It's my life

5 Capitulo 5 – A empreitada do Caos


Notas iniciais
Caos e Confusão andam sempre juntos, como eu e o Butters. Então, como esperar algo diferente do que um desfecho lamentável?...

Acordo cansada com o despertador tocando, acabei voltando tarde da minha “saidinha noturna” e isso acabou com o meu ciclo de sono. Me levanto e vou em direção ao banheiro para um banho merecido e minha higiene pessoal. Saio ainda com os cabelos molhados e me visto para acordar Katy.

Violet: Bom dia Katy, acorda, vamos nos atrasar para a escola – Na verdade, era eu quem estava atrasada. A garota resmunga levemente um “bom dia”, indo se arrumar no banheiro dela.

Volto para o meu quarto para secar o cabelo, me arrumo com as roupas novas de frio que chegaram finalmente! Comprei uma college feminina branca e vermelha, uma saia branca de colegial, meias térmicas e um tênis casual branco. Estava bem bonita e com a camisa térmica que comprei para por debaixo da roupa estava quentinha. Desço tomando as pressas meu achocolatado e saindo apressada de casa, James nos esperava e por mais estranho que fosse, Jhonny já tinha ido para escola.

Meu irmão não era o mais estudioso, então não tinha o porquê dele ter ido tão cedo, isso é claro até chegamos na escola e avistarmos Jhonny se pegando com uma colega da sala dele. Mulher, claro. Na verdade, até que demorou dessa vez, ele era mulherengo de carteirinha, sempre tinha alguma menina atrás dele, as vezes várias. Sinceramente não estava nem surpresa.

Entro na escola com Katy e a deixo na sala dela, cumprimentando Karen por consequência. No meu armário me deparo com Clyde, ele estava estranhamente apoiado no meu armário e sorrindo com aquele sorriso galanteador de sempre. Admito que estava curiosa, eu queria ver até onde ele iria, mas com cautela, ouvindo o conselho do Butters, apenas agindo “formalmente” com ele. Me aproximo do meu armário com um sorriso gentil.

Violet: Bom dia Clyde. – Digo fingindo nem saber o porquê ele estava ali, abro o armário suavemente, tapando a visão dele de mim. Ele muda de posição, ainda próximo de mim.

Clyde: Bom dia Vi – Que intimidade é essa...? – Você está linda hoje, estamos combinando. – Puta merda. Olho para baixo e ele usava a mesma college versão masculina que eu, meu olhar de surpresa era inegável, mas depois sorrio gentil disfarçando.

Violet: Oh, que coincidência! Eu acho essa blusa linda mesmo, fica bem em você também – Tento ser educada, mas parece que ele interpretou de outra forma.

Clyde: É mesmo, que tal irmos tomar um sorvete depois da aula? Podíamos passar na loja de sapatos depois, posso comprar um tênis branco para combinarmos ainda mais... – Ele diz em um tom sedutor, parecia nem fazer questão de disfarçar o interesse.

Eu nem sabia o que responder, meu sorriso desconcertado para ele foi a única coisa que consegui fazer, ainda bem que Butters e o quarteto de amigos dele chegou bem na hora.

Butters: Vi! Bom dia, tudo bem? – Ele olha animado para mim e depois olha curioso para Clyde. – O que está fazendo Clyde?

Clyde: Só vim conversar com a Vi, estamos combinando hoje. – Ele pisca para mim, me sinto nervosa com a situação e dou uma risadinha.

Violet: Bom dia Leo... Coincidência né... – Digo rindo nervosamente.

Clyde: Então Vi, sobre o sorvete... – Ele coloca o braço sobre meus ombros e eu me desvencilho corando um pouco e indo pro lado do Butters.

Violet: É uma ótima ideia! Leo, Clyde convidou a gente pra tomar sorvete depois das aulas, vamos? – Olho para ele quase com uma prece para que ele não me deixasse ir sozinha.

Butters: Claro! Vai ser ótimo! Vamos todos tomar sorvete depois da aula então. – Ele sorri gentil para mim, convidando os demais meninos. Estava salva!

Cartman: Sorvete é do caralho! Claro que topamos. – O gorducho se empolgou por óbvio.

Stan: É uma boa mesmo, faz tempo que não vamos a sorveteria... – Moreno parecia pensativo, mas concordou com o passeio.

Kyle: Posso te mostrar a sorveteria da cidade Vi, tem o melhor sorvete do chocolate de todos... – Ele diz se aproximando e juro ver a cara do Clyde fechar. Kyle era um doce, suas intenções eram claras também, mas achava ele mais interessante do que Clyde, não por nada, só não gostava de garotos tão invasivos.

Butters: Fechado, sorvete depois da aula então galera! – Sigo Butters para sala aliviada de ter escapado das garras do Clyde, o garoto por outro lado parecia que ia chorar, fiquei com pena dele.

O dia é relativamente rápido, as aulas passam bem rápido dessa vez, sem pensar no herói meu foco voltou e eu nem percebi o tempo passar, graças a minha atitude stalker, estava satisfeita ainda por ver ele na noite passada. Admito ter olhado as fotos dele escondida algumas vezes no dia, eu não conseguia resistir. Tinha tirado uma exatamente do seu lindo sorriso, era a que eu mais gostava de olhar. Quando o intervalo toca, termino de anotar a matéria quando Butters me cutuca me chamando para lanchar, eu sorrio, mas nego com a cabeça.

Violet: Vou para a sala de música para treinar, me encontra lá depois se quiser ver uma palinha do que eu faço... – Sorrio gentil tocando o seu ombro em despedida, ele sai animado para o refeitório e eu sigo em direção a sala de música, comendo apenas uma maçã.

Sigo os corredores até a sala que não parecia ser muito usada, o piano mesmo deveria estar em melhor estado, considerando ser um piano de cauda, um instrumento delicado mesmo sendo enorme. Me sento no banco e dedilho algumas teclas, afino outras e quando vejo estou tocando a música dos meus pais. Era conhecida como a música do filme “Titanic”, minha mãe assistiu esse filme doze vezes com meu pai e chorou as doze vezes e ele fez questão de abraça-la todas essas vezes. Eu tocava em um ritmo um pouco mais lento, para acompanhar a letra ao invés da batida, eu começava e recomeçava tentando interpretar o sentimento.

Após algumas tentativas, começo a cantar, baixinho no início, penso no amor dos meus pais, o único referencial longínquo de amor verdadeiro que eu tenho, penso na Katy e meu amor por ela e a canção chega no seu clímax. Alcanço as notas mais altas sem muita dificuldade, mas paro a música antes de terminar.

Violet: Ainda não é esse o sentimento, porra... – Abaixo a cabeça com os olhos no teclado frustrada por um segundo e logo penso em outra música.

Reinicio agora outra música, “A Thousand Years” de um filme que eu gostava há alguns anos atrás, nunca fui muito fã de romance então músicas românticas eram difíceis para mim. Gostava da versão estendida dessa música e logo começo a cantar, sem muita emoção, até determinado momento onde começo a lembrar a letra e o herói me vem a mente. Não sabia se era suficiente o sentimento que sentia por ele, mas era o que eu ia usar para poder interpretar o sentimento de amor.

