It's always you.
1 Capítulo Único — Sinfonia do Adeus.
Notas iniciais
— Está gravando?
A voz de Tony soou pela cabine vazia da nave, e ele se recostou quando a luz do capacete da armadura se acendeu, mostrando que sim, a gravação estava sendo feita mesmo com a energia precária.
Suspirou, cruzando os braços.
— Capitão. — Começou, e pigarreou, tentando encontrar as palavras que, provavelmente, seriam suas últimas. — Steve… — Sua voz soou suave ao corrigir o cumprimento formal. — Você sempre me disse que tenho a capacidade absurda de atrair problemas. Bem, você estava certo. Não só nisso como em tantas outras coisas. Me desculpe.
Sentiu o nó na garganta e coçou o olho, as lágrimas querendo forçar para fora.
— Estou no espaço, à deriva. Acabou a comida, a água, e logo acaba o oxigênio. Mas isso não é o pior, nem de longe.
Fechou os olhos, sentindo uma lágrima grossa escapar de seu olho.
— O pirralho se foi, e todos os outros bobocas. Quase todos, menos a garota-robô. — Tentou brincar, sorrindo de lado, fracamente. — Estou gravando essa mensagem na esperança de que tenha sobrevivido ao estalar daquele desgraçado. Nunca fui otimista, mas é o que tem me deixado vivo por enquanto. A ideia de que talvez você tenha virado poeira me deixa mal. Mas você resistiu ao tempo e ao gelo, tenho certeza que vai resistir outra vez.
Suspirou, tentando controlar o choro.
— Eu te amo, espero que você ainda saiba disso. Mesmo com a guerra civil entre nós, eu não deixei de te amar nem mesmo um segundo. Mas o orgulho não me deixou ligar pra você, e eu estou morrendo. Eu te amo mais do que amo a mim mesmo, e você sabe como eu me amo. — Riu baixo.
Olhou ao redor, piscando seus olhos e deixando as lágrimas caírem.
— Quando eu fecho os olhos, vejo você. É sempre você. Tem sido difícil dormir, e eu quase não o consigo, a culpa me corrói e o desespero me consome. Mas quando o sono vem, e eu fecho os olhos, peço ao seu Deus que eu sonhe com você. — Murmurou. — Nos meus sonhos você diz que me ama, e que me perdoa por tudo o que eu fiz.
A luz do capacete começou a piscar e Tony sentiu o peito comprimir.
— Não queria ir embora sem dizer um adeus, e engolindo tudo o que eu pensei em te dizer nesses anos. Me desculpe, Steve, me desculpe. Eu te amo, eu te amo tanto. Mas eu errei tanto também. — Soluçou. — Se você estiver vivo, e eu sei que está, fique longe do Thanos. Lutei com ele, cara a cara, e saí vivo por sorte. Mas não quero que você dependa dessa mesma sorte. Viva. Ache uma garota bonita para dançar com você. Chame ela pra sair. Perca sua virgindade. — Riu. — Mas eu sei que você não vai desistir, e nem esquecer. Você não é assim.
Ficou um momento em silêncio, e abriu um sorriso.
— Tenho um plano pra você, e sua vingança contra o titã louco. — Riu mais uma vez, levando sua mão onde o reator ficava antes, numa mania. — Use aquele cara que encolhe e aumenta. O enfie num buraco do Thanos, e faça ele crescer. — Gargalhou, se aproximando do capacete. — E você sabe exatamente de que buraco eu estou falando, amor.
Fez silêncio outra vez, o sorriso caindo. As luzes piscaram outra vez, e ele soube que seu tempo estava acabando.
— Acho que é isso. Talvez eu deva redigir meu testamento. É tudo seu e da Pepper. Dividam igual, crianças. Não quero briga por causa de dinheiro. — Sorriu sem mostrar os dentes e olhou para cima, logo voltando seu olhar para o capacete e encarou diretamente onde estavam os olhos. — Eu te amo, Picolé.
A luz apagou, num time perfeito. Tony se arrastou para trás, se encostando num dos balaustres da nave e fechando os olhos.
Por que sempre que fechava os olhos, o rosto de Steve sorria para ele.
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