Isso não é...
17 Isso não é diferente.
Notas iniciais
Don't give in. Don't start listening to voices whispering things I'd never say
There is nothing you could do to make me turn my back on you
(Não ceda. Não comece a ouvir vozes sussurrando coisas que eu nunca diria
Não há nada que você possa fazer para mim virar as costas para você)
17-Isso não é diferente. (E isso é bom ou ruim?)
03 de Maio de 2016
Ashton tocou a campainha. Bateu palmas. Chamou. Ninguém veio atender a porta, mas quando ela a tocou, a porta se abriu como mágica. A droga da porta estava apenas encostada. Antes que ele pudesse abri-la completamente, Ash ouviu gritos vindo de dentro da casa. Gritos muito estranhos que infelizmente reconheceu por sendo de Julie e Luke. E isso nunca era um bom sinal.
—Chupe logo que isso está escorrendo! – gritou Luke.
—Eu não posso fazer nada se isso é tão grande! – Julie gritou de volta.
Devagar, Ashton empurrou a porta e colocou a cabeça para dentro aos poucos. Ele estava com medo de entrar na casa, ele não iria mentir, principalmente depois que Julie havia confessado seu amor à Luke, seu irmão gêmeo.
—O que vocês estão fazendo? – perguntou Ashton, confuso.
Da entrada, ele percebeu que os dois estavam na cozinha e viu uma coisa que nunca imaginou ser possível. Julie chupando um grande, imenso – ele sabia do que estava falando, Ashton era um expert nesses assuntos – sorvete expresso. De chocolate. O que essa menina tem com doce, principalmente chocolate?, Ashton queria saber.
—É gelado – reclamou Julie.
—De onde vocês tiraram isso?
E o sorvete era grande mesmo. Do tipo que só se ver na televisão, que muitas pessoas dividiriam e ainda teria bastante tempo para um papo antes de derreter. Ashton nunca havia encontrado um, não sabia nem que vendiam ali.
—Está congelando meu cérebro – choramingou ela, segurando a colher com os dedos brancos tremendo.
Uma coisa que ninguém ali entendia era isso. Como um cérebro congela por tomar sorvete? Eles não sabiam, mas Julie disse do mesmo jeito. Os olhos dela estavam vermelhos e com lágrimas, seu nariz escorria e ela fungava, contudo continuava tomando o sorvete. Sua determinação era impressionante.
—Julie apostou que consegue tomar um sozinho em 5 minutos, se perder ela vai me dá seu impala de colecionador – explicou Luke sem desviar os olhos dela. Ele não confiava em sua irmã, Julie poderia roubar sem nenhum peso na consciência.
Uau, pensou Ashton, Julie devia estar muito confiante para apostar isso, pois esse carrinho é o seu xodó.
—Você não vai ter ele – murmurou ela, colocando mais uma colher na boca e se arrepiando.
—Quem está ganhando?
—Falta um minuto para dar cinco. Quem você acha?
Faltava muito sorvete, Luke ganharia, pensou Ashton. Luke concordava com isso. Mas no final, do nada, Julie conseguiu fazer uma reviravolta e tomou o resto do sorvete. Luke não ligou muito para o fato da maior parte do sorvete está no rosto dela, feliz pela alegria que estava tendo. Desde a ação babaca do Michael, todos estavam pisando sobre ovos em relação a qualquer coisa, andando com cuidado para não quebrar nada. Menos Julie que parecia querer que as coisas explodissem. Kabum!
—Julie – chamou Luke quando ela passou por ele para ir se limpar. – Sorvete.
Ele passou o dedo pelo seu nariz e mostrou o dedo sujo. Seguindo seu exemplo, Julie passou o dedo pela sua bochecha, vendo que tinha sorvete e o pressionou contra o nariz de Luke.
—Sorvete – imitou ela, sorrindo carinhosamente para o irmão.
Ashton queria saber se sorvete era o novo banana – não que ele tivesse assistido aos Minions – porque ele já estava vendo à hora de morrer por muito doce no sangue, mesmo que achasse impossível aumentar a quantidade de açúcar no sangue somente vendo-a – tanto no sentido figurado quanto literal. Ash estava certo que aqueles dois ainda lhe dariam diabetes algum dia, com todas essas interações melosas entre eles. E embora não houvesse nada de diferente no envolvimento deles, aquilo o irritou.
—Ashton – Luke se virou para o próprio quando Julie subiu as escadas. – Quer me dizer a razão de está me olhando assim?
—É... Estou? Julie disse, não... O que você faria se, hipoteticamente... Hipoteticamente falando, viu? Você...
Ashton estava enrolado e enrolando, pois ele não sabia o que dizer. Como é que se pergunta algo desse tipo? Ele não sabia nem acreditava que fosse descobrir o jeito certo de questionar algo assim algum dia na sua vida.
—Só faltava você – interrompeu Luke, suspirando. – Eu não quero nem ouvir o que você irá dizer.
—O que?
—O que quer que seja, Julie disse sábado quando estava bêbada? – perguntou Luke, olhando-o pacientemente e com pena.
