Isso não é...

60 Isso não é preocupação.


Notas iniciais
Isso é um milagre! Eu postando as 14h! Loke like woe - https://youtu.be/oh6Oz-L156c

I kinda feel like it dont make sense

Because you're bringing me in and now you're kicking me out again

(Eu meio que sinto como se não fizesse sentido

Porque você fica me deixando entrar e agora você está me chutando pra fora de novo)

60-Isso não é preocupação. (Namoro ou amizade?)

Segunda-feira, 23 de maio

Namoro, namoro, namoro... Não importava quantas vezes repetisse essa palavra, Ashton ainda não conseguia acreditar nela. Ou entender seu significado completamente. Namoro era uma palavra nova no vocabulário dele e tudo que Ash acreditava saber sobre isso apenas provou que ele não sabia nada.

Primeiro: qual era a diferença entre namoro e amizade? Ashton não percebeu muitas. Ele e Julie estavam como sempre, as pessoas o tratavam como sempre – se é que alguém além dos seus amigos sabia que eles estavam namorando (Ash não culparia ninguém de não sabe quando ele mesmo não sabia), porque eles estavam como sempre.

Segundo: como diferenciar namoro de amizade? Ashton queria, esperava, algo de diferente. Mais toque, mais beijo, mais... Apenas mais. Ele esperava ter Julie apenas para si nem que fosse por um dia, nem que fosse pelo primeiro (ou seria segundo?) dia de namoro. Mas, claro, o problema estava em Julie – não era a toa que ela era o terceiro motivo dele não saber o que era namoro, porque...

Terceiro: Julie sabia o que era um namoro? Porque Ashton podia não saber muito, mas ela com certeza não sabia nada.

Quando Ashton tinha dito que teria a casa inteira apenas para eles, podendo ou não ter sugerido que sua mãe não iria aparecer do nada, ele não esperava que Julie trouxesse Calum a reboque.

—O que você está fazendo aqui? – perguntou Ash, tentando impedir a entrada dele em sua casa.

—O que você planejava fazer com a minha irmã? – questionou Calum, estreitando os olhos para ele. – Luke tinha razão ao dizer que você tinha segundas intenções com Julie?

Antes que Ashton pudesse dizer “dã, é claro”, porque era claro que ele tinha segundas intenções com a sua namorada, Julie gritou da cozinha, pronta para começar:

—Você deveria parar de acreditar em tudo que Luke diz, é claro que Ash não tem segundas intenções! Nós estamos aqui para estudar, não foi isso que eu disse pelo telefone?

Enquanto Ash olhava surpreso para Calum, pensando que aquilo, nada daquilo, era o que ele esperava – como ele ia saber que quando Julie disse que eles iam estudar bastante pelo telefone, ela falava sério? – Calum disse, um pouco constrangido:

—Quem não tiver boa nota não vai poder ia ao acampamento. – E completou, achando que a surpresa de Ashton estava no fato dele estar ali para estudar: – É melhor prevenir do que remediar.

Aproveitando o momento de descuido, Calum passou por baixo do seu braço e sentou-se no único local perto de Julie, obviamente não acreditando que Luke mentia apesar do que Julie disse – ele não o culpava, Ash suspirou, sentando-se em frente a eles. Entre Luke e Julie, Luke era o gêmeo confiável. Luke era... Como Luke pode ter deixado sua irmã sair de casa vestida assim?!

Ashton pensava que existia um certo código de vestimenta de que garotas comprometidas deveriam seguir e mostrar os peitos não estava incluído no pacote – ou fora, já que Ash enxergava os de sua namorada quando ela inclinou-se sobre a mesa para apontar para uma questão no caderno dele.

Desviar os olhos foi a ação mais difícil da vida de Ashton Irwin, ele se achava digno de ser santificado, porque até Calum parecia ter o mesmo problema, olhando fixamente para um local que não era nem os olhos de Julie nem onde o dedo dela apontava.

Qual era o problema de Julie com roupas apertadas? Ashton preferiria muito mais se ela estivesse com uma roupa apertada, entretanto Julie estava com uma blusa tão folgada que, quando ela se inclinava para frente, dava para ver tudo por baixo. Deu para ver tudo por baixo.

—Você vai me responder ou continuar olhando para os meus peitos?

