It's the Great Pumpkin, Sam Winchester
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Essa história foi escrita em 2015, para o especial de Halloween do Belíssimo Design. Postada originalmente na minha conta do wattpad (@helljubs), mas que eu decidi migrar para cá ♥
Colocarei meus agradecimentos nas notas finais, exatamente como fiz no wattpad - por que, bem, continuo muito agradecida hahah
Espero que gostem!
Boa leitura ♥
Dois dias antes do Dia das Bruxas:
Existiam mil e um motivos que Abigail Lewis poderia usar para não se levar da cama naquela manhã de sexta-feira, mas nenhum deles expressaria, realmente, seus sentimentos para se manter em repouso o máximo de tempo que pudesse.
Há duas horas atrás, tinha recebido um telefone de Olivia, sua irmã mais velha, lhe informando que seu pai havia se ferido em uma caçada dois dias antes e que acabara por não resistir. Abby nunca foi tão próxima do pai quanto a irmã, mas quando ouviu a voz da mais velha proferir aquelas palavras, sentiu como se um buraco tivesse sido aberto embaixo de seus pés e estivesse sugando-a para dentro, fazendo com que ela se perdesse naquela escuridão. Seus olhos lagrimejaram e sua boca não foi capaz de emitir nenhum som, o choque era claramente visto em seu rosto e por mais que Olivia não pudesse vê-lo, ela sabia que ele estava presente no rosto da mais nova.
Respirou fundo, passando os dedos nos olhos, na tentativa falha de fazê-los parar de arder. Abigail não tinha conseguido chorar. Nem uma única lágrima.
Virou-se para o lado esquerdo, depositando todo o peso de seu corpo sobre seu braço, esticou sua mão e tateou pelo criado mudo até alcançar seu celular. Observou a tela por alguns instantes, na imagem congelada estavam Olivia e ela, abraçadas em um dos poucos dias em que tiveram paz, um dos poucos momentos em que não estavam em seu Jipe dirigindo pelas estradas dos Estados Unidos atrás de algum monstro ou fantasma.
Ergueu-se da cama, tocando o chão com os pés antes de depositá-los em sua pantufa, prendeu seus longos cabelos escuros em um coque mal feito e se pôs a caminhar até o banheiro. Dali algumas horas pegaria o ônibus até sua antiga casa e teria de lidar com todos aqueles problemas que há muito deixara para trás.
Retirou seu pijama, passando-o por sua cabeça, enquanto caminhava até o chuveiro. Normalmente, seus longos banhos matinais eram capazes de levar todos os problemas e pesadelos embora, mas naquele momento, Abby soube que aquilo não aconteceria.
Haviam coisas que não podiam ser deixadas para trás, pessoas que não poderiam ser esquecidas e pecados que o banho não podia purificar.
Quando finalmente terminou sua higiene matinal, a garota dos olhos escuros, examinou seu quarto pela última vez, antes de pegar sua mala com uma das mãos, apagar a luz e bater a porta.
O caminho para casa, nunca pareceu tão longo, como se algo não quisesse que Abigail se reunisse com a irmã e com os poucos amigos do pai. Havia anos que Henry não caçava, aos olhos da garota ele era, agora, quase um homem respeitável; tinha uma casa, um emprego e até uma namorada. Mas o que o fazia "quase respeitável" ao invés de "totalmente respeitável" era o fato de ter deixado todo o trabalho nas mãos das garotas.
E foi o rosto cansado da irmã mais velha, que Abigail viu pela janela, antes mesmo de descer do ônibus. Aqueles olhos, extremamente, expressivos que ela não via há quase dois anos. Não sabia como seria no momento em que passasse pela porta e tivesse de ficar cara a cara com a mais velha, não fazia ideia de qual seria a reação de Olivia.
Ao levantar-se da poltrona fofa do ônibus e descer as escadas do mesmo, encontrou a irmã vestida em um terninho feminino, com um sorriso no rosto que parecia ter sido plantado ali. Abby baixou seus olhos, não sabia como agir e muito menos o que falar, esperava que Olivia a recebesse com uma cara de poucos amigos e a ignorasse o caminho todo.
— Obrigada por ter vindo. — Olivia murmurou, tocando o ombro direito da irmã com a mão. Seu sorriso que, antes parecia forçado, agora se tornara terno, quase como se ela realmente estivesse feliz de ver Abigail. A mais nova assentiu com a cabeça, tentando controlar as palavras frias, que pareciam insistir para sair por entre seus lábios. — Precisamos passar em um lugar antes, se não se importa.
— Não me importo. — Suspirou, respondendo mais para si mesma do que para a irmã, que já estava há alguns metros dela, caminhando até o carro. Ao chegar no grande e brilhoso Jipe negro, Abigail não pode conter sua ansiedade em perguntar, estava se roendo para saber o que estava acontecendo e o que vinha acontecendo nesse anos de sua ausência. Sabia que deveria ter cuidado da forma com a qual perguntaria isso para Olivia, não era um dos assuntos mais fáceis para a irmã. — Aonde vamos?
Olivia se ajeitou no banco do motorista, assistindo a irmã se sentar ao seu lado. Por alguns instantes, ela se sentiu beirando a felicidade. Como nos velhos tempos, pensou.
