It Had to be You! Hyunlix

3 Encontrando os cinco galãs, nem tão galãs assim de Changbin


Notas iniciais
Olá!!! Espero que gostem. Me desculpem se tiver errinhos, escrevi ainda hoje para conseguir postar, hihi. Boa leitura, chuchus. ♥

O segundo dia de aula foi bem melhor do que o outro. Talvez houvesse um clima diferente diante da provável expectativa sobre a chegada de um aluno de intercâmbio. Segundo fontes seguras e óbvias, da própria secretaria do colégio, o voo de Felipe Perez teria saído do Rio de Janeiro, no Brasil, e aterrissado sem problemas, uma semana antes, no aeroporto de Kingsford Smith. Depois de uns dias de descanso, para se recuperar da diferença de fuso horário, Felipe deveria começar a assistir as aulas normalmente. Tendo em vista que por conta da adaptação perderia poucas matérias pelo curso que escolhera fazer, afinal, o garoto era completamente misterioso para qualquer pessoa, e ninguém sabia como seria dali por diante. E também as aulas começaram ontem.

Pelo comportamento alheio, parecia que estava chegando um príncipe ou alguém com mais importância. Quase todas as meninas e meninos vestiram as suas roupas mais atraentes e a maioria dos rapazes que tentavam esconder a sua verdadeira sexualidade fazia pose, todos se achavam melhores que os outros, e muito senhores de si. Até então ninguém tinha visto a cara do tal estrangeiro, mas todo mundo queria ser amigo ou namorado/a dele, sem ao menos ter a certeza que o cara é gente boa.

Não me deixei impressionar nem um pouco.

E aproveitei certas vantagens de toda aquela expectativa. Em primeiro lugar, não havia fila no refeitório, enquanto o pessoal se aglomerava no saguão de entrada, na esperança de cruzar com Felipe por acaso, consegui comprar meu sanduíche natural de frango e um saquinho de pretzels em apenas dois minutos contados no relógio.

— Hey, oi — gritou atrás de mim uma voz conhecida. Era Changbin, que largou uma pilha de livros sobre a mesa e despencou na cadeira a minha frente. Só dessa vez poderíamos escolher qualquer lugar sem preocupação para sentar, nem os mais populares daquele lugar estavam pelo lugar.

— Oi, achei que você também estivesse no saguão — eu disse, entre uma mordida e outra no sanduíche —, junto com todo mundo.

— Que nada. É publicidade e favoritismo demais pro meu gosto. E vai saber se o cara não é um chato pra porra. — Enquanto falava, Bin ia atacando os meus pretzels. — Além do mais, quem é que tem tempo para um estudante estrangeiro qualquer, quando eu, na verdade, já tenho cinco encontros para hoje à noite?

Meus olhos quase saltaram das órbitas, eu estava completamente em choque. — Cinco? Não vai me dizer que aquela porcaria de e-mail deu certo.

— Para você não?

— Não. Minha caixa de correio está completamente vazia.

A testa de Changbin franziu-se. — Que estranho.

— Na verdade nem um pouco, se considerarmos o anúncio que você mandou por mim — reclamei. — Aquele desespero todo era o jeito mais certo de espantar todos os meninos da faculdade.

— A gente conserta isso depois, mon amour. Li os folhetos do Kim ontem à noite e descobri como mudar as coisas no site.

Dei outra mordida no sanduíche um pouco interessado. — Então, mudando um pouco de assunto, me conte sobre esses cinco encontros.

O rosto dele se abriu em um sorriso malicioso perfeito. — Bom, não são exatamente encontros...

Imaginei um esquema elaboradíssimo em preparação, daqueles que os CSI’s fazem para descobrir quem são as pessoas.

Seo inclinou-se mais para perto e disse, em tom confidencial — O que você vai fazer depois das aulas?

Quase senti receio ao responder, sabia que aquilo me envolveria. – Nada. Por quê?

Ela puxou a ponta de minha malha verde azulada com gola alta. — Você precisa ir ao OGalo comigo.

