It Is Not Just Blood

2 Um Contratempo com Queijo e Pepperoni


Notas iniciais
Olá, queridos Muffins de Blueberry! É, quem diria que eu voltaria, não é? Ah, que recebi muito incentivos (ameaças, doces ameaças) para não desistir da fanfic, e isso me ajudou muito a fazer esse segundo capítulo. Sem mais delongas, vamos a história. Beijinhos amanteigados da tia Pine e boa leitura!

Assim que o último sinal encerrou o dia letivo, Kath e eu voltamos para a casa, debatendo sobre a garota que havia bebido de um dos garotos do time de futebol americano. Foi um alívio descobrir que ele não estava morto (apesar de estar em um estado muito grave), mas foi ruim ter de dizer ao treinador Johnson que eu ouvira "algo estranho" atrás das arquibancadas. Todos entraram em pânico, mas, no meio disso, o treinador conseguiu chamar a ambulância, que levou o garoto (que mais tarde eu descobri que se chamava Teddy) para o hospital, e agora ele estava vivo. Não bem, mas ainda sim, vivo. Normalmente os vampiros tinham mais cuidado quando caçavam, pois nenhum deles queria o conselho dos vampiros na sua cola. Mas, aquela garota havia sido totalmente descuidada e imprudente. Ela teve sorte que eu e Kath encobrimos os rastros dela, ou ela teria sérios problemas agora.

—Viu o jeito que ela olhou pra gente? Sabe que eu não costumo dizer isso, mas ela é uma Meretriz de Sangue. Aposto que "dorme" com garotos bobos como aquele Teddy, bebe deles e depois apaga a mente deles, isso se ela não os mata. -Percebi o espasmo de arrepio que o corpo dela fizera. -Eu sei. Ela tinha um olhar sacana de atriz pornô.

—Torci o nariz. -Como sabe como é o olhar de uma atriz pornô, hein, senhorita certinha? -Ela ergueu uma sobrancelha, obviamente curiosa, se divertindo com meu constrangimento momentâneo.

—Eu já peguei Tommy vendo pornô. Foi estranho e embaraçoso. Mas ele não sabe disso, então prefiro deixar assim. -Tommy é meu irmão mais novo. Mesmo depois da morte dos meus pais, ele ficou na Rússia tocando o negócio da família: uma empresa de armas. E empresa do papai era uma das maiores exportadoras de armas do mundo, e desde pequeno Tommy mostrou interesse pelo ramo.

—Ah... -Ela realmente pareceu decepcionada com o fato de não poder tirar uma com a minha cara. No rosto da viagem, ficamos debatendo o que fazer no jantar, e acabamos por decidir que depois de um dia como hoje, poderíamos nos poupar da cozinha e pedir uma pizza. -Quer ir tomar um banho enquanto eu peço a pizza? -Perguntou, enquanto entravamos em casa, que ainda tinha algumas caixas da mudança aqui e ali.

—Huuum... -Voltei meu olhar para ela, sendo tirada de uma sequência de pensamentos. -Claro.

—Tem algo errado, Jull? -Seus lindos olhos verde jade pareciam desnecessariamente preocupados.

—Não, só estava pensando na pizza. -Sorri de modo convincente e subi as escadas, indo direto para o banheiro, para mais uma chuveirada quente. Deixei a água cair sobre mim, relaxando meus músculos e aquecendo meu corpo, enquanto eu pensava naquele primeiro dia desastroso. Tinham algo muito errado naquela garota (quer dizer, além do óbvio). Lembrara-me de que eu a havia visto na minha turma de filosofia. Fora ela quem ficara me encarando como se tentasse ver minha alma ou algo bizarro assim. Deus, como eu fui tão lerda a ponto de não perceber antes (ponto pro meu TDAH)? Assim que eu decidi que já havia enrolado tempo de mais no banho, fechei o registro e sai do box, me enrolando em uma toalha vinho e seguindo para meu quarto. A noite estava fresca, o que me permitiu vestir uma regata preta e um par de calças cinza de moletom. Deus, aquele era o melhor pijama do mundo, sem sombra de dúvidas. Peguei meus óculos que havia deixado na escrivaninha e os coloquei. Eu me sentia nua sem os óculos. Sim, era estúpido, mas fazer o que? Deixei meus cabelos ainda com o coque que fizera de manhã, só que agora ele estava frouxo, deixando alguns fios escuros escaparem. Não me dei ao trabalho de procurar minhas pantufas (mesmo porque ela ainda devia estar em alguma caixa, e eu não estava com a mínima vontade de procurar). Então decidi descer descalça mesmo. Ouvi vozes lá embaixo, e a cada degrau mais perto do peso inferior, mais claramente eu podia ouvir as vozes.

—Vinte dólares. -Disse uma voz de garoto, que não parecia muito mais velho do que eu.

—Huuum... Aqui. -Dessa vez era a voz de Kath, que estava teatralmente mais doce e inocente que de costume. O garoto de cabelos castanhos e pele levemente bronzeada passou a pizza a ela e observou a nota que Kath havia lhe dado.

