It's Over
16 Capítulo 16
Notas iniciais
"Alois deslizou a ponta da faca até o pescoço de Hannah, e esta urrava desesperada. Até que sua voz sessou. Se fez calar com a faca em seu pescoço. Agora tudo que eu conseguia ouvir era os passarinhos na rua e o meu coração que parecia fazer um barulho tão alto que podia preencher o quarto. Alois se manteve imóvel depois de enfiar a faca no pescoço de Hannah."
– Ela te amava também... -
A voz de Alois soou tão baixo, que se não fosse pelo silêncio total do quarto, eu não teria o ouvido. Ele permaneceu imóvel em cima do corpo ensanguentado de Hannah, ainda segurava a faca com sua mão direita.
– Está vendo Claude... Olhe bem o que você fez... —
Com a cabeça baixa, olhava para sua vítima. Duas grossas lágrimas escorreram pela face de Alois e um suspiro profundo acompanhou as suas lágrimas. Calmamente ele foi se levantando. Com a manga da camiseta, enxugou as lágrimas. Retirou a faca do pescoço ensanguentado de Hannah e ficou um tempo paralisado, na frente do corpo, sem dizer nada. Lidar com a morte de alguém não seria fácil para uma pessoa como Alois. Ele só acabaria mais perturbado e era assim que eu o via agora... Totalmente perdido, perturbado e com medo.
– É assim que as pessoas que te amam acabam... É assim que eu vou acabar também... —
Entendi onde ele queria chegar... Depois de me fazer sofrer “tudo o que eu merecia” e me matar ele se mataria também. Afinal, seria difícil de mais para ele lidar com a morte de mais uma pessoa que ele amava(?)
– Sabe...Não estou na minha plena sanidade... Tem tantas coisas girando na minha cabeça agora... Acho que me arrependo do que fiz para você... E do que pretendo fazer...-
Mais algumas lágrimas escorriam pelo rosto de Alois. O observando agora, vejo que ele não era tudo que aparentava ou tentava ser. Alois só queria ser amado por alguém. Por alguém que ele também amasse. A única pessoa que retribuía esse amor, se suicidou. E nem se quer pensou em como Alois lidaria com isso, não pensou que estava deixando seu filho sozinho. E essa pessoa se matou porque o amor da vida dela, havia a traído com outra. Surpreendo-me vendo como as situações são semelhantes...
– Logo, vão dar falta dela e vão começar a procurá-la. — Alois havia recomeçado a falar e agora não chorava mais. — Então alguém falará que a viu ,pela última vez, na minha casa... Então eles virão... —
Alois ergueu seu rosto para cima, até que pudesse encarar o teto. Respirou fundo antes de falar mais.
– Mas, quando eles chegarem, já vai ser tarde de mais. —
Lentamente Alois virou seu rosto até que pudesse encarar o meu. E quando conseguiu, um enorme sorriso se estendeu em seus lábios. Alois caminhou até próximo a nuca de Hannah, observou-a um pouco antes de continuar a falar.
– Claude... Como é ter a consciência pesada, já que tem uma morte em suas mãos. A morte de uma pessoa que te amava. Como é vê-la morta olhando para você? Suplicando-lhe ajuda... —
Em partes isso era verdade. A morte de Hannah era minha culpa... Mas eu nunca imaginei que ele conseguiria chegar até esse ponto... Quanto a Hannah... Agora ela, definitivamente, está numa situação melhor do que a minha... Eu acho... Qualquer coisa é melhor do que ficar amarrado a uma cama, sofrendo e morrendo aos poucos.
…
O cheiro de sangue parecia estar impregnado em mim, junto com o cheiro da sujeira daquele quarto... Era melhor eu dar um jeito na situação, antes que isso tudo, acabe antes do planejado. Fui direto na cozinha, lavei a faca que havia usado para matar Hannah e depois fui até o pátio de trás para cavar um buraco. Acabei escolhendo fazer um buraco bem em frente a porta dos fundos, poucos centímetros depois do pequeno degrau, que dava acesso a porta. Não fazia ideia de quantos metros eu precisaria cavar para “tapar” o corpo da vadia. Então, cavei fundo o suficiente para que não fedesse.
