It Will Rain

8 Capítulo 7 - Oppressive


Notas iniciais
AVISO: O capítulo contém cenas de violência, mais precisamente nos Flashbacks.
Leiam as notas finais. Há avisos importantes.
Boa leitura!

– Então, Edward, o que você diria de uma garota que, aos 14 anos, foi estuprada pelo próprio namorado e ficou grávida?

Isabella Swan.

O que? – ele guinchou, olhando-me assustado.

Dei de ombros, tomando mais um gole do meu chocolate quente.

– O cara que estava te agarrando hoje era seu namorado? – Edward se sentou na ponta da cama e passou a mão no cabelo, desajeitando-o mais ainda.

Ele entendeu meu silêncio como uma confirmação.

– Como...?

– Vou começar contando o começo de tudo. Riley não é o único motivo para que... Para que eu seja como sou hoje – falei, dando as costas para ele e observando a paisagem através da janela, amargurada.

Edward continuou em silêncio, esperando que eu continuasse. Fechei os olhos e apoiei as mãos no parapeito da janela.

– Não sou filha de Charlie Swan – comecei. – Meu nome verdadeiro é Isabella Marie Dwyer Swan, porque Charlie me registrou como sua filha. Meu pai biológico, Phil, tinha leucemia e morreu por volta dos meus dez anos. Aquela que se diz minha mãe traiu Charlie, logo após se casarem. Então eu nasci e praticamente fui despachada para o Arizona, onde meu pai morava.

– Você parece sentir muita falta dele – Edward comentou quando parei a história por alguns segundos.

– E sinto. Após sua morte, tive que vir para Nova York, e Mary, minha antiga babá, veio junto. Charlie já fazia sucesso com sua empresa e não queria a mídia sabendo de uma traição, ainda mais quando ele era o corno – fiz um som em desaprovação com a boca, balançando a cabeça negativamente. – Eu estranhei demais minha nova vida. Tudo tinha uma rotina tão corrida que eu, como uma criança, não entendia porque Renée não me dava atenção. Ela estava sempre na casa de alguma amiga ou em algum chá beneficente. Eu mal saía do quarto. Mary sempre me dava almoço lá, e eu saía quando Charlie me obrigava, porque tínhamos que comparecer em algum evento grande. Mesmo assim, eu apanhava antes – sorri sem humor. – Eu era uma criança bastante teimosa e birrenta. Acho que minhas cicatrizes e queimaduras são, na verdade, culpa minha.

– Cicatrizes?

Assenti brevemente ao voltar a olhar Edward. Ele tinha o cenho franzido e ainda estava sentado na cama, com os cotovelos sobre as pernas. Olhei para a minha xícara e o chocolate quente estava no final. Tomei o último gole.

– É. Tenho duas cicatrizes, além de uma queimadura.

Edward arregalou os olhos levemente, mas ignorei.

– Eu sempre fui tímida – continuei, sorrindo nostalgicamente. – Nunca gostei da atenção das câmeras. Sempre que ia em eventos, eu dava algum vexame, mas Charlie e Renée não podiam me deixar em casa. Pelo próprio bem da empresa, tínhamos que parecer como uma família perfeita...

– A empresa é a razão de tudo? – Edward me interrompeu. Suspirei ao caminhar em sua direção e me sentar ao seu lado na cama.

A proximidade, seu cheiro, seus olhos verdes que pareciam ver até minha alma me deixavam, inacreditavelmente, sem jeito.

Desviei meu olhar do seu, sentindo meu rosto corar.

– Talvez. Acho que sim – respondi. – Eu tenho certeza que Renée não gosta de mim, e me pergunto por quê. Acho que eu nunca irei entendê-la. Ela parece gostar de Noah... Não, gostar não. Acho que Renée só gosta de si mesma. Mas não odeia minha irmã como odeia a mim. Já Charlie... Acho que eu entendo menos ainda. Às vezes ele parece até gostar de mim, ou ao menos se preocupar. Mas tudo o que ele já me fez... – fechei os olhos para, em seguida, abri-los e olhar dentro dos olhos de Edward. – Eu acho que ter um filho deve ser algo maravilhoso. Me pergunto se eu poderia ter essa felicidade um dia. Minha... Mãe não pensa assim.

– Você disse que ficou... – ele engoliu em seco. Parecia hesitar. – Grávida.

– E você parece hesitante – comentei, ignorando-o. – Pode perguntar o que quiser. Não vai me machucar – dei um meio sorriso. – Falar disso não dói mais... Quer dizer, costumava doer, mas me sinto livre para falar disso com você.

Percebi, tarde demais, que havia falado mais que o necessário. Edward não precisava saber que eu me sentia a vontade com ele. Aliás, eu não deveria abaixar tanto a guarda, mas parecia impossível.

Tudo parecia fluir com naturalidade, sem que eu ao menos pensasse realmente no passado, dando tempo para aproveitar todas as emoções. Eu era como uma parede oca: estava ali por fora, contando todo o meu passado para alguém que conhecia há um mês, mas por dentro não sentia nada.

Dei de ombros para mim mesma. Talvez eu fosse bipolar.

– É... Eu... – busquei algo em minha mente, tentando consertar o que havia acabado de dizer. – É, fiquei grávida.

Engoli em seco. Em qual momento passei a confiar tanto em Edward? Por mais que fossemos colegas ou quase amigos – nós também paramos de nos provocar –, não era certo confiar tanto em alguém, era?

Edward continuou um silêncio. Um silêncio que não era agradável.

Quando eu falava sobre minha infância, não me sentia nervosa ou coisa do tipo. Mas era diferente quando eu falava – o que raramente acontecia – sobre minha adolescência.

– Eu tinha quatorze anos quando conheci Riley, o cara que... Estava comigo mais cedo. Foi em uma festa. Alice, Rosalie e eu saímos escondidas e conseguimos entrar numa boate pela entrada do fundo. Nós já erámos grandes e tínhamos o corpo de uma mulher, mas nossos rostos eram infantis. Acabamos nos separando por alguns minutos. Rosalie foi buscar bebidas para nós, Alice foi ao banheiro e eu fui procurar uma mesa. E então, encontrei Riley no meio do caminho. Ele esbarrou em mim e pediu para dançar comigo. Eu aceitei e passamos o resto da noite juntos. Claro que fomos pegas. Eu, Rosalie e Alice fomos parar na delegacia. Charlie ficou uma fera – eu sorri minimamente.

