Notas iniciais
Olá. Gostaria de recomendar outra fic, para quem curte Frerard. A fic é nova e acredito que tenha poucos leitores. Ela é muito emocionante e fofa, vale a pena conferir. Aqui o link https://www.fanfiction.com.br/historia/238727/Like_Phantoms_Forever._-_Frerard. Obrigada.

Era sexta-feira. No dia seguinte, estaríamos em primeiro de janeiro de 2007. Já tínhamos tudo planejado: ficaríamos na casa de Brendon.

Cheguei lá à tarde e encontrei Grace, na cozinha, preparando tudo.

- Você quer ajuda?

- Você sabe cozinhar?

- Sei – Sorri – Minha mãe que me ensinou.

Grace me olhou com tristeza.

- Eu não preciso de ajuda, querido. Brendon está lá em cima

- Eu não vim para ver ele.

- Então veio para que?

- Para fugir um pouco das pessoas. Eu preciso de uns dias longe daqui. Acho que vou para Seattle por um tempo, eu tenho amigos por lá.

- Bem, se é o que você quer, vá em frente.

- Obrigado, senhora Urie

- Ryan? Não sabia que estava aqui – Brendon apareceu, descendo os degraus da escada.

Olhei para Grace e não falei nada. Brendon se aproximou para me beijar, mas eu virei o rosto. Ele ficou com cara de interrogação e olhou para sua mãe.

- Eu preciso ir, tchau.

Me dirigi à porta. Abri-a, saí e fechei-a, sem olhar para trás.

Grace não sabia que eu já havia providenciado a passagem e partiria no mesmo dia.

Tudo estava pronto. Eu partiria em uma hora. Peguei um táxi até o aeroporto e demorou cerca de trinta minutos para chegar lá. Sentei em um banco e fiquei pensando em tudo que aconteceu durante o ano de 2006.

Não havia sido um ano bom para mim. O pior, na verdade. Todas as tragédias possíveis haviam acontecido. E justo na minha vida, com a minha família. Eu só esperava que 2007 pudesse me recompensar com muita felicidade e coisas boas.

Meu voo foi anunciado, e então corri. Entreguei a passagem para a moça e me dirigi ao avião.

Chegando em Seattle, algumas horas depois, peguei minhas malas e chamei um táxi. Era de noite, então as ruas estavam cheias, apesar de uma chuva forte estar caindo. Decidi não ir na casa de Brad ainda, pois deduzi que ele devia ter saído para comemorar o ano novo.

Saí do táxi com as minhas malas. Vi uma multidão gritando e conversando. Finalmente, encontrei uma rua sem ninguém. Larguei minhas malas em um canto e me sentei na calçada, chorando muito.

Eu estava sozinho. Não tinha ninguém. Eu sabia que tinha amigos, mas ainda assim, me sentia isolado. Uma das piores sensações que eu já experimentei.

Enquanto a chuva caía sobre mim e me deixava coberto de água, eu me afundava cada vez mais em lágrimas e pensamentos. Me deitei no chão, gelado como neve. Um tempo depois, me levantei e deitei em um banco, em frente a uma cafeteria. No banco, não pegava chuva. Eu tremia bastante por conta do frio. E adormeci. Aquele havia sido meu ano novo.

No dia seguinte, acordei com o barulho da chuva. O céu estava bem escuro para dez da manhã. Me deparei com um senhor, murmurando algo sobre eu voltar para casa. Em poucos minutos, ele sumiu. Eu estava solitário novamente.

Eu ainda estava deitado quando escutei passos de alguém que parecia estar com os sapatos cobertos de água, correndo para encontrar algo.

- Ryan! O que você está fazendo aí?

- Brad?

- O que você está fazendo nessa chuva? Vem, vamos – Brad me puxou para eu levantar do banco. Pegou seu casaco e pôs sobre meus ombros, me abraçando de lado, para tentar me aquecer.

Não falamos nada durante o caminho. Só se ouvia o barulho da chuva forte e dos meus dentes, batendo um contra o outro.

- Chegamos. Está faltando luz, em toda a cidade aliás. A maior tempestade de Seattle nos últimos cinco anos e você dormindo num banco. Por que não me procurou?

- Você havia saído para o ano novo.

- Ano novo? Eu raramente saio para comemorá-lo. Eu fiquei em casa a noite toda.

- Eu não sabia...

- Podia parar de tirar conclusões sobre o que eu faço e fazer a coisa certa.

- Eu...

- Imagina se você pega uma doença grave? Imagina se você se machuca? As ruas estão repletas de bêbados no ano novo. Você podia ter morrido, Ross.

- Brad, dá pra...

- Não, Ryan. Nunca mais faça isso.

- Eu só não tinha para onde ir, Brad – Abaixei a cabeça

- Desculpa, Ryan. Desculpa, eu... – Brad passava a mão por seu cabelo, parecendo arrependido – Como você está?

- Bem – Menti

- E o que te fez vir para cá?

- Eu não sei – Sorri triste – Acho que eu precisava sair um pouco da rotina de Los Angeles, sabe? Eu não estava me sentindo bem lá.