—Hãã... Aqui tem cinquenta. -Terminei de descer as escadas, me aproximando de Kath, que estava em frente à porta aberta, usando uma regata e um shortinho de seda verde-musgo, algo bem indecente para se usar na frente de um entregador de pizza (principalmente um na puberdade).

—Ah, sim. Eu sei. Uma gorjeta pelo seu serviço cordial... -Ela passou os olhos pelo nome bordado na blusa dele. -Sam. Obrigada. -Ela então notou minha presença (fingiu, na verdade. Ela sabia que eu estava ali desde sempre) e estendeu o braço, me entregando a caixa de pizza. -Aqui, Jull. Segura pra mim? Obrigada. -Sam murmurou um "obrigado" envergonhado e tirou o olhar de Kath (o olhar que ele "discretamente" revezava entre o decote, as coxas e os olhos dela) e o passou para mim. Vi seus olhos minuciosamente passarem de meus pés a minha cabeça, se demorando no decote "V" da minha regata, e finalmente chegando aos meus olhos cor de Lápis Lazúli. Ele corou de leve e olhou de mim para Kath, com um olhar diferente e um sorrisinho travesso instintivamente tomando conta de seu rosto. E eu sabia exatamente o que aquilo significava. Foi só eu somar dois mais dois para saber o que se passava na cabeça pervertida dele. "Duas garotas que não se parecem morando juntas e sozinhas. Nenhum homem na casa. Só as duas. Não parecem ter parentesco. Então isso significa que elas estão juntas." Deus. Aquilo estava basicamente tatuado na testa dele. Kath da a ele uma piscadinha antes de ver ele se afastar, fechando a porta logo em seguida. Seu sorriso se transforma em uma careta. -Garotos adolescentes são tão pervertidos. -Também percebeu o olhar dele? Aposto que vai ter uma boa história para contar aos amiguinhos. -Caminho com a caixa de pizza para a sala de estar.

—Pediu de que? -Me sentei em uma ponta do sofá de três lugares, colocando a caixa na almofada do meio enquanto Kath se sentava na outra ponta. Peguei o controle e zapeei pelos canais, até parar em um onde passava The Walking Dead.

—Meia vegetariana e meia pepperoni, como sempre. Não vou me esquecer de que você não come carne, okay? -Ela abriu a caixa e revirou os olhos. -Temos mesmo que ver isso enquanto comemos? Eles estão comendo as tripas do cara que está caído no chão. -Torceu o nariz e pegou um pedaço de pizza de pepperoni.

—Você é uma Vampira. Não devia se incomodar com isso. -Dizia, indo até a cozinha buscar duas latas de Coke. Voltei à sala e entreguei uma a ela. Peguei um pedaço de pizza, e assim como ela comecei a comê-lo.

—Isso é diferente. Eles estão matando pessoas, e eu não faço isso. –Fiz careta, imitando-a. — Pare com isso, ou vou te fazer comer pepperoni.

—Hey, sem violência, okay? –Ergui as mãos em sinal de rendição. –Agora coma antes que esfrie. Pizza fria é ruim. –Sorri de canto e voltei minha atenção para a tela. Passamos mais duas horas assistindo televisão, mesmo depois de terminar o jantar e limpar a sujeira que fizemos. Eu não me lembro de mais nada depois do fim de uma reprise dos Simpsons. Eu provavelmente dormi no colo de Kath enquanto ela acariciava meus cabelos escuros. Isso sempre acontecia. Em meio a sonhos felizes em uma terra de doces, eu pude ouvir um som externo: o “click” do meu abajur sendo desligado. Você deve estar se perguntando “mas você não estava na sala?”. É eu estava. Mas conhecendo Kath como eu conhecia, eu sabia que ela havia me carregado para o quarto assim que eu adormeci. Eu poderia ter protestado contra aquilo, mas ela logo se deitou ao meu lado na cama Queen Size e voltou a acariciar meus cabelos. Aquilo era impossível de ignorar. Toda vez que ela fazia aquilo, eu automaticamente entrava no modo hibernação, e não acordava tão cedo. Meus olhos se abriram lenta e sonolentamente assim que eu ouvi o som dos tênis de Kath se aproximando, o que indicava que ela subia as escadas. Cerca de dois segundos depois, ela adentrava o quarto ainda escuro e abafado, trazendo consigo uma bandeja com ovos mexidos, torradas, suco de laranja e um bolinho.

—Bom dia, dorminhoca. –Me sentei na cama e esfreguei os olhos. –Alguém estava realmente cansada, hein? Você dormiu uns quarenta e cinco minutos a mais que de costume. –Ela deixou a bandeja em meu criado mudo e se sentou na beirada de minha cama, levando a mão a minha bochecha para afaga-la, franzindo a testa logo em seguida. Sua mão se pressionou contra minha testa e contra meu pescoço freneticamente, enquanto sua expressão ficava pensativa. Eu podia sentir a preocupação fluindo através do vínculo. –Você está quente. –Disse ela por fim.