Quando parei um pouco para respirar, Edward perguntou:

– E ele não era da sua idade, era?

– Não. Riley tinha 20 anos na época. Hoje ele está com vinte e três. Eu achei que ele não fosse mais me procurar, apesar de termos trocado nossos números de telefone. Ele me surpreendeu quando, no dia seguinte, apareceu na entrada do colégio em que eu estudava. Nós passamos a sair juntos, até que percebi que eu estava perdidamente apaixonada por ele. Dias depois, Riley me pediu em namoro. Ele nunca poupava romantismos, sempre me dava flores ou comprava algum presente caro. A única coisa que eu guardo até hoje são algumas fotos e o anel que ele me deu quando começamos a namorar...

– É aquele anel que você guarda na mochila? – Edward me interrompeu. Eu, que estava de cabeça baixa, levantei os olhos, estreitando-os. Ele engoliu em seco e deu um sorriso sem graça. – Eu... Hum...

– Como você sabe sobre o anel, Edward? – falei entredentes, não estando realmente brava por ele ter visto o anel. Eu só odiava que mexessem nas minhas coisas, ainda mais com algo tão... Íntimo. Edward não respondeu; suas bochechas atingiram vários tons de vermelho até ele desviar o olhar do meu. – Como você sabe?

– Me desculpe – pediu, torcendo as mãos no colo. – Eu mexi nas suas coisas logo depois que você começou a trabalhar na lanchonete.

Bufei. Eu não estava irritada. Tudo bem, não por completo. Se fosse outra pessoa, eu até estaria com um instinto assassino solto, mas... Estranhamente, eu não estava.

– Está brava comigo? – ele perguntou.

Apenas neguei com a cabeça.

– Nunca mais faça isso – decidi continuar a contar. – Fazia pouco tempo que estávamos namorando quando tudo pareceu desmoronar. Riley era possessivo demais. Eu não podia sair com Alice ou Rosalie, nem fazer trabalho com elas, Emmett e Jasper. Ele sempre inventava que eu estava traindo-o com alguém, até com meus amigos. Então eu não aguentei mais. Ele deu um ataque quando eu disse que tinha ido até a casa de Emm para fazer trabalho junto com as meninas e Jasper. Eu terminei com ele naquele dia. Passaram-se semanas até tudo acontecer...

As lágrimas rolavam livremente e eu pouco ligava se Edward estava vendo. No momento, eu só conseguia sentir meu sofrimento e a dor.

Flashback on.

– Você deveria dar uma chance à Riley. Sei lá, ele merece – Alice comentou um dia, em uma aula nossa de Educação Física. Há semanas ela estava tentando me convencer, mas eu não me deixava levar... Simplesmente porque eu tinha um orgulho a proteger.

– E você deveria parar de me encher o saco. Aliás, avise isso à Rosalie também – retruquei irritada, tamanha era a insistência dessas duas. Eu sei que às vezes era um pouco grossa com as minhas melhores e únicas amigas, mas chegava a ser inevitável.

Há mais de dois meses que Riley estava ligando para mim e eu o ignorava. Aliás, ele não perdia a oportunidade de me achar em algum lugar, sempre indo até a entrada do colégio para me esperar. E claro, eu fugia dele como o diabo foge da cruz.

– Mas você o ama – ela insistiu como sempre. – Além de que está sofrendo a toa. Vocês se gostam... O que há de mal nisso?

Balancei a cabeça, jogando-me na arquibancada da quadra do colégio. Observei Rosalie jogando vôlei contra o time dos meninos. Ela me viu e sorriu para nós, entre um set e outro.

– Ele é tão possessivo – apoiei o queixo nas mãos. – Sabe, ultimamente eu já não podia mais fazer nada! Parecia que a qualquer hora que eu estivesse usando o banheiro, ele entraria lá para me vigiar e conferir se eu não tinha fugido pela janela! É horrível.

– Vocês tentaram conversar? – Alice estava dando uma de psicóloga ou era impressão minha?

Bufei.

– Nós discutimos. Ele não quis me ouvir.

– Talvez seja por isso. Ah, Bella, você só está enganando a si mesma! Você morre por Riley. Vá falar com ele, garota!

– Você tem quantos anos? 14 ou 40? – eu ri, incrédula.

Foi a vez de Alice bufar. Ela cruzou os braços sobre o peito e desviou o olhar para longe.

Eu teria que concordar que ela estava certa. Desde que Riley e eu terminamos, eu vivia mal humorada e sempre xingando alguém. Mary me disse que era coisa de adolescente – quem sabe rebeldia –, e que eu não deveria me preocupar. Claro que ela era contra o meu namoro. Sempre tão certinha... E eu gostava de coisas novas. Desafios. O problema que, ao me envolver com Riley, não pensei que fosse me apaixonar por ele.

No começo, era bom. Mas após poucos dias de seu pedido de namoro, ele parece que se tornou meu dono. Eu mal podia ir fazer trabalho na casa dos meus amigos mais. Então, quando eu disse que sairia para ensaiar um trabalho na casa de Emmett e que todos estariam lá, ele apertou meu braço e não me deixou ir. Eu surtei e, bom, terminei com ele. Claro que eu me arrependi depois, como sempre me arrependo de tudo o que faço.

Me levantei e puxei minha mochila para o ombro direito, rendendo-me.

– Tudo bem. Você me convenceu – falei, sorrindo.

– Isso aí!

– Siga meu conselho: você deveria se tornar psicóloga – eu disse, já descendo as arquibancadas e falando por cima do ombro. Ouvi Alice rindo. Despedi-me de Rosalie, Emm e Jasper com apenas um aceno, saindo logo da quadra.

Eu esperava que tudo desse certo dessa vez.