Logo estava cantando com muito mais emoção, quase dava pra sentir a mesma sensação de quando nos beijamos pela primeira vez. “O tempo trará seu coração para mim” algumas frases saíam com mais intensidade que outras e era ali que eu reconheci, estava apaixonada por ele. Completamente perdida e alucinada apenas pela simples lembrança de seu doce beijo e de seu sorriso encantador. Só naquele momento que eu consegui de fato assumir isso.

Termino a canção dedilhando as teclas gentilmente, sinto meu rosto arder levemente e um sorriso em meu rosto que insiste em ficar. Quando a última nota chega ao final ouço aplausos e coro ao olhar para a porta.

Butters: Puxa vida Violet, não sabia que você tocava e cantava tão bem – Ele diz sorridente e estaria tudo bem se ele não tivesse trazido Stan, Kyle e companhia. Me sinto coagida e me encolho no banco.

Violet: O-obrigada... – Gaguejo um pouco. – Estou treinando um pouco só isso... Não sou muito boa em interpretar esse tipo de sentimento...

Kyle: Para mim você pareceu ótima! – O garoto de chapéu verde me elogia e eu continuava corada, constrangida por ser flagrada cantando e pensando no herói, ainda que ninguém soubesse.

Em seguida, ouço uma confusão do lado de fora, como se fosse uma briga ou algo assim. Logo, Tweek e Craig passam correndo pelo corredor, mas são interrompidos pelo garoto de toca azul e pompom vermelho.

Stan: O que está acontecendo?! – Ele pergunta preocupado aos amigos.

Craig: Um garoto do 2º ano parece que vai bater no Jimmy e no Timmy; — Ele diz desesperado e o loiro atrás dele grita, voltando a correr para testemunhar a briga.

Cartman: Porra vamo lá ver! – Eles saem correndo pelos corredores atrás da confusão.

Eu demoro a raciocinar. Garoto do segundo ano?! De repente meu corpo gela, eu sabia, no fundo eu já tinha certeza, me levanto apavorada e começo a correr em direção a confusão, tão rápido que alcanço os meninos em segundos.

Butters: Violet?! – Eu passo por eles mais rápido que posso.

Por Deus, eu rezava para não ser, mesmo sabendo que só podia ser ele. Eu corria como se me vida dependesse disso e de certa forma dependia, pois somente ao chegar no corredor e ver a cena foi quando meu coração parou e meu medo se confirmou. O garoto do segundo ano era Jhonny, ele estava segurando a gola do menino de muletas ameaçando dar um soco nele.

Violet: Jhonathan!!! – Eu grito para ele, ele me olha com ódio. Me aproximo apressadamente dele, passando pela barreira que se formava de adolescentes e crianças causando tumulto no corredor dos armários.

Jhonny: Não se mete Violet ou vai sobrar pra você! – Ele sobe a mão novamente e sem pensar duas vezes eu o impeço segurando seu braço.

Violet: Jhonny... Não tem outra escola em South Park... Se você for expulso vai complicar as coisas... – Eu digo com dificuldade fazendo força para conter o soco dele.

Jhonny: ESSE MOLEQUE ME PROVOCOU MERECE UM SOCO NA CARA! – Ele solta Jimmy, para se livrar de mim, eu me afasto, mas quando ele vai socar o garoto eu entro na frente, colocando meus braços na frente sofrendo o impacto.

“Isso dói”, penso. Os socos do Jhonny eram quase comuns para mim há quase um ano atrás. Após a morte dos nossos pais, ele se metia em várias brigas e foi expulso das várias escolas em sequência. Eu intervinha, apanhava, mas não era o bastante para evitar ele de ser expulso e por esse motivo quase fomos enviados para lares temporários.

De volta ao presente, Jhonny estava ainda mais furioso, mas agora era comigo. Outro soco. “Ai!”, penso e não consigo evitar outra feição de dor. Eu não podia desistir, mesmo que resultasse em outra expulsão, não o deixaria machucar mais ninguém.

Violet: Já terminou? – Olho para ele com uma feição de dor.

Jhonny: Para de proteger as pessoas sua ridícula! Você vai apanhar de mim como sempre acontece, então sai da frente porra! – Esse era o demônio que eu conhecia, o irmão agressivo que eu tinha que lidar. Olho séria para ele e descruzo os braços desfazendo o soco e empurrando ele para trás.

Violet: Beleza, me bate. Mas nesses garotos você não vai encostar um dedo entendeu bem?! – Digo séria e determinada. Eu não tinha medo dele, já havia passado a fase de ter medo. Eu abro os braços em proteção aos dois garotos. – Anda me soca, mas depois você vai embora calado. – Fecho os olhos, esperando o soco de Jhonny, mas ao passar alguns segundo sem sentir o impacto percebo que por algum motivo, ele desistiu. Abro os olhos para conferir o que aconteceu.

Jhonny: Pela Katy, hoje você escapa Violet. Mas não pense que tenho compaixão por você. – Olho ao redor e Katy observava tudo com lágrimas nos olhos, era horrível para ela ver os irmãos brigando. Ele se vira de costas, olhando para mim por cima do ombro – Você não pode salvar todo mundo Violet. – Ele começa a caminhar a passos curtos para longe.

Violet: Não, mas salvarei quantos eu puder de você. – Digo séria, firme em minha posição entre Jhonny e os meninos. Ele saiu com um olhar de deboche e eu suspirei aliviada.

Katy vem em minha direção desesperada, quase aos prantos e eu a abraço, me sinto culpada por ela. Enfrentar Jhonny não era ruim para mim, nossa relação sempre foi um mar de espinhos, mas para Katy, era o inferno na terra. Duas pessoas que ela amava, o que sobrará de sua família, estavam se machucando na frente dela e a pobrezinha nada podia fazer. Me perguntava se eu era uma irmã horrível, se isso era tão culpa minha quanto de Jhonny.

Violet: Ei... Calma, não foi nada está bem? – Digo acariciando os cabelos dela e sorrindo ao me abaixar para falar com ela. Tentava contornar a situação para que ela não se sentisse tão mal. – Foi só uma briga boba, você sabe. Me desculpe por isso princesa...

Butters: Isso foi aterrorizante... O Jhonny... é sempre assim?... – Ele parecia tão aterrorizado quanto os seus amigos.

Violet: Infelizmente. Saímos no soco com frequência... – Levanto as mangas da blusa para ver o estrago com uma expressão de dor, meus antebraços estavam vermelhos e roxos. – Droga... – Katy chorava em silêncio e me abraçava com força.

Jimmy: O-Obrigado... Por salvar eu e o TimTim... – O garoto de muletas e o na cadeira de rodas se aproximam. Eu seguro o braço com cuidado e sorrio.

Violet: Era o mínimo, não precisam agradecer... – Sorrio gentil para eles, acariciando novamente os cabelos da minha irmãzinha.

Timmy: Timmy... – O garoto na cadeira de rodas olha preocupado meus ferimentos.

Clyde: V-você é bem corajosa... – Ele parecia ainda bem surpreso.

Stan: Vocês sempre brigam? Eu sou assim com a minha irmã, ela sempre me bate, mas nunca fiquei tão machucado assim. – Ele diz boquiaberto.

