It's a Match!

12 Primeiro estágio


Notas iniciais
Ei, navegantes. Venho através das notas iniciais dizer que: a fanfic ganhou vida própria. Eu precisei revisar, reescrever, apagar tudo e voltar algumas vezes até me sentir satisfeita (e esse foi o motivo da demora). Eu espero que gostem! AVISO: Este capítulo pode conter gatilhos ~

LUCI: Regulus. Você me beijaria?

Eu acabava por estar meio perdido no resto da noite.

Quando saía do banheiro, Sirius me esperava de braços cruzados, as sobrancelhas arqueadas. Me lembro de passar direto por ele e me sentar novamente em meu lugar, quase de frente para Regulus, que agia com naturalidade mesmo quando Lily lhe cutucava com o cotovelo, esperando que dissesse qualquer coisa. Como resposta, ele apenas dava de ombros, não questionando quando uma Marlene já bêbada deitava com a cabeça em seu ombro. E, mesmo com a continuação do jogo, eu continuava alheio. Não pude mesmo fazer qualquer conexão entre a rapidez em que James se levantava para beijar Narcissa dentro do banheiro quando a garrafa apontava para os dois, e o provável sentimento de vingança por ter Lily Evans, há bons minutos atrás, beijando a mesma garota que não via aquilo como algo mais do que uma brincadeira.

Regulus, pelo restante da noite, agia normalmente e eu me sentia idiota por estar tão perdido por um beijo que nem tinha acontecido. Ainda sentia, no entanto, a quentura de sua mão sobre os meus lábios.

Quando a brincadeira ficou chata demais, logo depois que Cissa saía do banheiro com um James de bochechas vermelhas, que mal podia nos encarar nos olhos, os que ainda tinham pique ficaram batendo papo. Mary se deitou na cama debaixo com Peter, Sirius e Marlene já não se importavam mais com a discrição, beijando-se recostados sobre o frigobar da cozinha minúscula da cabana. E, um tempo depois, Lily resolvia que estava na hora de voltar para a própria cabana, pouco mais de duas da manhã, arrastando consigo Regulus e Marlene que, segundo ela, estava bêbada demais para passar a noite com Sirius. Narcissa entrou no combo das despedidas, nos abandonando junto dos outros três. Mary foi a única que ficou, até dormir abraçada com o meu amigo.

Eu não sei a hora que eles dormiram. Não sei nem a hora que acessei o Tinder, mandando a mensagem para Regulus, sem um mínimo raciocínio lógico e, somente quando acordei no outro dia, percebi que precisava improvisar alguma explicação.

REGULUS: Você anda fazendo umas perguntas muito aleatórias, Luci. Anda se drogando?

É por essas e outras que não se deve beber. E se beber, certifique-se quando sóbrio se o celular está distante. E se estiver perto, esconda-o, desligue a internet, jogue na privada, qualquer coisa que evite maus entendidos ou grandes micos. Assim, a única grande ressaca poderá ser curada com água gelada. A ressaca moral, por outro lado, eu ainda não tinha descoberto um método de curar. Então o melhor que pude fazer naquele momento foi esconder o celular embaixo do travesseiro depois de conectá-lo ao carregador e conferir a hora. Havíamos perdido o café da manhã.

Quando me levantei ainda me sentia tonto. No banheiro, jogava água fria no rosto depois de cumprir com as obrigações matinais, me encarando no espelho por um tempo. Olheiras, cara amassada, cabelos despenteados, nariz com curativo. E aquela sensação de quem havia sido acertado por um meteóro. Ou uma estrela que despencara do céu.

Na minha cabeça, um turbilhão de pensamentos começava a se intensificar, me dando diversos pontos de vistas de um único fato que acontecera ali mesmo, naquele banheiro. Eram ideias ainda desconexas e eu não conseguia focar em uma só, muito provavelmente por culpa da ressaca. Não me deixando devanear, lavava o rosto uma vez mais, voltando ao quarto, onde Peter conversava com Mary na cama, entre sussurros, tendo uma das pernas dela jogadas sobre as suas.

