It's a Match!
14 Encontro na roda Gigante
Notas iniciais
REGULUS: Oh
REGULUS: Isso parece sério
REGULUS: Ignorando o quanto estou nervoso, que sorte a nossa, Luci. Amanhã temos um passeio na cidade, então, é agora ou nunca, rs
Eu sei Regulus.
Mas não tinha absolutamente nada planejado. Depois de ser encorajado por Lily para contar a verdade, eu voltava para o quarto e já me sentia, de novo, inseguro. Mas já estava feito, eu tinha um encontro, e teria de lidar com as consequências.
Eu podia pensar em mil possibilidades de aquele encontro dar errado. Regulus poderia brigar muito comigo. Poderia chorar. Poderia me jogar de cima da roda gigante ou apanhar um pau para dar com ele na minha cabeça. Poderia juntar a gangue burguesa da Sonserina e da Lufa-lufa, porque era amigo de Crouch e, se não me batessem eles mesmo, contratariam alguém para me bater. Poderia não dizer uma palavra e me deixar falando sozinho. Poderia rir. E, de todas as alternativas, a última era a que mais me fazia revirar o estômago. Mas eu merecia todas elas pela minha ousadia em achar que poderia enganar alguém ou que poderia ser amigo de alguém cujo eu enganava ou por achar que ele poderia gostar pelo menos um pouquinho de mim quando me perdoasse num intervalo curto de dez anos. Mas estava feito, certo?! Eu precisava me encontrar com ele e contar a verdade.
Poderia, no entanto, aproveitar aquelas últimas conversas, certo?! Os meus amigos estavam entrosados com coisas particulares enquanto eu mal podia conter o nervosismo enquanto falávamos do fatídico encontro. Ainda com todo aquele caos que eu mesmo havia me metido, eu poderia esperar que, no final, ficasse minimamente em paz pelo menos. Fazer a coisa certa.
Jogado embaixo das cobertas, conversamos durante algumas horas. Eu estava completamente sem sono. Foi por volta da uma da madrugada que Regulus sugeria que trocássemos número de telefone, o que fazia o estômago embrulhar.
REGULUS: Assim, eu te acho caso você suma do nada
REGULUS: E dou seu número para os meus grandes amigos (um) terem uma pista, no caso de você me seqüestrar
REGULUS: Melhor ainda! Dou para a minha mãe!
LUCI: Agora estou assustada.
REGULUS: Não da mais tempo de cancelar
REGULUS: E essa provavelmente é a última oportunidade que tenho de fazer a loucura de me encontrar com uma desconhecida numa cidade desconhecida. Depois disso, R.I.P. Regulus Black.
E, talvez como uma fuga inconsciente da minha mente, eu questionava o que ele queria dizer com aquelas insinuações de morte, como se não fosse claro o suficiente os perigos de se encontrar com alguém que conhecera num aplicativo de relacionamentos. Mas então Regulus me falava que sua mãe havia ligado. Minerva McGonagall havia contato sobre a festa clandestina em nossa barraca – o que era uma maldita sacanagem, já que nos dissera que somente contaria se acontecesse de novo – e claro que Walburga Black responsabilizava agora o filho mais novo, “incompetente demais para prestar atenção no irmão rebelde”, nas palavras dele mesmo. Eu não achava uma boa ideia ele confessar para a mãe que também na festa, já que Orion parecia um homem explosivo demais e sua raiva duplicada certamente não seria boa coisa. Sabia que morte era um exagero, mas não gostava também das opções equivalentes.
Mas Regulus nunca queria, de fato, conversar sobre aquilo. Parecia fechado demais quando o assunto era a família, mas eu compreendia. Só que queria tentar ajudar.
REGULUS: Eu resolvo isso. Não quero pensar agora.
REGULUS: Anota.
E então, me mandava o número de telefone.
E lá estava, novamente, o Remus ansioso e assustado.
Os meus amigos dormiam. Peter inclusive entrava começava a roncar. Eu estava, teoricamente, sozinho com o número de Regulus Black.
Respirei fundo uma vez, salvando o número na agenda e, tremendo, toquei no botão verde, apertando o aparelho na orelha em seguida.
