It's A Small World
4 Almoço de família
-Amor- Callie beijava sua namorada que fazia uma expressão quase que de dor ao ser acordada — O almoço já está quase pronto, toma um banho que estamos te esperando lá na sala.
A vontade de Arizona era de ficar naquela cama até ficar cansada de dormir, depois esquentar a tal comida no microondas e comê-la sozinha no sofá vendo TV. Mas enquanto a sua visão entrava em foco ela viu uma Callie sorridente de avental cheirando a algum tempero. “Ok, não basta ser namorada, tem que participar também.” Ela pensou para dar forças, respirou fundo e ficou sentada na cama, com a melhor cara de morta que conseguiu fazer.
-Você fica linda até descabelada. Vou voltar para a panela- Mais um beijo e saiu levando todo o bom humor do aposento.
Depois de um banho caprichado e uma roupa simpática uma nova mulher apareceu na sala, e encontrou o que pareciam ser duas crianças brincando no play. Mark e Carmen estavam gargalhando juntos enquanto lavavam a louça e faziam um gesto que devia ser o motivo da piada com a esponja, e Callie estava colocando a mesa com um sorriso solto.
-E ai eu penso nessas horas: Quem disse para ela que fazer isso é legal ?!- A quase cunhada dizia rindo para Mark
-Nesse momento que você faz cara de quem ta gostando e muda no segundo depois- Ele respondeu.
-Claro ! No teatro e na vida, Mark, tudo é carão- E a morena abriu os braços- Arizona ! Só estava faltando você para começarmos o nosso almoço que chefe nenhum pode botar defeito.
-Ela também deve ter umas histórias boas. Pelo que eu ouvi lá em dermatologia, a pediatria fazia sucesso nos tempos de solteira. — O amigo soltou sem pensar, e foi logo sendo censurado por olhares do casal.
-Com certeza, ela deve ser cheeeia de histórias- Callie disse com aquele tom que todo mundo que já namorou ouviu em momentos de ciúme.
-Hmm e eu achava que ela tinha cara de que só vive casadinha, namorando sério. — Carmen riu tentando manter o clima leve.
-É que eu só me apego a quem é realmente especial, não me apaixono por qualquer um. -Arizona olhou para a namorada amistosamente.
-Indiretas, ciuminho, guarda isso tudo lá fora- A voz grossa de Mark sobressaiu- agora vamos provar a nossa maravilhosa costela no bafo !
As duas latinas aplaudiram alegremente enquanto ele levava um pedaço gordo de costela suculento. Arizona ficou impressionada com a sofisticação dos cozinheiros amadores, tanto o prato principal quanto os acompanhamentos estavam bem apresentados como um restaurante fino. E o principal, parecia delicioso.
-Vocês estão de parabéns !- Elogiou- Estou realmente impressionada com isso tudo.
-Agora vamos sentar e ver se está tão gostoso quanto parece !- Callie não precisou dizer duas vezes, todos foram rapidamente para os seus lugares.
-Mark, faça as honras- Carmen ofereceu a grande faca para ele cortar a costela.
-Espera um minuto- Arizona interrompeu- A Lexie não virá ?
-Não, ela está no hospital- O namorado da ausente respondeu- Ela não gostou muito da minha mais nova amiga de infância para falar a verdade.
-Ela acha que eu vou levar ele para um show de stripper ou algo assim. Vamos, corte, corte !
Os quatro presentes não piscaram durante o corte, e se serviram em seguida com uma pressa educada de quem quer comer logo.
-hmmmm, divino !- Carmen foi a primeira a se pronunciar depois do silêncio da primeira garfada.
-Se tudo der errado- Callie disse depois- Largamos nossas carreiras e abrimos um restaurante.
- Eu não me canso de achar talentos em mim, mas esse prato aqui só está perfeito por causa da nossa parceria.
-Está sensacional. Desculpe não ter ajudado, mas sinceramente, se melhorasse estragaria. Eu fico com a louça final.
A comida estava tão gostosa que poucas palavras foram trocadas durante, apenas perguntas casuais, assuntos que vem embutido em almoços de família. Planos para o futuro, trabalho, etc. Mas como toda reunião dessa categoria, sempre tem aquele tópico que tentamos desconversar rapidamente.
-Eu contei para Callie da cena de hoje de manhã, ela riu demais. –Mark soltou, como se fosse um assunto qualquer.
Arizona engasgou.
-Isso me lembrou da vez que o chefe me pegou no hospital dançando sozinha na minha casa improvisada no depósito. – Callie disse rindo- Coisa de família isso.
A loira bebeu um gole e aliviada entrou no clima. “Que família” Ela pensou. A verdade é que por um instante ela realmente achou que sua namorada ia ficar no mínimo chateada, ou com ciúmes da prima, mas pelo visto levou tudo na esportiva.
-Ah irmã, isso me lembrou das nossas festas na adolescência. Nós dançávamos muito, as outras meninas ficavam só olhando de recalque, lembra disso?- Carmen sorria nostálgica.
Arizona imaginou com que cara ela olharia nas suas festas de adolescente para duas meninas como elas dançando juntas.
-Você era bem mais popular que eu, mas quando saíamos eu me sentia um pouco como você, tínhamos aqueles passos combinados que elas tentavam copiar depois.
-vocês não tem outra parente igualmente bonita, inteligente, engraçada, que dança bem e é hetero não ?- Mark soltou algo típico de Mark.
-Não, os melhores exemplares vieram só nesse modelo !- Carmen respondeu- Sinto muito.
Os quatro riram. O almoço já tinha chegando ao fim e eles estavam tirando a mesa enquanto Arizona lavava a louça como prometido.
-Foi um prazer almoçar com vocês e poder conhecê-los um pouco melhor, eu queria poder ficar a tarde toda conversando, mas eu preciso me arrumar para o meu evento, tem que ir tão caprichada que vou demorar algumas horas fazendo isso no salão. É um saco, mas faz parte da profissão.
-Que evento que você vai?-Arizona só se deu conta ali que nem sabia o motivo da visita a Seattle.
-É uma premiação de teatro, estou concorrendo pela minha peça.
-Eu queria tanto poder ir irmã, você sabe que se pudesse eu daria um jeito.
-Tudo bem, eu entendo sua vida, mas se eu ganhar meus agradecimentos serão à minha irmã negligente recém-saída do armário, sua namorada e ao meu mais novo amigo de infância. Agora estou indo, beijo para vocês.
Ela se despediu de cada um, pegou sua bolsa, um sapato alto preto, um vestido com uma capa protetora, e saiu com naturalidade, como se já morasse lá a anos. Devia ser outra característica de família, as duas se sentiam a vontade com facilidade, mas de uma forma positiva, do mesmo jeito que era igualmente fácil se sentir a vontade ao lado delas.
-E aí, gostaram da minha irmãzinha ?
A resposta foi obviamente positiva dos dois. E Arizona se sentia feliz com o rumo não tumultuoso que essa história de visita tomou. Pelo menos até aquele momento.
Fale com o autor