Acordei e não acreditei naquilo, deitei de novo e coloquei o travesseiro no meu rosto. "Não, não, não acorda Cassie porfavor porfavooor", ouvi alguém se aproximando e bater na porta, era a minha mãe, soube pela voz.

-Cassie querida, já está na hora de irmos — Ela disse em um tom doce.

Talves era para me acalmar não sei, tirei o travesseiro do rosto.

-Precisamos mesmo de ir ? — Disse me levantando rapidamente e sentindo vertigens, coloquei a mão no rosto.

-Infelizmente querida — Ela fechou a porta do carro e saiu.

Resmunguei e abri meu quarda roupa, só tinha uma roupa separada, tinha passado a noite inteira arrumando e empacotando tudo. Peguei um shorts e uma blusa branca, coloquei um coturno marrom e peguei minha bolsa. Sai do quarto e fui até a sala. Minha mãe estava acabando de levar as coisas para o carro.

-Querida, não vai dar tempo de lanchar então nós comemos alguma coisa na estrada ok ? Podemos pegar um café na Starbuks e pegar um bolinho e um café. – Ela disse tentando agradar.

-Pode ser mãe – Sorri amigavelmente – Vou pegar as minhas coisas – Disse já saindo da sala e indo para o meu quarto.

Olhei para o meu quarto, estava vazio praticamente, só os móveis.”Adeus”, pensei. Era a última vez que iria ver meu quarto. Aonde eu cresci. Peguei minha bolsa e um casaco que já estava separado. Peguei meu celular e saí do quarto.

- Está preparada querida ? – Minha mãe disse acariciando meu ombro.

- Acho que não – Tentei sorrir, mas saiu falso.

Entramos dentro do carro. Depois de alguns minutos parados em uma Starbuks e pegamos o nosso lanche para comer no carro.

Foi uma viajem bem longa, demoramos quase 5 horas para chegar em New Salem

-Ainda não entendi o motivo para irmos nessa cidade velha – Disse cruzando meus braços.

-Você vai saber Cassie – Ela disse não tirando os olhos da estrada.

Bufei e coloquei meu fone de volta. “Cry me a River” era o que estava tocando. A batida e a voz do Justin Timberlake me acalmava.

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Quando chegamos na cidade, me deu a impressão de ser muito velha, realmente era muito velha. Algumas casas caiam aos pedaços e outras estavam em perfeito estado. Confundia a minha cabeça um pouco.

-Vamos ver que casa é – Disse minha mãe batendo a mão no volante.

“Que não seja uma velha, porfavor, uma velha não” pensei comigo mesma. Continuamos andando e no meio de duas casas coloridas estava lá, a casa mais triste do mundo inteiro. Era marrom cor de barro, algumas madeiras desgastadas. Uma varanda com uma cadeira de balançar na porta com uma senhora.

-Mãe quem é ela ? A caseira ? – Disse olhando para a mesma.

-Cassie, eu não sei como te falar isso mas... – Ela disse me olhando tristemente – Eu vou precisar de ir para Londres ao trabalho e preciso que você fique aqui com a sua avó.

-Mas ela não é minha avó — Disse encarando a velha de longe.

-Bom, a sua avó biológica Cassie – Ela disse pegando na minha mão.

-O que ? – Me afastei rapidamente – Você vai me deixar aqui com uma velha que eu nem conheço para ir para Londres ? – Disse nervosamente – Como você pode Pam ? — Era uma das primeiras vezes que a chamava de Pam, sempre a referi como mãe.

Ela me olhou e falou quase sussurrando.

-Tente me entender Cassie – Ela passou a mão nos cabelos.

-Ok eu entendo – Abri a porta do carro, peguei a minha bolsa e esperei a mesma sair do carro.

Pam saiu do carro e me acompanhou até a velha. A velha levantou e abriu um sorriso.

-Cassie essa é a sua avó Jane – Pam disse com um sorriso.

-Olá Cassie – Jane parecia estar até emocionada de me ver – Você não sabe o quanto é bom conhecer você – Ela sorriu meigamente.

-É um prazer conhecer você também Jane – Sorri levemente.

Entramos na casa e ela me ajudou a levar as minhas coisas. Pam ficou na porta. A casa era pior por dentro. Os móveis pareciam estar por lá a anos e anos.

-Esta casa foi construída pelo seu avô Casie – Ela disse subindo as escadas – E este é o antigo quarto da sua mãe Amélia e bom, agora é seu.

O quarto era perfeito, as paredes eram azuis e tinha móveis brancos. Parecia uma casa de bonecas, janelas com cortinas claras. O sol batia perfeitamente na cama.

-Amei vovó – Disse sorrindo.

Parece que quando a chamei de “vovó” seu olhar iluminou, ela sorriu docemente de volta.