It's Over

17 Capítulo 17 - Fim


Notas iniciais
ACABEEEEEEEEI ~~ALIVIADA~~ *u* estou feliz de ter acabado e de estar postando o ultimo cap. em tempo record! o isgjisjgsidjf, enfim, me desculpem ainda não ter respondido ninguém. E ah... Muito obrigada a quem não desistiu dessa fanfic, enfim, vou deixar a gayzisse e agradecimentos para o final XD Boa leitura ~~

– Eu não aguento mais isso Claude... Eu sou um fraco idiota! Eu não vou conseguir continuar... Eu só queria uma chance... Acho que eu sempre soube, desde o dia em que te vi pela primeira vez …

FLASHBACK~~

Cerca de 8 anos antes.

– Alois, já se arrumou? —

A voz de minha mãe atrás da porta do quarto me fez abrir os olhos brevemente. Ela já havia mandado eu me levantar a uns 20 minutos, mas eu havia voltado a dormir.

– Sim...-

Respondi dando um bocejo e me espreguiçando. Era mentira e sei que ela sabia, pois pude ouvir ela se afastar do quarto pisando fundo. Levantei contra a minha vontade. Fui deixando meu pijama pelo chão enquanto ia em direção ao banheiro e ainda meio zonzo de sono, tropecei em algumas peças de roupa, que já estavam pelo chão antes. Alguns logons minutos depois, eu já estava de banho tomado, peguei qualquer roupa do guarda-roupa...

– Ah... Acho que eu deveria escolher o que vestir hoje... Não? — Respirei fundo, encarando desanimado a pilha de roupas, organizadas dentro do guarda-roupa.

Hoje era o meu primeiro dia de aula em uma escola diferente... Não é grandes coisa para mim. Já tive muitos primeiros dias de aula, em escolas diferentes. Já não me animava mais para o isso. Sabia que também não duraria ali e que logo teria que ir para outra escola... Bom é a vida.

Quase uma hora depois, eu estava em frente a escola. Haviam muitas pessoas perambulando pelo pátio da escola, então, presumi que ainda não estava na hora de entrar para as salas. Ainda bem! Odeio entrar na sala atrasado, todo mundo fica te fuzilando com o olhar... Ainda mais eu que entrei dois meses depois do começo das aulas...

Já dentro do prédio da escola, comecei a procurar a minha sala... Haviam muitas pessoas nos corredores, conversando, andando, rindo, ou encostados a parede. Estava desatento, cuidando o número das salas e quando finalmente achei a minha sala, alguém estava encostado na parede, ao lado da porta. Conforme fui chegando perto da sala, ele virou seu rosto para mim e dois olhos dourados me observaram de cima a baixo. Paralisei. Senti um calor subir pelo meu corpo, um calor que subia dos mus pés até meu rosto e meu coração batia muito rápido. “O que é isso? Mal cheguei e já me apaixonei!? Droga Alois.” A julgar pelo sorrisinho de lado que ele deu, eu deveria estar com uma cara muito desesperada e vermelha. Ele parecia ser um aluno mais velho, era tão bonito... Percebendo que estava me “incomodando” ele se retirou. Fiquei seguindo-o com o olhar até ele subir as escadas e então desaparecer da minha vista.

FIM FLASHBACK~~

Eu realmente me apaixonei, mesmo depois de tudo que eu passei por sua culpa. Eu nunca deixei de te amar. Por mais ódio que eu sentisse de você eu não conseguia te esquecer ou te odiar completamente. Isso é horrível, é torturante... —

Alois voltou a chorar pesadamente. Tanto suas palavras quando as lágrimas saiam sem que ele percebesse, era como se ele não tivesse mais controle sobre sí. O corpo dele tremia, eu podia sentir.

– Eu não consigo! Eu não consigo! —

Alois gritava desesperado. Sua mão esquerda estava cobrindo parte de seu rosto enquanto ele gritava e chorava. Eu poderia falar alguma coisa a ele, mas não sei o que eu poderia dizer e também, não é como se ele estivesse precisando que eu falasse alguma coisa para ele. Há coisas se deve apenas escutar.

– Claude... Você alguma vez teve algum sentimento bom por mim? —

Alois não era a pior pessoa do mundo... Era realmente fácil amá-lo. Mas eu nunca me esforcei para nutrir algum sentimento por ele. Não tinha como dar uma resposta, tudo que eu podia fazer era encarar o rosto choroso e triste a minha frente.

– Alguma vez você teve ao menos, vontade de me abraçar? —

O medo e o arrependimento que emanavam dos olhos azuis, estavam me contagiando. E por mais que não fosse realmente a intenção, estavam me intimidando para responder.

– Eu sou uma pessoa tão desprezível assim? — Alois fungou e sorriu desanimado, seus olhos agora se fixavam em um ponto vazio e distante do quarto.

– Não... — Minha resposta repentina, atraiu os olhos azuis de volta ao foco inicial.
– Você não é assim, só tenta ser... Para parecer forte. —

Eu não sabia se devia continuar. Não por medo de magoá-lo com algo que eu dissesse, ou algo assim. Mas sim, por medo de morrer. A qualquer momento ele poderia enfiar aquela faca no meu peito sem pensar duas vezes. Porém, algo em Alois me dizia para continuar.

– Eu gostava de você, mas não do mesmo jeito que você gosta de mim. Acabei nunca admitindo isso por orgulho e raiva. Depois que você estragou meus planos eu não queria mais ver você na minha frente. Contudo, depois que eu te machuquei na biblioteca, eu pensei se o que eu estava fazendo era realmente certo e se valia a pena ter feito tudo que fiz, por alguém que eu jamais poderia ter de qualquer forma. As respostas que vinham na minha mente, eram sempre “não”. Acabei agindo pela raiva do momento e... E eu cheguei a ir na sua casa, uns dois dias depois do acontecido na biblioteca... Mas você não estava mais lá. Seus vizinhos me contaram que seus pais vieram te buscar para morar com eles. Eu acabei ficando com mais raiva e decidi que você não merecia que eu te pedisse desculpas. Sendo assim, deixei as coisas por assim mesmo e continuei minha vida.-

Aos soluços Alois escutou tudo sem dizer uma palavra. Vez ou outra, algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto. As expressões em seu rosto, já não eram tão duras e tristes como antes. Respirei fundo e continuei.

