It's always you.

1 Capítulo Único — Sinfonia do Adeus.


Notas iniciais
Olá meu povinho! Aqui estou eu com mais uma one, e dessa vez ela está de ferrar com o coração. Me inspirei na música Sinfonia do Adeus, do Baco Exu do Blues. Seria uma boa se escutassem enquanto leem. Beijinhos!

— Está gravando?

A voz de Tony soou pela cabine vazia da nave, e ele se recostou quando a luz do capacete da armadura se acendeu, mostrando que sim, a gravação estava sendo feita mesmo com a energia precária.

Suspirou, cruzando os braços.

— Capitão. — Começou, e pigarreou, tentando encontrar as palavras que, provavelmente, seriam suas últimas. — Steve… — Sua voz soou suave ao corrigir o cumprimento formal. — Você sempre me disse que tenho a capacidade absurda de atrair problemas. Bem, você estava certo. Não só nisso como em tantas outras coisas. Me desculpe.

Sentiu o nó na garganta e coçou o olho, as lágrimas querendo forçar para fora.

— Estou no espaço, à deriva. Acabou a comida, a água, e logo acaba o oxigênio. Mas isso não é o pior, nem de longe.

Fechou os olhos, sentindo uma lágrima grossa escapar de seu olho.

— O pirralho se foi, e todos os outros bobocas. Quase todos, menos a garota-robô. — Tentou brincar, sorrindo de lado, fracamente. — Estou gravando essa mensagem na esperança de que tenha sobrevivido ao estalar daquele desgraçado. Nunca fui otimista, mas é o que tem me deixado vivo por enquanto. A ideia de que talvez você tenha virado poeira me deixa mal. Mas você resistiu ao tempo e ao gelo, tenho certeza que vai resistir outra vez.

Suspirou, tentando controlar o choro.

— Eu te amo, espero que você ainda saiba disso. Mesmo com a guerra civil entre nós, eu não deixei de te amar nem mesmo um segundo. Mas o orgulho não me deixou ligar pra você, e eu estou morrendo. Eu te amo mais do que amo a mim mesmo, e você sabe como eu me amo. — Riu baixo.

Olhou ao redor, piscando seus olhos e deixando as lágrimas caírem.

— Quando eu fecho os olhos, vejo você. É sempre você. Tem sido difícil dormir, e eu quase não o consigo, a culpa me corrói e o desespero me consome. Mas quando o sono vem, e eu fecho os olhos, peço ao seu Deus que eu sonhe com você. — Murmurou. — Nos meus sonhos você diz que me ama, e que me perdoa por tudo o que eu fiz.

A luz do capacete começou a piscar e Tony sentiu o peito comprimir.

— Não queria ir embora sem dizer um adeus, e engolindo tudo o que eu pensei em te dizer nesses anos. Me desculpe, Steve, me desculpe. Eu te amo, eu te amo tanto. Mas eu errei tanto também. — Soluçou. — Se você estiver vivo, e eu sei que está, fique longe do Thanos. Lutei com ele, cara a cara, e saí vivo por sorte. Mas não quero que você dependa dessa mesma sorte. Viva. Ache uma garota bonita para dançar com você. Chame ela pra sair. Perca sua virgindade. — Riu. — Mas eu sei que você não vai desistir, e nem esquecer. Você não é assim.

Ficou um momento em silêncio, e abriu um sorriso.

— Tenho um plano pra você, e sua vingança contra o titã louco. — Riu mais uma vez, levando sua mão onde o reator ficava antes, numa mania. — Use aquele cara que encolhe e aumenta. O enfie num buraco do Thanos, e faça ele crescer. — Gargalhou, se aproximando do capacete. — E você sabe exatamente de que buraco eu estou falando, amor.

Fez silêncio outra vez, o sorriso caindo. As luzes piscaram outra vez, e ele soube que seu tempo estava acabando.

— Acho que é isso. Talvez eu deva redigir meu testamento. É tudo seu e da Pepper. Dividam igual, crianças. Não quero briga por causa de dinheiro. — Sorriu sem mostrar os dentes e olhou para cima, logo voltando seu olhar para o capacete e encarou diretamente onde estavam os olhos. — Eu te amo, Picolé.

A luz apagou, num time perfeito. Tony se arrastou para trás, se encostando num dos balaustres da nave e fechando os olhos.

Por que sempre que fechava os olhos, o rosto de Steve sorria para ele.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!