Isso não é Romeu e Julieta
25 Isso não é um encontro!
Notas iniciais
Certa vez Julieta havia descoberto sobre Benjamin, seu pãozinho de queijo, estar sendo atormentado por uns pestes mais velhos na escola e ele, um garotinho gordo, meigo, doce e pacífico como era, não tinha condições de se defender sozinho, tia Valerie também já havia ido várias vezes à escola para reclamar, e eles apenas prometiam “chamar os pais dos responsáveis”, mas no fim nada era resolvido.
Tia Valerie já estava pensando em tirá-lo da escola quando Julieta soube da situação e decidiu resolve-la por si mesma: já tinha quinze anos na época, mas foi fácil vestir as calças e a camisa do uniforme de Benji e se passar por uma aluna da escola para entrar — aquele porteiro precisava prestar mais atenção nessas coisas, por falar nisso, porque ao invés de Julieta, podia ser alguém com intenções bem ruins entrando ali, algo que pararia em noticiários e entrariam para as estatísticas, eles deram sorte que era apenas Julieta…
Claro que ela não tinha como saber se em algum momento a escola realmente chamou os responsáveis dos moleques infernais como disse que faria, mas sabia que todos foram chamados — juntamente com a polícia — bem rápido depois que Julieta encurralou os dois e deu a lição que os pais deveriam ter dado antes.
Na verdade foi um pouco de exagero chamar a polícia só por causa de um dente lascado, um joelho deslocado e uma tíbia quebrada…
—E eu fujo da cadeia e volto para pegar vocês se chegarem perto do Benjamin de novo! — ainda se lembrava de ter gritado enquanto sua mãe tentava, desesperadamente, calá-la.
Também não era como se Julieta houvesse batido em um par de crianças indefesas: um dos moleques tinha quase quatorze anos e o outro era maior que ela!
Além de que ela também havia saído machucada: com os punhos feridos e um corte nos lábios.
De qualquer forma as famílias concordaram em não dar queixa em troca de uma compensação em dinheiro (que Julieta preferiu nunca perguntar o valor) e os garotos se transferiram bem rápido de escola então é como diz o ditado: tudo está bem quando acaba bem.
E por isso Julieta achou que o que Margot havia dito se parecia tanto a algum comentário que sua psicóloga também já havia dito: Julieta era retraída com as palavras e, se não fosse com os punhos, ela tinha dificuldade em se expressar…
Então o que faria agora que não podia simplesmente socar aquele sujeitinho de sorriso convencido por chamá-la para sair?!
—Você sabe que a violência não é a resposta para tudo, certo? — Helena perguntou enquanto desembaraçava lhe os cabelos molhados.
—É claro que sei. — Julieta bufou. — A violência é a pergunta e geralmente a resposta é sim!
Helena soltou o ar pelo nariz, de uma forma que deixava claro que ela estava tentando segurar a risada e começou a separar o cabelo da sobrinha com uma linha horizontal na altura da ponta das orelhas.
—Segura aí. — mandou jogando a parte de cima da divisão sobre o rosto de Julieta, enquanto amarrava a parte de baixo rente à nuca. — De qualquer forma eu sempre esperei que quando alguém te chamasse para sair a sua resposta seria um soco na garganta ou algum golpe de karatê qualquer e não um dia de SPA com uma transformação completa no visual.
—Eu só pedi para você aparar as pontas! — Julieta protestou.
—Eu só faço serviço completo. — Helena retrucou sorrindo, já com a tesoura na mão — E você não pode reclamar, porque é de graça, e sabe o que diz o ditado, não é? Cavalo dado…
E esse era o preço de Julieta se recusar a gastar dinheiro em um salão.
Mas também não era como se ela fosse pagar para alguém cortar o cabelo dela só para ela sair com aquele imbecil de sorriso charmoso, porque definitivamente não era por isso que ela estava cortando! Era só que ela andava achando mesmo que as pontas estavam muito ressecadas…
—Só, por favor, diga que não vai fazer um mullet ridículo em mim! — Julieta reclamou, suspirando conformada com seu destino.
E também, ela não confiava em cabeleireiros, porque uma hora ou outra, algum deles sempre iria aparecer com uma história sobre alisar o cabelo… ou então alisá-lo sem permissão mesmo.
—Não se preocupe, eu sei o que faço. — a tia adolescente garantiu. — Me dá aqui.
Mas nesse momento não sabia se ter confiado em Helena para isso havia sido exatamente a escolha mais sensata também…
Movendo-se agora para ficar de pé em frente à Julieta, ela pegou o cabelo que antes lhe dera para segurar, e começou a penteá-lo para amarrá-lo rente a testa.
—Não foi exatamente isso o que você disse antes de raspar uma sobrancelha? — Julieta comentou.
—Eu tinha seis anos, Julieta, pelo amor de Deus! — Helena protestou começando a cortar as pontas do cabelo da sobrinha que havia amarrado na parte da frente da cabeça dela — E obrigada por me lembrar, porque depois que eu acabar daqui nós vamos tirar suas sobrancelhas também — Julieta grunhiu em resposta, mas não disse mais nada. — Fique de cabeça baixa agora, o que acha de tirarmos quatro dedos?
