It Was Panic! At The Disco
12 Capítulo 12
Notas iniciais
— Peguei você
- Eu disse, ainda segurando o braço de Ryan
- Me larga, Brendon
- Para você fugir de novo? Nem pensar.
- Eu não vou fugir
- Melhor não arriscar. Vamos
- Eu já falei que não quero ir. Qual parte você não entendeu?
Ryan estava sendo um pouco grosso comigo. Estávamos namorando, e ele não demostrava nem um pouco de carinho por mim. Eu teria que respeitar o tempo dele, pois estava apenas chateado com o ocorrido.
- Pare de fazer birra e vamos logo, Ryan
Eu não devia ter dito aquilo. Eu perdi a paciência. Eu devia ter sido pacencioso com Ryan. Não pensei duas vezes ao falar, e aquilo poderia fazer ele ficar mais distante de mim do que já estava.
— Parem vocês de insistir para que eu vá
- Ele chorava
- Me deixem em paz, eu já pedi — Ryan soltou-se e continuou caminhando
- Volta aqui, Ryan, você vai pegar um resfriado
- Resfriado? — Ele riu, irônico — Você acha que eu me importo com resfriado?
- Eu me importo
- Dane-se
- Ryan, pare com isso, volte aqui
- Não. E não venham atrás de mim, não me obriguem a ser chato
Ele realmente pensava que não seguiríamos ele, que o deixaríamos caminhando sozinho pela escuridão, pela chuva violenta? Esperamos ele se afastar um pouco, para pensar que não iríamos mais persegui-lo.
Passados uns cinco minutos, decidimos que já era uma boa hora para ir atrás dele. Spencer e eu caminhamos tentando ser cautelosos, o que era difícil, já que o chão estava inundado. A chuva tomava conta da rua. Fomos com calma. Não sabíamos para onde Ryan estava indo, apenas o seguimos.
Após Ryan dobrar à direita, Spencer e eu caminhamos mais rápido. Conseguimos alcançá-lo e chamamos por seu nome. Ele virou-se e correu mais rápido. Conseguimos alncançá-lo novamente. Segurei ele por sua cintura, então ele se virou, e sua expressão era de raiva.
- Qual é o problema de vocês? — Ele gritava e chorava cada vez mais — Eu já falei que não era para vocês me seguirem!
- Não adianta, Ryan. Se você pensou que o deixaríamos sozinho nessa chuva e sem saber para onde você iria, que pena, você estava enganado. Agora vamos
- Eu não vou ir- Ryan, pare com isso. Nós queremos seu bem
- É. Não adianta fugir, nós não vamos parar se seguir você. Por favor, Ryan, vamos para casa — Spencer interrompeu
Ele cedeu, finalmente. Tentei abraçá-lo, mas ele se afastou. Não queria que ninguém chegasse perto dele. Eu não entendia aquela atitude. Se eu perdesse um parente, eu gostaria de alguém para me abraçar e dizer que estava tudo bem, mas com ele, isso não funcionava.
Depois de um tempo, entramos no carro. Liguei o rádio e tocava uma música animada. Comecei a cantar para ver se conseguia arrancar um sorriso do rosto triste de Ryan, mas foi em vão. Ele ficou o caminho todo em silêncio.
Chegamos na casa do Spencer após um tempo.
- Vem, Ryan, vamos subir para você tomar um banho, assim você se esquenta — Eu disse
Ele concordou com a cabeça e nós dois subimos. Eu fiquei no quarto enquanto ele tomava banho, é claro, porque da última vez que ele ficou sozinho no quarto, fugiu. Estava tranquilo, lendo um livro, deitado na cama de casal, quando escutei um barulho. Vinha do banheiro.
- Ryan? Está tudo bem? — Perguntei, batendo na porta e tentando escutar algo para me certificar de que tudo estava bem.
Sem resposta, resolvi abrir a porta. Ryan estava gemendo, caído no chão do box do banheiro.
- Ryan! Oh meu Deus, o que aconteceu?
Ele não respondeu. Ajudei-o a levantar, enrolei uma toalha em sua cintura e levei-o para o quarto. Deitei-o na cama e percebi que seus pulsos sangravam.