— Peguei um caso, logo depois do papai adoecer, precisava esfriar a cabeça. — Abby assentiu com a cabeça, em total silêncio, deu um sorriso de lado para a irmã e a esperou continuar. — Luke Wallace, retirou lâminas de sua própria boca antes de falecer, a mulher o encontrou.
— Bruxaria?
— A cidade está falando em satanismo. — Olivia revirou seus olhos, rindo. — O caso é, Luke Wallace está limpo. Nenhuma briga, nenhuma amante, nada. Não existem motivos aparentes para uma bruxa ter rixa com o cara.
— Talvez não seja isso. — Abby murmurou consigo mesma. — Coisas estranhas acontecem no Halloween. Encontrou algum saquinho de feitiços?
Olivia negou com a cabeça, batendo seus polegares no volante enquanto aguardava o sinal ficar verde. Olhou de canto para a irmã, observando-a pegar o jornal local nas mãos, quase como se procurasse por algo que os olhos de pessoas comuns não podiam encontrar.
— Como você está?
Abigail levantou a cabeça, não conseguindo esconder sua surpresa com a pergunta. Franziu seu cenho e voltou seus olhos para o jornal, antes de responder.
— Estou bem, Oli. — Deu de ombros, suspirando e fechando seus olhos por alguns segundos, antes de mudar de assunto. — Alguém viu a senhora Wallace, antes de você?
A mais velha a olhou confusa, havia esquecido de como era caçar com Abigail, a irmã sempre levantava questões que, para ela, pareciam sem importância.
— Ela disse que dois agentes do FBI estiveram em sua casa. — Ergueu a sobrancelha, começando a entender onde a irmã queria chegar. — Acha que são caçadores?
— O FBI não dá a mínima para o que acontece em uma cidade pequena como a nossa. — Abby rodou seus olhos. E confirmou. — São caçadores.
O celular de Olivia vibrou em seu bolso, no exato momento em que Abigail soltava seu peso no banco. Qual era o grande problema em querer ficar longe de caçadas? Ela não podia nem ao menos vir ao funeral de seu pai, sem esbarrar em um monstro?
— Temos mais uma vítima. — Olivia comemorou, falsamente, balançando o celular entre os dedos.
— Oli, eu não queria me envolver nisso. — Abigail chiou, olhando vagamente para a irmã. — Só quero velar o papai e voltar para casa. Isso aqui, — Apontou para o jornal e depois para as duas. — Não é para mim.
Olivia suspirou, forçando seu melhor sorriso. Sabia que uma hora ou outra Abby falaria aquilo, mas contava com ela para resolver logo o caso.
— Preciso terminar isso. — Olivia murmurou. — Você não precisa caçar, pode me esperar no carro, não vai demorar.
Abigail concordou com a cabeça, ainda de contra gosto. Mas Olivia estava certa, os casos de bruxaria não costumavam ser demorados, e dali algumas horas estaria tudo pronto e ela se despediria de seu pai.
O caminho até a tal festa não foi tão longo, aparentemente os crimes estavam acontecendo bem perto um do o outro, mas era cedo demais para afirmar, afinal, tudo na cidade era perto. Ao chegarem na casa, que já se encontrava cercada de policiais, Olivia parou o carro, procurou no porta luvas sua carteira do FBI e desceu do carro. Em um súbito momento de coragem, Abigail fez o mesmo, batendo a porta atrás de si.
— Achei que não queria se envolver. — A mais velha a olhou surpresa, mesmo sem poder negar a leve ponta de orgulho que sentia.
— Não quero caçar. — Abigail rodou seus olhos, caminhando em direção á casa, sendo seguida por Olivia. — E convenhamos que você é péssima em cenas de crime.
— Você se vangloria demais, maninha. — Olivia riu, soltando o ar pelo nariz, passando pela irmã sem nem ao menos olhá-la. Mostrou sua carteira falsa ao policial e, ao ser acompanhada pela mais nova, entrou na casa. — Me virei muito bem sem você.
Abigail bufou, passando seus olhos por todo o local, como se procurasse algo que fosse invisível para os outros, algo que só um caçador veria.
— O que acha? — Olivia murmurou perto da mais nova, seu EMF mal apitava escondido em seu terninho, os poucos ruídos que emitia eram causados pelos aparelhos elétricos na casa. Abigail respirou fundo, franzindo o cenho, mantendo sua visão focada á frente. A mais velha a encarou confusa e depois direcionou seus olhos para onde a irmã olhava, tentando encontrar o que lhe chamava tanto a atenção. — O que foi?
— Quem são aqueles? — Abby apontou, discretamente, com a cabeça, direcionando seu aceno para dois rapazes que falavam com uma garota loura. O mais alto segurava em uma das mãos um bloco de anotação, enquanto o menor se perdia entre os seios da garota. Abigail fez uma careta. — E não, eles são menos federais do que nós.
— Caçadores?
Abigail fez um muxoxo e se pôs a caminhar. A irmã podia imaginá-la dizendo, claramente, algo como, "é o que vamos descobrir", mas de alguma forma Abby se mantinha mais calada do que já era. Olivia assumiu a frente, quanto chegaram perto o suficiente para atrair a atenção dos homens, que não demoraram muito para pararem o que estavam fazendo, e fixarem-se somente nelas.