Caminhei pelos corredores do colégio, pensando em chamar um táxi para ir até o apartamento de Riley, uma vez que odiava andar com motoristas que sempre contavam a Charlie onde eu ia. Parei no bebedouro para tomar um pouco de água. Assim que joguei o copo descartável no lixo, uma mão me puxou com força, a outra tampou minha boca e a pessoa me arrastou para o banheiro feminino.

Eu não tive tempo de tentar sair correndo, pois no outro momento eu já estava sendo trancada dentro de uma das cabines do banheiro.

Deveria ser uma brincadeira; sim, é claro que era, porque eu conhecia muito bem aquele cheiro e era o cheiro de Riley. Eu o chamei, assustada, mas minha voz foi abafada por sua mão, que ainda cobria minha boca. Lentamente, ele me virou para ele.

Seus olhos estavam incrivelmente escuros, como eu jamais vira antes.

– Não grite – ele sussurrou, tirando a mão da minha boca, mas continuando com o aperto em meu braço.

– O que está fazendo? – eu não sabia se era algum instinto, mas estava com medo dele. Um medo que eu nunca sentira antes, porque confiava em Riley e jamais pensei que algum dia ele me faria mal. Ofegante, senti alguma coisa cutucando minha barriga. – Riley...

– Xiii... – Ele pôs o dedo indicador em meus lábios. Sua voz era lenta e arrastada. Seu hálito não tinha mais o cheiro bom de menta que eu gostava; parecia algo misturado com álcool, mas não descobri o que. Eu sabia, desde sempre, que Riley se drogava às vezes, mas isso nunca aconteceu na minha frente, tampouco eu o vira drogado algum dia. Mas agora ele parecia tão diferente... Tão não... Ele mesmo. – Fique quietinha. Irei te ensinar a não ficar dando em cima de seus amigos...

– O que?

– Você acha que eu não sei que você me traiu com aquele seu amiguinho? O grandão... – ele parecia se tentar lembrar do nome. Fechou os olhos por um momento e balançou a cabeça. – Droga, sei lá! Eu estava certo em desconfiar desses trabalhos na casa dos seus amigos... Por fora é uma santinha... Mas por dentro... Ah, Isabella.... – Riley encostou os lábios em minha orelha e eu estremeci. – Por dentro é uma putinha, não é?

Engolindo em seco, me debati, mas Riley foi mais esperto – e muito mais forte – ao segurar-me contra a parede, as mãos se fechando com força em meus braços.

– SOCORRO! – eu gritei e ouvi-o rosnar.

– Quieta, Isabella – ele mandou, mas gritei novamente e senti um tapa forte em meu rosto.

Fui obrigada a engolir o sangue que fluía pra dentro da minha boca. Riley me encurralou para o canto da cabine, de modo que seu corpo não me deixasse passar. Assisti-o tirar a camiseta e enrolá-la. Segui seus movimentos com os olhos, até que ele me amordaçasse.

No momento em que senti meu maxilar travado, um desespero começou a tomar conta de mim, finalmente fazendo-me ver o que estava acontecendo ali. Não... Não... Riley não era capaz... Ele me amava, minha mente repetia isso, ao mesmo tempo em que eu tentava acreditar. Ele era sempre tão romântico e educado... Não, não, não.

Me encolhi sentindo algo molhando minha nuca. Percebi que era o suor, já que meu rosto estava molhado também, com lágrimas grossas escorrendo.

Choraminguei, escorregando pela parede, mas Riley voltou a me segurar com força, colando seu corpo no meu. Novamente, senti a 'coisa' me cutucar. Olhei para baixo e desejei, mais do que nunca, não ter ouvido Alice. Se eu não tivesse saído do ginásio, não teria passado perto dos banheiros e, consequentemente, Riley não teria me encontrado.

Ele estava nu em minha frente. E estava excitado.

Me debati com mais força e acabei chutando a perna de Riley, que gemeu de dor. Consegui empurrá-lo e dar apenas dois passos na direção da porta. Eu estava com a mão na fechadura quando ele jogou seu corpo contra o meu na porta. Sua mão bateu na minha e ele voltou a trancar a porta.

– Só sairá depois que eu tiver aproveitado – ele sussurrou na minha orelha, com o peito colado em minhas costas. – Oh, eu sei que você gosta disso. Não se finja de difícil, Bells. Você é minha e sempre será. Sempre.

Riley, ainda atrás de mim, desceu suas mãos para o botão da minha calça. Eu estava paralisada e o medo me consumia. Parecia que até minha respiração tinha sumido.

Lentamente, ele me fez tirar os tênis, meias e a calça, até que eu ficasse apenas com a calcinha e uma blusa de alças branca. Ele afastou meu cabelo para o lado, deixando meu ombro esquerdo livre e passou a beijá-lo. Então, voltou a me virar. Eu não conseguia olhar em seus olhos; era automático desviar meu olhar do seu. Eu não conseguia olhar para ele e não ver o meu Riley, aquele que dizia que sempre iria me proteger de qualquer coisa.

– Hum... – ele gemeu, passando a beijar meu pescoço. Eu podia sentir seu... Membro batendo em minha barriga.

Oh, Deus. Por que não acabava nunca? Por que ele simplesmente não ia embora e me deixava em paz?

Ele prometeu que me esperaria... Eu teria o tempo que quisesse para, quando me sentisse pronta, entregar-me a ele.

– Sabe que sempre se imaginei nua? Sem nada cobrindo seu corpo... Sabe quantas vezes me masturbei pensando em você, Isabella? Quantas vezes tive sonhos eróticos... – a última parte saiu mais como um grunhido ao mesmo tempo em que ele rasgava a lateral da minha calcinha.

Solucei, já impossibilitada de conter o choro. Riley devia ter trancado a porta para que ninguém entrasse no banheiro.

As pontas de seus dedos foram alisando meu braço, até que chegasse em minha mão. Sua mão segurou a minha e ele as direcionou até seu membro. Eu não tinha coragem de olhar. Mantinha meus olhos fechados com força quando ele apertou minha mão envolta de seu pênis e gemeu alto.

– Você não faz ideia de como isso é bom....

Eu podia sentir a bile subindo pela garganta, mas forcei-me a engoli-la de volta. Eu pensava que, quando mais quieta ficasse, menos aquilo iria durar e logo poderia me ver livre dele.