— Ryan! O que houve? Você está bem?
- Eu... não sei. Eu estava tomando banho normalmente, quando minha visão ficou turva e eu fiquei tonto. Quando percebi, estava no chão.
- E qual a explicação para esses pulsos sangrando?
- Eu não sei. Eu acho que tinha alguma coisa cortante no banheiro
- Venha, vamos descer
Ryan concordou com a cabeça e nós descemos. Limpamos o sangue de seus pulsos e passamos um spray cicatrizante nele.
— Eu vou preparar um chá — Spencer disse
- Não precisa- Precisa sim. Eu volto já
- O que houve, Ryan?
- Eu já disse o que houve.
- Pare de mentir. O que você fez? Tentou se matar? Nunca mais faça isso.
- Eu já disse o que houve, se você não quer acreditar o problema é seu, agora pare de me atormentar, droga!
- Me desculpe, eu não quis dizer isso
- Mas disse
- Olha, Ryan, desde que isso aconteceu você não me dá carinho. Eu preciso de você, como nós ficamos?
- Nós? — Riu, irônico, novamente — Meu pai morreu — Gritou — Você acha que eu tenho tempo para pensar em nós?
- Desculpe, desculpe, Ryan, eu..
.- Você é inacreditável, Brendon.
Ryan subiu as escadas, me deixando sozinho. Eu era um completo babaca. Como pude falar aquilo?
— Pera aí, Ryan — Eu implorei, subindo as escadas
- Não, Brendon, eu não vou esperar porra nenhuma. Eu nunca pensei que você fosse capaz de me falar uma coisa dessas — Ryan chorava de raiva e tristeza — Eu pensei que você fosse mais compreensivo, mas eu já entendi que você só pensa em você, em como eu devo te tratar. Como você acha que eu me sinto com isso? Ah, lembrei, você não tem como saber, porque você nunca na vida passou o que eu passei
- Ryan, eu..
.- Fica quieto, ta bom? Eu não quero ouvir mais nada. Sai da minha frente, Brendon
Lágrimas escorriam pelo rosto de Ryan. Eu me senti um monstro, mas também fiquei chateado com o que ele me disse. Eu teria que ter muita paciência com ele, mas depois do que eu fiz, seria difícil reconquistá-lo.
— Eu não vou te deixar sozinho, sabe por quê? Porque da última vez que você ficou sozinho, você fugiu e ficou sozinho, chorando feito um condenado. Eu não vou te deixar aqui sozinho. Eu não vou deixar você pensar no seu pai nem por um segundo
.- Passe bem, Brendon, pensando em você.
Ryan bateu a porta na minha cara. Droga, eu nunca seria capaz de falar aquilo com má intenção. Ryan estava precisando de alguém e eu só abria a boca pra falar merda para ele, para piorar a situação em que ele estava. Eu devia apoiá-lo, ser pacencioso, certo? Certo, mas não foi isso que eu fiz.
Eu havia dormido na casa de Spencer. No dia seguinte, bati na porta do quarto no qual Ryan estava dormindo. Ele não havia fugido desta vez, para minha sorte. Ele estava deitado no chão, acordado.
- Ryan! O que você está fazendo no chão gelado? Levante daí
- Você se importa?
- Sim
- Me deixe no chão, me deixe morrer
- Hey, não diga uma coisa dessas! Venha, eu te ajudo.
Ajudei Ryan a se levantar do chão
- Me desculpe, Ryan, eu não queria ter dito aquilo, saiu da minha boca de repente. Eu te amo, por favor, me perdoe
- Está perdoado — Ele disse, mas não me abraçou, nem me beijou, nem sorriu. Ele nem se aproximou de mim.
- O que você fazia no chão?
- Eu não sei
Eu sabia que ele estava mentindo, ele sabia o que estava fazendo no chão. Decidi não falar nada, fingindo que acreditei, para não ocorrerem mais brigas. Senti que Ryan não havia me perdoado totalmente. E mesmo que sim, ele continuava do mesmo jeito de antes: andava cabisbaixo, chorando escondido, não querendo ninguém por perto e xingando todos que ousassem se aproximar.
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