— Olá, rapazes. — A voz profissional de Olivia se fez presente, fazendo com que a mais nova rodasse seus olhos e soltasse uma risada abafada pelo nariz. Ambas mostraram suas identidades falsas. — Agentes Bonham e Plant. — O mais alto franziu sua testa, voltando seus olhos para Abigail, que olhou para baixo, procurando disfarçar. Olivia voltou a falar antes mesmo que eles respondessem, dessa vez, mirando-se na garota. — Qual seu nome, querida?
— Tracy. — Murmurou, parecendo abalada. — Tracy Davis.
— Você viu o que aconteceu, Tracy? — Abigail perguntou.
Ela assentiu, cabisbaixa, mexendo seus pés de um lado para o outro. Os dois rapazes ainda estavam ali, parados e atentos à tudo. Enquanto Olivia tentava ignorar a presença deles, Abigail tentava se livrar da sensação de já conhecê-los.
— Foi tudo tão estranho! Ela não conseguia tirar a cabeça da bacia. Justin e eu, tentamos ajudar, mas a água estava muito quente!
— Sua amiga conhecia Luke Wallace? — O mais baixo perguntou, atraindo a atenção das garotas. Olivia começou a ligar os pontos, enquanto Abigail a olhava com uma cara que dizia "eu te avisei".
— Não, eu acho que não. Quem é Luke Wallace?
****
— Tracy Davis. — Olivia murmurou consigo mesma, enquanto Abigail sentava-se atrás da direção do carro. A mais nova a encarou brevemente, batucando seus dedos no volante. — Por que esse nome não me é estranho?
— Por quê, — Abigail começou, escolhendo bem suas palavras. — Tracy Davis é garota problema da cidade. — Olivia a encarou, sentando-se torta no banco do passageiro, esperando que a irmã continuasse. Abby revirou seus olhos, teatralmente. — Lembra daquele professor? Senhor Harding?
— Don? O doido das máscaras de Halloween? — Olivia riu. — O que tem ele?
— Não sei. — Abby deu de ombros. — Só os vi brigando algumas vezes, quando estudava aqui.
— Tem certeza? Tracy é mais nova que você, e mesmo assim, o Don não parece ser do tipo que arruma confusão com alunas. Ele arruma outras coisas com alunas.
— Você é nojenta. — Abigail contorceu seus lábios, franzindo o cenho. — Não custa nada falarmos com ele.
— Você vai. — Olivia deu de ombros, fingindo desinteresse. — Ele lembra da minha cara, nem forçada eu entro lá, ainda mais fingindo ser do FBI.
Abigail podia fazer um longo discurso sobre os motivos que a impediam de voltar naquele colégio, mas para a sorte de Olivia, dois socos no vidro do carro a desconcentraram e atraíram totalmente sua atenção.
— Ei! Abre a porta!
— Puta merda, Abby, é o agente. — Olivia se embaralhou nas palavras, enquanto procurava seu distintivo e assistia a irmã se atrapalhar ao tentar colocar os sapatos. Olhou para o lado do motorista, onde o agente mais alto, assistia a irmã bater a testa, repetidas vezes, contra o volante. — Cadê essa droga?!
— Ai que merda! — Abigail chiou, quando o moreno deu dois tapinhas no vidro, fazendo o mesmo movimento que o outro fez, anteriormente. — Já vou abrir!
— Tá, achei. — Olivia se endireitou no banco, e baixou o vidro, depois de Abigail acenar-lhe com a cabeça, confirmando que estava tudo bem. A irmã imitou seu movimento, forçando um sorriso. — Agentes, como podemos ser úteis?
— Bonham e Plant, huh? — O loiro perguntou, contendo o riso, olhando por cima do carro para o maior. — Sabe, eu não sou muito rápido para assimilar as coisas mas, sou um grande fã de Led Zeppelin.
Abigail respirou fundo, olhando brevemente para a irmã, que desmanchava aos poucos seu sorriso.
— Quem são vocês? — Abby perguntou, olhando de um para o outro. — E não, não são federais.
— Gracinha, nós quem fazemos as perguntas aqui.
Olivia ergueu uma de suas sobrancelhas, totalmente descrente com o apelido irônico usado pelo homem. Segurou a maçaneta da porta e a abriu com força, empurrando-a contra o corpo do rapaz, no exato momento em que Abigail gritou seu nome.
— Olivia, pare com isso!
Abigail conhecia a irmã bem o suficiente para sabe que ela não só bateria boca com o outro caçador. Olivia era explosiva, não conseguia conter sua raiva e não reagia bem a apelidinhos como aquele.
— E quem você pensa que é, agente? — A mais velha perguntou, batendo a ponta de seu dedo indicador no peito do homem, enquanto erguia sua sobrancelha, ignorando totalmente a irmã. — Vai fazer o quê, me prender por forjar um distintivo?
— Moça, não queremos problemas. — O maior se aproximou, aparecendo por trás de Abigail, que respirava fundo, massageando sua têmpora, tentando pensar em algo que pudesse acalmar os ânimos da irmã.
— Oli, temos problemas maiores aqui. — Abigail o cortou.
— Que droga, Abigail! — Olivia a olhou furiosa. — Para de dizer o meu nome!
Abby revirou seus olhos. Era incrível como a irmã conseguia ser infantil quando queria. Ergueu suas mãos em sinal de rendição, abrindo a porta do passageiro do carro, sentando-se no banco.