Sirius e James também estavam acordados, apesar do silêncio. As caras eram tão péssimas quanto a minha própria. No chão, ainda havia garrafas de vidro, copos furtados da cozinha no dia anterior, a camisa de Sirius amarrotada… Suspirei uma vez.

— A gente não pode sair e deixar o quarto nesse estado… – alertava, enquanto me sentava curvado em minha cama, tomando cuidado para não bater a cabeça no estrado de cima.

— Ninguém pretende sair desse quarto hoje, Rems… – James dizia, sem tirar os olhos do celular.

— E vocês pretendem morrer de fome? Não tem comida nos armários.

— Eu não… – Ouvia a voz de Peter agora, voltando os olhos a ele em seguida.

Eu não sabia se era efeito Mary MacDonald ou se Peter não havia bebido tanto quanto os outros, mas o meu amigo era quem parecia estar melhor.

Devagar me levantava de novo, seguindo até a programação diária colada no armário. Tínhamos atividade para aquela quinta-feira e na sexta teríamos o passeio à cidade que era a expectativa da maioria dos estudantes ali. Sendo assim, já tínhamos o final de semana livre, com programações de lazer intercaladas, então achava difícil conseguirmos nos safar das atividades semanais planejadas.

— Hoje tem caça ao tesouro – dizia em voz alta, respirando fundo e pensando no sol do lado de fora da cabana – Vale ponto para as equipes.

— Remus, eu tô pouco me fodendo pras equipes – James voltava a falar, se sentando na cama e estreitando os olhos sem os óculos – Eu só queria curtir a minha ressaca, me afogando num copo d’água gelada que, aliás, não temos.

Ressaca moral: Dois. Remus e James: Zero.

Eu não tinha bebido o suficiente para me esquecer da noite anterior. Me lembrava da palma de Regulus contra a minha boca, a proximidade tamanha dos nossos corpos, porra, podia sentir até as batidas aceleradas do meu coração que quase subia pela garganta. Da mesma forma eu imaginava o impacto de ter a garota que você ainda gosta supostamente beijando outra garota no banheiro. Mas James também havia beijado Narcissa.

Então me caiu a ficha.

Voltava os olhos para ele então, entreabrindo os lábios por um momento, deixando que as palavras se formassem em minha boca.

— Você beijou a Cissa???

— Você beijou o Regulus? – E, apesar da pergunta ter sido voltada a James, era Sirius quem questionava de volta.

Senti o coração falhar uma batida.

— Não… – respondia, o que era de fato uma verdade, mas ainda me deixava nervoso.

E, para suprir o nervosismo, eu passei a recolher as garrafas no chão, deixando-as sobre o frigobar enquanto Sirius se sentava na cama, as sobrancelhas arqueadas para mim.

— E o que ficaram fazendo no banheiro? Conversando? – voltava a questionar, incrédulo.

Tecnicamente sim.

Suspirei mais uma vez, juntando agora os copos para deixar no mesmo lugar.

— E se eu tivesse beijado? – Perguntava de volta, sem encará-lo, sentindo o estômago revirar.

— Você não pode beijar o Regulus! – Sirius tinha a voz um pouco mais alta, o que novamente me fazia respirar fundo, somente para evitar vomitar no chão do quarto – Regulus é meu irmão, isso deveria ser um acordo tácito entre amigos. E você não é gay.

E, por um momento, ficou em silêncio. Todos ficaram. Eu mal podia ouvi-los respirar, até que o mesmo Sirius quebrasse aquela redoma que me pressionava.

— Você é?

— Não Sirius! – Explodia, voltando-me finalmente para ele, cruzando a ambos os braços sobre o peito – Que mania de achar de todo mundo é gay, nossa! E que mania de reduzir sexualidade a hetero e homo, como se só existisse isso!

— Então você é bi? – Desta vez era Mary quem perguntava. No seu rosto, uma expressão curiosa.

Não!

Ou sim…

Talvez?

— Não – e voltava os olhos para o chão do quarto, procurando mais alguma bagunça para arrumar e me distrair, com as mãos suando frio.

