Isso não vai prestar...
8 I Have Nothing
Notas iniciais
“Divida a minha vida me aceite pelo que eu sou
Porque eu nunca irei mudar todas as minhas cores por você
Pegue meu amor eu nunca pedirei muita coisa
Apenas aquilo que você é e é tudo aquilo que você faz”
On. Pov Otoya
– Psiu... – sussurrou alguém. – Otoya... Acorda...
Abri minimamente os olhos, dando de cara com um sorriso psicopata no rosto de Nanami.
– O que foi...? – murmurei sonolento.
Tentei me mover, mas o braço de Tokiya em volta de minha cintura me impedia.
– Eu compus uma nova melodia... – havia uma aura negra ao redor dela e seus olhos possuíam um brilho predador. – pra você...
– Nanami não pode esperar um pou-
Prendi a respiração. Tokiya estava se mexendo, se ele acorda-se novamente por causa de Nanami com certeza voaria no pescoço dela. O braço ao redor de minha cintura apertou-se mais e ele pôs uma perna sobre as minhas, colando completamente nossos corpos.
Olhei para Nanami, havia um filete de sangue escorrendo de seu nariz, o rosto dela estava todo vermelho.
– Nanami? – sussurrei. – está tudo bem?
Ela tapou o nariz, deu um sorriso sem jeito e deixou a folha que continha a melodia ao lado da cama.
– Eu volto depois. – falou. – acho que... Vou ao banheiro. – dito isso, retirou-se do quarto.
Fiquei confuso com suas ações, então senti uma das mãos de Tokiya escorregar de minha cintura até meu abdômen, levantando um pouco minha blusa.
– Oye... Toki... – murmurei envergonhado.
O maior se mexeu e seus olhos abriram minimamente.
– Hm... – murmurou sonolento. – o que foi... Toya...?
– Sua mão... – murmurei.
O mesmo moveu a mão citada e sussurrou roucamente em meu ouvido:
– Essa aqui?
– S-Sim. – não pude evitar gaguejar.
Continuava virado de costas para ele, por isso senti sua respiração bater em minha nuca e seus lábios procurarem minha pele, mordiscando-a suavemente.
– E-Ei... Toki... O que pensa que está fazendo? – por que meu coração estava batendo tão rápido.
– Nada. – respondeu massageando meu abdômen. – é impressão sua.
– M-Mas...
– Fique quieto Otoya.
“Eu realmente não preciso olhar muito mais longe
Eu não quero ter que ir onde você não seguir
Eu não vou prendê-lo novamente, essa paixão por dentro
Não posso fugir de mim
Não há nada a esconder”
Hm... O que Tokiya estava fazendo? Aquela mão, aquele carinho... Eu me sentia estranho...
– T-Toki... – tentei me afastar de seus braços, mas ele era bem mais forte que eu. – p-pare...
– Só mais um pouco... – sussurrou contra meu pescoço e sua mão começou a deslizar para baixo.
Aqui está ficando estranhamente quente.
– Não... Toki... – algo começou a arder dentro de mim. – TOKIYA PARA!!!
Acertei uma cotovelada em seu abdômen, ele ofegou e me soltou, soltando um baixo gemido de dor.
– Porra... – murmurou. – isso doeu...
Com meu grito, Ren e Masato haviam acordado, e nos olhavam completamente espantados.
– O que houve? – perguntou Masato alternado o olhar entre mim e Tokiya.
– Pra que essa gritaria? – perguntou Ren enquanto bocejava.
– N-Nada. – gaguejei. – hm... Eu acordei com uma barata em cima do meu braço! – menti coçando a nuca. – só isso!
Enquanto falava colocava um casaco e calçava meus pés.
– Oye! – Tokiya segurou meu pulso antes que eu pudesse escapar. – aonde vai?
– E-Eu... – puxei meu pulso. –P-Preciso falar com Syo!
Dito isso, corri para fora do quarto.
Off. Pov Otoya
“Bem, não me faça fechar mais uma porta
Eu não quero me machucar mais
Fique em meus braços se você se atreve
Ou devo eu imaginar você aí”
On. Pov Tokiya
Ai, merda... O que eu fiz?
Por que não me segurei?! QUE DROGA! ASSUSTEI O OTOYA!
