It Was Just A Dream. - Faberry
6 Merry Christmas part.1
Notas iniciais
Quinn abriu os olhos recebendo os primeiros raios solares, sentiu seus pés congelarem e notou algo macio agarrado ao seu corpo. A loira quase pulou quando as lembranças da noite passada a invadiram, oh meu Deus, era Rachel que estava agora com uma das pernas em cima das suas e o braço rodeando o corpo de Quinn. De repente todo o calor foi esquecido e o corpo da loira pareceu pegar fogo, e o coração a bater descompassado.
Se controla Fabray!
– Quinn? — a voz fraca preencheu o quarto. Rachel se remexeu um pouco na cama e sua mão correu diretamente para os cabelos bagunçados da loira. Ela sorriu. — Sempre gostei do seu cabelo assim. — Quinn arregalou os olhos e pigarreou desconcertada. Rachel abriu os olhos e continuou sorrindo timidamente. — Não precisa ficar com vergonha, você é como minnha melhor amiga.
O desconforto de Quinn aumentou.
– Eu não estou com vergonha, só acho você muito abusada. — brincou dando palmadas no ombro da pequena, que sorriu mais ainda e se espreguiçou. — Já está na hora de levantar, não acha? Kurt vai chegar cedo para arrumar você.
Rachel parou de se mexer e abriu a boca dramatica.
– Não mesmo! Você sabe que minha aparência não está lá as melhores, mas não vou lotar meu rosto de maquiagem porque você sabe muito bem que eu nunca abusei....
– Rachel, respira. — pediu Quinn impressionada enquanto ajudava a pequena a se levantar. — É por isso que Kurt vai ajudar você a se arrumar, mesmo eu achando desnecessario.
A pequena que tinha entrado no banheiro, voltou com os olhos cerrados:
– Está dizendo que minha aparência não tem mais jeito?
Quinn engasgou com a saliva e começou a sorrir bobamente, caminhou até Rachel e lhe apertou o nariz carinhosamente.
– Você sabe que não é isso o que eu quis dizer, Rach. — deu-lhe as costas e abriu a porta do quarto para sair, não sem antes dizer: — Você é linda com ou sem maquiagem.
Rachel sorriu e Quinn desceu até a sala dos Berry deixando a expressão se suavizar e os pequenos acontecimentos repassarem na sua cabeça. Ela dormira com Rachel. Ela dissera coisas fofas (?) para a pequena. E nem por um momento conseguia se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse Rachel. Isso era normal? Era isso que melhores amigas faziam? Porque nem de longe Santana era carinhosa assim com ela, os abraços já eram limitados, imagina dormir na mesma cama?
Não, isso não era nada normal, e Rachel parecia não se incomodar com o que estava acontecendo como se fosse a coisa mais natural do mundo. O problema é que não era. Quinn não queria se permitir pensar nas sensações que tivera com a pequena, então decidiu que era hora de pensar apenas no plano. Sim, o plano. Era véspera de natal, e ela faria Rachel se sentir feliz, como tinha que ser.
– Quinn? — uma voz grave a chamou. Quinn voltou ao mundo real se deparando com Hiram encostado no pilar da divisa entre a cozinha e a sala, ele parecia contente em vê-la ali, apesar da falta de brilho no olhar e aparência cansada. — Pensei que vocês não acordariam para o almoço.
Quinn abriu a boca. Ele sabia? Ok, isso não é bom.
– Tudo bem, você é excessão em nossa casa. — ele comentou com um sorriso travesso se aproximando de Quinn e lhe dando um breve abraço. — Rachel precisava de uma boa noite de sono, e vejo que na sua presença ela conseguiu isso, não?
A loira maneou a cabeça sem graça.
– Obrigada senhor...
– Me chame de Hiram, por favor. — ele a corrigiu voltando para a cozinha e servindo os pratos. — Onde vocês pretendem passar o natal?
– Na casa de Artie, ele convidou Santana e eu achei uma boa oportunidade para deixar Rachel mais alegre, ela precisa de divertir.
– Ah, sim. Leroy! — o homem entrou na cozinha esfregando as mãos por conta do frio. — Estava conversando com Quinn sobre nossa estrelinha.