– Oportunidades para eu pedir desculpas não faltaram... E tudo que fazíamos nessas oportunidades era brigar mais, deixando essa bola de neve maior ainda. Mas acho que meu orgulho não deixaria eu pedir desculpas para você. E sinceramente, eu não acho que apenas palavras, seriam o suficiente para me desculpar devidamente... No entanto, agora, não acho que te devo mais desculpas. Nem eu e nem você merecemos essas “desculpas”. —

Alois mordeu seu lábio inferior tentando segurar alguns gemidos do choro. Seus olhos se fechavam fortemente, como se estivesse tentando contrair alguma dor. A dor interior que ele sente era grande de mais para ele conseguir segurar e por isso mais lágrimas escorriam pelo seu rosto.

– Por... Por que – Ele tentava falar, mas os soluços o atrapalhavam.
– Por que você diz isso tudo, só agora? — Alois cuspiu as palavras rapidamente antes de respirar dolorosamente. Quase não deu para entendê-lo.
– Droga Claude... Assim eu nunca vou deixar de te amar... — Alois enxugou algumas lágrimas com o peito da mão.

– Como você se sente? —

– Eu não sei... Está confuso saber como me sinto... Minha cabeça me diz para te matar logo... Mas eu não quero fazer isso... —

Alois largou a faca ao lado do corpo, e levou as duas mãos ao rosto, que agora balançava como se quisesse dizer “não, não, não” para sí mesmo.

– Então o que você quer Alois? —

Ele buscou recuperar o folego antes de tirar suas mãos do rosto e me responder.

– Eu quero acabar com isso, não da mais para aguentar. Eu não posso fugir de quem eu sou, não posso voltar atrás. Vou ser sempre fraco... —

Alois fungou algumas vezes e me encarou. Esperava ver algum sentimento como confusão, transparecendo através de suas íris azuis. Mas para minha surpresa eu vi algo bem diferente... Alois respirou e continuou.

– Eu não quero mais ter dúvidas, não quero mais sentir... Não quero mais existir. —

Alois se esticou até poder alcançar meus braços amarrados. Por um momento achei que ele me mataria. Mas, ao contrário do que eu pensei, Alois cortou as cordas, deixando meus braços livres. Ele entrelaçou sua mão com a minha e a guiou gentilmente até sua mão direita. A mão que agora, segurava a faca. Foi soltando minha mão assim que deslizou meus dedos sobre o cabo da faca. Meus olhos se arregalaram, percebendo o que ele queria. Alois voltara a chorar, porém, a expressão em seu rosto era gentil. Um sorriso fraco ocupava seus lábios.

– Por favor... — Alois firmou a própria mão com a minha, empunhando a faca firme contra sí. — Não importa quanto tempo passe, eu serei sempre o mesmo, meu amor, minha obsessão será sempre você. -

Alois gentilmente foi abaixando seu corpo. Seu rosto estava próximo ao meu. Eu queria gritar, dizer para ele não fazer isso. Mas não ia adiantar...

– Eu quero morrer... Por favor, seja gentil, só desta vez... Por favor. — A voz dele soava fraca.
– Feche seus olhos Claude... —

Alois sussurrou perto do meu ouvido. Assim fiz. Por um momento tive vontade de abrir meus olhos novamente, mas então, senti algo macio contra meus lábios. A mão esquerda fria e trêmula de Alois tocou meu rosto em um carinho gentil. Depois de alguns segundos, me pegando de surpresa, minha mão foi apertada e puxada com força contra o corpo de Alois. Algo quente escorreu pela minha mão e pelo meu peito. Abri meus olhos... A faca havia acertado um pouco abaixo de suas costelas. Não era um ponto leta... Ele sangraria lentamente até morrer...

Os olhos de Alois estavam fechados fortemente, mas, isso não impedia as lágrimas de escorrerem. Seu rosto estava avermelhado e sua expressão era de dor. Sentia meu coração bater muito rápido e até mesmo, minha respiração falhar.

– Vá embora... — A voz dele saiu com dificuldade e baixa. A mão de Alois fraquejou, deixando a minha mão livre.
– Vá embora! — Gritou.

Com as poucas forças que tinha, ele se moveu para sair de cima de mim. Jogando suas costas contra a parede ao lado da cama. Ele respirava rápido e o sangue não parava de escorrer. Me desfiz da coleira rapidamente e levantei da cama. Antes de sair pela porta do quarto, olhei para trás e vi Alois com seus punhos fechados e seu peito subindo e descendo rápido. Poucos segundos depois, os punhos afrouxaram, seu peito se elevou por uma última vez e sua cabeça pendeu para o lado.

Acabou...



Estava me sentindo confortável, mas ainda sentia a dor causada pela faca... Não sei onde estou... Está tudo tão escuro... Mas não estou com medo... Nada mais pode me machucar. Nunca fui religioso, mas sabia de teorias sobre vida após a morte. Me pergunto se aqui é onde as pessoas vem depois que morrem, para pensar no que fizeram, antes de irem para o “céu” ou para o “inferno”. Quanto tempo será que vou ficar no escuro? Bom... Talvez já tenham passados anos até o momento que me dei conta da escuridão. Será que Claude está bem? Queria saber se ele ficou bem depois do que eu fiz... Ele sente minha falta? Não... Provavelmente não... Como será que ficou toda a confusão que causei? Ele deve ter se incomodado bastante... Desculpe Claude...
É estranho o fato de que ainda tenho sentimentos e que só de pensar nele, meu coração começa a bater mais rápido... Espera... Eu ainda posso senti-lo batendo...? E... Eu ainda estou respirando... Será que posso sentir tudo mesmo depois de morto? Ou será que...