“Uma pessoa que tem medo do escuro, deveria ter medo de fazer coisas como estas.” Porém, quem está no escuro agora é ela e não eu. Mas de fato, seria difícil dormir, não por medo, mas por saber que de agora em diante eu tenho a morte de alguém nas minhas mãos. Não acredito que cheguei a esse ponto. Quando foi que eu fiquei desse jeito?
Um pouco depois de ter cavado o buraco, subi para o quarto, pingando suor. Agora seria o “melhor” momento. Teria de dar um jeito no corpo de Hannah para colocá-lo no buraco. Abri a porta do quarto e o sangue estava seco no carpete e na roupa de Hannah. Claude estava com o rosto virado para a parede. Covarde.
– Não quer dizer adeus para ela? Esta será a última vez que você vai ver o rosto dela. —
Por mais que Claude tenha me feito sofrer, sofrer muito! Ele não... Merecia tudo isso... Eu fui teimoso e egoísta... Não. Só estou pensando isso por que tive que matar alguém. Ele merece tudo isso sim. Eu não vou fraquejar. Azar, não me importa quantos mais eu tenha que matar daqui para frente. Aqui se faz, aqui se paga. E tenho certeza que o que é meu ainda está guardado, tudo que me aconteceu não foi nem um terço do que está para acontecer, disso eu tenho certeza. Porém, eu não pretendo ficar vivo até esse dia chegar.
Claude não se moveu. Estaria dormindo? Teria desmaiado? Ou só estaria me ignorando como de costume? A terceira alternativa me parece muito mais viável. Ele realmente me irritava quando fazia isso. Ele ainda não entendeu a posição atual dele? Ele não tem escolhas! Por que mesmo depois de tudo isso ele ainda tenta me desafiar? Como ele pode achar que é o bonzão depois de tudo o que aconteceu? Ele não é burro... Ele me irrita. Com passos fundos, passei por cima do corpo de Hannah e fui até a cama, onde Claude estava amarrado.
– Ei! Falei com você! —
Virei o rosto dele com força até que ele me encarasse. Claude respirou fundo. Sua expressão não dizia nada, absolutamente nada. Olhando bem de perto, a aparência dele está horrível. Já haviam se passado 3 dias e meio, que ele não comia e nem bebia nada. E, que também não tomava banho. Precisava dar um jeito nisso tudo. A situação ficará pior se eu não resolver isso.
– Aaaaaah... — Dei um longo suspiro e larguei o rosto de Claude. -Como queira. Mais tarde eu voltarei para te ver. —
Foi extremamente difícil deslocar o corpo de Hannah pela perna, do quarto até a cozinha. Além de que, fiz muita sujeira arrastando-o até ali. Assim como nos filmes de assassinatos, coloquei o corpo de Hannah dentro de três sacos plásticos. Antes de levar o saco para o pátio de trás. Pensei séria mente em por fogo no corpo dela... Mas o cheiro e a bagunça seriam ainda pior. Sem mais, coloquei o corpo de Hannah dentro do buraco. Tive muita sorte de nenhum vizinho estar na rua ou na janela nesse momento.Tapei o buraco com a terra solta e por cima coloquei um carpete velho que dizia “limpe os pés”.
– Sonhe com o seu amado Claude. Logo você vai poder vê-lo de novo. —
Voltei para dentro da casa e fechei todas as janelas e portas. Agora teria que limpar a bagunça toda e pensar no que fazer com Claude. Limpei o chão da cozinha até o corredor do quarto. Acendi a lareira e coloquei fogo nos tapetes que haviam sido manchados com o sangue de Hannah. Passei o aspirador por toda casa e móveis. Para garantir que nenhum fio de cabelo de Hannah ficasse ali. Se algum policial viesse investigar minha casa, as chances dele achar alguma coisa seriam mínimas.
Quanto ao que fazer com Claude, não tinha a mínima ideia do que poderia fazer... Mas precisava fazer alguma coisa ou a casa inteira ia feder... Poderia amarrá-lo em pé. Com uma corrente que permitisse que ele se mova até uma certa distancia... Isso seria perigoso para mim se eu não pensasse direito no que ia fazer.