— Dean, já chega. — O maior afastou o loiro de Olivia, que ainda cerrava seus dentes. — Você disse que queria conversar com elas, isso aqui não é conversar. — O loiro assentiu contra gosto, fazendo a garota bufar. Tanto Abigail, quanto o moreno ignoraram o ato, prosseguindo, tentando levar a conversa para um lado mais amigável. — Sou Sam, esse é meu irmão, Dean.
— Abigail. — Abby estendeu sua mão para o moreno, acenando com a cabeça para Dean. — Aquela... Vocês já sabem.
— O que estão fazendo na cidade? — Dean cortou, direcionando sua pergunta para Abby, mas foi Olivia quem respondeu, encostando-se na porta ao lado da irmã.
— Moramos aqui. — Raspou a garganta, corrigindo-se. — Eu moro aqui.
— Caçadores não tem morada fixa. — Dean murmurou, voltando seus olhos para a loira.
— Pois é, amor, novidades para você, nós temos. — E então olhou para Abigail. — Não é, Abby?
— Por favor. — Abigail chiou. — Não temos tempo para isso agora. Temos uma bruxa na cidade, e não sabemos atrás de quem ela está.
— Não acho que ela esteja atrás de alguém em especial. — Sam murmurou, olhando para Abigail. — Luke Wallace estava limpo, correto? Talvez ela não esteja matando por vingança, talvez esteja lançando um feitiço.
— E porque acha isso? — Olivia perguntou, vendo-o retirando um saquinho de bruxa do bolso de seu terno. Quando Sam o abriu, Oli não pode conter sua surpresa. — Ah! — E então olhou para a irmã. — O que acha?
— Acho que devemos falar com Don.
— Don? — Dean perguntou, dirigindo-se para a morena, pela primeira vez.
— Ainda insiste nisso? — Olivia indagou, direcionando sua pergunta à irmã.
— Se alguém sabe de algo sobre o mal comportamento da Tracy, esse alguém é ele.
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— Vejam isso. — Sam chamou, encostando-se na cadeira quando os outros três se juntaram a ele. — "Três sacrifícios de sangue em três dias. O último, antes da meia-noite do último dia da colheita final."
Haviam alugado um quarto de hotel e Olivia e Abigail, tinham passado o resto do dia lá, tentando ligar os pontos e chegar á alguma conclusão que fizesse sentido.
Abigail foi a primeira a se pronunciar, após ler o texto que Sam deixara na tela do computador. Arregalou seus olhos e franziu o cenho.
— Samhain? — Perguntou abismada, olhando do moreno para a irmã. Olivia deu de ombros, deixando claro que não fazia a mínima ideia do que a mais nova falava. — Por que acha isso, Sam?
— Escuta só. — Sam raspou a garganta. — No calendário celta, o último dia da colheita é 31 de outubro. O dia das bruxas
— Se for Samhain, o problema é bem maior do que pensamos. — Abby suspirou, encostando-se na parede.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? — Olivia perguntou, sentando-se na cadeira de frente para Sam. — Samhain é o quê, um bruxo?
— Samhain é um demônio. — Sam murmurou, fechando o notebook. — Samhain deu origem ao dia das bruxas, os celtas acreditavam que, no dia 31 de outubro, o véu entre mortos e vivos fica mais fino.
— E os mortos podiam andar entre os vivos. — Abby completou.
— Era a noite de Samhain. As pessoas usavam máscaras para se esconder dele, deixavam doces nas portas para apaziguá-lo. Samhain foi exorcizado há séculos.
— E, mesmo com ele no andar de baixo, as tradições permaneceram. — Dean concluiu.
— Só que agora temos crianças imbecis pedindo doces ao invés de orgias de sangues. — Olivia gozou, bufando, sentando-se na beirada da cama. — E agora uma bruxa maluca quer trazer esse demônio de volta para a festa?
— É um ritual pesado, essa bruxa deve ser muito poderosa. — Sam murmurou, olhando rapidamente para Abigail, que mexia as mãos freneticamente. Odiava bruxas e odiava mais ainda, bruxas que invocavam demônios. — Esse tipo de magia só pode ser realizada há cada 600 anos. — Olhou para Dean, passando seus olhos para as garotas em seguida. — Olha, começa com fantasmas e monstros. O cara continua e, no final da noite, temos as piores coisas que já caçamos.
— Vai ser uma carnificina — Abigail pensou alto, batendo sua testa contra a parede.
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Dia das Bruxas:
— Tudo bem. — Dean grunhiu, batendo a porta do quarto do motel. Olivia e Abigail tinham acabado de chegar e haviam se juntado á Sam na pesquisa, tentando descobrir mais sobre Samhain. — Tracy é uma mentirosa e uma possível suspeita.
Olivia levantou seus olhos, encarando Dean como quem dizia: "Jura?", mas preferiu manter sua boca fechada e voltar a ler o livro que Sam havia lhe dado. E foi o irmão mais novo quem se pronunciou primeiro, erguendo-se da cadeira, atraindo a atenção de Abigail, que parecia atenta a qualquer movimento que ele fizesse.
— Sério?
— Ela era babá do bebê dos Wallace e disse que nunca tinha ouvido falar em Luke Wallace. — Dean respondeu, tirando o casaco e sentando na cama.
