Isso não é...

8 Isso não é uma reclamação.


Notas iniciais
Esse cap foi para Lucy, aparentemente minha única comentarista. Está MAIS? O próximo será bem MAIS MAIS. O que eu mais odeio, aparentemente (além da minha mania de hoje de falar aparentemente, aparentemente eu já falei muito aparentemente. Aparentemente) é ficar com uma letra de música péssima na cabeça. Alguém aí já ouviu Dj Cleston Rasta? Nada contra a quem gosta, longe de mim...

Lay down with me, yeah and hold me in your arms

And your heart's against my chest, your lips pressed to my neck

(Se deite ao meu lado e me envolva em seus braços

E seu coração encostado em meu peito, seus lábios pressionados ao meu pescoço)

8-Isso não é uma reclamação. (Por que parece que você está gostando?)

Cinco dias atrás

Domingo, 17 de abril

Sentando na cadeira que estava ao redor da bancada, na cozinha dos Hemmings, Ashton encarava uma jarra que antes estava cheia de leite quente e que agora se encontrava vazia. Leite é bom para dormir, sua mãe sempre dizia. Pura mentira. Na parte de cima, os meninos dormiam no quarto de Luke e Demi com Julie. Ashton queria está deitado no colchão também, mas apesar de todo esforço que fez – contar carneirinhos nem fora o único deles, apenas o primeiro – ele continuava sem sono.

—Você ainda está acordado?

Ashton ouviu Julie antes de vê-la, ela não era exatamente silenciosa. Descer escadas é para alguns uma tarefa difícil, e, por alguns, isso quer dizer Julie. Ela não conseguia ser silenciosa, principalmente quando era necessário ela ser silenciosa.

—Não, ainda estou dormindo – respondeu ele, revirando os olhos para tanto obviedade. – E você?

Ash levantou a cabeça e olhou para Julie, ela o olhou de volta. Julie usava um babydoll muito curto – muito curto até para os padrões de Ashton – e uma camisa transparente de botões. Ele queria saber onde estava a vergonha dessa menina ao desviar os olhos do rosto dela... Não, Ash levantou os olhos para o seu rosto assim como a sobrancelha para cima, tanto para passar na cara dela o fato de saber fazer isso e ela não, quanto para se distrair de pensamentos desrespeitosos a Liz e seu filho. Julie não valia nada, então não tinha para que pensar nela.

—Muito açúcar no sangue – respondeu Julie, alongando-se para demonstrar a energia que sentia.

Deve ser por isso que Julie vive com insônia, porque sempre havia muito açúcar em seu sangue, pensou Ashton. Mas não disse nada e voltou a encarar o leite. No copo. Ou na jarra. Quem sabe? Ashton não estava com os olhos realmente no leite.

—O que foi? – perguntou ele.

Julie continuava encarando-o.

—Meu rosto é mais em cima, Ashton.

Ele sorriu. Talvez ele não estivesse se distraindo o suficiente ou se distraiu o suficiente para esquecer algumas coisas básicas, como o que é uma jarra.

—Você é alta e eu estou sentado, Julie. Meus olhos batem ai, não é minha culpa.

—Ai? – ecoou Julie, sorrindo e dando um passo para mais perto dele. – O que é ai? Onde está ai?

—Ai – disse Ashton, apontando, como se fosse óbvio, o que era.

—Vamos lá, Ashton. Você não está envergonhando de dizer onde é "ai", está?

Atrapalhado, Ashton – que não sabia nem o que era vergonha antes – se viu envergonhado e incapaz de sair de uma cadeira silenciosamente, saltando para longe de Julie, colocando tanto espaço quanto era possível sem parecer suspeito. Ele acabou indo para sala, pois... Cada vez que Julie falava, ela dava um passo para mais perto, ate que Ash encontrou-se com os dedos apontados a poucos centímetros dos seios de Julie. Ela nem parecia incomodada por esse fato. Mas Ashton estava. Aquela era a casa de Julie. De Luke. De Liz. O que Liz faria se os pegasse a li? E Luke? Ele não queria nem pensar nessas possibilidades.

