It's just a dream?
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Ele estava ao meu lado com a espada em mãos. Logo amanheceria e só um lado permaneceria de pé.Os gritos de dor eram ouvidos , assim como o Tlintar da espadas.
Mesmo em meio a todo aquele caos não conseguia deixar de admira-lo.Se não fosse por um corte pequeno em sua testa, ninguém diria que ele estava em batalha.Seus cabelos na altura dos ombros estavam perfeitamente alinhados , seus olhos chocolate brilhavam que juntamente a sua face demonstravam determinação.Seus quase dois metros de altura não o deixavam desleixado , mas o davam graça em seus movimentos.
Nossos olhos se encontraram e uma corrente elétrica passou pelo meu corpo, e eu sei que pelo dele também. A maioria das pessoas não acredita em almas gêmeas
, mas se por acaso existir, nós dois passamos bem perto disso.Com um simples olhar poderíamos ler os pensamentos um do outro .
Porém quando olho de novo em seus olhos, não demonstram mais o mesmo.Agora mostram medo e dor .Mas do que ele tem medo ?
–Você esta atrasada...
Foi a ultima coisa que consegui ouvir, antes de não ver mais nada e tudo se tornar escuridão. Tentei abrir meus olhos, mas uma luz quase cegante bateu sobre minha face.
E então acordei...Espera, eu acordei?E desde quando eu dormi?Será que foi tudo um sonho?Será que eu ainda não fui a residência dos Zeklos?Será que eu não terei que passar o resto da minha vida com um homem que me ameaçou?
Toda e qualquer esperança que eu poderia chegar a ter, simplesmente se foi. A partir do momento, que meus olhos encontraram os mais finos lençóis. Este com certeza não é o pequeno e modesto cômodo no qual descanso todas as noites.
Não foi um sonho!
–Ela não está bem!Sinto muito, mas ela precisa descasar.Acredito que seu filho pode esperar até amanhã.-Essa voz era inconfundível aos meus ouvidos.Minha mãe estava nervosa ,consegui reconhecer pelo seu tom de voz.Ela poderia assustar qualquer um quando quisesse.
–Isso é inaceitável! Todos estão aqui para este noivado. –Reconheci a voz de Tatiana, que parecia estar a beira de um ataque de nervos. Ela praticamente gritava, tanto que mesmo estando fora do quarto, pude ouvir com clareza suas palavras.
–Ela estava nervosa. E como o médico disse: ela precisa descansar. -Médico?Que médico?Eu não me lembro de nenhum médico, também não me lembro de como cheguei a este quarto. Eu não estava no jardim?
Meus pensamentos foram interrompidos, por um leve ranger vindo da porta.
–Filha , graças a Deus você acordou.Eu estava tão preocupada.-Minha mãe me olhava com cautela , como se procurasse algo de errado em mim.
–O que aconteceu?-Eu ainda estava muito confusa. A ultima coisa que consigo me lembrar, é de um sussurro , quase inaudível feito em meu olvido.”Você está atrasada”...atrasada para que?
–Eu esperava que você me dissesse. Ninguém sabe direito o que aconteceu com você. -Minha mãe estava desconfortável. Ela queria me perguntar alguma coisa, mas parecia procurar as palavras certas. -Rose, o que você viu no jardim?
–Eu...-Se eu contasse que havia visto um homem translucido , que mesmo longe conseguia sussurrar ao meu ouvido, o que ela iria pensar?Não, eu não posso contar. Ela acharia que eu estou ficando louca. Isso, se eu já não estiver louca. -Nada. Porque a pergunta?
–Enquanto conde Zeklos estava esperando pela sua resposta. Você...Você arregalou os olhos , então simplesmente os fechou e desabou no chão. O medico disse, que você entrou em estado de choque e então desmaiou. -Eu desmaiei?Eu não dou do tipo de pessoa que desmaia por nada. Porém nunca havia visto um ... um ...Sei La o que era aquilo.
–Eu só estava nervosa, mas já estou melhor. -Ela assentiu com a cabeça. Se não tivesse visto seu olhar de “mais tarde conversamos”, diria que ela havia acreditado. -Como cheguei aqui?