Foi então que a loira sentiu corar. Otimo, agora ela era um peixinho fora d'agua, sendo interrogada pelos pais de Rachel. Eles não eram nem de longe má pessoas, Quinn só não gostava de compartilhar seus planos com outros além de, é claro, Santana.
– Bom dia! — a voz de Rachel ecoou pela cozinha. Os três se viraram para olhar a pequena que acabara de descer, Quinn não se lembrava de te-la visto tão...Fofa. Usava sua boina vermelha favorita, além é claro, do sobretudo. — Vocês já podem parar de me olhar, ou então eu volto para o quarto. — brincou.
Então Leroy enxugou uma lágrima e abraçou a filha.
– Você está linda, Rachel. — ele disse. A pequena olhou para Quinn com um ar de graça e se soltou do pai. — Eu sei, eu sei. A idade nos deixa emotivo, vocês ainda não viram quando Hiram assiste novelas.
– Que calunia! — exclamou Hiram. E os quatro riram. Rachel deu um abraço em Hiram e depois escorou o corpo no de Quinn que estava encostada no balcão esperando o pai terminar o almoço.
A loira sentiu novamente um desconforto e foi obrigada a ignorá-lo.
– Espero realmente que essa festa valha a pena. — Rachel comentou.
– Ainda não entendo porque vocês não ficam em casa e nós vemos um filme, poderia ser até Funny Girl. — foi a vez de Leroy caçoar
– Dessa maneira ela fica. — disse Quinn recebendo um cutucão no estômago. — Hey, é brincadeira. — retrucou devolvendo outro cutucão na pequena.
E elas iniciaram uma pequena guerra na tentativa de fazer cócegas uma na outra, guerra que terminou quando Quinn deu de encontro com o sofá e as duas tombaram nele gargalhando como crianças.
– Vocês vão destruir minha sala! — brincou Hiram abraçando o marido enquanto observavam a brincadeira das duas. — Até parecem irmãs.
As duas se entreolharam ainda no sofá e Rachel deu um tapa de leve na cabeça de Quinn, depois ajudou-a a se levantar.
– Eu não acho que sejam irmãs. — afirmou Leroy olhando para o marido com malicia. Eles sorriram um para o outro e Quinn ficou tentando entender o motivo daquela frase. — Vamos, o almoço está pronto.
Os quatro almoçaram na perfeita paz. Nada do que a loira imaginava, como perguntas e frases indiscretas ocorreu, na verdade ela e Leroy iniciaram uma gostosa conversa sobre fotogria. Sim, Quinn era apaixonada por fotos e camêras, sempre foi sua paixão, só não seguiu carreira porque o marcado não estava lá essas coisas e seus pais recusariam pagar. Depois do almoço, Leroy levou Quinn para ver sua coleção de câmeras que estava guardada no quarto. Rachel e Hiram ficaram para arrumar a cozinha.
– Ela me parece uma boa moça. — comentou Hiram enquanto guardava os ultimos pratos no ármario. Rachel estava sentada na mesa limpando a xicara que ganhara de sua mãe uma vez.
– Ela é. — respondeu deixando o copo na mesa e suspirou. — Quinn está mudada e eu não vou ter tempo para apreciar isso.
Hiram fechou o ármario controlando as lágrimas e sentou na mesa com a filha.
– Você sabe que pode prolongar isso...
– Não pai, eu não quero. — disse incisiva apertando as mãos. — Eu passei anos da minha vida imaginando como seria estar na Broadway, ter meus próprios fãs e ganhar prêmios. Eu passava cada dia desejando estar em NYADA e tornar meu sonho real... — tomou folêgo e deixou as lágrimas escaparem. — Agora eu me sinto um pássaro com as asas cortadas, e se eu fizer esses tratamentos, se eu voltar para NYADA, vou me sentir como...Como um pássaro que pode ter a sensação de voar, para depois ter suas asas cortadas, o que tornaria pior e mais doloroso.
Hiram se levantou no mesmo instante e puxou Rachel para seus braços. A pequena soluçava em seu peito e ele se sentiu impotente, sem poder fazer nada para tirar a dor de sua estrelinha.
