It's all in your blood

8 Revivendo aquelas emoções


Notas iniciais
Gomen ne Gomen ne Gomen ne ;-;

Aquilo não podia estar acontecendo, não agora. Minha cabeça doía, podia sentir meu corpo tremer, minha alma fritava dentro de mim. Eu não devia ser capaz de sentir aquilo mais, eu não era mais humano. Então por quê? Tudo a minha volta estava escuro e eu... Estou com medo? Como um akuma que vive nas sombras estava com medo de um lugar escuro?

Eu avistei uma luz alaranjada, parecia vir da fresta de uma porta fechada, eu corri em direção a ela. Arrependi-me de ter aberto aquela porta, não, aquilo não podia ser possível, por que aquilo estava voltando? Eu estava de volta a um dos corredores da mansão dos Phantomhive, estava quente, muito quente e eu me dei conta das chamas lambendo as paredes. Comecei a correr, já sabia onde aquilo ia acabar já sabia onde era sala que eu tinha que ir. No caminho tropecei em algo grande, me virei e vi um cachorro enorme, de pelos negros e ele estava morto.

– Sebastian?

Minha voz saiu falha, nunca pensei que sentiria a morte do meu cachorro daquele jeito de novo. Continuei a correr, o calor estava infernal. Eu sabia onde aquilo ia acabar, e continuava correndo como se minha eterna vida dependesse disso. Parte de mim gritava para parar, para fugir, mas aquilo era inevitável. Eu estava revivendo minhas emoções daquele dia.

Akumas não precisam dormir então eu achava que ia esquecer aquilo, esquecer meus pesadelos. Eu fui jogando-os no que eu achava que seria o esquecimento.

Achei a sala que eu procurava, ela ainda estava fechada, coloquei minhas mãos sobre cada uma das folhas da porta enorme, minhas mãos estavam tremulas. Precisei usar mais força do que me lembrara para abrir a porta. Quando adentrei o cômodo, senti meu coração voltar a bater para falhar de novo.

Vincent e Rachel Phantomhive estavam lá, meus pais, mortos, seus corpos esperando que as chamas os consumissem e os tirassem daquele inferno. E eu me vi pequeno e indefeso, ajoelhado na frente do corpo deles. Por alguns segundo pareci me esquecer de como movimentar minhas pernas. Aos poucos fui me aproximando do pequeno eu, o pequeno e amedrontado Ciel Phantomhive. Estiquei minha mão, para que ela tocasse ombro dele, mas ele virou seu rosto em minha direção. Sua boca estava aberta, como se ele gritasse, o rosto estava branco como cera e no lugar dos olhos havia dois buracos pretos e vazios. Dei alguns passos para trás assustados, o garotinho deixou sua cabeça pender para o lado.

– Ciel! Ciel!

Ouvi uma voz feminina, aguda, ligeiramente irritante. Lizzy?! Virei meu rosto, procurando saber de onde vinha a voz. Em um dos cantos da sala, que estava meio escurecido, pude distinguir Elizabeth, ela estava como eu me lembrava, pequena e delicada, com seus cabelos loiros e cacheados ela vestia um vestido branco e estava com um buque de lírios na mão. Ela andava pausadamente, como se tivesse ensaiado para isso.

– Ciel! O Ciel voltou... Eu estava com saudades.

Conforme ela andava, seu rosto ficava mais vazio, sem expressão, como se ela fosse uma boneca.

– Ciel... Eu fiquei esperando o Ciel. Porque a Lizzy é uma ótima noiva.

Como naquele dia no navio, ela desembainhou dois sabres, e continuou vindo em minha direção. Agora sua pele começara a derreter, como uma vela. Assustado eu continuei a andar para trás, até minhas costas baterem na porta. Quando ela havia fechado? Minhas mãos foram em direção às maçanetas, mas a porta havia se trancado. Lizzy continuava a andar em minha direção, sua pele derretendo junto com seus cabelos e seus órgãos que já começavam a aparecer.

– Eu fiquei te esperando Ciel Phantomhive.

Quando ela chegou perto de mim, já era apenas um esqueleto, e colocou a ponta de um dos sabres sobre a minha garganta, eu estava com muito medo para poder me mexer. A sala começou a girar, muito rápido. Conforme a sala girava, os ossos de Lizzy se transformavam em poeira Assim como seu vestido e suas espadas. De repente a sala parou de girar, agora parecia uma caixa, com o interior como um tabuleiro de xadrez, era tudo quadriculado, do chão ao teto. Olhei em volta, não havia nada. Tentei andar, mas tropecei em algo. Era uma pilha de objetos que não identifiquei. A pilha era muito grande, e eu fui rolando até chegar ao chão definitivamente. Como não conseguira identificar que estava em cima de algo como aquilo?

Decidi olhar o que era a pilha, e não pude acreditar naquilo. Não eram simples objetos eram corpos, cadáveres amontoados. Um deles, que estava numa altura um pouco mais alta que eu, chamava minha atenção de qualquer jeito. O vestido vermelho escarlate, do mesmo tom dos cabelos, e do sangue que escorria em sua boca. Angelina Durless, Madame Red, minha tia estava bem ali e antes que eu dissesse algo ela abriu os olhos e os fixou em mim.