—Eu posso te responder olhando para os seus peitos – respondeu Ashton. Não seria ele a dizer sua opinião sobre a roupa de Julie, porque seria capaz dela fazer pior da próxima vez. E todas as outras.

—Você pode, mas não quando você não sabe o que te perguntei – disse ela. – Não vai perguntar o que eu perguntei?

—Não – disse Ashton, passando uma folha do seu caderno em desafio. – Quem quer saber a resposta de sua pergunta é você, se quiser a resposta dela pergunte de novo.

Julie manteve os lábios selados, concentrando-se em sua revisão, porque passar e tirar um dez era a diferença entre ser ela e qualquer outra pessoa. Como ser perfeita se não conseguisse nem mesmo isso? Como ser ela se não tirasse um dez? Como ser ela se sua curiosidade não fosse respondida?

Ouvindo Ash passar mais uma folha, Julie finalmente perguntou, incapaz de continuar calada:

—Você está em qual questão?

Muito concentrado em responder as questões, Ash não sabia nem em qual questão estava até olhar para o caderno, procurando-a.

—A décima quinta.

—Como? Eu não cheguei nem na cinco e você já está... – Julie parecia surpreendentemente surpreendida e irritada por alguém ter conseguido ultrapassá-la. – Deixe-me ver... – Puxando o caderno das mãos de Ashton antes que ele pudesse impedi-la, Julie olhou cética de um para o outro. – É para você responde-las, não sair pulando-as!

—Mas eu não sabia – disse Ash, gentilmente, puxando seu caderno para si. – Então é melhor ir para alguma que sei.

—Você não respondeu nenhuma – apontou ela.

—Porque nenhuma que eu sei já apareceu.

—Não é assim que funciona, Ashton! Você tenta até acertar...

—Mas se eu já sei que não sei, então como saberei se conseguir acertar as que eu achava que não sabia?

—Me pergunte! – reclamou Julie, não ficando confusa com a enrolação, como Ash esperava. – O que você acha que eu estou fazendo aqui? Eu vim te ajudar a passar em matemática!

—Hum... – tossiu Calum, tentando ser lembrado. – Será que você podia me ajudar nessa questão, Julie?

—É claro, coração – concordou Julie, sorrindo tão...

O sorriso era tão não-Julie que Ashton sentiu-se ciumento, porque aquele sorriso anormal deveria ter sido dado a ele, não a Calum – embora aquele devesse ser um sorriso normal para Calum e Ash não tivesse feito nada para merecer um...

Ashton suspirou. Ciúmes, drama, espera... Isso era namorar? Porque ele sabia que Julie era mais sentimental em relação a Luke e Calum. Ele sabia. Não tinha como ser diferente crescendo com eles, mas, mesmo assim, Ashton ainda sentiu-se excluído.

—Você quer ajuda em alguma questão, Ashton? – perguntou Julie.
Ou talvez não.

Talvez Julie estivesse se esforçando do seu jeito no namoro, porque a Julie antes namoro não teria perguntando isso, teria ficado mandado indiretas na sua direção até que Ash se cansasse e pedisse que ela o ajudasse.

—Não estou entendendo a número...

—Qual é a palavrinha mágica?

Ou talvez não.

Ashton sorriu, abaixando a cabeça para as perguntas sem respostas, recuando-se a dizer a palavrinha mágica, porque essa era a Julie que ele conhecia e Ash não faria o que ela queria. Nem a trocaria por nada.

Terça-feira, 24 de maio

Ashton poderia tentar tanto quanto quisesse, ele nunca conseguiria girar a bola de basquete sobre um dedo. Não importa o quanto ele tentasse, Ash não conseguia. A bola não fica sobre o seu dedo. Nunca. E ouvir os outros dizer é fácil não ajudava.

—É física – disse Julie ao invés disso. – O centro de gravidade está apoiado, nada fará isso cair enquanto permanecer assim.

—Você esta tentando me ensinar física assim? – perguntou Ash, nem tentando disfarçar o sorriso. Ele iria falha de qualquer jeito, então porque não mostrá-lo?

—Não sei, está funcionando?

Julie sabia que se essa técnica não funcionasse, mas nem uma iria. Ashton não era um adepto da “faça seu dever” – ele nunca se dava bem nessa, mas ontem parecia bem mais distraído do que o normal. De qualquer jeito, Julie também não gostava dessa, sua favorita envolvia uma bola, um cesto e vida real.

