Iterum NEET

5 Antes, muito antes


Notas iniciais
Muito antes de Louis nascer, ou de até mesmo da América nascer, Os lobos tiveram que fazer uma escolha, A morte nas mãos dos humanos, Ou fugir para o outro lado do oceano, A Terra de Ninguém.

Corria pela floresta, usava um vestido marrom de camponesa, sapatos marrons, uma capa marrom e meu cabelo comprido estava preso em uma trança, mas mesmo assim ia até a minha cintura. Estava correndo fazia apenas algumas horas e não estava cansada ainda até que me deparei com Aifric, a princesa do reino. Parei de correr e fiz uma reverência breve antes de me levar a abraçá-la. Ela riu e me abraçou.

– Olá para você também, Julieta. Onde está sua mãe? Preciso falar com ela.

– Ela está na vila. Quer uma carona?

– Tem certeza que consegue me aguentar? – Senti minhas bochechas queimarem.

– Claro que consigo! Eu fiz 100 anos mês passado e já tenho o tamanho de um lobo de 150 anos! Minha mãe diz que o sangue real já está fazendo suas mágicas em mim.

– Então tudo bem. Vou pegar uma carona com você, Princesa Julieta.

Fiz um pouco de esforço e logo estava na forma de lobo. Aifric prendeu a respiração de espanto. Ela sorriu e passou a mão pelo meu pelo.

– Você realmente cresceu, pequena Julieta. Logo estará do tamanho da sua mãe.

Ela fez um pouco de esforço e montou em mim. Assim que ela segurou no meu pelo com força, comecei a correr, agora voltava para a vila. Demorou uma hora para uma chegar e quando chegamos, finalmente estava cansada. Aifric desceu de mim e riu. Voltei para a minha forma humana e sorri para ela.

– Ora, está cansada?

– Sim, claro! Carregar uma pessoa não é tão fácil!

– Está dizendo que eu sou pesada?

– O quê!? Claro que não Aifric, claro que não.

– Princesa Aifric! Que honra recebê-la aqui! – Minha mãe apareceu atrás de mim e fez uma reverência para Aifric, que logo pegou a mão dela.

– Senhora Aada! Precisava muito falar com você! E urgente!

– Ora, então venha comigo. – Ela começou a se afastar com Aifric então se virou para mim. – Julieta, querida, vá com seu irmão para a floresta caçar.

– Claro mamãe.

Assim que elas se afastaram corri para a cabana onde os garotos ficavam e encontrei meu irmão, ele é alto, de olhos cinza e cabelos negros, ele está sentado em uma mesa com vários homens mais velhos, bebendo. Eu vou até ele e o puxo para fora da cabana.

– Mas que droga, Julieta! Estou tentando fazer aliados para atacar os humanos novamente, um dia nós vamos governar esta vila e precisamos criar laços, vá trabalhar com as outras mulheres!

– Não Hiro, você não entende! Princesa Aifric está aqui. Ela veio conversar algo urgente com a mamãe, precisamos descobrir o que é!

– A Princesa Aifric? Tem certeza?

– Claro que tenho!

– Por que não me disse antes!? Vamos lá!

Corremos pela vila até a cabana principal, onde minha mãe levava os convidados de honra. Nos escondemos atrás da cabana e espiamos por dois buracos na parede que havíamos feito quando éramos crianças. Minha mãe e Aifric haviam trancado a porta e fechado todas as cortinas, a princesa parecia tremer. Ela era alta e pálida, de olhos azuis celeste e cabelo longo e branco que ia até depois de sua cintura, ela usa um vestido branco simples, mas de tecido caro, uma capa branca, um medalhão azul celeste igual aos seus olhos e uma bolsa de couro. Ela é linda, a visão de uma deusa, olho para Hiro e ele está claramente babando por ela. Reviro os olhos e volto a olhar para dentro da sala. Aifric abre sua bolsa e tira um papel de dentro ela o entrega para minha mãe, que fica confusa.

– O que é isso, Vossa Alteza?

