Notas iniciais
ME AMEM! O capítulo saiu um dia mais cedo! *---------* essa fic tá com bem menos pessoas acompanhado, acho que é por que ela segue demais a linguagem padrão, tem menos comédia e é um pouco mais séria, bem mais complexa e longa, mas isso não vêm ao caso. >.< Espero que gostem do capítulo!

“Nós somos apenas jovens e ingênuos ainda

Nós precisamos de certas habilidades

O humor muda como o vento

Difícil de controlar quando começa”

(N/A: A narração de Kaoru se passa no dia seguinte a fuga de Syo)

On. Pov Kaoru – Flash Back

– Nii-san! Nii-san! – chamei-o.

Syo-nii-san virou-se na cama esfregando os olhos e se sentou.

– O que você quer Kaoru? – perguntou após um longo bocejo.

– Não consigo dormir direito.

Syo bocejou novamente e bagunçou os cabelos louros que passavam um pouco de suas orelhas.

– Venha cá... – murmurou ainda sonolento e esticou o braço, chamando-me com a mão.

Peguei meu travesseiro e desci de minha cama, indo em direção à dele. Coloquei meu travesseiro ao seu lado e me deitei, fitando aquelas belas safiras azuis semicerradas.

– Teve algum pesadelo? – perguntou afagando meus cabelos.

– Sim. – menti, a verdade é que eu só queria me deitar ao lado dele.

– Depois de amanhã vamos fazer doze anos. – disse ele. – você tem que parar de ter medo de coisas que não existem.

– Mas eles são assustadores. – sussurrei, para esconder a mentira em minha voz.

Syo-nii-san estava com tanto sono que nem percebeu a mentira em minha voz. Apenas assentiu com a cabeça e me puxou para seu peito.

– Eu estou aqui... – sussurrou. – agora fique quietinho e durma, pois temos que acordar cedo amanhã.

Assenti e abracei sua cintura, aconchegando-me em seu peito. Senti uma de suas mãos acariciarem os fios loiros de minha nuca, enquanto a outra descansava em minhas costas.

– Boa noite nii-san.

– Hm... Boa noite... – murmurou caindo no sono novamente.

Observei seu rosto adormecido, movi uma das mãos e alisei suas bochechas coradas. Era tão macia... Movi meu polegar até seus lábios, acariciando o inferior. Cheio e vermelho, a respiração suave e leve.

– Nii-san, eu amo tanto você... – murmurei.

Selei seus lábios nos meus num toque leve e separei, sorrindo ao ver que ele ainda dormia.

– Tenha bons sonhos nii-san.

Fim do Flash Back

“O agridoce entre meus dentes

Tentando encontrar o meio-termo

Se apaixonar eventualmente”

Acordei tendo minha vista incomodada com a luz do sol que refletia em meu rosto. Abri fracamente os olhos, uma empregada abria as janelas com delicadeza.

– Bom dia Kaoru-sama. – disse ela.

– Bom dia... – respondi me espreguiçando. – Syo-nii-san já acordou?

– Ele me pediu antes de dormir para que não o acordássemos, pois se sentia muito cansado e precisava descansar até um pouco mais tarde.

– Hunf. Preguiçoso, deve ter passado a noite no computador... – levantei-me da cama e ajeitei meu pijama, terminando de abotoa-lo. – eu mesmo vou acorda-lo...

Fiquei um pouco cambaleante nos primeiros passos, mas logo despertei e fui até o quarto de Syo. Depois que fizemos treze anos nossos pais nos colocaram em quarto separados, alegando que Syo estava mais baixo que eu então seria a “garota” da tradição de nossa família e teria que aprender a ser tratado como tal.

Tendo ou não visita, ele se vestia como uma garota, e era obrigado a agir como uma. Confesso que sempre achei isso injusto, mas não era louco de contradizer meus pais.

Apenas Syo era.

– Nii-san! – bati na porta de seu quarto. – deixa de ser preguiçoso e levanta!

Continuei a bater por alguns minutos. Mas nada de ele abrir. Revirei os olhos e rolei a maçaneta, adentrado o cômodo decorado por moveis na cor salmão e creme.

– Acorda nii-san! – fui em direção a sua cama.

E ela estava vazia.

Estranhei, será que ele estava no banheiro?

Fui até a suíte.