Julie olhou decepcionada para Ashton, vendo ele se afastar dela em direção à sala como se ela tivesse lepra. Que tipo de cafajeste ele era se tinha vergonha de falar seio? Ela sinceramente não entendia como ele não valia nada com as garotas que pegava e era um ótimo amigo para ela. Com ela, Ashton era um flerte aqui, outro ali, provocações constantes, mas nunca – nunca mesmo, tipo nunca – ele a desrespeitou. Ash parecia saber o que era ter amor pela vida, então talvez ainda houvesse esperanças para ele.

Dando as costas aquele projeto falsificado de vadia, Julie colocou a água do café para ferver, desejando poder dormir. Ela queria saber onde estava a cabeça de Ashton para não ter discordado dela quando disse que o açúcar a deixou animada, porque açúcar não a deixava animada. Julie não ficava agitada por doce, mas com sono – mesmo que ela não estivesse naquele momento apesar de ter comido tantos docinhos. Tomar café também a deixava com sono e suco de maracujá a deixava animada. Era completamente sem sentido!

Assobiado – ou fazendo o mais próximo que conseguiria disso – Julie pegou o coador de café, colocando a quantidade certa de pó para fazer uma caneca de café – caneca, não xícara – e cinco colheres cheias de açúcar. Ela não gostava de café amargo. Nem nenhuma outra coisa amarga.

—Ahh! – arquejou Julie, saltando de um pé para o outro enquanto agitava a mão. A água maldita havia caído em cima do seu dedo!

—O que foi?

Num instante, Ashton estava ao seu lado, olhando-a da cabeça aos pés sem pudor, procurando alguma coisa errada e não encontrando nada. Ele estava muito preocupado com Julie para reparar mais uma vez no fato dela não estar com sutiã debaixo da camisa; ou como os shorts não cobriam nem um quarto das longas pernas dela; ou nas cicatrizes que apareciam enquanto ela andava, pois o short deslizava cada vez mais para cima ao menor sinal de movimento.

—Eu queimei meu dedo! – exclamou Julie, levantando o dedo do meio para ele.

—E precisava de todo esse vexame?

—Eu queimei meu dedo! – repetiu ela.

—Coloque na água então – murmurou Ashton, voltando para a sala.

—Não água?

Suspirando, Ashton se virou mais uma vez e caminhou em direção a Julie, que olhava para os dedos vermelhos fascinada. A água não estava realmente quente, o arquejo foi mais pela surpresa – e a diferença que sentiu em suas mãos em relação a antes de molhada.

—Venha, Julie – disse Ashton, pegando a mão dela com cuidado e levando-a até a torneira. – Pronto. Foi difícil?

—Eu estou bem – respondeu ela ao invés disso. – Não doeu.

—Vamos ver amanha quando estiver com bolhas – disse Ashton, reconhecendo que aquele era um discurso de "eu não estou bem, doeu como um inferno, eu quero chorar".

—Não vai estar com bolhas. A água não estava quente.

—Você só bebe café pegando fogo, então como a água não estava quente?

—Não sei? – disse Julie, dando de ombros. – Tenho dedos de ferro?

Deixando-a sozinha na cozinha novamente, Ashton voltou para sala. Não muito tempo depois, Julie estava ao seu lado, deitada no sofá e com as pernas sobre as suas, completamente acomodada. Julie não conseguia viver longe dele, percebeu Ashton, era muito amor.

—Me dê isso – ordenou ela, tomando o controle das mãos dele e avisou antes que ele pudesse reclamar: – Minha casa. Minhas regras. Minha televisão. Meu controle.

—Esse é um lema novo.

—Sim – confirmou Julie, empinando o nariz de forma esnobe. – Adicionarei a minha lista.

Ashton revirou os olhos para tanto orgulho e a observou passar os canais, revendo tudo que ele já havia visto de novo. Nenhum canal mostrava algo meramente interessante. Julie demorou um pouco até ver que Ash tinha razão em escolher Castle e mais um pouco para deixar o orgulho de lado, mas finalmente ela parou. E não olhou para Ashton, soprando e aspirando a fumaça do café.

—Você parece uma drogada assim – comentou Ashton, sem desviar os olhos da televisão.

—Você parece um drogado todo dia e eu não reclamo nem nada – comentou Julie do mesmo modo.

—Você reclama do meu cabelo – lembrou Ash, tocando no cabelo dela como prova.

