Itamimasu Ka?
1 Itamimasu ka?
Notas iniciais
Itamimasu ka?
Dói muito?
Hammer Song to Itami no Tou…Ou seja,O Som do Martelo e a Torre de Dor.
A música conta sobre um garoto que ia armazenando toda a sua dor dentro de caixas,empilhando-as.Certa vez ele decidiu construir uma torre,por ver que as caixas era tamanhas que ele seria capaz de fazê-la.
Ele conseguiu chegar até a décima caixa recheada de suas dores,mas não era suficiente,ele queria que todos vissem a sua torre,vissem a sua dor.Ele continuou a empilhá-las,as várias caixas com suas dores;chegando a certo ponto,vários paravam para olhar.Ele disse-lhes algo como:“Viram?Esta é a minha Dor!”
Ele chegou a centésima caixa de dores,ele podia ver todos lá de baixo,mas de um jeito que todos parecessem formigas.Sua única companhia eram os pássaros,ele se julgava escolhido pelo Deus do Sofrimento,e agora era um rei.As caixas iam aumentando de número,ele era um rei que iria se tornar deus;realmente era digno de admiração toda aquela dor.
Na caixa de número mil,ele olhou para baixo,sentiu um arrepio por não ver quase nada;derrepente a escada que usava para subir a Torre caiu,ele ficou preso.Ele ficou acima de tudo assustado,agora estava realmente sozinho.
Logo ele ouviu o som de um martelo e olhou para baixo;alguém disse:“Todos queremos falar com você,agora desça e fique no nosso nível”.O som do martelo ia ao poucos se predominando e as mil caixas eram arremessadas,diminuindo o tamanho da torre.
Era a milésima vez que Chrome Dokuro escutava esta música.Não era apenas por ter gostado que escutava repetidas vezes,essa música lhe lembrava alguém.
Ela fora para um dos parques de mata fechada de Namimori,queria escutar a musica novamente,sem ninguém para interrompe-la,de modo que pudesse pensar em quem esta música lhe lembrava.
Achou um bom lugar em uma clareira de menos de cinco metros com uma enorme árvore no meio;com passos suaves,inaudíveis,ela fora até a arvore e se sentara ao pé da mesma,com as costas no tronco como apoio,por fim,ela solta um suspiro pesado de satisfação.
-Dare ka?- Uma voz masculina grave é ouvida do outro lado da arvore
-A-ah,Go-gomen...E-eu não...sabia que...havia alguém...aqui...
-Dokuro? –ao ouvir seu nome,ela levanta-se e vai até a fonte da voz,dando a volta pela árvore.
Hibari Kyoya...
-Hibari...? –ela surpreendera-se um pouco.
Lembrava-se dele nas batalhas da Família,mas nunca soubera seu nome,até alguns dias antes;quando fora até o centro comer alguns doces com Kyoko e Haru e o vira.Tsuna gritava desesperadamente tentando evitar uma briga entre ele,o Aniki de Kyoko e Gokudera;para tentar evitar o começo da briga,Yamamoto aproveitou o comparecimento da pequena para apresentá-la a Hibari devidamente,o que fez com que todos esquecessem da pequena confusãozinha.
-O que faz aqui? –ele pergunta sem olhá-la
-E-etto...Eu só...queria ouvir um pouco de...música...Vo-você quer que eu...saia...?
-Não,pode ficar. –ele falou novamente,mas desta vez,encarando-a com uma expressão calma.
Dokuro,um pouco envergonhada,senta-se ao lado do mesmo e pega o pequeno aparelhinho,colocando um dos fones no ouvido,mas sem ligá-lo.
Ela observava-o de relance com o canto dos olhos,apenas captando a imagem dele.Nunca fora disso,mas algo nele a intrigava.
Os olhos dele,para quem visse,parecia que eles apenas fitavam o céu azul como se fosse a coisa mais interessante do mundo,mas para ela,parecia mais que ele fitava o nada;seu olhar era fixo no céu,mas estava vazio,como se estivesse submerso em seus mais profundos pensamentos.