– Você vai ter os melhores dois meses da sua vida, meu amor. — ele prometeu. — Eu sei disso.
E do outro lado, Leroy e Quinn observavam a cena. Os dois choravam, e Quinn sentia seu peito destroçado, pois ela entendeu o que Hiram quis dizer, ela sabia que ele estava depositando toda sua confiança nela para fazer Rachel feliz, e agora esse peso em suas costas parecia derrubá-la.
**
A tarde passou extremamente rápida para as duas, Rachel voltou para a cama logo após o almoço para reunir energias para a festa, e Quinn a acompanhou. As duas não fizeram nada além de conversarem e colocarem o assunto em dia, ou recordar os tempos do colégio. Vez ou outra, Leroy e Hiram apareciam para lhes fazer compania, e Quinn sorria com a atenção que recebia dos dois. Eles sim eram uma familia feliz, pensava, e Rachel tinha muita sorte em tê-los. O assunto entre elas não parecia ter fim, ia do colégio a NYADA e Yale, da convivencia com Santana e Kurt, elas só não tocavam no assunto da doença, e Quinn dava graças a Deus por isso. As duas só pararam de conversar quando Kurt entrou no quarto lá pras sete e meia com uma bolsa.
– Rachel, eu espero que você já tenha tomado banho senão eu mesmo vou te enfiar no chuveiro. — disse deixando a bolsa em cima da cama. Antes que uma das duas pudesse dizer alguma coisa, Santana entrou atrás do garoto com uma expressão de poucos amigos e se sentou na cama.
– Eu já estou quase pronta. — anunciou Quinn sentando-se ao lado de Santana e analisando a rigidez da latina. — Tudo bem, San?
– Não poderia estar melhor. — respondeu sem olhar para Quinn. Seu olhar caiu e a loira soube que faltava pouco tempo para o reencontro com Brittany, e mais ainda, temeu que houvesse um assassinato na véspera de natal.
– Não se preocupe, Santana, nós vamos estar lá. — disse Rachel solidária. Santana não respondeu, continuou de cabeça baixa fingindo se fazer de forte. Kurt tirou a boina da cabeça de Rachel e começou a mexer em seu cabelo enquanto dizia:
– Eu juro que ainda não entendo qual o problema do Sam, primeiro Quinn, — a loira pigarreou. — depois Mercedes e agora a pobre Brittany...
– Podemos, por favor, mudar de assunto? — pediu Santana cética. Os três a olharam assustados e depois voltaram ao seus afazeres.
Quinn parou em frente ao espelho se perguntando o que deveria fazer com o cabelo, ela não via muitas opções.
– Posso te pedir uma coisa? — perguntou Rachel de seu canto. Quinn a olhou intrigada. — Arrepia ele.
Santana segurou o riso e a loira pensou por uns instantes. Rachel gostava de seu cabelo bagunçado? Legal, porque ela também gostava dele assim.
– Até que seus dias em Nova York ajudaram para alguma coisa, Rach, eu adorei. — parabenizou Kurt analisando Quinn de baixo a cima. — E adorei o cardigã, Quinn.
– Para mim você está gay. — o comentário veio de Santana.
– Está com inveja, Santana. — retrucou Quinn calçando as botas pretas. — E até que eu gostei do estilo.
– Gay. — repetiu a latina. Quinn jogou uma almofada nela, e Rachel riu acompanhada de Kurt.
Depois de quase duas horas, sim, Kurt era exagerado, a pequena estava pronta. Quinn teve que admitir que adorou ver um pouco da antiga Rachel de volta, como o cabelo liso, a franja e uma azul. Usava uma cacharrel preta com algumas listras horizontais brancas, calça jeans apertada e botas. Quinn optou pelo básico, uma blusa branca com alguns desenhos pintados a mão com um cardigã por cima e calça preta.
– É, acho que podemos ir. — pronunciou Kurt contente com o trabalho feito. Santana foi a primeira a levantar e desceu sem cerimônias, aproveitando a ausensia da amiga, completou: — Evitem dar bebidas alcoolicas para ela, não quero bafão na festa.
Rachel e Quinn concordaram e desceram logo atrás.
– Pai, papai. Eu já vou. — disse Rachel para Leroy e Hiram que estavam a espera delas na sala.