Prova do quê ele não sabia, já que deveria pegar no próprio cabelo e não no da Julie. Ashton gostava do cabelo da Julie e como ela não se importava quando ele estava todo bagunçado, armando-o ainda mais se quisesse.

—Aprenda a entender o contexto da frase. Eu disse que não reclamo sobre você parecer cof cof ser cof um drogado. – Aquele era a tosse mais fingida que Ashton já viu. Aquilo era patético. Ashton ficou calado, olhando-a enquanto brincava com as pontas do cabelo dela, ate que Julie se virou para ele. – Não vai nem retrucar?

—Não. E você não reclamou quando eu te beijei.

—O que isso tem a ver com a conversa? Só podia ser um drogado – murmurou Julie ao balançar a cabeça, devagar, como se tivesse refletindo em voz alta. – Não se pode pedir muitos a eles, pois não conseguem se concentrar em nada além de mais um pouco de droga. Com eles são sempre mais. Mais. Mais. Mais...

—Já entendi, Julie. Mais.

—É isso ai, cara. Talvez ainda haja futuro para você – disse Julie, retirando a mão dele da sua cabeça e prometendo, enquanto apertava-a e o olhava nos olhos? – Eu conseguir te tirar dessa vida antes, vou fazer isso de novo.

Ashton ficou calado, pensando sobre o que a Julie disse. e Julie voltou a assistir, segurando a mão Ashton para que ele não voltasse a alisar o cabelo dela. Julie não gostava que tocassem no cabelo. O cabelo era dela.

—Quem disse que foi você que me tirou "dessa vida"? – perguntou Ashton, depois de um tempo.

Julie se virou confusa, encarando-o sonolenta, ate perceber do que ele falava e declarar:

—E quem seria? Você não tinha amigos. Eu fui sua primeira. E única.

Pensamentos nada inocentes preencheram a mente de Ashton com aquela conversa de primeira e única. Ele tinha uma mente bastante pervertida para pensar coisas desse tipo em relação a uma garota indefesa. Indefesa apenas porque estava mais dormindo do que acordada, e olhe lá se isso ainda não seria questionável.

—É... Ahn, Julie? – chamou Ashton, balançando-a devagar. – Que tal ir para cama?

—Não – disse ela, piscando os olhos para tentar se manter alerta depois de bocejar. – Você sabe que eu não consigo dormir deitada na minha cama. – E completou, ainda dormindo enquanto ajeitava-se de lado no sofá, e em cima dele: – Se eu dormir, me acorde.

Por um instante, Ashton a observou por um instante antes de voltar os olhos para TV, Julie já estava dormindo novamente. Ele queria ter uma insônia dessas. Ash decidiu esperar ele próprio estar cansado, assim Julie já estaria num sono pesado e nem perceberia ele levando-a para o quarto. A insônia de Julie era notória, pois ela ligava sempre na madrugada para conversar. Era meio que um rodízio para fazer companhia a ela via telefone, esperando-a cair no sono.

Em algum momento assistindo Castle, Ash acabou caindo no sono também e – novamente, em algum momento – acabou deslizando pelo sofá e se deitado com Julie. Ao acordar, ele demorou uns segundos para se situar, como ambos chegaram naquela posição estava além da sua capacidade de dedução. Os dois estavam deitados um de frente para o outro no sofá, as pernas entrelaçavam-se, os rostos estavam próximos. Um braço de Ashton passava por baixo do pescoço da Julie e o outro por cima da sua cintura, as mãos dela estavam unidas e pressionadas contra o peito dele, entre os dois. E o nariz dele repousava no pescoço dela. Ashton aspirou e sentiu seu cheiro – ao menos ela estava cheirosa – e sem perceber realmente o que fazia, ainda meio adormecido, ele a mordeu na base no pescoço.

Julie se remexeu ao seu lado e abriu os olhos sonolentos, contudo, mais rápido do que Ashton, ela analisou toda situação, desde a posição que se encontravam ate a dor fraca que emanava da mordida, e gritou, empurrando suas mãos contra o peito dele.

Como Ashton era um cavalheiro, ele tentou evitar sua queda, contudo caiu junto com ela no chão, chocando seu corpo contra o dela. Ou pode ter sido o fato de suas pernas estarem enroladas uma na outra, Ash não conseguiu desembaraçá-las a tempo.

—Ai – disseram em coro, levando a mão ate a testa em conjunto. Eles pareciam reflexos.

