Isso não é...

40 Isso não é estranho.


Notas iniciais
Não prometo capítulos frequentes - mesmo que eu já saiba de algumas coisas que vão acontecer - porque vou estudar até o dia 30. Acreditam? E estou viciada em W, uma série coreana. Recomendo, assim como esse capitulo que gostei de escrever. A música é Every Breath de Boyce Avenue - https://youtu.be/QLPVtIscbco

It sounds like this is nothing new and

That it hasn't been for a while

(Parece que isso não é novidade e

Não vem sendo por um tempo)

40-Isso não é estranho. (Não discuta com o meu gosto!)

Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

Sozinha em casa, Julie não só parecia uma doida, como era uma. Ela gostava de cozinhar comidas que não tinha ovo como componente principal, dançar break ao som de hip hop, ouvir musicas que não ouviria com uma platéia e cantá-las – embora Julie cantasse com ou sem companhia, ela era péssima e nada iria mudar isso... Julie fazia tudo que não queria que os outros soubessem que ela fazia. E, é claro, ela lia romances. Assistia romances.

Não é como se Julie fosse uma romântica incurável ou incubada. Não é como se quisesse manter uma fachada de durona – de durona ela não tinha nada. Ela apenas não gostava de como ficava quando via romance. Por isso, Julie só lia romances sozinhas, para poder ter ataques de fangirl quando quisesse e ler yaio e yuri – porque era claro que ela seria uma fujoshi – ficando vermelha e se abanando como se fosse uma donzela recatada da década de 20, sem precisar se preocupar com o que os outros iriam achar.

Julie conseguia ate dizer o que eles – seus amigos – pensariam sobre a visão dela deitada de lado no sofá, com o notebook ao lado numa parte bastante interessante, fones de ouvido nos ouvidos – obviamente – num volume tão alto que qualquer um poderia ouvir a música romântica de longe, e um episodio de Hunter X Hunter na televisão. Se tentasse com afinco, Julie quase podia ouvi-los.

—Oh! – exclamaria Ashton, parando na entrada do nada. – Aquela é a Julie?

—Mas que... – Calum não conseguiria nem terminar a frase nem dá mais um passo. E, quando começasse novamente, seria prático como sempre: – Por que ela está vermelha?

Luke seria o único a agir, a não deixar aquela cena abalá-lo – alguma parte dele sabia o quanto sua irmã era louca. Ele daria um passo a frente, arrancaria os fones dos ouvidos dela, pensando no quanto o gosto da sua irmã era horrível – quem tinha um fone que mais parecia um aquecedor de orelhas que se usa no inverno, todo branco e com a parte fofa azul, e que chama de Parichisu? – e a diria o quanto ela ficava estranha com isso. Julie zombaria com um “Eu sei que você está com inveja” em retorno.

Mas o que saiu foi “Uhh...” e um blush vermelho instantâneo tomou conta de suas bochechas, porque seu irmão estava na sua frente. Assim como Ashton e Luke. Eles estavam realmente na sua frente. Não era um sonho, não era sua imaginação, eram eles. Carne, osso e surpresa.

Tão rápido – que ate ela se surpreendeu – Julie fechou o notebook e olhou para a televisão para ter certeza que assistia um anime decente, antes de olhar para eles novamente com a expressão mais inocente possível.

—O que vocês estão fazendo aqui? – chiou Julie, gemendo interiormente por não saber fazer uma expressão inocente.

Eu não treinei minha expressão inocente, repreendeu-se Julie. Ela tinha ficado tão distraída, aproveitando o fato de estar sozinha, que... esqueceu-se. Mas Julie não esperava vê-los antes das cinco da tarde, pois todos ali tinham alguma aula extracurricular. Luke tinha aulas de história para serem reposta, Calum aulas de violino e Ashton... Julie não sabia o que Ashton tinha para fazer, mas ele com certeza não era para estar na sua casa. Nenhum deles deveria vê-la assim. Sexta-feira era o seu momento.

—O que você está assistindo? – perguntou Luke, franzindo a testa para a televisão.

E, apesar de saber o que assistia – ela tinha acabado de olhar para a televisão! – Julie olhou novamente para ter certeza – não era como se seu irmão nunca tivesse visto um anime. E se surpreendeu com a visão. Ela não gostava muito daquele arco, por isso assistia sem assistir seriamente, mas aquele episodio... A historia era outra.

