Isso não vai prestar...
12 Get Here
Notas iniciais

“Você pode chegar até a mim por uma estrada
Você pode chegar até a mim por uma ferrovia
Você pode chegar até a mim por um avião
Você pode chegar até a mim com seus pensamentos”
On. Pov Nanami – Flash Back
Frio.
Extremamente frio.
Onde estava vovó? Ela disse que logo voltaria, mas…
Está realmente frio.
– Ei, você vai comer isso aí? – disse uma voz feminina ao meu lado.
Ergui o rosto, olhando em direção a voz. Havia uma garota com cabelos ondulados na altura dos ombros num tom cereja. As íris num tom purpura realmente bonito.
– Não. Pode ficar se quiser. – empurrei a bandeja em direção à garota.
Ela sorriu largamente e pegou o pequeno pedaço de pão, engolindo-o de uma vez e soltando um murmúrio de alegria.
Suas roupas estavam sujas de fuligem como as minhas, os pulsos avermelhados e uma cicatriz na bochecha esquerda, fora as várias cicatrizes e lesões espalhadas por suas pernas finas.
– Nunca te vi por aqui! – disse ela. – é nova aqui?
– Sim. – respondi timidamente, ela era muito escandalosa, chamava a atenção de todas as outras crianças naquela sala escura.
Escura sim, um liquido mal cheiroso escorria pelas paredes e em goteiras. O chão era coberto por várias camadas de poeira e lama. Um pouco de musgo se acumulava em alguns lugares, haviam vários pedações de papelão espalhados pelo chão e quadro “janelas” com cerca do tamanho da minha mão numa das paredes, revestidas por uma pequena grade de metal.
Por que será que a vovó me deixou aqui?
– Ei... – falei baixinho.
Os belos olhos da garota logo se fixaram em mim e ela ergueu uma sobrancelha.
– Hm, o que foi?
– Q-Que lugar é esse?
– EH?! – sim, ela gritou, me fazendo me encolher ainda mais pelos olhares curiosos dos outros. – VOCÊ NÃO SABE!?
– A-Ah... Não.
– Isso aqui é um orfanato. O-r-f-a-n-a-t-o. – soletrou como se eu fosse analfabeta. – onde crianças indesejadas são jogadas para serem levadas por outros. Bem simples.
– M-Mas por q-que minha vovó me deixaria aqui?
– Por que ela não te queria mais. – deu os ombros. – hm, eu sempre estive aqui desde que me entendo por gente, então não sei te explicar direito essas coisas. Mas já vi algumas pessoas como você por aqui. – ela pôs um dedo sobre os lábios e olhou para o teto, como se quisesse lembrar-se de algo. – ah! Me chamo Shibuya Tomochika! Pelo menos é como eu acho que devo me chamar, e você?
– Haruka Nanami.
– Eh, que lindo nome! Nee Nanami-chan, quer ser minha amiga?
Antes que eu pudesse responder, a porta de metal do local foi bruscamente aberta e ouvi vários gritos.
– QUE ESSA SEJA A ÚLTIMA VEZ! – berrava uma voz grossa e autoritária. – A PUNIÇÃO NA PRÓXIMA SERÁ MAIOR!
Em seguida, um garoto moreno foi jogado e a porta foi bruscamente fechada.
Várias crianças foram na direção dele, tentando ajuda-lo. O moreno, que tinha metade do rosto inchado, e o outro lado arranhado, apenas sorriu confiante e disse que estava bem
– Cecil-kun! – disse Shibuya sorridente. – aqui, aqui!
O moreno foi em passos vacilantes até a garota, desabou no chão ao lado dela, tomando folego.
– Quase consegui abrir o cadeado dessa vez! – disse ele com um sorriso dolorido. – logo conseguirei nos tirar daqui!
– Impressionante Cecil-kun! – Shibuya bateu palmas e deu um beijinho carinhoso no rosto do moreno, tendo cuidado para não machuca-lo ainda mais. – a propósito, ela chegou hoje! – apontou para mim.