—Eu sou quente. Essa é uma característica dos seres vivos, sabe? –Caçoei, mas ela não pareceu ver graça alguma. -Você está MUITO quente. Uns trinta e oito graus. Você não vai à escola hoje. –Decretou me entregando o bolinho. –Vai tomar café e descansar.

—Hein? Eu já dormi muito! E esse quarto está abafado. Não deve ser nada de mais. –Aproximei o bolinho do rosto e respirei fundo. O cheiro morno que sempre me agradava hoje me fez fazer careta. Devolvi o bolinho na bandeja e suspirei. –Nós vamos à escola. Se eu ficar ruim, vou à enfermaria e tomo uma aspirina, okay? –Passo um braço por seus ombros e dou um sorrisinho. Kath aproxima seu rosto de meu braço, respirando fundo.

—Seu cheiro. Tem algo errado com ele. Está... Amargo. Ele é sempre tão doce... Com certeza tem algo muito, muito errado com você. -Kath, pare de paranoia. Eu estou bem, okay? Só preciso de um banho... –Me levanto, e uma tontura repentina me abala, fazendo-me voltar a me sentar. Os braços de Kath logo me ampararam, mesmo que eu pudesse me manter reta sozinha.

—Okay, realmente tem algo errado. –Murmuro, respirando fundo.

—É o que eu estou tentando dizer, cabeção. -Em uma velocidade inumana (que eu a vira usar pouquíssimas vezes), ela se levantou e foi até a cozinha, voltando em seguida com um copo de água e uns dois comprimidos. Ela me entregou tudo, dizendo "beba" com um tom autoritário, que eu não ousei desobedecer. Coloquei os dois comprimidos de uma vez na boca e os engoli com metade do copo de água, colocando-o de lado logo em seguida. -Temos de pensar agora: o que te fez mal? Você estava tão bem ontem... Será que foi algo que comeu? -Ela voltou a se sentar na beirada de minha cama, brincando com as pontas de meus cabelos.

Pensei um pouco antes de respondê-la. -Ontem eu comi meio bolinho com um pouco de café de manhã, uma maçã no almoço e duas fatias de pizza vegetariana no jantar. E eu fiquei bem o dia todo. Só fiquei mal...

—Depois de ontem à noite. -Acrescentou, sabendo exatamente o que eu diria.

—Acha que foi a pizza? Você também comeu ela, e você está bem. O gosto estava bom. Não estava estragada nem nada. -Dei um sorrisinho. -Talvez o garoto da pizza tenha me envenenado. -Foi como se uma lâmpada se acendesse sobre a cabeça dela.

—Ele era só um garoto humano com uma vidinha comum. Era bobo de mais pra isso. Bobo o suficiente para ser cumpulsado a fazer isso por alguém realmente não-humano. -Tentei seguir a linha de raciocínio dela.

—Não tenho contato com nenhum outro vampiro desde a morte dos nossos pais. Não me lembro de ter "inimigos". Então quem faria isso? -Ela olhou fixamente em meus olhos, esperando pela resposta que demos juntas.

—A vampira da arquibancada. -Nossas vozes fizeram um uníssono.

—Mas a pizza não tinha gosto estranho. Nenhum gosto diferente de erva ou qualquer outra coisa. Estava normal.

—Então talvez tenha sido magia. -Sugeriu, enrolando com indicador a ponta de meu cabelo.

—E desde quando vampiros fazem magia, Kath? -Franzi o cenho, obviamente confusa.

—Meu Deus, você se escuta? -Resmungou. -Não, vampiros não fazem magias. Mas bruxas fazem.

—Está dizendo que eu comi uma pizza enfeitiçada que me deixou "doente"?

—Sim, é exatamente o que eu quero dizer. -Suspirou, pegando o copo de suco de laranja e dando um gole. -Será que o dia pode ficar pior? -Um raio brilhante iluminou um pouco o quarto, mesmo com as grossas e escuras cortinas cobrindo a janela.

—Bom, parece que pode sim. -Ela novamente me ofereceu o suco, que eu educadamente recusei.

—Não, estou sem fome. -Voltei a me deixar, cobrindo-me até a cintura.

—Você sempre diz isso. Por isso é uma nerd magra e sem bunda.

—Hey, não fale da minha bunda. -Reclamo, fazendo-a revirar os olhos. -Por que acha que ela pagaria uma bruxa para colocar um feitiço bobo como esse em você? -Perguntou-me docemente, deitando-a comigo, enquanto ainda brincava com meus cabelos.

—Eu conheço o tipo daquela garota. Ela é rebelde e durona, e quis mandar um claro recado para nós.

—Recado? Que recado? -A curiosidade estava palpável em sua voz.

—"Não fode comigo, porque eu fodo de volta. E eu fodo muito melhor do que você".

Notas finais
Agora que você leu, que tal deixar um review? Eu realmente gostaria de saber o que você gostou, o que você não gostou, observações e apontamentos úteis, porque tudo isso vai me fazer melhorar e fazer minha história crescer. Eu adoro receber críticas, especialmente críticas construtivas, então sinta-se livre pra fazer isso!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.