Isso não é...

48 Isso não é família.


Notas iniciais
Imagine, estou lá terminando o capitulo quando me dou conta que Ashton é disléxico, então o que um livro faz no quarto dele?! Reescreva o capitulo, Bela, reescreva o capitulo. Esse capitulo e o anterior eram apenas um, quando percebi que estava deixando algumas questões em aberto - Liz não mandou eles tomarem banho ou Julie ligou para casa - então... Dividi em dois e fiz um novo final e um novo começo. A música é Beautiful for me - https://youtu.be/GuKL8JZMrVY

She's been fighting all the demons so she'll never be free

She's been hiding in the shadows yeah its hard to believe

But I don't know why

(Ela está lutando contra todos os demônios para que ela nunca seja livre

Ela está se escondendo nas sombras, sim é difícil acreditar

Mas eu não sei por quê)

48-Isso não é família. (Família faz tudo pensando no melhor.)

Sexta-feira, 13 de março

Olhar para Julie nunca passou a Ashton o sentimento de que algo estava errado, e não era apenas por causa dos olhos vermelhos e das lágrimas, era como se... Apenas era errado. Uma farsa. Julie estava fazendo o que ela disse a Calum que iria fazer, que Ashton pensou ser apenas uma frase de efeito? Aparentemente ele enganou-se – Julie o enganou. Ela fingia que estava bem quando não estava!

—O que foi? – questionou Julie. – Você está me olhando de um jeito estranho. Desde que...

—Você não está fazendo nada agora para me seduzir, está? – interrompeu Ash, tentando ser engraçado. Não seria ele a dizer a verdade.

Sobre a luz das informações recentes, sobre o fato de descobrir que estava a meio passo de estar apaixonado por Julie, Ashton seria um hipócrita se a julgasse. Ele entendia a necessidade de fingir, de querer que aquilo fosse verdade. Se ele fingisse bem – realmente bem – será que não tinha como aquele sentimento desaparecer?

Sinceramente, agora Ashton considerava-se um hipócrita. Antes ele não entendia por que tinha pessoas que passavam anos apaixonados por alguém e nunca dizia nada; no momento, Ash admirava Julie ainda mais. Se declarar tinha que ser corajoso ou um idiota supremo, que não avalia os muitos riscos de algo dar errado. E se – Ashton odiava esse pensamento, mas e se – a amizade deles fossem prejudicada? Julie era corajosamente uma idiota suprema.

—Claro, Ashton. Claro que sim. – Julie revirou os olhos – Minha vida gira ao seu redor, mesmo agora. Você acha realmente que estou ligando para você agora?

Ashton não respondeu. Ele não gostava do fato de Julie não se importar com ele naquele momento, embora se sentisse culpado por ser tão egoísta. Não era o fim do mundo Julie não estar seduzindo-o e ele sentisse seduzido. Não era, só que Ashton preferiria que fosse.

—O que foi? – perguntou Julie novamente, quando Ashton não parou de olhá-la estranho.

Tinha alguma coisa em Julie que o impedia de desviar o olhar, mas não era algo que ele nunca tinha visto e de repente estava ali. Tudo que Ashton via em Julie naquele momento, ele sempre via nela, mas nunca foi... daquele jeito. Nunca com ela vestindo sua roupa de dormir.

Uma blusa folgada demais que caia dos seus ombros e um short igualmente largo que não ficava nos seus quadris, não importando o quanto ela tentasse apertar o laço. Ashton estava estranhamente sentindo-se super protetor por Julie estar vestindo aquilo. Ele amava isso – tanta pele exposta. Ele odiava isso – por que tanta pele exposta? Ele não entendia nada disso.

—Nada – disse Ashton, ultrapassando-a para entrar no seu quarto. Para não poder olhá-la. – Vamos fazer o trabalho.

Julie deu de ombros. Desde que ele parasse de olhá-la daquele jeito estranho, tudo estava bem. Ou não. Tudo estaria realmente bem quando ela deitasse naquela cama do Ashton. Aquela cama era milagrosa. Só era fechar os olhos que Julie conseguia dormir.

—O que você está fazendo?

—Deitando – respondeu Julie, soltando um suspiro ao esticar as costas devagar, alongando-se. Deitar tinha que ter paciência, porque tudo doía, mas era uma dor tão boa... – Na sua cama.

—Mova-se para o lado, Hemmings – disse Ashton, cutucando-a diretamente nas costelas. Diretamente realmente nas costelas. A blusa dela tinha subido. – Que eu também quero me deitar na minha cama.