—Oh meu Deus! – exclamou Julie, procurando desesperada pelo controle, tateando a sua volta sem retirar os olhos da tela para não perder uma palavra da legenda. – Eu amo odiar esse episódio.

—Você está em qual... Oh, sim – murmurou Calum, deslizando para o lado dela, com os olhos tão vidrados na TV quanto a mesma. – Gon foi tão estúpido.

—Hum-hum – concordou Julie, suspirando ao colocar os pés em cima de Calum. – Depois de tudo que o Killua fez para ele, a cada episodio, a cada momento, ele vai e diz isso. Gon é... Eu não sei por que Killua vai atrás da Alluka no final para salvá-lo. E Gon nem pede desculpa!

—Julie – interrompeu Calum. Aquilo era informações repetidas que ele não precisava, não quando sua correspondente mentia a cada palavra. Calum sabia que Julie sabia o motivo de Killua ir atrás de Alluka e Gon não pedi desculpas e... – Eu sei que você shippa os dois, então pare com essas mentiras.

—Quem pode me culpar? – ela deu de ombros. – Eles dois são tipo oposto. Carne, unha, alma gêmea, sabe? E o Killua é tão fofinho quando... Certo que ele é fofo sempre, mas ele fica mais ainda quando cora quando Gon diz algo, como “Killua é meu melhor amigo”.

—E depois eles se despedem...

—Eu não precisava disso – disse Julie, cutucando-o com o pé. – Eu poderia muito bem esquecer o final de... Ah, Ashton – murmurou ela, lembrando-se de algo que tinha esquecido. – Você quer que eu tire?

—Não – murmurou Ash, sentando-se irritado ao lado de Luke, que parecia igualmente irritado por estar sendo esquecido. – Eu estou bem com isso.

Mas Calum não estava. Ele estava chocado por Julie ter perguntado isso. Ela iria tirar Hunter X Hunter se Ashton quisesse? Apenas porque Ash queria? O que...

—Precisamos conversar – engasgou Calum, percebendo o que acontecia. – Para a cozinha.

—O que foi, Calum? – perguntou Julie, irritada por ter que desviar os olhos da TV. – Estou assistindo Hunter Hunter.

—É Hunter versus Hunter – discordou Calum, lutando contra o desejo de provocá-la, dizendo que há poucos minutos atrás ela parecia muito mais do que disposta a tirar o anime por Ashton.

—Não, não é. O X ali é apenas de efeito. É Hunter Hunter.

—Não... Conversa – lembrou Calum. – Cozinha. Agora.

Sem esperar por uma resposta, ele apenas levantou-se e foi para a cozinha, deixando Julie para decidir se iria ou não segui-lo... Calum realmente achava que ela iria segui-lo depois de ter falado daquele jeito com ela? Julie com certeza iria, porque ela era curiosa e Calum não era assim.

Ninguém pareceu achar estranho quando Julie levantou-se sem pausar o anime e seguiu Calum para cozinha. Ninguém olhou para os dois... Mas Luke e Ashton ficaram de ouvidos atentos ao que acontecia na cozinha, porque Julie nunca estava com pressa suficiente para não poder pausar o que assistia.

—O que acon... – questionava Julie, mas Calum levantou a mão e ela calou-se, porque as próximas palavras dele a surpreendeu.

Somente por causa disso. Não porque Calum levantou a mão ou algo assim. Com certeza não era porque Julie estava curiosa por ele estar agindo assim e temesse interrompê-lo e ficar o resto da vida – ou tanto quanto conseguiria se lembrar – sem saber o que ele iria dizer.

—Quando você vai dizer ao Luke? Não me sinto confortável fingindo não perceber os olhares entre você e o Ashton... – Com um balançar de cabeça, Calum reconheceu suas palavras e corrigiu-se: – Certo, não me sinto confortável em fingir que não vejo esses olhares agora que eu sei que eles existem. Não apenas na minha cabeça.

—Que olhares? – questionou Julie, confusa. Calum endoidou de vez?

—Que olhares? – repetiu ele. – Que olhares? Que tal o olhar quando você questionou a Ashton se ele queria que você retirasse Hunter versus Hunter? Ou o olhar em retorno dele?