—Tire dez se quiser, eu não ligo. — Julieta deu de ombros.
—Olha que eu faço, então não me dê idéias! — Helena riu — Mas sabe o que eu acho mais interessante?
Ela puxou o elástico que prendia os cabelos de Julieta e jogou-os para trás.
—O que é? — Julieta ergueu a cabeça levando uma mão à lombar enquanto ajeitava a postura.
Helena se demorou algum tempo soltando também a parte de trás dos cabelos e penteando-lhe com um sorriso divertido, só para fazer suspense, antes de finalmente responder:
—Você me contestou quando eu falei sobre o dia de spa… mas não disse nada a respeito de estar fazendo isso para se arrumar para um encontro…
—Não é um encontro!
Julieta protestou se virando com um movimento brusco, assustando Helena.
—Cuidado, eu quase enfiei o cabo do pente no seu olho!
Repreendeu segurando sua cabeça firmemente entre as mãos e a forçando a virar-se para frente novamente antes de começar a traçar uma nova divisão horizontal em sua cabeça, dessa vez na altura do topo das orelhas.
—Mas não é um encontro… — Julieta teimou fracamente, soprando quando Helena voltou a jogar uma cortina de cachos sobre seu rosto — Por que diabos ele iria me chamar para sair afinal?
Fez uma careta confusa e indignada.
—Talvez por que você seja gatinha?
Helena sugeriu repetindo o processo de amarrar a parte da frente na linha do cabelo, centralizada com seu rosto, antes de começar a aparar as pontas.
—Vai ver que eu bati forte demais nele daquela vez. — Julieta ponderou — Deve ter soltado uns parafusos…
Ela assustou-se, retraindo-se para trás quando levou um espirro de água na cara.
—Por que você acha que um garoto teria que estar doido para te chamar para sair?! — Helena reclamou armada com um borrifado de água.
—Eu o nocauteei na escola, sabia? — Julieta explicou passando as mãos pelo rosto molhado e jogando os cabelos para trás — Tipo, ele ficou mal mesmo, no chão, a mãe teve que ir buscar e ele saiu quase carregado e tudo! E isso foi desnecessário!
Helena a olhou pensativa.
—Você o nocauteando ou eu jogar água na sua cara?
—A água! — Julieta fez uma careta — Mas acho que o nocaute também, hã… só um pouquinho assim?
Ela juntou a ponta do polegar com o dedo indicador.
—Ah para! — Helena girou os olhos puxando o elástico do cabelo de Julieta com um pouco de brusquidão.
—Ai! — reclamou.
—Primeiro que ele acertou você antes, e chumbo trocado não dói. — retrucou voltando a se posicionar atrás dela e começar a dividir seu cabelo em mais uma linha horizontal, dessa vez na altura das sobrancelhas.
—Acho que não é bem esse o ditado… espera, mas como você sabe disso?!
—Heleno me contou.
Julieta se sobressaltou.
—E como é que o Heleno…?!
Não era possível que Romeu estivesse certo sempre que dizia que Heleno era um bruxo paran…!
—Romeu contou para ele. — ela voltou a jogar uma cortina de cachos sobre o rosto de Julieta, e amarrá-los na linha dos cabelos. — Fica de cabeça baixa, é a última camada.
—Ah certo, nada de paranormal aqui, só o bom e velho telefone sem fio. — Julieta exalou o ar com uma risada descrente.
—Mas isso não faz do Heleno menos esquisito, mas deixa isso para lá. — Helena deu de ombros — Então, voltando ao que eu estava dizendo antes, segundo: eu já ouvi falar de você quebrando ossos alheios e nunca sequer pediu desculpa sem ser obrigada…
—Romeu me obrigou a pedir desculpas. — Julieta confessou resmungando.
—Ele é um amor. — pontuou Helena — Mas o ponto é que está se sentindo culpada por uma bolada de nada, você deve estar no mínimo um pouco a fim dele.
—Oi?! — Julieta ergueu a cabeça.
—Não se move a cabeça bruscamente quando alguém está cortando seu cabelo… ou com uma lâmina tão próxima assim do seu pescoço! — Helena reclamou erguendo as mãos, segurando a tesoura como se houvesse sido pega em flagrante — Você podia acabar degolada, sabia?
—Não exagera. — Julieta girou os olhos, embora Helena não conseguisse vê-los por detrás de todo aquele cabelo — Meu cabelo é longo e a tesoura nem estava tão perto assim da minha cara…
—Então você está realmente tentando acabar com um mullet?! — Helena arqueou as sobrancelhas. — Você tem sorte que seu cabelo é cacheado, então mesmo se cortarmos tudo torto, mal vai dar para notar… — Ela jogou os cabelos de Julieta para trás com um movimento da mão — E mais sorte ainda porque eu já tinha acabado de cortar, isso sem falar que se ele é aquele garoto do seu aniversário então ele definitivamente estava afim de você, dava para notar até a quilômetros de distância.