– Ciel meu querido...

Sua voz estava mais rouca do que eu me lembrava. Então comecei a reparar nos outros cadáveres, Doll, Joker e Beast, Bardroy, Meirin, Finny e Snake, até mesmo o Tanaka estava ali, e alguns funcionários da Scotland Yard, Ash e Angela separados. Todos mortos, e aos poucos abriam os olhos e, até mesmo virando completamente a cabeça, começaram a fixar seus olhares em mim.

– Ciel... Ciel!

– Ciel Phantomhive!

– Bocchan...

– Smile. É o Smile...

Os corpos começaram a se mexer, um amontoado de cadáveres rastejando em minha direção. Tentei me mover, achar um jeito de sair dali, mas senti alguém me abraçando por trás, a pessoa não deveria ser mais alta do que eu. Então senti uma língua gelada passear pela minha bochecha chegando ao lóbulo da minha orelha. Atrevi-me a olhar para trás, e me deparar com aqueles velhos olhos azuis.

– Ora ora Ciel. – A voz de Alois Trancy permanecia a mesma. – Todos te querem não é mesmo?

Ele começou a rir, depois de lamber minha orelha mais uma vez, ele me empurrou em direção aos cadáveres que ainda rastejavam em minha direção.

Cai no chão sem produzir nenhum som, em pouco tempo os corpos me agarravam, uns puxavam e outros empurravam. Suas mãos sujas de sangue me manchavam, eu sentia suas mãos nojentas passearem pelo meu corpo, minha garganta estava tão seca que achei que ela poderia rachar, e eu não conseguia gritar. Me senti novamente como aquele garotinho preso, pronto para ser sacrificado, o corpo marcado pela impureza humana.

Ouvi ao longe a caixa de musica de Droccel, ela tocava uma melodia desconhecida por mim, e que fazia meu pânico aumentar.

– Elimine o impuro, elimine o sujo. Elimine o impuro, elimine o sujo. Elimine o impuro, elimine o sujo.

Sua voz monótona dizia aquilo repetidamente. Quando aquele pesadelo iria acabar? Quando?

Fechei meus olhos, numa tentativa tola de aplacar aquele pânico, senti meu rosto arder, como se algo tivesse batido ali com força. Abri meus olhos e fui piscando varias vezes. Eu estava novamente e frente a casa de Hannah.

– Kokoa.

Ouvi a voz de uma garota. Ririchiyo? Ela parecia estar censurando alguém por algo.

– Mas ele acordou.

A voz enérgica de Kokoa chegou aos meus ouvidos. Espera? Ela havia batido no meu rosto? Coloquei minha mão onde estava ardendo, pelo jeito fora aquilo mesmo que acontecera.

Ririchiyo, que estava a minha frente, agachada para que me olhasse nos olhos, me perguntou se estava bem. Mesmo respondendo que sim, eu sabia que meu rosto fazia tudo parecer uma mentira.

– Quanto tempo eu fiquei... Assim?

– Ciel. – Ela falava seria comigo. – Se tivermos cinco minutos vai ser muito.

Arregalei meus olhos susrpreso, como aquilo se passara em tanto tempo? Eu me levantei, Kokoa olhava para mim me culpando, precisávamos chegar lá o mais rápido possível.

– Vocês também...

Eu não me atrevi a terminar a pergunta, mas ela entenderam. Ririchiyo apenas assentiu, Kokoa virou o rosto. Pelo jeito ninguém se sentia bem para falar daquilo. E não tínhamos tempo.

Juntei minhas forças e abri um portal a nossa frente. Elas não disseram nada, e nós três entramos ali. Da Como já estava acostumado com aquilo, foi como atravessar uma pequena viela.

Do outro lado havia a velha e pútrida Londres. Me surpreendi ao saber que algumas mansões ainda estavam em pé. Pelo jeito minha velha casa havia se transformado em um hotel que agora estava em reforma, precisava me lembrar de trucidar o atual dono do estabelecimento.

– Bem vindas á Mansão da família Phantomhive.

Nos três nos entreolhamos. Ririchiyo liberou sua forma de akuma. Kokoa fechou os olhos, respirou fundo. Eu tentei sentir o cheiro do meu mordomo, mas provavelmente Folter estava se protegendo com magia.

– Já sei onde eles estão. Kokoa declarou.

Sem nenhuma cerimonia ela deu um chute forte o suficiente para derrubar o portão principal, nós corremos até a entrada da mansão, que foi fatiada pela espada da morena. Kokoa nos guiou até o depósito da mansão. Ali havia uma porta escondida no assoalho, e eu não me lembrava dela. Já podia sentir um odor fraco que lembrava o de Sebastian.

A porta dava passagem para uma longa escada, depois para um corredor comprido e mal iluminado. Senti-me naquele pesadelo de novo, entretanto, não era hora para aquilo.

Notas finais
O melhor pesadelo que ja escrevi...