— Antes de concordar, você precisa me contar o que você anda aprontando.

Seo olhou em volta do ambiente vazio só para se certificar de que não havia ninguém além de nós dois ouvindo a conversa. — O negócio é o seguinte — sussurrou baixo. — Os caras que me escreveram usaram também um nome fictício, não sei se eles são legais ou se estão apenas fingindo. Marquei com todos no OGalo, em diferentes horários. — Chang agarrou meu braço com as duas mãos colocando força. — Enquanto eles me esperam, vamos ficar numa outra mesa, conferindo a cara de cada um. Se eu por acaso gostar, vou até a mesa do cara e me apresento.

Dei uma olhada rápida pelo ambiente. — E se você não gostar de nenhum?

— Muito simples e fácil querido. — ele recostou-se de novo na cadeira. — Eu não me apresento.

Sacudi a cabeça. — Não pode dar o bolo em todos os coitados!

— E por que não? Foram apenas uns e-mails. Não houve nada, nenhum relacionamento imposto ou qualquer coisa assim. Você vai comigo?

— Vou — disse, ainda que relutante, pensando nos pobres garotos. — Mas isso não significa que eu aprove o que você está fazendo.

De repente, o rosto de seu amigo se franziu todo, do mesmo modo que no dia anterior. — Está acontecendo de novo. Meu radar entrou em ação. — Levantei os olhos daquele sanduíche, imaginava que daria de cara com Lee Minho ou alguma outra de suas infinitas paixões do curso, mas fiquei espantado ao ver Hwang Hyunjin cruzar a porta. Vestido praticamente com as mesmas roupas do dia interior, exceto que trocara a camiseta branca por azul escura. O radar de Bin acertara de novo. Hyunjin estava o máximo, e nunca admitiria isso em voz alta.

— Aí vem a mais nova aquisição da banda das bananas — resmunguei disfarçando que o sanduíche escorregava de minhas mãos trêmulas para o prato de papelão.

Binnie deu-lhe uma rápida olhada de cima a baixo. — Ele que é o novo técnico de quem você me falou, certo?

Antes que eu pensasse em responder, ele já estava ao lado da nossa mesa.

— Como vão às coisas, Lilixie? — disse totalmente despreocupado.

O jogo de cartas no JJ não me saía da cabeça. — Meu nome é Felix porra e está tudo indo — resmunguei.

— Fico contente em saber — disse passando os dedos pelos cabelos loiros e fartos. Os olhos escuros baixaram até a cadeira em que eu apoiava os pés. — Posso me sentar com você?

A mesa em que estávamos sentados tinha cerca oito cadeiras, cinco das quais vazias, mas Hyunjin queria exatamente aquela na qual apoiara os meus pés. Claro.

— Fique à vontade. — E tirei minhas pernas do caminho.

Changbin me deu um chute para me lembrar de que me esquecera de apresenta-lo.

— Hyunjin, este é o Changbin.

— Você é o novo cara da luz e do som? — perguntou o meu amigo interessado.

Hwang fez um gesto com a mão. — Claro. Nós não fizemos geometria juntos, no ensino médio? Na classe da professora Son?

Bin sorriu malicioso de novo, apenas para mim. — Exato. Eu sabia que já tinha visto você em algum lugar. — Depois deu uma olhada no relógio e exclamou como se estivesse com pressa: — Já é tão tarde! Preciso ler umas anotações, antes da próxima aula.

Eu sabia exatamente o que ele estava aprontando. — Mas agora temos aula de canto — falei. Não me deixe sozinha com ele implorei em silêncio.

Apenas juntou os livros. — A gente se vê depois. — E me deu uma piscada não muito sutil antes de sair de nossas vistas. — E não se esqueça daquele nosso encontro.

— Seu amigo me parece muito simpático. — Hwang aproximou mais a sua cadeira.

Sem saber para onde olhar, examinei os restos do meu sanduíche de frango. O cheiro aromático dele chegou até mim. — Ele é ótimo mesmo.