Minha boca estava ressecada e meus lábios começaram a rachar. Eu ao menos podia salivar, porque estava quase engasgando com o tecido da camiseta! Riley soltou sua mão da minha e imediatamente a tirei dali, com nojo. Usou a mesma mão que segurava a minha antes para passá-la por toda a extensão da minha coxa, forçando na parte interna.

– Abra as pernas, princesa – ele sussurrou em meu ouvido. – Facilite ou será pior pra você.

Seu dedo indicador passou por minha intimidade, parando em minha entrada. Riley fez um som de desaprovação.

– Estou tentando te dar prazer, mas você não sente nada – ele falava enquanto me forçava a erguer uma perna e enganchá-la em seu quadril. – Como eu disse, pior para você, mas bom para mim – Riley mal acabou de falar e não consegui segurar um grito alto, mas abafado pela camiseta. Ele estava dentro de mim. Não havia camisinha, eu não estava excitada, o que contribuía para nenhuma lubrificação. Eu não era mais virgem.

Doía demais. Como o inferno.

– Tão apertada... Oh...

Encolhi os ombros, chorando mais forte, mais desesperada. Seu membro parecia me rasgar. Parecia como se mil facas estivessem entrando em mim, tanto que não demorei a sentir algo escorrendo por minhas pernas. Eu tinha certeza que era sangue.

Eu só conseguia chorar. Era a única coisa que eu podia fazer, já que uma mão de Riley prendia meus pulsos juntos, a outra segurava minha perna e eu estava amordaçada. Então, como se pudesse não piorar – e podia –, ele passou a entrar e sair de mim, lentamente. Os únicos sons no banheiro eram seus gemidos – de um prazer maldito – e os meus, de dor, além dos soluços pelo choro.

Só estava faltando eu contar os segundos para que essa tortura passasse. A cada estocada que ele dava, mais dor eu sentia. Tanto a dor física quando psicológica. Eu estava me sentindo traída. Eu confiava cegamente em Riley, e ele estava... Me estuprando.

Seus movimentos começaram a ser mais rápidos e mais fortes. Meu corpo batia contra a porta, fazendo um rangido. Então, algo parecia me molhar por dentro. Um pouco escorria pela minhas pernas e eu tinha nojo de mim mesma por estar naquela situação. Riley tombou a cabeça no meu ombro, ofegando. Abri meus olhos lentamente, ainda paralisada. Eu já não sentia mais ele dentro de mim, apenas a dor.

Riley levantou a cabeça e sorriu satisfeito para mim.

– Parece que você não gostou, querida – ele passou o polegar por minha bochecha. – Eu adorei te sentir me apertando, tão pequena...

Ele começou a recolher suas roupas e vestiu-as. Finalmente pude umedecer os lábios quando ele tirou a camiseta da minha boca. Mas eu não tinha forças para gritar. A dor no meio das minhas pernas era maior e quase insuportável. Riley, após se vestir, olhou seriamente para mim.

– Espero que não se esqueça a quem pertence, Isabella – ele disse, aproximando o rosto do meu. Puxou meu lábio inferior com os dentes e logo soltou-me. – Levarei sua calcinha como uma lembrança. Acho que você não se importa, não é? – e sem dizer nada, ele destrancou a porta da cabine. Nem dez segundos depois, a porta da frente já estava se fechando.

Deixei meu corpo escorregar pela parede. Minhas pálpebras pesaram, mas eu não podia dormir aqui. Meu corpo inteiro doía de tanta tensão, mas forcei-me a me levantar e colocar a calça jeans, ignorando o quão suja eu estava. Calcei os tênis e me aprecei na tarefa quando ouvi a porta do banheiro sendo aberta.

–... Eu disse que ela tinha que conversar com ele. Acho que eles já devem ter se entendido – era a voz de Alice. E, com ela, deveria ser Rosalie. A porta da cabine estava aberta e, quando Rosalie olhou pelo espelho, me viu.

– Meu Deus! – ela exclamou, baixando o olhar para minha calça jeans clara, agora parcialmente manchada de vermelho.

– Bella?! O que aconteceu?! – Alice correu em minha direção. Eu voltei a me sentar no chão, não conseguindo mais ficar em pé. – Rosalie, chame o Emmett e o Jasper... Oh! Precisamos te levar a um hospital...

– Não – murmurei, interrompendo-a.

– Claro que sim, nós vamos.

Eu não tinha como protestar. Não demorei a ver Emmett entrando afobado no banheiro feminino. Quando seu olhar parou em mim, ele abriu a boca em choque e me pegou no colo. Eu estava beirando a inconsciência quando ouvi Alice falando ao telefone, aparentemente ligando para minha casa.

Antes de fechar os olhos, pude ver Rosalie e Jasper me analisando enquanto Emm me carregava pelos cantos dos corredores vazios, sem que ninguém visse. Pelo jeito, eles pareciam ter uma ideia do que tinha acontecido. Mas não era algo difícil de imaginar.

Flashback off.

Nós não falamos nada por longos minutos. Os únicos sons no quarto vinham dos meus soluços, que pareciam intermináveis. Edward respeitava o meu silêncio. Logo depois que saí do hospital, eu havia contado a história para os meus amigos, Mary, Renée e Charlie. Após isso, nunca mais voltei a falar no assunto. Eu não sabia que choraria; eu achei que só sofria quando pensava no que havia acontecido.

Mas eu estava enganada, porque talvez eu fosse marcada para sempre. Conversar sobre isso, como estava acontecendo agora, não aliviava nem um pouco. Nem pensar ou tentar entender.

Então, o que poderia fazer com que eu esquecesse?

– Foi nesse dia que você ficou grávida? – sua voz era fraca e hesitante.

– Foi.

Mais alguns minutos.

Percebi Edward abrir a boca diversas vezes até voltar seu olhar para mim.

– Noah...? – bastou ele falar o nome que entendi o que queria dizer. Dei uma risada seca, sem realmente achar graça alguma.

– Claro que não. Noah é muito mais velha. Era para que meu filho estivesse completando três anos nesse ano.

– Era? O que aconteceu com ele? Onde ele está?

