Its Comedy, Its Tragedy

1 O que acontece em Vegas, fica em Vegas


Notas iniciais
Até agora, tenho uns 8 ou 9 capítulos dessa história e, com certeza, esse foi o segundo que eu mais me diverti escrevendo. E, é claro, espero que se divirta lendo (:

 Abri os olhosde repente, vindo de um sonho confuso e... idiota.

Eu estava deitado com uma garota. Até aí, tudo muito normal. Mas ela parecia com alguém que eu conhecia... Amy. A minha prima pirralha que puxava meu cabelo e não se sentia satisfeita até arrancar um tufo. Mas, no sonho, ela estava diferente. Mais velha. Só a reconheci por causados olhos — lápis-lazúli — e dos cabelos tão negros quanto os meus. Estávamos deitados em uma cama velha em um lugar empoirado e cheio de infiltrações. Com roupas (estranho). Estávamos nos olhando. Parecia que ela podia ver mais que apenas meus olhos... minha alma. Mas o que diabos eu estaria fazendo com uma prima gostosa deitada ao meu lado em uma cama só olhando para ela? Só olhando? Com roupas?! Por isso era idiota. Depois, ela fechou os olhos e parecia estar dormindo... Porém, de algum modo, eu sabia que ela não estava dormindo; estava morta. Logo depois, fechei os olhos e tudo ficou negro. Então acordei.

Acordei e percebi que não estava em meu quarto.

Me sentei e olhei em volta. Um quarto pequeno, abafado, que fedia a mofo.

Olhei para onde estava deitado e me assustei quando constatei que estava nu.

E fiquei mais assustado ainda quando vi que havia um corpo feminino nu ao meu lado esquerdo, virado de costas.

- Mas que merda... ? — sussurrei quando vi que a garota possuía cabelos totalmente negros, chegando a ter um brilho um tanto azulado.

Cheguei mais perto, passei o braço em volta da sua cabeça a fim de tirar o cabelo de seu rosto, esperando ver o rosto de Amy.

Mas era um rosto mais jovem e mais moreno do que o da minha prima do sonho.

Um rosto vagamente familiar...

- Eduarda! — sussurrei, olhando-a com os olhos esbugalhados quase saindo das órbitas.

A irmã mais nova do Emanuel que ele apresentou ontem... E que depois foi para o quarto dela para nos divertirmos irresponsavelmente...

Mas eu sabia que faltava alguma coisa cruicial na descrição dessa garota que tornava o ato de ter feito sexo com ela, a minha morte.

Ah, sim. Ela era virgem. E também não podia ter namorados porque tinha um irmão ciumento demais. O que, até me lembro, achei ridículo. Tinha uma irmã de 16 anos e o que eu queria para ela é que ela fizesse sexo com bastante frequência. Assim, ela talvez fosse um pouco mais bem humorada.

A irmã mais nova virgem...

Parabéns, Leandro. Agora você é um homem morto.

Balancei a cabeça para espantar o fato que tinha acabado de constatar: eu mesmo me matei indo pra cama com uma garota gostosa.

Emanuel vai me matar se essa ressaca não me matar primeiro, pensei, enquanto botava a mão direita na minha testa, abaixo do cabelo liso desarrumado e suado, como se isso pudesse melhorar a dor.

Olhei em volta mais uma vez, procurando minhas roupas.

Achei-as jogadas no chão, amassadas junto com várias garrafas vazias de cachaça, algumas quebradas.

Pelo visto, a festa foi boa. Bem típica de Leandro Mallbeck, o vagabundo inútil mais rico do undergroung. Pena que eu não me lembrava de nada, e quando tentava, minha cabeça doía mais ainda.

Levantei da cama e vesti a calça, a blusa e minha jaqueta de couro novinha, brilhando.

Apalpei os bolsos traseiros, achando a carteira e o Corby (barato para alguém com pais possuidores de uma conta bancária tão alta, mas eu só precisava da agenda mesmo, então foda-se).

Abri a carteira e vi que havia 50 reais a menos do que havia ontem. Acho que eu não andei só dando bebida para essa pobre e inocente garota...

