Isso não é...

63 Isso não é um sonho.


Notas iniciais
Oh, outro capitulo no mesmo dia! Só quando eu estava escrevendo esse capítulo eu percebi que existia algo errado, então eu tentei concertar agora, sem desfazer o que eu já disse. Ash criou a imagem de um pai, ele fez a si próprio criar um pai que era a melhor pessoa do mundo, que queria que ele fosse a melhor pessoa do mundo, porque era mais fácil. 7 years - https://youtu.be/LHCob76kigA

I always had that dream

Like my daddy before me

(Sempre tive esse sonho

Como meu pai antes de mim)

63-Isso não é um sonho. (Eles sempre acabam.)

Sábado, 4 de junho

Muitas crianças tinham dois pais em casa. Ou viviam com um e visitava o outro. Mas elas tinham dois pais, elas conheciam dois – dois era importante. Mas Ashton tinha apenas um. Apenas sua mãe. Por que ele tinha apenas sua mãe? Sim, ele era uma pequena criança de cinco anos, mas ele sabia que tinha um pai, então onde ele estava?

—Quem é o meu pai?

Quando viu a dor nos olhos de sua tão anormalmente estranha e alegre mãe, Ashton decidiu deixar aquele assunto de lado. Ele não tinha um pai, simples assim. Sua mãe o havia criado e educado e amado; sua mãe era a única pessoa que importava.

Mas quando as outras pessoas o perguntavam sobre ele, Ashton sempre criava uma história: ele sempre tinha um pai maravilhoso que viajava o mundo, ou um pai corajoso que morreu em combate, ou um pai... Qualquer pai era melhor do que o seu, do que a verdade: um pai que nunca o conheceu, que não quis conhecê-lo.

Cada pessoa conhecia uma história diferente, para cada pessoa Ashton criava uma e mesmo se elas não acreditassem, mesmo sabendo que era mentira porque já tinha ouvido uma versão diferente, ninguém o contradisse. Ninguém a não ser Julie. Ela foi a única que não acreditou em suas palavras, que o forçou a dizer a verdade sem forçar nada. Ashton disse porque quis.

Quando a conheceu, Ashton havia pensando no que seu bondoso pai teria feito, no que seu bondoso pai que não existia faria, e ele não teria feito nada aquilo. Ash não queria fazer nada daquilo. Ele não queria ser uma pessoa que nem o homem que doou metade do seu DNA, como sua mãe dizia, era, mas... E se Ashton fosse igual a ele? Ele tinha metade do seu DNA! E se quando o encontrasse, Ash percebesse que era igual a ele?

—Você vai continuar calado? – murmurou Julie do banco de trás. Ashton grunhiu, ele ainda não queria falar. – Certo, você pode ouvir já que eu fiquei calada e te ouvir reclamar da minha sogrinha a semana inteira.

Ashton ficou calado. Não foi a semana inteira, foi apenas cinco dias, porque domingo ele não falou nada sobre o assunto, ignorando-o, e hoje era sábado e ele não falava. Desde que entrou no carro, Ashton não falava. Então ele não tinha ficado a semana inteira reclamando da sua mãe.

—Você não deveria ter dito nada daquilo a Anne – disse Julie não pela primeira vez na semana.

—Você disse coisas piores a Liz – retrucou Ashton, incapaz de se manter calado.

—É, e todo mundo reclamou. E Liz é quase uma mãe tão boa quanto Anne. Então você está errado.

—Calum chegou a essa conclusão também? – perguntou Ashton, olhando-a pelo retrovisor. – Porque eu adoraria ouvir o que ele te disse para me dizer e você não disse.

—Não hoje, Ashton – repetiu Julie, automaticamente. Essa era sua mensagem automática para o que não queria responder: não hoje. – A questão aqui é o seu modo de falar com Anne. Você sempre reclama do meu comportamento com minha mãe e disse aquelas palavras?

—Não foi tão ruim assim – murmurou Ashton.

Não havia sido realmente, pensou ele. Ele tinha apenas dito "há quanto tempo você tem essas cartas?" e saído da sala antes que falasse mais do que aguentaria depois. E Julie o seguiu e disse "você não deveria ter dito nada daquilo a Anne". Como se ele tivesse dito muitas coisas. Como se ela não tivesse dito coisas piores a própria mãe.