—Então para que o sermão todo…? Ai! — reclamou quando Helena puxou os dois elásticos que prendiam seu cabelo — Eu sei que disse para cortar quanto quiser, mas não arranque todos pela raiz!
—A beleza nem sempre é um caminho fácil. — Helena sorriu guardando a tesoura no bolso e olhou em volta, havia colocado um lençol no chão, mas algumas mechas ainda haviam voado para longe… — Você vai me ajudar a varrer isso depois…
—Acha mesmo que ele gosta de mim? — Julieta perguntou de repente, torcendo os cabelos molhados em um coque.
—Se não gosta, pelo menos vocês formavam um ótimo par… era lindo como vocês se chutavam, empurravam e jogavam um porco um no outro… — Helena a pegou pelos ombros e girou-a, guiando-a para fora do quarto — Claro que eu fui esperta e saí da linha de frente o quanto antes, mas o Romeu… como Romeu está lidando com tudo isso?
—Acho que ele anda meio ocupado tricotando sapatinhos para a irmãzinha e tentando manter a Tia Vanessa longe de coisas não comestíveis… Tipo, na hora disse que iria junto, mas quando chegou a casa encontrou a tia Vanessa comendo os petiscos dos gatos e acho que seu foco mudou um pouco.
—Mas pelo menos o Romeuzinho é tranquilo, porque eu não acho que ele entraria no seu quarto à noite e trancaria a janela para te deixar para fora quando voltasse de madrugada, para que você tivesse que bater na porta, acordar a casa inteira e ser descoberta pelos seus pais, que te proibiram de sair, e aí ir ao aniversário da sua sobrinha no dia seguinte só para evitar o clima tenso em casa depois disso.
—Esse foi um exemplo estranhamente específico, você não acha?
—Sinta-se feliz por ser filha única. — Helena estalou a língua — Eu devia ter absorvido aquele imbecil quando estávamos no útero.
—Onde estamos indo? — Julieta quis mudar de assunto.
—Para a lavanderia lavar seu cabelo no tanque e fazer máscara hidratante, é claro. — respondeu como se fosse óbvio.
—Que?!
—Você pode usar minha touca, e enquanto a máscara dá o tempo, colocamos seus pés e mãos de molho, eu faço uma skincare completa em você e tiro suas sobrancelhas… — enumerou empolgadamente — Ah! Já decidiu o que vai vestir? Não me diga que vai com aqueles seu tênis laranja de corrida! Você comprou algo?
Julieta limitou-se a gemer, que tipo de tortura era aquela? Além de que era tudo completamente desnecessário! Esfoliação de pele, e pedicure? E por que precisaria comprar roupas? Seus tênis estavam ótimos também!
Pelo menos havia conseguido dissuadi-la de querer lhe platinar os cabelos, alegando que se desse ruim, não daria tempo de concertar para o dia seguinte… e duvidava que aquele idiota fosse ter metade daquele trabalho todo!
Aaron havia ido à barbearia fazer barba, cabelo e sobrancelha, ele sempre fazia isso a cada 21 dias, mas dessa vez era uma ocasião especial, então fez as mãos e os pés também, apesar de que estava usando tênis e ela não veria seus pés de qualquer forma… e que sorte que os tênis haviam secado a tempo, ele quase havia se esquecido de lavá-los! Por isso felizmente não precisou comprar um par novo!
—Afinal o que você está fazendo? — o reflexo de Julieta questionou parando atrás de Aaron com os braços cruzados.
— ¡Mi bien, llegaste temprano! — Aaron baixou rapidamente as mãos do cabelo e se virou sorrindo — Eu só estava checando o cabelo uma última vez, leva muito tempo deixá-lo perfeito assim, sabe?
Julieta olhou para o topete bem alinhado, quanto gel será que ele usava?
—Na verdade, acho que eu cheguei quase vinte minutos atrasada. — ela checou às horas no celular — Mas para que fazer isso em uma vitrine? Você está literalmente a meio metro de distância dos banheiros.
—Mas e se nos desencontrássemos?
—Imagino que para isso serve o WhatsApp. — Ela gesticulou com o celular na mão. — Você… já está aqui há muito tempo?
—Me imagino alrededor de una hora… mas o tempo sempre passa em um piscar de olhos dentro de um shopping!
Talvez pela primeira vez na vida Julieta se sentiu minimamente culpada por sua péssima pontualidade costumeira, porém o que realmente odiou foi a voz irritante de sua consciência — e que estranhamente se parecia muito com a voz de Helena — lhe dizendo de forma bastante zombeteira: “iiiiihhhh você gosta dele”.
—Então o que vamos assistir? — perguntou se afastando e focando sua atenção no celular, para não ter que olhar para a cara ridiculamente bonita dele — Minha mãe disse que eu preciso voltar até as 20h30.
—Hã…
Julieta o olhou semicerrando os olhos.
—Você não escolheu nada? — desconfiou.