Kyle: Isso é frequente? Porque?! – A surpresa assolava os olhares de todos.

Cartman: Isso foi do caralho... – O gordo parecia empolgado e levemente surpreso.

Violet: Ele é meu meio irmão, só é estressado demais e meio violento. Mas não se preocupem, estou bem. – Olho para Katy com carinho – Ei, minha pequena, me ajuda a enfaixar os braços na enfermaria? Podemos fazer rapidinho antes do intervalo acabar... – Ela concorda ainda meio entristecida e eu sorrio gentil, me despedindo dos garotos com um aceno de cabeça.

Vou até a enfermaria com Katy, essa cena já tinha acontecido várias vezes, eram sempre escolas diferentes, enfermaria diferentes, mas a mesma cena. Katy me ajudando a enfaixar os braços enquanto tomo analgésicos e olho para o nada, cansada de lutar contra meu meio irmão.

Após conversarmos sobre o que aconteceu e eu acalmar a pequena, levo a garota de volta a sala dela e acabo chegando atrasada na minha, tomo um esporro do professor e vou para o meu lugar. Com dor, não consigo escrever nada, então apenas assisto a aula em silêncio. Quando a aula termina Jimmy vem até a minha mesa me entregar as anotações dele, mas infelizmente a letra do menino era horrível e eu não conseguia ler nada.

Violet: O-obrigada, mas não precisa... – Sorrio desconcertada.

Jimmy: T-t-tudo bem eu sempre anoto a mais, até logo! – Ele deixa as anotações e saí. Eu suspiro e tento ler o que está escrito, mas sem sucesso.

Kenny se aproxima da minha mesa e oferece as anotações dele, olho curiosa, a letra dele era um pouco melhor que a do Jimmy, pelo menos dava para ler e não tinha piadas no meio das anotações.

Kenny: *murmurando* Pode usar se quiser...

Violet: Obrigada Ken... pelo menos consigo ler – Sorrio desconcertada. – Estamos quites, pela Karen certo?

Kenny *murmura*: É por aí, o sorvete ainda está de pé? – Ele pergunta preocupado olhando as faixas.

Violet: Claro que está! – Digo animada e cutuco o Butters – Vamos pra sorveteria.

Butters: Ah! Vamos sim! – Ele diz mexendo no celular, parecia falar com Charlotte. Ele sai andando distraído com o telefone na mão, sem dar muita atenção.

Tento pegar minha mochila, mas doía muito, Kenny pega a bolsa para mim e eu sorrio gentil.

Violet: N-Não precisa Ken... – Digo tímida ao ver ele levando minha bolsa.

Kenny *murmura*: Você está machucada, vou te ajudar, mas só um pouquinho. – Ele sorri com os olhos e eu concordo gentil.

Ao passar pelas meninas, todas elas me olhavam com ódio. Fico sem entender, mas me sinto constrangida. No portão, Butters, Team Stan e Team Craig esperavam do lado de fora.

Craig: Então o Clyde vai pagar sorvete para todo mundo? – Ouço o moreno falar, enquanto chego com Kenny ao meu lado.

Clyde: Eu convidei a Violet, não vocês! – Ele diz irritado, dou uma leve risadinha.

Token: E ela convidou o Butters...

Stan: Que no fim convidou todo mundo.

Cartman: Vamo logo porra eu to com fome!

Kyle: Quando você não ta com fome gordão!?

Violet: Fica muito longe essa sorveteria? – Pergunto gentil, não poderia tardar muito com eles, não queria admitir, mas estava morrendo de dor. Os analgésicos da enfermaria da escola eram bem fracos. Precisava tomar algo mais forte em casa. A maioria dos analgésicos comuns não tinha efeito mais em mim, depois de uns anos sendo Ladynoir, os medicamentos para a dor das batalhas as vezes não funcionavam.

Clyde: Fica aqui pertinho gata, você vai adorar. – Ele passa o braço no meu ombro e olho desconfortável para ele, me desvencilho levemente ao longo do caminho.

Num geral estar com os meninos não era tão ruim, Clyde era muito invasivo, mas as conversas com Kyle era boas. O que senti falta mesmo foi de falar com o Butters, sempre que olhava para ele, ele estava no celular, isso me chateou um pouco, mas não tinha direito de dizer nada então fiquei quieta sobre isso.

Kyle: Chegamos, o sorvete de chocolate daqui é espetacular você vai adorar! – Ele diz animado abrindo a porta para mim, acho fofo o jeito que ele me trata, seria difícil dizer a ele que já tinha alguém por quem eu tinha me apaixonado, ele era tão gentil.

Me sento no canto de uma mesa grande com os meninos, todos fazem seu pedido, olho para Kenny e falo por trás do Butters.

Violet: Obrigada por trazer minha mochila, Ken. – Sorrio gentil para ele.

Kenny: *murmurando* Não tem de que Vi. – Ele sorri com os olhos para mim e eu me ajeito no sofá novamente.

Comemos o sorvete e conversamos amigavelmente. Eles relembravam momentos entre eles e Kyle e Clyde sempre davam um jeito de me incluir em algum comentário ou algo assim, a disputa entre eles era divertida e eu só observava tudo com um milkshake de chocolate na mão. Era bom ouvir as histórias deles, me fazia ver que a vida não era só trabalho e família.

De repente o garçom se aproxima com uma bandeja com um milkshake de morango e um bilhete preso no morango no topo do doce.

Garçom: Com licença, o menino da mesa 13 mandou esse milkshake para a senhorita. – Ele me entrega o Milkshake e eu olho curiosa, um silêncio de instaura na mesa.

Cartman: Ele te deu um Milkshake de graça?! – Ele parecia fascinado de eu ter ganhado um milkshake de graça.

Butters: Você conhece ele? – Butters me pergunta olhando para o garoto de cabelos escuros na outra mesa, eu olho também mas nego com a cabeça.

Pego o abro o bilhete e leio em voz alta.

Violet: “Um milkshake de morango para a garota dos cabelos marsala. Quer sair comigo?” E um número de telefone... – Olho para o bilhete curiosa procurando algo a mais.

Token: Arrasando corações como sempre ein – Ele ri para mim e eu rio de volta.

Violet: Você quer Eric? – Empurro o Milkshake ao garoto gordo.

Cartman: Sério?! Pra mim?! Poxa você é tão legal! – Que falsidade.

Butters: Ué, porque você não toma? Não quer? – Ele pergunta inocente.

Craig: Se ela tomar, está aceitando sair com o cara.

Tweek: Isso é o básico em filmes de romance Ah!

Violet: Exatamente Léo, estou recusando-o indiretamente. Se ele foi esperto para mandar o doce, sabe bem o que significa caso eu não tome. – Deixo o bilhete na mesa, observando indiferente o Cartman beber o Milkshake em segundos.

Butters: Nossa, isso é meio triste. – Ele diz em um misto de surpresa e empatia pelo garoto rejeitado.

Violet: Não se preocupe, eu nunca sou cruel com esse tipo de coisa... – Nem tinha acabado de falar quando o garoto se aproximou da nossa mesa. O garoto moreno da mesa 13 parecia tímido ao se direcionar para mim. Ele hesita, desviando o olhar.

