Notas iniciais
Heeey! Então, gente, só eu sou pirada pelo humor caótico do Coringa? Hauhauhau Amo demais... Boa leitura.

— Como é que é?! — Berrei, histérica. — E você me conta isso somente agora, mãe?

Eu estava na beira daquela cama de casal, a qual possuía um lençol barato e uma fina colcha de linho, feita pela minha falecida avó. Devido às janelas fechadas, o ambiente só era iluminado por um resquício de luz que vinha do corredor da casa, dando àquela situação mórbida, um tom mais mórbido ainda.

Era horrível, simplesmente a vida derrubando-me repetidas vezes e gargalhando das desgraças alheias. Por dois meses, preparei-me para aquele momento, o último adeus, em que as lágrimas já haviam sido esgotadas e tudo que sobrava era uma triste despedida. Após muito penar, patinar e tropeçar em empecilhos, os quais custavam em permanecer em meu caminho, viera o golpe final: ficaria órfã.

Minha mãe sempre fora meu exemplo, uma mulher trabalhadora que conseguia colocar o pão e o leite suficientes, à mesa, para sobrevivermos em Gotham City. Lembrava de como ficava preocupada por todas as horas extras no final de ano ou próximo à data de meu aniversário, nas quais ela tentava ganhar uma grana a mais para presentear-me e acabava por retornar em horários perigosos.

Nossa cidade era um total fiasco. Os índices de criminalidade atingiam índices alarmantes, a ponto de pegar o jornal e retornar vivo era desculpa para glorificar de pé. Sim, era preocupante, portanto, ver o relógio e seus ponteiros fazendo tic-tac, torturando a diferença de segundos que minha mãe demorava para chegar. Então, quando ela finalmente decidiu me contar que estava com câncer e não conseguiria pagar o tratamento, foi um choque. Tantas madrugadas esperando, amedrontada, por dois policiais baterem à porta dizendo que ela fora assassinada e encontrada em uma vala qualquer, e ela estava morrendo de câncer.

Consegui aproveitar sua companhia por dois meses e duas semanas e, ali, ela partia. Pensei que não choraria, que seria forte por ela, porém, foi inevitável. Eu solucei, gritei e estava com raiva para cacete. O mundo era uma desgraça mesmo: quando não tinha nada para fazer, tirava a vida de pessoas boas e inocentes, enquanto Gotham era recheada por gente que merecia apodrecer na cadeia.

Como eu estava pior que minha mãe, a qual aguardava quase sem forças, ela decidiu contar uma história. No começo, estava normal, era um conto de uma criminosa que conhecia um cara perigoso, meio psicopata, e até aí, eu dei algumas fracas risadas. Foi, entretanto, que passei a reconhecer algumas características e passei a ouvir com outros olhos. E, bam, no final, a mulher falecia ao lado da filha chorona! Coincidência? Eu acho que não...

Eram muitas semelhanças e, ao terminar, rebobinei o que escutei e parei na parte em que ela revelava o nome do pai, o cara perigoso e meio psicopata.

Edith Campbell criou-me sozinha e nunca dissera o nome do meu pai, e eu nunca fizera questão de saber, muito menos. Para mim, meu pai era apenas o doador de esperma, e não passava disso, porém, não poderia negar que, às vezes, enquanto andava pelas ruas de Gotham, eu observava os homens, contemplando-os e imaginando se aquele não seria meu pai. E agora eu tinha um nome e a potencial informação de que minha mãe era uma fora da lei em sua juventude.

— Ele? — Surtei. — O que raios você viu nele?

— Toda garota gosta de um pouquinho de perigo, Athena...

Fiquei boquiaberta. Eu não sabia o que era pior, descobrir quem era meu pai ou a juventude desvairada da minha mãe. Eram duas opções caóticas.

— E-ele é grotesco! Sorte a minha que puxei você... — Refleti, a mil. — Vocês, sei lá, dividiam a maquiagem também? Isso é totalmente errado! Por que você faria algo assim? E quanto a mim? E ele mata pessoas por diversão!