—Anne sabe para onde você está indo?

—Liz sabe para onde você está indo? – questionou Ashton em retorno.

—É claro. Ela disse que desde que eu desse notícias e não voltasse grávida, tatuada e casada, não exatamente seguindo todos esses requisitos, tudo bem.

—Então Anne sabe. – Ashton deu de ombros, rigidamente.

—Anne sabe por sua boca? – perguntou Julie, não deixando o assunto de lado.

—Não, Julie! Maldição, me deixe dirigir!

—Eu não gosto de "maldição" como apelido – disse Julie calmamente em resposta ao seu rompante. – É um pouco pejorativo, eu me sinto insultada.

—Desculpe – murmurou Ash, esfregando os nós tensos da nuca. – Estou um pouco...

—Mal humorado? – ofereceu Julie, aparecendo no espaço entre os bancos, radiante.

—Sim – disse Ashton, apertando os dedos no volante. Como ela podia agir assim?

—Arrependido?

—Sim.

—Vai parar naquele restaurante ali e me comprar tudo que eu conseguir comer?

—Sim... Espere, o que?

—Você é tão fácil, Ashton – provocou Julie, assoprando as palavras no seu

ouvido. – Agora encoste.

Julie entendia Ashton. Ela provavelmente era uma das pessoas que mais entendia o porquê de Ashton está assim, porque ela ficou assim ao descobrir que sua mãe estava namorando. O sentimento de traição era péssimo. Mas mesmo tendo passado por isso, mesmo sabendo como era o sentimento, Julie ainda achava que tudo isso era drama e ficava surpreendida por alguém ter tido paciência com ela. Ela sentia-se triste por Ashton não ter uma namorada mais paciente, com mais empatia, mas... Julie estava com fome.

Fome realmente. Ela já tinha passado do seu horário sem fome e agora estava completamente nele. Ashton era o culpado por tê-la tirado de casa antes de fazer o desjejum, então que se responsabilizasse.

—Eu não vou pagar – disse ele. – Você apareceu dentro do carro como se fosse mágica, eu não pedi por companhia.

—Você disse que queria minha companhia mesmo quando não quisesse a de ninguém – relembrou Julie. – E o contrário vem no pacote, então você pediu minha companhia ao me pedir em namoro.

—Você fica tão fofa preocupada – zombou Ashton. – Que até mente dizendo que eu te pedi em namoro para se sentir melhor.

—Eu não estou preocupada – negou Julie, escolhendo ignorar o mau humor de Ash que caia até em cima do namoro deles. Oh, sim, ele esperasse que ela iria terminar naquele momento, quando estava há mais de duas horas longe de casa, num local onde não conhecia.

—E eu não tenho dinheiro.

—Eu não estou preocupada – repetiu Julie devagar.

—Eu sei. E eu não tenho dinheiro. É sério. Eu só coloquei o combustível e esqueci que eu precisava de dinheiro.

—Você é um péssimo namorado, Ashton – suspirou Julie. – Agradeça a sua sogra e a minha por ter me dado dinheiro.

—Mamãe te deu dinheiro?

Ashton parou com a mão na porta, pronto para fechá-la e encarou sua namorada. Ele tinha certeza que sua mãe não sabia dos seus planos até que fosse tarde demais, ele tinha certeza que ela não iria querer que ele fosse atrás do homem que doou metade do seu DNA, que tinha dado o cartão postal com a certeza que seu filho não iria precisar, mas... Ash queria saber mais. E sua mãe sabia disso. Superando toda a tristeza e raiva, Anne havia sido a mãe maravilhosa que era e tinha dado a ele essas respostas.

—Quem você acha que me pediu para te acompanhar? – questionou Julie, batendo a porta por ele. – Anne sabia que você iria procurar seu pai, todos sabiam disso, e ela sim estava preocupada, então aqui estou.

—Porque minha mãe pediu – completou Ashton, decepcionado pela sua namorada e culpado por sua mãe. Ele era um péssimo filho, ele nunca foi um péssimo filho, ele não sabia como agir sendo um péssimo filho.