Ela estava acostumada a sempre sair com Romeu que, além da extrema pontualidade, sempre comprava os ingressos e os lanches online com dias de antecedência.
—É que eu queria assistir algo que você fosse gostar mi bien, então pensei que poderíamos escolher juntos. — justificou-se com um sorriso de lado. — Y también algo me dijo que no le perguntara a Romeuzito…
—O que?
— ¡Tu esta muy hermosa hoy, mi bien! — exclamou de repente.
Julieta quase tropeçou, ela não havia se dado ao trabalho de se embonecar para ir vê-lo, o que parecia justamente o oposto dele com seu cabelo perfeito, óculos escuros, jeans preto, blusa e tênis brancos impecáveis e camisa xadrez verde e marrom que parecia ter sido recém passada — mas para que aquele elástico preto no pulso?! —, e agora Julieta com sua camisa larga verde com estampa do Snoop, shorts preto curtos, tênis de cadarços coloridos e meias pretas parecia muito desleixada ao lado dele… mas mesmo assim ela sabia que usar o batom laranja escuro da mãe tinha sido um exagero!
Mas, pelo menos, havia feito uma boa finalização nos cachos, e não estava usando seus tênis laranja de corrida ou a pochete de sempre, então Helena não podia lhe puxar as orelhas.
—D-de qualquer forma, é melhor irmos logo. — ela quis se dar um soco por gaguejar daquela forma ridícula, mas fingiu que estava tudo normal e seguiu adiante — Vamos comer pipoca ou passar nas Americanas para comprar lanche?
—Mi bien, o que é cinema sem pipoca? — por que toda vez que ele sorria ele tinha que parecer mais bonito? E aquele topete era ridículo! Sim, isso mesmo, Julieta desviou o olhar — Ah, mas não vamos poder assistir em 3D.
—Claro, o preço é um roubo. — Julieta concordou.
—Isso também, mas eu estava pensando mais na minha enxaqueca, seria horrível se eu vomitasse em cima de você no nosso primeiro encontro. — Aaron riu sem graça — Enxaqueca por uma sessão 3D é muito pior do que por ressaca depois de um porre, acredite em mim.
—Você já ficou de ressaca? — Julieta arqueou as sobrancelhas.
—E você não? — ele sorriu de lado piscando-lhe e dando de ombros — É… criança.
—Como é que é?!
Aaron gesticulou para que ela subisse antes dele na escada rolante.
—Foi quando eu tinha uns cinco ou seis anos. — tentou justificar-se, como se aquilo melhorasse alguma coisa — Era um aniversário… ou então algum feriado… não sei direito, mi papá não precisa de muitas desculpas para beber, de qualquer forma, ele e seus amigos borrachos pareciam gostar bastante, então eu pedi também.
—E te deram?! — Julieta virou-se quando chegou ao topo das escadas.
—Claro que não, papa não é tão louco assim: ele sabia que se mamãe descobrisse, ele é quem levaria a chinelada voadora.
—E então?
—Ele não é louco, mas é irresponsável, então enquanto ele e os amigos não olhavam, eu fui catando as latinhas e bebendo o restinho do fundo… encontraram-me vomitando debaixo de uma mesa, com umas quinze ou vinte latinhas à minha volta! — ele contou com um imenso sorriso — O lado bom é que estávamos tão borrachos nem mi papa e nem eu sentimos a havaiana voadora de mamá! Foi uma banda para cada.
Julieta balançou a cabeça.
—Posso ou não já ter chutado uma lata de energético na cabeça de um moleque que estava perturbando Romeu, ido parar na diretoria e recebido um convite para jogar no time de futsal feminino da turma do moleque durante os jogos interclasse do nosso primeiro ano, logo antes da pandemia, mas nunca fiquei bêbada e muito menos de ressaca.
Aaron girou, parando á sua frente.
—Ora, mi bien, que isso? — ele pegou-lhe a mão esquerda pela ponta dos dedos e inclinou-se levemente para frente — Nunca tomou nem uma latinha sequer?
Piscou-lhe beijando-lhe as costas das mãos.
Julieta percebeu algumas pessoas olhando-os ao passarem e as orelhas esquentaram quando ela puxou a mão bruscamente.
—Afinal o que você quer de mim?! — reclamou coçando a mão que ele beijara enquanto o contornava. — Para que tudo isso? O que você está planejando?! É algum tipo de vingança ou o que?!
— ¿Lo siento? — Aaron respondeu seguindo-a confuso.
—Vai me levar para ver alguma coisa tão ruim que eu vou desejar me engasgar e sufocar com uma pipoca só porque eu te derrubei aquela vez na escola? Tipo um documentário de três horas sobre lixo marinho?
—Pero entoces… não seria uma tortura para mim também? — Ele avaliou-a, passando a mão pelo queixo.
—Só me diz por que está fazendo isso! — insistiu frustrada.
Aaron arqueou a sobrancelha.
—No lo sé, quizá… ¿me gusta que me golpeen mujeres bonitas?