– Morto – murmurei, com o olhar perdido em algum lugar da parede. Minha voz continha mágoa, tristeza, sofrimento... Mas principalmente ódio.

Flashback on.

Rosalie colocou mais uma vez a mão em minha barriga, sorrindo como uma boba. Era um sorriso bobo, mas eu tinha certeza que o meu estava três vezes mais.

– Você já escolheu o nome? – Alice perguntou do meu outro lado, colocando os dedos dentro dos sapatinhos brancos de crochê e andando com eles sobre minha barriga.

Eu me sentia eufórica; meu bebê – que eu descobrira ser um menino – estava agora com sete meses e eu não via a hora de tê-lo em meus braços, embora temesse o que Renée poderia fazer com ele.

Eu evitava passar muito tempo em casa. Durante o dia, costumava ficar na casa de Alice ou Rosalie, aproveitando que os pais delas não estavam em casa, porque ninguém sabia, exceto meus amigos – é claro –, Renée, Charlie, Mary e, inevitavelmente, Noah. Ela não entendia muito o que uma gravidez significava, muito menos como o bebê fora parar na minha barriga. Foi com muita sorte que ela não perguntou isso, porque eu não saberia o que responder.

Mas de noite eu tinha que voltar e ficava horas trancada em meu quarto, com Mary me levando o jantar. Eu também não estava mais indo para a escola. Charlie contratara um professor particular e pagara muito bem a ele para que não contasse sobre a minha gravidez.

Eu saía de casa apenas para ir ao médico. A mídia, até hoje, não sabia da minha gravidez e nem do estupro. Riley havia sumido tão rápido como apareceu, sem ao menos saber que seria pai.

– Ainda não – respondi à pergunta de Alice –, mas estou pensando em Philip.

– É uma homenagem ao seu pai? – Rosalie perguntou, sem nunca deixar de acariciar minha barriga. Para ela era legal; para mim não. Toda vez que elas começavam a falar alto ou a passar a mão em mim, o bebê chutava.

Respirei fundo após um novo chute. Ele estava a cada dia mais forte.

– É... Mais ou menos. Ele não se chamava Philip, mas o apelido do meu filho será Phil, então... É, sim, como uma homenagem.

– E é claro que você já escolheu a madrinha – Alice disse, me olhando empolgada.

– Sim – Rosalie respondeu por mim. – E adivinha quem será? Rosalie Hale!

Eu ri.

– Quanta pretensão, Rosalie – Alice resmungou, levantando-se do gramado do quintal de sua casa e andando de um lado para o outro. – É claro que eu serei a madrinha do Phil! Sou a melhor amiga da Bella desde... Sempre.

– Eu também sou a melhor amiga dela desde sempre! – Rosalie argumentou. – E ela irá preferir a mim, porque você iria engasgar o bebê com tantas roupas e coisas fofas.

– Ora, sua loira...

– Ei, chega! – interrompi Alice. Ela suspirou e cruzou os braços. – Nenhuma das duas será madrinha do meu filho.

– E que será? Mary? – Rose debochou.

– É claro! – eu sorri orgulhosa de minha escolha. Nada mais justo que minha babá, a que cuidara tantas vezes de mim, fosse a madrinha do meu bebê.

Elas bufaram e me olharam, indignadas. Eu apenas ri e dei de ombros.

Quando a noite estava chegando, eu precisei ir para casa, como sempre. Coloquei óculos escuros e caminhei até minha casa que, por sorte, não era longe. Eu me sentia como uma criminosa; ninguém parecia me reconhecer, mas eu sabia que se Charlie descobrisse que eu andava grávida pelas ruas, iria ficar uma fera.

Eu disse para Mary que não estava com fome e subi direto para o quarto. Usei o tempo que tinha até dormir para tomar um banho bem quente. Coloquei uma camisola enorme – assim como minha barriga – e estava me preparando para dormir quando Renée entrou no quarto carregando seu notebook junto.

– O QUE É ISSO?! – ela gritou, jogando o aparelho em cima da minha cama. – Você faz ideia de como está arruinando a família? O que diriam de mim?

Olhei para a tela e percebi sobre o que ela falava: era uma foto minha de hoje mais cedo. Tudo bem que era uma foto muito mal tirada e desfocada, mas se via claramente que era eu. Claro que uma pessoa que me visse apenas por jornais e televisão não me reconheceria, até por causa da distância da foto. Mas Renée havia reconhecido e estava furiosa.

– Faz ideia de como mancharia minha imagem? O que diriam de uma mãe que deixa a filha engravidar aos 14 anos? – Renée me segurou pelo braço, mantendo seu aperto extremamente forte.

Eu nunca fui santinha. Costumava desobedecer Renée, contrariá-la, provocá-la e tudo o que tinha direto para que ela ficasse brava comigo. Por mais que eu apanhasse, eu era atentada e adorava vê-la irritada. Então, como era de se esperar, eu ri de sua cara.

– Imagem? Que imagem? A de uma simples esposa de Charlie Swan? – perguntei com escárnio, balançando os ombros para que ela me soltasse. Ela me soltou, mas vi o ódio brilhar em seus olhos.

– Eu deveria ter te enterrado junto com seu pai – ela murmurou. – Aquele idiota... VOCÊ NÃO DEVERIA TER NASCIDO! E esse filho também não irá nascer!

Meu sangue ferveu. Por quatro anos, desde que vim morar com Renée, eu aceitava todos os seu xingamentos, desde que fossem exclusivamente para mim.

– VOCÊ NÃO PODE FALAR DO MEU PAI E MEU FILHO ASSIM! – empurrei-a pelos ombros. Nós nunca havíamos tido uma discussão com tanto ódio. – Você não é melhor que eles e nunca será.

Renée balançou a cabeça, sorrindo de forma cínica.

– Tenho pena de você, Isabella – ela cuspiu as palavras em meu rosto, se aproximando de mim, apesar de minha barriga não a deixar colar seu corpo no meu e voltar a segurar meu braço. – Você não conheceu seu pai o suficiente para saber como ele era aproveitador... Você já deve ter ouvido que os primeiros anos de um casamento são os piores. Logo depois que casei com Charlie, nós passamos a brigar. Seu pai e eu ficamos juntos por fraqueza minha. Quando que eu, Renée Swan, gostaria de um cara como Phil?