—De irritação?

—De irritação agradecida – explicou Calum. (Ele definitivamente endoidou de vez, pensou Julie. Coitado, tão jovem.) – Ashton estava feliz por você ter consideração e estar disposto a parar de assistir seu anime favorito do mundo inteiro por causa...

—Isso não significa que estou me tornando uma boa pessoa? – interrompeu Julie. Ela não queria saber qual era a causa dela estar disposta a reivindicar “seu anime favorito do mundo inteiro”, embora tivesse um bom palpite.

—Não, não significa – respondeu Calum. Porque, apesar do que Julie achava, ela era uma boa pessoa; não a melhor pessoa do mundo, mas...

Existiam pessoas piores. Pessoas que fazem coisas ruins e não admitem, que diz ser para o seu melhor... E Julie era a pessoa favorita de Calum, logo ele gostava de pensar que tinha um bom gosto para suas pessoas favoritas.

—Estou te dizendo: conte ao Luke... Antes que ele descubra e fique com raiva de você.

—Isso é uma ameaça, Calum? – brincou Julie, empurrando-o.

—O que...? Não! – exclamou ele, sem perceber a brincadeira. – É que eu odiaria ver minhas pessoas favoritas brigando...

—Eu sei, Calum – riu Julie, empurrando-o de volta a sala antes que ele dissesse coisas vergonhosas, como “eu te amo”.

—O que houve? – perguntou Luke, quando eles voltaram.

—Não sei do que você esta falando – respondeu Julie, com um sorriso que dizia que sabia sim do que ele falava. E ela odiava isso, como Luke sempre sabia quando ela escondia algo dele... Era uma das desvantagens de se ter um irmão gêmeo, suspirou Julie.

—Não sabe? Estou falando desse seu pijama horroroso – apontou Luke, porque era algo que ele podia apontar.

Apontar a conversa que não ouviu era ruim, porque não deveria ter percebido isso e admitir publicamente que Julie andava de conversinha pelos cantos não era o melhor jeito de conseguir informações dela. Com sua irmã tinha que ser pela baixa – sutil, educado e rápido.

—Não é horroroso, é fofo – discordou Julie.

—É verdade – concordou Calum. E completou depois quando os gêmeos disseram ao mesmo tempo "tá vendo?": – É fofo.

—Você é cego? Isso é horroroso!

—Calum tem bom gosto – alfinetou Julie.

—E desde quando você tem? – alfinetou Luke em retorno. Esqueça o “sutil, educado e rápido”, com Julie você tinha que fazê-la dizer o que não queria.

—Não ligue para ele, Calum – disse Julie, sorrindo. – Eu amo seu bom gosto. Quando quiser me mostrar o que você mais gosta...

Ashton engasgou-se, tossindo escandalosamente. Julie tinha sido tão vulgar assim? Isso que era despesero.

Luke começou a rir pela improbabilidade de Calum querer Julie que era uma irmã para ele tanto quanto era sua, bem como Julie que sentia o mesmo em relação à Calum.

E Calum sorriu, reconhecendo as duplas palavras de Julie. É claro que ela falava sobre seu bom gosto que a levou para a cultura oriental, e era claro para ele porque Julie falou daquele jeito, porque ela tinha dado a entender aquilo. Mas não era da sua conta. Não que ele não pudesse ajudá-la.

—Você só ama o meu bom gosto? Posso te mostrar mais coisas para você amar...

Por um momento, Julie pareceu surpreendida por Calum retornar o flerte – não era sempre que isso acontecia – entretanto, quando ela abriu a boca, Ashton falou primeiro:

—Porque você está com o mesmo pijama desde segunda?

—Esse é justamente o problema – murmurou Luke, olhando surpreendido para Ashton por ele ter percebido.

—Você ao menos colocou isso para lavar? – perguntou Ash.

—O que aconteceu? – questionou Luke

—Qual é sua resposta, Julie? – indagou Calum.

—Vocês... – murmurou Julie, balançando a cabeça. – Me deixem em paz. Não posso nem ficar na depressão em paz?! Estou triste, estou cansada, estou doente... Tem diferença? – questionou ela, olhando para cada um e dizendo o que eles queriam ouvir.