Ele sorriu-lhe e piscou, fazendo Julieta engasgar-se e se afastar praticamente correndo escadas rolantes acima.
A sessão não foi tão ruim, o filme era até razoável… ou, pelo menos Julieta achava que sim, era alguma coisa sobre uma busca ao tesouro em uma ilha perdida ou algo assim, na verdade ela não havia prestado muita atenção, porque estava muito ocupada se preocupando se aquele cretino de sorriso irritante iria tentar alguma gracinha… e se tentasse, ela com certeza iria virar o copo de refrigerante — com gelo e tudo — nas calças dele.
Mas o copo dela ficou seco e o filme terminou sem que houvesse nem um incidente.
—Qual a ideia de ficar de óculos escuros em uma sala escura? — Julieta perguntou enquanto seguiam o resto do público para fora da sala depois que as luzes voltaram a se acender e os créditos começaram a rolar na tela.
—Tenho foto sensibilidade e tendência à enxaqueca, mi bien, uma sala completamente escura e uma tela gigante como única fonte de iluminação? — ele balançou a cabeça — É uma receita para uma imensa dor de cabeça.
—Achei que só filmes 3D te dessem enxaqueca! — ela acusou.
Aaron enfiou a mão por dentro da parte de trás gola da camisa, coçando com uma expressão desconfortável.
—Uma sessão 3D é uma crise de enxaqueca das piores, garantida, mas uma sessão normal pode ou não me dar uma pequena dor de cabeça… os óculos ajudam a diminuir as chances.
—Já pensou em usar óculos de descanso com filtro azul? — Julieta sugeriu — Meu pai usa esses quando fica muito tempo no computador ou celular.
— ¡¿Pero qué pasa com mi estilo?! — Aaron retrucou levando a mão ao peito com uma expressão de ultraje.
Julieta girou os olhos, não entendia o que ele dizia, mas sua expressão corporal já era bem significativa por si mesmo.
—Está bem, sofra sozinho como bem entender. — impacientou-se — O que está fazendo?
Aaron estava agora passando os dedos por entre os cabelos lentamente, como se os estivesse penteando.
—Alguém ficou jogando pipocas em mim o filme todo, e acho que algumas delas ainda estão grudada no meu cabelo ou dentro da minha camisa.
Com o tanto de gel que deveria haver ali, isso não a surpreendia, Julieta conteve um sorriso.
—Mas se o cinema te faz passar mal, por que sugeriu isso?
Aaron segurou a barra da camisa e a sacudiu por um instante.
—Eu até pensei em sugerir irmos ao boliche, mas o meu joelho ainda está um pouco chumbado desde os jogos escolares. — riu sem graça, e Julieta nunca admitiria, mas mesmo após duas semanas o seu ombro ainda dava uma ou outra pequena fisgada de dor — Mas acho que ir ao cinema também é geralmente uma boa escolha para um primeiro encontro. — respondeu com um sorriso de lado, alcançando as escadas rolantes que os levariam para o andar inferior — Assim se ficamos sem assunto ou constrangidos, ao menos podemos falar sobre o filme.
Julieta olhou-o boquiaberta.
—Por que você acha que isso é um encontro?
—E o que te faz achar que não é? — ele sorriu-lhe de lado e piscou-lhe por cima dos óculos de sol. — Ouch! ¡¿Pero qué demônios?!
Reclamou quando o que pareceu ser outra pipoca o acertou na testa antes que a desconcertada Julieta pudesse encontrar alguma resposta para aquilo — se é que realmente encontraria — ou reagir por reflexo com algum soco.
—Só para deixar claro: isso não é um encontro. — Ela virou-se procurando algo que pudesse parecer suspeito, mas tudo o que viu foi alguém de boné descendo as escadas rolantes de costas, mas até aí Aaron estava fazendo a mesma coisa. — Mas de qualquer forma, o que quer fazer agora?
Rapidamente voltando ao seu bom humor original — e parecendo se esquecer da misteriosa pipoca voadora — Aaron a convidou:
—Poderíamos ir á praça de alimentação, que tal?
—Você acabou de comer um saco de pipoca tamanho médio e meio litro de refrigerante! — ela exclamou surpresa afastando-se da escada rolante — Como é que não está cheio ainda?
Aaron baixou os óculos escuros e olhou-a ceticamente por cima da armação.
—Lo sinto, mi bien, pero recuerdo que te comiste tus palomitas y parte de las mías también, y como caballero que soy no me quejé, pero ahora estoy hambriento…
—É melhor reaprender o português antes que eu sacuda seus miolos!
Julieta o ameaçou já impaciente, fazendo Aaron rir.
—Eu estava brincando, mi bien, só estava dizendo que não há problema se quiser fazer outra coisa, mas não está com fome?
—Hum… talvez uma casquinha. — Julieta considerou.
—Con gusto aceptaría “uma casquinha”, pero prefiero mantener mis deditos intactos... — Aaron brincou rindo. — Então acho que terei que me conformar apenas com um hambúrguer.