Ela passou a andar de um lado para o outro em minha frente, fazendo um barulho terrivelmente irritante com seus saltos.

– Não fale assim dele – rosnei.

– É claro que falo! E você se tornará uma fracassada como ele! – Renée me fuzilou com um olhar duro. Com passos rápidos, ela se aproximou de mim. Eu só tive tempo para sentir a ardência do tapa acertado em minha bochecha. – E não se esqueça que sou sua mãe e você me deve respeito; afinal, eu tive a bondade de te carregar por nove meses, engordar só por sua causa...

– POR QUE NÃO FEZ ABORTO? – gritei.

As lágrimas – que eu tinha certeza que não eram por causa dos hormônios instáveis de uma grávida, e sim pelo sentimento de rejeição – passaram a escorrer copiosamente por meu rosto.

Ela ficou em silêncio. Os pensamentos de que eu era rejeitada por minha própria mãe me corroíam por dentro. Eu nunca tivera alguém que me contasse histórias na hora de dormir ou penteasse meu cabelo e fizesse algum penteado bonito. Ninguém nunca me levou a uma loja de brinquedos e me ajudou a escolher uma boneca. Ou simplesmente me abraçou e me confortou após um sonho. Mary ajudava a cuidar de mim, mas ela jamais seria minha mãe. Eu, na verdade, não tinha uma mãe. Tinha apenas alguém que me formara em seu útero e me trouxesse ao mundo; não mais do que isso.

– Me arrependi de não ter feito – ela sussurrou com a voz cortante. Fechei os olhos ao sentir suas mãos segurando meus braços.

– Por que me odeia tanto? Há tantas mulheres que dariam tudo para ter um filho... – eu comecei, mas fui obrigada a interromper a frase quando recebi um tapa mais forte.

Me encostei na parede, com medo do que ela poderia fazer não só comigo, mas com o meu filho.

– Cale a boca – ela grunhiu, apertando minhas bochechas entre seus dedos. Sua unha cortava minha pele, provocando uma ardência estranha, mas suportável. – Você estragou tudo. Quase perdi Charlie por sua culpa.

– Foi minha culpa você ter traído ele? – provoquei.

Encarei o ódio e a frieza no olhar de Renée. Ela parecia possessa. Sua mão se fechou em punho perto da raiz do meu cabelo puxando com força, fazendo com que eu virasse a cabeça e gemesse de dor.

– Sua vadia... – ela sussurrou em meu ouvido. Sua mão que ainda estava presa em meu cabelo foi para trás, puxando-me junto para, em seguida, empurrar-me para frente.

Eu gritei ao sentir a dor forte em minha cabeça quando cai e bati a testa na cama. Renée me fez levantar, ainda apertando meu braço com força.

– Você vai pagar por tudo que fez até hoje – ameaçou. Instintivamente, coloquei os braços na frente da barriga.

Não, meu bebê, não!

Suas mãos empurraram meus ombros em um ato rápido demais para que eu me defendesse. Minhas costas bateram no criado-mudo ao lado da cama, derrubando as coisas que estavam em cima. Ao tentar me segurar, o vidro do abajur cortou minha mão.

O bebê estava agitado em minha barriga, chutando forte. Encolhi-me no chão, tanto por medo como pela dor dos chutes.

– Me deixe em paz – pedi em voz baixa.

– Paz? Como você quer que eu te deixe em paz se nem eu mesma a tenho? Tem ideia de quantas vezes Charlie e eu brigamos depois que você nasceu? Você estragou tudo!

Mais uma vez senti a dor em minha cabeça quando ela puxou meu cabelo e me jogou contra o chão.

Foi quase um reflexo ficar em posição fetal quando Renée, com um chute, acertou minha barriga.

A dor era horrível, lancinante. O bebê parecia assustado e passou a se mexer com mais força. Eu, com toda a certeza, poderia dizer que ele não estava apenas chutando, mas se debatendo como se sofresse.

Era agonizante; não só por sentir a dor, mas por saber que meu filho sofria, sendo que deveria estar tranquilo e dormindo.

Naquele momento, eu soube que daria minha própria vida para salvar meu filho. Eu daria tudo para vê-lo vivo e saudável.

Em meio a chutes e tapas, eu o imaginava brincando na minha cama, com o cabelo loiro e olhos castanhos. Na minha mente, ele era perfeito.

Percebi que o amava desde o primeiro momento, desde que descobri estar grávida de dois meses. Eu apenas não sabia. Minha gravidez foi complicada; por ser praticamente uma criança, eu ainda não tinha capacidade suficiente para ter uma gestação normal. Todos os cuidados tinham que ser dobrados, porque meu útero não era corretamente desenvolvido para abrigar um bebê ainda.

No começo eu ficara, sim, revoltada. Cheguei a precisar frequentar psicólogos, não só pela aceitação do bebê, mas pelo trauma de um estupro e as consequências de entrar em depressão ao gerar uma vida.

Mesmo sabendo eu perderia minha adolescência – e talvez a vida – com apenas 14 anos, eu não me importava. Ao contrário: me fascinava saber que eu era capaz de criar outro ser.

Foi com outro chute – dessa vez mais forte – que eu quase perdi a consciência.

– Você arruinou toda a minha vida – Renée se abaixou ao meu lado. Seus dedos se prenderam em meu pescoço, tirando todo o meu ar. Engasguei, tentando buscar, de alguma forma, oxigênio. Seu aperto só parecia intensificar. – E agora irei arruinar a sua. Você jamais terá paz, Isabella.

Ela mal terminou sua frase e desferiu um soco em minha barriga. Na mesma hora, senti um líquido molhando minhas pernas. Eu sabia o que era e sentiria o cheiro, se ao menos conseguisse puxar o ar para meus pulmões.

Subitamente, Renée se levantou e deu outro chute em mim.

– VADIA! – Ela gritou tão alto que eu não duvidava que pudesse ser ouvida a quilômetros de distância.

Eu respirava fortemente, engasgando em meio a soluços. Eu não sentia mais dores, a não ser aquelas provocadas por Renée.