Ashton achava que ela ainda estava triste – como se tivesse estado em algum momento... E, mesmo se tivesse, isso não era da conta de Ashton. Caso retirasse o fato de que eles eram amigos e isso importava numa amizade.

Calum achava que Julie estava cansada das insistências de Ashton – uma reação fofa. E errônea. Calum não poderia estar mais enganado. Ou não, já que era só trocar os papéis e tudo seria verdade. Ashton era quem deveria estar cansado, com todas aquelas olheiras.

Ele não estava dormindo direito?, avaliou Julie rapidamente quando passou os olhos por ele.

E Luke achava que ela estava doente – mais uma pontada de culpa que Julie ignorou facilmente. Não era realmente sua culpa que Luke não sabia do que acontecia. Não era sua culpa que ele não percebeu nada. Ou que tivesse bastante confiança em Ashton para desconfiar de algo – Luke definitivamente não tinha mais confiança na irmã. Não era, mas a pontada de culpa ainda estava lá. E Julie a ignorou.

—Eu apenas quero vestir esse pijama! – exclamou ela, levantando as mãos para o céu.

—Eu não entendi a relação entre ela está triste com... e cansada ou doente – completou Ashton, rapidamente (Ele não podia dar bandeira!) – com vestir esse pijama. Pijama horroroso — ressaltou Ashton, tentando não dar bandeira.

—Ele é realmente horroroso, não é? – disse Luke em voz alta (Julie revirou os olhos e lembrou-se que era uma garota de família e que não iria mostrar o dedo para o seu irmão) antes de sussurrar: – Julie só usa esse pijama em situações críticas. Desde criança. Ela costumava deixar para usá-lo nos finais de semana, aí, quando ele foi ficando velho, Julie o guardou para situações críticas. Aparentemente, essa é uma situação crítica. Você não sabe de nada, não é? – perguntou Luke.

Ashton desviou o olhar, constrangido por ser o culpado daquela situação crítica. Julie não estava assim por sua causa, estava? Mesmo que tivesse começado a usar aquele pijama segunda, depois da rejeição, e só o usasse em situações criticas... Não, Julie não era uma dessas garotas, mas... O que significava ser uma dessas garotas?

Ashton suspirou. Ele não iria usar o fato dela se encaixar nesse padrão contra ela. Ele apenas queria saber como Julie estava e não iria culpá-la se estivesse triste por ter sido rejeitada. Ele estava triste por ela ter sido rejeitada e quem tinha rejeitado-a fora ele. Ou Julie tinha concluído a rejeição e Ashton não fez nada para discordar dela...

—Julie? – começou Ashton. – Posso falar com vo...

—Não – interrompeu ela, levantando-se e ficando frente a ele. – Vou falar com Luke.

Ashton estava ao lado dele e sem pensar deslizou para longe. Ele não pensou – ou talvez sim – no que Julie diria. Apesar da improbabilidade, e se Julie contasse a Luke o que...

—Comigo? – questionou Luke, surpreso. Ele nem tinha dado inicio ao seu plano (Luke iria começar a sessão cócegas) e Julie já tinha desistido?

—Preciso te dizer uma coisa – disse Julie, séria.

—Certo – falou Luke, desconfiado. Olhando para todos ainda mais desconfiado quando ninguém pareceu surpreso com o que sua irmã disse. O que todos sabiam que só ele não? Será que ele queria descobrir?

—Vocês deveriam ter essa conversa em particular – sugeriu Ashton, tão longe quanto possível de Luke. Ou seja, ele espremeu-se no canto do sofá.

—Não. Aqui está bom. Apenas não me atrapalhem – pediu Julie. E respirou fundo, soltando tudo com a respiração: – Eu estou apaixonada por Ashton. Suuurpresa! Você não esperava, ninguém esperava, eu sei. Supere. Eu só... Gosto dele. – Ashton queria desaparecer no sofá. Ele nunca pensou que teria que viver para ouvir isso. Ele não queria ouvir isso. – Ele é um idiota, eu sei, mas... E nós nos beijamos algumas vezes, talvez mais do que "algumas vezes" você acha e ou esperava. E eu me declarei e Ashton me rejeitou, e eu disse que desistir e não desistir, e, e, e, e... – Ashton realmente não queria ouvir isso. Isso era o tipo de coisa que ele nem deveria ouvir. Ashton se perguntava se Julie ainda se lembrava que ele estava ali, porque ele achava que não. – E eu apenas não sei o que fazer. E me desculpe não ter te dito antes. E obrigada por não ter me atrapalhado.