—Eu estou aqui porque ela estava certa sobre você precisar de companhia – corrigiu Julie. pegando sua mão. – Agora o que você quer comer? Estou pagando! Eu sou riiica.

Duas horas depois, duas malditas e tenebrosas horas depois, quando o GPS anunciou "vire a esquerda, vire a direita, siga reto por dois minutos e você chegará ao local desejado", Ashton já estava pronto para deixar aquele carro e ir, apenas ir, ou abandonar Julie no meio da estrada, porque ela não calava a boca.

Todas as músicas infantis, desde cantigas populares a filmes da Disney, Julie cantou, e Ash já estava cheio da voz dela. Ele amaria de coração ouvir algo que não fosse a voz desafinada de Julie tentando fingir que sabia cantar.

—Você não sabe cantar, Julie – reclamou Ashton. – Pare!

—Na-na-na-não – cantarolou ela. – E mamãe sempre diz que eu sou muito afinada cantando "um elefante incomoda muita gente, incomoda, incomoda, incomoda muita gente..."

—Ela mentiu – interrompeu Ash.

—Hum... – pensou Julie. Não seria mentira dizer que não não estava surpreendida. Sua mãe mentir? Sério? Quando ela falou a verdade? – Então, você já pensou sobre o por que do homem que doou metade do seu DNA ter decidido te conhecer apenas agora?

Sim, Ashton já tinha pensando e não gostava de nem um das opções, mas ele queria saber, mesmo que não fosse gostar. Ele com certeza não iria gostar, contudo Ash não iria deixar aquilo para lá; ele não conseguiria.

—Eu tenho três teorias. Um, ele está com uma doença terminal e decidiu ser uma boa pessoa. É, tem gente que só faz o certo porque... Não sei, mas tem – disse Julie ao olhar estranho de Ashton, que não era nem de quem acreditava nela nem de quem não acreditava nela. – Dois, os outros filhos dele querem te... Sem chance, isso não é possível. Três, ele precisa de você para... Não cheguei nessa opção ainda.

—Você teria chegado se não tivesse ficado cantando o caminho todo – murmurou Ash, tentando não pensar sobre Julie ter razão. E sobre só faltar o "siga reto por dois minutos e você chegará ao local desejado". Ele tinha chegado ao seu local desejado.

—É um bairro chique – observou Julie. O local tinha um ar de alta sociedade, com tudo branco (paredes, carros, caixa de correio, meio fio) e grama recém podada; era de encontrar uma agulha no chão. – Ou o seu pai é alguém rico ou ele trabalha para alguém rico.

—Você é a Sherlock da minha vida – disse Ashton, respirando fundo para o que iria fazer. Ele faria o que planejou fazer?

—Ao seu dispor, meu caro Watson. Então, quer entrar pela porta da frente ou da... Acho que isso responde minha pergunta – respondeu Julie a sua pergunta, saindo do carro e chegando ao lado de Ash bem quando a porta se abriu.

Julie olhou de um para o lado enquanto eles se avaliavam em silêncio, igualmente surpresa pela semelhança entre eles. Ashton ainda precisava crescer mais um pouco e cortar o cabelo de forma decente para que a aparência deles fossem igual; a única diferença estava nos olhos de Anne... Julie não sabia explicar o que era, mas o que tinha feito ela gostar de Anne e de Ashton de cara tinha sido aquilo: era a honestidade que aquele cara na sua frente não tinha.

—Você é o dono ou um empregado?

As palavras pularam fora da boca de Julie, completamente curiosa. Meio por ter certeza, meio por estar na dúvida. Julgar alguém pelos olhos não era bom, mas não confiar em seu instinto era pior e ele dizia que aquele cara não era confiável.

—Eu sou Tyler Jackson – sorriu ele.

—Seu filho – apontou Julie para Ash mesmo quando ele fez menção de abrir a boca. – Sua nora – apontou ela para si mesma. – Podemos entrar? Estou cansada pela viagem. E com fome.

—Podemos ajeitar isso – sorriu ele ainda mais, abrindo completamente a porta. – Entrem.