—Sua mãe disse que é minha escolha deixá-lo ou não se deitar comigo – lembrou Julie, lançando um olhar desconfiado ao dedo que não saia das suas costelas.

Ashton devolvia o favor que ela tinha dado e contornava suas costelas? O único problema era que ela não sentia dor. Era tão... estranho. Respirar doía. Seu pulmão doía; sua garganta doía. Era como se algo a impedisse de respirar, como se o ar não chegasse aos seus pulmões. Era como se Julie comprimisse tanto seus pulmões ao prender o fôlego que ele não tinha ar armazenado para as funções mais básicas. Como respirar.

—Sim, sim – disse Ash, cutucando-a. – Mova-se para o lado.

Mais do que ansiosa para poder respirar normalmente – e tentando não demonstrar – Julie arrastou-se para o lado numa posição semi sentada, esperando que Ashton sentasse ao lado dela, do mesmo jeito: costas contra a cabeceira da cama, ombro a ombro, pernas esticadas, caderno nas pernas... Bem, no caso de Julie era um controle, que apontava diretamente para a televisão disposta em frente a cama.

Filhinho da mamãe, pensou Julie. Ainda mais com netflix. Ainda mais com Rei Leão disponível.

—Tem certeza que quer assistir isso? – perguntou Ashton, porque ele lembrava-se de uma cena muito tocante para o estado atual de Julie.

—Por quê? – questionou Julie, não entendendo o problema de Ashton.

—Hum, é...

—Eu não tenho problemas com a palavra m, Ashton.

—Apenas com “você está bem”?

—Você está bem é uma pergunta, não uma palavra. Minha palavra problema começa com a letra c.

—C?

—C de não é da sua conta – respondeu ela, colocando em Rei Leão. Quem se importava que Mufasa morria? Era o ciclo da vida!

—Você não vai me ajudar com o trabalho? – questionou Ash ao invés de discordar dela. Julie sabia o que fazia.

—Eu vou fazer o quê? Isso é simples, Ashton. É só fazer uma árvore genealógica. Estamos no que? No primário?

—E você não sabe nem fazer uma árvore – murmurou Ash, começando a desenhar sua árvore genealógica.

—E eu nem sei fazer uma árvore – concordou Julie. – Qualquer dúvida, pergunte. Eu estarei aqui do seu lado, assistindo. Apoio moral. Vai, Ashton! Agora me deixe em paz.

—Hum, Julie? – chamou ele, rabiscando distraidamente os nomes dentro da árvore, tentando não dar importância ao que iria falar. (Julie suspirou. Ashton deixou-a em paz, pelo máximo de tempo que conseguiu. Ela contou cinqüenta e cinco segundos por alto.) – Por que você nunca disse que ficou em coma?

E lá estava, pensou Julie. A dificuldade de respirar novamente. O gatilho, percebeu ela, provavelmente era o desconforto. Conversar sobre seu tempo no hospital e estar ao lado de Ashton causava a mesma sensação, só que era diferente de alguma forma.

Julie ficava ansiosa pelo desconforto de ser tocada por Ashton. Era um desconforto masoquista. Julie não queria respirar, ela apenas queria ser tocada por ele. Enquanto o passado era um desconforto paralisador. Julie não queria lembrar-se sobre sua estadia no hospital, ela apenas queria esquecer.

—Porque você nunca perguntou – disse ela, com os ombros rígidos e os dedos brancos de tanto apertar o controle.

—Como eu perguntaria se eu não sabia?

—Como eu saberia que você não sabia se eu nunca... Nunca...

—Nem venha. – Ashton a olhou, vendo o terror nos olhos de Julie. – Não tem como eu ter sabido se você não me contou.

—Não gosto de pensar sobre isso. Não gostar de pensar sobre...

—O acidente? – ofereceu Ashton, gentilmente, vendo mais do que terror nos olhos dela, vendo vergonha.

—Eu não me lembro do acidente... Muito bem – disse Julie, hesitante. – Mas eu me lembro sobre o tempo que fiquei no hospital e não gosto de pensar sobre isso. Não gosto de me lembrar de como eu agir quando estava lá. Não gosto da pessoa que me tornei.

—Não acho que você foi tão má – falou Ash, pegando sua mão e apertando.

Julie sorriu, olhando brevemente para as mãos dele entrelaçadas antes de olhá-lo nos olhos. Ashton não sabia de nada.