Garoto: E-eu... queria saber porque recusou meu doce?... Não gosta de morango? – Quase tive pena, pobre garoto. Sorrio gentil e me levanto para falar com ele.

Violet: Oi... Gosto de morango sim, desculpe recusar seu presente. Fico muito lisonjeada e feliz de ter me escolhido para mandar o doce, mas acho que deveria direcionar a sua atenção e carinho a uma outra garota, tudo bem? – Sorrio gentil acariciando o rosto dele suavemente. O garoto cora intensamente e concorda com a cabeça.

Garoto: Eu nunca fui rejeitado de forma tão carinhosa antes... – Ele diz olhando para mim com carinho – Obrigado... – Ele se vira e sai.

Eu dou uma risadinha suave voltando a me sentar e olhando para os meninos que admiravam a recusa curiosos.

Butters: Isso foi uma recusa? – Ele pergunta meio confuso.

Violet: Ah... bem, eu admiro garotos corajosos, ele veio até aqui falar comigo, merece ser tratado com carinho. Não preciso rejeita-lo de forma grosseira, não faz meu estilo e eu tenho meus motivos você sabe Leo... – Digo suspirando.

Butters: Ao invés de você se vingar dos outros garotos quebrando o coração deles, porque teu ex terminou com você, você prefere tratar os garotos com carinho? Puxa você mesmo muito gentil Violet. – Ele diz surpreso e rindo, acho que ele esperava uma atitude mais cruel da minha parte.

Violet: Ninguém merece ter o coração ferido, Léo. Não desejo isso nem ao meu pior inimigo. – Digo segurando com força o copo do Milkshake, levemente tensa.

Kyle: Eu sinto muito Violet... Não sabia que você tinha terminado, é recente? – Ele parecia preocupado verdadeiramente.

Violet: Já faz quase um ano na verdade, ele me traiu com outra garota. Então eu não confio muito nas pessoas. Mas nem por isso eu acho que garotos merecem ter seus corações quebrados. – Dou de ombros.

Clyde: Que canalha! Porque ele fez isso com alguém tão bonita e boa?!

Violet: Ele se apaixonou por ela eu acho – Suspiro e sorrio – Só me doeu porque era meu amigo, eu não o amava. – Chamo o garçom gentilmente, acenando que queria pagar a conta.

Garçom: A conta... – Eu dou o cartão para ele.

Violet: Passa tudo aqui por favor.

Butters: Violet?! Você vai pagar o de todo mundo?!

Cartman: Sua prima é foda pra caralho Butters hahaha! – Ele estava feliz porque tinha pedido uns 5 milkshakes.

Violet: Óbvio, Clyde me convidou, mas nós chamamos o resto dos seus amigos. Estou sentada na ponta, na etiqueta eu pago a conta. Obrigada! – Agradeço o garçom. – Se quiserem pedir algo a mais fiquem a vontade. Tenho que ir, até! – Me levanto pegando a mochila com dificuldade e saio da sorveteria deixando todos meio atônitos.

— POV MENINOS –

Clyde: Ai Papai, apaixonei.... – Ele diz olhando Violet sair da sorveteria.

Stan: Nossa sua prima é muito boazinha, Butters – Ele comenta tomando outro milkshake.

Craig: Legal pra caralho ela pagar os milkshakes que consumimos – Craig até sorriu de não ter que pagar a própria conta.

Cartman: Isso foi do caralho! Será que ela paga os que eu consumir agora também? – Eric como sempre desejava abusar da vontade da garota.

Tweek: Nunca vi uma garota fazer isso Ah! – Tweek olhava impressionado a conta.

Kyle: Ela é tão legal e tem o coração quebrado por um idiota qualquer, pessoas boas só se fodem. – O judeu diz em um tom preocupado e irritado, ele tinha empatia pelo o que a garota que ele estava se afeiçoando tinha passado.

Butters: Eu disse que ela era demais! A Vi sempre me ajuda também, ela já me salvou umas 3 vezes pra mais... – Ele diz pensativo relembrando os feitos da Violet por ele. O loiro era grato por agora ter alguém, que verdadeiramente se preocupava com ele.

Kenny: *murmurando* Foda pra caralho ela defendendo o Jimmy e o Timmy também – Ele relembra da briga de mais cedo.

Token: Por mim eu voto nela para entrar nos nossos times, qualquer um. Ela é bem legal quando se conhece melhor. – O garoto sugere mas logo é interrompido abruptamente pelo colega.

Cartman: JÁ VAI COMEÇAR COM ESSA PUTARIA DE NOVO?! Foi um inferno aceitar a namorada do Stan nos amigos da liberdade! – Ele diz enraivecido. Cartman odiava ter meninas no grupo deles, pois acreditava que elas atrapalhariam as missões e a diversão deles.

Stan: Achei que tinha achado ela bacana Cartman – Ele pergunta com leve tom de deboche.

Kyle: Você é muito falso sua chupeta de baleia. – O ruivo retruca, lembrando o quanto Cartman tinha elogiado a garota enquanto ela estava sendo “gentil” com ele.

Cartman: Tu só quer ela no nosso grupo porque ta caidinho nela, seu judeu! – Ele fala com certa raiva na voz.

Token: Mesma coisa aqui com o Clyde... – Ele aponta com o polegar virado ao garoto de college vermelha.

Craig: Bora bater uma aposta, quem fica com a garota primeiro? Kyle ou Clyde? – Ele fala para o Tweek, mas se dirige a todos os outros meninos logo em seguida.

Kyle: Isso é tão misógino e infantil! Eu não vou participar disso. – Ele diz se levantando para ir embora.

Clyde: Ainda bem, significa que eu vou ganhar de lavada, podem apostar em mim. – Ele diz confiante.

Kyle: Como é? – Ele vira irritado, retornando a mesa.

Token: É, tecnicamente falando, Clyde é bem mais atacante que você. – O garoto comenta deixando o ruivo ainda mais estressado.

Jimmy: P-por outr-r-ro lado, Clyde está sendo m-muito inva-s-sivo com ela e isso vai prejudica-lo. – Ele observa sabiamente.

Butters: Oh galera que papo é esse?! Deixem a minha prima em paz poxa! A Vi já me avisou que não quer se relacionar com ninguém... – Ele fala constrangido com a situação, deixando o celular de lado por um segundo.

Tweek: V-você diz isso porque é afim dela também AH! Isso é tão errado AH! – Ele diz com um leve surto na voz, pensando besteiras sobre Butters e Violet.

Butters: É O QUE? – Ele cora – Ela é minha prima, não estou afim dela! – Ele nega veementemente.

Tweek: E-eu aposto no Butters, aposto que ele vai ficar com ela AH! Seu traidor! – Ele parecia desconfiado e irritado com Butters.

Eles conversam e fazem suas apostas sobre a garota, ao final se despedem e todos vão para suas respectivas casas.

—POV Meninos OFF-

Caminho até minha casa com dificuldade, começando a pensar que ter uma casa depois dos trilhos foi uma ideia de merda. Chego em casa e já eram umas 16 horas, Guinevere me recebe na porta quando me vê.