— Bom... Pelo menos ela parece bem para uma bruxa centenária. — Sam comentou.
— Se você fosse uma baranga de 600 anos e pudesse voltar do jeito que quisesse, você escolheria um corpo todo enrugado e cheio de verrugas, Sammy? — Sam franziu o cenho, incrédulo, mesmo sabendo bem a forma com a qual o irmão se portava. — Eu escolheria ser gostosa.
— Você é ridículo. — Olivia rodou seus olhos. — Não acredito que estou me sujeitando a trabalhar com outros caçadores.
— Não somos tão ruins, docinho. — Dean afagou a perna da mais velha, recebendo um olhar mortal de volta.
— Temos uma causa maior aqui, Oli. — Abby respondeu, dando de ombros, sem se dar ao trabalho de erguer seus olhos do livro que lia.
— Tracy não é tão certinha quanto parece, fiz uma pesquisa e descobri que ela teve uma briga séria com um professor, foi punida por isso. — Sam cortou a discussão, apaziguando o clima que sempre surgia entre Olivia e Dean, e eles se conheciam há menos de dois dias, ele mal podia imaginar como seria se aquilo durasse por mais tempo do que o necessário.
— Senhor Harding. — Abby murmurou, chutando a irmã. — Eu te avisei, Olivia! — E então olhou para os dois. — Me lembro de ver Tracy e Don discutindo algumas vezes, estou pensando nisso desde ontem, ele pode saber de algo.
— Então vamos falar com ele. — Dean concordou sem pestanejar.
****
— Não acredito que me convenceu a voltar aqui. — Olivia murmurou, ajeitando o terninho no corpo. — Puta merda, a gente podia ter ficado no motel. Abby, eu prefiro fazer pesquisas, juro por Deus!
Abigail riu, puxando a irmã pelo braço, entrando na sala do antigo professor Harding, na expectativa de que ele não as reconhecesse. Depois de alguns minutos de espera, ele finalmente apareceu, vestido exatamente da forma com a qual elas se lembravam, portador da mesma velha esquisitice.
— As senhoritas queriam falar comigo?
— Olá, senhor Harding. — Abigail lhe estendeu a mão.
— Por favor, Don. — Don respondeu, apertando-lhe a mão.
— Tudo bem. Don. — Olivia murmurou, sorrindo falsamente.
— Até meus alunos me chamam de Don.
— Sou a agente Bonham, esta é a agente Plant. — Abby falou, mostrando-lhe os distintivos, cortando a ladainha e apressando o assunto. — Nós temos umas perguntas sobre Tracy Davis.
— Ah, sim... Tracy. Brilhante, muito talentosa. Uma pena ter sido suspensa. — Don falou com pesar.
— Vocês dois tiveram uma discussão... violenta? — Olivia perguntou, sem saber ao certo qual termo usar.
— Pois é, ela explodiu. Se o diretor Morrow não tivesse aparecido na hora, Tracy teria arrancado meus olhos.
— Por que?
— Eu estava tentando falar com ela sobre um trabalho, que ficou inapropriado e perturbador.
— Mais perturbador que aqueles caras ali? — Oli perguntou rindo baixo.
— Ela cobriu as páginas com uns símbolos bizarros e crípticos. — Don disse depois de sorrir. — E também fez uns desenhos... Imagens detalhadas de mortes. Sangrentas. Primitivas. Ela se desenhava no meio delas, participando.
— Símbolos? Que tipos de símbolos? Alguma coisa assim? — Abby perguntou, mostrando uma moeda dentro de um saquinho, achada por Sam em uma das cenas de crime.
— É, pode ter sido algo assim. — Don respondeu de forma despreocupada.
— Você sabe onde ela pode estar agora?
— Acho que no apartamento dela.
— Apartamento dela?
— É... Ela se mudou para cá sozinha, há um ano. Pelo o que sei, ela foi emancipada. Só Deus sabe como eram os pais dela.
— Certo. — Abigail sorriu, despedindo-se. — Obrigado pelo seu tempo.
****
— Anjos? — Olivia perguntou, jogando-se na cama de Dean. — Anjos?!
— Amor, você já perguntou isso seis vezes. — Dean bufou. — Temos encontros frequentes com anjos. Mais frequentes do que gostaríamos.
— E porque anjos estariam interessados em uma bruxa? — Abby perguntou, interferindo. — Por causa de Samhain?
— Tem algumas coisas que não contamos á vocês. — Sam murmurou, envergonhado. — Não por falta de confiança, por falta de tempo.
— É uma boa hora para abrir o jogo, Sammy! — Olivia grunhiu. — O que diabos está havendo aqui, afinal?
Abigail sentou-se ao lado da irmã na cama, olhando de Sam para Dean, ambos parados em sua frente, como pais ficam quando vão dar broncas em seus filhos. Controlou sua vontade de rodar seus olhos e procurou manter sua calma, mesmo sabendo que, independe do que diriam, não era coisa boa.
— A ascensão de Samhain é um dos 66 selos. — Sam suspirou, olhando rapidamente para Dean. — Para libertar Lúcifer do Inferno.