A sala era igualmente branco, Julie tentou não perceber, mas parecia que a cor ficou gravada na sua mente mesmo quando fechou os olhos. Sofá branco, almofadas brancas, tapete branco... Branco. Branco, branco, branco. E branco.

—Sentem-se – disse Tyler, mostrando dentes brancos. – Vou pegar algo para essa mocinha.

—Se ele sorrir mais uma vez – murmurou Julie quando estavam sozinhos para o anormalmente calado Ashton – você ficará oficialmente órfão.

—Se você não me deixar falar – avisou Ash – vou te deixar viúva.

—Isso é impossível – sorriu Julie, — não somos casados. E estou proibida de me casar até segunda ordem, então sem viuvez.

—Desculpe a demora – desculpou-se o homem ainda sorrindo e trazendo chá e biscoito.

Julie não gostava de chá, não gostava daqueles biscoitos; ela suspirou com a confirmação que iria passar fome. Aquele seria o dia que ela teria fome, fome realmente; ela só teria fome porque não tinha comida. Era a vida.

—Calada – negociou Ashton, entregando barra de cereal após barra de cereal do bolso do casaco para ela.

Colocando a mão no coração de forma mais sentida possível, Julie balbuciou sem emitir som "obrigada", porque foi por ela que Ash tinha comprado tantas barras de cereais de sabor chocolate. Com tanta coisa na cabeça, seu namorado ainda tinha pensado nela. Era tocante. E ela amava chocolate. Como ele sabia?

—Então... – começou Tyler, cruzando as mãos. – Acho que você deve ter muitas perguntas.

—Só uma: por que você decidiu se comunicar apenas agora?

—Eu e sua mãe éramos muitos jovens, e quando soube que...

—Você soube? – interrompeu Ashton. Sua mãe havia deixado essa informação de lado, sugerindo que seu pai havia desaparecido sem saber, agora esse homem na sua frente, que era muito parecido consigo, dizia que sabia e que tinha abandonado-os a própria sorte?

Algo semelhante a vergonha passou nos olhos de Tyler, mas outro sorriso brilhante o escondeu e ele disse:

—Éramos jovens e hoje eu percebo que não deveria ter agido assim...

—Você está morrendo? – questionou Ashton, subitamente, desmentindo-se sobre ter apenas uma pergunta. Ele não queria desculpas, ele queria respostas diretas; se precisasse fazer perguntas diretas para tê-las, ele faria.

—Não – disse Tyler, devagar.

—Outros filhos?

—Não.

—O que você quer?

—Esse é o meu garoto – murmurou Julie, mascarando a voz com uma mastigação ruidosa, mas a campainha soou, escondendo-a muito melhor do que seus maus hábitos conseguiriam.

—Deve ser ele – sorriu Tyler, levantando-se. – Um momento.

—Ele? – balbuciou Julie, contudo os olhos de Ashton concentravam-se na porta e nos dois homens que não era o seu pai.

Ash não sabia o que esperava encontrando Tyler, mas conhecer Andrew rapidamente tinha sido muito mais agradável e acolhedor do que agora, com aquele homem que só parecia sorrir, que só enrolava e que não era um pai corajoso, honesto ou morto, com aquele homem que não era o seu pai.

—Esse é o meu advogado – apresentou Tyler. – E esses são...

—Advogado? – repetiu Ashton.

—Eu pensei que pudéssemos precisar. – Ele deu de ombros, num gesto que não era de desculpas, mas um que transbordava indiferença quanto a qualquer opinião que não fosse a própria.

—O que você quer? – perguntou Ashton novamente.

E talvez percebendo a irritação que irradiava de Ash, Tyler foi direto, com um sorriso cada vez menos brilhante ao contar o que queria:

—Planejo me candidatar e um filho ilegítimo, que não recebeu nem um suporte durante toda a vida, será o meu fim. A história oficial quando sair esse boato será que eu não sabia, que você me procurou com as poucas informações que sua mãe tinha, e que estávamos aproveitando nossos momentos pai e filho, nos conhecendo, e que eu me responsabilizo com todos os seus gastos, meu advogado está aqui com tudo que você terá direito. – Ashton ficou calado. Julie continuou comendo, mastigando mais ruidosamente do que nunca. Tyler aceitou isso como um consentimento e voltou a sorrir ao continuar: – Todas as pessoas amam uma história de segunda chance, então passaremos aos eleitores a imagem de que eu era jovem e imprudente e que hoje eu reconheço meus erros...