Ash colocou as duas mãos ao lado da cabeça de Julie, assim como dobrou os joelhos, um entre suas pernas e o outro ao lado, apoiando seu peso. A testa de Julie estava vermelha e a de Ashton não estava melhor.

—O que aconteceu? – perguntou Julie com os olhos arregalados.

Ashton achava engraçado vê-la daquele jeito, com medo de que algo pudesse ter acontecido entre eles.

—Nós estamos assistindo quando você disse que me amava e que... – começou Ash até perceber a expressão no rosto de sua amiga. Ele queria provocá-la, não fazê-la chorar. – Ei, é mentira. Você está bem?

—Estarei assim que você sair de cima de mim – rosnou Julie, se bem que saiu mais como um choramingo, colocando a mão na testa.

Os olhos de Julie pareciam levemente úmidos, mas não era pelo que Ashton acreditava. Julie podia ser uma egoísta sem alma, mas não conseguia aguentar o menor sofrimento físico em si mesma. Podia ser um beliscão que ela já estava derramando lágrimas, derramando lágrimas e correndo atrás de quem a beliscou para matar. Agora se fosse com outra pessoa ela riria. Sádica.

Embora ele tentasse se convencer da verdade, de que Julie estava emocionada pela batida das testas, pois não era como se alguma menina fosse ficar triste com a oportunidade de ter algo com ele. Ashton Irwin era o sonho das garotas.

—E se eu não quiser sair...

Ashton nem terminou de falar e já estava girando para o lado. Ele soube pelos olhos de Julie o que ela queria fazer e a viu se preparando para isso, a viu dobrando o joelho para lhe dá um belo chute. E Ash a conhecia bem o suficiente para saber que ela não pouparia nenhum pouco sua força.

—Você deveria parar de fazer ameaças tão... Rudes – disse ele, deitado no chão.

—Como se faz uma ameaça educada?

Julie se sentou e encarou-o, mas Ashton continuou deitado com os olhos fechados. Ele provavelmente deveria avisar a ela que sua camisa estava com um botão aberto, mas seria bom ver Julie envergonhada... Calum apareceu na base da escada, perguntando o que os dois faziam ao mesmo tempo que Ash percebeu que seu pensamento estava sem sentido. Como Julie ficaria envergonhada se não sabe por que deveria estar envergonhada?

—Sua camisa está aberta – anunciou Ashton.

Ele esperou um momento, dando-lhe a oportunidade de colocar o botão corretamente, contudo quando Ash abriu os olhos, o botão continuava do mesmo jeito e Julie encarava-o sem vergonha.

—Eu não te ameacei, mas estou começando a achar que deveria – disse ela, jogando o cabelo tão sutilmente para o lado que Ashton não percebeu que ela tentava esconder o chupão.

—O que aconteceu com seu pescoço? – perguntou Calum, surpreso, ao topar com Julie na escada, esquecendo-se dom bom dia.

A surpresa dele se devia tanto ao fato da marca estranha, que parecia muito uma chupada – mas quem teria mordido-a se ela não estava assim antes de ir para cama? – quanto por ela está acordada aquela hora. Ter esses dois fatos juntos eram suspeito. Muito suspeito. Julie não se acordava cedo e quando acordava aparecia com mordidas?

—Meu pescoço? – perguntou Julie, da forma mais inocente que conseguiu. Ela tentou olhar, mas não tinha como enxergar sem um espelho o estrago que Ashton tinha feito em sua pele. – Não sei. O que é? Deve ter sido um mosquito.

Dando de ombros da forma mais casual que conseguiu, Julie continuou subindo as escadas. Mas Calum não caiu nessa. Ele podia estar com sono – os olhos vermelhos de prova e cada parte do cabelo preto arrepiado para um lado – contudo não era um idiota. Ou cego. Calum avistou Ashton deitado no chão da sala, parecendo muito animado para uma manhã.

—Hum hum – murmurou ele. – Sei.

Notas finais
Uma moeda para quem acertar que essa musica é Kiss me de Ed Sheeran. Alguém se voluntaria? Link aqui: https://youtu.be/0zmUA4eQpJo Até o próximo capitulo. Fogo na babilônica... nego é cabeça de gelo... sei lá o que é para relaxar... fogo na babilônia...