- É, porque até chapado, sou um cavalheiro. Incrível — disse, olhando para as garrafas jogadas.

Guardei a carteira e o celular e fui em direção à porta.

Parei com a mão na maçaneta, imaginando se Eduarda encontraria um caminho de volta para casa. Eu sabia que ela ia acordar com uma puta ressaca, e talvez não estivesse acostumada a isso, diferente de mim.

Pensei em levá-la, pois reconhecia muito bem esse motel, que tantas vezes vim.

Porém com companhias não tão perigosas, né, Leandro?

Exatamente.

Logo descartei a ideia. O que Emanuel pensaria se eu aparecesse com sua irmãzinha de 18 anos do meu lado (todo mundo conhece minha fama) em sua parte depois de ela não ter passado a noite em casa? Pior, o que os pais pensariam se um inútil drogado como eu tirei a virgindade da filhinha querida que deveria se casar virgem com um empresário rico?

Bom, quanto mais tempo de vida eu tiver, melhor. Precisava fazer meu testamento antes de partir.

Olhe pelo lado bom: ela é maior e gostosa.

Tem razão.

Chegando à essa conclusão, peguei 20 reais e pus em cima da mesinha de cabeceira ao lado da cama. Ela podia pegar um táxi.

Rezando (não, não sou religioso) para que ela não se lembrasse de nada quado acordasse, saí pela porta e desci às escadas, alguns degraus rangendo, em direção à saída.

- Ei! — alguém gritou, quando eu já puxava a porta de vidro com insul-film que dava para a rua.

Me virei e vi um cara com cachos loiros e olhos azuis claros sorrindo para mim atrás de um balcão.

- Ah, sim! A conta — disse, me drigindo a ele.

Chegando lá, tirei 50 reais da carteira e entreguei ao homem que aparentava ter mais ao menos uns 21, que era minha idade.

Estava prestes a perguntar se ele se lembrava de mim da última noite, quando ele me passou um pequeno papel com um número de celular.

- Me liga qualquer hora — e piscou para mim.

Sorri, achando graça da situação.

- Foi mal, cara, mas, normalmente, eu não saio com homens. Sem nenhum preconceito, claro — eu disse, ainda sorrindo.

- Não foi isso que pareceu ontem quando chegou aqui — ele disse, um sorriso malicioso brincando em seus lábios.

- Aaaah... — eu disse, entendendo tudo. — Bom, às vezes faço isso quando eu tô bêbado. Sóbrio, não me lembro muito bem. Na verdade, só 10% do meu tempo eu tô sóbrio, então...

Peguei o número e, antes de me virar para sair, me lembrei de uma coisa.

- Ah — eu disse, apoiando um dos braços na bancada, olhando dentro dos olhos azuis do garoto -, se importaria de fazer um favor para mim?

- Claro que não — seus olhos se estreitaram, tenho certeza, imaginando mil coisas que poderia fazer para mim ou comigo.

- Poderia ajudar a moça que eu deixei lá dentro a chegar em casa? Eu te pago um valor extra — sorri, o mais brilhantemente possível. Tipo, comercial da Colgate.

- Por que não? — ele sorriu.

- Qual seu nome? — precisava saber para pôr na agenda do celular.

- Rodrigo

- Ótimo — e antes de sair, dei uma piscadela, só para provocar um pouquinho.

Saindo de á, fiz sinal para um táxi, que parou e eu entrei.

Disse o endereço da minha casa e me recostei pensando no que eu fiz ontem. Com a garota, era meio óbvio. Já com o garoto... Bom, foda-se.

Olhei para trás quando o táxi virou uma esquina, observando o letreiro meio apagado pelo sol escrito "MOTEL LAS VEGAS".

É, meu parceiro. O que acontece em Vegas, fica em Vegas, pensei, sorrindo.

Notas finais
Bom, esse é o Leandro Mallbeck, 21 anos, vagabundo rico profissional. Mas, é claro, ainda há muita coisa para descobrir sobre esse cara.
Espero que tenham gostado, porque, com certeza, eu amei escrever *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.