It's just a dream?
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Acordei esperando que minha mãe gritasse meu nome, me mandasse ajuda-la na cozinha ou até mesmo para expulsar os pobres patos do jardim. Então as lembranças dos últimos dias invadiram minha mente.Assim que me recordei dos recentes acontecimentos, levantei a cabeça e percebi que Dimitri não estava no meu campo de visão.Levantei-me calmamente ,tomando cuidado em retirar meus braços ao redor de Grace,que está adormecida.Cambaleio um pouco até o cantil que está preso a Spiridon, levo a boca do objeto aos meus lábios sorvendo um grande gole de água.
Fiquei apreensiva em deixar a pequena sozinha , mas ela está tão serena e tranquila que não consigo lhe tirar esse pequeno momento de paz.Começo a andar em uma direção aleatória , torcendo mentalmente para que esta me leve até o Grandão. Desvio de algumas árvores no caminho e de raízes que estão sobre a terra.
–Grandão?-Grito o mais alto possível, sem receber qualquer resposta.
De repente escuto passos a frente...
–Dimi...-Minha boca é coberta e um braço rodeia minha cintura , enquanto sou arrastada para detrás de um arbusto.Começo a me debater furiosamente , tentando me libertar de seu aperto.
Eu fui pega!Agora mais do que nunca gostaria que tudo fosse um sonho.... Então, um cheiro familiar invade minhas narinas, me deixando momentaneamente tonta.
–Roza. -Dimitri sussurra em meu ouvido. Sua respiração bate em minha nuca e seus lábios estão perigosamente próximos do meu pescoço, me causando um arrepio. Paro de me debater e espero as batidas do meu coração desacelerarem. -Olhe. -Ele tira sua mão da minha boca e afrouxa o aperto em minha cintura, mas não a solta.
Abro uma pequena fresta entre as folhas do arbusto, ganhando a visão de vários cavalos. Ao lado deles vejo uma Demetria visivelmente zangada, gritando com alguns homens... Cartas. Seu rosto esta mais sombrio do que já era da primeira vez que a vi , suas sobrancelhas estão unidas e suas mãos estão fechadas em punhos.
–ELA TEM QUE ESTAR EM ALGUM LUGAR !-Grita Demetria.-ESTA É A ALDEIA MAIS PROXIMA , ELA NÃO CONSEGUIRIA FICAR NA FLORESTA SOZINHA.-Sua voz, diferente da maioria das mulheres quando gritam, não beira a histeria.É fria e calculista, como se estivesse pronta para matar alguém.
Assim que ela proferiu as devidas ordens aos cavaleiros, todos partiram com seus respectivos cavalos em direção a outro vilarejo, que de acordo com Demetria, fica a um dia de viajem. Dimitri espera alguns segundos , então me levanta e retira seu braço da minha cintura.Meu corpo protestou com seu afastamento , graças ao calor que seu corpo me proporcionou.
Durante a caminhada de volta perco-me em pensamentos, deixando meu corpo no automático. Não faço a mínima ideia de quantas vezes já me fiz essas mesmas perguntas... Isso é um sonho ou não?...O quão louco seria se não fosse?...E se não for, como voltarei para casa?.Aconteceram coisas tão estranhas para serem reais e ao mesmo tempo os sentimentos, sensações e acontecimentos, reviram meus pensamentos de uma forma tão sólida.Quando Dimitri me tocou...
–Onde está a pequena? –Perguntou Dimitri , tirando-me de meus devaneios.
–Ela está...-Droga!Se os cavaleiros da Rainha estão por perto... Podem ter encontrado a pequena. Não deveria tê-la deixada sozinha e se algo acontecer a ela...Meu rosto deveria estar tomado pelo pânico, pois Dimitri começou a correr com uma velocidade surpreendente.
Começo a correr atrás dele tentando alcança-lo e , ignorando meus pulmões que reclamavam constantemente.Não sei quanto tempo corremos , mas quando chegamos o que eu mais temia aconteceu... Grace não estava em lugar algum, ela foi levada. Como eu sei?Porque Spiridon está ferido e caído um pouco a frente dos meus pés.
–Grace! –Começo a Gritar
–COMO VOCÊ PODE DEIXA-LA SOZINHA?-Indagou Dimitri gritando
–COMO EU IRIA SABER QUE OS CAVALEIROS DA RAINHA ESTAVAM TÃO PERTO?-Gritei de volta, tentando segurar minha fúria e minhas lágrimas. –E QUER SABER, EU NÃO PRECISARIA FAZER ISSO SE VOCÊ NÃO TIVESSE DESAPARECIDO.-Continuei a gritar , mas sem olhar para ele.Meus olhos vasculham o local buscando por uma pequena garotinha com cachos desgrenhados e olhos gentis.
–EU NÃO PEDI POR UMA BABÁ. -Ele gritou , parando a minha frente.
–EU TAMBÉM NÃO PEDI POR UM TROGLODITA ARROGANTE COMO COMPANIA, MAS MESMO ASSIM VOCÊ ESTÁ AQUI, A VIDA NÃO É PERFEITA. -Já não conseguia segurar as lágrimas. -Eu prometi que cuidaria dela. Se alguma coisa acontecer com ela...-Minha voz não passou de um sussurro. .Ele já sabia o resto da frase, portanto não precisei continuar.Iria me culpar, me odiaria e me sentiria um lixo humano
–Roza...- Não queria palavras de consolo ou pena vinda dele, só quero que a pequena esteja bem.Levantei minha mão pedindo por silencio, logo em seguida abaixando-me e colocando a mão sobre o ferimento de Spiridon , pouco me importando com o sangue que suja minha pele.Posso não ser muito conectada com a natureza e os animais, mas ele está sofrendo.
–Calma.-Sussurro e passo minha mão sobre seus pelos , em uma breve caricia.-Shhhiu-Digo tentando acalma-lo.Então a mão de Dimitri é colocada sobre a minha , olho para seus olhos castanhos e me perco em meio a tantos sentimentos.Culpa, preocupação ,dor, carinho e ...algo que não sei explicar.
–Segure o pescoço dele, doera menos quando...-Dimitri se abaixou perto do ouvido do cavalo.-Obrigado por estar sempre ao meu lado meu amigo , mas é sua hora de partir.-O crack foi o único som que ouvi.Os olhos do Grandão se encheram de lágrimas e ele olhou nos meus .-Ganhei Spiridon quando tinha 10 anos, foi o único presente que meu pai me deu, antes de se tornar frio e o pior homem que já conheci.-Vi um brilho raivoso passar por suas esferas chocolate .-Spiridon era o único que me lembrava que meu pai um dia foi um homem bom...-Segurei suas mãos entre as minhas, tentando lhe passar conforto.-Meu pai vê o povo passar fome , ele é frio e mata quem entra em seu caminho.Além de culpar os outros , quando a culpa é inteiramente dele.Exatamente como eu fiz...-Ele estava se comparando ao pai?Se ele é realmente como Dimitri disse, ele não tem nada de parecido come ele.-Sinto muito Roza,a culpa é minha e não sua.Não deveria ter me afastado , só precisava pensar um pouco.-Ele segurou meu rosto entre suas mãos.- Prometo que a trarei de volta.
–Nós a traremos de volta.Você realmente acha que eu ficaria parada enquanto a Grace corre perigo?-Perguntei, tentando descontrair o clima ambiente. -Eu não sou uma donzela indefesa
–Eu sei que não , por este motivo que você é tão maravilhosa ,Roza.
Ficamos por alguns minutos somente olhando um nos olhos do outro, até que a realidade nos trouxe de volta. E partimos ao resgate da pequena.
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