- Entendo.

- E você, como está?

- Bem.

- E a Z?

- Está bem, também. A propósito, feliz ano novo.

- Igualmente

- Você está todo molhado. Eu vou acender uma vela e trago uma roupa para você.

Roupas. Eu havia me esquecido completamente das minhas. Eu havia as deixado no local onde eu passara a noite. A essa altura, deviam estar todas ensopadas.

Brad caminhou até a cozinha, que ficava junta da sala.

- Quando a luz voltar, o que eu acho que vai demorar um tempo, você vai tomar banho e eu vou preparar um chá. Você está gripado, sem dúvidas. Eu já volto com as roupas.

Brad foi até seu quarto, e alguns minutos depois, voltou, segurando uma calça, uma camiseta e um cobertor.

- Pronto, pode se vestir.

Fiquei olhando para Brad, como um sinal para que ele se virasse para eu poder me trocar.

- Ah, claro, me desculpe – Ele disse, quando percebeu o que eu queria que ele fizesse.

Coloquei as roupas secas que Brad havia me levado.

- Pode se virar.

- Ok

- Onde eu deixo essas roupas molhadas?

- Pode me alcançá-las, eu vou colocar na máquina para lavar depois.

- Está bem.

- Pode se deitar no sofá e se tapar, dormir um pouco, talvez. Eu já volto

- Ok, obrigado.

Eu apenas me deitei e me cobri, pois não estava com sono. Brad foi até a área onde ficava sua máquina de lavar roupas, que não ficava longe da sala, então ficamos conversando enquanto ele lavava as roupas.

- Eu posso lavar, Brad. É o mínimo que eu posso fazer já que você deixou eu ficar aqui.

- Não, está tudo bem. Você sabe que é bem-vindo, mesmo não avisando que vai vir.

Resolvi não insistir, pois sabia que Brad não deixaria eu fazer nada. Aliás, eu sabia que ele gostava de cuidar do apartamento. Ele sempre gostou.

- Há quanto tempo você está sem luz por aqui?

- Desde ontem à tarde. Não só eu, mas a cidade inteira. Eu não me lembro da última vez que Seattle ficou tanto tempo sem luz.

- E mesmo assim você quis ficar em casa?

- É. Eu quis ficar em casa sozinho. A Z até me convidou para ir na casa dela e passar o ano novo com ela e o Harry, mas eu preferi ficar sozinho.

- Então a coisa está séria entre ela e o Harry?

- Está. Isso é muito bom para ela. Acho que nunca vi a Z tão feliz quanto agora.

- Maravilhoso. Espero que ela seja muito feliz

- Não tenha dúvidas quanto a isso. Ei, eu comprei bagels, estão ali no armário se você quiser.

Me levantei e fui até o armário. Peguei o pacote de bagels e voltei a me deitar.

Seattle me faria bem. Eu adorava aquele lugar. E eu sempre gostei de ficar com o Brad, ele possuía um jeito acolhedor. Eu me sentia confortável ficando no apartamento dele, na companhia de um amigo como ele. Eu com certeza voltaria recuperado para Los Angeles.

- Hoje seria um ótimo dia para se deitar no sofá, se cobrir e ler um bom livro – Brad disse – Eu tenho feito isso bastante, ultimamente. Eu comprei vários livros em uma feira. Alguns eu também troquei. Acho que a feira ainda está aqui, nós podemos dar uma bisbilhotada nela algum dia desses se você quiser.

- Claro.

Brad sempre gostou de ler livros. Para ele, era um paraíso se sentar e ler. Ele fazia isso por horas e horas. Se ele pudesse, faria isso por um dia inteiro.

Ele gostava muito de falar com as pessoas sobre o que lia. Era como se ele estivesse contando alguma aventura que já fez, algum lugar para o qual ele viajou. De fato, Brad se sentia dentro do livro, interagindo com as personagens.

Em seu apartamento, era raro não encontrar livros de todos os gêneros espalhados pelo chão, mesa ou sofá. Brad tinha quase uma biblioteca dentro de casa.

Se ele pudesse, viveria de livros.

- Terminei – Ele disse, voltando para a sala e se sentando em uma cadeira, ao lado do sofá no qual eu estava deitado.

- Legal.

- Você gosta mesmo dos bagels, não? – Brad sorriu

- É. Você quer um? – Estendi o pacote até ele

- Não, obrigado. Pode ficar com eles, eu sei que são difíceis de encontrar em Los Angeles.

Voltei a me deitar e Brad encostou sua cabeça na cadeira.

- Está cansado?

- Não. Mas você pode descansar se quiser. Pode deitar na minha cama

- Não, obrigado. Eu também não estou cansado.

- Mas devia estar. Não faço ideia de como você conseguiu dormir com aquela chuva toda.

- Nem eu.

- Tem certeza de que está tudo bem?

- Tenho — Sorri

Mas dessa vez, eu não estava mentindo. Em poucos minutos ao lado de Brad, eu já estava bem.

Notas finais
Reviews? Obrigada.