Iterum NEET
3 Lies
Notas iniciais
Andava de um lado para o outro na sala, Anne estava sentada no sofá ela usava agora pantufas e meias grossas de lã e estava enrolada em uma toalha, ela tremia dos pés a cabeça. Haru veio da cozinha com três canecas de chá com fumaça saindo. Ela entregou uma das canecas para Anne que a envolveu com as mãos e parou de tremer um pouco. Sentei em minha poltrona e tomei um gole do chá.
– Você ligou para o Hiro? — Haru estava procurando algum canal da televisão.
– Sim, mas ele não atendeu e nem respondeu nenhuma de minhas mensagens. — Coloquei a caneca na mesa de café e me levantei, não conseguia ficar parada em um momento como esses. Haru deitou no sofá e ficou encarando o teto. — O que está pensando, Haru?
– Já pensou se fosse um Ghoul¹? — Ela sorriu.
– Haru... — Bufei. — Não existe esse tipo de coisa!
– VOCÊ existe, ou melhor, NÓS existimos. Por que um ghoul não existiria?
– Você sabe muito bem o porquê.
Alguém bateu na porta. Anne olhou para mim esperançosa, desligamos a televisão, então bateram novamente fazendo nosso código secreto. Relaxamos, abri a porta e Riley entrou cambaleante seguida de Hiro. Ele segurou os pulsos dela e a sentou em uma poltrona. Anne levantou com um pulo, mas ficou no lugar.
– O que é isso, Hiro? — Anne estava preocupada com a namorada.
– Riley tem algo para nos contar, não é mesmo? — Ele olhou para ela com raiva.
– Me desculpem... — Ela gaguejou. — Me perdoem...
– Diga logo! — Rosnei. Riley voltou a gaguejar várias coisas aleatórias, Hiro ficou com raiva e se virou para nós.
– Ela é uma espiã do governo. Foi enviada até nós para nos espionar.
– O quê!? — Anne sentou no sofá, em choque. — Não é possível...
– Eu... Fui enviada para descobrir onde vocês estavam, mas acabei gostando de vocês e o governo não gostou do que eu fiz e resolveram... Resolveram me tirar do caso, tinham medo de eu expor o projeto.
– Projeto? Que projeto? — Riley me encarou nos olhos.
– Você sabe muito bem que projeto estou falando, Julieta. Você, mais do que todos deveria saber do que eles são capazes.
– Filhos da... — Soquei a parede, fazendo um buraco no gesso e cortando minha mão.
– Julieta, — Haru disse calmamente. — Lembra do que nós falamos sobre manter a calma...
– FODA-SE A CALMA! Aqueles putos devem estar rastreando ela agora mesmo! Vão nos levar de volta para aquele prédio maldito!
– Riley, colocaram um gps em você?
– Eu cresci lá. — Deu de ombros. — Provavelmente.
– Mas que merda! — Me virei para Hiro. — Leve-a daqui!
Hiro estava arrastando Riley para fora, mas ela parou e olhou para Anne.
– Anne...
– NÃO fale comigo. Eu nunca mais quero ver o seu rosto ou ouvir sua voz. — Ela a encarou nos olhos. — Você me traiu de um jeito que eu nunca poderei te perdoar.
Riley começou a chorar enquanto Hiro a puxava para fora de casa. Bati a porta e me joguei na poltrona. Haru estava consolando Anne, que estava chorando. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Louis, pedindo para ele voltar para casa. Me virei para Anne.
– Anne, quero que você se esconda com a Haru no andar de cima junto com o Klein. Temos que esconder tudo isso do Louis. Eu invento uma desculpa depois.
– Okay. — Haru ajudou Anne a subir as escadas, eu limpei tudo e fiquei na sala assistindo televisão esperando Louis voltar, o que demorou duas horas. Ele chegou em casa encharcado e foi logo para o banheiro se trocar, depois que estava totalmente seco, ele se sentou na poltrona da sala e suspirou.
– Está caindo o mundo lá fora. — Ele olhou para mim com aquele mesmo olhar que me deu no primeiro dia que nos vimos, mas o ignorei.
– Imagino. Quer chá?
