It's a Match!

8 Quando heterossexuais saem do armário


Notas iniciais
Navegantes e navegantas! Muito bem vindos a mais um capítulo de I'ts a Match. Estou particularmente feliz porque tenho o meu computador de volta agora, para dar prosseguimento à fanfic. E título de curiosidade, ontem, com uma das luas cheias mais lindas do ano, foi o aniversário de Remus Lupin. Poeticamente triste, não?! Espero que aproveitem o capítulo!

No café da manhã eu tinha uma bolsa gelada fazendo compressa no nariz, quase não sentindo dor por conta do remédio que havia começado a tomar. Me sentia meio idiota diante de tantos olhares e sorrisos solidários. Eu estava acostumado com a invisibilidade e atrair olhos em minha direção me gerava bastante desconforto, então eu quase abandonava a razão e voltava para a cabana. Ficaria os dez minutos ali, e então, voltaria para o café, mas os meus amigos me convenceram do contrário. Então terminei a compressa e, só assim, comi alguma coisa.

Ao final, com todos ainda reunidos no refeitório, nos distribuíram kits de alguns alimentos para passar o dia.

— Ficaremos até o final da tarde na parte externa do acampamento – Minerva McGonagall nos explicava depois de conseguir a nossa atenção – Recomendamos que levem somente o essencial. Não é uma caminhada muito longa, mas pode ser um pouco cansativo – esperou até que os burburinhos reclamões se acalmassem para prosseguir – Levem também repelente, tem bastante árvore ao redor e consequentemente insetos. Saímos em uma hora.

Nenhum de nós tínhamos certeza se a parte externa do acampamento era propriedade dali ou um meio de mato regido somente pelas leis naturais. O fato era que estávamos excitados. Estávamos há quase uma semana restritos às áreas dos quartos, refeitório, pátio e piscinas — o que não era de todo ruim, as férias em minha casa seriam massantes, parando para pensar.

E nenhum de nós sabíamos também o que McGonagall queria dizer com o básico, além de comida e água. Sirius e James batizaram uma das garrafas com álcool, o que era típico, mas eu não achava que mataria a sede. Peter, precavido, colocou um casaco na mochila, mas eu não me preocupei com a mesma coisa. O meu livro era, com certeza, essencial. Mesmo sabendo que, provavelmente, não teria tempo para leitura, bem… era bom estar preparado. Celulares, carregadores portáteis, repelente, maços de cigarros e estávamos prontos em menos de uma hora.

Os portões foram abertos e saímos em caravana alguns minutos depois do planejado. Mary entrelaçava os dedos aos de Peter e os dois engatavam numa conversa particular, enquanto Marlene segurava em ambas as alças da mochila, se aproximando igualmente da gente. Dava para ver os olhares de James buscando a Lily Evans dentre os demais, encontrando-a tipicamente ao lado de Severus. Curiosamente eu me perguntava porque Marlene McKinnon havia deixado aquela que parecia ser a sua melhor amiga para andar com um bando de garotos que mal tinha contato na escola, mas parte da resposta logo se aclarava na minha cabeça: Marlene e Sirius tinham bom entrosamento. Automaticamente, James também o tinha… Mary era também amiga de Marlene e namorava com Peter. A cereja do bolo era a declaração de ódio a Snape, e as coisas assim começavam a fazer sentido.

Chegava a ser engraçado observar aquela quadrilha. Lily gostava de Severus. Marlene não gostava de Severus. Lily e Marlene eram melhores amigas, o que significava que tinham coisas em comum, ao mesmo tempo que Marlene tinha muito em comum com Sirius e James, e Lily não tinha absolutamente nada em comum com eles. Lily tinha coisas em comum comigo que, por minha vez, era melhor amigo dos dois outros. A única conexão naquela história que fazia sentido era Peter e Mary, que continuavam de mãos dadas, conversando intimamente entre risos apaixonados.

Talvez nenhuma daquelas coisas precisasse fazer sentido deveras. Ou acabassem por fazer quando analisadas mais de perto, porque eu e os garotos nos entendíamos como ninguém, mesmo com as nossas personalidades diferentes. Talvez Lily e Marlene…

— Planeta Terra para Aluado no Mundo da Lua?