Um silêncio perturbador tomou conta do quarto. Olivia procurava absorver tudo, focalizava seus olhos, em fúria de Dean para Sam, tentando entender o que o mais novo tinha acabado de dizer, mas simplesmente não conseguia. Ao seu lado, a mais nova, entreabriu seus lábios, movendo-os devagar, procurando a palavra certa para dizer, alcançando o sucesso, alguns segundos após absorver tudo.
— Eu... Eu ouvi boatos. — Suspirou, colocando sua cabeça entre as mãos. Sem saber ao certo o que fazer a seguir. — Quer dizer, eu estava fora dessa vida, mas, essa vida não estava fora de mim. — Levantou seus olhos para Sam. — Se Samhain não for impedido, um selo vai ser rompido, é isso?
Sam assentiu.
— E por quê aquelas porcarias de anjos não fazem nada? — Olivia levantou-se da cama, colocando suas mãos na cintura, fuzilando Dean com o olhar. — Não podem destruir a droga de uma bruxa?
— Eles iam fazer isso. — Dean respondeu, calmamente, colocando suas mãos, delicadamente, sob os ombros da mais velha, ainda que receoso. — Mas queriam destruir a cidade como garantia.
O silêncio se fez presente por alguns minutos. Cada qual, ali, sem saber direito o que fazer ou falar. Abigail odiava silêncios perturbadores.
— Então, acho que temos uma bruxa para queimar. — E foi ela quem o quebrou, suspirando e pondo-se de pé ao lado da irmã, para em seguida caminhar até a porta e sumir por ela, sendo seguida pela mais velha.
— Você devia se casar com ela. — Dean riu, seguindo as garotas, enquanto ouvia o irmão rir e bufar atrás de si, antes de bater a porta. — Falo sério! Além de caçadoras, são tão malucas quanto nós.
— Primeiro, nós as conhecemos há dois dias. — Sam numerou, caminhando lentamente ao lado do irmão até o carro, observando Abigail bater contra a buzina de seu Jipe, freneticamente. — Segundo, não acho que ela se considera uma caçadora mais.
Dean deu de ombros.
— Tudo bem, ela é doida demais para você. — Continuou entrando no carro, dando partida.
Sam rodou seus olhos, juntando-se ao irmão, prestes a responder quando focalizou seus olhos no painel do carro, mais precisamente no saquinho de bruxa. Pegou os pequenos ossos de recém nascidos por entre os dedos, apertando seus olhos ao analisá-los.
— Sabe o que é preciso para queimar um osso assim? Isso deve ter centenas de anos. — Perguntou, mostrando ao irmão.
— Certamente não é numa fogueira comum. — Dean murmurou, seguindo o Jipe pela rua. — Está bem tostado.
— Um defumador faria esse trabalho em poucos minutos. — Sam respondeu, vendo que Dean começava a compreender sua linha de raciocínio. — Vou avisar as garotas.
— Que ótimo, de volta á escola.
O caminho até o colégio foi silencioso, todo o colégio estava vazio, assim como o quarteirão, parecia que toda a cidade havia se reunido em algum lugar especifico para celebrar a noite de Halloween e se você é um adolescente, com certeza, esse lugar não é na sua escola.
— Você é ótima para destrancar fechaduras. Deveria falar isso nas suas entrevistas de emprego para a faculdade. — Olivia tirou sarro, enquanto a irmã abria a sala do professor Harding.
Dean abafou o riso, enquanto Abby rodava seus olhos.
— Então, Tracy usava o defumador para queimar os ossos? Isso está ficando cada vez mais bizarro. Até para nós. — Dean murmurou, entrando na sala, sendo seguido pelos outros.
— Dean, as bolsas de ervas apareceram nos nossos quartos não depois de falarmos com Tracy... — Sam falou, direcionando sua lanterna para as estantes, enquanto Abigail procurava na mesa.
— Apareceram depois que falamos com o professor. — Olivia murmurou baixo.
— Encontrei algo. — Abby falou, pegando um martelo enquanto apontava para o cadeado. — Sam, pode iluminar para mim?
Depois de algumas batidas do martelo na gaveta, Abigail finalmente conseguiu quebrar a fechadura e, antes de abrir, levantou o olhar para os, como se esperasse por aprovação. Depois de alguns segundos, puxou a gaveta, revelando o que todos esperavam encontrar.
— Cara, são todos ossos de crianças. — Dean falou cobrindo a boca com a mão, não conseguindo disfarçar seu nojo. — Acho que ele não guardou para o cachorro.
— Acho que encontramos nosso bruxo. — Olivia apertou os lábios.
****
O tempo era curto, faltava pouco para meia noite e á cada segundo que o ponteiro do relógio se arrastava, ficava mais difícil saber aonde encontrar a bruxa. Enquanto Olivia seguia o impala pelas ruas da cidade, Abigail traçava rotas e possíveis locais para rituais, como casas abandonadas ou fazendas distantes. Por mais difícil que fosse, Abby precisava admitir que sentia falta daquela adrenalina toda.
Quando finalmente entraram em um acordo que a pequena casa ao norte da cidade parecia o palco perfeito, avisaram os garotos e partiram para lá. Olivia odiava admitir, mas a irmã era realmente boa no que fazia, pois mais uma vez, obtera êxito. Ao entrarem no porão da casa, encontraram o senhor Hardin, portando uma faca e avançando para cima de Tracy, que tinha suas mãos presas sob a cabeça.