Ash era do tipo que aprendia fazendo, mas não do tipo “resolva essas questões que isso entrará na sua cabeça”, porque elas não entravam e Julie sabia disso. Não adiantava colocar um caderno, prestar assistência, porque não fazia diferença. A diferença para Ashton estava em usá-las na vida real; ela ficava gravada na sua mente desde que fizesse sentido, era assim que você aprendia as operações básicas e não se esquecia. E, sim, Julie sabia que ele não havia aprendido nada ontem, mas ela gostava de maltratá-lo um pouquinho e fazê-lo valorizá-la antes de ajudar, para que ele não viesse com o papo sobre só sabe que ama depois que não tem – saiba antes de não ter!, Julie queria gritar... para essas pessoas.

—Você pode fazer isso? – questionou Ash, observando-a quicar a bola.

—É claro que sim... – zombou Julie, passando a bola de uma mão para outra. – Eu posso fazer isso muito melhor do que você.

—Então por que você não entrou para a equipe de basquete no ensino médio?

—Desde que eu não me esforce demais não tem problema – completou ela.

—Você não está se esforçando demais nesse instante?

Preocupação também não entrava na lista de Coisas Feitas por Namorados, também era uma coisa de amigo, mas Ashton estava muito preocupado para se preocupar com isso. Julie era... Julie estava... Julie poderia... Embora a saúde de Julie estivesse boa agora, isso não significava que ela continuaria e Ashton se preocupava, porque ele não queria ser mais um andando em círculos na frente dela. E se tão rápido quanto Julie melhorou (ela poderia ser considerada um milagre médico), ela piorasse?

—Você quer aprender ou não, Ashton?

Ao invés de responder, Ashton roubou a bola dela e enterrou-a na cesta.

Em resposta, Julie mascou um chiclete invisível, transbordando indiferença, e ficou em posição.

—Última pergunta – murmurou Julie, virando o rosto para poder olhá-lo enquanto Ashton a marcava de perto.

Bem, bem perto. Mais perto do que o permitido. Mais perto do que o necessário. Mais perto do que seria certo com a pequena plateia que tinham arranjado, porque era claro que Julie Hemmings seria perfeita em tudo o que fazia e muito melhor e manipulativa do que Ashton.

—Sim? – aspirou ele.

Julie estava perto. Tão perto que Ashton podia beijá-la, mas quando ele girou para o lado para impedir que ela avançasse, Julie driblou para o outro e jogou a bola, num perfeito movimento de cesta de três pontos.

—O que eu ganho por ter ganhado? – questionou ela, olhando-o ao invés de prestar atenção no fato da bola ter ou não entrado.

Ashton balançou a cabeça, nem um pouco incrédulo ou disposto a conferir se a bola tinha realmente caído dentro da cesta, porque se tinha alguém talentoso no basquete, esse alguém era Julie. Ashton balançou a cabeça decepcionado por Julie tentar chamar atenção a esse fato, embora não estivesse surpreendido... Ele faria o mesmo se estivesse no lugar dela! Quem não faria?

A pequena plateia pareceu uma multidão ao bater palmas e correr em direção a Julie, cercando-a e parabenizando-a, pedindo autógrafos e fotos, explicações e dicas. Julie era o novo ídolo deles e sorria tanto, mais do que Ashton já viu alguma vez, que ele nem tentou não sorrir novamente. Ou Julie gostava de atenção – ela gostava, mas não de estranhos; ou Julie estava feliz. Muito, muito feliz. E isso fazia Ashton feliz.

Ashton só não estava muito, muito feliz, por causa das pessoas que batiam a mão no seu ombro e lançavam-lhe olhares solidários, como se tentassem dizer que vencer seria impossível. Ash não sabia se era pior o fato de ninguém estar zombando dele por ter perdido para uma garota ou de todos acharem que vencer seria impossível.

Tudo bem que era incontestável que Julie Hemmings era uma ótima jogadora, que poderia fazer sucesso, ganhar bolsas de estudo, mas... Ash ainda gostaria de um pouco de atenção desmerecida – e ele estava passando tempo demais com a Julie para estar se sentindo assim.