James estalava os dedos diante do meu rosto.

Eu havia me deixado perder em devaneios. Deveria estar há tempo demais olhando para o nada que nem havia percebido o caminho percorrido. Era comum acontecer. Piscava algumas vezes então, voltando os olhos para James que, discretamente, apontava para Sirius mais a frente, junto do jovem Gilderoy Lockhart. Seria uma cena comum se, segundos depois, eu não me lembrasse do nosso breve encontro com ele no Tinder. Bem, no Tinder de Sirius. James Potter sorriu cúmplice para mim e, fazendo um sinal com a cabeça, deu alguns passos à frente para bisbilhotar. Acompanhei, seguido de uma Marlene confusa um tempo depois.

— Mas cara. Você entende o que eu quero dizer? Você só tem quatorze anos… — a voz de Sirius era muito baixa, mas dava para identificar suas palavras, o que somente aguçava mais a nossa curiosidade.

— Eu só te fiz uma pergunta, e você tá fazendo desta uma conversa moralista? – Gilderoy não tinha a voz tão baixa, no entanto – Eu já transei, okay?! Já transei com caras mais velhos até!

Até pra mim foi difícil segurar o riso, mas comprimi os lábios em silêncio. Diferente de James, que deixava a risada anasalada escapar, o que atraiu olhares dos dois para trás, Gilderoy jogando os cabelos e nos fuzilando por um momento. E então, o menor apertou os passos, seguindo a frente assim.

Sirius fechou os olhos por um tempo, respirando fundo enquanto nós esperávamos, com alguma expectativa, a explicação. Então ele nos disse que Gilderoy havia visto o perfil no Tinder e, enquanto ele tentava inventar alguma desculpa para estar ali, o mesmo Gilderoy havia insinuado que eles pudessem ter alguma coisa. Eu não sabia o quanto acreditar em Sirius porque ele tinha aquela pretensão de achar que todos estavam interessados nele. Por outro lado, a maioria das garotas realmente estavam ou estiveram interessadas nele em algum momento, então, por que não um garoto? Aquele não era o foco.

Sirius tentou lhe convencer de que era velho demais para Lockhart. Três anos mais velho. E que ele deveria tomar cuidado com tantos outros homens mais velhos nesses perfis, que provavelmente só queriam se aproveitar de crianças como ele. E então, a discussão.

— Tá, mas você é gay? – Marlene questionava um tempo depois, as sobrancelhas arqueadas e, logo, os ares quase decepcionados se iluminaram – Ou bi?

— Não, nenhum dos dois! – Ele respondeu, balançando a cabeça negativamente.

— Então porque tava procurando homem no Tinder?

Marlene não sabia de nada. E não podia saber. Nos entreolhamos por alguns segundos então e naquele momento eu senti falta das ideias de Peter que, por mais exageradas que fossem, nos daria um tempo para pensar com clareza. Mas Sirius era também um excelente mentiroso.

— De zoação…— disse, com um sorriso presunçoso no rosto – Queríamos ver quem encontrávamos por perto. Mas ninguém deu like no Gilderoy, se quer saber…

— É babaca do mesmo jeito – revirou os olhos então, balançando a cabeça numa negativa e se afastando.

E por um momento ficamos em silêncio. Eu não podia adivinhar o que se passava na cabeça dos meninos, mas não podia discordar de Marlene: verdade e mentira eram ruins. Babacas. Era o que éramos, afinal… E eu um pouco mais por dar continuidade à mentira. Eu não sabia mais se queria descobrir se Regulus era ou não gay, mas já estava na hora de parar.

— Acho que esses aplicativos são umas merdas. Quero dizer… Os caras devem se aproveitar de garotinhos como o Lockhart! – Sirius suspirava, balançando a cabeça numa negativa. Eu podia ouvir os dentes dele rangendo – Eu fico até aliviado de Regulus ser hétero, porque francamente…

Ouvi-lo me fez parar. Arqueava as sobrancelhas, mesmo quando a parada abrupta não fora percebida por James e Sirius, mas logo articulava com a voz mais alta.