Espiou meu sanduíche. — É atum ou frango?

— Frango. Quer uma mordidinha?

Seus lábios contorceram-se em claro sinal de nojo. — Não, muito obrigado. Eu sou vegetariano. Será que você não sabe de todas as crueldades que eles fazem com as galinhas, Lilixie? Enfiam as pobres em gaiolas minúsculas e...

Ergui a mão para fazê-lo parar, esforçando-me para engolir um bocado que já estava na boca, me sentindo totalmente enjoado. — Muito obrigado por estragar a porra do meu almoço — falei, empurrando o prato longe.

— Me desculpe, mas isso não é nada, comparado com o que essa pobre galinha passou para chegar até o seu sanduíche.

— Bem que eu poderia ter dito atum. – disse ironicamente.

A boca dele abriu-se num sorriso malicioso. — E então eu teria que lhe contar sobre todos os golfinhos inocentes que ficam presos nas redes dos pescadores.

— Ótimo. Agora nunca mais vou conseguir comer duas das minhas comidas prediletas, muito obrigado por isso. — ele já estava começando de fato me dar nos nervos. Peguei meu saquinho de pretzels e ergui um dos biscoitos na cara dele já puto de ódio. — Tem alguma coisa de tenebroso a dizer sobre isto? Estou certo de que você deve ter alguma história sobre o horror sobre das fábricas de pretzel, em que os pobres coitados são obrigados a se retorcer em formatos artificiais.

Hwang apenas mordeu o pretzel que estava na minha mão de uma vez. — Não, na verdade com estes aqui não há nenhum problema.

Mordi um dos biscoitos com força, querendo queimar o garoto ao meu lado com o pensamento, como o Sheldon tenta em The Big Bang Theory, sentindo o gosto delicioso. — A que horas terminou o carteado, ontem?

— Lá pelas cinco, depois fomos todos comer uma pizza. Você deveria ter ficado, foi um barato. Ou quem sabe você não gosta de se divertir? Não te conheço o suficiente para fazer qualquer julgamento.

Meus maxilares ficaram tensos novamente. — Claro que gosto de me divertir — falei enfatizando a palavra diversão. — Mas nem sempre podemos fazer o que queremos. Eu sou o líder dessa banda. Sou eu quem organiza os ensaios, arruma as apresentações, motiva todo mundo. Preciso manter algum tipo de autoridade, do contrário, as coisas não andam. Ontem, depois que percebi que ninguém estava me dando bola só me restou ir embora. Se eu tivesse cedido e ficado, teria perdido totalmente minha autoridade.

— Existem maneiras de fazer com que as pessoas façam o que você quer sem precisar ser um tirano, Felix.

— Eu não sou tirano! Foi isso que vocês ficaram falando de mim depois que eu saí?

— Não exatamente. — Hwang ficou uns instantes em silêncio — Mas todos nós concordamos que você é um pouco nervosinho. Não deveria esquecer que o motivo principal para a formação da banda foi para se divertir.

Sentia que tudo estava virando por dentro. O que estava acontecendo? Além de estar perdendo o controle sobre a banda, agora todos eles também me detestavam. Enquanto isso, Hyunjin, que aparecera do nada, era agora o queridinho de toda a banda.

Amassei o saquinho de pretzels na mão. — Obrigado pelo conselho. — Meu tom foi desagradável por estar meio irritado. — Mas vê se cuida só da parte técnica que da banda cuido eu!

— Nada como um cheirinho de comida depois de um dia difícil — declarei tristonho, quando Changbin e eu cruzamos as portas do OGalo. O OGalo era uma lanchonete meio ‘tombada’, mas muito movimentada, onde o pessoal fazia hora depois das aulas. O tema, claro, era o sobre Portugal, desde os bancos de encosto alto até o gargalo das garrafas de ketchup.

— Como estou? — perguntou o outro pela bilionésima vez, examinando o short verde-garrafa no espelho em forma de cacto.

