It was all yellow

2 Um novo dia precisa de mim.


Notas iniciais
Sim, eu não me decido se uso "tu" ou "você" Sinto muitíssimo por ser assim

Um mês atrás.

Anos se passaram desde que Bill deixou Gravity Falls e já havia até esquecido como amara aquele lugar um dia. O garoto sempre foi do tipo curioso, que gostava de se esconder nas florestas e ler sobre temas que para as crianças normais não passavam de histórias horríveis de terror.

As poucas memórias que ficaram de sua infância eram sempre relacionadas com outro garotinho magro e de cabelos castanhos que sempre estava com ele, não importava aonde ia e por mais que Bill forçasse para se lembrar de seu rosto, tudo que via era um borrão.

Sua mãe em um dos seus dias bons lhe disse que nós, humanos, tendemos a esquecer de situações dolorosas e que talvez, se separar de seu único amigo verdadeiro fosse tão traumático a ponto de Bill não lembrar muito bem do que ocorreu. Claro, ele não acreditava naquilo...

Bill Cipher é muito durão para acreditar que um dia fosse molenga a ponto de ser traumatizado apenas por se separar de uma criança nerd que conheceu na infância. No fim, ele sabia que era só mais um adolescente idiota, mas esse fato nunca o incomodou realmente.

—Billy, abaixa a merda do som seu escroto – Melody, sua irmã batia na porta de seu quarto como se o mundo estivesse acabando – Se você não abaixar essa porra eu juro que tu irá se arrepender de ter nascido!

—Vá à merda, piranha! – Dando seu famoso sorriso de canto, aumentou o volume o máximo que podia. Se tinha algo que Cipher gostava, era do estrago.

Depois de alguns minutos com sua irmã ainda batendo na porta, o barulho cessou. Com um sentimento de vitoria, foi verificar se Melody continuava pirando do lado de fora. Não a vendo, Bill retornou ao seu lugar abaixando o som e trancando a porta.

Cipher fazia mais um de seus desenhos em sua mesa digital quando escutou batidas em sua porta.

— O que você quer agora, inútil?

—Abra a porta – Uma voz alta e forte pronunciou – Eu preciso conversar contigo e tuas irmãs.

—A-ah... Ta bom, pai. — Bill se levantou e abriu à porta, seu pai estava com um semblante sério e ele já começou a pensar o que ele poderia ter feito dessa vez. Seu pai sentou na cama e atrás dele, entrou suas irmãs que também sentaram.

—Bom... Já faz um tempo que a tia de vocês morreu e como vocês sabem, nós nos mudamos para cá para cuidar dela. – Os irmãos Ciphers acenaram positivamente com a cabeça em conjunto – Tua mãe e eu decidimos voltar para Gravity Falls e nossas vidas antigas e vocês vão junto.

— Mas, pai... Nossas vidas estão aqui! Eu acabei de entrar para o time de Handball da escola e Melody está namorando já faz dois meses! – Remy, irmã mais velha de Bill se pronunciou – Não podemos abandonar tudo desse jeito! Aliás, e seu emprego e o da mamãe?

— Nós tínhamos o emprego que queríamos em Gravity Falls e ainda temos! Somos ancestrais dos fundadores de lá. E vocês são jovens, conseguem aguentar mudanças e recomeços quantas vezes quiserem.

Melody desabou em lágrimas enquanto Remy chocada com a noticia só abraçou a irmã tentando acalma-la, porém a garota não parava de dizer que queria morrer e redigir palavras de ódio a seu pai.

— Vocês são os piores pais do mundo!

— E me orgulho disso. E você, problemático? Não vai reclamar?

Bill ficou sério. No momento que seu pai lhe lembrou de Gravity Falls uma nostalgia sufocante invadiu seu peito e a sensação de que algo iria ocorrer lhe fez ficar pensativo. De onde saia esse sentimento?

—Bill? – Seu pai chamou-o, mas ele não parecia ouvir.

—Olha o que você fez com o Billy, seu monstro! – Melody gritou em um tom dramático.

— Bill! – Remy o chacoalhou e como se acordasse de um transe, Cipher piscou várias vezes confuso. – Nossa! Você é muito estranho.

— Falou comigo? – Disse, voltando a expressão de tédio que sempre carregava consigo.