— Eu não entendi…

Assim, eles logo se voltaram para mim. James fez uma breve careta, intuindo a discussão que estava por vir, mas Sirius ainda tentou explicar.

— Ora, você se lembra dos perfis que encontramos no aplicativo? “Fodas casuais”? Eu sei que o Regulus não é um santo, por mais que tenha uma boa carapaça, mas isso é muito e o tanto de homens mais velhos que devem se aproveitar de garotos novos, com essa história de fodas casuais, e o tanto desses garotos que acreditam que isso é legal… Eu não quero que o meu irmão seja assim.

— Acontece, Sirius, que você não tem o poder de moldar o seu irmão… – pude observar quando engoliu seco e ainda assim continuei – E eu continuo sem entender o que você quer dizer. Que os garotos novos têm culpa pelos impulsos sexuais, não os aplicativos, os consumos de pornografia, e a educação dos pais?

— Remus, pelo amor de Deus… – revirou os olhos, respirando fundo então – Não faça disso uma tempestade num copo d’água, eu não sou ignorante. Mas é que essa educação gay pode ser fodidamente promíscua!

— AH! Então a culpa é dos gays, só os gays são promíscuos...— Prosseguia ironicamente, sem raciocinar de fato a minha indignação, tendo aquela última palavra entalada na minha garganta – Não é perigoso para garotos novos que se relacionam com mulheres mais velhas. Ou para garotos héteros com impulsos sexuais iguais. Foi o que quis dizer? Que heterossexuais não são promíscuos?

— Eu quis dizer, Remus Lupin, que não gostaria que o meu irmão mais novo estivesse fodendo com caras velhos e aleatórios por aí como uma vadia! – explodia parando em minha frente, ambas as sobrancelhas arqueadas.

E então eu senti a minha garganta secar. Por um momento achei que não conhecesse o meu melhor amigo.

Nunca havíamos conversado sobre coisa como tal. A nossa cultura era heterossexual, presumia-se que todos o fossem. Nem mesmo quando surgiram boatos acerca da sexualidade de Sirius e James, que andavam sempre juntos, discutimos sobre aquele tipo de coisa. E agora era como ser apunhalado pelas costas, porque eu confiava em Sirius e confiava nos ideais que achava que tinha. Esperava ouvir aquele tipo de frase de qualquer pessoa. Nunca dele. E toda a conversa na noite passada, assim, passava a significar outra coisa para mim: Sirius e Regulus não se davam bem, porque Sirius queria moldá-lo. Era isso?!

Não, aquele não era o meu melhor amigo...

— Parabéns… – ironizei, uma careta desgostosa no rosto – Os seus pais estariam orgulhosos de você.

Eu pude ver o fogo tomando os seus olhos. E, antes que ele abrisse a boca para dizer qualquer outra coisa, eu passava a frente, lhe dando um esbarrão no ombro, pouco antes de dois monitores que seguiam a caminhada atrás de todos os alunos os alcançasse, auxiliando que seguissem o caminho.

O resto do caminho segui sozinho, rangendo os dentes, tentando digerir o absurdo que ouvira a pouco. Como se Sirius Black não fosse o mais mulherengo dentre todos os do grupo. Como se a heterossexualidade lhe deixasse imune a julgamentos e qualquer coisa fora deste padrão fosse errado. Remoía aqueles pensamentos até chegarmos numa clareira grande. De onde estávamos, dava para ouvir o som de água corrente e a maioria dos alunos já se espalhavam por ali, largando suas mochilas no chão, as expressões cansadas, emburradas. Não olhei para os garotos que passavam por mim, apesar de ter sentido o olhar de James em minha direção.

Fomos instruídos a não nos afastarmos muito e assim os quatro monitores que nos acompanhavam sentaram-se num banco de galho tombado de árvore. Com a visão periférica pude ver que Peter e Mary se juntavam aos rapazes e, antes que Peter pudesse questionar alguma coisa ou mesmo me chamar para perto, tratei de me afastar para olhar o lugar. Confirmava, um tempo depois, que realmente havia um riacho ali, pequeno.