Voltei ao quarto onde Claude estava. Fui direto ao banheiro do quarto. Que ficava um pouco mais a frente da cama. Retirei todas as gavetas e portas do pequeno armário que ficava embaixo da pia. Retirei o espelho, a tampa da privada, e tudo mais que ele pudesse usar para uma possível fuga. Tudo que ficou foi a pia, a privada e o chuveiro. Notei que Claude estava observando o que eu estava fazendo, então resolvi falar o que eu estava querendo fazer.
– Bom Claude, a partir de hoje, você não vai mais ficar preso nessa cama. Você vai poder usar o banheiro, mas, ele não vai ficar 24h aberto para que você o use. Você ainda vai ficar preso. Só que de uma forma que vai permitir você se mover até uma certa distância. E se você for um bom menino, vai poder beber água hoje. —
Claude pareceu confuso. Apenas sorri e dei-lhe as costas. Precisaria sair para comprar uma corrente bem forte, e alguns artefatos para furar a parede e tudo mais... Compraria também uma coleira.
…
Algumas horas depois eu já havia instalado tudo e agora estava testando, para ter certeza de que Claude não fugiria. Havia instalado uma corrente com uma coleira presas a parede do fundo do quarto, a corrente era comprida o suficiente para deixar Claude andar uns dez passos pra cada lado e mais uns cinco para a frente. A princípio o equipamento parecia bem forte e resistente. Esvaziei e limpei todo o quarto, coloquei fogo no tapete que havia sangue. Então chegara a hora de colocar Claude na coleira. Desamarrei primeiro as pernas dele e depois coloquei a coleira no pescoço dele. Antes de desamarrar os braços dele, dei a ele um breve aviso.
– Se você tentar qualquer coisa, eu te mato entendeu? —
Mostre-lhe a faca que havia usado para matar Hannah e a coloquei no bolso de trás da calça. Desamarrei os braços e me preparei para pegar a faca a qualquer momento. Claude já estava preso a coleira, mas com as mãos soltas poderia se soltar e fugir. Claude estava a três dias sem comer, mas não estava suficientemente fraco, para que eu pudesse abatê-lo, ou impedi-lo de fugir. Bom, eram 50% de chances para cada lado. Desamarrei apenas um braço, rapidamente coloquei ao lado do braço, que ainda estava amarrado. Amarrei os pulsos, lado a lado, com nós bem apertados e seguros. Teria que comprar algo mais forte depois. Tinha a impressão que aquelas cordas não o segurariam por muito tempo. Desamarrei o braço que ainda estava preso e ajudei-o a levantar. Coloquei seus braços para trás, assim seria mais difícil dele tentar se soltar. Depois que ele já estava de pé, me afastei dele.
– Escute bem, vou te deixar assim por que não quero que a minha casa comece a feder. Como eu te disse, você vai poder usar o banheiro, mas, ele só será destrancado quando eu estiver aqui dentro. Não irei te desamarrar para você tomar banho ou fazer qualquer outra coisa. Vai ter de se virar. Entendeu? —
Claude confirmou com um aceno de cabeça. E podia jurar que havia um brilho nos seus olhos. Coitado, deve estar alimentando falsas esperanças de que vai conseguir fugir. Ah, agora era o momento de tirar aquele colchão fedido do quarto... Onde eu colocaria aquela coisa? Devia ter enterrado junto com a Hannah. Por fim, decidi que ia lavá-lo, mas não hoje então, apenas o tirei do quarto e coloquei um outro colchão limpo no lugar. Um antes que usávamos de reserva aqui em casa. Agora tudo que sobrou no quarto foi, Claude e a cama. Quando voltei ao quarto, Claude estava sentado no chão olhando para baixo, nem mesmo quando eu entrei ali ele se deu ao trabalho de levantar seu olhar.
– Então, quer tomar um banho? — Claude não me respondeu. — Ok... —
Não discutiria sobre isso, seria perda de tempo, ele só quer me irritar. Sentei-me no chão a frente dele, mas com uma certa distância segura. Finalmente ele olhou para mim, com um olhar incrédulo, talvez estivesse se perguntando se eu ficaria ali até ele ter vontade de tomar banho.