—Você não estava lá, Ashton, quando eu fui.

—Hum... Foi? – duvidou Ash. Ele sentia como se estivesse com ela.

Ele provavelmente estava criando memórias a partir do que tinha ouvido na escola. Julie era o assunto mais comentado antes mesmo de Ashton saber que Julie Hemmings, a garota acidentada, e Julie, a garota que o tinha impedido de começar uma vida no crime, era mesma pessoa.

—Não importa – disse Ash, balançando a cabeça. – Não tem como você ser má. O mais perto que você consegue chegar é mal educada.

—Sonhe – recomendou Julie, fingindo-se de magoada. – Eu posso ser má! Você tem um corte de cabelo horroroso, a propósito.

—Isso é mal educação. E foi você quem cortou.

—Hunf – bufou ela, desviando o olhar de volta a tv. – Me deixe em paz.

Mas Ashton viu o sorriso, sentiu seu próprio sorriso, e desviou o seu olhar para o caderno.

—Qual o seu nome completo? – perguntou Ash, logo depois.

—Você sabe – gemeu Julie.

—Não, não sei. Se soubesse não estaria perguntando. Você sempre assina Julie A. Hemmings. A de quê?

—Isso não é necessário. Não tem para que fazer isso. Coloque Julie A. Hemmings ai, não vai fazer diferença.

—Julie A... – incentivou ele.

—Agnes, ok? Julie Agnes Hemmings.

—Agnes? – repetiu Ash, não entendendo o problema dela com Agnes. Agnes era um nome normal.

—Pois é! – concordou Julie, entendendo errada a surpresa de Ashton. – Quem em nome de Cristo nomeia a filha de Agnes? Agnes é nome de aranha!

—Aranha tem nomes?

—Se tivessem seria Agnes.

—Ou Charlotte.

—Que... ahh! Você está falando de Charlotte do porquinho Wilbur, Wilson?

—Não. Dos seus futuros filhos.

—É um bom nome – reconheceu Julie.

—Você vai colocar o nome da sua filha de Charlotte para perpetuar a tradição de colocar os nomes das filhas de aranha?

—É melhor do que ter todos os filhos com a mesma letra, não?

—Quem coloca os filhos com as mesmas...

—E você, o que prefere? – interrompeu Julie. – Charlotte é um bom nome, não é?

Ashton ficou calado.

—Qual é o nome de Liz? – questionou ele nem depois de um segundo, levantando o olhar do caderno nas suas pernas.

Julie seguiu seus movimentos e tirou o olhar sonhador do filme para olhá-lo como se ele fosse burro e aquilo óbvio. Por que era óbvio. Qual seria o nome da sua mãe Liz?

—Liz Hemmings

—O nome de solteira dela – pediu Ashton impaciente. Julie era tão burra assim?

—Liz Hemmings – repetiu ela.

—Mas... Seu pai... Eles são primos?

—Não. Papai adotou o nome da mamãe quando se casou, eu pensei que você soubesse.

—Então qual é o sobrenome dele? – perguntou Ash, riscando o rascunho.

—Não sei. – Julie deu de ombros enquanto avançava aquela cena do filme. Ela não gostava daquela cena. Não era porque Mufasa morria, que Julie sabia disso, que ela queria ver isso acontecer. – Papai foi abandonado quando era criança.

—Ele... Ele... Andrew foi adotado?

—Não. Eu disse que ele foi abandonado, não adotado – zombou Julie.

—Julie...

—Acho que ele deve ter recebido algum sobrenome, mas... – Julie deu de ombros. (Era a nova linguagem de Julie, percebeu Ashton. Suspiros e dar de ombros.) – Eu não sei. Ah, e eu não sei quem é o meu avô paterno também. Vovó teve mamãe antes de se casar, ela é a bastarda, a ovelha negra da família, e eu e Luke somos os únicos remanescentes do nome Hemmings.

Ashton calou-se diante das reviravoltas. Andrew tinha sido adotado? Nunca que ele soubesse! Liz bastarda? Uau!

—Nome dos primos – pediu Ashton depois de um tempo.

Julie suspirou. Desse jeito ela não iria terminar esse filme nunca. Quando disse pergunte a qualquer duvida, ela não quis dizer para ele interrompê-la realmente de instante em instante por qualquer dúvida. E ler parando a cada momento era irritante. Pausando o filme, Julie deu total atenção a Ashton e começou a citar os nomes dos seus primos contando nos dedos.

—Jason, Jay, Jamie...