– Sim, obrigado. — Fui até a cozinha esquentar mais água. Ele se espreguiçou e foi até a cozinha atrás de mim, abriu a geladeira e pegou um pote com um bolo que eu havia feito ontem. — E o que aconteceu com Riley?
– Ah, parece que não era nada tão grave, ela se perdeu no meio do bar e Anne, sendo MUITO dramática ficou imaginando coisas. Qual chá?
– Pode ser um mate, tanto faz. — Coloquei o saquinho de chá na caneca e coloquei na frente dele, também peguei dois garfos e dividimos o bolo. — E onde elas estão agora?
– Voltaram para casa.
– Foi um susto bem grande, não consigo nem imaginar isso acontecendo comigo.
– Eu também.
Terminamos de comer. Louis foi para o quarto dele dormir. Disse que também ia dormir, mas comecei a arrumar minha mala, precisávamos sair de casa o mais rápido possível. Sai do meu quarto e fui até o andar de cima, Anne e Haru estavam encolhidas na cama de Klein, que não estava em nenhum lugar, mas sua janela estava aberta um bom sinal. Chamei as duas, fomos todas para o meu quarto e colocamos roupas pretas. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto e coloquei uma touca, assim como Haru, precisávamos esconder nossos cabelos claros. Hiro apareceu depois de um tempo e disse que havia levado Riley de volta para casa e retirado um gps que estava em sua perna. Ele já estava de preto por isso não precisou se trocar. Peguei um baú de madeira maciça de baixo da minha cama e de lá tiramos várias armas, peguei minha sniper e comecei a limpá-la. Hiro pegou sua metralhadora, Haru pegou sua pistola e Anne pegou uma shotgun. Estávamos quase saindo quando Louis saiu de seu quarto e acendeu a luz do corredor. Ficamos todos em silêncio, nos encarando. Ele reconheceu Anne e cruzou os braços, deu um meio sorriso.
– Não foi apenas um susto, não é? — Ele deu um passo na minha direção, senti minhas bochechas corarem "O que está acontecendo com você, Julieta?". — Eu vou com vocês.
– O quê!?
– Ha! — Hiro cruzou os braços e olhou Louis de cima a baixo. — Até parece! Duvido que você sabe atirar.
– Eu sei. Fiz treinamento para sua informação.
– Não interessa, você não vai vir conosco. Nem sabe o que está acontecendo ou para onde vamos.
– Sei que isso tem a ver com a Riley e isso basta para mim. — Ele colocou as mãos na cintura e me encarou nos olhos.
– Ele pode vir conosco. — Disse. — Quer dizer, é melhor ter mais gente, assim teremos mais força.
Hiro bufou e mandou Louis colocar uma roupa escura e atlética. Ele se trocou rapidamente e depois foi até meu quarto e pegou duas pistolas de prata, ele as segurava de ponta cabeça, com o dedinho no gatilho, ao ver isso Haru riu.
–Você parece o Kid²!
– O quê? — Ele perguntou.
– Nada, Louis. Apenas ignora. — Sai na frente, Louis e Hiro ficaram por último.
– Faça tudo o que eu ou a Julieta mandar ouviu? Se fosse por mim, você nem estaria aqui. — Hiro estava ameaçando Louis, mas apenas o ignorei.
– Ok, vamos nessa.
Saímos correndo pelas ruas, estava chovendo, mas não importava. Não ficaríamos para trás apenas por causa de água. Chegamos em uma trilha que lavava a uma floresta e entramos, Haru e eu acendemos lanternas para nos ajudar. Finalmente chegamos no lugar que queríamos. Deitei em uma pedra e comecei a preparar minha sniper, cobri meu rosto com meu cachecol preto e mirei em uma guarita. Louis se abaixou ao meu lado e olhou em volta.
– Onde você está mirando?
– Não está vendo. — Eu ri. — Vá um pouco mais para a direita.
Ele se moveu e prendeu a respiração. Havia um enorme prédio branco cercado por um enorme muro com cerca elétrica, várias guaritas e um enorme portão de ferro.
– Que lugar é esse?
Voltei a mirar na guarita principal e sorri.
– O inferno na terra.
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