Então, meu coração pareceu perder algumas batidas quando me dei conta que o bebê não se mexia. Nem mais um chute. Nada.

Minha mente entrou em pânico. Eu me sentia inválida, que não pudera proteger o filho dentro de si mesma. Se eu não conseguira isso, então como cuidaria de uma criança? Eu me sentia altamente culpada. Meu interior parecia ruir enquanto eu pensava na pior das possibilidades.

– Chega, Renée – ouvi a voz de Charlie, mas parecia tão distante... – Você irá matá-la assim.

Girei os olhos para vê-la saindo do quarto, sendo arrastada por dois homens de Charlie. Em seguida, ele se virou para mim ao mesmo tempo em que Mary soltava uma exclamação ao me ver.

– Deus! Ela... Ela... Não... Ela perdeu o bebê – sussurrou.

Eu sabia disso, mas ouvi-la dizendo em alto e bom som – mesmo sussurrando, eu pude ouvir – doeu muito mais. Eu não sentia nada; não sentia dor ou qualquer outro sentimento. Eu continuava consciente, mesmo não parecendo. Minha mente estava em outro lugar... Parecia outra dimensão.

Charlie se abaixou perto do meu rosto, me erguendo pelos ombros.

– Por que minha mãe me odeia tanto? – sussurrei com a voz fraca.

Ele ficou quieto durante alguns segundos. Depois umedeceu os lábios e olhou em meus olhos.

– Porque eu escolhi você, não ela.

Eu não entendi suas palavras, mas não perguntei. Eu não conseguiria, uma vez que a inconsciência já me levava.

Flashback off.

– Eu não sei o que dói mais... – sussurrei, ainda com o olhar perdido. Senti o olhar de Edward sobre mim, mas não olhei para ele. – Antes de engravidar, eu achava que a dor de ser violada era a pior. Depois que perdi meu filho...

Eu não consegui terminar antes que os soluços fortes me dominassem. Edward me abraçou e me encostou em seu peito. Uma de suas mãos passava pelo meu cabelo, em uma carícia suave. No começo, eu mantive uma posição rígida. Aos poucos fui relaxando e aproveitando.

– Você ainda o ama, não é?

– É claro que amo – respondi, pensando que sua pergunta fosse retórica.

– Não estou falando de seu filho – o senti balançar a cabeça negativamente –, estou falando de Riley.

– Amo – minha voz quase não saiu, mas eu sabia que Edward havia escutado. Esperei que os soluços diminuíssem para que pudesse continuar a falar. – Quer dizer, eu não sei... Eu acho que amo. Não consigo esquecê-lo, a não ser que use drogas... Não sei em qual momento me perdi.

– Então as drogas são como uma saída? – perguntou. Afirmei com a cabeça. – Bella... Você já pensou que existem problemas maiores que os seus? Não estou te menosprezando, mas existem muitas crianças com doenças e vivem tão bem, sem recorrer às drogas...

– Está se referindo à Claire? – interrompi-o imediatamente. Não esperei uma resposta. Me desencostei de seu peito e andei pelo quarto. – Edward, você acha que eu não sei que existem problemas muito mais graves no mundo? Que crianças na África não têm comida? Que há pessoas com câncer em cada canto do país, precisando de um tratamento? Mas se eu não me preocupar com os meus problemas, quem irá? Ninguém liga pro outro. Eu aprendi isso da pior forma. Ninguém está ligando se seu namorado é um estuprador, ou se você não tem um relacionamento bom.

– Você tem razão – ele sussurrou. – Eu não sofri nem metade do que você sofreu...

Franzi o cenho.

– Não estava se referindo à Claire?

– Não.

– Então...?

Edward suspirou ruidosamente e me olhou com tristeza. Cruzei os braços na frente do peito, incomodada com seu olhar.

– Perdi meus pais quando ainda era pequeno. Eles morreram em um acidente de carro. Como eu não tinha ninguém mais na família, fui obrigado a vir para um orfanato.

Abri a boca. Eu jamais diria que Edward pudesse ser órfão. Ele sempre parecia tão extrovertido. Engoli em seco.

– Aqui é um... Orfanato? Aquela mulher não é sua mãe? E Claire...?

– É – Edward me interrompeu. Ele sorriu triste antes de continuar. – Esme é minha mãe de consideração. Ela e Carlisle trabalham aqui desde... Sempre. São professores daqui. E Claire chegou aqui pouco depois de mim, já cega. Nós descobrimos que os pais dela a maltratavam em casa. Eu sei que ela tem um irmão, porque fala dele às vezes, mas nunca disse o nome. Ela tem medo, parece...

– Meu Deus – murmurei. Senti vontade, de repente, de descobrir mais sobre Edward.

– Acho que ainda temos muito para saber um do outro – dessa vez ele sorriu mais alegre, se levantando. – Mas já é tarde. Você não está com sono?

Não, eu não estava. Mas ao olhar para o relógio despertador de Edward, percebi que passamos várias horas dentro do quarto. Analisei mais uma vez o ambiente.

– Preciso voltar pra casa – falei, recolhendo as roupas que usava antes.

– Não acho que seja seguro. Por que não fica aqui? Riley pode ter nos seguido...

– Acha mesmo que ele conseguiria? – revirei os olhos. – Aonde aprendeu a lutar daquele jeito? Você nem tem músculos...

Ele sorriu. Pude perceber a malícia em seu sorriso, por menor que fosse.

– Você quer ver? – perguntou. Prendi a respiração e corei levemente. – Você está corando!

– Que merda, Cullen – grunhi ao bater em seu ombro, mas deixando a mão por mais tempo que o necessário. – Cale a boca.

O sorriso de Edward foi diminuindo aos poucos, dando lugar a uma expressão... Oh, Deus, sexy. Seus lábios eram tão vermelhos e convidativos...

Nós nos aproximamos devagar, mesmo quando eu queria colar nossos corpos até que não houvesse ar entre eles. Sua boca, agora tão próxima, parecia um imã. Entreabri os lábios, esperando pelo contato... Edward fechou os olhos e eu fiz o mesmo. Sua mão segurou minha cintura com força, enquanto a outra se direcionava para minha nuca.