–Mark e Christian te trouxeram. -Nossa!Eu estou tão gorda que são necessários 2 homens para me carregar, mesmo que o Chris e o Mark não sejam do tipo que possui muitos músculos, ainda acho um exagero...não 1 , mas 2.Esse pensamento me rendeu uma careta, que fez com que Janine gargalha-se.
–Você não deveria rir da desgraça alheia, sabia?Ainda mais da sua própria filha. -Isso só a fez rir ainda mais. Apesar de ela estar rindo da minha cara, fico feliz de vela assim. Desde de o desaparecimento do meu pai , momentos como esses são tão raros , quase impossíveis.
–Vamos Rose, a carruagem já está a nossa espera. E não se preocupe, o conde Zeklos irá esperar até amanhã. -Pelo menos eu teria mais um dia de liberdade.
Assim que coloquei o pé para fora da mansão Zeklos , uma chuva de olhares caiu sobre mim.Prestei atenção somente aos meus amigos , que estavam aliviados por saberem que eu estava bem . Depois irei agradecer pessoalmente aos rapazes, afinal, eles que foram obrigados a aguentar o meu peso.
Assim que a carruagem começou a se locomover, me perdi em meus próprios pensamentos. O que eu vi era real ou não?Pela primeira vez na minha vida, estava considerando a possibilidade de não estar com a sanidade em ordem. Estava tão envolvida em meu próprio mundo partícular, que nem ao menos notei que já havíamos chegado a nossa casa.
Nunca me senti humilhada ou envergonhada por ter uma vida humilde, muito pelo contrário, amava minha vida simples e sem complicações. Muitos achariam que a vida que levo é um castigo, pois eu digo que é uma dádiva. Apesar de não fugir de tarefas domésticas, pois não tínhamos empregadas, me sentia livre. Sem ninguém para impressionar ou alguém para me dizer o que fazer ou como agir. O único luxo que tínhamos, era a simples carruagem que pertencia a um primo distante, que de bom grado nos ajuda sempre que precisamos.
Se comparada a extensão da mansão Zeklos , minha casa não atingiria metade de seu comprimento.Era banhada em branco , a real cor da madeira por baixo da tinta ,só podia ser vista nas portas.Os pequenos degraus que davam para dentro da casa rangiam , o Gramado tinha que ser aparado e o pequeno lago atrás da casa foi dominado e declarado território dos patos.Não queria ter que abrir mão da minha vida , principalmente sabendo que não seria mais um espirito livre.Não quero ser trancada e viver uma vida futil ao lado de um homem que não amo.Mas ...Bem, assim é a vida.Injusta.
Assim que entrei , me dirigi ao meu quarto.Preciso pensar em tudo o que aconteceu e nunca me senti tão exalsta em toda minha vida.Mas assim que encontrei a inconciência, fui envolvida pelo mesmo sonho.Pelo menos pensei que fosse o mesmo.
...
Porém quando olho de novo em seus olhos, não demonstram mais o mesmo. Agora mostram medo e dor. Mas do que ele tem medo?
Então, ele aparece na minha frente. Um chapéu branco cobria seu rosto, que junto com o fraque e os sapatos o deixavam como um pequeno ponto branco em meio ao breu. Olhei ao redor, mas não encontrei nada. Só estávamos eu e ele no limbo negro dos meus pensamentos.
–“Você precisa se apresar. O tempo está acabando.”-Reconhecia a voz de algum lugar, só não sabia da onde.
–Você disse que eu estou atrasada, mas para o que exatamente?
–“Corra! O tempo está acabando.”
Senti alguém me sacudir gentilmente, fazendo com que tudo a minha frente se dissolvesse em sombras.Bem ,até me deparar com um menina de cachinhos loiros, sentada na ponta da minha cama.
–Rosie?Levanta não seja preguiçosa. -Como elas conseguiram sair de casa a essa hora. Já está tarde, duvido que seus pais as tenham deixado me visitar, principalmente à noite.
–Mia, me deixa dormir. Nem quero saber como conseguiram vir aqui tão tarde.