Guinevere: A escola ligou... Disseram que vocês brigaram, mas não vão reportar nada por que não querem repercussões ruins... – Ela diz pegando minha mochila.

Violet: Ou seja, não querem prejudicar os alunos ricos visando ter algum status ou algo assim... – Pelo menos assim posso me tranquilizar quanto a expulsão do Jhonny. – Obrigada Guine... poderia me trazer um analgésico? Preciso de um bem forte...

Sem muitas perguntas ela pega um “tarja preta” para mim e eu olho com um sorriso sínico. Aquilo iria deixar meu corpo dopadinho, sem sentir nenhuma dorzinha se quer. Era exatamente o que eu precisava, principalmente porque eu iria ajudar Professor Caos a se vingar, essa noite sem falta.

Tomo o remédio e como um pouco, Katy chega enquanto estou jantando, ela me abraça por trás, preocupada ainda com a minha pequena condição.

Katy: Dói muito...? – Ela pergunta olhando as faixas.

Violet: Só um pouquinho, tomei um analgésico forte, então estou jantando mais cedo. Você se importa de jantar com a Guinevere hoje? Ou talvez o Jhonny se ele não pediu fast food de novo... – Digo acariciando o rostinho dela.

Katy: Não, pode descansar Vi... Melhora logo... – Ela parecia que ia chorar, com menos dificuldade acaricio os cabelos dela.

Violet: Amanhã já estarei boa, prometo. – Termino de comer colocando a louça para lavar. Vou até Katy dando um beijo na testa dela. – Vou subir tomar um banho e dormir para me recuperar ok? Eu te amo minha pequena... – Abraço ela com menos dificuldade, significando que o efeito do analgésico começou, roubei mais um da caixa por garantia.

Katy me abraça e balança a cabeça em concordância ainda preocupada, eu sorrio para ela gentil e ela sorri de volta. Dou mais um beijo na testa dela antes de subir para o quarto. Tomo um banho perfumado, se íamos infligir o Caos naquela cidade essa noite, eu faria isso bem arrumada. Passo a pomada curativa que eu tinha nos braços, já dormentes pela medicação, eu já não sentia mais dor nenhuma. Enfaixo com faixas pretas, para se disfarçar nas minhas luvas cumpridas.

Me visto de Ladynoir e abro a janela devagar, estava um clima adorável para criar Caos e confusão essa noite. Sorrio e saio com cuidado para não ser vista. Atravesso até os depósitos do Caos, tinha pedido algumas coisas por encomenda e já estavam na porta do esconderijo quando cheguei.

Assim que aterrissei e me aproximei das caixas para observar, a figura do General Desordem apareceu no telão do lado de fora, ele ajeitava a câmera de forma desengonçada.

General Desordem: Q-quem está aí!? – Tinha me esquecido que estava de capuz ainda, eu abaixo ele suavemente e sorrio.

Ladynoir: Boa noite General – Digo em um tom sedutor. – Posso entrar?

General Desordem: O-o Professor Caos ainda não chegou... – Ele diz alguns instantes depois de ficar em silêncio.

Ladynoir: Sem problemas, vou instalar as câmeras novas então... – Digo abrindo as caixas e o telão desliga. Logo o ruivinho com alumínio vem em minha direção.

General Desordem: O Caos não me avisou sobre equipamento novo... – Ele diz se aproximando curioso sobre o que havia nas caixas.

Ladynoir: Ah é um presentinho para garantir a segurança de vocês. São câmeras com sensores de movimento e alarmes. Com Inteligência Artificial, as câmeras reconhecem as pessoas e avisam se um intruso tentar invadir. – Ela mostra no celular – Baixa esse aplicativo, assim você também vai ser avisado...

General Desordem: Isso não é um pouco demais? – Ele pergunta e eu penso se não exagerei na proteção do Butters.

Ladynoir: Proteção nunca é demais – Dou uma risadinha nervosa.

General Desordem: É verdade, pelo menos assim não seremos pegos de surpresa pelos heróis, eles estragaram a brincadeira na última noite e quase me levaram junto! – Ele caiu na minha “mentira”.

Ladynoir: O Caos me contou que teve problemas com eles... – Não sabia ainda se podia confiar nele. – Mas agora estaremos seguros, qualquer problema eu venho rapidamente para cá. Agora, que tal ajudarmos nos preparativos para essa grande noite? – Digo pegando a última caixa e entrando com ele.

Instalamos as câmeras e arrumamos tudo para o ataque, tudo o que faltava era o líder, Professor Caos, para comandar essa empreitada de sucesso. Mandei mensagem para ele, me respondendo que estava saindo de casa. Conversei com o General Desordem enquanto aguardávamos e até tomamos leite juntos, por fim tínhamos nos tornados amigos, mas eu podia ver os olhinhos dele brilhando por fim, talvez eu fosse o primeiro amor dele? Achava isso fofinho, mesmo que eu visse nele apenas um irmãozinho pequeno.

—POV Meninos On-

Quando a noite caiu sobre South Park, Coon convocou os amigos da liberdade para a base, ele estava furioso. E com furioso eu quero dizer PUTO DA VIDA.

Coon: PELA ÚLTIMA VEZ, QUEM FOI O ARROMBADO QUE TIROU O PROFESSOR CAOS DA CELA DE NOVO!?

O silêncio se instaura na sala, todos se entreolhando um pouco confusos e desconfiados uns dos outros.

Super Craig: Mysterion? Foi você? – O garoto pergunta olhando um tanto desconfiado para o mascarado.

Mysterion: Não... – Ele diz observando os cadeados com mais atenção, as mesmas marcas quase imperceptíveis nos cadeados, nos mesmos lugares. – Mas eu tenho uma teoria – Ele diz em um tom sério – Você trocou os cadeados da última vez Coon? – Ele pergunta se virando para o amigo.

Coon: Sim, eu troquei e comprei mais quando abriram o antigo, o que isso tem haver, porra?! – Ele fala impaciente.

Toolshed: O Mysterion tem que ser misterioso poxa, deixa ele explicar...

Mysterion: Valeu – Ele volta para a mesa de reuniões – Nós achamos que o cadeado tinha sido aberto com a chave, mas na verdade os cadeados foram abertos com um abridor. – Ele se senta de volta a mesa de reuniões.

Human Kite: Abridor? De latas? – Ele pergunta confuso.

Mysterion: Não, um abridor de fechaduras, é muito usado para roubar lugares ou coisas. Estamos lidando com um criminoso profissional. – Ele diz se escondendo com a sua capa roxa escura, concluindo seu pensamento.

FastPass: C-Criminoso pro-pro-profissional? Estamos falando do Caos?... – Ele é interrompido.

Call Girl: Sim e não. – Ela se aproxima de mesa dos amigos da liberdade. – Ontem eu consegui filmar a fuga do Professor Caos. – Ela pega um tablet e mostra aos colegas as imagens da câmera de vigilância noturna que ela instalou na base.