O moreno me observou curioso, mas logo o sorriso tornou a reinar em seu rosto.
– Sou Aijima Cecil, você é...?
– H-Haruka Nanami. – respondi desviando o olhar.
– Eh, ela é uma fofa Tomo-chan!
– Não é? – Shibuya sorriu. – dá vontade de apertar! – dito e feito, abraçou-me com tanta força que eu mal conseguia respirar.
– Há quanto t-tempo v-você está aqui Aijima-san? – perguntei envergonhada.
– Pode me chamar só de Cecil! Eu estou já faz, hm... – olhou para o teto. – acho que uns dois anos e meio. Mas com o tempo a pessoa acostuma, menos com as punições – seus olhos morreram naquele momento. – torça para nunca passar por elas. – levou uma mão ao rosto, e sua expressão tornou-se aflita por um segundo.
– Não gostei daqui. – sussurrei olhando para meus pés descalços.
– Ninguém gosta. – Shibuya suspirou. – mas não se preocupe! Eu eu o Cecil-kun estamos armando um plano para fugimos daqui – sussurrou. – mas é segredo. Se quiser, te deixamos participar.
– Eu quero. – encareia-a.
Shibuya alargou o sorriso e tornou a me abraçar, quase acertando um pé em Cecil que resmungou de dor.
Por mais estranho que pareça, era divertido estar com eles.
Então houve minha primeira punição.
Nesse dia, tudo mudou.
Off. Pov Nanami – Fim do Flash Back
“Você pode chegar até a mim por uma caravana,
Atravessar o deserto como um árabe faz
Eu não me importo como você vai chegar
Somente, chegue aqui se puder”
On. Pov Autora
Novamente o pequeno papel era sobrado, amassado e ajeitado entre as mãos de Nanami.
O que faria? Daria Cecil há Camus, ou perderia a Shibuya de vez?
Guardou o papel no sutiã e suspirou enquanto puxava algumas mexas de cabelo. Ficaria louca daquele jeito!
– VOCÊ É INCRÍVEL TOKI! – acordou de seus pensamentos aos berros escandalosos de Otoya.
O ruivo só faltava dançar Macarena no meio da rua de tão feliz que estava, jogara os braços sobre Tokiya, praticamente subindo nas costas dele e lhe dava vários beijinhos sobre o rosto, deixando o maior completamente vermelho.
– Hm, o que eu perdi? – disse Nanami completamente confusa.
– Hoje vamos comer numa lanchonete por que o Tokiya conseguiu falar com o dono há uma meia hora atrás, aliais você estava conosco, onde está com a cabeça? – disse Cecil franzindo a testa.
– Ahn... Em lugar nenhum.
– Hm – ele a olhou desconfiado. – sei.
Otoya e Syo praticamente arrombaram a porta da lanchonete ao entrar, parecia que iriam chorar de felicidade. Masato revirou os olhos quando Ren pôs um braço sobre seu ombro e Tokiya morria de vergonha enquanto Natsuki falava o quanto faltavam coisas fofas na decoração aqui e ali.
Tokiya dirigiu-se até um rapaz, conversou com ele por alguns minutos e em seguida estava subindo no pequeno palco que havia ali com um violão.
– Boa tarde. – disse ele ao microfone preso a base, ajustou momentaneamente a altura e logo tornou a falar. – hm... Me chamo Tokiya, e essa música compus para uma pessoa muito importante para mim. – olhou significativamente para Otoya que corou. – ela se chama Believe My Voice.
Os outros sentaram-se numa mesa, torcendo para que Tokiya fizesse sucesso! Eram lanches que graça que estavam em jogo!
Tokiya tocou vagarosamente as primeiras notas, com os olhos fixos nas cordas, aproximou os lábios do microfone, focando o olhar no nada e começou a cantar.