Depois de Sam e Dean atirarem nele, Abby se pôs a correr até a garota, sendo seguida pela irmã.
— Obrigada. Ele ia me matar, esse filho da puta. — Tracy murmurou, afagando os pulsos. — Vocês viram o que ele estava fazendo? Vocês o ouviram? Que encanto mais sem jeito! — Grunhiu, movendo suas mãos, lançando-os para longe, jogando-os contra a parede.
Tracy ergueu o cálice e começou a falar o encantamento em latim. Abby passou seus olhos de Olivia para Dean, e então parou em Sam, que esticava seus dedos até a poça de sangue de Don, lambuzando seus dedos, passando-os em seu rosto em seguida.
— O que está fazendo? — Murmurou.
— Confie em mim. — Sam respondeu, sujando o rosto de Dean com sangue antes mesmo que ele percebesse, atraindo a atenção de Olivia que fez o mesmo.
Embaixo dos corpos imóveis, o chão tremeu por alguns segundos e então se abriu, liberando a conhecida fumaça negra, que ao se revelar preencheu o corpo sem vida de Don, que se ergueu do chão. Abby entreabriu seus olhos, focando-os em Tracy que caminhava até Samhain, não conseguindo conter o sorriso em seus lábios.
— Meu amor.
— Você envelheceu. — Samhain respondeu.
— Este rosto... Não te enganou. — Tracy baixou seus olhos.
— Sua beleza é atemporal. — Ele juntou a testa na dela, acariciando seus rosto, antes de contornar suas mãos ao redor do pescoço da garota e quebrá-lo, como quem quebra um objeto frágil. — Vadia.
Abby voltou a fechar seus olhos, não se arriscando em abri-los novamente até ter certeza de que Samhain havia deixado a sala.
— O que foi aquilo? — Dean perguntou a Sam, levantando um pouco a cabeça.
— Lenda do dia das bruxas. — Ele respondeu, dando de ombros. — As pessoas usavam máscaras para se esconderem dele. Resolvi tentar.
— Resolveu tentar? — Olivia e Dean reclamaram, fazendo Abigail rir baixo, levantando-se do chão. A mais velha prosseguiu, imitando o movimento da outra. — Se sairmos vivos dessa, eu mesma te mato.
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— Tudo bem. — Olivia resmungou sentando-se no banco de trás do impala. — Levando em consideração que se Samhain não for impedido, eu nunca mais vou poder dirigir meu carro, eu aceito ir no banco de trás do seu.
— Olivia, foco. — Abigail rebateu, juntando-se a irmã. Dean deu partida. — Certo, se vocês fossem invocar forças obscuras, onde iriam fazer isso?
— No cemitério? — Dean deu de ombros, pisando firme no acelerador. — Ótimo jeito de passar o dia das bruxas.
Com Dean na direção, o caminho que já não era longo, ficou ainda mais curto. Ao entrarem no cemitério, os gritos dos adolescentes já podiam ser ouvidos, misturados á uma música alta e, provavelmente, muita bebida.
— Ajudem! — Sam gritou, se afastando.
— Aonde você vai?!
— Para trás, para trás! — Dean gritou e atirou na fechadura da grade.
— Saiam! Para fora! — Olivia chutou os portões, apressando os adolescentes, os empurrando para fora. — Rápido!
Pouco tempo depois, estavam a sós no mausoléu, ouvindo os cadáveres batendo contra o granito.
— Eu adoro filmes de terror. — Abigail murmurou, olhando para a irmã, assim que o primeiro bloco caiu. — Mas odeio Madrugada Dos Mortos.
Olivia concordou, correndo até o zumbi que se erguia do chão, enfiando sua estaca de prata no peito do cadáver. Em suas costas, Dean era lançado para trás por uma mulher vestida de negro, que para a sua surpresa, era um fantasma.
— Orgia de zumbi com fantasma, é?!
— Acho que vamos ter que botar fogo na festa. — Abby deu de ombros, pegando o esqueiro no bolso de sua jaqueta. Dean concordou sorrindo.
Olivia tentava conter sua animação ao espalhar querosene pelo mausoléu, enquanto Abigail fingia não ver a satisfação de Dean ao vê-la daquela maneira. Rodou seus olhos, assistindo o fogo devastar o lugar e dar fim á, pelo menos, aqueles monstros.
Correram até onde Sam deveria estar enfrentando Samhain e a cena que viram foi assustadora. Abigail entre abriu seus lábios e arregalou seus olhos, tentando se convencer de que a cena que via não era real, de que não podia ser real. Sam estava exorcizando Samhain sem dizer uma única palavra. Sua mão estava erguida na direção dele, que lutava para permanecer naquele corpo e avançar contra Sam. Desviou seus olhos de Sam, voltando-os brevemente para Dean, que não parecia surpreso. Seu rosto continha uma mistura de raiva e dor, que parecia um tanto quanto mortal para Abigail.
— O que está acontecendo? — Olivia sussurrou para ela, segurando sua mão com força, em um ato totalmente mecânico.
Finalmente a fumaça preta começou a sair da boca do cadáver do bruxo, segundos depois, o professor estava no chão e a fumaça negra havia se esvaído. Sam respirava de forma descompassada e Dean ainda o olhava com a mesma expressão. Quando seus olhos se voltaram para eles, Abigail pode jurar, que não foi o atencioso e, agora, conhecido Sam que viu ali.