Meu coração apertou-se, fui até seu armário, todas as roupas de garota estava lá. Abri as gavetas onde ele guardava as roupas de garoto que eu o ajudava a conseguir.

– SYO-NII-SAN, ONDE VOCÊ ESTÁ?! – gritei.

Não, não, não! Ele devia estar aqui... Meu nii-san... Meu...

– Kaoru-sama, algum problema? – uma empregada entrou no quarto.

Olhei para ela e agarrei a gola de seu uniforme, quase a erguendo no ar.

– ONDE ESTÁ SYO?! – berrei.

Ela ofegou, sem ar e larguei-a no chão.

– Kaoru-sama...

– NII-SAN! CADÊ VOCÊ? – comecei a correr pelos cômodos da casa.

Ele não estava em lugar nenhum, salas, cozinha, quartos... EM NENHUM LUGAR!

– NII-SAN! NII-SAN! – berrei pelos corredores.

Todos os empregados da casa acordaram, começaram a procurar Syo junto a mim, mas ninguém o encontrava.

Nossos pais foram informados através de um dos mordomos que ligaram para os mesmos. Eles estavam numa de seus milhares de viagens a trabalho. Alegaram que voltariam imediatamente, e que mandariam pessoas à procura de Syo.

Depois de muito gritar, muito correr e procurar retornei ao seu quarto, ajoelhando-me ao lado de sua cama.

– Nii-san... Onde você esta...? – murmurei sentindo as lagrimas escaparem por meus olhos.

Abracei um de seu travesseiros, o favorito com penas de ganso e uma fronha quadriculada, sentindo o cheiro doce de sua pele, cabelos, tudo... O aroma delicioso que somente ele tinha.

Foi quando senti uma pequena elevação por dentro da fronha, ela fez um barulho diferente do tecido.

Abri o zíper e observei dentro, havia uma folha, extremamente dobrada.

A retirei e logo reconheci a letra de Syo, era uma carta.

Kaoru se está lendo isso, provavelmente eu já não estou mais em casa. Quero que saiba que nada disso é sua culpa. Eu te amo muito, você é o melhor irmão que alguém poderia querer. Todas as vezes que dormimos juntos, brincamos, saímos, ou até mesmo fomos a festas em que fui obrigado a usar aqueles malditos saltos doze, sempre pude suportar qualquer coisa por que podia contar com você.

Mas cheguei ao meu limite. Não suporto mais isso, eu sou um garoto, um homem, e não posso mais aguentar essa ditadura que chamamos de família.

Eu vou ser feliz. Mas Natsuki estava certo, eu ou realizar meus o sonhos, estou cansado de seguir essas malditas tradições que nunca nos deixam seguir o caminho que queremos.

Perdoe-me por deixa-lo assim.

Eu te amo muito.

Syo, seu ni-san.

Ao terminar de ler, as letras estavam borradas, o papel completamente amassado. Minhas mãos tremiam freneticamente e mal conseguia enxergar por causa da quantidade de lagrimas que se acumulavam em meus olhos.

Syo-nii-san não podia me deixar. Ele certamente voltaria.

Mas e se não voltasse?

Adeus.

Ele não voltaria...

Li a carta mais umas três vezes, decorando-a. Até que prestei atenção em algo que ignorava a principio:

“Natsuki estava certo...”.

Quase rasguei o papel em minhas mãos.

Natsuki? NATSUKI? POR CAUSA DAQUELE MALDITO O MEU SYO-NII-SAN ME DEIXOU?!

Isso não vai ficar assim...

Syo é meu.

E nem Natsuki, nem ninguém ficariam em meu caminho.

Off. Pov Kaoru

◦◦◦

“Não posso me ajudar, mas conto as falhas

Rasgo minha saída através destas paredes

Uma fuga temporária

Sinto que começo penetrar”

◦◦◦

(N/A: A narração de Syo se passa duas semanas após sua fuga)

On. Pov Syo

– NÃO ACREDITO QUE CONSEGUI! – praticamente berrei de felicidade.

Joguei-me por livre e espontânea vontade nos braços de Natsuki, agarrando seu pescoço com tanta força que mal o deixava respirar.

Ele apenas riu e retribuiu o abraço enquanto Nanami acertava tapinhas nas minhas costas.