—Então – Ashton se aproximou dela quando os fãs lunáticos acalmaram-se um pouco. – O que você quer ganhar por ter ganhado?

—Ahn...

Julie olhou-o sem entender e, antes que Ashton pudesse explicar, ela pulou em seus braços, beijando-o como se não houvesse amanhã – foi uma animação impressionante vindo da parte dela. Somente os assobios e as palmas distantes fizeram com que Julie parasse.

—Esse é o seu prêmio? – murmurou Ashton.

—Ahn? Não. Se estamos namorando isso de beijo vem no pacote, não?

Quarta-feira, 25 de maio

—Esse é o seu namorado? – foi a primeira pergunta que Ashton ouviu assim que ele e Julie colocaram os pés na quadra no outro dia.

Embora Ash quisesse responder, a pergunta não fora feita a ele e era falta de educação interromper a conversa alheia, além de que queria saber a resposta de Julie – se bem que ouvir chegava mais perto.

O sentimento de estar namorando ainda era novo e Ash sentia-se meio animado e meio que esperando que Julie dissesse que foi tudo uma brincadeira. Uma brincadeira muito cruel, muito cruel até para ela, embora ele não fosse ficar surpreso se fosse uma brincadeira, porque Julie era meio cruel às vezes.

—Ah, esse? – acenou Julie, desinteressada. – É meu kouhai, ignore-o. Nossa relação é estritamente profissional. Sou a professora dele, mas... Uh, acho que agora entendo Michael – disse ela, olhando para Ash. – É meio que revitalizador essa relação proibida, então, já que não posso ter Luke, ou Calum, sobra você. Parece que estamos presos um ao outro, Ashton – suspirou Julie, pegando sua mão, antes de completar para o garoto que havia lhe perguntando se Ashton era seu namorado, ainda olhando para seu namorado: – Sim, ele é meu namorado. E aluno! – ressaltou ela, enfática, para deixar bem claro o romance proibido no ar. – Professora, aluno. Namorada, namorado. Entendeu?
Assustado com a loucura, o garoto recuou. Até dobrar a esquina.

Muito antes de Julie começar a confessar seus sentimentos mais íntimos a um completo estranho, ele decidiu não chamar a bonita e talentosa jogadora de basquete para sair porque ela era louca. Garotas eram loucas. Sem exceção. Nem mesmo as bonitas e talentosas se safavam. Elas eram as piores provavelmente.

—Cadê o garoto? – questionou Julie, não o vendo mesmo ao dar um giro de 360º graus. – Ele era tão fofinho!

—Acho que você o assustou – disse Ash. – Você me assustou.

—Crianças de cinco, seis anos, não se assustam tão fácil – desconsiderou Julie. – Será que ele foi abduzido por ETs?

—Será que ele pensou que estava num filme de terror? – retrucou Ashton.

—Você parece meio assustador... O que foi? Você está com uma áurea meio negativa. De uma escala de 0 a 10, eu diria que você está lilás.

—O que lilás significa? – sorriu Ash. – Ou quanto vale?

—Eu não sei, não lembro. – Julie deu de ombros. – Eu não gosto de lilás e você está de lilás, então eu diria que você está irritado comigo, e já que não gosto de lilás eu daria 3. Por que você está irritado comigo?

Quinta-feira, 26 de maio.

Ashton não estava irritado com Julie. Seria bem mais fácil se ele ao menos soubesse o porquê de estar irritado. Talvez devesse considerar a opinião de Julie sobre está irritado com ela, parecia a opção mais provável, embora Ash ainda não soubesse o motivo por trás. Era difícil saber o motivo de estar irritado com alguém quando você nem ao menos a via.

—Cadê a Julie? – perguntou sua mãe, entrando no seu quarto sem bater. – Eu pensei que ela estaria aqui, já que as provas acabaram, aproveitando o recém namoro.

Ashton nem se preocupou em questionar como ela sabia do namoro – desse jeito ele não iria dizer mais nada a sua mãe, já que, dizendo ou não dizendo, Anne Irwin saberia do mesmo jeito. Talvez Ash estivesse irritado com isso e o fato de sua mãe estar em casa, porque significava que não poderia estar sozinho com sua namorada. Não que ela estivesse ali.