— Você está demais. Vai deixar esses cibernéticos malucos. — Aproveitei e dei uma rápida conferida no meu próprio reflexo.

Sorriu. — Só se eu deixar que me vejam — lembrou-me, passando em revista o pessoal que estava na lanchonete.

Derick Morgan, o cara mais alto da turma do segundo semestre, estava de pé, ao lado do caixa. Usava trajes tradicionais estilo português, calça preta, camisa preta, colete, uma faixa avermelhada em sua cintura e um chapéu.

— E aí, pessoal! Bem-vindos ao OGalo, onde não é preciso ser um expert em pimentas para curtir a festança picante! — disse com entusiasmo forçado.

Bin lançou um olhar crítico na direção do menino e depois riu baixo. — Você está uma graça — falou secamente.

A pose de Derick despencou. — Estou um palhaço, não é mesmo? — cochichou.

— De jeito nenhum — afirmei dando uma ajeitadinha no enfeite do colete, tentando decifrar o que ele parecia no momento. — Você está com um jeito bem... bem de caubói.

— Ara, ara, agradecido, nhá Felix — disse ele, carregando no sotaque português, mesmo que de fato não fosse aquilo. Depois pegou dois cardápios. — Os dois vão jantar?

Fizemos que sim, só que Bin falou mais rápido. — Mas antes precisamos lhe pedir um favor.

— Pode falar.

— Estamos esperando cinco amigos. Quando eles chegarem, gostaríamos que sentassem naquela mesa do canto. — Seo colocou a mão no braço de Morgan. — A senha é Jingjingie. Se eles perguntarem por Jingjingie, ponha-os naquela mesa do canto. Mas não fale nada sobre mim. Entendeu?

Os cantos da boca de Gary torceram-se, em atitude pensativa. — O problema é que aquela ali só dá para quatro. Não tem como espremer sete pessoas ali.

— Não tem muita importância — interrompi. — Eles vão vir um de cada vez. Binnie e eu vamos ficar sentados do outro lado.

Gary não conseguia entender o que iriamos fazer, mas ele era boa gente. — Claro, como quiserem. Podem sentar onde acharem melhor.

Escolhemos uma mesa do lado oposto, de onde teríamos uma visão perfeita de onde os garotos estariam. Quando finalmente sentamos, abri o cardápio faminto, uma vez que não tinha conseguido terminar o almoço que o idiota do Hwang fizera o favor de estragar.

Seo pegou uma folha de papel de dentro da bolsa. — Esta é a programação — falou, pondo o papel em cima do cardápio que eu estava lendo. Bufei. — Marquei os horários com meia hora de diferença, para que eles não deem de cara um com o outro.

— Bem pensado. — Afastei a programação para um lado, para espiar as sugestões da semana.

— Infelizmente isso significa que iríamos ficar por aqui bem umas três horas!

Changbin limpou o gloss que usava com um guardanapo de papel. — Não deve levar tanto tempo assim. Confie em mim. Assim que eu tirar a sorte grande, você está liberado. Quem sabe? Pode ser o primeiro da lista.

Uma moça vestida com roupas parecidas ao de Morgan, com saia jeans desbotada, pôs dois copos de água sobre nossa mesa e tirou um caderninho do cinto prateado e turquesa. — O que vão querer?

— Eu quero um Fiesta Wrapp com uma porção a mais de molho Picante e um copo grande de root beer.

Eu ainda não sabia o que pedir. Mas enquanto os olhos examinavam o cardápio, me dei conta, com pesar, de quanta carne e frango e de vaca havia ali. A voz de censura de Hyunjin ressoava claramente dentro de minha cabeça, mostrando a tremenda falta de ética que era comer num lugar como o OGalo. Meus olhos se dirigiram para a seção de saladas.

— Quer que eu volte daqui a pouco? — perguntou a garçonete, num tom meio impaciente.