—É tudo com j?

—Tradição de família. – Julie deu de ombros.

—Luke não começa com j – percebeu Ash.

Julie o olhou como se fosse louco. O que Ashton tinha? Ele estava mais desorientado que o normal!

—Sério? Nem percebi! Papai disse que não deixaria que seus filhos sofressem bullying por serem gêmeos e terem nome com j – explicou Julie, agradecendo aos céus por seu pai ter insistido nisso. Ela odiaria, tanto quanto se sua mãe tivesse se inventado de vesti-los iguais. – Eu fui a triste escolhida a carregar o fardo da tradição familiar. Que mamãe nem faz parte. Eu realmente não entendo porque ela fez isso.

—Espere, eles estavam no seu aniversário?

—O que você quer saber, Ashton?

—Quem era aquele garoto perto...

—Você acha que eu me lembro? – interrompeu Julie. – Tinha muitos garotos lá!

—Ele é moreno, um pouco mais baixo e mais novo do que eu – disse Ashton, devagar, percebendo que esse garoto encaixava-se no tipo de Julie. – Os olhos eram...

—Ele tem olhos de cores diferentes? – perguntou Julie, perguntando-se por que raios Ash queria saber do seu primo Jason. Ele assentiu. – Por quê?

—Ele me pareceu... apaixonado por você.

—Não – negou Julie, enfática. – O que te faz pensar isso? – E confessou, inclinando-se para que pudesse sussurrar no ouvido dele: – Na verdade, eu acho que tinha uma queda por ele quando era menor.

—Tinha? – recuou Ash, não ouvindo a parte do achava. – Não mais? Você não era assexual?

Julie revirou os olhos, não seria ela a explicar a Ashton sobre pessoas assexuais. Ou que a queda que ela achava tinha por Jason não era física – ela apenas queria um namoradinho de infância! Ou que era completamente uma garota clichê apaixonando-se por seu primo, que raramente via.

—O que Jason fez, Ashton?

—Ele disse que você era gostosa e que olhar não arrancaria pedaço para a menina ao lado dele e perguntou-a qual era a chance de você retribuir o amor que ele sentia – confessou ele, rapidamente, colocando tudo para fora com uma só respiração.

Julie riu. Aquilo era a cara do Jason. Por isso ele era uma boa opção para se apaixonar quando era criança! Isso e o fato dele sempre comer terra quando ela mandava. Jason daria um ótimo marido.

—Sério? – riu Julie novamente. – E você acreditou nisso? Jason apaixonado por mim? Ashton! Oh meu Deus! – Julie riu mais um pouco, inclinando-se para ele. (Ash se encolheu envergonhado.) – Você é um idiota! Jason é apaixonado por Jay!

—Jay? Quem é Jay?

—A garota que provavelmente estava ao lado dele.

—Sua também prima Jay?

—Incesto está no sangue dos Hemmings – provocou Julie, empurrando-o com o ombro e rindo.

—Então por que...

—Porque ele queria fazer ciúmes a ela! – exclamou Julie, como se fosse óbvio.

Ash ficou constrangido ao perceber que era. Era tão óbvio. Era tão malditamente óbvio. Ele era um idiota!

—Espere... – disse Julie, tensa, e Ash parou de respirar, esperando que ela perguntasse por que ele tinha encostado a cabeça na dele. E suspirou de alivio (e aspirou o perfume do shampoo de Julie) quando ela perguntou ao invés disso: – Foi por isso que você me beijou? Ashton! — repreendeu Julie, afastando-se dele e batendo-o com força. – Eu pensei que tivéssemos deixado claro que eu não sou um objeto!

—Isso foi antes de termos esclarecido isso, Julie! – exclamou ele, impedindo-a de bater nele.

Julie olhou-o horrorizado. Isso realmente tinha acontecido? Será que era errado ter esperanças? Porque ela sentia algo rastejando, uma semente brotando. Será que Ashton tinha...

—Não importa! – disse ela, usando a outra mão. Ashton devia tê-la beijado porque queria protegê-la de Jason, não por ciúmes. – Não faça mais isso!

—Pare! – pediu Ashton, segurando agora os dois pulsos dela. Mas ela não parou. É claro que Julie Hemmings não parou.

Ela movimentos as pernas para bater nele ao mesmo tempo em que Ashton girou e ficou por cima dela, prendendo-a pelos pulsos acima da cabeça e com os joelhos ao lado das pernas de Julie, impedido-a que ela se movimentasse e o atingisse.

