Isso não é...
66 Isso não é saudade.
Notas iniciais
Six weeks since I've been away
Now you’re saying everything has changed
(Seis semanas desde que eu fui embora
Agora você está dizendo que tudo mudou)
66-Isso não é saudade.
Seis semanas depois
Saudade era um sentimento que Ashton nunca pensou que fosse ter, mas ele também nunca pensou que Julie fosse ser tão importante na sua vida como ela era. Quem poderia imaginar que aquela garota mendiga que o impediu de roubar fosse se tornar sua melhor amiga? E então sua namorada? Provavelmente muita gente, com toda certeza sua mãe, a mãe dela, o pai dela...
Contudo quem poderia imaginar que aquela garota magrela poderia ter seus atrativos? Ou que ela se tornaria mais atrativa? Ou que seria tão difícil ficar sem alguém que você estava acostumado a ver todo dia, quase todos os momentos?
Existiam dois tipos de saudade, percebeu Ashton. Uma era sentir saudades de alguém quando você a reencontra e percebe o quanto fez falta, o quanto gostava de ficar em sua companhia. A outra era sentir saudade de alguém que não está ao seu lado, era pensar em algo e poder imaginar o que ela diria, era fazer algo e esperar que alguém o contradizer, era olhar para o lado e esperar vê-la... E perceber que ela não estava lá.
Ashton estava tão acostumado a companhia de Julie, que não vê-la lá quando esperava que ela estivesse lá, era difícil. Ter sido evitado foi difícil, mas saber que Julie não estaria lá se ele precisasse, ou que ele não estaria lá se ela precisasse, que não teria chance de encontrá-la nem por acaso, era pior.
Talvez alguma parte dele não tivesse acreditado em Julie e esperasse que ela surgisse do nada, dizendo que era brincadeira, ou talvez alguma parte dele temia que Julie tivesse mentido e apenas não quisesse a companhia dele... Não era possível, Ashton sabia.
Mesmo que ele estivesse se tornando um namorado meloso, Ashton tinha certeza que Julie ainda seria Julie e diria para ele se afastar. Embora ela mesma, aparentemente, não soubesse como agir diante de Ashton Irwin sendo romântico e amoroso e a amando. E Ashton, certamente, não sabia como agir diante de uma Julie Hemmings sendo Julie Hemmings e se recusando a ouvir qualquer coisa que não fosse o que ela queria.
Se as coisas continuasse desse jeito, Ash tinha certeza que deveria embebedá-la (embora Julie fosse mais forte para bebidas do que ele e ele nunca tivesse visto-a meramente bebada) ou amarrá-la e torturá-la e fazê-la se arrepender de tudo na sua vida...
Hum, essa seria uma boa idéia. Uma boa e atrasada idéia, porque a essa altura do vôo Julie com toda certeza já tinha arrumado outro. Como Jason. Jason com seus cabelos escuros e olhos diferentes que era sua paixonite infantil.
E o que Ashton faria se Julie realmente tivesse com outro? E feliz? Ashton lutaria por ela? A deixaria seguir com a sua vida sem ele? Não... Ashton não lutaria por Julie e nem a deixaria. Se ele mal aguentou ficar sem ela por duas semanas imagine pelo resto da sua vida! Ashton teria que lidar com isso ao lado dela. Vê-la feliz, mesmo sem ele, teria que bastar... Quem Ashton estava tentando enganar? Ele não sabia o que faria! Ele não aguentaria vê-la com outro! Julie não passaria na cara dele, passaria? Não... Nem Julie era tão...
—Sente-se logo, Ashton — irritou-se luke. — Esse vai e vem é irritante — Ashton sentou-se, inquieto. — Pare de mexer esse pé!
—Julie! — exclamou Ashton ao vê-la. E saiu correndo. Ele parecia um adolescente apaixonado... Ele era um adolescente apaixonado... Ele queria morrer.
Por um momento, Julie pareceu surpresa antes de sorrir meio rindo, rindo completamente quando Ashton pegou-a nos braços e girou-a, sentindo-se bem como não sentiu há tanto tempo.
