It's Death Now - One Shot
1 Cansado.
Notas iniciais
O céu que amanhecera azul com vagas nuvens brancas e um sol alaranjado subindo de acordo com as horas que se iam de repente se tornou cinza, as nuvens se abraçavam e grandes raios o cortavam. A diretora estava parada na porta da sala esperando Jonathan a responder, ele tinha apenas doze anos mas todos o davam nove, pequeno e magricelo, seus bagunçados cabelos castanhos caiam-lhe sobre os olhos agora vermelhos.
–Sr.Jonathan ? O que está acontecendo ?
A mulher alta e gorda com um coque impecável no alto da cabeça falava com o garoto como se o mesmo fosse um cachorro em treinamento, seu olhar severo o fuzilava sobre os óculos de aros finos e vermelhos.
Toda a sala olhava o menino que não parava de fitar seus próprios pés, a professora que estava sentada em sua mesa não fizera nenhum movimento dês da entrada da diretora, seus cabelos loiros caiam sobre os ombros um pouco bagunçados e uma grande marca vermelha pulsava em sua bochecha, grandes e grossas lagrimas escorriam de seus olhos azuis.
–Sr. Jonathan, eu estou falando com você, queira me responder !
A diretora já estava nervosa com o ocorrido, pingos de saliva voavam de sua boca que tremia levemente e sua voz já não estava mais normal, era possível identificar raiva nela e logo algumas professoras de outras salas do longo corredor botavam as cabeças para fora afim de avistar o que estava acontecendo.
–Não está acontecendo nada senhora.
Finalmente o garoto abrira a boca, sua voz saíra extremamente calma e controlada, todos os alunos pararam de respirar instantaneamente querendo ouvir o que o colega pirado tinha a falar.
–Como assim não está acontecendo nada ? Henry, seu colega que acabou de me chamar em minha sala estava mentindo ? Fazendo uma brincadeira de mal gosto ? Sua Professora Katnes é uma atriz e todos nessa sala estão me pregando uma pegadinha ?
–Não.
–Então me diga o que aconteceu ! Eu quero ouvir as palavras de sua boca !
Agora a diretora estava a ponto de explodir, as professoras das outras salas já não colocavam só a cabeça para fora e sim o corpo todo, mas o garoto raquítico não parecia ligar, continuava calmo e tranquilo.
–Não aconteceu nada, eu estou dizendo.
–Você está testando minha paciência e me tirando do controle, pegue sua mochila e venha para minha sala, agora !
O garoto voltou a sua mesa, guardou suas coisas e seguiu a mulher gorda pelo corredor, antes de sair pela porta ouviu seus colegas o olhando e cochichando coisas sobre ele, as professoras que estavam vigiando fora de suas salas logo pularam para dentro e voltaram a dar suas aulas fingindo que nada havia acontecido e aquela gritaria não fora nada.
Um balcão se estendia a direita no final do corredor, um vaso de planta morta enfeitava o local, cadeiras duras de plástico estavam dispostas lado a lado para as visitas sentarem, uma moça mais gorda que a diretora vasculhava um site de encontros no velho computador, seus cabelos loiros cheios de creme para pentear infantil com cheiro de morango ensebava os fios, uma pinta negra brilhava no canto de seu lábio superior como se fosse feita de caneta, e uma maquiagem extremamente espalhafatosa cobria seus olhos verdes, o tec-tec que as unhas postiças vermelhas fazia ao tocar o teclado foi interrompido pela diretora.
–Marlene, procure já a ficha de Jonathan Banks, preciso do responsável dele aqui e agora ! Estarei na minha sala esperando.
–Ok senhora.
–E você menino, sente ai, logo veremos se você vai contar a verdade ou não.
A diretora bateu a porta de sua sala ao entrar e a mulher gorda levantou mostrando roupas que com toda certeza eram de números menores que o seu, ela abriu o armário de ferro onde estavam as fichas de todos os alunos da pequena escola de subúrbio, logo que achou a ficha com o nome do menino voltou a se sentar na cadeira em frente ao computador e discou o numero no telefone em cima da escrivaninha.
–Alo, aqui é Marlene da escola Colorado.
–Alo, aconteceu alguma coisa com meu filho ?
A voz assustada de Jennifer mãe de Jonathan ecoava do telefone antigo.
–Não, seu filho está bem, mas a diretora precisa de sua presença aqui agora.
–Tudo bem, estou indo.
Meia hora se passou até que Jennifer chega-se a escola, a mulher tinha cara de cansada e seus cabelos mal arrumados em um rabo de cavalo estavam secos e sem vida, rugas que não faziam parte da idade marcavam seu rosto e suas roupas velhas e sem cor mostravam um corpo magro, a mãe se ajoelhou na frente do filho e começou a dizer :
–Filho ! Está tudo bem ? O que aconteceu ?
O garoto estava prestes a abrir a boca mas a diretora ouviu as vozes da mãe e logo a chamou para entrar em sua sala.Depois de vinte minutos lá dentro choro e gritos abafados assustavam Marlene, assim que Jennifer saiu da sala da diretora passou pelo garoto sem dizer uma palavra e se dirigiu a saída, nem ao menos chamou o filho para ir embora.
–SAIA DA MINHA ESCOLA GAROTO, EU NUNCA MAIS QUERO TE VER AQUI DENTRO, SEU MENINO PROBLEMÁTICO, LOUCO, SE JUNTE A ESSA VADIA QUE É SUA MÃE E O DROGADO DO SEU PAI E SUMA DAQUI ! SUMA !
Sim,a diretora gritava sem medo do que os outros professores pensariam, as crianças, ou até a gorda Marlene que acabou caindo da cadeira com o susto que levou da explosão repentina da diretora que estava mais vermelha do que os aros do óculos e com os cabelos bagunçados.
O garoto apenas se levantou e foi embora sem dizer ao menos uma palavra, sua mãe não o esperava na saída, e muito menos em casa, seu irmão gritava e chorava sozinho no berço, sua mãe o deixara ali sozinho, uma criança de dois anos sem ninguém. Seu pai se encontrava bêbado e chapado no chão do banheiro com a cara dentro da privada.
O menino estava cansado daquilo, estava cansado de ver sua mãe brigar com o drogado do seu pai e apanhar todas as manhãs, estava cansado de saber que sua mãe fazia programas para colocar pouco dinheiro em casa e seu pai gastar tudo com bebidas e drogas, estava cansado de ver seu irmão sofrer sem nem ao menos saber dizer o próprio nome, estava cansado de todos na escola saberem de sua vida, estava tão cansado que naquele dia havia batido na cara da professora por ela ter lhe dado uma bronca por não ter feito a lição, o garoto estava cansado daquela vida, ele não queria mais viver aquilo todos os dias, então ele pegou a arma que seu pai escondia na segunda gaveta do guarda roupa, se sentou na cama de sua mãe e atirou em sua própria cabeça sujando as paredes, os lençóis, o colchão, o chão, sujando tudo com um sangue de quem queria mudança, mas uma mudança que ele não conseguira fazer muito menos esperar, o sangue de alguém cansado.
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