Itazura

3 Como ser gado d+


Notas iniciais
Olar! Boa leitura!

Ino ficou presa àqueles olhos por tempo demais, até que Kiba agitou uma das mãos próxima ao rosto da loira, que quase esqueceu o que tinha vindo fazer ali.

— Ei, tudo bem? – ele perguntou.

— S-sim. – ela engoliu em seco quando a moça sorriu em sua direção e depois foi se sentar em outra extremidade do lago artificial.

— Bom, não sei o que dizer. Não esperava por isso. – o rapaz começou a falar coçando a cabeça sentindo-se um pouco encabulado – Eu não guardei nenhum rancor, se é o que você pensava. Gosto de você, então... Pode relaxar. Tá tudo de boa.

— Aham. Obrigada. Fico feliz. – respondeu mecanicamente e então ajeitou a bolsa no ombro — Tenho que ir.

— Espera, posso te mandar mensagem qualquer dia desses?

— Sim, claro. – disse com o coração acelerado sem nem ao menos ouvir o que o garoto dizia e indo em direção à morena dos olhos perolados.

Kiba comemorou sua pequena conquista e seguiu risonho para continuar seu dia, pensando que fez bem em escolher vir sem camisa ao pequeno encontro.

Já Ino percebeu tarde demais que seu corpo a levava para um outro encontro. Um para o qual ela não estava nem um pouco preparada. Só se deu conta do que estava fazendo quando já estava de frente para a moça e acabou congelando de nervoso.

A morena, por outro lado, não parecia inquieta e continuou sorrindo para Ino.

— Há quanto tempo, Ino. – cumprimentou. Ino não conseguiu abrir a boca para responder, então apenas assentiu com a cabeça, sentindo-se uma completa idiota. A garota percebeu que havia algo errado, então ajeitou os cabelos para trás das orelhas e se identificou – Sou eu, Hinata. Da escola.

— Eu sei! – deixou sair mais bruscamente do que desejava, mas não queria deixar subentendido que havia se esquecido dela. Até porque quem se esquece do primeiro amor/primeiro namoro? – Eu só estou... Surpresa.

— Ah sim. Eu também estou. – concordou a outra – Você estuda aqui?

— Sim. Tô no último semestre na verdade.

A morena fez uma expressão de derrota.

— Que inveja... Eu acabei de largar Direito em outra universidade e vou começar Fisioterapia aqui. – anunciou, mas logo voltou com o sorriso gentil que Ino lembrava tão bem – Então esse é meu primeiro período.

Ino tentou imaginar Hinata, pequena e delicada, tendo que brigar num tribunal.

— E seu pai levou numa boa? – perguntou. Lembrava bem como era o senhor Hyuuga.

Hinata deu de ombros.

— Às vezes temos que sair do domínio dos nossos pais e trilhar o próprio caminho. Ele vai superar. – ela tornou a ajeitar os cabelos e baixou os olhos – Ino, sem querer me intrometer, mas... Acabei ouvindo um pouco da sua conversa com aquele menino.

O coração de Ino voltou a disparar.

Memórias de seu último ano do Ensino Médio voltaram à tona e ela quis ir embora, mas seu corpo permanecia congelado enquanto ela encarava a mulher com quem teve tantas experiências há apenas alguns anos.

— Não sei sobre o que se tratava, mas você disse algo que me tocou bastante: crescimento pessoal. Eu também estou trabalhando em mim mesma. Foi o que me fez desistir de Direito para me dedicar ao que eu realmente gostaria de fazer, me mudar de casa e ir em busca do que me faz feliz. – ela corou um pouco e pousou as mãos no colo – Desculpa esse papo de coach, mas enfim... Só saiba que estou torcendo por você.

Ino não soube o que responder. Parte dela se sentiu mal por estar recebendo um incentivo tão puro quando a verdade não poderia ser mais longe disso. A loira não queria evoluir de verdade. Só queria ser perdoada o mais rápido possível para voltar à vida confortável que tinha.