Uma claridade intensa atingiu meus olhos. Por instinto levantei meu braço, direito, para proteger meus olhos. Semicerrei meus olhos, tentando me acostumar com a luz. Quando tudo começou a entrar em foco, vi meu braço acima de mim e no meu pulso havia uma pulseirinha branca, onde estava escrito “Alois Trancy” junto com alguns números logo abaixo. “Será que os mortos tem que ter pulseirinha de identificação para perambular por ai?”

– O que... -

Me surpreendi ao ouvir o som fraco da minha voz. Ao fundo ouvia barulho de passos vindo em minha direção. Abaixei meu braço e ainda meio zonzo, procurei focar na coisa, ou pessoa, ou sei lá o que, que estava na minha frente. Dois olhos dourados tão conhecidos entraram em foco... Claude...? Ele morreu também?

– Onde...- Tentei me sentar, mas uma dor horrível abaixo das minhas costelas me fez desistir dessa ideia.

– No hospital. — Claude me respondeu calmo. Ele estava a frente de mim, segurava um casaco preto no seu braço direito. — Já faz duas semanas que você está aqui. —

Tudo aquilo estava muito confuso. Lembro-me de ter enfiado a aquela faca em mim, lembro da dor e do desespero que senti e logo depois a escuridão... Por que eu ainda estava vivo? Olhei para os lados em busca de respostas, ou de qualquer coisa que me alertasse de que aquilo era uma ilusão. Ao olhar para o lado esquerdo, do quarto que eu estava, vi uma bolsa de sangue ao lado da cama e liada a ela, uma sonda que se conectava ao meu braço esquerdo, levanto sangue até ele. Voltei meu olhar de volta para Claude. Queria fazer muitas perguntas, mas as palavras pareciam não querer sair. E por outro lado, notei algo que antes não havia prestado atenção. Havia uma pequena bolinha de algodão presa por um esparadrapo, no braço esquerdo dele. Percebendo meu, ele cruzou os braços, escondendo a bolinha de algodão em seu braço.

– Eu te trouxe para cá. —

Minha boca se abriu em um “o”, estava perplexo. Meus olhos arderam e algumas lágrimas se formaram no canto dos meus olhos. Por que? Por que ele fez isso? Eu pedi para morrer. Por que ele me trouxe para cá? Não... Eu não quero ficar vivo... Eu... Por que...?
Percebendo o desespero estampado em minha cara, Claude respirou fundo e continuou a falar.

– A morte é uma saída muito fácil para os fracos... Você não é fraco Alois. Você teve que aguentar muita coisa. Alguém realmente fraco, não teria aguentado tanto quanto você aguentou... Então... Eu não podia deixar você morrer... —

– Por... Por quê? — As lágrimas escorriam pelo meu rosto e minhas mãos tremiam. Claude sentou-se na ponta da cama e por alguns segundos ficou apenas me observando.

– Por que você é a única pessoa que tenho para me amar e eu sou a única que pessoa você ama. —

– Isso... Isso é muito egoísta da sua parte... Eu não queria viver mais... Por que você não me deixou em paz? Por que não deixou que eu morresse? —

– Eu sei que é egoísmo da minha parte. Mas é por minha causa que você está vivo. —

– E você quer o que? Que eu te agradeça? —

Sentia um nó preso na minha garganta, era como se eu sentisse tudo de novo, toda minha vida desmoronar de novo, só que agora era pior... Era muito pior.

– Depois que sai da sua casa, eu fui para a minha, tentei esquecer o que tinha acontecido, mas não adiantava. Alguma coisa me puxava pra sua casa de volta. Então eu voltei, você estava quase morto, mas ainda estava respirando, mesmo que muito fraco. Fiquei um tempo pensando no que faria... Não podia simplesmente te levar par ao hospital, ainda mais, que a faca continha minhas digitais... Então... Eu fiz algo que... Bom... Eu retirei a faca do seu corpo e logo em seguida coloquei fogo na sua casa... Assim ninguém descobriria o que nós fizemos. —

Claude tomou um pouco de folego antes de continuar.

– Claro que os policiais fizeram pericia na sua casa, na casa eles não encontraram nada, mas encontraram o corpo de Hannah... E já estava decidido que você seria preso e etc. Porém, eu sabia que você tinha herdado um bom dinheiro dos seus falecidos pais, e o usei para subornar os policias e pagar sua fiança. —

– Todo? — Quase gritei as palavras, era inacreditável o que ele havia feito. As coisas ainda não haviam se encaixado par amim e não faziam sentido algum... Claude acenou com a cabeça concordando com a minha pergunta.

– Você já pensou que agora eu não tenho dinheiro e nem mesmo casa? —

Eu queria poder levantar de poder bater muito em Claude, muito, até que ele desmaiasse! Ele apenas suspirou e sorriu fraco.

– Sim eu sei... Mas, deixe eu terminar de contar o que aconteceu. Quando trouxe você pra cá, os médicos diziam que você estava com uma hemorragia muito grave e não ia passar daquela noite. Me mandaram ir embora, por que eu não tinha nenhuma ligação familiar com você. Fui para casa e fiquei preocupado, não consegui dormir a noite. Mas até que era compreensível, não conseguir pear no sono depois de tudo que aconteceu, mas... Sabe, eu não entendo por que estava me preocupando tanto... No dia seguinte eu voltei ao hospital e me disseram que eu não podia vê-lo. Tinha que ser alguém da família para poder entrar no quarto. E bom, foi difícil dizer a eles que eu era a pessoa mais próxima que você tinha por aqui. Demorou uns dois dias para eu poder entrar no quarto e te ver. Quando entrei você estava respirando com a ajuda de aparelhos e estava recebendo sangue. Seus batimentos cardíacos eram fracos, ma ainda sim, seu coração estava batendo... Você não queria morrer Alois... Bom, passado essas duas semanas, o sangue que era compatível com o seu acabou. —

Claude estendeu seu braço esquerdo para mim, o braço que tinha a pequena bolinha de algodão. No mesmo momento eu entendi... Ele havia me doado sangue, eu estava realmente vivo por causa dele...