—Sim – assentiu Ashton, hesitante. Ele não entendia aonde Luke queria chegar. Não sabia nem se queria saber aonde ele iria chegar.
—Julie tem a mania... – Luke parecia procurar as palavras certas para falar da irmã. — De contar mentiras quando está muito bêbada.
—O que?
—Uma vez ela quase terminou com um casamento quando o padre perguntou quem era contra o casamento – contou Luke, meio rindo – e ela disse que viu o noivo se agarrando com a dama de honra. E a dama de honra era uma velhinha de noventa anos.
—O que? – repetiu Ashton pela terceira vez, não apenas por causa da velhinha. – Então quer dizer que...
Ele queria matar alguém chamado Julie Hemmings e não conseguiu evitar dar olhares mortíferos para ela ao vê-la descendo as escadas. Por um bom tempo, ele passou encarando-a antes que fosse falar com Julie, indo de lá para cá enquanto esperava Luke descer para irem para o treino. Desistindo de fingir que não queria falar com Julie, ele caminhou até o sofá que ela estava e ficou lá, parado em pé, apoiando-se em um pé e outro indeciso. Sua coragem já o abandonava. Sem dizer nada, Julie puxou os seus pés, dando espaço para ele se sentar e dizer o que o preocupava. Não que ele precisasse, Julie já sabia o que era.
—O que você está assistindo? – perguntou Ashton, tentando quebrar o silencio.
—Um documentário sobre abuso de poder na prisão de cuba. – Quando ele se sentou, Julie colocou os pés sobre ele e desviou os olhos da TV, dizendo: – Você parece dividido entre alivio e raiva.
—Você se lembra do que me disse sábado? – Julie não respondeu, apenas sorriu. Ashton sabia a resposta. – É claro que sim.
—Quem te disse que era mentira?
Julie percebeu a diferença no modo que ele estava tratando-a. Depois da festa, Ashton agia como se não soubesse o que fazer perto dela, como se comportar, o que dizer. Embora o fato dele está desconfortável perto de si deixasse-a um pouco desconfortável, sem saber o que falar e como se comportar, a diversão que Julie sentia superava isso. Era engraçado vê-lo assim e Julie não voltaria atrás no que disse, ela queria saber ate quando Ashton ficaria afastado dela.
—Obviamente não foi você que me disse.
—Você não me perguntou porque não quis. Você devia ter visto seu rosto quando eu disse –zombou Julie ao lembrar-se do seu olhar atordoado. – E desapareceu tão rápido depois, como o diabo fugindo da cruz.
—Vamos, Ashton? – chamou Luke descendo as escadas na hora H.
—Eu não soube o que dizer – comentou Ashton, sorrindo. E Julie sabia que estava perdoada. Não que ela precisasse, embora pudesse afirmar que ia ter troco. Nada era de graça, inclusive sua vida.
Julie ouviu um carro estacionando e uma porta batendo; viu Luke passando correndo e subindo as escadas. Ela se perguntava o que ele estava fazendo em casa naquela hora quando Ashton apareceu na porta e caminhou ate a cozinha. Ate ela.
—Vocês não deviam estar no treino? – perguntou Julie, por educação.
Ela não queria conversar enquanto estava ocupada comendo, mas – diferente do que muitos achavam, e de ser verdade – Julie tinha um pouco de educação que sempre insistia de aparecer nos momentos inadequados. Semelhante a sua gentileza, que quase sempre acaba envolvendo-a em complicações irritantes, que quase sempre a fazia arrepender-se de ser gentil. Para que ser uma boa pessoa se no final acabaria me ferrando de qualquer jeito?, Julie não sabia donde venho esse ataque, provavelmente ela já estava ficando de TPM, porque nem em pensamento – apenas quando a situação estava bastante irritante – Julie xingava.
—Luke esqueceu os tênis – respondeu Ashton, encarando-a. E perguntando-a finalmente: – O que você está fazendo?
Julie estava sentada em cima da mesa e mesmo sendo alta seus pés não alcançavam o chão. Ela gostava de balançá-los desde que era pequena enquanto observava seu pai preparar o café da manhã. Isso não mudou depois de tudo, mas agora se ela esticasse os dedos, seus dedos conseguiam tocá-lo. Mas o que Ashton queria mesmo saber era porque Julie estava com uma colher na mão, ele já estava acostumado a vê-la sentada ali.
—Brigadeiro. Demi vai dormir aqui hoje. Quer?
Mesmo quem não a conhecia conseguia sentir as ondas alfas que Julie emanava e que dizia que mataria qualquer um que ousasse roubar seu brigadeiro, mas Ash ignorou-as e ficou bem na sua frente, acomodado no espaço entre as pernas dela. Segurando sua mão, ele lambeu um pedaço da colher sem desviar os olhos dos da Julie e...
Uau, reconheceu Julie, pensando. Ashton deve estar acreditando que tudo isso é um sonho, porque ele está se comportando como um ator pornô. Não que, mais uma vez, ela já tenha visto um, mas supunha que fosse assim que eles agiam. E em algum lugar na sua mente, Julie prometeu a si mesma assistir um filme pornô e superar logo essa fixação que ela estava tendo.