Eram as imagens da noite anterior, uma figura encapuzada entrando pelo duto de ventilação e em menos de 2 minutos, abrindo a jaula e salvando o Professor Caos. Todos observam com atenção a figura. Mysterion engole seco, ele já sabia de quem se tratava, mas custava a acreditar que fosse ela. A capa era inconfundível, de um escuro como uma noite sem estrelas, mesmo sem estar bem iluminado sua cauda de gato era perceptível. Seu coração gelou e com esforço tentou não esboçar nenhuma emoção visível.

Human Kite: Quem é esse? – Ele pergunta estreitando os olhos no vídeo tentando ver quem era.

Call Girl: Não tem nome oficial ainda, mas acho que a mesma pessoa que os jornais estavam falando essa manhã. – Ela coloca um exemplar sobre a mesa que dizia: “Amigo da vizinhança” figura misteriosa vestido de gato salva crianças de um incêndio em apartamentos residenciais.

Mosquito: Amigo da vizinhança?! Como podem ser a mesma pessoa? Bzzz. – Ele pergunta confuso e curioso.

Coon: Um herói não se aliaria a um inimigo!

Token: A não ser que seja um anti-herói... – O garoto diz.

Toolshed: Seja o que for, parece bem intimo do Professor Caos – O moreno analisava com mais cautela as imagens. – Caos parece aliviado em vê-lo...

O alarme do Coon dispara interrompendo o menino, anunciando que o Professor Caos estava destruindo a cidade novamente.

Professor Timmothy: Seja o que for as conclusões terão de esperar, Professor Caos está causando na cidade. Amigos da Liberdades, uni-vos!

Coon: Não sabemos que armas que o Caos tem então tenham cautela! Olhos abertos para essa figura encapuzada também!

Todos partem para a rua principal, alertas a qualquer movimentação, obstinados a deter o Professor Caos e sua trupe a qualquer custo. Tudo pela proteção de South Park e claro, o reconhecimento da sua “turma de heróis”.

— POV Meninos Off –

Já era umas 20h quando Professor Caos, vulgo meu primo deu as caras. Eu e o General Desordem, estávamos juntos no sofá entediados, já tínhamos arrumando tudo, jogado cartas, tínhamos nos tornado melhores amigos praticamente quando ele apareceu.

Ladynoir: Puta merda Caos, onde você estava! Que demora! – Digo impaciente para ele, estava meio irritada com ele por ter passado o dia todo no celular e ter dado um “chá de cadeira” em todos até agora.

Professor Caos: Foi mal eu... briguei com a Charlotte... – Ele diz se sentando no sofá, seu semblante triste fez minha irritabilidade sumir e uma expressão levemente preocupada surgiu em minha face, junto com um sentimento de culpa por ter sido grosseira com ele.

Eu já suspeitava que algo assim estava acontecendo, ele estava muito tempo naquele maldito celular, coisa boa não era. Eu me aproximo dele suavemente.

Ladynoir: Foi muito feio...? – Pergunto tocando os ombros dele com delicadeza, quase em um semi abraço.

Professor Caos: A-acho que não, eu não sei... Ela pediu um tempo, porque está magoada... Ela sempre faz isso... – Ele parecia triste e ao mesmo tempo irritado, mas de forma isso era bom. O plano poderia seguir mais firmemente dessa forma.

Ladynoir: Ela é jovem, insegura e indecisa. Dê um tempinho, logo mais vocês voltam a se falar... As vezes ela só precisa de espaço, amanhã a noite vocês estarão bem de novo, tenho certeza. – Olho para ele carinhosa encostando a cabeça no ombro dele, apenas para demonstrar apoio.

Professor Caos: Obrigado Lady... Já sei bem como descontar a minha raiva... – Ele olha malicioso para a máquina dele, que eu e o General tínhamos terminado, ele se vingaria dos seus alvos essa noite. Um coração ferido pode causar verdadeiros estragos e eu sentia que ele não seria facilmente parado dessa vez. Lembro-me da compra que fiz para nós e pego uma caixa pequena ao lado.

Ladynoir: Aqui, um ponto eletrônico, assim poderemos nos comunicar melhor, durante o ataque. – Abro a última caixa dando um ponto eletrônico para ele e para mim. Trocamos um aceno de cabeça enquanto sorrimos prontos para causar um verdadeiro pandemônio na cidade.

Ele sobe em cima da máquina junto com o General Desordem, alguns lacaios vão a frente com armas de Ketchup e Mostarda nas mãos, atirando nas pessoas, nas roupas, nas casas, nada estava seguro da maldade em formato de molho que os lacaios do Caos traziam.

Subo pelos telhados e pelas sombras, encapuzada e o mais sutil possível, usando minhas técnicas ninjas para me esgueirar na noite sem que ninguém me veja. Observo com cautela cada movimento ao nosso redor. Logo avisto os amigos da liberdade, estava determinada a não me intrometer, não queria me revelar em um primeiro momento, apenas em um caso extremo.

Ladynoir*ponto eletrônico*: Amigos da Liberdade se aproximando na próxima esquina. – Comunico o Professor Caos e ele sorri, uma música toca ao fundo enquanto ele ri maleficamente.

Eu controlava a música para dar a ele uma entrada triunfal. Eu só sabia rir baixinho de tudo aquilo me escondendo em um telhado próximo, onde podia ouvir tudo perfeitamente. Era incrível participar dos bastidores de toda essa maldade, estava me divertindo pra valer. Porra como eu amo ser Ladynoir!

Coon: Chega de Caos, Professor Caos, os amigos da liberdade vieram livrar South Park das suas maldades. – Os heróis fazem uma pose de herói e Caos ri novamente.

Professor Caos: Amigos da Liberdade preparem-se para sentir o verdadeiro gosto do Caos! – Ele diz com uma voz maldosa – Lacaios, ataquem! – Alguns mexicanos e meninos mais novos atacam os amigos da liberdade, obviamente estavam levando a pior.

Os lacaios do Caos eram ruins, não acertavam um soco. Até o General Desordem entrou na dança, mas também não se deu bem. A derrota parecia inevitável, mas inesperadamente alguns garotos mais velhos se aproximam de Caos por trás.

A vingança do Butters era contra eles, os garotos Ex- Sextanistas, eles eram a raça mais nojenta e cruel, segundo ele. Eles encurralaram Caos, mas ele liga seu dispositivo enorme e ataca as duas equipes com mostarda e ketchup. Isso atordoa os inimigos o que abre caminho para ele fugir com a máquina, sigo de perto me esgueirando pelas sombras, enquanto observo Caos dirigindo a máquina que parecia estar falhando.

Professor Caos:*ponto eletrônico* Oh hamburguers, os motores estão falhando, entrou molho neles!!

Caramba, mas isso era o óbvio de acontecer, eu observo tudo de perto guiando o Professor Caos, mas ele parecia não controlar a direção da máquina.

Ladynoir:*ponto eletrônico* Vira a direita! – Ele vira a esquerda – DIREITA! Você está indo para uma rua sem saída! – Olho para trás e vejo os inimigos se aproximando – Puta merda... – Ou meu primo tinha uma onda de azar, ou foi muita burrice ou os dois! Ele fica preso em uma rua sem saída em um lado mais pobre da cidade.

