It's Quiet Uptown

6 VI. we push away what we can never understand


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!!! Tudo bem com vocês? Bom, espero que gostem do capítulo! ♥

{we push away what we can never understand}

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“there are moments that the words don’t reach

there is a grace too powerful to name

we push away what we can never understand

we push away the unimaginable”

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As pessoas sempre falavam sobre a calma que antecede a tormenta, porém, nunca se lembravam de mencionar a calma que a sucede. E como ela é infinitamente pior. Ginny Weasley não gostava de nenhuma das duas. Não gostava de calmaria e ponto. Crescera em meio à agitação e se fizera em casa dentro dela. Fred sempre fora uma parte crucial do caos que a cercava, desde seu primeiro respirar. O irmão, no entanto, havia partido e aquela maldita tranquilidade usurpara seu lugar.

Isso não era algo em que a garota queria pensar. Na verdade, era algo em que se recusava a pensar. Não achava sequer que era capaz de compreender aquela perda. De uma forma racional, entendia, é claro. Não era nenhuma tola incapaz de compreender o que a palavra morte significava. Seu lado emocional, contudo, não parecia entender. Talvez fosse – realmente – uma idiota naquele departamento. O fato era que a menina não achava que seu coração havia processado que o irmão jamais retornaria. Que um rapaz de 20 anos havia caído morto. Simples assim. Que a guerra havia acabado e Voldemort fora destruído, mas que ainda era possível existir tanta mazela e agonia no mundo. Que eles haviam vencido, mas tudo ainda estava errado. Que era possível existir um George sem um Fred.

Ginny não sabia como nada disso poderia ser possível. Não sabia como deveria se sentir. A família inteira parecia ter se agarrado a alguma espécie de sentimento diferente: tristeza, raiva, culpa ou resignação. A caçula, no entanto, não sentia nada. Não era nem mesmo capaz de chorar. E não queria chorar. Ou sentir. Ou sofrer. Não queria se vestir de preto e encarar o luto. Talvez isso fizesse dela uma pessoa horrível. A pior das irmãs. Ainda assim, aos seus olhos, se corroer em pesar por Fred era aceitar que ele estava morto. Aceitar que ele nunca voltaria. Aceitar que não haveriam mais piadas, brincadeiras ou finais felizes. E a garota não podia aceitar tal coisa.

Havia visto o impossível acontecer vezes demais para desistir de ter fé agora. Vira Harry – seu Harry – retornar dos mortos. Vira a si mesma ser resgatada das garras do Lorde das Trevas, quando já não tinha qualquer esperança. Vira Bill sobrevivera ao ataque de um lobisomem, sem nem mesmo se converter em um deles. Vira seu pai se recuperar de um ferimento causado pela própria Nagini. Vira George sair de uma emboscada de Comensais da Morte com vida, ainda que sem uma orelha. Vira Ron escapar de tantas ameaças que seria impossível conta-las. Eles sempre venciam no final. Triunfavam mesmo quando tudo parecia perdido. Sobreviviam. Era assim há anos. Então, por que seria diferente agora? Por que a Fred não fora dada a chance de um milagre? Que espécie de perversidade seria aquela?

Simplesmente não fazia sentido. E por isso, Ginny não iria chorar. Não iria vestir o luto. Não iria aceitar a perda. Não iria entender a morte. Não iria fazer nada além de afastar todos aqueles sentimentos. Nada além de varrê-los para bem longe. Aceitá-los, afinal, seria desistir de Fred. Seria abandonar a esperança de um milagre. Seria perder sua fé. Seria ruir e ser arruinada.

Notas finais
Porque a negação também é uma forma de lidar com um luto e, por ser a mais nova, acho que a Ginny seria a mais ingênua e esperançosa também. Enfim, gostei muito da ideia desse capítulo, mas não estou tão certa quanto a execução. Sei lá, acho que ficou melhor na minha cabeça haha De qualquer forma, espero que tenham gostado! ♥ Beijinhos, Thaís