Notas iniciais
One-shot, bem curtinha, espero que gostem

Mon chérie

Eu não sei bem a intenção disto aqui. Talvez seja para tirar um bom peso de minhas costas, ou sei lá, para lhe render boas risadas.

Estava eu alguns dias atrás, refletindo o meu poder de confundir coisas, sentimentos e situações. E talvez agora, eu esteja os confundindo e, provavelmente, o propósito disso tudo, é me livrar dessa tormenta.

Sabe, eu sou o tipo de pessoa que quando não consegue algo, desiste/foge. Um total sem coragem, suposto a ser um eterno covarde com atitudes tão indignas como essa.

Eu fui designado a fugir diante de algum problema, designado a desistir quando algo me é difícil ou impossível de ser alcançado ou quando eu finalmente tenho o que quero nas mãos, mas não tenho a capacidade de mantê-la.

Essa carta é uma daquelas do tipo em que tu a escreve por boas horas e depois, levas mais horas agonizando naquela indecisão de mandar ou não. Espero que ao fim da mesma eu não fique nessa e seja bem rápido e prático. Essa também não é o tipo de carta que tu responde. Essa, é daquelas supostas a ficarem naquela sua conhecida mesinha de telefone e que tu leia por várias vezes e, em cada delas, tu tenha um espécie de ‘interpretação’ diferente. Daquelas que tu deixa por mais de semanas ali, naquela duvida se realmente depois lê-la, rasga ou deixa mais um pouco ali jogada, para ser uma mera lembrança. Ou se rasga e realmente responde. Na realidade, eu não quero obter uma resposta agora. Só quero que assim como eu, um dia, quando estiver com algum peso, você escreva uma carta como essa. Para assim, saber que ficamos de acordo.

Bem, depois disso tudo, eu provavelmente sumirei. Como eu disse lá no começo, eu sou suposto a deixar coisas para trás quando eu sinto que tudo vai dar errado; e sabe o que é o pior disso tudo? Tentar cobrir sua maldita ausência inexistente. Tentar te esquecer em outras pessoas, sabendo que tu nunca foste meu de fato. Sabendo que um dia chamei por ti na presença de outra pessoa ao meu lado na cama, sendo que eu nunca te tive. Por Deus, anjo. Olha o que tu foste capaz de me causar. Veja, veja, admire-se por ter sido capaz de me deixar doente por uma coisa tão simples!

Mas não se culpe, doce. Eu jamais tive intenção disso.

E lembra-se quando tu me dissesse que eu era rico em palavras? Pois bem, eu não sou. Eu tenho um vocabulário semi-limitado, mas que mesmo assim, me ajudam de forma perfeita, expressar-me todas as coisas que eu penso e sinto.

Por Deus, doce... Tenha uma única certeza depois disso tudo. Aconteça o que for, jamais eu o tirarei de meu pensamento. Jamais!

Com carinho, Frank.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!