Chamou uma, duas, três vezes.
Na quarta ele atendeu.
Pude ouvir a respiração tensa do outro lado da linha enquanto eu me esforçava para não respirar, os dois em silêncio no telefone. Quando os meus pulmões já ardiam pela falta de ar, ouvi a voz:
— Luci?
Sem dar oportunidade para qualquer outra coisa, desliguei, o coração batendo tão forte que, se continuasse na linha, tinha certeza de que ele ouviria.
REGULUS: Da próxima vez, ao menos diga um oi.
LUCI: E estragar o mistério? Rsrs
Desde que havia chegado ao acampamento aquela era a minha primeira noite de insônia. Todas as luzes estavam apagadas, Regulus se despediu logo depois do telefonema e, assim, durante toda a madrugada, eu fiquei acordado sozinho. Não demorou até que fosse novamente tomado pela falta de ar e os pensamentos acelerados, característicos do meu transtorno e me via, de repente, mais assustado do que o normal. Eu não queria pensar em ter de conversar com os garotos para que eles me ajudassem a centralizar uma vez mais, já que parecia que todos eles estavam metidos no meio do próprio furacão pessoal. Sirius estava sempre muito estressado e eu tinha quase certeza que aquilo tinha a ver com a guerra que vivia dentro da própria família; James olhava mais para Lily Evans do que nos últimos dias, principalmente depois da festa e do banheiro que haviam compartilhado, em momentos diferentes, com Narcissa; e Peter estava curtindo o namoro, era injusto metê-lo no meio daquilo.
Os estágios mais importantes do transtorno bipolar eram a Depressão, tipicamente apática, que não te permite nem mesmo se levantar da cama para cumprir com suas necessidades básicas, e a Mania, o estado de pensamento acelerado, a atividade excessiva do corpo, às vezes a paranoia. Era ignorância nunca ter pesquisado mais a fundo sobre os sintomas da minha própria doença, mas a verdade era que eu tinha medo de entrar num espiral de informações e nunca mais conseguir me livrar dele. Preferia, então, ficar com as dicas da terapia e, se eu estava entrando num estado maníaco e conseguia perceber a tempo, bom, eu supostamente seria capaz de controlar.
A última crise maníaca ocorrera há um ano, motivada, como a maioria das minhas crises, por cobranças excessivas que eu tinha comigo mesmo. Ninguém percebeu, mesmo sabendo acerca do meu diagnóstico, porque eu tinha as melhores notas do colégio inteiro, era proativo, me inseria em projetos sociais, dava sempre as melhores ideias. Mas também quase não dormia, virando madrugadas estudando fórmulas que havia decorado, rabiscando papeis em branco, tão cheio de ideias que eu achava mesmo que poderia mudar o mundo, sem qualquer modéstia! Houve um período em que me abstive do sono por uma semana inteira, e, somente assim, por conta das olheiras, da alimentação precária, do meu corpo que começava a pedir socorro, os meus pais perceberam.
Daquela vez, sabendo identificar os primeiros sintomas, como o pensamentos obsessivos, eu entendia que não estava nem perto de um extremo como o do ano que havia passado. Eu podia controlar. Sentado na cama, somente com a lanterna do celular acesa, eu listei todos os pensamentos que me perturbavam, uma lista exata de setenta e sete problemas que a minha cabeça podia identificar ou criar num período curto de tempo. Pude separá-los, um tempo depois, em grupos de prioridade e, quando o sol começava a amanhecer do lado de fora, eu tinha a solução para não pirar em meio a tanta coisa.