A máquina do Caos finalmente para, pareceu ter morrido ali. Professor Caos é encurralado primeiro pelos Sextanistas putos todos sujos de molho e logo atrás os amigos da liberdade usavam toalhas para se livrar do molho, pensando se ajudariam o Professor Caos a escapar dessa encrenca ou não.

Não vejo saída, era intervir ou meu primo levaria talvez a maior surra da vida dele. Eu estava totalmente em desvantagem, tinham pelo menos uns 5 Sextanistas com o dobro do meu tamanho e todos homens. Além disso, contávamos com mais 11 heróis! Eu estava na merda, mas tinha o elemento surpresa ao meu lado, confundir, dividir e conquistar, seria assim que eu iria ganhar essa luta, como uma boa estrategista eu já havia traçado um plano contra todos os heróis e também estava acostumada em lutar em desvantagem numérica. Era arriscado, mas pela família eu faria de tudo para protege-lo.

Ladynoir:*ponto eletrônico* Você quer usar o Plano C? – Pergunto para ele já sabendo a resposta.

Professor Caos: PLANO C! PLANO C, AGORA! SOCORRO LADY! – Ele grita por mim desesperado, se encolhendo em cima de sua máquina vendo os inimigos se aproximarem. Essa era a minha deixa.

Mal ele termina de falar e taco 3 bombas de fumaça que comprei pela internet, que nem sequer havia testado, mas funcionaram perfeitamente. Coloco uma música alta para abafar meus ataques e confundir o inimigo mais ainda.

Cataclismo. 3 Sextanista já estavam no chão. Um pego desprevenido pelo meu pulo bem em cima da sua cabeça e os outros dois atingidos pelo Catalismo. Os outros 2 foram derrotados assim que avançaram sobre mim, usei seus próprios pesos para desmaiar eles batendo com a cabeça no chão. Quando a fumaça se dissipa, minha capa gira o suficiente para revelar o estrago feito.

Professor Caos me olhava cheio de esperança, enquanto nos olhares dos heróis só havia confusão e surpresa. Meu olhar é frio para eles, isso até o vilão me abraçar por trás, descendo de sua máquina onde os seus lacaios avaliavam os danos, feliz por saber que estava seguro comigo.

Professor Caos: Você acabou com eles em segundos! Você é tão incrível Ladynoir! – Me viro para ele, me separando suavemente de seu abraço por trás e ajoelho aos seus pés.

Ladynoir: Sempre vou te salvar, estou a sua inteira disposição Chefe... – Digo sorrindo para ele, brincando e enaltecendo ele na frente dos heróis, ele sorri emocionado e feliz, era o que ele queria. Reconhecimento.

Coon: QUEM DIABOS É VOCÊ?! – Ele parecia irritado e confuso.

Mosquito: É a menina dos jornais! Bzz. – Ele diz apontando para mim, realmente sua voz era sempre irritante.

Call Girl: Então ela é a heróina famosinha? Porque você está com o Caos?! – Famosinha? Aposto que sai nas noticias por conta do incêndio, até tinha me esquecido desse feito.

Coon: ELA NÃO É FAMOSA PORRA! – Ele parecia mais puto pela minha fama indesejada do que qualquer outra coisa.

Ladynoir: Primeiramente, meu nome é Ladynoir – Digo me levantando sem pressa – Depois, é ANTI heroína, não fico me gabando por aí dos meus feitos. E por fim... – Uso outra bomba de fumaça, agora para ataca-los. – Vocês encurralaram o vilão errado! Cataclismo. – Desmaio o Professor Timmothy primeiro, voltando ao lado do Professor Caos, com acrobacias mirabolantes. Admito que adorava me exibir em manobras bem executadas.

Mysterion: Professor Timmothy! O que está fazendo Ladynoir!? – Meu coração dói, sua voz era meu alento e minha perdição. Pela primeira vez ele me dirige a palavra desde nosso último encontro e já estou decepcionando-o. Sua voz, a minha maior dádiva agora era tão perigosa para mim.

No fundo eu sabia que esse momento chegaria, onde eu o enfrentaria e teria de escolher entre meu amor e minha obsessão em proteger minha família. Mantive meu rosto sério, tentando não permitir que a voz dele me abalasse, meu doce pecado. Tranquei meu coração batendo com o meu bastão no chão com certa força, saído faíscas da ponta em atrito ao chão.

Ladynoir: Primeiro a gente derruba os ataques mais perigosos. Domínio da Mente e depois... A garota da tecnologia. – Vou para cima dela em questão de segundos, ela bloqueia o cataclismo, ela já tinha entendido, era mesmo muito esperta. Sem alternativas, chuto ela para a parede caindo inconsciente, não foi forte o suficiente para machucar.

Toolshed: CALL GIRL! Sua maldita! – O namorado dela se estressou, meu coração dói de novo, “Queria que você pudesse reagir assim por mim...” minha mente estava se deturpando.

Professor Caos: L-Lady, não precisa machuca-los... – Isso era o Butters falando, sua raiva ainda era presente, mas o seu bom coração estava falando mais alto.

Ladynoir: Caos, você pediu minha proteção é o que estou fazendo. – Digo ríspida olhando para ele com seriedade e recebo uma confirmação com a cabeça do vilão, ele parecia determinado em prosseguir, sabia o que isso significaria caso recuasse agora. Os lacaios começam a arrumar a máquina do Caos 2.0.

Toolshed: Sua vaca! Eu vou... – Ele tenta vir para cima, mas continuo a minha contagem, desviando dele com uma acrobacia elegante.

Ladynoir: Agora, os ataques de longa distância. Human Kite e Wonder Tweek – Paro a acrobacia no meio dos dois, sem tempo para reação – Estão fora. Cataclismo. – Os dois são lançados para lados opostos, caindo inconscientes. – E claro, Mosquito... – Chuto ele com prazer, lembrando exatamente dele torturando o Butters.

Super Craig: Tweek!!! – Ele corre até o namorado. Sinto meu coração doer de novo, isso tudo era inveja do amor dos outros? Eu sou horrível...Me martirizo, meu olhar passa sobre Mysterion, seu rosto de desespero ao ver os amigos caindo um por um. “Me desculpe”, penso.

Toolshed: Human Kite! Você... – Ele parecia furioso comigo, me perseguindo e me fazendo voltar dos meus pensamentos em segundos.

Ladynoir: Está com pressa Toolshed?! – Digo já meio enlouquecida da cabeça, aquele romantismo alheio, a ideia de lutar contra o meu amor, estava me enlouquecendo bem naquele momento, a adrenalina em meu corpo junto com a dormência pelo medicamento. Só Deus sabe como estava a mente da palhaça.

Coon: Como sabe nossos nomes?! Que porra é você!? – Ele parecia enraivecido de ver seus colegas caindo um por um.

Ladynoir: Os velocistas são os mais frágeis não? – Surjo atrás do FastPass e toco levemente ele com o bastão. Ele era gentil, não quis machuca-lo então um leve Cataclismo seria o suficiente.

Coon: PARA SUA VADIA! – Ele me olhava frustrado e irritado, começando a me perseguir como Toolshed, que aquela atura já arfava de tanto ir de um lado para o outro.