Mas simplesmente era impossível resistir a ele... Com o corpo esguio tão próximo ao meu, a pele macia tocando a minha, o calor, o aroma... Tudo nele me deixava completamente louco!
– O que você fez Tokiya? – Ren olhou diretamente para mim.
– Como assim “o que eu fiz”? – falei irritado.
– Por favor. – Masato revirou os olhos. – todos aqui sabemos que o Otoya nunca te trata assim. Muito menos foge de você. Diga logo o que aconteceu.
– Não aconteceu nada! – bufei e me levantei da cama.
– Ei, onde pensa que vai? – Ren fez menção de se levantar, mas Masato tocou seu ombro e ele permaneceu sentado.
– Não interessa. – terminei de me trocar e saí do quarto a passadas pesadas.
Chegando ao corredor, respirei fundo e passei a mão nervosamente sobre o cabelo.
Precisava pedir desculpas imediatamente! Ai, que droga... Fico louco quando ele não está perto de mim! Não estou conseguindo pensar direto!
“Não se afaste de mim ...
Eu não tenho nada, nada, nada
Se eu não tiver você, você, você, você, você, você ...”
“Ele disse que ia falar com o Syo” pensei “E o Syo esta no mesmo quarto que a Nanami”.
Mesmo que ela fosse nossa “compositora” e eu gostasse de suas melodias, me irritava profundamente o carinho que Otoya dava a ela, além disso...
SE AQUELA VADIA ENCOSTAR UM DEDO QUE SEJA NO MEU RUIVO EU VOU TORTURA-LA ATÉ A MORTE!
Bufei e fui em direção ao outro quarto no corredor, praticamente arrombando a porta ao abri-la.
– OTOYA! – chamei-o, minto, eu gritei mesmo.
Ok Tokiya, respire, não mate aquela vadia, não esfole-a, não a arrombe com um cabo de vassoura...
AH QUE SE FODA ISSO!
Otoya estava sentado numa das camas junto há Cecil e Nanami. A garota acariciava seus cabelos enquanto o abraçava. Na outra cama, Natsuki com Syo agarrado entre suas pernas, ambos olhavam preocupados para Otoya.
– NÃO TOQUE NELE! – gritei.
Todos, com exceção do ruivo me olharam abismados.
Cecil se levantou e se pôs entre mim e o MEU Otoya.
– Pare com isso Tokiya. – disse ele seriamente.
– SAIA DA MINHA...
– ELE ESTÁ COM MEDO! NÃO ESTÁ VENDO?!
Calei-me no segundo seguinte e olhei para Otoya por cima do ombro de Cecil.
O ruivo tremia. Tremia muito. Como se estivesse tendo convulsões. Eu podia ouvir seu choro baixo e as palavras de consolo que Nanami lhe sussurrava.
Ele era muito puro. Como uma criança.
E eu o assustei.
“Você vê através, até o meu coração
Você derruba minhas paredes
Com a força do seu amor ...”
– Toya... – sussurrei.
– Me deixe em paz Toki. – ouvi a voz falha do menor. – por favor.
Droga isso dói. E como dói. Parecia que alguém havia jogado uma marreta sobre meu peito e esmagado meu coração como se ele fosse de papel.
– Não... – cerrei os punhos. – não vou deixar.
Num movimento ágil, empurrei Cecil sobre a cama e arranquei Otoya dos braços de Nanami.
– TOKIYA! – berrou Syo. – PARE COM ISSO SEU IDIOTA!
– Tokiya... – disse Natsuki franzindo a testa.
Otoya tremia em minhas mãos, tremia muito, ele tentava a qualquer custo se solta, mas eu não deixava.
– Pare Toki... – sussurrou o ruivo.
– POR QUE NÃO O DEIXA EM PAZ?! – gritou Nanami.
– POR QUE ELE É MEU E NÃO VOU DEIXAR MAIS NINGUÉM TOCA-LO! – gritei.
O silencio seguinte foram sepulcral, todos me olhavam boquiabertos e de olhos arregalados. Otoya parou de se debater e me observou com os olhos tão abertos que temi que saltassem de suas orbitas e o rosto tomou a coloração dos cabelos.
– O... Que... Disse? – sussurrou o menor.
“Eu nunca conheci amor como eu conheci com você
Uma lembrança sobreviverá,
que eu posso segurar”
Preciso dizer que fiquei tão vermelho quanto Otoya?