– Por sorte meu sangue era compatível com o seu... — Claude riu para sí mesmo, observando o braço. — Quem diria que eu faria algo assim por você, não é? —

Já havia parado de chorar e me encontrava sem palavras e sem animo de responder a ele qualquer coisa... Ele fez algo por mim... Por que esperou tanto tempo para fazer alguma coisa por mim? Tive que fazer todas aquelas bobagens para que ele me notasse... Claude é burro ou o que?! Aquela conversa me deixara cansado, meus olhos estavam pesados. Claude continuou falando, mas eu não o ouvia mais. Meus olhos foram se fechando lentamente e meu corpo relaxando, estava calmo e me sentia bem.

Alguns dias mais tarde.

– Como assim eu vou morar com você?!-

Estava de saída do hospital. Queriam que eu saísse de lá com cadeiras de rodas, afirmando que eu estava muito fraco e que não me recuperara ainda totalmente. Me neguei a andar numa coisa daquelas... Mas estou tremendamente arrependido, a cada passo que dou o meu ferimento dói. E ainda recebo a notícia de que vou morar com Claude. Esse cara... O que é que aconteceu com ele? O que aconteceu enquanto eu estive dormindo? Sinto que tem muita coisa que ele não me contou.

– E você tem escolha? —

Claude pegou meu braço direito e colocou sobre seu ombro, me ajudando a caminhar. Eu teria me desvencilhado dele, se aquilo realmente não estivesse parado um pouco minha dor.

– Mas que merda! —

Reclamei até sairmos do hospital e Claude me ajudar a entrar no carro. Não acredito que isso está acontecendo. Eu poderia estar morto, feliz, refletindo comigo mesmo, me preparando para reencarnar, mas não! Não, Claude não me deixou em paz. Alguns minutos depois estávamos na frente da casa dele. Entramos e ele me ajudou a deitar no sofá. Nossos rostos ficaram bem perto um do outro, por um momento, mas logo desviei o olhar para o lado ignorando o fato de estar com o rosto corado. Ele sentou-se na beirada do sofá e ficou me analisando por um tempo, calado.

– Como se sente? —

Ora Claude, não banque o preocupado! Ainda tenho sérias dúvidas sobre a história que você contou. Não acredito que do nada você tenha virado o “bom samaritano”.

– Já estive melhor... —

Vi de canto de olho, Claude sorrir e aproximar seu rosto do meu. Fiquei mais vermelho ainda e permaneci do mesmo jeito que estava. Com o rosto virado para o lado, fingindo que nada estava acontecendo.

– Alois... Você tem o meu sangue correndo nas suas veias... — A voz de Claude estava baixa e sua respiração batia no meu rosto. — Somos um. —

Senti meu rosto arder com tais palavras que ele dissera. Virei meu rosto para ele, dois olhos dourados me fitavam, pareciam tão brilhantes, mais do que eu me lembrava. Num impulso do momento o abracei. Fiquei com a minha cabeça aninhada a curva do pescoço dele. Era uma sensação boa e se tornou melhor ainda, quando senti suas mãos envolverem meu corpo com cuidado.

Os dias se passaram e eu fui vivendo um de cada vez, não demorou muito para que eu me recuperasse totalmente. Já estava morando na casa de Claude á um mês e meio, e claro, ele não me deixou morar ali de graça. Em troca da moradia e de comida, eu tinha que cuidar da casa. É, também estava achando que “estava bom de mais para ser verdade”. Aconteceram mais algumas confusões com a polícia e coisas relacionada, por minha culpa, mas tratei de resolver tudo de uma vez. Meu relacionamento atual com Claude é de amizade, nos tornamos bons amigos e apenas isso. Ainda amava Claude, mas havia decidido que não forçaria mais nada, ele sabia de meus sentimentos e bom... Nós vivíamos bem do jeito que estávamos, não haviam mais barreiras entre nós... Mas ainda hoje, é estranho pensar em tudo que aconteceu no passado e ver que acabou assim... As vezes acho que Claude pode ter começado a gostar de mim de uma forma diferente, mas não vou perguntar nada, se ele realmente sente algo, ele falará em breve e eu vou esperar pacientemente, mesmo que essa resposta nunca venha, não vou mais arriscar perdê-lo.

Fim

EXTRA #PARTE01

Haviam se passado uns 6 meses desde o meu “pequeno” surto psicótico... Como eu disse minha relação com Claude era de amizade... Apesar de dormimos na mesma cama todos os dias... Pois é, Isso é porque o Srº Faustus, se tornou um cara superprotetor e chato, que não me deixa sozinho nem por um minuto. E isso inclui dormir na mesma cama, para que ele tenha certeza de que eu estou bem, e que não vou fazer nada de mal. Bom, mas voltando a falar da nossa relação; Claude “mudou” comigo, mudar não é a palavra certa para isso... Hum. Enfim... Por um tempo eu pensei que ele havia se dado conta de tudo que havia feito para mim e por isso resolveu mudar e que até mesmo estava gostando de mim. Só que eu percebi, através de mim mesmo, que as pessoas não mudam. Sim, elas não mudam.