– Parabéns! – disse ela sorrindo. – sua letra ficou perfeita com a minha impecável melodia! – muito humilde como sempre.

Sorri de volta. Todos me davam os parabéns, afinal, era a primeira apresentação solo!

Nanami nos acordara às quatro da manhã (naquela noite havíamos dormido no terraço de um prédio abandonado para poupar dinheiro, mas isso não vêm ao caso...), gritando que havia feito a melodia perfeita para mim. Fiquei surpreso a principio, mas logo reconheci as notas, tendo uma noção de como ela era e depois de um dia inteiro consegui compor a letra.

E, diga-se de passagem, o resultado final foi perfeito.

Não foi difícil encontrar um bar qualquer para eu cantar, mas foi impressionante a quantidade de pessoas que pararam no local apenas para me escutar, fiquei tão feliz que poderia chorar. Mesmo que não tenha sido algo incrível, ou grande, foi a primeira vez que cantei em público. E se as pessoas apenas pararem por que querem ouvir a minha voz, eu não peço mais nada.

O dono do lugar me pagou um pequeno cachê, quase desmaiei de tanta felicidade. Nosso sonho era possível! E batalharíamos muito para ele ser realizado!

Mas nesse exato momento estamos atrás de uma padaria fechada, um beco meio escuro, nos protegendo da chuva com a junção de telhados pelos prédios serem tão colados uns aos outros.

Algumas caixas de papelão secas forravam o chão um pouco úmido, não era nenhum luxo como estávamos acostumados, mas não podíamos gastar dinheiro à toa. Se mexêssemos em nossas contas, nossos pais perceberiam e nos encontrariam, então tivemos que nos virar com a quantidade de dinheiro que havíamos tirado antes da fuga.

E, acredite, era pouquíssima comparado as quantias exorbitantes que estávamos acostumadas a gastar por dia em nossa outra vida.

– Nos deveríamos criar um nome para a banda! – disse Otoya sorridente como sempre.

– Que tal, “os fugitivos”? – sugeriu Nanami.

– Que criatividade... – riu Tokiya. – mas não.

– Hm... Seremos os “Carinhosos do Piyo”! – disse Natsuki.

– Quem diabo é Piyo? – ergui uma sobrancelha.

– Um pintinho amarelinho que...

– Menos Natsuki. Menos. – cortou Ren. – devia ser algo mais perfeito como “Irresistíveis”. O que acham?

– A sugestão do Natsuki é melhor que a sua. – disse Masato limitando-se a sorrir de canto.

Ren fez um bico emburrado e logo todos discutíamos um nome, mas não tinha um consenso.

– Tenho uma ideia! – Cecil finalmente disse algo, ele estava bastante calado nesses últimos dias. – que tal STARISH?

– STARISH? – repetimos ao mesmo tempo.

– Sim. STARIH. Syo, Tokiya, Ren, Itoki e Hijirikawa.

– Boa ideia, mas ficaria faltando o “A”. – falei.

– Não ficaria não! – Nanami sorriu e apertou as bochechas de Cecil. – Você vai cantar com eles, mão vai?

Cecil ficou vermelho feito um pimentão e se afastou das mãos de Nanami.

– C-Claro que não! – gaguejou desviando o olhar para o chão.

– Eh? Você canta Cecil? – Otoya abriu aquele sorriso que faltava só rasgar seu rosto ao meio.

– Não...

– CANTA! E muito bem por sinal! – Nanami apertou novamente as bochechas do moreno, quase as arrancando. – antigamente, eu só compunha melodias para ele! Todas as letras que elabora são incríveis!

– Está sendo gentil. – disse o moreno esfregando as bochechas que já estavam praticamente roxas. – esqueçam o que ela falou...

– Cante para nós! – Otoya segurou sua mão. – eu quero ouvir!

Tokiya fez uma careta e puxou o ruivo para si, colando as costas do menor a seu peito.

– Otoya tem razão, deixo-nos ouvi-lo cantar uma vez.

– Apoio. – Ren ergueu a mão. – mostre-nos o que sabe fazer!

– Mas eu...

– Só uma vez não vai te matar. – agora era Masato quem falava.

Cecil suspirou, vencido e tossiu para amortecer a garganta.

– Hunf... – resmungou – eu canto mal, não digam que não avisei.