Já não havia muita coisa mais no chão além de rastros secos de bebida alcoólica, nada que eu pudesse limpar sem um balde com água. Assim, balançava a cabeça negativamente, seguindo a passos pesados para o armário, enquanto os meus amigos me acompanhavam com os olhos. Pegava a toalha e seguia na direção do banheiro.

— Dêem um jeito nessas garrafas antes que quem faz a limpeza encontre e nos coloque em problemas – mal podia conter o tom mandão na voz – Os copos também, devolvam no refeitório depois de lavar, isso tá cheirando a cachaça. Eu já juntei tudo e agora é com vocês, eu não vou ser o escravo particular dos garotos ricos— e me trancava no banheiro logo quando terminava de falar.

Sabia que aquilo era completamente desnecessário, era eu quem havia tomado a iniciativa de começar a arrumar e a desculpa de ser o garoto pobre não colaria como justificativa daquela vez, mas de novo eu estava com raiva. Porque até Mary, que mal me conhecia, tinha a sensibilidade de questionar a minha sexualidade — mesmo que de forma intrometida — não a reduzindo apenas a dois pólos, enquanto os meus amigos pareciam não entender! E Sirius já havia deixado claro o que achava de homossexuais. E James havia deixado claro o lado em que estava. No final das contas eu estava sozinho.

Quando terminei o banho, refiz o curativo do nariz diante do espelho. Quase não doía mais, apesar de ainda avermelhado. Do lado de fora, o quarto já estava arrumado. Não sabia onde eles tinham encontrado sacos de lixo ou o que fariam com as garrafas vazias, mas Sirius levou consigo os copos para o banheiro quando entrou com a toalha pendurada no ombro, muito provavelmente para lavá-los na pia. Não falou comigo quando entrou. Mary já tinha ido embora, James se mantinha de cabeça baixa. Peter terminava de arrumar a sua cama, o que era um milagre, ele não costumava fazer isso.

E durante aquele meio tempo entre tomar banho e colocar uma roupa minimamente decente para o almoço, permanecemos em silêncio. Somente quando estávamos no refeitório, quando Sirius tirou das costas a mochila e, discretamente, colocou os copos vazios na mesa para devolvê-los, eu me lembrei da Caça ao Tesouro que aconteceria logo depois do almoço, imaginando que deveria ter levado comigo ao menos um fone de ouvido para não cair no tédio. Voltaria para buscar depois de comer.

Mas a comida mal descia e, quando sim, mal assentava no estômago. Eu atribuía novamente à ressaca. O mau humor também era culpa da ressaca, mesmo quando, aos poucos, os meus amigos começavam a interagir entre si, enquanto eu afastava o prato e encolhia as mãos sobre as pernas. Somente percebia que cravava as unhas no tecido do short, arranhando-o num vai e vem, quando o olhar de Peter se demorou um pouco mais sobre mim.

E então parava para prestar atenção no meu corpo, inquieto. O enjôo tinha a ver com a ressaca, mas não somente com ela, e eu conseguia entender isso não somente pelo estado ansioso como me portava. Olhei ao redor, tentando prestar atenção por alguns segundos, mas queria evitar qualquer pergunta advinda do meu amigo. Assim me levantava, sem lhe dar qualquer chance de questionar.

— Ainda temos cigarros? – indagava, sem olhar para ninguém em particular.

— Se Marlene não fumou tudo… – Sirius encolhia os ombros assim – Dá uma olhada no armário.

Concordava e seguia para a cabana então. Lá dentro, fumava dois, três na sequência, enquanto olhava ainda inquieto para o celular. Chegava ainda abrir o grupo no whatsapp com os meus melhores amigos, iniciar um texto confuso e apagá-lo, para iniciar outro e novamente apagar. E então digitava finalmente:

REMUS: A gente pode conversar, os quatro?