— Athena, seu pai pode ter feito más escolhas, mas eu admito: eu me senti... — Ela fechou os olhos, cansada. — ... atraída.

— Uou, pode parar, obrigada! Eu não quero saber de vocês se... — Coloquei a língua para fora, expressando nojo. — ... atraindo.

Edith sorriu levemente, como se presa em alguma lembrança.

— Eu era jovem, livre, inocente e...

— Inocente? — Arqueei a sobrancelha, segurando sua mão. — Você contou que era uma criminosa!

— Se eu não fosse uma criminosa, eu não teria você, Athena, a maior alegria da minha vida.

— Mãe...

Ela tossiu por um tempo e respirou fundo.

— Athena, querida, prometa-me que se você estiver em apuros financeiramente...

— Não. — Cortei-a levemente. — Não vou pedir dinheiro para o bandido do meu pai, mesmo que ele nade em sacos de grana e eu esteja morrendo de fome!

— Athena, eu iria dizer para telefonar para sua tia, Helen. Ela não sabe sobre você, mas tenho certeza que a acolheria caso precisasse de ajuda, porém, lembre-se... — Arquejou. — ... apenas em situações críticas.

— Vocês realmente não se dão bem, né? — Sorri. — Por que tenho a impressão que não é porque você odiava os gatos dela?

— E-ela tinha uma bela coleção de joias...

— Você roubou sua própria irmã? Tem certeza que é o último exemplo que quer me dar?

— Deixo por sua conta o que fará a partir dele... — Edith fitou-me de maneira melancólica. — Eu amo você, Athena, meu tesouro...

Não pude impedir que as lágrimas retornassem, nublando meu campo de visão. Eu sentia tanta raiva, pois eu queria vê-la com vida, sem perder qualquer instante, mas tudo em vão. Eu limpei as gotas quentes e, ao fitá-la novamente, minha mãe não estava mais lá. Ela se fora.

— Mãe? Mãe! — Solucei. — Eu também amo você...

Encarei seu corpo inerte, esgotada. Minha única família, tirando Helen, a tia dos gatos, eu acabara de perder. Permaneci naquele quarto por um tempo, imaginando se já era hora de chamar a ambulância, mesmo sabendo que ela não estava mais lá...

Disquei o número no velho telefone, na cabeceira da cama, e aguardei.

— 911, qual é a emergência?

— Eu acho que minha mãe morreu.

Surpreendi-me pelo minha voz estar com um tom tão sereno, vazio e sem emoção, quase não me reconheci.

— Acalme-se, senhorita...

— ... Campbell. — Respondi à pergunta implícita. — O endereço é Terceira Avenida, 160.

— Estamos a caminho, senhorita Campbell.

Acenei a cabeça positivamente, mesmo ciente de que ele não conseguia me ver, e coloquei o telefone no gancho, sentindo-me sozinha.

Eu não sabia que seria tão difícil, não havia me preparado para aquilo, o baque de realidade. Lembrava-me de que seria jogada em um orfanato qualquer por duas semanas, quando faria dezoito. Seria o inferno na terra... Eu não aguentaria o luto, rodeada de crianças órfãs como eu. Talvez fosse egoísmo ou somente fraqueza, porém, tudo não passava de uma grande merda e, somada à descoberta sobre meu pai... Era só a cereja de um enorme bolo de bosta.

A próxima coisa que percebi estar fazendo era andar pelos becos escuros de Gotham, com uma mochila à tiracolo e um blusão com capuz meio desfiado na ponta, rumo a qualquer lugar.

Passei em frente a uma loja, com um vidro espelhado e foi aí que vi a verdade estampada no meu rosto: acabara de abandonar minha falecida mãe naquele apartamento minúsculo, e nada poderia mudar isso, nunca.

Notas finais
E aí? O que acharam? Confissões de uma escritora #1: Essa fic era para ser One-shot, mas me animei agora. U.U Comentem e, se houver qualquer erro, avisem, ok? Xxxxxxxxx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.