Isso não é...

21 Isso não é querer.


Notas iniciais
Ei, sumidos. Quem é vivo sempre aparece, não? Certo, eu sei, cinco dias sem noticia, mas aqui está o capitulo! A música é On My Mind de Cody Simpson https://youtu.be/_ePm_I1g7ns Espero que gostem do capitulo.

I want to know you feel it

What do you see when you close your eyes

Cause you are on my mind

(Eu quero saber o que você sente

O que você vê quando fecha os olhos

Porque você está na minha mente)

21-Isso não é querer. (Até porque querer – não – é poder!)

Sexta-feira, 06 de maio

Suspirando, Julie deixou-se cair no sofá. Jogando a cabeça para trás, ela permitiu-se relaxar a cabeça, os ombros, a mente... Meu deus, mais nunca outra, prometeu Julie. Festas desse tipo não eram com ela. Todos aqueles dramas adolescentes e clichês era muito mais do que ela poderia aguentar. Descobrir que estava apai...

Sem pensamentos deprimentes, repreendeu-se Julie. Ela disse que iria relaxar a mente e era o que iria fazer, pensar sobre suas “descobertas” ficaria para depois. Ou sobre o fato de não ter pego ninguém... Isso era triste, e se devia tanto ao fato de ter estado como guarda-costas de Demi – sendo uma péssima guarda-costas por sinal – quanto por aqueles garotos da sua escola serem um bando de medrosos. A razão para ter ficado ate os 16 anos – 16 anos certinho – sem beijar não foi apenas por sua falta de vontade, a principal razão foi a falta de um parceiro. Um beijo ocorre entre duas pessoas, então não tem como se houver apenas uma. Mas só foi ter tido o primeiro que Julie transformou-se numa... Não numa puta. Quem sabe numa beijoqueira?

Como era mesmo nome... Basorexia!, lembrou Julie. Ela tinha basorexia. Logo ela que era assexual! Que nunca tinha sentido atração ou tido um primeiro amor valido, agora se via com uma vontade incontrolável de beijar Ashton. Mas só ele. Aparentemente, seu estado assexual só não contava com ele. Ash era uma exceção a regra. Uma linda e irritante exceção a regra...

Julie percebeu que encarava Ashton por muito tempo, mas precisamente sua boca, ao mesmo tempo que se deu conta que ele fazia o mesmo com ela. Enquanto ela o olhou surpreendida – embora não soubesse o porque, afinal, para Julie, Ashton pensava “ela era uma menina, ele um menino e estavam sozinhos de noite...” – ele recuou ate bater as costas contra a porta e tatear a cega pela maçaneta, sem retirar os olhos do dela. Os olhos realmente dos dela.

Os olhos castanhos de Ashton estavam quase vidrados, com medo de piscar e não conseguir levantar de volta completamente, parando na metade do caminho... Ele era um péssimo amigo. Ash queria beijar Julie e ela parecia querer o mesmo – embora sempre existisse a possibilidade dele está projetando seus desejos – mas de qualquer jeito ele não poderia fazer isso, pois apesar dele está lúcido, Julie podia não está... Julie bêbada e Julie “normal” não tinham muita diferença entre si, o que tornava difícil diferenciar uma da outra.

—Para onde você vai? – perguntou Julie. Eles não podiam continuar se encarando daquele jeito. Era estranho, desconfortável, perturbador...

—Para casa – respondeu Ashton, lentamente.

As palavras dele saíram lentamente, contrariando sua vontade de sair correndo. Não ter o que queria, não ficar com uma menina que desejava... Tudo isso era uma novidade para ele. E, sinceramente, Ashton não sabia com agir quando as coisas não saiam como ele queria, ele não vinha preparado com um manual que tinha todas as respostas para todas as perguntas, mas Julie, aparentemente, sim.

—Você não vai para casa – disse ela, como se ele fosse louco.

—Quem disse? – perguntou Ash, arrogante. Ele definitivamente não gostava quando as coisas não aconteciam como ele queria.

—Eu – ordenou Julie, que tinha a mesma ideia sobre ser contrariada. – Está chovendo.

—Anne deve estar me esperando – desculpou-se Ashton, um pouco confuso por toda aquela determinação de Julie para não deixá-lo sair.

—Ela não está te esperando. Ela me ligou na festa e disse...