– Oh! Você finalmente olhou para mim por conta própria. Isso é bom. —
A testa de Claude se franziu e suas sobrancelhas se curvaram. Tinha certeza que se ele pudesse teria me xingado de tantas coisas agora.
– Bom Claude... Eu quero conversar com você. Quero me desculpar por tudo que eu fiz para você, de verdade. Você deve estar se perguntando o “por que” disso agora, bem, digamos que eu quero acabar com qualquer tipo de sentimento, seja qual for, que eu tenha por você. Para que no dia em que eu te matar, eu não sinta absolutamente nada e que não tenha mais nenhum tipo de ligação com você. Então, me desculpe. Quanto a Hannah... Bom... Ela teve o que merecia, na minha percepção. Se ela não tivesse vindo até aqui, ela ainda respiraria. É engraçado não é? Você nunca teve e nem vai poder ter alguém que te ame de verdade... Assim como eu... —
Ri triste e olhei para os meus próprios pés. Lembre-me da minha mãe e do quão bem ela me entendia... Sentia falta dela. Depois dela, a única pessoa que eu posso dizer que teve um bom laço de “relacionamento” ou que chegou perto disso, foi a minha amizade com Ciel. Sabia que depois do que ele viu, nós jamais nos falaríamos novamente. Melhor assim, menos um para mim me despedir depois.
– Será que você entende, agora, como eu me senti e ainda me sinto? — Logo desisti da minha pergunta, por que a resposta era óbvia. — É claro que não. E mesmo que você sentisse, você nunca admitiria para mim. —
Sorri gentilmente e me levantei. Claude ficou me observando levantar, destranquei a porta do banheiro e a abri. Tirei uma corrente um pouco menor e coloquei na coleira de Claude.
– Levante-se. Você vai tomar banho querendo ou não. —
Levei Claude até o banheiro e prendi a corrente menor no suporte onde ficava a cortina do banheiro. Liguei o chuveiro e o mandei entrar debaixo do chuveiro. Eu estava sendo bonzinho, havia deixado a água morna e ia até ajudá-lo a tomar banho.
– … Odeio me contradizer... Mas, vou te dar banho. Mas só desta vez. Depois vou pensar em um modo de que tu possa tomar banho sem que eu precise me molhar. —
Peguei o sabonete e uma tira de pano velho, umedeci o pano com água e sabonete. Sem pensar duas vezes, passei o pano pelo peito dele e conforme eu ia descendo com o pano, mais desconfortável eu ficava. Claude também parecia desconfortável com tal situação. E isso era estranho, por quê... Não é a primeira vez que o vejo pelado e nem nada do tipo... Então, me dei conta da oportunidade. E Claude deve ter percebido minha intenção, ou imaginado, por que me lançou um olhar com raiva. Esfreguei mais um pouco do sabonete no pano, e fui descendo minha mão pelas curvas de Claude, até chegar em seu membro.
O olhar raivoso de Claude, não me amedrontava nenhum pouco. Enquanto eu “limpava” seu membro, fazia questão de olhar bem nos olhos dele. Queria ver até quando ele ia ficar com essa expressão tão dura. Se bem que... Claude... Ah enfim, ele não é de ferro. Com a mão esquerda desocupada, puxei a coleira dele para que o rosto dele ficasse na altura do meu. Por mais que eu tenha crescido bastante nesses últimos anos, Claude ainda continuava mais alto do que eu.
– Você não precisa se segurar só por que está irritado comigo, será bem melhor se não segurar. —
Peguei o pedaço de pano da mão direita, e fiquei esfregando as outras partes do corpo dele com o enquanto ainda o masturbava com a mão direita, alternando nas velocidades.
Não demorou muito para Claude começar a demonstrar certa excitação. Mas demorou para que sua expressão suavizasse. Depois de um tempo, podia sentir o coração de Claude palpitando rápido contra minha mão direita que se ocupava de alizar aquela região. Via seu peito subir e descer, por conta da respiração falha. Aumentei a velocidade da masturbação e mesmo com a boca fechada com fita, podia ouvir uns pequenos gemidos. Sentir o membro de Claude tão duro na minha mão me fazia ter arrepios.