– É uma ordem. Os humanos pretendem atacar o meu território pelas passagens do sudeste em menos de três semanas.

– Sudeste? Mas essas passagens levam a nossa vila! Eles não sabem que existe uma vila aqui?

– Eu realmente não sei, Aada. Mas se soubessem, creio que não se importariam em destruir uma vila nossa.

– Tem razão. O que você nos sugere?

– Eu pensei em algo está manhã, antes de vir para cá. Talvez se vocês fossem para o outro lado do oceano...

– O quê!? – Minha mãe, assim como eu e meu irmão estamos congelados.

– Eu sei que parece louca, mas vocês já lutaram por tantos territórios aqui na Irlanda. Sugiro que vocês viagem para o oeste e não olharem para trás.

– Mas lá é uma terra de ninguém!

– Exatamente! Nenhuma raça está no controle, nenhuma elite elfa, humana ou espírita! Vocês poderão escolher qualquer lugar e nunca mais fugir.

– Isso é...

– Loucura, eu sei. Mas pense nos territórios inexplorados que vocês poderão conquistar! É melhor do que ficar fugindo e criando alianças com os reinos governantes, vocês terão a chance de fundar seu próprio reino.

Ela se levantou e ajeitou a bolsa.

– Tenho que ir, mas pense sobre isso. Qualquer decisão que você tomar, me mande uma carta.

– Obrigada, Aifric, por tudo que você nos fez até hoje.

– Não a nada que me agradecer, Aada.

Aifric saiu da cabana. Hiro se afastou bruscamente da parede da cabana e ficou andando de um lado para o outro, pensativo. Sai de perto da parede e comecei a observá-lo.

– O que está pensando, Hiro? – Ele estava claramente nervoso. Não disse nada e apenas voltou para a vila, corri atrás dele. – Hiro! O que você vai fazer.

Ele seguiu Aifric pela floresta e ela deve ter percebido, pois parou e olhou para trás, não estávamos escondidos, então ela simplesmente sorriu. Hiro se aproximou dela, eu fiquei mais trás.

– O que você estava pensando!? Nos mandar para o outro lado do oceano!? Os espíritos nos odeiam tanto que vão nos livrar com esse plano!? Nós também podemos lutar! Lutamos ao lado de vocês por anos!

– Como... Claro que não queremos nos livrar de vocês! Além disso, apenas eu sei disso! Os espíritos não sabem de nada, estou tentando salvar vocês!

– Hiro... – Sussurrei para ele. – Acalme-se, isso não vai nos levar a nenhum lugar, que decide isso é a mamãe.

– Besteira! – Ele começou a andar de um lado para o outro novamente. – Tenho um grupo de homens dispostos a lutar contra os humanos! Podemos pará-los.

– Você e aqueles bêbados que eu vi hoje? Hiro não seja idiota, vocês nunca irão conseguir.

– Mas... Mas nós precisamos! Precisamos ganhar deles ou vamos ser mandados para... – Hiro ficou de joelhos no chão. Fui até ele e o abracei.

– Calma Hiro. Tudo vai ficar bem, você verá. – Olhei para Aifric. – Desculpe-me pelo Hiro, gostaria de uma carona para o castelo, Princesa Aifric?

– Não, está tudo bem, Julieta. Você é uma boa irmã. Agora vá cuidar do seu irmão e conversar com sua mãe.

– Sim senhorita.

Ajudei Hiro a levantar e o escoltei de volta para a vila. Fomos direto para a cabana de nossa mãe, que preparou chá para nós. Ela abriu a carta e leu em voz alta para nós, realmente, os humanos planejavam atacar os espíritos, o reino de Aifric, pela passagem sudeste. Não aguentei e comecei a chorar, Hiro me abraçou pelo ombro e olhou para nossa mãe, que parecia não saber o que fazer. Então ela tomou um olhar duro e nos encarou.

– Nós vamos para o outro lado do oceano.

– O quê!? Mãe! – Hiro tentava criar milhões de desculpas para ficar.