Ladynoir: Inventores e os que usam força bruta, vocês se completam em campo, mas se não souberem usar isso ao seu favor, estão em desvantagem! – Vou até Tuppewere primeiro achando uma abertura em sua armadura tocando nele. E em seguida corro de encontro com Super Craig jogando-o para a parede com o meu bastão.

Admito que minha cabeça estava enlouquecendo mais e mais, totalmente focada na estratégia de batalha, à medida que eu ficava cada vez mais próxima de ter que lutar com Mysterion. Toolshed me seguia, ou tentava, de um lado para o outro, com Coon ao seu lado.

Ladynoir: Se me quer tanto Toolshed, então toma! – Pulo da parede até ele, claramente ele não esperava isso e logo cai inconsciente pelo Catalismo.

Coon: Toolshed! Sua puta maldita! Eu vou guaxinar você! – Ele diz avançando sobre mim, enquanto eu ainda me levantava de cima de Toolshed.

Desvio das garras do Coon, há muito queria essa briga com ele. Moleque insuportável, desse eu não teria tanta compaixão! Desvio com certa habilidade dos ataques dele e na primeira oportunidade, bato com toda a minha força naquele monte de banha. Ele bate a cabeça na parede e cai no chão, nocauteado.

Ladynoir: Os armamentistas... São sempre os mais difíceis... – Digo ofegante, já estava me cansando dessa batalha, mas sabia quem faltava.

Entretanto, quando meus olhos se encontraram com os de Mysterion, meu coração se quebrou. Ele me olhava com tristeza e raiva no olhar, eu merecia isso. Eu não escolhi você, Mysterion. Eu derrotei seus amigos um por um, na sua frente, sem que você pudesse fazer nada. Eu sou a pior, não sou?

Ele aponta a arma dele para mim, eu puxo a minha logo em sequência. Olho preocupada para ele, estávamos em um impasse meu coração doía tanto, que não pude conter as lágrimas. Assim que olhei para ele de novo, Mysterion me encarou confuso, estava chorando na frente dele! Eu era a pior! Ele tinha visto os amigos cederem um a um bem na frente dele e eu me dei ao luxo chorar na frente dele. Nunca me senti tão mesquinha e egoísta como naquele momento.

Professor Caos: A máquina está funcionando, vamos embora! – Ouço o motor ligar, barulhento como nunca.

Ladynoir: Me perdoa... – Disse baixinho sem saber se ele me ouvia, apenas puxei o bastão e subi na máquina saindo em seguida.

Novamente meu coração se partiu, quando já na máquina observei Mysterion ajoelhar no chão desiludido com o que tinha acontecido. Eu também me ajoelhei dentro daquela máquina barulhenta e chorei.

General Desordem e os lacaios comemoravam a empreitada de sucesso. Eu me escondi no capuz e observei Mysterion ao longe até virarmos a esquina. “Me perdoa”, eu pensava. Meu coração estava destruído pelo mal que eu havia causado. De modo algum eu ousaria causar danos graves aos amigos dele, talvez apenas Coon e Mosquito, pois havia me excedido contra ambos, mas não queria de fato machuca-los. Sinto uma mão encostar em meu ombro.

Professor Caos: Lady! Você foi incrível! Nós ganhamos! – Ele comemorava feliz, eu limpei minhas lágrimas, ninguém podia saber, jamais, ninguém.

Ladynoir: Mostramos a eles Caos! – Digo me levantando, minhas bochechas ardiam e minha visão não estava mais tão deturpada pelas lágrimas.

Professor Caos: Você está bem? – Sua sensibilidade era infalível, ele sabia que algo estava errado. Eu me surpreendi, mas logo recuperei a compostura e sorri levemente.

Ladynoir: Cansaço apenas... Foram 16 inimigos, uma batalha cansativa...- Digo forçando um sorriso.

Lacaio Caos #24: Foram 15 derrotados em menos de 10 minutos! Um recorde!

Lacaio Caos #17: Um a menos, Mysterion nem se atreveu a se mexer muito contra Ladynoir! Você é incrível princesa! – Me elogiavam sem parar, mas de nada me adiantava aquela festa se meu coração estava aos pedaços.

Sento-me no banco, dando-me conta do cansaço. Minha cabeça cai para trás e fito as estrelas. “Ele nunca vai me perdoar”, “Eu feri os amigos dele”, “Sou a pior”, “Sou um lixo”. Pensamentos ruins invadiam minha cabeça sem parar até Professor Caos me chamar de volta do meu devaneio auto depreciativo.

Professor Caos: Lady? Está chorando? – Ele me pergunta preocupado olhando-me de perto, bem próximo ao meu rosto. Enxugo uma lágrima insistente que teimava em cair.

Ladynoir: N-Não! É apenas suor! – Me encolho no capuz novamente, observando os Lacaios comemorando, enquanto dirigiam de volta a base.

Professor Caos: Sei... – Ele fica em silêncio o restante do caminho.

Ao chegarmos a base os demais Lacaios e Mexicanos comemoram juntos talvez a primeira verdadeira vitória contra os Amigos da Liberdade. Eu não estava com cara de muitos amigos, mas todos aceitaram o fato de que era pelo grande esforço em vencer os Sextanistas e os heróis todos de uma só vez.

General Desordem anuncia que a comemoração oficial será amanhã, com comida e bebida a vontade, todos trazendo um pouco de cada. Seria uma festança daquelas e eu bem estaria mais animada, se o olhar de ódio do meu herói não saísse da minha mente. Quando todos se despediram eu sequer dei o trabalho de ir para casa, sabia que essa noite eu não dormiria.

Cheguei a rua principal, cheia de molhos para todos os lados. A cabeça a mil por hora, apenas queria algo para me distrair. Em ruas mais afastadas consegui evitar alguns furtos e roubos, mas aquela expressão do Mysterion me atormentava. Finalmente, vencida pela tristeza em meu peito, em meio a solidão de um banco em um lago vazio intitulado na placa como Starks Pond, eu me sentei e chorei. Tinha me certificado que a região estava vazia, então coloquei toda a minha dor em lágrimas.

Não era só a decepção e provavelmente a perda do meu até então amor veranil, mas também sobre as brigas com meu irmão, a perda dos meus pais, sobre a pressão de conciliar família, escola e trabalho. Sobre cuidar de uma irmã mais nova e educar para ela ser melhor do que eu jamais fui. Era sobre estar rodeada de amigos e me sentir sozinha. Era sobre estar livre e ao mesmo tempo presa, vivendo entre o real e o irreal todo o tempo.

Aquela noite eu cochilei no banco daquele lago, chorei tanto até desmaiar de cansaço. Acordei com os primeiros raios do dia e um mendigo me cutucando.

Mendigo: Sai dai piranha, esse lugar é meu! – Ele diz ríspido com cheiro de mijo e bebida misturados.

Me levanto atordoada, mas sigo correndo para casa, estava atrasada de novo. Entro pela janela finalmente, até que ouço Katy abrir a porta.

Katy: Violet...?

Notas finais
Consegui estragar um dia inteiro, incrível não? Pouca bosta é besteira, agora para resolver essa situação, isso sim vai dar trabalho. Quer saber o que aconteceu? Vou te contar, não se preocupe.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.