Saber que Hinata – logo Hinata! – a ouviu mentindo sobre suas intenções a fez sentir suja. Pensou em desmentir o equívoco, mas não conseguiu reunir coragem. O olhar sincero que a morena lhe lançava era o bastante para que Ino quisesse que sua evolução pessoa fosse verdade, apenas para não a decepcionar novamente. Não depois do que houve entre elas no Ensino Médio.

— Obrigada. – foi o que disse no fim das contas – Espero que tudo dê certo pra você também.

Então um som de mensagem apitou e a morena apanhou o próprio celular. Depois de uma olhada rápida na barra de notificação, sorriu de forma contida. Algo naquele sorriso era diferente dos que vinha exibindo para Ino naqueles poucos minutos de conversa.

— Já está dando super certo. – anunciou ao guardar o aparelho – Foi ótimo te ver, Ino, mas tenho que ir agora.

— Ah, sim. Tudo bem. Eu também tenho que ir. Talvez eu procure um emprego hoje.

"Do que eu tô falando?"

— Sério? Que legal! Boa sorte com isso. – Hinata uniu as mãos de forma fofa enquanto as grandes bochechas formavam círculos abaixo dos olhos fechados, fazendo Ino derreter por dentro. Se perguntou se a morena tinha noção do quão lindas suas expressões eram.

Se despediram e a loira ficou um tempo parada à margem do lago pensando no que acabara de acontecer. Reencontrar sua primeira namorada nunca esteve em seus planos, mas o que a assustou de verdade foi sua reação perto dela. Sentiu-se como uma virgem perto da pessoa amada. Nunca poderia imaginar que a Hyuuga ainda a afetaria daquela forma cinco anos depois de se virem pela última vez.

Enquanto ia para casa, passou por um restaurante de aparência nova com uma placa na qual se lia "precisa-se de funcionários" e, sem pensar muito, entrou. Talvez nem tudo que Hinata pensava dela precisasse ser mentira...

**********

Estava deitada no sofá com a mesma roupa com a qual saíra para a rua quando Sasuke chegou no apartamento.

— E aí? – cumprimentou fechando a porta.

— Arranjei um emprego. – murmurou.

O moreno ficou surpreso.

— Sério? No quê?

— Vou ser bar tender num lugar novo que abriu perto da faculdade. – ela então se sentou e olhou firme na direção de Sasuke – Eu não sei fazer drinks.

— Então como isso aconteceu?

Ino contou sobre como entrou sem pensar muito no restaurante que parecia estar em reforma. A subgerente pareceu gostar de Ino e avisou que aquela era uma nova filial que abriria em breve e que ela seria contratada assim que concluísse o treinamento básico, marcado para começar ainda essa semana.

— A vida realmente é muito fácil pra vocês, ricos. Sabe quantas fases de entrevista eu tive que fazer pra trabalhar em uma lojinha de roupa furreca? Três! E nem fui chamado no final. – Sasuke reclamou.

Ino o deixou falando sozinho enquanto refletia sobre suas próprias ações. Deixou de fora da história que só foi atrás do emprego porque queria que Hinata não soubesse que ela ainda estava debaixo da asa dos pais e não amadureceu nada desde que estudaram juntas. Sabia que seria tachada de simp¹ ou gado², o que não seria errado. De fato, Ino não tinha garantia nenhuma de que veria Hinata novamente. Também não sabia o que queria com aquilo: impressioná-la para quê? Por acaso queria sair com Hinata novamente?

O pensamento a fez enrubescer e ela tentou afasta-lo, voltando a prestar atenção no garoto emo à sua frente.

— ...impressionante como parece uma pessoa diferente. Se eu já não soubesse como ela é de verdade, até poderia cair nesse papinho.

— Quem? – Ino perguntou.

— Sakura. – ele cruzou os braços – Você tá me ouvindo por acaso?

— Desculpa, estava ocupada tentando entender se isso aí são olheiras ou se a moda do lápis de olho grosso voltou. – implicou.

Sasuke respirou fundo.