Julieta não entendeu muito bem, mas mesmo assim sentiu que aquele paspalho merecia uma cotovelada entre as costelas, embora isso só o tenha feito rir.
—Realmente vai comer tudo isso? — ela questionou incrédula carregando o refrigerante de Aaron e sua própria casquinha mista — Dois hambúrgueres não são um pouco de exagero? Vai acabar passando mal!
— No me importa compartir las papas fritas se quieres, pero ¿está preocupada por mí, mi bien? — ele sorriu-lhe de lado.
Julieta olhou a volta procurando um lugar vago na cantina.
—Acho que esse refrigerante está escorregando e vou derrubá-lo nas suas calças. — comentou calmamente.
Aaron riu nervosamente por um segundo.
—Oíga, mi bien, há uma mesa vaga logo ali!
Ele começou a afastar-se rapidamente, mas Julieta o chamou de volta.
—Não, vamos mais para o centro, aquele lugar é melhor: tem uma vista mais estratégica.
—Para que? — Aaron piscou, mas a seguiu.
Aaron fez questão de sentar-se ao lado dela, bem junto a si, e lhe ofereceu ainda as batatas mais duas ou três vezes, antes que ela finalmente aceitasse e pegasse duas para si. Julieta realmente não o entendia.
—Eu morderia qualquer um que tentasse tocar minhas batatas fritas. — comentou comendo — Por sorte Romeu odeia batatas independente da forma delas.
—Romeuzito é um sujeito estranho. Ouch!
Ele passou a mão no pescoço, olhando a volta quando algo o acertou, Julieta também se virou rapidamente, mas não viu nada, desconfiada, ela voltou-se lentamente para Aaron novamente que estava tentando enfiar a mão por dentro da gola da camisa, caçando o que quer que fora que o acertara.
—Realmente não te entendo Aaron, qual o seu objetivo com tudo isso afinal?
Tirando o que parecia ser uma jujuba de dentro da camisa, Aaron olhou-a por cima dos óculos de sol.
—Você é realmente tão densa assim, mi bien? — sorriu deixando a jujuba sobre a bandeja e girando o copo de refrigerante — Mas tudo bem, afinal eu não me importo de repetir e explicar detalhadamente até que você entenda: Obviamente quiero enamorarte, porque estoy algo enamorado de ti. — Engasgando-se, Julieta puxou para si o copo de refrigerante de Aaron e tomou um grande gole, mas ele não se deteve: — Oíga, mi bien, eu sou alguém bem bonito, charmoso, divertido…
—Convencido…
Julieta completou girando os olhos e estendendo a mão descolorida para pegar mais algumas batatas, mas Aaron a capturou e entrelaçou seus dedos aos dela — apesar do aviso expresso de Julieta sobre o risco de se por entre ela e a comida, embora a comida fosse dele.
—E por isso agora o que quero saber é… quais os riscos à minha integridade física se te beijasse agora?
As sobrancelhas de Julieta se arquearam e ela olhou-o boquiaberta por uns segundos, antes de repentinamente fechar a boca e fazer careta.
—Por que de repente está perguntando isso se não perguntou das outras vezes?
Aaron sorriu puxando a mão dela para si e beijando-lhe a ponta dos dedos.
—Preservação de integridade física?
Ele piscou colocando a mão de Julieta sobre o próprio ombro e segurando-a ali um instante para saber se ela não a puxaria de volta, e quando ela não o fez, ele começou a inclinar-se em sua direção com um sorriso atrevido… antes de Julieta de repente se levantar batendo na mesa.
—Romeu Luís Monteiro, eu já te vi, então saia daí agora mesmo! — gritou alto o bastante para chamar atenção de meia cantina, no mínimo.
Aaron virou-se surpreso bem a tempo de ver Romeu sentado no balcão há meio metro deles e tentando se esconder por detrás de alguns vasos de plantas.
Cruzando os braços, Julieta pigarreou e esperou batendo o pé no chão até que ele reaparecesse, esticando o pescoço por cima das planas, mostrando um sorriso constrangido.
—O-olá pessoal… que coincidência vê-los aqui…
Julieta voltou a se sentar, apoiando o rosto na mão e comendo os últimos pedaços da casquinha.
—Sim, que grande coincidência, não é? — ela tamborilou na mesa com a mão agora livre — Então por que não vem se sentar aqui e nos explica como essa coincidência aconteceu?
Sem jeito, Romeu levantou-se e deu a volta no balcão para aproximar-se da mesa deles, trazendo consigo um saco de jujubas coloridas bastante suspeito.
Romeu estava vestido quase inteiramente de preto, para fazer jus ao seu disfarce de espião: desde os all star preto até a camisa escura com várias pequenas figuras do Garfild espalhadas por ela e o boné com as palavras “Não sou um agente da fundação SCP disfarçado” grafado nele em letras brancas.
Julieta não pôde conter um sorrisinho.
—Aaron. — chamou — Se você emprestar seus óculos escuros ao Romeu e arranjarmos um sobretudo, ele será um espião perfeito.
Romeu corou.