O que acontece é: Elas passam a pensar duas, três vezes, antes de falar ou fazer alguma coisa, aprendem que palavras tem um poder tão grande que pode causar mal a elas e a outras pessoas. É exatamente isso que aconteceu com Claude, ele se deu conta que para o próprio bem dele e para o meu (mas, especialmente para o bem dele) ele precisa pensar nas suas ações, precisa pensar nas consequências que elas terão mais tarde. Em outras palavras: Claude está com medo de encarar a minha loucura e a morte, dele de perto novamente. Ou seja, ele está sendo egoísta como sempre. Porque sim, eu tenho certeza que por mais que ele esteja me tratando bem, não brotou nenhum sentimento bom naquele coraçãozinho. Eu sei que meu sentimento nunca será recíproco, já me acostumei com isso. Mas estou feliz de tê-lo como “amigo”

Eu tive muito tempo para pensar enquanto estive aqui e percebi que eu o amo de verdade, mesmo que ele não sinta nada por mim. Mesmo depois de tudo... Tenho certeza de que não é mais uma obsessão, como era antes, é um sentimento maduro. Não é só mais desejo, não é só querer tê-lo. É diferente... Eu estou começando a entender, realmente, o que é amar alguém... Uma pena que eu tive que passar por tudo isso para aprender a amar direito e para amadurecer esse sentimento.

Ouvi a porta bater no andar de baixo e logo em seguida, o barulho de chaves sendo jogadas na mesinha de vidro. Era Claude.
_____
– Alois? -

A casa estava escura, já que a essa hora o sol não estava mais batendo na parte da frente da casa. Não havia sinal dele em lugar nenhum no andar de baixo da casa. Pelo contrário, parecia que ele nem estivera ali hoje. Não haviam louças na pia, o sofá não estava desarrumado... Isso me preocupa.
– Alois? -

Chamei mais alto. Ninguém me respondia. Talvez ele estivesse dormindo... Ou talvez...

– Alois!-

Subi as escadas correndo e escancarando a porta do quarto. Ele não estava ali. Mas, algumas peças de roupa jogadas pelo chão me indicavam onde ele estava. Abri a porta do banheiro com calma e o encontrei na banheira. Estava com o corpo, da boca para baixo, imerso e imóvel, na água da banheira. Ele fez algumas bolhas com a boca e piscou, respirei fundo aliviado, de que ele ainda estava vivo. Mas, ele nem mesmo se deu ao trabalho, de olhar para mim. Aproximei-me da banheira e sentei-me na beirada. Arrependendo-me amargamente de ter sentado ali, por que estava molhado.

– A quanto tempo está aqui? —

Alois esticou o pescoço e jogou sua cabeça para trás, deixando-a apoiada no encosto da banheira.

– Acabei de entrar. —

– Sei. Deixe-me ver suas mãos. —

Alois me encarou aborrecido, ele sabia que eu ia dar um sermão caso ele estivesse mentindo. E eu sabia que ele estava mentindo. Mas, ele não relutou e ergueu uma de suas mãos mim.

– Nossa! queria saber como em pouco tempo, que você entrou na água suas mãos ficaram tão enrugadas. —

– Minha pele é muito sensível. —

Alois sorriu de lado e não pude evitar de dar um pequeno sorriso também.

– Você passou o dia todo aqui não foi? —

– Sim... Bom, na verdade, não era a minha intenção... É que eu comecei a pensar sobre coisas e perdi a noção do tempo. —

Alois se endireitou na banheira, e ficou fazendo desenhos imaginários nos azulejos da parede ao lado da banheira.

– Que tipo de coisas? —

– Coisas do passado. —

Os olhos azuis me encaram de canto.

Depois do que aconteceu há 6 meses, eu aprendi a ter muito cuidado com certos “lados” do Alois. Por isso, não gostava de deixá-lo sozinho. Na primeira vez que o deixei sozinho, levei um susto quando cheguei. O encontrei atirado no chão, chorando igual a um bebe. Em volta dele, haviam muitos cacos do espelho do guarda-roupa, que de alguma forma ele havia quebrado. Ele não quis me falar porque havia feito tudo aquilo, mas acho que eu acabei entendendo por mim mesmo...

– O que você acha de jantarmos fora hoje? —

Me levantei da beirada da banheira e ergui uma mão para ele, oferecendo ajuda para ele sair da banheira. Alois ficou um tempo encarando minha mão até que resolveu segurá-la e sair da banheira.
...

Alois estava sentado em uma almofada no chão, entre as minhas pernas. Eu estava sentado na cama, secando o cabelo dele com uma toalha.Estávamos em silêncio desde que eu sai do banheiro.

– Não quero sair hoje... —

Alois inclinou sua cabeça para trás, alguns fios do cabelo úmido dele, ficaram na frente de seus olhos azuis, que me imploravam para deixá-lo em paz. Mas, derrotado, ele logo voltou a posicionar a cabeça na direção certa.

– Eu não quero jantar fora... Por que você não pede comida para algum lugar? Podemos colocar a mesa da cozinha no pátio de trás e fingimos estar em um restaurante, que possui um local a céu aberto exclusivo para clientes legais, como nós. Seria muito mais prático. —

Não pude evitar rir da ideia dele, sabia que estava sendo irônico e que realmente não queria sair. Mas, seria bom, para nós dois. Alois não saiu mais de dentro dessa casa desde o ocorrido de 6 meses atrás.

– E se eles souberem Claude? —

– Souberem do que? —

– Que papai noel não existe. Do que eu fiz oras! Não se passou tanto tempo assim para que eu possa sair por ai, como se fosse inocente, fora que deve ter saído em algum jornal ou algo assim... -

– Vamos a um lugar que seja afastado daqui... E será bom para nós. Sair um pouco dessa casa fará bem a nós. Você ficou muito tempo aqui dentro, tendo contato só comigo, vai ser bom sair. —

– Bom para nós? Bom para você. Eu sei que você tem medo do que eu posso fazer, eu sei que você não aguenta mais ver a minha cara toda manhã, quando acorda. Eu sei que é chato ficar aqui sem nada para fazer, preso com alguém que tentou te matar. Pare de fingir que se importa comigo, isso me irrita Claude. —

Alois se levantou e jogou a toalha de sua cabeça no chão, antes de sair pela porta do quarto me lançou um olhar irritado.