– Tomem cuidado, os quatro. — disse Leroy abraçando a filha e a Quinn.
– Quinn vai cuidar de mim, papai. Leroy sorriu e passou o braço pelo ombro do marido.
– Eu sei que vai.
**
A casa de Artie estava totalmente enfeitada por fora. Havia um caminho pela estrada com tochas anunciando onde era a festa, Quinn achou totalmente desnecessário aquilo, mas não pode deixar de achar incrivel. Leroy fizera questão de emprestar o carro para elas, por isso Santana foi com Kurt e Rachel com Quinn, pois elas sabiam que no final da noite, não voltariam juntos. Assim que estacionaram em frente a casa, Kurt desceu dando pulinhos de excitação, Rachel parecia animada em rever os amigos e Santana praticamente tremia. Quinn achou melhor se posicionar ao lado da morena, e Rachel ficou do outro, sendo assim, Kurt entrou na frente.
A música tocava alta dentro da casa que estava cheia. O jardim era todo iluminado com luzes natalinas e enfeites, logo de cara o grupo foi recebido por várias pessoas da escola, e mais adentro, Artie apareceu com Tina empurrando sua cadeira.
– Olha quem está aqui! — exclamou ele recebendo um abraço de cada um. — Cheguei a pensar que não viriam.
– Oh, my God! Essa festa está perfeita. — gritou Kut por causa da música. — Tina, como você está?
– Oi, pessoal. — ela cumprimentou mais alegre que o normal. — Melhor impossivel, meu caro, melhor impossivel.
Kurt gargalhou com a asiatica.
– Você está melhor, Rachel? — perguntou Artie mais sério. A pequena se remexeu ao lado de Quinn incomodada.
– Estou bem melhor, obrigada. — foi só o que disse. Artie não pareceu convencido, mas achou melhor não questionar.
– Saudações, senhoritas — ele brincou com Quinn e Santana. — Venham, vamos entrar.
O grupo seguiu para dentro de casa, Tina ofereceu um copo de bebida para Kurt e os dois se afastaram.
Rachel parecia um pouco assustada com a música alta e a quantidade de pessoas na casa, e Quinn apertou sua mão como de costume para alertar de que ela estava ali, não importava o que acontecesse. Santana seguia logo atrás dos três, com os braços cruzados e os olhos focados na nuca de Quinn. Artie comprimentou algumas pessoas e apontou para Mike que estava no lugar do DJ, ele acenou para as garotas e voltou a por os fones. Emma Pillsbury passou por eles com um copo em mãos cantando:
– All by myself, don't wanna be...
– Mrs. Shue está em Washington e eu a convenci a vir... — explicou Artie. Rachel e Quinn começaram a rir no mesmo instante.
Artie os levou até a cozinha onde tinha uma mesa com todos os tipos de bebidas que pudesse imaginar. Santana arregalou os olhos e foi em direção a mesa, mas Quinn a conteve.
– Não! — disse séria. — Não agora.
– Quinn, Santana, Rachel! — Blaine apareceu, pelo jeito o unico sóbrio da festa, e abraçou as três. — Está melhor, Rachel?
– Melhor, Blaine, obrigada. — ela respondeu. O rapaz deu um pequeno sorriso e olhou para os lados preocupado. — Kurt está com Tina na sala. — ela completou. Blaine suavizou a face e pegou um copo de vodka.
– Ele...Ele está bem? — perguntou preocupado e ansioso.
– Por que você mesmo não pergunta? — disse Santana afiada. Blaine ficou mudo e deu um gole em sua vodka. A musica mudou e praticamente todos começaram a dançar, Rachel apertou a mão de Quinn mais forte devido ao susto.
- Então... — começou Artie sem graça. – Como estão as coisas em NYADA, Santana?
Santana abriu a boca para responder, mas seus olhos se focaram em algo atrás de Quinn. A loira procurou com os olhos já sabendo o que encontraria. Do outro lado da cozinha, Sam estava sentado em uma poltrona com Brittany em seu colo. Ele a beijava docente no rosto e ela parecia sorrir, mas para Quinn aquilo não passava de uma farça.
Brittany estava forçando aqueles sorrisos.
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