—Eu não iria nem se... – murmurou Luke, sem saber o que fazer. Ele começou pelo mais fácil. Ele empurrou Ashton. – Você estava beijando Julie? Minha irmãzinha Julie?

—Eu tenho quase certeza que falamos da mesma Julie – murmurou Ashton, levantando-se. Ele ainda não sabia o que faria, mas continuar sentado só o tornaria um alvo fácil de ser atingido.

—Não me venha com esse deboche – rosnou Luke, balançando o dedo no rosto dele.

—Mocinho – Julie completou.

—Fique quieta – chiaram os garotos juntos. Até Calum.

—Até você, Brutus? – questionou Julie, levando a mão ao coração. – Até você...

—Não mande minha irmã ficar quieta – repreendeu Luke, empurrando Ashton irritado.

—Você mandou sua irmã ficar quieta – lembrou Ashton, desviando. – E Calum.

Bater em Luke virava uma opção cada vez mais interessante. Não tinha para que toda essa irritação, não era como se Luke pensasse que sua irmã nunca fosse beijar alguém em toda sua vida... Mas não era como se ele fosse esperar que Ashton fosse ser essa pessoa. E Ash sabia disso, mas não era sua culpa. Julie não o obrigou a beijá-la, contudo também não facilitou as coisas para ele não beijá-la. E esse era o tipo de coisa que Luke não iria querer ouvir, Ashton tinha certeza. Desviar e se preparar para uma luta era o melhor que ele poderia fazer.

—Pois é – concordou Luke. – Minha irmã. Quase que irmã de Calum. Não sua... sua...

—Peguete? – sugeriu Julie.

—Você não está ajudando – disse Calum.

—Vamos conversar lá fora – ordenou Luke, abrindo a porta e expulsando Ashton de sua casa. – Num lugar sem pessoas mal criadas.

—Vamos, Ca... – dizia Julie pronta para acompanhá-los, quando seu irmão a interrompeu:

—Você é a pessoa mal criada, Julie – disse Luke, fechando a porta na cara da irmã.

Julie nem piscou, apenas grudou o ouvido na porta. Ela correria para cozinha com a intenção de pegar um copo para grudar na porta – já que fazia isso em filmes deveria funcionar, não? – caso não achasse que perderia muitas partes interessantes da conversa barra briga que luke e Ashton teria... Não que ela estivesse ouvindo muitas coisas naquele momento

—Você é uma idiota – disse Calum ao seu lado. – Ou se esqueceu que existe uma janela?

Pelo dedo apontado de Calum, Julie viu a janela. E não era que sua casa realmente tinha uma janela que dava acesso ao jardim da frente? Como.... Ela tinha esquecido.

—É claro que me esqueci – bufou Julie, correndo até a janela e derrapando pelo chão, por pouco não se esborrachando nele. – Por que outra razão eu estaria... – disse ela, forçando a janela para cima e nada. A janela não queria abrir. Julie podia vê-los conversando (tinha muitos agitos de mãos para ser apenas uma conversa, mas ainda era uma conversa) contudo ela não podia ouvi-los, pois a maldita janela não queria abrir. – Por que outra razão eu estaria tentando abrir essa maldita janela...

—Você é tão burra às vezes, Julie – disse Calum, balançando a cabeça em negação enquanto destrancava a janela tão facilmente (puxando o pino para cima) que Julie não estava preparada e ela foi com tudo, batendo com força. Luke e Ashton nem piscaram com o som.

—... quanto tempo isso vem acontecendo? – perguntou Luke.

—Bastante tempo – gritou Julie, pela janela, preocupada com o vidro. Ele não quebrou, ou quebrou? Se quebrasse novamente, Liz já tinha dito de onde viria o dinheiro ... – Mais tempo do quê você gostaria.

—Você realmente não está ajudando – disse Calum ao seu lado.

—Shiu! – repreendeu Julie, num sussurro. – Não arruíne o meu papel de ingênua da situ... O que ele disse? Eu não ouvi!