– Ei, coloque os chinelos você pode resvalar nos degr... —

– Ah! —


– Maldita escada, se eu não me matar essa escada vai! —

Sentia dor no corpo por conta do tombo, mas nada que me impedisse de me mover.

– Alois! Você está bem? —

Claude aparecer no topo da escada com os meus chinelos nas mão direita. Ele parecia atordoado e começou a descer correndo os degraus daquela maldita escada.

– Não corra na escada! Ou você cairá por cima de mim! —

Minha perna estava doendo um pouco mais do que o resto do meu corpo, havia um arranhão um pouco abaixo do meu joelho, que estava sangrando. É agora que Claude surta.

– Nunca mais desça essa escada sem chinelos. Você está sangrando! Está machucado em mais algum lugar? —

Quando me dei por conta, Claude estava ajoelhado na minha frente e me tocando, procurando por outros machucados. Aquilo me irritou, o empurrei para que parasse com aquela palhaçada.

– Eu estou bem Claude! Pare de me tocar assim, mas que droga! —

– Tudo bem. Fique ai, vou buscar os materiais de primeiros socorros. —

Claude se levantou e foi em direção ao banheiro, deste andar, que era onde ele guardava a maleta de primeiros socorros.

– O que? Mas foi só um arranhão! Não... Arg, mas que droga!-

Se tem uma coisa que eu aprendi nesses 6 meses, que estou morando com Claude é: Ele ignora/não acieta qualquer frase dita com um “Não” na frente. Ele é teimoso e gosta de fazer o que quer quando quer. E claro tem que ser do jeito dele. Pensando assim, até parece que estou falando de mim mesmo. De qualquer forma... Eu o amo. Amo os defeitos dele, tanto quanto amo as qualidades. E amo até mesmo, as falsas esperanças que ele me faz criar, as vezes.

– Sabe Claude, acho que não consigo andar, acho que vamos ter que ficar em casa. —

Falei em um tom mais alto para que ele me ouvisse da cozinha. Sorri ao ouvir ele dizer um “haaaaam?”

– Nós vamos sair. Nem que eu tenha que carregar você igual a uma princesinha da Disney. —

Claude estava de volta e ajoelhado a minha frente mais uma vez. Estava passando os remédios no arranhão, que por sinal, estava ardendo e muito. Claude passou gentilmente, uma atadura envolta do arranhão e ajudou-me a levantar. Calcei os benditos chinelos, enquanto ouvia Claude dizer que tomaria um banho e depois sairíamos para jantar.
Me joguei no sofá e deixei a TV ligada para me distrair. Eu não sei se é neurose minha ou o que, mas eu realmente estou preocupado que alguém me veja e diga algo “olhe é o garoto que enlouqueceu e matou aquela garota”... Se bem que isso é quase impossível de acontecer já que... Claude conseguiu dar um jeito em tudo... E me deixar “limpo”.


Abri meus olhos e vi que a sala estava mais escura do que antes, já era noite. A televisão estava desligada e havia um casaco preto por cima de mim. Eu adormeci? Olhei para o lado e vi Claude sentado, com seus braços cruzados, com um casaco entre seus braços. Sua cabeça estava pendida para trás, ele olhava para o teto. Mas, ao perceber meu movimento, seus olhos foram em direção a mim.

– Por que você não me acordou? -

Esfreguei os olhos e coloquei o casaco preto, que notei que era meu, sobre meu colo. Claude se ajeitou melhor no sofá, se colocando na posição correta.

– Eu tentei, mas parecia que você havia entrado em coma. Então eu desisti e deixei que você dormisse. —
– Por quanto tempo eu dormi? —

– Bom, isso não importa, não é? Vamos jantar. —

O sinal vermelho do semáforo piscava e irritava meus olhos, fazendo com que eu desviasse meu olhar para a janela do carro e encarasse as luzes de uma Londres movimentada em uma noite de Sexta Feira. Não trocamos nenhuma palavra desde que saímos de casa. Nesses 6 meses, eu me acostumei com a rotineira, falta de assunto e com o silêncio constrangedor, que se instalava em locais que ficávamos a sós.
Ouvi um “click” eletrônico ao meu lado, quebrando o silêncio e em seguida uma melodia aleatória começou a ser tocada.

“It's a little bit funny this feeling inside

I'm not one of those who can easily hide

I don't have much money but boy if I did

I'd buy a big house where we both could live”

Olhei para Claude e percebi que seus dedos batucavam a direção do carro, no ritmo daquela canção. Ele estava distraído e tão sereno. Meu coração estava saltitando alegre ao ver uma cena como essa... E essa música... Ela me traz paz... Claude começou a cantarolar a musica com a boca fechada o que me fez sorrir.

So excuse me forgetting but these things I do”

Claude virou seu rosto para mim e sorriu e cantarolou a música sorrindo para mim.

You see I've forgotten if they're green or they're blue

Anyway the thing is what I really mean

Yours are the sweetest eyes I've ever seen” (musica: Ellie Goulding — Your Song)

Claude tirou suas mãos do volante e seus olhos tão fixos aos meus, mal fizeram eu perceber seus movimentos. Em poucos segundos, meu rosto estava envolto pelas mãos de Claude. Meus olhos iam se fechando instintivamente conforme nossos rostos iam ficando mais perto um do outro. Antes de fechar totalmente os olhos, vi Claude umedecer seus lábios e senti sua mão direita, escorregar para minha nuca.Porém o sinal havia mudado de cor e alguns motoristas com pressa atrás de nós, começaram a buzinar e fomos obrigados a nos recompor.