Sentia que tínhamos problemas a resolver, e que precisávamos fazê-lo de uma vez, mas assim que enviava, dois minutos depois, apagava. Assim eles não teriam chances de ver. Depois respirava fundo em três tempos, como um exercício, acessando ao Tinder, ignorando completamente o assunto da noite anterior.

LUCI: Oi.

LUCI: Que tá fazendo?

Almoçando, muito provavelmente, apesar de não tê-lo visto no refeitório.

Tão logo recebia a resposta, que só confirmava a minha teoria.

REGULUS: Almoçando.

REGULUS: Indo para o almoço, aliás, correndo para não me atrasar.

REGULUS: E você?

LUCI: Fumando escondida, rsrs

REGULUS: Porque precisa fumar escondida?

LUCI: Porque eu não quero ser vista.

LUCI: Não por causa do cigarro, eu só não quero companhia agora

LUCI: Não fisicamente, eu quero dizer. Eu gosto de falar com você.

LUCI: Tá meio calor, não é?! Mas acho que hoje chove, ao menos um pouco, tem mais nuvens no céu do que nos últimos dias.

LUCI: É bom, porque refresca, eu não aguento mais o calor

LUCI: Você não acha?

Eu digitava aquelas mensagens com tanta rapidez que quase não prestava atenção no que estava escrevendo. Eu só precisava continuar digitando, falando qualquer coisa para não estar sozinho de fato. E continuaria digitando, falando sobre o tempo, sobre cigarros escondidos enquanto terminava o quinto e sentia a minha garganta arranhar, sacudindo as pernas como quem não tem um mínimo controle sobre o próprio corpo. Mas Regulus me interrompeu.

REGULUS: Luci.

REGULUS: Você parece meio agitada.

REGULUS: Tá tudo bem?

E, somente diante do seu questionamento, eu entendia que talvez não estivesse bem. Precisava fechar os olhos para conter a vontade que tinha de chorar, respirar fundo, tentar inventar uma nova desculpa em nome de Luci, mas o fluxo contínuo de pensamentos não me ajudava a estar minimamente concentrado. E, tão logo, ouvia batidas na porta. Num sobressalto me levantava no chão, apagando o cigarro na quina da cama, sentindo a respiração falhar por alguns instantes, até ouvir a voz de Lily do lado de fora. Desanuviando, pensava que ainda tínhamos uma Caça ao Tesouro para prosseguir. Eu precisava estar presente e espairecer talvez fosse uma boa ideia.

Metendo fones no ouvido, eu saía do meu quarto. Não tocava música alguma, mas meio que deixava claro que eu não estava a fim de conversar, ao menos por hora e sentia muito que a pessoa do lado de fora fosse Lily, que acabara por se encolher devido a minha falta de educação e seguir alguns passos à frente. Mas o fone parecia mesmo uma opção ideal, até que estivesse novamente enturmado de fato com a equipe, já que eu poderia prestar atenção nas conversas, me intrometer numa e noutra.

Eu só precisava me distrair.

Mas no pátio, enquanto McGonagall explicava a dinâmica da Caça ao Tesouro que eu não prestava atenção, o fluxo de pensamentos voltava a se intensificar. Sirius estava em silêncio, e talvez ele só estivesse prestando atenção nas coordenadas, mas e se estivesse realmente muito bravo por eu ter estado com Regulus no banheiro? E nem havíamos nos beijado de verdade! E eu queria muito que sim, mas e se acontecesse? E depois? Querer beijá-lo, querer Regulus retribuindo ao beijo, queria dizer que eu estava apaixonado por ele? E então eu gostava de meninos e meninas, mas como proceder com a informação? Talvez eu pudesse procurar relatos na internet. Talvez, junto de fazer uma pesquisa sobre caras bis e suas descobertas, eu poderia pesquisar também uma forma de fazer com que o seu melhor amigo não ficasse tão bravo quando descobrisse que você e o irmão dele estavam trocando mensagens e se beijando pelos cantos. E uma forma de explicar para James e Peter que, talvez, eu fosse bissexual e eles não precisavam também ficar bravos com isso, porque a nossa amizade continuaria a mesma. E eu nem sabia se tudo aquilo era real ou poderia ser real algum dia, mas eles compreenderiam, para variar? Talvez eu pudesse conversar com Lily, porque ela havia beijado Narcissa, mas Lily deveria estar brava porque eu a havia ignorado com os fones de ouvido. E no final, todos estavam bravos comigo. Até Regulus ficaria quando descobrisse! E, perdido em tantos devaneios, como num piscar de olhos, eu me via entre os membros da minha equipe, no meio do bosque externo ao acampamento.