— Não... já sei. — As saladas não pareciam tão ruins, pensei ao mesmo tempo em que alguma coisa se revoltava dentro de mim, uma coisa que se recusava a deixar que Hwang pudesse influenciar minhas decisões. Por despeito, escolhi rapidamente o prato que tinha a maior probabilidade de agradar ao mais carnívoro dos mortais. — Eu vou querer um Fiesta Burger Meal duplo com bacon e um milk-shake de chocolate em lugar da Pepsi — pedi orgulhoso.

Os olhos verdes de Changbin esbugalharam-se. — Pópó! Alguém tá com fome de boi.

— Comi super pouco no almoço. — Peguei um guardanapo de papel e dobrei-o em forma de avião.

— Então? O que você e o bonitão conversaram depois que eu saí? — Seo mexia os dedos no fios escuros de cabelo.

Tentei lançar o avião em cima dele, mas despencou sobre o tampo da mesa, caindo de nariz numa poça de água gelada. — Por falar nisso, obrigado por ter me largado lá.

Tomou um gole de água. — É para isso que servem os melhores amigos. E então? O que ele falou?

— Primeiro me contou histórias tenebrosas sobre as indústrias que processam carne.

— O que explica muito bem o Fiestar duplo.

— Depois ele me disse que eu sou muito nervosinho e que não sei liderar direito a banda. — Meu estômago se retorceu só de lembrar. — Dá para acreditar na audácia do sujeito? — Tomei um gole de água para me acalmar.

O garoto pôs os cotovelos sobre a mesa. — Ele estava só te paquerando.

Eu quase me engasguei com um cubo de gelo. — Pára com isso, Changbin.

— Sério. Você não reparou no jeito como ele olha para você? Eu daria um dente da frente para ter alguém me olhando daquele jeito.

Olhei-o sem conseguir acreditar. — Hwang Hyunjin?

— E não adianta negar. Você está a fim dele.

— Bom, é... — As palavras escorregaram facilmente. Chang tinha um jeito de me arrancar certas informações, antes mesmo que eu mesmo me desse conta. — Hyunjin até pode ser um gato, mas é um chato.

— Pois eu acho que ele é muito simpático.

— Assim como o resto do mundo — disse em tom de desprezo querendo disfarçar uma possível tristeza. — Mas acredite, é tudo encenação. Eu é que sei aonde ele quer chegar.

Ele sacudiu a cabeça. — Como quiser. Mas continuo achando que ele está a fim de você.

O que significava aquele papo todo? Leslie não era do tipo de ficar inventando coisas, mas eu não me lembrava de ter visto nada fora do comum no jeito como Hwang me olhava.

— Olha Binnie, mesmo que ele tenha sentido alguma atração por mim, depois da discussão que tivemos hoje, isso já era. Acabou.

Nosso pedido chegou e eu aproveitei a oportunidade para mudar de assunto.

— E então? Quem é o solteiro sortudo número um? — perguntei afogando meu hambúrguer em ketchup.

— Ele usa o pseudônimo Spike — informou muito animado. — Altura mediana, cabelo ruivos ondulado, olhos azuis, gosta de moto e de levantamento de peso.

— Puuuxa... lindo e perigoso. Deve haver algum engano, aí, porque não tem ninguém que corresponda a essa descrição na faculdade.

Seo fez uma careta. — Obrigada pelo voto de confiança. — Ergueu a vista, franzindo de leve os olhos, que depois se arregalaram. — O Morgan está vindo para cá! Acho que ele está levando o Spike para a mesa!

Derick parou bem na frente do espaldar alto do banco e afastou-se para um lado.

O solteiro número um acomodou-se. O rosto de seu amigo ficou vermelho.

Olhei com o canto do olho e desatei a gargalhar controladamente. Spike era nada menos que Choi Vince, um menino que conhecíamos desde o primeiro ano do primário. Era simpático, mas longe, muito longe de ser tão gostoso e perigoso como era descrita as informações. Certo, ele tinha mesmo olhos azuis, mas os cabelos ruivos ondulados estavam mais para crespo, aliás, crespíssimo. Era verdade que Vince adorava motocicleta. E tinha uma coleção de miniaturas de plástico que era seu passatempo favorito. Quanto ao levantamento de peso, considerando a estrutura esquelética que tinha diante de mim, só podia ser invenção.