Não respondi e arraste-o para fora do quarto, ainda sobre os olhares arregalados dos outros. Levei-o até um ponto afastado nos corredores do hotel, certificando-me de que não havia ninguém por perto e o joguei contra a parede, socando aos dois lados de sua cabeça.
– Como se atreve a ir pedir consolo daquela garota? – praticamente rosnei.
– E-Eu... A-Ah...
– Por que logo ela Otoya?!
– QUAL O SEU PROBLEMA COM A NANAMI?!
– NENHUM
– TEM SIM! VOCÊ A DETESTA! POR QUÊ?!
– POR QUE ELA QUER ROUBAR VOCÊ DE MIM!
“Eu realmente não preciso olhar muito mais longe
Eu não quero ter que ir onde você não seguir
Eu não vou prendê-lo novamente,
essa paixão por dentro”
Então Otoya fez algo que me deixou sem palavras.
Ele riu.
Riu descontroladamente até saírem lagrimas de seus olhos.
– Por que está rindo? – perguntei entre os dentes.
– Isso... – ele riu novamente e enxugou uma lagrima. – ah... – riu mais e mais. – é impossível!
– Por que?
– Por que a Nanami é lésbica!
“Eu não posso fugir de mim mesma
Não há nada a esconder
Seu amor eu lembrarei para sempre”
Um minuto de silencio por favor.
– É... Sério...? – sussurrei.
Otoya concordou com a cabeça enquanto ainda ria descontroladamente.
CHÃO.
VOCÊ.
JÁ.
PODE.
ME.
ENGOLIR.
– ELA É LÉSBICA?! – sim, eu GRITEI.
– É! – ele respirou fundo. – não me contou detalhes, mas me disse que de onde veio tinha uma namorada, mas não conseguiu traze-la junto. – deu os ombros. – vai saber o que aconteceu com elas.
Eu sou um idiota...
“Não me faça fechar mais uma porta
Eu não quero me machucar mais
Fique em meus braços se você se atreve”
Enquanto Otoya ainda ria, agora baixinho, deixei meu rosto afundar em seu peito e o abracei.
– E-Ei! Toki! – ele tentou me afastar.
– Desculpe... Eu fui um idiota.
O corpo de Otoya relaxou e ele retribuiu o abraço, afagando meus cabelos com carinho.
– Tudo bem Toki. – sussurrou com a aquela voz doce que me fazia derreter por completo. – só não faça mais isso... Você fica assustador.
“Ou devo eu imaginar você aí
Não se afaste de mim ...
Eu não tenho nada, nada, nada ...”
Separei nosso abraço e encarei seus belos olhos, havia um brilho delicado neles. Havia calor e compaixão...
Ah, como eu amo esse ruivo.
– Toki... – ele sussurrou adquirindo uma leve coloração nas bochechas. – você tá muito perto.
– Isso é ruim?
– Não sei. – admitiu ainda mais vermelho.
– Então... Deixe-me me aproximar mais.
– T-Toki... E-Eu não...
– Shh.
Toquei suavemente meus lábios nos dele.
“Bem, não me faça fechar mais uma porta
Eu não quero me machucar mais
Fique em meus braços se você se atreve
Ou devo eu imaginar você aí
Não fuja de mim não ...”
Doce.
Era assim que eu poderia descrever o sabor de Otoya.
Absurdamente doce, suas mãos macias agarraram-se a minha blusa e sua respiração atrapalhava-se em meio ao beijo. Ele gemia baixinho e mal sabia o que fazer. Seu beijo era desajeitado e cálido.
Para mim, perfeito.
Off. Pov Tokiya
“Não se afaste de mim
Não ouse se afastar de mim
Eu não tenho nada, nada, nada
Se eu não tiver você, você”
On. Pov Autora
Enquanto moreno e ruivo trocavam seu primeiro beijo, o resto da STARISH junto a Nanami observava tudo escondidos no outro corredor. Haviam sorrisos vitoriosos em seus rostos e um filete de sangue escorrendo pelo nariz da garota.
– Eu sabia. – sussurrou ela sorridente.
E, mais adiante, no hall de entrada do prédio, um rapaz com roupas de couro e óculos escuros sorrira de canto e colocara o comunicador em seu ouvido.
– Eu os encontrei.
“Se eu não tenho você, obrigado, muito obrigado!”
Off. Pov Autora

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