— Eu disse que tirando o fato dos nossos gostos não baterem muito, ela até que consegue ser interessante quando quer. Quando eu vou saber que chegamos ao objetivo?

Ino pediu o telefone para ler as mensagens e concordou com o garoto: Sakura era divertida e sabia manter um assunto vivo. Além disso, as respostas mal conduzidas de Sasuke a deixaram ansiosa, fazendo com que ela quisesse apagar tudo aquilo e recomeçar ela mesma a conversa com Sakura. Um sentimento estranho lhe atingiu e a loira sentiu um pouco de remorso pelo que estavam fazendo com a garota.

— Acho que já fomos longe demais. – disse devolvendo o aparelho. – Talvez seja a hora de parar.

— Ela que começou a dar em cima de mim para atingir o meu irmão.

— Talvez essa não seja a intenção dela. – a loira cogitou – Ela realmente parece estar gostando de conversar com você. Talvez ela e Itachi tenham terminado de verdade dessa vez e ela queira um amigo.

— Eu duvido muito. E nós nunca fomos realmente amigos. Só estudamos juntos. Na verdade, ela só se empolga nas nossas conversas quando dou a resposta que você sugere. – disse – Aliás, você que devia estar no controle da conversa.

Ino estava pronta para negar a ideia, mas percebeu que essa seria uma boa oportunidade para destruir o conflito interno que estava tendo. O encontro com Hinata realmente mexeu com ela e isso a estava incomodando. Se depois de alguns dias de conversa com Sakura ela percebesse que a garota só estava usando Sasuke para fins egoístas e bobos, ela continuaria com a pegadinha; mas se concluísse que a garota estava apenas usando de um ombro amigo para superar o fim de uma relação, ela abriria o jogo para não magoá-la.

— OK, Sasuke. Diga que você mudou de número e passa o meu. Vou tirar minha foto de perfil e ela nunca vai saber. – sugeriu.

Naquela noite, Ino recebeu duas mensagens: uma de Kiba e uma de Sakura. A primeira ela nem visualizou; a segunda era apenas um desejo de boa noite, ao qual a loira respondeu devidamente. Depois, curiosa, foi procurar a garota no Instagram. A conta não era privada, então pôde ficar alguns segundos stalkiando. Percebeu que Sakura era mais bonita do que ela esperava: alta, esbelta, com cabelos curtos cor de rosa e um par de olhos esmeralda extremamente fotogênicos. Tinha algumas fotos de jaleco, o que a fez revirar os olhos.

"Estudante de medicina, na faculdade medicina.", pensou debochada.

Passou para as fotos marcadas: algumas festas, congressos... Nada de mais. Estava prestes a dormir, quando uma foto em particular chamou sua atenção.

Um grupo grande de pessoas posavam ao lado de uma faixa de boas-vindas aos calouros de 2015 numa faculdade federal na cidade vizinha. Dentre eles, Sakura, mas apenas algumas cabeças para a direita, Ino reconheceu uma menina baixinha de cabelos escuros bastante lisos e olhos perolados que ela jamais confundiria.

Rapidamente foi para os comentários da postagem, em busca de um certo @, mas para sua tristeza, Hinata não comentou nem estava marcada na fotografia. Mesmo assim, sabia que era ela, talvez na sua primeira faculdade. Decidiu que isso era um sinal para esquecer e ir dormir. Já tinha pensado demais em Hinata Hyuuga para um dia só.

Notas finais
1- Simp: Alguém que vai dizer ou fazer qualquer coisa para agradar alguém - particularmente uma mulher - na esperança de parecer legal aos seus olhos. Normalmente esperando uma aproximação íntima em troca. 2- Gado/Gado d+: inicialmente era uma expressão utilizada principalmente na internet para definir os homens que malham apenas para conseguir conquistar mulheres. Depois, seu uso foi se ampliando sendo usado para falar sobre caras que fazem qualquer coisa para conseguir ficar com uma mulher. Também pode ser usado de forma menos grosseira, como para se referir a pessoas tão apaixonadas que fazem tudo que agrada seus parceiros.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.