Ashton suspirou. Não importa o quanto pensasse sobre isso, Ashton se via com Julie como a causadora da sua irritação. Aquele namoro mal tinha começado e já estava indo de mal a pior. E o pior era que Ashton nem pensava em terminá-lo, ele até que gostava disso. Ele devia considerar seriamente o masoquismo que Julie tanto falava, porque isso começava a afetá-lo.

—Julie? – chamou sua mãe novamente. – Cadê. Ela.

—Nós terminamos – disse Ash simplesmente, fechando os olhos. Para deixar a cena mais verídica, ele rolou para o lado, cobrindo-se com a colcha, e murmurou: – Não quero falar sobre isso.

—Sim, sei, acredito – disse Anne, não acreditando nem um pouco. – Diga para ela que a admiro pela paciência de ter namorar.

Sexta-feira, 27 de maio.

—Qual o seu problema? – questionou Julie assim que o viu na escola. – Você está com um mau humor terrível. Estou até me sentindo má humorada em consideração. E eu não gosto disso! Eu sou uma pessoa livre, leve e solta, não uma âncora presa a algo me puxando para baixo!

—Você está terminando comigo?

—Ashton – disse Julie, batendo as mãos em suas bochechas. – Foque em mim. Quando eu for terminar com você...

—Quando?

—Se – corrigiu ela, com um revirar de olhos. – Melhor? A questão é: eu não vou perguntar sobre seu humor, porque eu não ligarei para isso.

—Você está gostando disso – disse Ash ou alguma outra coisa parecida, porque seu rosto estava deformado pela pressão que Julie fazia e ele tinha certeza que parecia um peixe. Ou pior.

—Essa sua expressão é adorável – murmurou Julie, sorrindo para a expressão adorável e horrorosa dele. – E você precisa parar.

—Me solte.

—Não – disse Julie, não o soltando, embora Ash também não tenha tentado se afastar. – Não estou falando disso, eu quero dizer que você precisa parar de tentar ser meu namorado.

—O que? – perguntou Ashton, corretamente, livre das mãos de Julie. – Eu tenho que parar de ser seu namorado? Você disse nesse instante...

—Parar de tentar ser meu namorado – corrigiu Julie, pegando as bochechas de Ashton novamente. Ela estava gostando daquilo. – Você está tentando tão conscientemente ser meu namorado, tão preocupado em ser meu namorado, um bom namorado, que você não está sendo. Nem sequer um namorado.

—E o que você sabe sobre isso?

—Obviamente mais do que você, o que coloca você numa posição bastante ruim. Qual a diferença de namoro e amizade, Ashton? – questionou ela. E completou, nem deixando tempo para resposta (se Ash não soubesse que aquela pergunta era retórica, ela deveria reconsiderar o namoro): – Não existem muitas. Nós já somos melhores amigos, eu já tenho conto o que eu quiser contar, você pode me perguntar o que quiser saber, a única diferença é o fato de eu estar atraída por você. A diferença de amizade e namoro é a atração sexual... Atração sexual realizada – completou, porque existia atração sexual entre amigos e isso não significava que ela era realizada. – E você precisa parar de tentar que as pessoas percebam isso. Você quer namorar comigo ou com a ideia das pessoas saberem que você está me namorando? Não que eu o culpe, eu sou maravilhosa, mas pare. Entendeu? – Ash balançou a cabeça, querendo negar, mas Julie forçou-a num movimento para cima e para baixo. – Ótimo. Agora o que você vai ser amanhã?

—Amanhã? Ser? Você está falando do baile...

—Claro que não – negou Julie, horrorizada. – Eu? Num baile? Mais nunca na minha vida! Amanhã é o RPG, esqueceu?

Ashton suspirou, suas habilidades de atuação tinham melhorado, sem duvida, mas ele preferiria que tivesse realmente esquecido que amanhã era o Grande Dia, como Julie chamava.

—E Ashton? Poderemos “namorar”, como você quer, no seu aniversario.

—Eu não sei do que você está...

—É claro que você sabe do que eu estou falando – interrompeu Julie. – Eu planejava fazer você dizer, mas não tenho paciência para tanto, então respire fundo e tenha por mim. Céus, quero um pouco de chocolate agora – disse ela, passando na sua frente. – Você vem ou não? – questionou Julie, quando ele não se mexeu.

Notas finais
Essa hora não é a minha hora preferida para papo.