Não era como se eu não tivesse prestado atenção no caminho, eu simplesmente não me lembrava como havia chegado ali. Ou como havia colocado música para tocar no celular. Não sabia sobre o que eles discutiam e que diabos de telefone antigo era aquele que eles seguravam na mão. Era comum, uma vez ou outra, eu entrar no modo automático e deixar que o dia passasse sem prestar atenção, mas simplesmente não me lembrava!

Estava em crise. E perceber que estava em crise só deixava tudo ainda pior. Mas, se aquela fosse realmente uma crise, não era tarde para tentar controlar. Então não tinha motivos de dizer a alguém, eu não precisava de ajuda ainda. E pareceria um grande exagero, certo? Uma crise iniciada só porque eu não tinha certeza se gostava de um garoto ou não. No final das contas, ninguém tinha notado.

E então, um trovão cortava o céu. As nuvens carregadas pareciam flutuar próximas demais das árvores.

— Acho que deveríamos voltar antes da chuva – Marlene dizia com uma careta no rosto e, sem delongas, a maioria de nós concordou.

E, no caminho de volta, alguns pingos grossos martelavam as nossas costas, amenizando todo o clima quente daqueles dias de acampamento. Logo no hall de entrada, os monitores aguardavam embaixo de guarda-chuvas e, junto ao monitor da Corvinal, McGonagall contava um a um dos nossos, assegurando que estávamos todos ali. E, com o indicador, fazia sinal para que a acompanhássemos. Eu não fazia ideia do porque, mas sentia o estômago embrulhar.

Na sala que antes havíamos utilizado como ateliê de criação da equipe, três de nós se sentaram nas cadeiras dispostas ali, enquanto os demais se mantinham de pé, juntamente comigo, tentando conter o estado de aflição. McGonagall não me parecia uma líder muito compassível e a cara fechada por si só já era o início de uma bronca. Mas as palavras, enfim, vieram.

— Eu imagino que saibam por que estão aqui – e eu anda não tinha ideia— É completamente inaceitável que adolescentes como vocês ajam de forma tão irresponsável – fez uma pausa dramática para olhar para cada um dos sete silenciosos, enquanto eu tentava racionalizar. – Eu não vou falar sobre princípios morais com os senhores já que tenho a impressão que soará como vento a vocês, mas sinto-me na obrigação de ressaltar que há um contrato de responsabilidade e zelo, não somente pela segurança de vocês, mas pelo bem estar e, mesmo que não haja uma regra explícita acerca do consumo de bebidas alcoólicas nas áreas do acampamento, os senhores têm idade suficiente para compreender que qualquer elemento ilícito para menores é terminantemente proibido. Não seria diferente aqui.

— Oh! – E Peter compreendia, assim como eu, do que se tratava a reunião naquele momento.

A festa. Minerva, de alguma forma, havia descoberto sobre a festa. E sobre as bebidas. E, enquanto eu ligava os pontos em minha cabeça, ela prosseguia:

— Como punição, vocês podem ajudar na cozinha amanhã pela manhã. Há louças que precisam ser lavadas e as moças que aqui trabalham merecem um descanso.

— Amanhã não é o passeio para a cidade? – James ainda ousou questionar, mesmo enquanto mantinha a cabeça baixa.

— Sim, e sugiro que terminem a tempo, senhor Potter. Ou prefere que ligue para os seus pais? Porque esta será, sem dúvida, a próxima punição diante de ato tão irresponsável, se não a expulsão dos senhores!

— Um momento – era a vez de Sirius falar, porque geralmente um influenciava o outro em atitudes “heróicas” – Alguém nos dedurou?