—Está faltando algo – opinou Ashton, lambendo de maneira provocante.
—O que é?
Julie revirou os ao discordar – e àquela imitação barata. Ela era uma ótima doceira e brigadeiro era sua obra prima, seu prato da casa, entende? Depois dos ovos. Ash deveria se arrepender por mentir daquele jeito e se não o fizesse Julie lhe mostraria. Ofender a chef no seu lar era um insulto que ela não aceitava.
—Isso – respondeu ele, beijando-a.
Completamente clichê, até Ashton concordava. Julie vomitaria se sua boca não tivesse ocupada com outra coisa no momento. No momento.
Para Julie, a posição deles era de quem iriam valsar, péssima analogia, mas tinha um pouco de verdade. A posição deles não era tão diferente de quem valsava. As mãos deles continuavam juntas e segurando a colher, o braço esquerdo de Ashton passava ao redor da cintura de Julie e a mão direita dela estava no ombro dele, apertando-o e dando-a estabilidade, se não era capaz dela bater as costas na mesa. Julie possuía a impressão que se isso acontecesse, Ashton não pararia e continuaria beijando-a.
Ela estava completamente... Ok, não completamente, um pouco perdida. Ash deslizou sua língua pela boca dela e Julie tinha que dizer “ainda sou iniciante nesse assunto”. A única pessoa que ela já beijou havia sido ele, Ashton. Uma vez. Duas, se ela contasse o beijo pós não-encontro, mas Julie não contava. Aquele beijo foi ruim o bastante para auto se excluir da categoria beijo. Contudo o beijo de agora criaria uma categoria completamente nova se estivesse se importando, pois esse beijo era completamente diferente do outro.
As coisas já estavam ficando quente rapidamente. Muita roupa, muitas mãos, muito espaço, pouco tempo. Gemendo quando sentiu os dedos de Ashton na sua pele – ainda em sua cintura, entretanto não tinha mais uma blusa entre eles – acariciando sua barriga, Julie deu-se conta vagamente que devia ser uma vadia. Ou, mais provável, Ash estava corrompendo-a.
—Ashton? Onde você está? – gritou Luke de algum lugar, mas Julie não prestava atenção.
—Na cozinha com a Julie – gritou Ash de volta, separando as bocas, mas mantendo suas testas grudadas. – Ficou mais saboroso, você não acha?
Dando um ultimo beijo nos lábios dela, esse podia ser considerado ate casto em relação ao outro, Ashton se virou para o irmão daquela garota, como se nada tivesse acabado de acontecer. E Julie? Ela continuava parada ali em cima. Era muita cara de pau de Ashton beijá-la do nada, embora Julie soubesse que beijos não viam com um anuncio, apesar de não ter nenhum problema se viesse.
—Estão fazendo o que? – perguntou Luke apenas por perguntar. Ele não desconfiava de nada.
—Julie fez brigadeiro, quer? – perguntou Ashton, oferecendo a colher. Quando foi que ele a pegou?, perguntou-se Julie, atônita.
—Não – disse Luke e olhou para a irmã. – Você está se sentindo bem, Julie?
—Por que eu não estaria?
Saltando da mesa, embora Julie sentisse suas pernas um pouco bambas, ela conseguiu andar sem fraquejar ate a pia. O que já considerava um milagre divino.
—Você está vermelha – respondeu Luke, franzindo a testa de preocupação. – Está com febre?
De costas a ele, Julie agradeceu por isso, pois acabou de arregalar os olhos. Ela estava corada? Isso era impressionante, Julie não conseguia se lembrar qual foi a ultima vez que isso aconteceu.
—Estou com calor – admitiu Julie.
Ashton tentou não sorrir ao ver ao comportamento de Julie, que se perguntava quem pegava fogo: ela ou a cozinha. Julie lavou o rosto tentando abaixar a sua temperatura e o pior de tudo isso era que não saiu fumaça. Cadê a calefação na vida real quando se quer desaparecer? Evaporar rapidamente era um sonho de Julie em momentos como esses. Sonho que ela nem sabia como tornar real.
—Julie – Por um momento, Julie acreditou que Ashton concordou com ela, mas ele não teria tanta coragem com Luke na cozinha também, além dela não ter pensado em anda que exigisse uma resposta. – Obrigado pelo brigadeiro. Ele estava delicioso.
Julie tinha o sentimento que ele não estava falando do brigadeiro. Ou talvez ela estivesse paranoica. Era totalmente possível que Julie tivesse desenvolvido uma síndrome de perseguição em 5 minutos, mas era Ashton Irwin, então ele com certeza não estava falando do brigadeiro. Devolvendo a colher para ela, Ashton beijou-a na bochecha, perto demais da sua boca. E Julie queria bater nele – ela não gostava de como estava se comportando, como Ashton a forçou a se comportar, como a relação deles estava diferente – sua duvida era se antes ou depois de continuarem de onde pararam.
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