–Tarde?Rose ,acho que você dormir demais. –Levantei encontrando os mesmos cabelos loiros de Mia , só que lisos. Só a Sidney para me tentar assustar assim. Isso é brincadeira que se faça. Até parece que eu dormi tanto assim. — Já deveria estar se arrumando, o encontro com o Jesse é daqui a uma hora.-Não!
–O que?-Em um pulo já estava de pé.-Eu não acredito que dormi tanto.Estou morrendo de fome!-No mesmo instante, meu estomago resolveu dar sinal de vida.Arrancando risoa das minhas amigas.
–Você só pensa com o estomago?-Ela já sabia que meu estomago tinha vontade própria, então nem precisei responder. -Vamos logo, nós te ajudamos.
Enquanto comia meu café da manhã, minhas amigas escolhiam uma vestimenta apropriada para a ocasião. Como a reunião de ontem foi cancelada... Bem, por minha causa. Tatiana a reagendou para hoje a tarde. Eu muitas vezes me pego pensando, será que essas pessoas não tem nada melhor para fazer?Então , me lembro de que a maioria das pessoas que convivo, vivem de aparências. Não aparecer em uma reunião, ainda mais na mansão Zeklos, era o mesmo que se excluir socialmente.
Depois de estar completamente satisfeita, encontrei Mia e Sidney com um vestido verde e preto em mãos. Que na minha sincera opinião, mostrava mais do que deveria. Se as curvas do meu corpo ficaram acentuadas com o vestido do encontro de ontem, não quero nem imaginar como ficaram com o de hoje. Já posso até ver lorde Ivashkov tendo um infarto, o que de todo não seria ruim.
(Vestido da Rose: http://www.polyvore.com/its_just_dream_cap/set?id=150273906)
–Rose , você vai usar o colar que seu pai te deu?-Quando fiz 16 anos, minha mãe me presenteou com um colar de coração. Ela o ganhara do meu pai , no dia do meu nascimento.
–Sim!Vai ser bom ter algo que me lembre dele na hora do “Eu aceito”.Vai me ajudar a seguir em frente com tudo isso.-Eu precisaria de toda força para continuar com esse casamento forjado.Lembrar dele me trazia tanta força, mas ao mesmo tempo dor.
Arrumei-me rapidamente, para logo em seguida, partir com minha mãe e minhas amigas novamente a mansão Zeklos.A viajem foi rápida e silenciosa, ninguém proferia uma única palavra.
Bem como imaginei, todos estavam presentes. As mesas estavam organizadas com a mesma elegância do dia anterior, assim como as mais refinadas especiarias passeavam sobre bandejas ao redor das mesmas.
Não queria ser incomodada por ninguém, então andei para longe da multidão, entrado no meio das arvores que rondavam a mansão. Já estava longe o suficiente para não conseguir ouvir as vozes das senhoras, da alta sociedade, falando sobre seus “divinos” maridos. Meus tímpanos agradeceram imensamente pelo pequeno momento de paz, que foi logo interrompido por outro sussurro. Que sempre que sempre ouso me dão calafrios.
“O que você está esperando? Você está atrasada!”-Ele estava a poucos metros de mim.
–Quem é você?E o que você quer dizer com “Você está atrasada”?-Já estava ligeiramente irritada. -Você é real?
“Você sabe exatamente quem eu sou. Só precisa procurar no fundo de suas memórias.”
–E quanto às outras perguntas?-Eu preciso que ele fale mais, já havia ouvido aquela voz...e talvez...não pode...não pode ser ele.
“Siga-me e terá suas respostas”-Então ele começou a caminhar para a parte mais escura, que era coberta pelas árvores. -“Você não vem... Kiz.?”
E então finalmente consegui ver seu rosto, segundos antes que ele desparecesse entre as árvores. E aquele era um fantasma do meu passado, que achei que nunca mais iria reencontrar. E ele era Ibrahim Mazur, meu pai.
Então fiz o que qualquer pessoa normal faria, vendo seu pai translucido.
Eu corri...atrás dele.
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