Arfei, mas não porque finalmente tínhamos iniciado um beijo, mas sim pelo susto quando ouvi o rangido da porta ecoando no quarto silencioso. Eu praguejei baixinho, praticamente indo até o outro lado do quarto. Notei Edward passar as mãos no cabelo, ofegando.

Sorri de leve.

– Atrapalho? – Esme entrou sorrindo inocentemente. Pela sua expressão, percebi que ela não devia ter visto a cena de segundos atrás. – Isabella...

– Bella – corrigi.

– Oh, sim, Bella, trouxe outra colcha e um travesseiro pra você. Está chovendo forte lá fora. É melhor dormir aqui e esperar a chuva passar. Seus pais não vão se importar, não é? – ela jogou a colcha na cama.

– É melhor eu ir... Não quero dar trabalho e...

– Imagine! – me interrompeu, ainda sorrindo amplamente. – E não aceito ‘não’ como resposta! – então, ela saiu do quarto, com a mesma rapidez que entrou.

Arqueei as sobrancelhas.

– Ela parece bem receptiva – comentei. Edward encolheu os ombros, olhando estranhamente para mim.

– Ahn... Sinta-se a vontade – murmurou, indo para o guarda roupa velho e procurando algo dentro dele. – Vou tomar um banho.

Mordi o lábio inferior ao vê-lo sair do quarto como um bichinho assustado. Olhei para a cama de solteiro, tão pequena...

Esme deveria estar trazendo um colchão, certo? É, certo. Ou então se enganara e me colocaria em outro quarto... Mas ela não voltou. Continuei ali, pensando se era certo ou não. Edward parecia ter se sentindo incomodado, mas não falara nada, então...

Que se foda, pensei ao me deitar na cama e aspirar o cheiro dele. Tão agradável... A cama não era confortável, a colcha não era quente o suficiente e o travesseiro era fino demais, mas, por incrível que pareça, eu me senti bem ali. Como se pedisse por algo assim, como se aquela cama estivesse me acolhendo.

Sorri fracamente e fechei os olhos, sentindo-os arder pelo choro de mais cedo. Pensei em tudo o que havia mudado entre mim e Edward hoje. Se bem que nossa relação mudava todo dia, então qual seria o próximo passo?

Demorou algum tempo até que Edward voltasse. Continuei de olhos fechados, esperando que ele se deitasse na cama. Quando ele o fez, pude senti-lo com o olhar grudado em mim.

Fingi que estava dormindo.

Senti sua respiração quente bater em meu rosto e seu corpo cada vez mais próximo do meu. Eu não estava preparada para o que viria a seguir.

Demoradamente, Edward encostou seus lábios nos meus. Talvez quinze segundos até que ele prendesse meu lábio inferior entre seus dentes. Me controlei para não gemer, porque ele achava que eu estava dormindo. Entretanto, foi mais difícil ainda me controlar quando ele passou sua língua em meus lábios. Mais um selinho e Edward se afastou.

Precisei segurar fortemente o lençol abaixo de mim para que não levasse minhas mãos até seu cabelo e puxasse-o em direção a minha boca, para terminar o que começou. A aproximação entre nós ficou cada vez maior. Abri um olho apenas para vê-lo quase caindo da cama.

– Não precisa dormir no chão, Edward. Eu não mordo.

Ver sua expressão de surpresa foi espetacular. Mesmo no escuro, percebi pela luz da lua que suas bochechas adquiriram altos tons de vermelho.

Ri baixinho, voltando a fechar os olhos. Edward se aproximou de mim, mas não me encostava. Ele só não imaginava o quanto eu queria seus braços me prendendo contra seu corpo.

[...]

Eu acordei e olhei no relógio: seis da manhã. Tentei me espreguiçar, mas havia algo me prendendo contra o colchão. Olhei para o lado e vi a expressão serena de Edward, parecendo um garotinho. Seu braço estava envolta da minha cintura, mantendo nossos corpos juntos.

Sorri ao me desfazer de seu abraço com cuidado para não acordá-lo. Aproveitei que ele parecia estar em um sono pesado para trocar de roupas, mesmo com nojo. As roupas que eu usava no dia anterior tinham o cheiro de Riley, e não o de Edward.

Eu era bipolar, só pode. Uma hora sentia nojo, na outra sentia amor.

Dobrei o moletom e o deixei em cima da cama. Ao sair do quarto, percebi uma movimentação no quarto da frente e deduzi que havia gente acordada já. Desci as escadas o mais rápido que pude e sem fazer barulho.

Estava tudo silencioso e escuro. Com a ajuda do celular, consegui achar a chave da saída na mesinha de centro na sala.

Saí pelo portão da frente e joguei a chave no extenso gramado. Ao olhar para o alto da casa, vi Edward me olhando com a cara toda amassada pelo vidro da janela de seu quarto. Sorri para ele e entrei no carro.

Ainda estava cedo para uma movimentação na rua. Eu sentia um arrepio percorrer meu corpo toda vez que parava em uma esquina, esperando que a qualquer momento Riley fosse aparecer.

Foi um alívio chegar à porta do meu apartamento. Girei a chave, querendo tirar aquela roupa e tomar um banho quente.

A caminho da sala, pude sentir o perfume diferente e bastante familiar para mim. Franzi o cenho e levantei os olhos para o sofá.

Prendi a respiração.

Quando eu iria imaginar que ele viria me fazer uma visita?

Notas finais
Espero ter escrito bem esse capítulo. Foi meio tenso... Eu nunca escrevi algo assim, então espero as críticas construtivas de vocês.
Tem gente demais adicionando a história nos favoritos e não comentando u.u Isso me chateia, poxa.
Quem betou o capítulo foi a fofa da Nandah_Lautner, porque a Cah está viajando.
Agora, não posso deixar de agradecer a Bells_dkb, Andressa Amaro, rosy e cah_dalmuth. Adorei as recomendações, girls *u* Vocês me fizeram chorar! E claro, a todas que mandaram reviews maravilhosos! Ei, leitoras fantasmas, sigam esse exemplo, viu?!
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É isso, girls.
Beijos e até o próximo :*