— Fica quieto — pediu, quando ameacei abrir a boca para fazer um comentário. — Foi por isso que marquei cinco encontros.

Ele nem chegou perto da mesa para dizer a Vince que Jingjingie era ele e nem sequer olhou na direção dele para dar um alô. Depois de um tempinho, não aparecendo ninguém, Vince foi embora. Não pareceu chateado — com toda certeza se dera conta da bobagem que era marcar um encontro através do e-mail. Mesmo assim, não pude evitar sentir pena dele. Os planos de Seo Changbin estavam levando as coisas um pouco longe demais.

O solteiro número dois, também conhecido como Valentim adorava andar descalço na praia e ver o sol nascer no mar. Dizia-se um romântico incurável e, ainda que pudesse ser verdade, na hora em que Changbin viu o narigão e o corpo desengonçado dele, decidiu não se dar ao trabalho de verificar pessoalmente.

Já fazia um bom tempo que eu tinha terminado de com meu Fiestar quando Seo descartou o quarto solteiro. O número três, apelido Rocker, tinha a mania irritante de cutucar os dentes com o canudinho. E o de número quatro, um Ursinho Pooh muito peludo, aproveitou seu tempo fazendo a lição de física enquanto esperava.

O sol já estava se pondo por trás da fileira de pinheiros do outro lado da rua. — Que bando de imbecis! — disse o outro bocejando.

— Vai ver eles nem são tão maus assim — disse bebendo as últimas gotas do meu milk-shake de chocolate. — Você gostou das cartas que eles mandaram. Então por que não dá uma colher de chá para eles?

Seo sacudiu a cabeça. — Você não entende dessas coisas Yongbok. Quando a gente escreve para alguém num computador acaba formando uma certa imagem da pessoa. Se ela não corresponder à realidade, as coisas simplesmente não funcionam.

— Então o certo seria você não ter marcado encontro nenhum, com ninguém — falei, encolhendo os ombros.

— Essa é uma atitude derrotista — afirmou convicto. – Tem de haver alguém neste mundo que seja ideal para mim. Só falta mais um, o doutor Fantástico. Agora não posso desistir.

De repente, uma grande barulheira e muita movimentação tomaram conta do restaurante. Virei à cabeça para ver o que estava acontecendo. Um bando de meninas entrara pela porta, amontoadas num círculo apertado, falando e gesticulando ao mesmo tempo.

— Pelo visto o nosso estudante estrangeiro começou a frequentar as aulas — falou Leslie. — E não decepcionou ninguém. O que me surpreende é meu radar não ter disparado.

Estiquei o pescoço para enxergar melhor. Era difícil ver qualquer coisa, com aquele monte de meninas em volta. Morgan levou o bando até a grande mesa circular num dos cantos da lanchonete e, quando todos se acomodaram, pude finalmente dar uma boa olhada.

E aí compreendi por que ninguém aparecera para almoçar. Felipe Perez era o cara mais lindo que eu já tinha visto na vida. Não havia nenhuma outra forma de descrevê-lo. Era alto e magro, estava impecavelmente vestido com um paletó esporte e calças feitas sob medida, com uma camiseta azul-claro por baixo. O cabelo preto sedoso chegava até o queixo e toda vez que virava a cabeça, uma mecha caía sobre um rosto perfeitamente cinzelado e moreno. Felipe tinha uns modos estranhos e pensativos, mas de vez em quando seus lábios se abriam num magnífico sorriso de dentes branquíssimos.

— Ele não é de verdade — falei baixo. — Ele é tão perfeito seu radar nem pode registrar, está muito acima da escala.