Ele fechou os olhos, encheu o pulmão de ar e abriu os lábios.

Kotoba ni naranai merodi ga (Uma melodia que não precisa de palavra)... Cloudy, cloudy, cloudy, cloudy (nublado)... Watashi kara minna ni okuritai (Eu quero dar a todos)... Happy in love (Felicidade no amor)...

– QUE INCRÍVEL CECIL! – gritou Otoya soltando-se de Tokiya e pulando em cima do moreno.

– Eu não disse? – Nanami sorriu convencida. – ele é incrível! Mas nunca acredita quando eu falo!

Até Tokiya não teve mais uma de suas estranhas crises de possessão sobre Otoya e elogiou o de olhos esmeraldinos, admirado com sua voz.

– Então vamos cantar todos juntos! – falei.

Eles concordaram, até mesmo Masato sorria abertamente.

Naquela época, achávamos que tudo podia dar certo. Não fazíamos ideia...

De que esse sonho era impossível.

Off. Pov Syo

“Estamos deitados embaixo das estrelas à noite

Nossas mãos segurando uns aos outros apertado

Você guarda meus segredos, esperança de morte

Promessas, prometer para o céu”

On. Pov Nanami

Odeio admitir, mas...

ELES FICAM MUITO FOFOS JUNTOS!

Ok. Respira Nanami. Conta até dez! 1,2,3...

– Nanami? – Otoya despertou-me de meus pensamentos. – está tudo bem?

– S-Sim! – respondi corada com a proximidade do moreno. – é só que... Eles ficam fofinhos juntos, né? – apontei para Syo e Natsuki que dormiam tranquilamente com o menor sentado no colo do maior, encostados a parede do vagão.

Sim, havíamos deixado à cidade, burlado a segurança e entramos de penetras no vagão de carga de um trem que nos levaria para bem longe dali.

– Ficam. – Otoya sorriu gentil como sempre. – de certo modo, Natsuki foi a salvação de Syo.

– Salvação? Como assim?

– Hm... Antes de partirmos eu pesquisei um pouco sobre a família Kurusu. – apoiou as costas na parede do vagão, com os olhos fixos nos garotos abraçados a nossa frente. – já ouviu falar nela?

– Ouvi sim, não me diga que ele...

– Sim. Filho dos multimilionários Kurusus. – deu os ombros enquanto meu queixo ia até o chão.

AQUELE MENINO ERA FILHO DOS DONOS DA MAIOR EMPRESA DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DO PAÍS? QUE DIABOS ELES ESTAVA FAZENDO ALI?

Devo ter ficado muito tempo com a boquiaberta e com os olhos arregalados, pois Otoya deu uma risadinha baixa e disse que se eu não fechasse logo a boca ia entrar uma mosca.

– Continuando. No meio dessas pesquisas, achei muita coisa sobre os filhos dos Kurusus, sabe? A mídia cai em cima sempre que pode. Mas fiquei um tanto confuso, eles alegavam que os Kurusus possuíam dois filhos. Um garoto, Kaoru e... Uma garota. Syo.

– Hein? – franzi a testa.

– Também fiquei confuso, e pesquisando ainda mais, sempre diziam que Syo era uma menina. Haviam várias fotos dele... Hm, “travestido” por assim dizer. Não falei nada há ele, pois sempre que falamos algo sobre ele ser fofinho, ou parecer uma menina fica extremamente estressado e evita falar com todos nós, exceto... Natsuki. – sorriu de canto, passara todo o tempo olhando para os dois garotos. – não sei o que há entre eles, mas sempre estão juntos. Um não vive sem o outro, parece que foram feitos para se encaixarem. Acho muito bonitinho... O laço que eles têm me parece realmente forte.

“O agridoce entre meus dentes

Tentando encontrar o meio-termo

Se apaixonar eventualmente”

Não passamos nem mais cinco minutos conversando já que Tokiya acordou e começou a tatear ao seu redor, como se procurasse por algo.

– Toya...? – chamou ele abrindo minimamente os olhos.

Ainda sonolento, fez uma careta ao ver o ruivo conversando comigo e o chamou com a mão. Otoya era seu cachorrinho por acaso?

– Boa noite Nanami. – disse o ruivo com um sorriso gentil e deu-me um beijinho na bochecha.