—Eu não estava espionando vocês! — negou desesperadamente.
—Então Romeuzito, você não deveria estar em casa tricotando sapatinhos para sua irmãzinha? — Aaron recostou-se à cadeira suspirando.
Na verdade Romeu estava tricotando um gorrinho para sua irmãzinha, para combinar com o par de sapatinhos e luvinhas que a mãe deles já estava tricotando também, nas pausas entre uma maçã e um saquinho de amendoim, mas Aaron não precisava saber disso.
—Não é o que parece! — Romeu defendeu-se apressadamente — É só que meu pai está em casa e ele gosta de dormir no sofá, e como agora o meu computador fica na sala e eu faço muito barulho jogando, eu não queria incomodá-lo, então resolvi sair e…
—Nos seguir um pouquinho. — Julieta completou parecendo mais estar achando a situação engraçada do que realmente irritada. — Afinal como você soube quando e onde nos encontrar?
—Eu não estava seguindo vocês. — Romeu repetiu — Mas… posso ter perguntado algo ao Heleno.
— Así que ese tipo de verdad lee tu fortuna. — Aaron comentou segurando uma batata frita entre o indicador e o dedo médio e a levando a boca como se fosse um cigarro — ¿Quizá Le pregunte los números de La lotería? ¡Ojalá hacerme rico!
—Então Helena contou a ele? — Julieta girou os olhos — E depois ela ainda reclama que ele conta tudo ao vovô e a vovó.
— ¡Entonces no lo es un vidente, solamente un estafador! — Aaron reclamou melando uma batata frita em catchup antes de comê-la, embora ninguém estivesse prestando atenção nele.
—Helena sabia? — Romeu piscou — Eu apenas perguntei por acaso onde e quando ele achava que vocês iriam e ele respondeu “que tal o cinema no fim de semana?”, daí eu tirei cara ou coroa e…
—E decidiu na sorte qual seria o melhor dia para nos seguir. — Julieta completou rindo.
— ¡Lo que significa que todavía puedo pedirle consejos de juego! — Aaron reanimou-se. — Ya tengo unas apuestas sobre El juego de los animales… mariposa, mono, perro…
Romeu e Julieta o ignoraram, de qualquer jeito eles nem entendiam o que ele estava tagarelando.
—E como está tia Vanessa? — Julieta quis saber — Mamãe disse que ela foi a uma consulta na sexta-feira e o tio Samuel a acompanhou, certo?
Romeu concordou.
—Foram à nutricionista… mamãe disse que a doutora ficou bem chateada.
—Alguma coisa de errado com ela?! — Julieta inclinou-se para frente, preocupada.
—Hum… a menos que você considere ela comer os saches dos gatos ou já ter engordado 10Kg em cinco meses, mesmo que isso fosse o esperado para ela engordar durante a gestação inteira como algo de errado… — Romeu ajeitou o boné — Eu diria que ela está bem.
—Enquanto ela não atacar o marido com um facão no meio da noite por confundi-lo com um invasor, eu diria que está tudo bem. — Aaron comentou enfiando os últimos bocados do primeiro hambúrguer na boca — Você deveria voltar para casa e vigiá-la de perto Romeuzito, esconder as facas e a ração dos gatos, essas coisas… afinal supõe-se que você não está nos seguindo.
—N-não estou. — Romeu comeu duas jujubas.
— ¡Entoces, mucho gusto en verte, pero hasta la vista, mi amigo, porque tres son demasiados!
Aaron ergueu o copo quase vazio de refrigerante gesticulando um brinde enquanto mostrava um sorriso brilhante… logo antes de Julieta chutá-lo por debaixo da mesa.
—Não o expulse! — o censurou.
—Pero, mi bien ¿qué pasa con nuestra cita?
—Isso não é um encontro! — Romeu e Julieta o contestaram ao mesmo tempo.
—Mas é justamente isso que estou tentando fazer aqui! Ou estou apenas desperdiçando meu charme?!
Ele era realmente um descarado!
Como resultado, Romeu acabou aspirando uma de suas jujubas e Julieta precisou se levantar as pressas para bater em suas costas até que a jujuba fosse disparada direto dentro do copo com o resto do refrigerante de Aaron, que precisou se levantar para ir esvaziar o conteúdo em uma lixeira e ir encher seu refil novamente.
Enquanto o copo enchia, ele suspirou e voltou seus olhos para o teto, talvez devesse convidar os dois para o centro de jogos do shopping, e então enterrar Romeuzito na piscina de bolinhas e sequestrar Julieta para outro canto longe do radar mediúnico de Heleno.
Ao fim, eles realmente foram para a área de jogos, mas Julieta parecia estar, de alguma forma, ciente dos planos de Aaron, porque se manteve perto o tempo todo do Romeuzinho… ou isso, ou ela só o estava usando como escudo novamente.
—Ah, ali está minha velha inimiga: O garra! — Romeu exclamou com uma expressão muito séria, estalando os pulsos.
—Quem? — Aaron piscou.