Eu estava contando que fossemos em algum restaurante de luxo, não sei por que estava achando isso, mas, minhas expectativas se esvaíram quando Claude estacionou perto de uma praça. Estava cheia de pessoas. Em geral casais com crianças que corriam para todos os lados. Haviam algumas banquinhas de comida na orla dessa praça e dentro dela haviam algumas mesinhas com tabuleiros de damas.
Estava sentindo uma enorme vontade de perguntar para ele se era sério mesmo, que “jantaríamos” ali. Mas quando me virei para lhe perguntar, Claude estava me encarando e falou antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa.

– Eu costumava vir aqui quando era criança, todo final de semana com os meus avós. — Ele fez uma pequena pausa e retirou as chaves da ignição do carro. — Achei que seria uma boa ideia, é um lugar ao ar livre, não vão notar facilmente a presença de dois caras comuns por aqui. Aqui é um lugar bem afastado de onde moramos, então acho que não terá problemas. —

Preferi ficar calado depois disso e apreciar o lugar assim que saímos do carro. Era uma praça bem agradável e bem iluminada o que ressaltava a beleza do lugar.

– Então, o que você quer comer? —

– O que tem aqui além de algodão-doce sorte e cachorro quente? —

Claude soltou uma risadinha nasalada e me dei conta que teria que me contentar com uma dessas três coisas mesmo. Compramos dois cachorros quentes, que por sinal eram enormes! Sentamos em um dos bancos daquela praça e ficamos vendo as crianças correndo e gritando. Vez ou outra, Claude puxava um assunto qualquer, que logo terminava. São nesses pequenos momentos que eu vejo que uma relação entre nós nunca daria certo mesmo... A única linguagem que temos, digo, tínhamos assunto, era a linguagem corporal. Não vou me lamentar sobre isso, já fiz isso de mais e não melhorou nada. Sei que tudo isso, é culpa minha e não posso fazer nada para mudar. Aceitei, por que assim dói menos.

– Como você consegue se sujar tanto enquanto come? —

Claude já havia acabado de comer e me observava. Olhei para minha roupa e vi que u pouco de molho, milho e algumas batatas palhas nela. Não tinha me dado conta de que tinha me sujado.

– Ah droga! —

Segurei o cachorro quente com a mão esquerda e com a direita balancei a blusa na intenção de me livrar um pouco da sujeira. Claro que não deu certo.

– Ei! —

Olhei para Claude e notei que havia colocado o cachorro quente perto de mais do rosto dele. Diga-se de passagem que agora ele também tinha molho, batatas palhas e milhões espalhados pela bochecha. Achei que ele me xingaria ou sairia bufando, para procurar alguma coisa para limpar o rosto, mas não ele riu.

– Vem aqui. —

Claude me puxou pelo braço livre, o que me assustou e acabei empurrando ele com a mão ocupada com o cachorro quente. Agora meu jantar estava no corpo de Claude. Hum, que sugestivo. Agora foi minha vez de rir, tanto pela situação quanto por esse pensamento nada apropriado.

– Que bom que recuperou seu senso de humor. -

Claude estava de pé sorrindo e tentando tirar o cachorro quente da blusa. Por fim, ele não conseguiu se limpar totalmente, mas arranjou uma solução muito elegante, fechou seu casaco. Assim tapava a sujeira em sua blusa. Em compensação sujava o casaco. Fiz o mesmo que ele, por sorte a minha sujeira não era tanta.
Depois de rir mais um pouco de tudo isso, Claude me desafiou a um jogo de damas. Quem perdesse teria que lavar a roupa e obedecer a um desejo do ganhador. Comecei o jogo bem, até Claude fazer a primeira “dama” e começar a comer loucamente as minhas pedras.

– Que isso Alois, estou começando a achar que você quer lavar as minhas roupas amanhã! —

Claude disse em um tom divertido. Acho que pela primeira vez, em todos os anos de convivência nós estamos nos divertindo como duas pessoas normais.

– Calma Claude, eu estou deixando você ganhar por que eu sou humilde. —

Falei em tom irônico sorrindo e Claude sorriu de volta. Era minha vez de jogar e ia conseguir fazer minha segunda “dama”, agora era hora de virar o jogo. Em seguida era a vez de Claude.

– Sabe Alois, gosto que lave minhas roupas com bastante amaciante, por que gosto delas bem macias. —
Claude sorria e movia sua peça. Porém, ele deu bobeira, ele podia ter comido uma peça minha mas não comeu. Então é a minha chance.

– Que bom saber Claude, pena que eu não lavarei roupa nenhuma amanha. —
No tempo em que estive na casa de Claude eu nunca lavei roupa. Essa parte sempre foi com ele, eu só... Lavava a louça uma vez por semana...
–E ah, prepare-se para realizar um desejo bem difícil ok? —

Claude deixou mais uma peça minha. Ele estava dando bobeira ou ele estava querendo que eu ganhasse? Nah, Claude não perderia para mim. Mesmo depois de tudo que passamos, ele não admitiria isso... A não ser que...

Por fim eu acabei ganhando. Sim, ele deixou eu ganhar, não foi um jogo justo, mas tudo bem eu não lavaria as roupas de qualquer forma. Decidimos que já era hora de ir para casa, já estava tarde, quase não haviam mais pessoas pela praça e as banquinhas de comida já estavam fechando. Entramos no carro e eu agradeci mentalmente quando Claude ligou o ar condicionado no quente, estava um pouco frio de mais lá fora, para esta época do ano.

– Então, já pensou no você quer? —

Claude sorriu serenamente. Ele havia me perguntado isso assim que terminamos o jogo e eu disse que pensaria e responderia quando entrasse no carro. A verdade é que o que eu quero pedir, não é algo que ele poderia em público...