– Tsutaetai yo kimi dake ni kono yo ni wa uta ga aru koto (Quero transmitir isso para só você, neste mundo, existe uma canção) – sua voz grave ecoava pelo local, atraindo a atenção de todos. — Futari dake no merodī wa eien o yakusoku suru kiseki ni, Hajimete kidzuketanda kono kimochi… (Uma melodia que é para nós dois sozinhos, um milagre que prometeu a eternidade, foi a primeira vez que eu notei esses sentimentos...)
O Ichinose finalmente ergueu o olhar, fitando-o fixamente os olhos cor de rubi de Otoya com um calor tão forte que fez o ruivo corar.
– Kimi to sugoshita jikan wa dore mo ga utsukushii hoshi no you data (Todo momento que eu era capaz de passar com você, era como uma bela estrela)... – por um segundo, a voz do Ichinose tornou-se tão rouca e sexy que Otoya teve de desviar o olhar e de repente todos do local não despregavam mais de Tokiya.
Syo comemorou mudo quando viu que aos poucos a lanchonete se enchia.
Era sempre assim, STARISH cantava em qualquer lugar, e ele sempre lotava.
Essa era a melhor felicidade que seus membros tinham. Saber que suas vozes tocavam no coração dos outros.
Afinal, não é esse o sonho de qualquer cantor?
“Você pode chegar até a mim com um barco
Subir em uma árvore e se equilibrar em uma corda
Pegar um trenó e descer ladeira abaixo
Diretamente para os meus braços”
Nanami não sabia como reagir.
Aquilo era estranho.
Ren falava em sussurros com Masato, o deixando todo vermelho ao ponto de dar uma pequena tapa em sua cabeça, o loiro-caramelizado riu e lhe deu um beijo na bochecha, quase fazendo o garoto explodir de tão vermelho que estava. Natsuki apertava ambas as bochechas de Syo que fazia bico e reclamava enquanto tentava acertar o pequeno saleiro no mesmo. Otoya ainda estava todo envergonhado e olhava timidamente para Tokiya enquanto apertava nervosamente as mãos sobre o colo, o que chegava a ser uma cena fofa pelo rubor nas bochechas e as mãos cobertas pela manga da blusa branca que vestia. Cecil ria das expressões de Otoya enquanto conversava com Natsuki e Syo.
O lugar lhe parecia... Aconchegante?
“Você pode subir em um cavalo
Atravessar a linha sobre a fonte da esperança
Eu não me importo como você vai chegar
Apenas, chegue aqui se puder”
– Eru koto wa tada hitotsu “hanasanai zettai” subete wa kono ai no tame ni ikiyou (A única coisa que vou dizer é "eu nunca vou deixar você ir! Tudo o que eu vivo para isso é amor)...!
Iria mesmo entregar Cecil? As únicas vezes em que se sentira-se assim foi quando ainda era pequena e sua avó lhe ensinara a tocar piano, e quando planejava fugas do orfanato junto a Cecil e Tomochika.
– Tomo-chan... – murmurou baixando o olhar.
– Sono tame ni umarete kitanda… (É para isso que eu nasci).
Tokiya afastou-se do microfone e relaxou o braço que apoiava o violão. Todos no local aplaudiram, não havia uma única mesa vaga. Os funcionários iam de um lado para o outro atender os pedidos. Tokiya sentou-se ao lado de Otoya e entrelaçou suas mãos por debaixo da mesa, dando um beijo cálido em sua bochecha.
Todos, com exceção de Nanami, riram com o rosto envergonhado de Otoya. O rapaz de antes aproximou-se dos STARISH e disse-lhes que poderiam escolher o que quisessem.
Syo parecia que logo iria devorar era o cardápio, Natsuki continuava a agarra-lo instantaneamente e Cecil não parava de rir.
E a cada segundo que passava, Nanami se sentia pior.