– Hiro, Aifric está certa. Não podemos ficar mais na Irlanda. Precisamos ir para um lugar novo, onde ninguém nos conheça e assim poderemos criar nosso próprio reino, nosso próprio território, sem ter que pagar dívidas para nenhum rei ou rainha. Precisamos fazer isso. Pelo nosso próprio bem.

Nenhuma pessoa da vila aceitou de primeira a notícia. Ninguém queria deixar a terra em que nasceram e viveram por tantos anos, milênios. Demorou uma semana para chegarmos até um porto e enquanto nos afastávamos do nosso país, Hiro começou a cantar. Ele cantava a música que Aifric costumava cantar quando nos visitava, aquela música que nós esperávamos ela cantar no dia de sua coroação, o dia em que todos nós iríamos conhecer o palácio. O dia que nossa maior aliada estaria no poder. Logo estávamos todos nós cantando juntos, em homenagem ao nosso país que deixávamos para trás, mas também para a Princesa que havia nos ajudado tanto.

Demorou dois longos anos para chegarmos na terra de ninguém, no outro lado do Oceano. Logo que descemos do navio, começamos nossa jornada para o norte, que – de acordo com os homens da cidade – era mais selvagem que o mar. Corremos por kilômetros até chegarmos no norte, um lugar que estava quase sempre frio e nevava durante o inverno, perfeito para nós. Durante os primeiros milênios, tudo parecia perfeito, ninguém veio nos aterrorizar e até mesmo ganhamos um nome no mapa, mas então, os humanos chegaram e tomaram nosso lugar, suas cidades cresciam e eles se reproduziam como formigas. Eram tantos! Não demorou muito para perceberem nossos poderes milagrosos. Alguns nos matavam, com medo, outros começaram a nos sequestrar e fazer estudos, querendo descobrir de onde conseguíamos esses poderes. Então uma mulher apareceu. Seu nome era Ivy. Ela se aproximou de nós, dizia que era nossa amiga até nos levar para seu enorme prédio branco, aquele lugar horrível!

Foram anos de tortura e experimentos. Um dia, minha família e nossa matilha conseguiram escapar, mais eu era pequena e fiquei para trás. Graças aos experimentos de Ivy, voltei a ficar com um corpo de criança, assim como vários de nós, mas nossa memória, nossa mentalidade, ainda tinha vários anos. Fui a criança mais torturada que eu conheço, conseguiram recriar alguns de nós, mas todos morriam no oitavo mês de gestação então tentavam nos engravidar, como fui a última fêmea que sobrou, fui a mais abusada, por meses e anos aquela mesma tortura. Então começaram a fazer testes em todas as pessoas do país e os que tinham nosso sangue, eram levados para aquele prédio. Os experimentos em mim ficaram mais leves, mas isso não os parou de me torturarem. Um dia consegui escapar e prometi que nunca. NUNCA mais iria voltar para aquele lugar. Mas... Também prometi salvar uma pessoa, e eu o salvei do melhor jeito que eu pude. Não queria que ele se lembrasse de mim, não queria que ninguém daquele lugar ficasse ao meu lado, me lembrando. Então eu apaguei sua memória e o mandei para uma cidade longe, mas ele voltou. Aquele garoto idiota e inocente voltou. Eu o reconheci no momento que entrei naquela livraria. Então ele estava morando comigo, tive que aceitar, não podia expulsá-lo, era bom... Bom ver que ele estava bem, e saber que ele não sabia ou lembrava de nada. Era tão bom... Viver ao lado dele como se nada tivesse acontecido, como se fôssemos duas pessoas normais, se conhecendo pela primeira vez.

Notas finais
Bom... Eu realmente não sei o que dizer aqui... Esse foi o passado muito distante da Julieta, antes de ela conhecer o Louis, antes de conhecer a Haru, Anne e todo esse povo. Essa é a história de como ela e a família dela (matilha) foram parar aqui nessa cidade que eles moram agora. É isso... Tchau! Kkkk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.