“Todo meu corpo doía, estava difícil respirar, Claude deve ter me batido até cansar a julgar por tamanha dor.” (cap. 19 You are my Obsession)
Ah sim... Eu ainda precisava fazer algumas coisas para fechar essas lacunas na minha personalidade distorcida...
“– O que...? – Estava com as calçar abaixadas e havia sangue entre minhas pernas. Claude havia me estuprado...” (cap. 19 You are my Obsession)
Claude estava com o rosto um pouco avermelhado e olhava para o outro lado. Estava bem excitado e concentrado para não gozar.
– Vire-se de costas! —
Claude se assustou um pouco com a minha voz elevada. Seus olhos se arregalaram e era quase visível um ponto de interrogação no meio da testa dele. Sabia o que ele estava pensando, e não pude evitar de sorrir.
– Calma. Eu só quero lavar suas costas. —
A expressão de Claude não mudou, permaneceu desconfiado, mas virou-se de costas. De costas, Claude me espiava por cima do ombro. Esfreguei gentilmente as suas costas e mantive minha mão ativa contra seu membro. Continuei assim até que ele se sentisse “confiante” de que eu não faria nada. Até que tornei a puxar a coleira dele mais uma vez.
– Então... Está bom? — Claude não respondeu. — Quer que eu tire essa coisa da sua boca? — Claude afirmou com um aceno. — Se você não se comportar, vou colocar de volta. Entendeu? —
Claude afirmou novamente, e de leve fui tirando a fita da boca dele. Quando tirei por completo um gemido profundo escapou pela garganta de Claude, e agora ele respirável fundo.
– A... lois. —
A voz fraca, quase como um sussurro, de Claude, me assustou, estava tão distraído me concentrando em coisas para um futuro bem próximo que ele precisou me chamar duas vezes para eu entender que ele estava me chamando. Percebendo que tinha a minha atenção, ele continuou a falar, ou tentar falar.
– Eu... Eu vou gozar... —
Aquelas palavras ressoaram dentro da minha cabeça e no mesmo instante eu parei de masturbá-lo. Retirei a corrente de onde ela estava presa e desliguei o chuveiro. Pingando água para todo lado sai puxando Claude até o quarto.
– Alois! —
A voz dele parecia soar, como a de uma pessoa assustada. Não me importei. Quando ele disse aquilo, muitas lembranças do passado vieram a minha mente, todas as vezes em que fizemos. E principalmente aquela vez na biblioteca. Aquilo foi o que mais me motivou a fazer o que estou fazendo hoje em dia. Dei um jeito de conseguir jogá-lo no colchão e prender a corrente na cabeceira da cama. Eu via a boca de Claude se mexer dizendo alguma coisa, mas eu não o ouvia. Minha raiva naquele momento era tanta que tudo que eu escutava era a minha voz e a dele nas lembranças passadas. Tentei virá-lo de costas, mas ele resistiu, com raiva, dei um tapa no rosto dele, foi tão forte que imediatamente seu rosto ficou vermelho. E então foi como se eu voltasse a ouvir novamente. Percebi que minha respiração estava alterada.
– Vire-se! — Claude não me obedeceu e também não olhava para mim. — Tudo bem... Eu quis facilitar as coisas para você. Mas, foda-se, pode ser que assim você sinta a mesma dor que eu senti. Espero que isso seja bem humilhante para você Claude. —
Sem mais delongas, separei as pernas de Claude e me pus no meio de suas pernas, penetrei dois dedos e sua expressão se fechou em dor. Seu rosto ficou vermelho e um “urro” foi contido com o lábio inferior, sendo fortemente mordido. Ri alto ao vê-lo daquele jeito debaixo de mim. Sempre foi o contrário, quem diria... Olhe onde eu consegui chegar.
– Então Claude, como foi que você fez naquela vez? Ein? — Retirei meus dedos e abaixei minhas calças. O penetrei com dificuldade, não havia usado nada para lubrificar. — Você é tão apertado Claude. —
– Alois pare com isso! Por que você não me mata de uma vez!? — A voz de Claude começou a me irritar, aquilo tudo estava me irritando, queria acabar com aquilo de uma vez.