E eu que imaginava que não iria precisar do livro, agradeci mentalmente por tê-lo na mochila. E compreendi toda a minha influência de pensamentos expostas ali, nas páginas de Simon vs. A Agenda do Homo Sapiens.

"Até onde sei, sair do armário não é uma preocupação na vida dos garotos héteros."

Demorou um pouco até que eu me concentrasse deveras no livro. Não sei por quanto tempo fiquei sentado, acompanhando um romance de dois garotos que mal se conheciam e trocavam e-mails e temiam a descoberta da sexualidade pelos amigos do colégio, com a cabeça latejando levemente e, quando estava de verdade imerso nas páginas, ouvi alguém chamar o meu nome. Erguendo os olhos apertados por conta do sol, percebi a mão de Lily que acenava para mim, me chamando para perto em seguida. Com um sorriso pequeno os lábios, observei o grupo. Havia Lily e Marlene, com quem eu conseguiria manter minimamente um assunto. Havia Severus Snape e me dava náuseas pensar em me aproximar dele. E havia Regulus e Bartemius, o que fazia o meu estômago revirar de nervosismo.

Eu poderia simplesmente negar a companhia, mas seria falta de educação simplesmente recusar dali, de onde estava. Então me levantei preguiçosamente, seguindo para mais perto do riacho, me sentando ao lado de Lily e colocando o livro de cabeça para baixo em meu colo.

— Tá muito quente ali, o seu nariz pode voltar a sangrar… – dizia com um sorriso terno e eu mal me contive em olhar para Regulus, que tão logo desviava os olhos – Tá sozinho por quê? Cadê os garotos?

Encolhia os ombros enfim, sem responder propriamente. E, enquanto Lily parecia compreender que, não, eu não queria falar sobre o assunto, Marlene arqueava as sobrancelhas, questionando:

— Vocês brigaram?

— Não! – Tratei de negar imediatamente, somente porque não queria que Snape sentisse o sabor doce daquilo – Eu só estava afim de ler um pouco…

— Me desculpa atrapalhar – Lily ria baixo ao que eu negava com a cabeça.

— Tudo bem, você tem razão… O sol não deve fazer bem mesmo – e era esse o motivo provável que fazia a minha cabeça doer.

Snape se manteve calado quase o tempo inteiro, com a expressão fechada, como se eu tivesse tomado o seu lugar. O que eu basicamente estava fazendo porque, em meio aos assuntos dela e Marlene – que escondia um cigarro e virava o rosto na direção contrária aos demais para soltar a fumaça – Lily sempre tentava me incluir. Ela tinha uma câmera pendurada no pescoço e, sem que eu percebesse: click! Uma foto minha. Regulus e Bartemius conversavam entre si, mas logo o Black menor se levantava, o celular em mãos e a tela acesa. Quando se afastou eu soube que estava numa ligação.

Enquanto eu tentava prestar atenção discretamente, Barty parecia não se preocupar muito com isso. Erguia os olhos em busca de Regulus, mantendo-os atento em sua direção. Da conversa eu, inconveniente, só conseguia compreender alguns muxoxos do que ele dizia, resmungos sem contextos. Não, eu não esqueci do combinado…. Não sei onde ele está agora… Sei, eu entendi. Ele estava falando com os pais e aquilo eu não precisei mesmo ouvir para concluir, mas no final ele dizia claramente: Okay, mãe. E então, desligava.

Voltou para o grupo com a cara fechada, mas assim que Lily questionava se estava tudo bem, Regulus voltava a empinar o nariz, a expressão quase neutra no rosto.

— Está sim – respondia com tranquilidade na voz, o que não condizia com a sonoridade de alguns segundos atrás.

— Não parece muito não… – Marlene fazia careta, enquanto ele se sentava novamente ao lado do amigo – Você voltou com uma cara péssima.

— Deixa ele, McKinnon… – era Barty quem intervinha.

Eu colocava Sirius como referência ao ele que acabara por escutar da conversa, era automático, já que os pais era a única coisa que os dois pareciam ter em comum. Mas não tinha qualquer intimidade para perguntar.