Separava tudo em quatro categorias prioritárias:
Regulus. Se eu queria mantê-lo de alguma forma em minha vida, como uma boa companhia que havia descoberto naqueles últimos dias, eu precisava ser franco sobre tudo. Sobre o que no início era só uma curiosidade entre amigos e, agora, havia passado dos limites. Precisava deixar claro que Sirius não tinha mais nada a ver com as minhas decisões em continuar a manter as conversas com ele, afinal, não queria agravar a situação entre os irmãos;
Sirius, James e Peter. Precisávamos de uma conversa nós três, com urgência. Eu precisava atualizá-los sobre muita coisa, mesmo quando estava ainda inseguro;
A minha sexualidade. Eu não poderia saber com absoluta certeza acerca de nada sobre isso, porque nunca havia estado com menino algum, mas eu claramente me sentia atraído por um. O que eu precisava saber era se me sentia atraído, ainda, por garotas. Dentre todas, aquela era a questão mais fácil de resolver comigo mesmo;
Devolver aos garotos os cigarros que havia fumado sem olhar para trás.
Terminar Simon VS A Agenda do Homo Sapiens.
Eram oito horas da manhã e eu estava sentado me sentindo suficientemente útil para mim mesmo. Mas realmente sentia falta de um café.
Quando os meninos acordaram, eu já estava vestido. Tinha uma mochila com coisas que achava essenciais para levar num passeio a cidade, tipo um dinheiro extra que nem tinha esperança de gastar antes de saber que sairíamos do acampamento, casaco para o caso de esfriar, livro, fones de ouvido. Seguimos os quatro para o café da manhã e foi quase tranqüilo, até o momento de termos de nos dirigir para a cozinha do refeitório. Havia uma pilha grande de louças.
Dividimos a tarefa em silêncio, tendo eu e Lily como lavadores oficiais da louça. Peter e Mary dividiam a louça suja em pratos, copos, talheres, se empenhando em jogar fora restos de comida, enquanto James, Sirius e Marlene guardavam tudo nos devidos armário. Pouco tempo depois, alguém havia colocado música e, antes mesmo do que havíamos imaginado, estávamos terminando. Foi o tempo de voltar ao quarto e pegar nossas mochilas para embarcarmos na vã que nos aguardava do lado de fora. Éramos divididos em três grupos de viagem e, tendo James, Sirius e Marlene sentados numa única poltrona, como um novo trisal inseparável, eu me sentava ao lado de Lily. E o tempo que tivemos de viagem fora o que eu tirava para cochilar.
Quando chegamos, notei a estrutura história de cidades interioranas. A entrada, uma praça circular com uma igreja em destaque. As duas outras construções ao lado deviam ser o prédio da prefeitura e algum outro de grande influência política, assim como a igreja. Aquele era o nosso ponto de encontro final e, às 20:00 deveríamos estar todos ali. Tínhamos passe livre, então.
O centro comercial não era muito movimentado. Poucas lojas grandes, de marca conhecida, algumas galerias e restaurantes. Da rua principal dava para ver a roda gigante e o meu estômago entrava de novo em colapso. Uma coisa de cada vez, Remus. O foco, naquele dia, era a conversa com Regulus.
— Primeira parada: Cafés! Eu não sei vocês, mas eu não agüento mais ser saudável – Marlene sugeria e eu nunca senti tanta vontade de abraçá-la como naquele momento.
Havia outros alunos na loja de doces, mas não era algo que prestávamos atenção de fato. Achei que merecesse um bolo de chocolate para a ocasião e, com certeza, uma xícara de expresso – o que não era muito recomendado estando eu no estado em que estava, mas que outro dia eu poderia tomar café?
Sentamos-nos numa mesa comprida próxima a janela e, respirando fundo uma vez, tentei me apegar ao clima agradável. Ao doce derretendo na boca, ao café amargo quebrando o sabor, ao calor ameno de um dia pós-chuva. Mas logo James Potter estalava os dedos na minha frente, o que me fez perceber que, novamente, estava devaneando. E, como ele parecia levar numa boa, assim como Peter que também me observava, me deixava rir com eles.
O que eu precisava era fazer daquela tarde satisfatória. Tinha uma conversa marcada com Regulus, de fato, mas enquanto não estávamos cara a cara, eu poderia curtir uma tarde com os meus melhores amigos, mesmo quando não estivéssemos ainda no melhor momento.
