me espere. – ele falou, já na porta.
— Aham. – dei mais um gole no meu chá.
— Você está drogada? – perguntou, hesitante. – Não te vi ontem à noite.
— Estava ocupada.
— Estava com Hermes? – seu tom era calmo até demais.
— Não entendo o motivo da pergunta. – falei, sem mudar o volume da voz. – Afinal, pensei que você não se interessasse pela vida amorosa de uma oferecida como eu.
Touchdown! Ele abaixou o rosto e foi embora. Se ele achava que eu iria deixar barato, estava enganado. Bebi o resto da minha bebida e voltei para o meu sofá. Pelo costume, já sabia o que aconteceria em seguida. Comecei a contar mentalmente. Ela apareceria em um, dois...
— Querida! – apareceu ao meu lado. – Temos que conversar!
— Olá Afrodite. Como posso ajudar? – eu ainda podia ser cordial.
— Pode me ajudar contando cada detalhe da noite anterior! E aí? Como foi?
— Foi... Legal. – não precisava dar todos os detalhes sórdidos.
— Só legal? Não rolou uma pegada diferente, nem uma mão boba? – comecei a corar. Droga!
— Não, é claro que não. – quer dizer, ele tentou apertar minha bunda... Mas eu fui mais rápida e o impedi.
— Eu fiquei sabendo que vocês não estão namorando... Só se pegando. O que acha disso? – ela falava tudo aquilo com tanta naturalidade!
— Gosto da ideia. Não sei se estou pronta para um relacionamento agora.
— Acho que você tem razão. Mas você sabe, logo Hermes vai querer algo a mais...
— Como assim?
— Logo ele não vai ficar mais satisfeito com beijos e vai querer mais intensidade... – oh, por favor!
— Do que você está falando?
— Deixe de ser ingênua! Ele vai querer transar com você! – gritou.
— Fala baixo! Imagina se meu pai escuta? – isso não seria nada bom.
— Eu duvido. Mas vamos falar mais sobre isso. Você está pronta?
— Eu não sei... Sério. Acho que vai ser uma coisa do momento.
— É uma possiblidade. – fez uma pausa, pensativa. Depois, explodiu novamente. – Ah, eu comprei umas roupinhas pra você!
— Não precisava... – era uma forma educada de dizer “Eu não quero!”
— Claro que precisava. Ele vai adorar te ver nesses vestidos, pode ter certeza! – as várias e várias sacolas surgiram na sala, amontoadas. Meus Deuses... – Agora eu tenho que ir, minha querida. Até breve!
Sumiu novamente. Apesar de tudo, até que eu estava começando a gostar da Deusa do amor.
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