Changbin concordou sem contestar. — A população feminina do Teen Valle acaba de encontrar um pote de ouro, mas receio que eu não possa dizer o mesmo em relação a ele. — E abanou a cabeça. — Olha lá — quem está dando em cima.

Valeria Palmer, presidente do clube de teatro, estava praticamente sentada no colo de Perez, falando pelos cotovelos. Seus lábios se moviam mais depressa do que os de um vendedor de automóveis fazendo anúncio pela televisão numa liquidação de feriado.

— Coitado — falei. — Será que ele está entendendo alguma do que ela está dizendo?

Bin comeu uma batata frita fria. — O pai dele pelo visto é importante. Ouvi dizer que ele fala inglês com fluência, e algumas outras línguas também.

Suspirei sonhador, olhando Felipe afastar o cabelo sedoso e os olhos escuros e ardentes.

Bem nesse momento meu queridíssimo amigo interrompeu meus devaneios e deu um chute na canela.

— Ai! — berrei. — Que é isso?

Seo me deu um toque que me fez compreender na hora. O Dr. Fantástico acabara de chegar.

Com dificuldade e esforço, afastei os olhos do estrangeiro. O doutor Fantástico era Michael Barber, do último ano e integrante do time principal de hóquei da faculdade. Os olhos do meu amigo cintilaram, percebi que estava hipnotizado.

— Pelo visto alguém mais encontrou seu pote de ouro — falei baixinho. — Quando vai recolher o prêmio?

— Me dê mais um segundo ou dois. — E respirou fundo. — Não pega bem ir com muita sede ao pote. — Em seguida alisou o cabelo escuro. — Nesse meio tempo, por que você não vai até a outra mesa e convida o português para o baile?

— Você está brincando. Na frente de todo mundo?

— Por que não? Você tem miolo de sobra e beleza suficiente para dar de dez a zero em todas elas. E nunca é cedo demais para programar um baile.

Bin levantou-se. Ouvi quando se apresentou ao Michael. —Você é o doutor Fantástico? Eu sou o Jingjingie...

Fiquei ali revirando o canudo no copo vazio de milk-shake pensando nas palavras dele. Seria o máximo ir ao baile com o Perez — ele era tão incrível que compensaria decididamente, o fiasco do ano anterior, com aquele tal do Sivan. E nem me importaria se nunca mais fosse a outro baile — quando se atinge o ápice, é hora de se aposentar.

“- O que você tem na cabeça? — falou uma vozinha interior —Você nem conhece o cara!”

“- Ele não vai me morder, vai? — cochichei comigo mesma. Valeria e todas as outras pareciam estar se divertindo à beça. Provavelmente estavam todas tão a fins quanto eu de ir ao baile com ele."

"- Se você quer mesmo ir com ele, é melhor agir rápido — falou uma voz diferente. — Você tem que arriscar. — No impulso, peguei a mochila. Meu coração começou a bater descompassado. — Você pode sim — resmunguei para mim mesma. — Você dá de dez a zero nelas.”

Ao me aproximar da mesa, fiquei ofegante. Só mais uns passos, pensei, olhando para os pés. Se apresenta. Dá um jeito dele saber quem você é. Levantei os olhos e vi de relance Valeria jogar cabeça para trás e gargalhar, os braços brancos feito leite em volta do pescoço de Felipe.

A confiança me abandonou como o ar de um balão furado. Em vez de parar na mesa, continuei andando em linha reta. Esta não é uma boa hora, disse a mim mesmo, dirigindo-me para a parte da frente. Eu falo com ele amanhã.

Notas finais
A roupa do Derick era mais ou menos essa: https://br.pinterest.com/pin/341851427944985770/ Root Beer = uma cerveja local. A lanchonete realmente existe na Austrália, inclusive o link do site, http://www.ogalo.com.au/index.html Pedido do Changbin = http://www.ogalo.com.au/fiestawrap.html Pedido do Felix = http://www.ogalo.com.au/fiestaburgermeal.html, imagina isso ai duplo rs.e mais um milk-shake aisjaisja' Até a próxima!!