“Existe cordilheiras e montanhas entre nós
Sempre havendo algo para superar
Se eu tivesse como, teria certeza que você estaria mais perto
Eu preciso,
Preciso de você perto”
– Eu já havia me esquecido de como era comida de verdade!!! – Syo praticamente chorava.
– E por acaso estávamos comendo comida de mentira? – Tokiya revirou os olhos.
– Nee, Toki, não seja assim! – disse Otoya inflando as bochechas. – isso está realmente bom! – deu mais uma mordida no hambúrguer.
– Deixarei de ser assim, quando você deixar de ser assim também. – riu o Ichinose enquanto limpava com o polegar o molho que manchara o lábio inferior de Otoya. – a não ser que queira me provocar ainda mais.
Ok. Nesse momento Otoya já estava mais vermelho que os próprios cabelos. TODOS da mesa cariam em gargalhadas, Nanami disfarçou dando uma risada, mas sua mente estava longe.
“Se eu entregar o Cecil ao Camus, terei a Tomo-chan de volta”, pensava repetidas vezes.
Mas sua determinação ia pelos ares ao ver o rosto sorridente de Cecil.
Fazia anos não o via daquela maneira.
“Você pode mergulhar em minha vida
Me levar para passar em um tapete mágico
Pode fazer isso em um grande balão
Mas é melhor você fazer isso logo”
– Nanami-chan, não vem para a foto? – disse Natsuki.
Finalmente, pareceu acordar. Seus olhos foram para os STARISH, estavam de pé, lado a lado e uma garota na frente deles segurava uma câmera. Todos olharam para Nanami, cada um sorrindo a sua maneira.
– Rápido Nanami! – disse Syo.
– A sua presença só vai embelezar a foto lady. – disse Ren.
Masato deu-lhe uma tapa na cabeça, mas sorriu para a ruiva também.
Otoya chamou-a com a mão e Tokiya deu um sorriso de canto.
– Vem, Nanami. – disse Cecil estendendo-lhe a mão.
Ela quis chorar naquele momento.
“Você pode chegar até a mim por uma caravana,
Atravessar o deserto como um árabe faz
Eu não me importo como você vai chegar
Somente, chegue aqui se puder”
Praticamente correu em direção a eles, ficando no meio e abrindo um enorme sorriso.
– Digam STARISH! – disse a garota que segurava a câmera.
Todos falaram ao mesmo tempo, e Nanami registrou aquilo na memoria.
Não eram apenas amigos.
Estavam se tornando uma família.
E ela não poderia, de maneira alguma, trai-los.
“Eu não me importo, não quero saber
Eu preciso de você aqui, agora
Oh, eu preciso de você”
Assim que a garota se distanciou sorrindo e acenando para os STARISH, Nanami sentou-se de volta a mesa e apoiou os cotovelos na mesa, afundando o rosto entre as mãos.
– Nanami, o que está acontecendo? – Cecil tocou no ombro da garota.
Ela a olhava tão sério que Nanami não pode desviar o olhar, logo todos encaravam a garota e ela pigarreou.
– É... E-Eu tenho uma coisa para contar. Por favor, sentem-se.
Fizeram o que ela pediu, realmente preocupados agora.
– Camus... Um rapaz do lugar onde eu e o Cecil viemos, me procurou ontem. E ele, está me ameaçando.
Os olhos de todos se arregalaram.
– O Q- Cecil teve os lábios tapados pelas mãos de Nanami.
– D-Deixe-me falar até o final! Eu e o Cecil não fomos muito honestos com vocês, nos não somos apenas órfãos, somos fugitivos.
Engoliu em seco e ergueu o olhar, encarando-os.
– Acho que agora deveríamos contar nossa história para vocês.
Acreditem: a história de ambos seria o mínimo que eles deveriam se preocupar.
A história real dos STARISH está apenas começando...
“Veja, eu não me importo, não quero saber
Não, não me importo, não quero saber
Eu não me importo como chegará aqui
Apenas chegue
Se você, você puder”
Off. Pov Autora
Fale com o autor