Observei que cochichava com Crouch enquanto mexia na mochila e, de rabo de olho, o observava com a garrafa de água vazia em mãos. Eu quase não havia tomado da minha. Respirando fundo uma vez, em silêncio, copiava o gesto, aproveitando para guardar o livro quando tirava a água dali, esticando o braço comprido na frente de Lene e Lily e parando-o próximo a Snape que somente se dignou a resmungar. Regulus, por um momento, arqueou as sobrancelhas. Mas aceitou a garrafa. Educadamente tomou um pouco e, como a mão de Barty também estava estendida, passou para ele na sequência, mas no primeiro gole pude notar sua careta.

— Está quente! – Reclamou.

Recebeu uma cotovelada com repreensão.

— Barty!

Entregava para mim a garrafa mais uma vez e, depois de um aceno discreto em agradecimento, eu voltava a guardá-la dentro da mochila.

Então, quando faltava uma hora para o pôr do sol, pegamos o caminho de volta para o acampamento.

Eu definitivamente não me encaixava no grupo de Lily, mas aparentemente ele era formado de pequenas panelinhas com personalidades diferentes. Bartemius e Regulus faziam parte, porque tinham alguma afinidade com Snape e, pelo que eu havia entendido de conversas soltas, os três dividiam o quarto, junto ainda de Zabini. E, apesar de Lily e Snape andarem juntos, ele permanecera carrancudo desde o momento em que eu me sentara próximo.

— Eu não sei por que insiste em ser simpática com todo mundo… – o ouvia dizer para ela, mais a frente no caminho. – Por mim ele poderia sangrar até perder o nariz no sol.

— Você sabe que comigo não vai encontrar respaldo para esse tipo de maldade, não sabe?! – Ela retrucava – Remus não é James nem Sirius!

Eu certamente não era.

— Mas anda com os dois. Farinhas do mesmo saco – mesmo de costas pra mim, eu podia imaginar a expressão ranzinza.

— E você não é inocente – a ouvia respirar fundo – A gente veio pra essa viagem pra se divertir, poxa, e você está agindo feito uma criança!

Calaram-se por um tempo e eu parei de prestar atenção. Voltava os olhos para Marlene que metera o fone nos ouvidos e, mesmo quando caminhava num mundo particular, ela não parecia deslocada. Marlene era tão espontânea que poderia fazer parte do grupo que quisesse, mesmo um grupo composto somente por ela mesma.

Não muito longe, estava o meu grupo de amigos. Os meus melhores amigos, conversando entre si, e eu não pude deixar de sentir um frio na barriga. Sabia que não ficaríamos brigados para sempre, mas ainda estava chateado enquanto eles pareciam se entreter com facilidade. Peter ainda olhou pra mim, sorrindo e acenando e, retribuindo com um sorriso contido, eu continuei o meu caminho distante. Foi quando notei os olhos de Regulus sobre o irmão mais velho. E, novamente, eu me lembrava de sua conversa ao telefone, tentando ligar os pontos: qual seria o combinado e o que tinha a ver com Sirius? Luci seria cara de pau o suficiente para perguntar.

Não o faria naquela hora, sem um pretexto, mas ainda assim tirei do bolso o celular, certificando-me de que ninguém estava olhando. O sinal estava um pouco fraco naquele trecho do caminho e, ainda assim, eu digitei:

LUCI: Ei, “pequeno rei”**

Eu havia pesquisado.

Guardava o celular antes que fosse notado, e ficava observando ao longe, até vê-lo tirar de dentro do bolso o seu próprio. Quis muito poder ver suas expressões, mas só o vira bloquear a tela e guardar novamente o aparelho. Nenhuma vibração no meu.

— Que tanto você mexe nesse celular? – Barty questionou e eu pude notar certo incômodo em sua voz.

Eu poderia sorrir se não a resposta de Regulus.

— Nada de importante.

Nada de importante.

Notas finais
**NOTA: O nome Regulus vem do latim, significando "Pequeno Rei". Vale a pena ler sobre a presença de Regulus na constelação de Leão, para quem se interessar. No mais, eu espero que tenham gostado do capítulo!! Comentários? Críticas? Sugestões? Aguardo ansiosa. Até o próximo ♥