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A noite de horrores havia tido um fim, a lua ainda brilhava viva no céu, sendo acompanhada por dezenas de estrelas e todas as pessoas da cidade, ainda respiravam. É, o dever tinha sido cumprido. Mas aquela não havia sido a pior parte daquele final de semana, Abigail sabia disso. O pior ainda estava por vir e ela não tinha mais tanta certeza se estava preparada para ele.
— Como você está?
Ouviu a voz de Sam e ao olhar para o lado, foi o rosto dele que encontrou. Deu-lhe um sorriso, olhando, brevemente, para a irmã que conversava com Dean na porta do quarto do motel. Eles estavam indo embora, e mesmo que mal tivessem tido tempo de se conhecerem melhor, Abigail sentiria falta deles.
— Acho que estou bem. — Deu de ombros. — E você, Sam?
— Na medida do possível. — Sam raspou sua garganta, rindo de forma desconfortável. — Vamos nos ver novamente?
— Se quer me chamar para sair, pode fazê-lo, Sammy.
— Você aceitaria?
— Não. — Abigail sorriu, encarando-o nos olhos por alguns minutos, depois respirou fundo deixando seu olhar se perder no horizonte á sua frente. — Sam, não quero me meter nessa coisa que você e o Dean tem, mas, seja lá o que aconteceu ontem, você sabe que é errado.
— É por isso que não quer sair comigo? — Sam brincou rindo brevemente, depois endireitou-se no capô do Jipe e encarou Abigail. — Não sei o que estou fazendo, mas estou salvando pessoas.
Abby assentiu em silêncio, pegando sua mão delicadamente, apertando-a contra a sua. Sorriu de lado e baixou seus olhos, incerta do que dizer. Se importava com Sam, assim como se importava com Dean. Gostaria de vê-los de novo. Vivos.
— Só não deixe isso custar sua vida, ok? — Soltou sua mão da dele, parando em sua frente, aproximando seu rosto do dele para dar-lhe um beijo na bochecha. — Nos vemos em uma outra vida, Sam.
Antes que Sam respondesse, Dean e Olivia se aproximaram sorrindo e após alguns segundos de despedidas, lado a lado, Olivia e Abigail assistiram os garotos entrarem no carro e deixarem a cidade. Olivia aproximou-se da irmã, pegando sua mão, vendo Abby depositar a bochecha em seu ombro. Esboçou um breve sorriso antes de se pronunciar, sabendo que na manhã seguinte a vida seguiria seu curso e depois do enterro do pai, Abby voltaria para sua nova vida e que não a veria novamente tão cedo.
— Senti sua falta. — Olivia sussurrou. — E acho que vou sentir a dele.
Abigail sorriu, apertando a mão da irmã com mais força, quase como quem dizia: "eu também, eu também". Para as duas afirmações.
Notas finais
Eu não sou muito boa com essa coisa de notas finais, e acho que nunca precisei escrever uma tão rápido. Essa One foi escrita com muito carinho e deu muito trabalho. Muita gente pode achar que não por ser baseada no episódio de Supernatural, porém, eu levei doze dias para montar toda a história e no final, eu tinha mais de doze mil palavras escritas e precisava diminuir, sem saber o que tirar e o que deixar. Foi complicado. Doeu no coração. Mas aqui estamos. Eu ia colocar tudo isso no final no capítulo, mas preferi colocar aqui, para ficar um pouco mais organizado.
Foi especial para mim escrever essa One, e eu quero oferecer toda minha gratidão ao Belíssimo Design (http://belissimodesign-bd.blogspot.com.br/) por me oferecer a proposta de participar desse Concurso maravilhoso de Halloween! Foi realmente mágico escrever essa fic, era algo que eu queria fazer há muito tempo, mas precisava de um empurrão. E bom, bingo, meu empurrão veio e minha vontade de escrevê-la se concretizou. Essa fic é para vocês, que foram uns amores por terem me convidado e para as minhas AMADAS Hunters ~ obrigada por fazerem de nós, o MELHOR fandom do mundo! ~ eu nunca vou me cansar de escrever para vocês ♥
Não sei escrever terror e muito menos horror, tenho a mania imbecil de ver arco-íris colorido em tudo, mas me esforcei e espero que tenha saído no MÍNIMO um suspense. Caso isso não tenha acontecido, podem desconsiderar a história do concurso, ela ainda vai ser dedicada á vocês, porque foi graças á ideia desse concurso incrível que ITGPSW saiu. ♥
Esses doze dias escrevendo It's The Great Pumpkin, Sam Winchester, foram incríveis! Que venham muitas fanfics de Supernatural e muitos concursos do Belíssimo Design! E hoje, dia 14/11 ás 22:21 eu acabei o capítulo, espero que esteja tudo certo e que agora eu possa postá-lo quando a capa estiver pronta ♥
Deixo aqui meu ask: http://ask.fm/arrobajuuh
E minhas orações para Paris, Mariana, Fortaleza, Japão, Bagdá, Beirute, México, Quênia e para o mundo todo. São tempos sombrios, o amor precisa ser semeado em todos os cantos do mundo, inclusive na internet, aonde o ódio é incitado com tanta magnitude.
Fiquem com Deus ♥
Amo vocês!
Xx Jubs.
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