— Você não irá reclamar de nada? Nem um “E como irei comprar drogas agora?” ou um “Em que becos eu vou dropar um ácido?”?

— Não, por mim tudo bem.

—Bill! – Suas irmãs gritaram em uníssono – Você deveria nos defender!

—Não to afim. Agora vaza todo mundo do meu quarto. – Falou enquanto empurrava suas irmãs e fazia gestos para seu pai se levantar da cama.

O Sr. Cipher estava se dirigindo para fora do quarto quando foi interrompido por Bill. Encostado na porta lançou-lhe um olhar interrogativo vindo daquela velha mania de sua família de conversar através de olhares e palavras mudas.

— Quando iremos nos mudar? – Bill perguntou com um tom apático, demonstrando menos interesse no assunto do que realmente tinha.

— Daqui á um mês. Fique tranquilo, lá também tem gente como você.

— Nossa, que alivio – Pronunciou com tom sarcástico revirando as orbes – Pensei que teria que “dropar um ácido” sozinho...

Com um sorriso torto, o Sr. Cipher saiu do quarto. Bill não sabia exatamente o que estava sentindo. Em suas teorias mais aceitas era preocupação por mudar completamente seu estilo de vida, mas algo lhe dizia que era mais do que isso.

Primeiro dia de aula de Bill na EMGF após a mudança e basicamente o que passava pela sua mente no momento era uma dúvida cruel entre duas opções para aguentar aquele lugar: Matar a todos ou se matar?

Para muitos aquilo pareceria um exagero, mas a verdade é que ninguém teve que aguentar aquilo na perspectiva dele.

Todo aquele mau humor começou às sete e meia da manhã quando acordou com sua irmã escutando 50cent no ultimo volume... Ok, apenas mais um dia normal na família Cipher.

Então enquanto se trocava acidentalmente pisara em seu gato o que levou o pobre e indefeso Mozart voar em suas pernas e arranha-las o máximo que podia.

Bill enquanto gritava vários palavrões em sua mente, esterilizou os machucados e colocou os curativos. Mas esse ainda não é o verdadeiro motivo de estar totalmente puto naquela manhã de segunda feira nublada.

Já arrumado, enfaixado e alimentado, Bill seguiu com suas irmãs para a Escola Municipal de Gravity Falls, onde iria estudar a partir de agora.

A escola não tinha nada de diferente das outras escolas que conhecia. Chegando lá viu o mesmo de sempre: Os góticos sentados na escada, as garotas que usavam muita maquiagem em uma rodinha no pátio, os esportistas correndo na quadra igual retardados e os estranhos com Nintendo DS sentados no local mais afastado do pátio. Os velhos clichês acontecendo tudo ao mesmo tempo em um mesmo lugar, naquele clima adolescente escolar de manufaturar idiotas.

Bill não se encaixava em um grupo especifico. Ele era o famoso “diferentão” aonde ia e aquilo nunca o incomodou.

Então, enquanto andava pelos corredores da escola tentando achar o quadro que avisava em qual classe havia caído, os deuses mandaram outro recado de como ele era azarado. Ele estava tranquilo, na dele quando um garoto apareceu do além e trombou com ele fazendo-o cair igual uma batata no chão.

— Porra, olha por onde anda! – gritou exasperado o garoto de amarelo.

— Me desculpa tava com pres...- O garoto interrompeu a fala repentinamente — Nos conhecemos?

— Eu acho que não. E depois de me derrubar desse jeito espero não ter essa oportunidade. – Disse enquanto arrumava a franja que havia caído em cima de seus olhos.

— Ah... Peço milhões de desculpas! Eu não queria te derrubar, de verdade! Só estava com pressa para conferir em que sala cai... – E novamente o garoto interrompeu a sentença parecendo confuso, então correu até o quadro desesperado como sua vida dependesse disso -– Primeiro ano A, sala 57!

O garoto saiu disparado pelo corredor, deixando Bill ali no chão, com cara de tacho. Que porra acabou de acontecer? Seria todo mundo dessa cidade estranho?

Dando um suspiro, Bill se levantou e foi até o quadro conferir em que classe havia caído e olha que surpresa... Era mesma sala do garoto mal educado que havia o derrubado.

— Olha, parece que fiz minha primeira amizade! – Disse com tom sarcástico indo em direção a sala 57.