— Ninguém o fez senhor Black. Hoje foi o dia de limpeza do quarto dos senhores.

Claro! Tínhamos organizado o quarto, mas havia garrafas lá dentro e manchas de álcool no chão, além das bitucas de cigarro. Mas do que imprudência, aquilo se caracterizava como burrice.

— Oh! Então... As garrafas de álcool as quais a senhora em nenhum momento citou num discurso introdutório ou coisa assim, foram achadas no nosso quarto. Um quarto de quatro rapazes e não há mesmo como negar o fato. Mas o que a leva a pensar que as três garotas também estavam envolvidas nisso? Com todo o respeito, senhora.

Teatralmente, McGonagall ergueu uma única sobrancelha. Não era preciso uma mente muito viajada para imaginar que aquela fora uma festa de derrota da equipe, mas era um ato de heroísmo válido de Sirius, visto que nem Lily, nem Mary e nem Marlene dividiam o quarto com a gente. Talvez funcionasse se o rosto de Lily Evans não estivesse tão vermelho.

— Não tem problema, Sirius – intervinha a garota ruiva um momento depois – Lavaremos a louça, Srta. McGonagall.

Satisfeita, a mulher concordou uma vez com a cabeça. Dispensou-nos e, no caminho para o quarto, enquanto Lily resmungava com Lily por ter lhes entregado quando Sirius tentava salvar seus pescoços, corremos para as barracas por conta da chuva que se intensificava, dividindo o grupo no meio do caminho.

Sem dizer qualquer coisa quando no quarto, eu me metia primeiro no banheiro. Tomava um banho quente, me forçava a lembrar o que havia perdido em três horas de caminhada em volta do bosque, buscando um tesouro que eu nem sabia, conversando sobre coisas que haviam sido apagadas da minha cabeça. Era como se eu, realmente, não estivesse presente entre eles. E agora ainda havia o problema causado pela festa da noite anterior, o que me deixava extremamente envergonhado, visto que eu costumava sempre agir com prudência para tudo. Inquieto, me trocava no banheiro mesmo, seguindo para a minha cama assim que voltava para o quarto, prestando atenção enquanto eles conversavam sobre a gincana daquele dia. Talvez eu conseguisse me situar assim.

— Acha que alguém conseguiu terminar? – Peter questionava, já pegando a toalha para igualmente entrar no banheiro.

— Ninguém parecia de fato entender o que estava fazendo, isso foi muito mal elaborado – Sirius praguejava, acendendo o último cigarro do maço, retirando do bolso um telefone moveu e mostrando aos demais – E o que diabos significa isso aqui?

— Lily acha que as letras correspondem à sequência de números que encontramos junto dele – deu de ombros James – Mas daí começou a chuva. A Caça deveria ser cancelada.

— E você realmente se importa com essa merda?

— Eu acho que demoramos demais a encontrar pistas – Peter arriscava, próximo a porta do banheiro – Ninguém tava mesmo muito afim.

— Ressaca o nome...— ousava dizer, com voz tão baixa, tão rouca, que era quase irreconhecível.

Metia-me na cama de baixo assim, buscando pelo celular somente para confirmar o horário. Havia uma mensagem no Tinder, mas antes de abrir, o questionamento familiar.

— Tá tudo bem, Rems? – Era James a perguntar – Você pareceu meio distante hoje. Nem parecia que tava com a gente.

Não estava tudo bem. Eu me sentia péssimo.

Ainda assim respirei fundo uma vez, contando até três antes de voltar os olhos para o meu amigo que, com alguma expectativa, me olhava de longe.

— Eu só to um pouco cansado.

Notas finais
Então. A história ganhou vida própria, como disse. A autora está levemente satisfeita. Mas não é só de autoria que se constrói uma narrativa. Eu agradeço demais aos comentários, vocês são lindos, de verdade e a cada um deles eu ganho mais gana para continuar, mas preciso saber de vocês, agora mais do que nunca: o que estão achando? Beijos ♥ Até o próximo!