Julie tentou se movimentar, mas percebeu que não conseguia se mover, não conseguia sair daquela posição, não conseguia espancar Ashton como queria.

—Saia de cima de mim! – ordenou Julie, tentando movimentar o quadril para tirá-lo de cima dela.

Ashton tinha se inclinando por cima dela e estava tão perto que alguma parte dela esperou por um beijo... que não veio. Ashton estava confuso pela reação exagerada de Julie.

—Qual é o problema, Julie? Eu te beijar não foi grande coisa. Você não fez confusão antes então porque está fazendo agora?

—Porque você é um idiota! – disse ela, não desistindo de tirá-lo de cima dela. – Seu idiota!

—Idiotas são pessoas que fazem idiotices – respondeu Ash, esperando que Julie sorrisse. Era uma referência direta ao filme que ela queria que ele visse!

—Está explicado – disse ela, com um grande sorriso irônico.

—O que você quer dizer com isso?

—O que? – Julie arregalou os olhos. – Você acha que não está fazendo idiotice?

Não, Ashton não achava. Idiotice seria fazer o que ele queria fazer.

—Eu não vou ter que abrir essa porta para...

—Não! – gritou Ashton, afastando-se.

—Seu filho é um idiota, Liz – gritou Julie. – Um i-di-o-ta.

—Conte uma novidade – murmurou ela, abrindo a porta com o quadril e entrando com uma bandeja com chocolate quente. – Tenho que perguntar o que está acontecendo aqui? – perguntou Liz, levantando a cabeça depois de colocar as canecas no criado mudo.

—Julie está sendo uma idiota – disse Ashton, simplesmente.

—Vocês dois são – murmurou ela, dando as costas a eles e fechando a porta.

—Liz! Liz! Você vai me deixar assim?! Não me deixe assim! Sua mãe é idiota? – questionou Julie a Ashton

—Você pode achar normal chamar sua mãe de idiota, mas não me chame a minha.

—Claro – concordou Julie. — A mãe não deve ser culpada pelo filho, que erro o meu. Você é um idiota – afirmou Julie por fim.

—Sadista – retrucou Ash.

—Não existe sadista – disse Julie, entendendo que aquele era o começo do jogo do ista. – Seu masoquista.

—Fascista.

—Comunista.

—Sofista.

—Você só vai citar coisas relacionadas a política? – interrompeu Julie. – Você nem sabe o que é sofista.

—E você não sabe mais nada que termina com ista.

—Não é verdade, seu politeísta.

—Monoteísta.

—Niilista.

—Você que é niilista, Julie – retrucou Ashton.

—Você está desistindo então?

—Não ainda... Ei – inclinou-se Ash, sorrindo pela grande (e péssima; e idiota) ideia que teve. – Porque você não me chama de...

—Nem complemente isso, Ashton – disse Julie, porque ela pensou o mesmo. – Odeio essas piadas sem graça e homofóbicas.

—Venha calar – continuou Ash.

—Isso se chama desespero, querido – avisou Julie, porque ela não estava desesperada. – Você está desesperado?

—Você é doida.

—Isso é um elogio – aceitou Julie, com um sorriso. — Seu idiota.

—O que você mais odeia na Liz? – perguntou Ashton, surpreendendo Julie. Ele sabia o que era.

—O fato dela sempre... – a voz de Julie caiu para um sussurro – ...fugir...

A realização a atingiu. Julie odiava o fato de sua mãe sempre fugir de uma briga, mas ela fez o mesmo. Julie estava se tornando sua mãe! Nada bom, nada bom, badalou sua consciência ou chichiou seu gafanhoto interior. Nada bom.

—E o que você mais gosta nela? – perguntou Ashton novamente, surpreendendo Julie novamente. Ele não sabia, não tinha como ele saber o que era.

Ash saber que Julie não gostava quando liz fugia de uma briga? Ela não escondia isso de ninguém, era sempre a primeira coisa que Julie reclamava quando se irritava com sua mãe. Mas não tinha como ele saber sobre o que Julie mais gostava em Liz, então... Então como ele sabia?

—Julie? – pediu Ash.

—Como ela sempre consegue manter a calma. Como sabe fazer escolhas sensatas. Como conseguiu tanta coisa apesar de não ter apoio de ninguém. Como... – Julie admirava sua mãe. Havia tantas coisas que ela admirava nela, e Julie queria ter um pouco daquilo. – Mamãe nunca desisti. Especialmente da família.