—Um momento – interrompeu Julie, tremendo para jogar algo no chão enquanto levantava-se. – Sim, Ashton, eu disse que iria ficar calada. Ou não disse. A questão é não vou ficar ouvindo isso. Você vai colocar sua falta de caráter no fato de ser jovem? Porque caráter não vem com idade. Anne ficou grávida, você era o pai, vocês dois eram jovens, o que fazer? Seja o pai. Você não desaparece, finge que não tem relação com você, e depois surge querendo algo. Você não é o pai dele. Ashton não precisa de você, porque Anne foi a mãe dele. Mesmo sendo jovem ela foi, então não use o fato de ter sido jovem como desculpa por não ter sido um pai.

—Obviamente essa mocinha não entende o que você pode ganhar...

—Obrigado – sorriu Ashton, com a educação que sua mãe havia lhe ensinado, que sua mãe havia batalhado para que ele possuísse, ao puxar sua namorada para longe daqueles seres horríveis. – Mas eu não sou seu filho.

—E pare de sorrir! – gritou Julie, horrorizada.

Não parando nem para fechar a porta, Ashton saiu puxando Julie, não sentindo nada além de suas mãos que tremiam. Ele não conseguia acreditar, ele simplesmente não podia, não tinha como aquele homem ser seu pai, na tinha como sua mãe ter se envolvido com uma pessoa assim, não tinha como ele se torna uma pessoa assim.

—Sinto muito – disse Julie quando Ashton havia ficado calado tempo o suficiente para estar de volta aos trilhos, embora soubesse que não seria tão fácil assim. – Urg, isso parece tão falso.

—Não parece – interrompeu Ashton, apertando o volante entre os seus dedos. Ele sabia o quanto aquelas palavras que saiam da boca de Julie eram verdadeiras, que ela quis dizer aquilo apesar de não ter culpa...

—Vamos tentar de novo – disse Julie, colocando a mão por cima da de Ash quando ele tentou passar a marcha. – Eu estou triste por você.

—Ele – cuspiu Ash. – Ele é um bastardo.

—Você é o bastardo – retrucou Julie, sem nenhuma gentileza, apenas dizendo os fatos o que fez Ashton rir. Nem o fato dele ser um bastardo impediria Julie de dizer o que queria. – Por isso que eu vou adotar.

—Você vai adotar? – questionou Ash, surpreso pela mudança abrupta de assunto. E grato.

—É, faz parte do plano.

—Por causa de Andrew?

—Em parte – confessou Julie. – Papai nunca foi adotado porque era velho demais para isso e eu quero fazer a diferença na vida de alguém. Tem tanta criança precisando de uma mãe e já que elas não deram valor aos nove meses e a dor, eu vou dar. E poupar minha dor.

—Hum...

Ashton avaliou a situação. Era um bom plano e todos os pontos que Julie citava eram válidos. Existiam muitas crianças que precisavam de pais, existiam crianças que eram ignoradas porque não eram mais bebês, e nove meses grávida com um ser sugando sua energia não era algo a ser ignorado. Ash não queria nem pensar na dor que deveria ser, e seria demais aguentar Julie grávida por... Ele estava pensando em filhos?, parou Ash. Com Julie? Julie que havia adormecido ao seu lado e que parecia tão frágil e adorável e quieta e pacifica?

Ashton sorriu. Ele não sabia há quanto tempo avaliava a situação, mas ele estava pensando em casamento com aquela pessoa adoravelmente irritante ao seu lado, porque queria dar aos seus filhos o que não teve. Até que seu sonho veio abaixo com o grito que Julie deu e o volante que escapou da sua mão.

Notas finais
Jackson é um sobrenome tão comum que eu me sinto sem pressão ao escrevê-lo. Não sei como fazer suspense para o próximo capitulo, então...