A resposta de Ashton foi tão baixa que nem se Julie tivesse uma audição perfeita – e ela não tinha – ela iria ouvir o que ele disse. Mas seja lá o que fosse, Luke não gostou nem um pouco e deu o primeiro soco.

Julie e Calum gemeram pelos dois, por Ashton e Luke. Por aquilo ter doído – foi um gancho de direita! – e por Luke ser um idiota por começar uma briga com Ashton. Não que Luke fosse fraco, mas era óbvio quem tinha mais experiência em lutas ali.

Luke não tinha o conhecimento de Julie em defesa pessoal, pois enquanto ele foi para o acampamento de inverno – o que ele fez lá? – ela ficou em casa – com Calum – e foi praticar diferentes artes marciais com seu pai – e Calum; naquele inverno, Calum viveu praticamente na sua casa pela primeira vez.

—Vai, Ashton! – gritou Julie, movimentando as mãos animada. – Pare de ser fraco e devolva esse golpe!

—Você está contra o seu irmão...

—Você vai deixar ele devolver o golpe, Luke? – questionou Julie, apoiando-se na janela. – Proteja a honra da sua irmãzinha!

—Afinal, você está torcendo para quem? – questionou Calum, desistindo de tentar entender o que ela fazia. Julie mandava dicas ou zombava deles?

—Eu não sei! – gritou Julie, animada.

Ela amava umas boas lutas e aquela era uma das melhores... E seu irmão não levava uma surra. Julie não sabia o que Ashton tinha – ainda fraco pela gripe? – mas ele estava sendo uma decepção. Ela esperava mais dele do que desviar do seu irmão e socá-lo tão pouco. Embora, ao menos, Luke não fosse sair horroroso daquela terapia nada convencional.

—Você não vai separar eles? Você sabe que eles estão brigando por você, não é? – questionou Calum, confuso pelo sorriso e pela animação dela.

—Por que eu deveria acabar com a diversão? Estou assistindo uma luta de camarote... Sem pipoca – percebeu Julie. – Você não quer ir pega a pipoca?

—Você sabe que você é o premio, certo?

—E daí? Eu não sou o prêmio de ninguém, querido – disse Julie, dando de ombros. – Então por que importa a razão que eles estão brigando?

—Por que eles vão arruinar a amizade se continuarem assim – disse Calum, devagarzinho... Como se ela fosse burra? O que Ashton e Calum sabiam de amizades?

O que você sabe de amizades?, pensou Julie.

—Amizades são fortalecidas por brigas – disse Julie, no mesmo tom que ele. – Ou...

—Não se eles morrerem antes de perceber que o que importa é a sua opinião. – Julie reconheceu a razão em Calum, mas ainda não estava disposta a acabar com essa briga. Calum também não parecia disposto a parar de falar: – Você gosta realmente de Ashton?

—Sim, eu sei – disse Julie, já cansada desse papo. Não era como se ela não soubesse que ele fosse um idiota ou não gostasse um pouquinho disso. Só um pouquinho. – Ele é um idiota... ai – gemeu ela. – Essa deve ter doído... Eu sou uma idiota, não combinamos em nada...

—Não – interrompeu Calum. – Eu não acho. Vocês ficam bem juntos. Tudo bem que os dois são idiotas..

—Hum, você também é um idiota – murmurou Julie. Eles não iriam começar a derramar sentimentos, iriam? Aquilo teria que ser que nem band-aid, então... – Olhe, Calum, eu...

—O que? — questionou Calum, confuso pela reação de Julie novamente.

Do nada, ela tinha ficado pálida e abaixou-se mais rápido do que Calum achava que Julie – ou qualquer outra pessoa (especialmente Julie) – fosse fisicamente capaz. E, olhando ao redor, Calum não viu ninguém suspeito. Ninguém além de... Calum abaixou-se também.

Notas finais
Eu gostei de escrever o começo disso - e eu com certeza não faço isso; não sou assim... Também não sou muito de capitulos longos, mas... Um ou outro não mata ninguém. Não revisei, estou viciada em W e quero ver o próximo episódio, desculpe... Qualquer erro, avisem. Hunter X Hunter existe e é um dos melhores animes que existem, recomendo.