—Você ama a Liz – declarou Ashton, perto. Quando ele tinha...?

—É claro que eu a amo.

—E queremos ver as pessoas que amamos felizes, não é?

—Sim.

—Então...

—Então...

—O que você vai fazer, Julie?

—Pedi desculpas – suspirou Julie.

—Boa garota – sorriu Ashton, colocando a mão na sua cabeça, para afagar seu o cabelo.

—Eu não sou um cachorro – disse ela, inclinado a cabeça para a mão que esfregava sua bochecha agora.

—O certo seria cadela – disse Ash, distraído. – Você é uma garota.

—Sério? Vai dizer que não sabia?

—Eu sei – disse Ashton. – Eu sei – repetiu ele, aproximando-se. – Eu sei – disse ele, beijando-a

Ashton sabia que era errado, que não deveria beijar Julie quando ela estava tão frágil. Era abuso de incapazes – embora sempre sentisse que era o abusado quando beijava Julie. Mas ele gostava de beijá-la, de como se sentia. Havia algo... Ashton não sabia como definir. Julie não tinha muita experiência e era perceptível, mas ele não se importava – Ash não se importava de ter sido o único que Julie já beijou (ele tinha decidido mudar sua definição para a de Julie; e nela, Julie não tinha beijado Calum), ele podia muito bem lidar com isso – e tinha algo de maravilhoso naquela sensação.

Julie podia nunca ter beijado ninguém antes de Ashton, entretanto isso não significasse que ela o acompanhasse, e isso era maravilhoso. Julie tinha seu próprio tempo, fazendo o que queria, o que desejava, não deixando que Ashton ditasse as regras. E isso era algo que Ashton não estava acostumado, mas, ei, ele podia muito bem lidar com isso.

—Estou chegando – cantarolou Liz pelo corredor. – Separem-se antes que eu veja algo inadequado para meus olhinhos inocentes

Ashton arregalou os olhos, separando-se rapidamente de Julie enquanto a mesma continuou inclinando-se na sua direção, não percebendo o que acontecia. Ou se importando.

—Julie! – sussurrou Ash, furiosamente, girando-a até que caiu de joelhos no chão e levantou-se com um pulo.

—Ahn, oi? – piscou ela, surpresa. Quando ele...?

—Vocês estão vestindo? – perguntou Liz, entrando com as mãos cobrindo o rosto. – Eu não quero ver...

—Como se você nunca tivesse me visto nu, mãe – disse Ash.

—Sim, mas eu não quero te ver, você sabe, por Julie.

—Eu vou dormir com ela, mãe – lembrou Ashton. – Acho que em algum momento vou ficar, você sabe, por Julie

—Sério – disse Anne – você não vai dormir aí, Ashton. Para o sofá. Por que você acha que estou vindo a cada instante?

—Por quê? Não é como se nunca tivéssemos dormido juntos antes.

—Concordo – disse sua mãe. – Mas Liz parece não achar o mesmo.

—Mamãe? – questionou Julie, surpresa.

—Pois é. Liz só te deixou ficar porque eu disse a ela que seria o melhor a se fazer. E que Ash dormiria bem longe de você.

—Você deveria colocar Julie para o sofá – opinou seu filho.

—Não foi você que disse que eu criei um cavalheiro? Então...

—Vou dormir no sofá – murmurou Ash.

—Bom garo... O que foi, Julie?

—Desculpe – ofegou ela, rolando-se de tanto rir. – É que...

—Vamos – disse Ashton, empurrando sua mãe para fora do quarto, segurando sua caneca ainda quente de chocolate.

—Beba seu chocolate! – gritou Liz, não conseguindo nem se virar para olhá-la.

—Oh meu Deus, isso é tão engraçado... Garoto!

—Ela está bem? – perguntou Anne, preocupada.

—Ela vai ficar – foi a ultima coisa que Julie ouviu antes da porta fechar e tudo ficar escuro.

Além do seu próprio riso.

Notas finais
Sobre o capitulo... Hum... Não sei o que dizer. Ashton beijou Julie no aniversário dela por causa do que Jason disse - quem acha que ele é idiota, novamente, por não perceber antes que gostava da Julie, levantando a mão por favor. Eu realmente pensei que Agnes fosse o nome da aranha no filme, só quando passou na tv recentemente eu percebi que não era o caso. Eu acho que Agnes é o nome da filha da Charlotte. Alguém? Percy Jackson musical? Péssima noticia, ótima música.