Fechando os olhos, Julie apenas... aproveitou. Parecia que ela voava, que ela estava livre, livre e livre, que era uma fada! Julie gostava daquilo. Julie gostava da segurança que sentiu.
Ashton não percebeu o quanto precisou daquilo, o quanto o relacionamento deles precisava daquilo, daquela pausa, até que... abraçá-la e beijá-la em frente a todos foi tão natural quanto respirar. Ou perder o fôlego, porque Julie estava mais atrativa do que antes.
Ashton sentia como se ficar tanto tempo longe de Julie sem conversar (como sabe lá onde não tinha rede?), fosse torná-los estranhos e fazer Ash acordar e perceber que não estava apaixonado por Julie. E ele não sabia se queria ou não "acordar", porque ele gostava do sonho. Contudo, ver Julie, ver Julie depois de tanto tempo, o fez perceber como ela estava diferente e igual a sempre e Ash sentiu que amava coisas tão... simples sobre ela.
Ashton amava os sorrisos dela, como conseguia diferenciar o sorriso alegre do tímido — e amava o tímido, porque essa era uma Julie que ele não via muito e Ash amava isso.
Ashton amava o quanto seus olhos brilhavam, como eles sempre brilhavam e a fazia parecer que tinha acabado de aprontar.
Ashton amava o jeito de Julie, a personalidade dela que não era cativante, mas que o cativava, como ela sempre discordava dele apenas por discordar, como sempre lutava pelo que acreditava mesmo que estivesse errada.
Ashton amava como Julie sempre estaria ao seu lado mesmo que ele não quisesse, para mostrar que não ligava para o que ele pensava.
Ashton amava Julie, simples assim. Ashton amava Julie Hemmings. Julie Hemmings!
Ashton sentiu vontade de rir e compartilhar aquela notícia mais uma vez com ela, porque parecia que cada vez que dizia as palavras elas se tornavam mais real. E Ash queria isso, ele gostava disso, ele queria que elas fossem tão real quanto sólida.
—Estava com saudade — disse Ashton, suspirando contra a boca dela, nem dando tempo de Julie dizer o mesmo (ou mais provavelmente dela ser mal criada, ou dela dizer que arrumou outro e não pensava mais em Ashton desse jeito), pois voltou a beijá-la.
—É para mim fingir que não vi isso? — sussurrou Luke para Calum.
—Acho que não — sussurrou calum em resposta. — Se não eles estão fazendo um péssimo trabalho.
—Acho que meus olhos estão queimando.
—Certo — disse Julie, empurrando-o. — Já está bom. Chega. Luke! — gritou ela, pulando direto para os braços do irmão que a segurou, como se soubesse o que ela faria, o que ela sempre fazia.
—Estava com saudade — disse Luke.
—Eu também — disse Julie, apertando-o forte. Ashton tentou ignorar o aperto no coração ao perceber que Julie não disse o mesmo para ele... porque ele não tinha dado a oportunidade. (Ash esperava que esse fosse o motivo.) — Também estava com saudades de você, Calum.
Ashton tentou ignorar mais uma vez o sentimento de rejeição ao ver Julie abraçando calum... Espere, ela tinha abraçado-o? Pensando bem, Julie não tinha feito nada além de beijá-lo. Ela manteve as mãos para si como se tivesse sido pega de surpresa ou fosse uma santa e não soubesse o que fazer com elas, quando Ashton sabia o quanto sua namorada gostava de pegar no cabelo dele. Ou estar no controle. Ela nem tinha tentado estar na controle! Era como se o tivesse deixado pegar o que queria para, para... Algo estava errado.
—O que acon... — começou Ashton, quando Luke o interrompeu
—Quem é ele?
Seguindo o dedo apontando de Luke, Ashton viu um cara — não seria ele a dizer que o cara era bonito, mas... — trazendo duas malas. Uma delas que Ash reconheceu como pertencente à Julie. Quem era ele?
—Esse é o nosso primo Jason, Luke — disse Julie, pacientemente, acenando entusiasmada. — Você não o reconhece...?
—Espere — pediu Ashton. — Você está dizendo que esse cara é o mesmo Jason que...?
—Sim — concordou Julie, com o mais brilhante dos sorrisos.