Depois de pedir alguns doces para a viagem, nos dedicamos a um pequeno tour e compras. Mais os meus amigos do que eu. Eu não precisava mesmo de grandes coisas, então somente comprava alguns itens no mercado a fim de ter alguma besteira para comer durante o restante das férias, além do acampamento externo que faríamos no dia seguinte, com direito a barracas de pano e tudo! Marlene comprou dois pacotes de café e, como certamente não a deixariam fazer café no refeitório, ela achou que fosse uma boa ideia comprar uma máquina de café! E benditos sejam os privilegiados.
Tínhamos comidas. Tínhamos cigarros e também uma caixa grande com uma máquina de café, para carregar de um lado para o outro no parque da cidade, aonde finalmente chegávamos. E comíamos de novo, jogados numa grama maltratada enquanto, de longe, eu observava a roda gigante. E a medida que o tempo ia passando, eu sentia o estômago embrulhar, a ansiedade crescer. Mas estava feliz que Lily soubesse e, mesmo que indiretamente, estivesse o tempo todo do meu lado. E continuou, quando decidimos que uma volta nos brinquedos seria legal para curtir o dia, e quando jogamos tiro ao alvo e eu, milagrosamente, ganhava um urso grande por ter acertado um número considerável de buracos.
Então, além de tudo o que já havíamos comprado, eu agora carregava comigo um urso rosa de pernas e braços molengas, com uma gravata borboleta no pescoço.
E por mais que eu e os marotos não estivéssemos no nosso melhor momento, foi uma tarde deveras proveitosa com eles. Era estranhamente acalentador ver Sirius segurando, uma vez ou outra, na mão de Marlene. E conversar sobre aleatoriedades com Peter. E introduzir uma conversa minimamente civilizada entre James e Lily. Mas à medida que o tempo passava, eu me tornava apenas espectador. E, de espectador de interações entre os meus amigos, eu passava a observar então o cair do sol.
Seis horas da tarde.
Seis horas da tarde e eu precisava estar diante da roda gigante.
— Acho que eu quero um algodão doce. Você vem, Remus?
E Lily Evans fazia tudo!
Captando a deixa, largava com os meus amigos as minhas coisas, com exceção à mochila e ao urso, seguindo junto dela pelo parque. A luz natural, já mais baixa, dava lugar à iluminação de cores no parque. E, mesmo que a roda gigante fosse, quem sabe, o maior brinquedo do parque, eu a via tão maior que tinha a impressão de que alcançaria o céu. Era um clichê. Problemático, por culpa minha mesmo, mas um clichê.
Abaixo da roda, as catracas e fila de entrada. Ao lado da fila, um banco. Regulus já estava sentado ali e, no momento em que o vi, senti o meu coração falhar algumas batidas. Lily me olhou de lado e suspirou uma vez.
— Se precisar de mim, tudo o que precisa fazer é me ligar – disse com um sorriso breve, tocando no meu ombro e se afastando.
Era chegada a hora.
Eu havia preparado um roteiro para a conversa. Sentar-me ao lado dele, observar suas reações. Perguntar como estava e depois, ser franco ao máximo. “Eu queria conversar com você sobre uma coisa” parecia uma boa frase introdutória. E, assim, desenrolar sobre toda a história, as primeiras dúvidas de Sirius e depois a minha motivação de, sozinho, continuar a conversar com ele. Porque gostava dele.
Respirei muito fundo, sentindo os pulmões gelarem com o ar da noite e, depois de contar até três, me aproximei em passos lentos. Agora que andava em sua direção, não podia parar mais. Não sei se ele me notou ao longe ou só percebeu quando me sentei ao seu lado, a mochila desajeitada nas costas contra o encosto do banco e o urso grande em meu colo. Regulus sorriu de canto agora.
— Parece que alguém se deu bem jogando no parque – com um movimento da cabeça, mostrou que se referia ao urso.
— Tiro ao alvo – expliquei depois de, igualmente, sorrir – É um dos meus talentos natos.
— E aonde é que estão os seus amigos bobos? – Se antes eu encararia aquele comentário como arrogância, no momento, eu só conseguia rir baixo diante dele.
— Perdidos em algum lugar do parque. E o seu amigo inseparável?
— Provavelmente perdido com Severus na Casa dos Espelhos, eu não quis entrar.