Meu rosto corou levemente e a careta de Tokiya alargou-se, seus olhos transmitiam um brilho assassino como se imaginasse varias maneiras criativas de me mutilar.

Esse garoto tem problemas, só pode.

Otoya foi até ele, sentando-se ao seu lado, mas logo sendo agarrado pelo mesmo e o levou ao meio de suas pernas, aconchegando a cabeça no ombro do menor e sussurrando alguma coisa que fez Otoya dar uma risadinha nervosa e depois dar um beijinho na testa do moreno que corou levemente.

“Vocês também ficam fofos juntos...” pensei.

Off. Pov Nanami

“Igual cernelha

Frágil que treme

Você pode sussurrar

Como desaba e quebra

Como você sentir calafrios”

On. Pov Autora

O dia seguinte foi complicado para Nanami e agora a banda que se chamaria STARISH. Desde a fuga do vagão, a escapatória de um assalto e uma pequena apresentação num bar qualquer. O dinheiro não era muito, mas era o suficiente para sobreviver. Deram-se até o luxo de dormir num hotel, tomar um banho de verdade e relaxarem.

– Ah, Kami! – exclamou Syo. – eu já tinha me esquecido de como era uma cama!

Natsuki riu e Nanami revirou os olhos, apesar de sorrir também.

Desde que dormiram no motel, sempre dormiam separados da mesma maneira. Cecil, Nanami, Syo, Natsuki num quarto e Ren, Masato, Otoya, Tokiya no outro. Assim conseguiam dormir mais tranquilamente, sem Nanami e Tokiya tentarem se espancar toda vez que se viam. Apesar de ser uma garota, ela tinha a mão bem pesada. Eles pareciam um casal brigando, só com que com sangue.

Syo riu com esse penosamente e agarrou o travesseiro, deixando sua mente viajar até...

Kaoru.

“Contam todos os seus erros

Um par de perdões

Vamos antes que seja tarde demais

Você pode sussurrar (x4)”

Detestava tornar a pensar no gêmeo. Um peso invadia seu peito e a sensação de culpa o consumia. Tinha vontade de voltar correndo para o irmão e pedir perdão por tê-lo abandonado.

Mas ele não voltaria, não agora.

Natsuki deitou ao seu lado, enlaçando a cintura do menor que já estava tão acostumado a isso que sequer protestou. O loiro apenas fechou os olhos e adormeceu com o rosto de Kaoru sumindo de sua mente...

◦◦◦

“O agridoce entre meus dentes

Tentando encontrar o meio-termo

Se apaixonar eventualmente (x2)”

◦◦◦

Em outra cidade, Kaoru acabara de sair de uma reunião de família. Os Kurusus eram uma família grande e poderosa, só faziam reuniões quando era extremamente necessário, e com o desaparecimento de Syo, foi preciso marcar uma.

– Filho. – a Sra. Kurusu tocou no ombro do gêmeo mais novo.

Ambos se encontravam no quarto do menor que separava os documentos que seu pai havia pedido como parte de seu “treinamento” como futuro presidente da empresa.

– Sim, okaa-san. – disse o garoto sem tirar os olhos dos papeis.

– Syo te disse algo antes de partir?

O garoto parou de se mexer, lembrando-se da carta e cerrou os punhos.

– Não, ele não me disse nada.

– Certo... – a mulher olhou tristemente em direção ao garoto. – você se parece tanto com seu pai... Já Syo sempre se pareceu tanto comigo... – deu uma risada melancólica. – mas não achei que ele fosse ser tão imprudente, tenho certeza de que está bem... Mas ainda assim fico preocupada.

O menor levantou-se, abraçando a mãe e disse com uma voz segura:

– Não se preocupe okaa-san, eu trarei o Syo-nii-san de volta para casa.

A Sra.Kurusu apenas assentiu tristemente e saiu do cômodo, deixando Kaoru sozinho, corrompido por seus próprios pensamentos.

– Eu te trarei de volta nii-san... – sussurrou cerrando os punhos. – você é só meu...

É dessa maneira, que o ódio nasce no coração do menor.

Afinal, a seu ver, Syo era apenas seu.

E destruiria qualquer um que atrapalha-se seu caminho.

“Se apaixonar eventualmente”

Off. Pov Autora

Notas finais
O que acharam meus pôneis? *agarra* mordidinhas e até o próximo cap!