—Quem são esses, querida? — perguntou ele, passando o braço de forma possessiva ao redor da cintura de Julie.
—Esses — disse Julie, sorrindo (e não retirando o braço ou brigando pelo "querida") — são meus irmãos Luke e Calum, você percebe a semelhança; e meu amigo Ashton. Amigo — repetiu ela, levantando a sobrancelha numa insinuação silenciosa.
—Ami... -Ashton não podia acreditar no que acontecia.
—E para quem não sabe — disse Julie, referindo-se diretamente a Ashton — esse é Jason, meu primo. E namorado.
—Eh... Ahn... Você está falando sério? Sério, Julie? E, e, e...?
—Eu disse que ele ia acreditar! — exclamou Julie, batendo no falso Jason. — Você me deve money, money, money — cantarolou ela, soltando-se do garoto que relutante colocou uma nota de dez reais, deu um beijo já bochecha dela e se foi. — Vamos?
—O que... — Ashton balançou a cabeça em descrença. Por que ele não estava surpreso? — Você não acha que eu vou com você depois disso, acha?
—Sim, eu acho. A menos que você tenha vindo de carro — comentou Julie, revirando os olhos e entrelaçando o braço com Ashton. — E você não veio .
—Sua... Você não vai nem pedir desculpas?
—Não. Por que?
—Por que? Você disse que você e. ..
—Nós estamos namorando, Ashton — lembrou Julie, empurrando-o com o quadril — Eu não seria bígama e arrumaria outro namorado sem terminar com o primeiro.
—Hum, bem, será que eu deveria dizer sobre eu ter acidentalmente beijado a...
—Pare — pediu Julie, empurrando-o mais uma vez — Nós dois sabemos que é uma mentira. Alguém teria me contado.
—Não se eu tivesse mantido isso para mim.
—E você a beijou?
Ashton poderia dizer que "sim" e esperar por uma reação de Julie — positiva, negativa? — ou dizer a verdade. Se eles iriam realmente ter um relacionamento sério, o melhor seria a verdade.
—Não. E você não... Jason não...
—Deus, não — disse Julie, enojada. — Descobri que Jason gosta de baunilha, acredita? — sussurrou ela.
—Que heresia — respondeu Ashton, falsamente chocado.
E sem saber o que fazer, Ashton apenas começou a andar sem uma palavra e Julie o seguiu, sem perder um passo. Como reagir depois que sua completamente namorada te faz acreditar que não é mais completamente sua namorada? Ashton não sabia.
—Hum, Ashton? — chamou Julie, soltando-se dele e mordendo os lábios indecisa. Ashton queria mordê-los para ela.
—Sim? — suspirou ele, tendo certeza que odiaria o que via a seguir .
—Eu também estava com saudade de você — respondeu ela, levemente, passando na sua frente e deixando-o sozinho
Ashton suspirou mais uma vez. Ele amava-a, mas... não era a hora de dizer isso a ela.
—Vamos? – questionou Julie quando ele parou.
Porque eles tinham muito tempo. E amar não estava nas palavras, estava nas ações. Ashton podia mostrar a Julie que a amava beijando-a nos lábios, na bochecha, tocando sua mão, abraçando-a, deitando-se ao lado dela, sorrindo... Ashton poderia mostrar que a amava de diferentes maneiras até que o simples fato de dizer as palavras contasse como uma ação, em vez disso ele perguntou:
—Quer casar comigo?
—Ahn... — Julie gaguejou, olhando-o surpresa, antes de começar a rir. — Você não esqueceu isso? — sorriu ela.
Ele definitivamente amava o sorriso dela, percebeu Ashton, concentrando-se neles. Ele amava como os lábios de Julie se curvavam e faziam suas bochechas parecerem mais pronunciada. Ele amava como ficava sem fôlego ao vê-lo. E amava ainda mais saber que o culpado era ele, que Julie sorria daquele jeito por ele e para ele.
—Claro que não — sorriu Ash em retorno, inclinando-se até estarem nariz contra nariz. — Eu nunca vou esquecer isso. Então, qual é a sua resposta? Quer casar comigo?
—Não hoje — sussurrou Julie, dando-o um beijo de esquimó.
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