– Sim. Eu quero... —

Não sabia como ele ia reagir a esse pedido, mas... Bem, foi ele quem começou, então eu acho que não tem problema não é?

– Eu quero que você termine o que começou aquela hora na sinaleira. —

Senti que um calor significativo subia para o meu rosto e ia até o topo da minha cabeça. Claude pareceu feliz por um instante. Mas demorou a me responder alguma coisa, ou... A fazer alguma coisa.
Sem muita demora, sua mão alcançou minha nuca e a puxou delicadamente até não restar distancias entre os nossos lábios que se aproximavam. Os lábios macios e finos de Claude se encaixaram entre os meus e foi como se todo meu corpo derretesse com essa pequena carícia. Envolvi meus braços no pescoço dele e ele entrelaçou seus dedos aos meus fios de cabelo. Senti sua outra mão me tocar as costas e me segurar firme. Aprofundando aquele beijo, que talvez não venha a ter nenhum significado, ou sentimento, apenas... Desejos da parte dele. Por favor Claude, não faça isso comigo.

Já era tarde de mais para eu tentar conter qualquer coisa, quando me dei por conta, Claude estava se encaixando entre minhas pernas. Estávamos prontos para começar, deste ponto em diante não tem como parar, eu não quero que pare.

– Alois... —

Claude estava por cima de mim, seu rosto parcialmente vermelho e seus músculos contraídos, pelo contato inicial. Como se estivesse me resgatando da escuridão, ele me chamava baixinho, de uma forma muito doce. Ah Claude... Será que eu posso acreditar no timbre da sua voz?

– Me faça seu... —

Meus olhos se encheram de lágrimas e um sorriso de esperança resolveu brotar no meu rosto. Sentia que nesse momento meu coração estava traindo o que minha cabeça insistia em sempre repetir. " Você é burro Alois"

Os gemidos aumentavam gradualmente com o movimento de nossos quadris, que se moviam em sintonia. Definitivamente o tempo não conseguiu desmanchar a sintonia que nossos corpos sempre tiveram.

Entrelacei minhas pernas na cintura dele, fazendo com que os movimentos fossem mais fundo. Podia, ligeiramente, sentir o membro de Claude pulsar dentro de mim, liberando pequenos espasmos de prazer no meu corpo. Duas mãos grandes me seguraram firme e quando dei por conta, estava de quatro entre as pernas dele.

– Claude... —

Com delicadeza ele me puxou até ter as costas coladas em seu peito e poder me beijar. Segurei-me firme em seu pescoço enquanto uma de suas mãos me masturbava e a outra segurava firme em minha coxa.

Era muito para eu aguentar, para segurar um gemido alto, mordi os lábios de Claude que revidou massageando um dos meus mamilos. Já estávamos quase no nosso máximo. Claude com seus gemidos contidos e jogadas de cabeça para trás, indicavam que mais um pouco e ele estaria no limite.

– Claude, eu... —

Minha frase teve que ser interrompida por meu climax que veio sem nem dar aviso prévio. Meu corpo se rendeu totalmente. Voltando a posição inicial esperando que Claude atingisse seu climax também, o que não demorou muito.

Fechei meus olhos tomado por aquela sensação de prazer, alívio e cansaço, até sentir um peso sobre meu peito. Abro meus olhos e vejo que Claude pousara sua cabeça em meu peito. Instintivamente minha mão foi até sua cabeça, afagar os cabelos negros.

– Claude? —

– Hm? —

– Eu... Te amo... Você sabe... —

Sutilmente Claude virou sua cabeça até que nossos olhos pudessem se encontrar. Nada disse por alguns segundos, até fechar os olhos e respirar fundo. Devo admitir que nesse momento meu mundo caiu e um "back" muito forte me atingiu. Coisas do passado vieram ao meu pensamento e mais uma vez eu me encontrava perdido na escuridão, até senti uma grande e quente mão puxar suavemente meu rosto. Claude fez com que nossos rostos ficassem perto o suficiente para ficarem com as testas encostadas uma na outra.

– Sim, eu sei. Eu não tenho certeza sobre meus sentimentos... Não te odeio, o que ficou no passado está no passado. —

Claude fez um pequena pausa para sorrir e uma pequena fagulha de esperança e felicidade, estava brotando no meu coração, meu mundo estava ficando claro novamente e meu coração... Meu estava tão quieto, como se não quisesse arriscar novamente para não se ferir mais uma vez...

– Por favor, me ensine a te amar. —

Ele me disse com tanta simplicidade e certeza, que fez com que meu coração acordasse e desse um salto de felicidade. Lágrimas bobas começaram a escorrer e ele singelo riu do ato. Até selar nossos lábios em um só.

Eu sei que não sou perfeito, eu sei que sou difícil de lidar as vezes e que também sou teimoso. Demorou muito tempo para eu aprender o que é amor, demorou para eu te amar de verdade e não só te desejar. E eu sinto, pela simplicidade das tuas palavras, que esse tempo que tivemos que enfrentar juntos, valeu a pena, apesar de tudo que passamos, valeu a pena. Obrigado por aceitar meu amor Claude.

– Você nunca vai desistir de mim não é mesmo? —

– Jamais... —

fim

Notas finais
WAAA eu chorei escrevendo umas partes dessa fanfic... E PQP! CLAUDE SEU FILHO DA PUTA, POR QUE ESPEROU O ULTIP CAP. PRA SE TORNAR UM BOM SAMARITANO? SEU TROUXA! ;n; IDSJGISGHSJID então... Muito obrigada a quem acompanha essa história desde YAMO sou realmente muito grata a vocês, muito, muito obrigada! E agradecer vocês com palavras não me parece o suficiente... Mas não sei como agradecer de outra forma >u< ghsduhdsf obrigada de verdade! E não vai ter 3ª temporada u.ú - Ainda terá mais um cap. extra.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!