E a conclusão que eu chegava era de que eles haviam voltado a conversar. Quero dizer, não sabia se haviam parado de se falar de fato, se em algum momento deixaram de serem amigos ou se Regulus somente não o convidara para a festa na cabana, mas agora eram amigos de novo.
Suspirei uma vez, guardando silêncio por um momento, ouvindo a engrenagem da roda gigante muito próxima, cravando os pés no chão para controlar a inquietude.
Eu havia preparado um roteiro para a conversa. Sentar-me ao lado dele e... E o que mais?
— Está esperando alguém? – Perguntei, sentindo a garganta secar.
— Uma amiga... – Regulus já não olhava mais para mim enquanto falava.
— Atrapalho?
Mas o que diabos eu estava fazendo? Eu poderia simplesmente responder que sabia e desenrolar a conversa a partir dali. E se ele confirmasse? “Sim, Lupin, atrapalha”. Eu deveria me levantar, ir embora e nunca conversar com ele? Apertei os dedos em volta de um dos braços molengas do urso, contendo a vontade que tinha de me esconder atrás dele.
— Não, pode ficar... – riu-se discreto, olhando para o celular que segurava em mãos. Seis horas. Sete minutos – A gente provavelmente saía para dar uma volta e conversar, mas enquanto isso fique aqui.
Okay. Regulus precisava conversar com Luci, não comigo. Enquanto Luci não estivesse ali, eu servia como companhia. Assim como ele, olhava ao redor, buscando a presença de alguém que nem existia, não ali naquela cidade. E, em todo aquele silêncio, eu via uma brecha para começar a falar, mas cada vez que tentava abrir a boca, era como se uma bola se formasse em minha garganta, um nó apertado demais que me impedia mesmo de respirar.
— Você é sempre quieto assim, mesmo quando está com os amigos, ou é só quando ta comigo?
Era uma pergunta simples, mas destruía a minha linha de raciocínio.
Eu não era quieto coisa nenhuma, mas como é que eu podia falar alguma coisa, diante dele, na situação em que estava? Entreabri os lábios, sentindo as bochechas quentes demais e, percebendo, automaticamente desviava os olhos. Antes de falar qualquer coisa, no entanto, o telefone dele vibrava sonoramente. Regulus deu um pulo e eu o acompanhei na mesma reação, como se Luci pudesse mesmo estar ligando para ele.
Na tela do celular: mãe.
— Me da licença uns minutinhos? Eu já volto – anunciou e, depois que eu concordava com a cabeça uma vez, ele se afastava com o celular no ouvido, me deixando sozinho com o urso no banco.
Por um momento pensei que ele pudesse ter mesmo dado o meu número para os pais, por uma questão de segurança. Sem conseguir pensar com clareza, verifiquei o meu próprio aparelho, sem mensagens, sem ligações perdidas. Mas lá estava eu, de novo, diante do looping incessante de pensamentos ilógicos. Se primeiro eu pensava nas consequências de contar a verdade para Regulus, agora elas tinham um âmbito maior. E se os pais dele descobrissem que ele estava conversando com um garoto? Não que Regulus tivesse algum interesse em mim, mas se o próprio Sirius tinha a cabeça tão fechada a ponto de questionar a sexualidade do irmão de forma tão rude, bem... Eu só poderia esperar o pior de Orion e Walburga Black.
Automaticamente me lembrava da conversa sobre a quase surra em Sirius. Eles machucariam o Regulus também? Voltava os olhos ao mais novo e percebia o quão apreensivo ele parecia ao telefone. Assustei-me com o som da engrenagem da roda gigante e, no meu corpo, a sensação de um choque elétrico perdurou. E quando as luzes as luzes coloridas do parque começaram a ganhar intensidade demais eu cogitei ligar para Lily, pedir para que ela fosse me buscar, assim eu não precisava contar ainda para Regulus. Então os pais dele não descobririam. Então ele não se envolveria numa encrenca ainda maior.
E aquela era a grande desculpa mirabolante o meu cérebro bipolar inventava para me tirar de uma saia justa.
Meio tonto me levantei, deixando sobre o banco o urso rosa e partindo em disparada para qualquer lugar.
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