—Ele está falando da máquina de pegar bichinhos. — Julieta balançou a cabeça, passando a mão pelos cabelos. — Romeu, isso é desperdício, você sempre gasta todo o seu dinheiro nessas máquinas e nunca…
—Nunca se alcança a vitória sem persistência, Julys!
E como se não visse mais nada a sua volta, Romeu rapidamente foi em direção a máquina mais próxima.
—Agora pronto: ele vai ficar lá até o shopping fechar e o expulsarem, ou até acabar o dinheiro! — Julieta girou os olhos, torcendo os cachos dos cabelos e tentando dar um nó para fazer um coque com eles, bufando quando só conseguiu enroscar os dedos nas madeixas, e afastou as mãos da cabeça. — E eu queria jogar dance…
Aaron não podia conter seu sorriso, quem diria, ele não tinha precisado soterrar Romeuzito em bolinhas plásticas coloridas!
—Yo bailo contigo, mi bien. — Aaron sorriu oferecendo a Julieta o elástico preto que trazia preso em volta do pulso. — Tenho uma boa pontuação nesse jogo, como é o movimento das suas caderas?
Julieta pegou o elástico afastando a mão rapidamente, quase como se houvesse recebido um choque.
—Hã… eu… — virando a cabeça enquanto amarrava os cabelos ela acabou, não intencionalmente, batendo no rosto de Aaron com as mechas sem sequer perceber — Acho que vou ver como Romeu está indo!
Aaron suspirou, era como tentar apanhar um gato, ¡que mujer tan asustadiza!, e tirou os óculos passando a mão pelos cabelos bem penteados… de onde tirou uma pipoca.
E a presença de Romeu ali para sempre dar uma rota de fuga a ela não facilitava também… alguém tocou seu ombro.
—Oi…
Enquanto isso, sem olhar para trás uma vez sequer, Julieta mantinha-se junto a Romeu assistindo à implacável caçado do amigo.
—Aquela baleia vai ser minha, Julys, eu estou sentindo! — Romeu assegurou frenético movendo os controles.
—Hum… e quantas vezes exatamente você já sentiu isso desde que começou a jogar nessas máquinas? — Julieta observou desinteressadamente a garra se movendo — Melhor ainda: quantas vezes você já pegou uma dessas coisas?
—Nunca, mas…
—Não seria mais simples e barato apenas ir e comprar uma pelúcia logo?
Romeu olhou-a com ar ofendido.
—Isso não é pelo dinheiro, Julys, é…! — e acidentalmente apertou o botão que comandava a garra baixar e agarrar — Ah não!
No entanto, contrariando todas as probabilidades, a garra de fato agarrou algo dessa vez, embora não tenha sido a baleia visada por Romeu, e sim um pônei de crina arco-íris, ainda era uma grande conquista!
—Você conseguiu…! — Julieta arfou boquiaberta, logo antes de virar-se — Aaron, o Romeu acaba de…!
No entanto, tendo se afastado, Aaron estava agora junto a uma garota loira de cropped, conversando muito animadamente perto de uma das máquinas de jogo de corrida.
—Quem é aquela? — Romeu perguntou segurando o unicórnio de pelúcia.
Mas sem dizer coisa alguma, Julieta afastou-se, cruzando o salão a passos largos.
Quem era aquelasinha que parecia tão à vontade tocando o braço dele e sorrindo?!
—Eu realmente não imaginava! — a sirigaita colocou o cabelo oxigenado atrás da orelha.
E Aaron, aquele idiota, riu como se ela tivesse contado uma grande piada.
—Estou dizendo, o truque é atropelar todos os…!
—Encontrei você, achei que iríamos jogar dance! — Julieta passou o braço em torno do pescoço dele, muito tentada a lhe dar uma chave de braço — E quem é essa?
Perguntou com um sorriso amistoso… ou pelo menos foi o que pensou, mas aparentemente não foi isso o que a assanhada viu, já que se sobressaltou arregalando os olhos e afastou-se quase correndo, dando uma desculpa qualquer.
—Então é isso que você faz quando fica sozinho em um encontro? — ela o beliscou — Sem vergonha!
— Pero ¿qué he hecho? Ai!— Aaron contorceu-se, antes de conseguir afastar-se da mão dela, e então virar-se com um sorriso astuto — Assim que realmente estamos em um encontro?
—Não, eu… quer dizer… — Julieta atrapalhou-se — Primeiro tira esse sorriso ridículo da cara, antes que eu te soque!
Mas desafiadoramente, o sorriso de Aaron apenas cresceu.
—Mi bien… acaso estava com ciúmes?
—Eu nunca…!
Ela estava? A boca de Julieta secou e o coração acelerou. Merda, ela estava! Um barulho estrangulado saiu de sua boca, antes que Julieta se virasse e começasse a se afastar rapidamente.
Aaron a seguiu.
—Onde vai, mi bien? Achei que íamos dançar…
—Não quero dançar. — Julieta respondeu apressadamente — Eu só preciso socar alguma coisa!
Maldito sedutor de sotaque charmoso e óculos escuros!
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