O vento soprou uma leve brisa que brincou com os cabelos negros;daquele jeito ele pareceu tão melancólico,seus olhos não pareciam mais vazios como se encarasse o nada,estavam sôfregos como quem sente...Dor?!
Então era ele,Hibari Kyoya,que a música lembrava-lhe?Mas nem podia dizer se quer que conhecia-o,com que direitos tirara aquela conclusão?!
Mas...Os olhos dele...Pareciam esconder a “Torre”...O que a pequena poderia fazer?Mal o conhecia,mas não gostava de saber que não poderia ajudar.
“-Um abraço pode aliviar muitas dores”
Fora isso que Kyoko havia dito à ela...Será que ela deveria tentar?
Olhara novamente de relance para o mais velho,ele voltou a ter o olhar vazio;mas ele deve ter lembrado de algo,pois seu olhar vazio voltou a se encher de dor,ele parecia que iria chorar.
Kyoya assustou-se um pouco com o movimento repentino da garota ao seu lado,que tirara o fone dos ouvidos,tirando-o do tranze;a pequena,engatinhando,posicionou-se em frente à ele,ficando de joelhos.
O mais velho olhava interrogativo a pequena que estava,acima de tudo,muito corada e segurava com força a barra da saia verde do uniforme com as mãos;mas em um suspiro pesado,que parece ter sido para reunir coragem,ela olha-o de maneira mais tranquila,e com movimentos calmos,direciona-se até ele,subindo um pouco o tronco e abraçando-o.
O de madeixas negras fica surpreso,o que diabos ela estava fazendo?A pequena de cabelos arroxeados estava de joelhos em frente a ele com o tronco um pouco mais levantado para ficar na altura correta,seus braços enlaçavam a cabeça e o pescoço dele em um abraço,fazendo-o colar sua face no ombro esquerdo da pequena menina.
-Itamimasu...ka? –a voz feminina saiu baixa e meio incerta
-Eh?
-Anone –ela começava a falar de modo mais decidido,pelo visto,já tinha plena certeza do que fazia agora- você é como a música que tenho escutado repetidas vezes esses dias;você tem muita dor acumulada,tanta que acabou armazenando essas dores em caixas e começou a empilhá-las,formando uma “Torre de Dor”...Mas ao contrário da música,você não quer que ninguém veja a sua “Torre”...Por isso pergunto,Kyoya,dói muito?
Ele ficara estático por alguns segundos,mas logo a pequena sentiu a respiração do maior ficar um pouco falha e ele estremecer um pouco.
-Kyoya...? –ela ia soltá-lo para ver o que estava acontecendo,mas assustou-se um pouco quando ele a impediu,enlaçando a cintura fina e enterrando o rosto no ombro esquerdo da garota.
-Ittai... –ele fala com voz fraca- Por isso...Fica aqui...Só mais um pouco;pra tentar aliviar...Nem que seje para tombar apenas uma única caixa... –sua voz continuava fraca,porém,desta vez,era chorosa.Olhe só o que uma pequena menina de apenas treze anos conseguiu fazer com um garoto de dezesseis...
Dokuro sorri com ternura e volta a enlaçar o pescoço do maior,aconchegando-o mais a si mesmo.
Ela estava de joelhos,entre as pernas dele que enlaçava a cintura fina da menina,enquanto deixava que ela abraçasse-o contra o ombro pequeno,para que ele derramasse quantas lagrimas quisesse em silêncio.
Com uma das mãos que estava no pescoço do maior,ela começa a afagar os cabelos negros de modo gentil,encostando o lado esquerdo de sua face no topo da cabeça dele;escutando apenas o som descompassado da respiração alterada pelo choro inaudível e sentindo a veste molhar pelas lagrimas.
-Aos poucos,caixa por caixa vai tombar;mas até que toda a torre venha ao chão...Não me importo de ficar com você pelo tempo que for...Agora apenas escute o som...
“O som silencioso do martelo que derrubava a ‘Torre’”
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