– Cale a boca! Pare de se mexer tanto! Ou seu sangue vai servir de lubrificante! —
Sorri e comecei a me movimentar. Claude tentava controlar os gemidos de do. Seu corpo se retorcia para o lado, era óbvio que aquilo estava doendo. Mas eu nunca havia experimentado isso antes... E era completamente estranho me ver fazendo isso... Claude não parava de se mexer e de me dizer para parar. Seus olhos estavam fechados e seus dentes, na maior parte do tempo, permaneciam cerrados para conter os gemidos de dor. Cada vez mais eu aumentava a velocidade das minhas investidas. Aquilo doía em mim também, mas, ao mesmo tempo, que eu sentia dor, sentia prazer, diferente de Claude que estava sentindo apenas dor. O orgasmo não tardou a chegar e fiquei aliviado de ter chegado, me sentia mal... Sentia um bolo na garganta e um forte enjoo. Claude se encolheu de lado na cama, parecia sentir dor ainda, mas não tanto quanto antes. Me levantei da cama e fui para o banheiro.
…
Estava sentindo uma ardência que vinha dos quadris e ia até minha garganta. Era uma sensação desagradável e sentia um nó na garganta, um nó que me sufocava. Talvez a sensação de sufocamento se devesse a coleira no meu pescoço... Eu havia criado falsas esperanças de que teria alguma chance de sair dali... Mas agora, não tinha nem mais vontade, de tentar alguma coisa. Estava arrasado. Preferia mil vezes ter morrido do que ter que passar por isso.
A porta do banheiro se abriu devagar, Alois saiu com a cabeça baixa e foi direto em direção as suas calças. As vestiu e sentou-se na ponta da cama. Estava com a faca na mão... A mesma faca que ele havia me ameaçado mais cedo, a mesma faca que ele havia matado Hannah. Quando de repente notei uma coisa, não muito incomum para Alois. Lágrimas caiam sem cerimônia pelo seu rosto, no começo ele prendeu alguns soluços mas depois não conseguiu mais.
Com as lágrimas correndo pelo rosto, Alois veio até mim e sentou-se um pouco abaixo do meu baixo-ventre, seu braço esquerdo tapava seus olhos. Com a mão direita, segurava firme a faca ao lado de seu corpo. Alois baixou seu braço e pude ver seus olhos marejados de lágrimas. Ele tentava me dizer alguma coisa, mas por conta de tantos soluços, ele não conseguia e vez ou outra acabava se afogando.
– Claude...- A voz de Alois saiu abafada entre um soluço e outro. — Você me perdoa?-
Alois fungava e enxugava as lágrimas que não paravam de cair.
– Me perdoaria por tudo que eu fiz você passar até agora?-
Percebi o que estava acontecendo. Ele não tinha coragem de continuar em frente, ou só não conseguia... Por algum motivo... Talvez, mesmo depois de tudo ele me ame de verdade e por isso não consiga acabar com isso. Os olhos azuis chorosos me suplicavam uma resposta, eu podia responder, porém não tinha animo para responder. Tinha a impressão de que, dependendo da minha resposta, aquela faca viria direto para a minha garganta. Eu não sei se eu o perdoaria... A esta altura, depois de tanta coisa, não tenho mais certeza de nada.
– Você se perdoaria? —
Minha voz soou fraca, mas ele conseguiu ouvir. As lágrimas aumentaram e um grito, quase que de dor, se desprendeu da garganta dele. No “final” de tudo, ele foi o que mais sofreu. A dor física que eu sofri, nem se iguala a dor psicológica que ele deve estar sentido.
– Eu não quero falhar mais uma vez! Eu não quero perder de novo. Eu não quero mais sentir isso! Mas... Eu também não quero te perder...-
As mãos de Alois seguravam com força os cabelos loiros, como se quisesse arrancá-los.
– Não consigo acreditar que eu cheguei até aqui e não vou conseguir acabar com o que eu comecei.-
Alois baixou seus braços. Pouco tempo depois, respirou fundo, me encarando com seus olhos marejados e vermelhos. Ele estava mudando de ideia?
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