—Você não tem celular – interrompeu Ashton. – Então como ela te ligou?

—Não vou deixar você sair daqui nesse temporal – afirmou Julie, nem um pouco constrangida por ter sido pega mentindo . – E sob a possibilidade de você ter bebido. É perigoso.

—Eu não bebi e você sabe.

—Mas isso não muda o fato de está chovendo e ser tarde! A pista está derrapando e se algo acontecer a você demorará para chegar ajuda, isso é, se alguém perceber que aconteceu alguma coisa, porque nenhuma alma de Deus fica passeando pelas ruas durante a madrugada. Ou é drogado ou traficante.

—Um dos seus amigos, talvez? – murmurou Ashton.

Julie lhe lançou um olhar mordaz e mudou de estratégia, se ele não se importasse com a própria vida, talvez ligasse para a dela. A probabilidade disso ser verdade era pequena, mas ainda existia. Enquanto houvesse uma chance de impedi-lo de sair, Julie se agarraria a ela.

—Você não vai me deixar sozinha, vai? Vê se algo acontece comigo? Os garotos estão desmaiados, está chovendo muito e a energia pode cair a qualquer momento. O que eu farei sozinha?

—E a sua mãe? Cadê a Liz?

—Liz – murmurou Julie, afundando-se no sofá. Se ela estava fingindo a melancolia ou não, Ashton não sabia, mas foi convincente para ele. – Alguma vez Liz está em casa? Ela só aparece segunda, quarta e sexta, e da ultima vez que conferi hoje é quinta.

—Hoje é sexta – corrigiu Ashton, tentando ganhar tempo. As desculpas dele acabavam rapidamente e ele se viu sem nenhuma, convincente ou não.

—Você sabe o que eu quero dizer – disse Julie, revirando os olhos. E ele sabia. – Ela não vai chegar em casa depois da meia noite, vai? Hunf, só ela! Ela chegou no meu aniversario? Nãããooo...

Ashton estreitou os olhos ao olhar para Julie encolhida no sofá com os olhos fechados. Ele sabia o que ela estava fazendo – lembrando-o do aniversario dela do ano passado – e sabia que ela sabia qual seria sua reação.

—Cadê o colchão do Calum? – perguntou Ash, desistindo de ir embora. – Eu posso dormir nele, já que Calum está com o Luke.

—Mamãe jogou fora. Ela disse que estava muito velho para Calum dormir nele, o novo só vai chegar amanha.

—E eu vou dormir na onde? No chão? – perguntou Ash, cético. – Ou com você?

Ashton a ouviu bufar – embora na verdade Julie tivesse suspirado – e contemplou-se temporariamente por tê-la feito reconsiderar sua ideia de tê-lo ali, mas suas parabenizações foram por água baixo ao ouvi-la dizer, provocando-o:

—Se você quiser.

Ashton não queria – e queria – entretanto não tinha como ele ir embora depois de ter sido lembrado do aniversario de 15 anos de Julie. Era um golpe baixo e ela sabia disso. Aquele aniversario foi definitivamente o melhor e o pior aniversario dela, embora Julie não conseguisse se lembrar dos detalhes nos mínimos detalhes, ela sabia o que sentiu nele e era o que importava. Mas Ashton conseguia se lembrar de cada detalhe dele...

Ashton queria... Ashton não poderia... Céus, ele não poderia. Por mais que quisesse – e ele queria muito – Ash não poderia. Ele tinha que se focar nisso, no que não poderia, não no que queria. Querer não significava nada, mas era tão difícil lembrar-se disso... Principalmente ao dividir uma cama com Julie.

—Vá mais pra lá – reclamou Julie, empurrando-o com o quadril para o lado.

Quando tinha bastante espaço para duas de si, Julie girou ate ficar de lado na pontinha da cama. Seguindo seus movimentos, Ashton girou e ficou de frente as costas de Julie, sem entender o porquê dela reivindicar tanto espaço se não iria usá-lo – ele poderia esticar meio braço e ainda assim não iria tocá-la – além de que aquela ideia de dividirem a cama foi dela para começo de história.

—Ei, Julie... – começou ele, mas parou.

Ash não podia perguntar isso, pois saber a resposta poderia tanto ajudá-lo a dormir melhor quanto prejudicar ainda mais. Se Julie tivesse bebido ele poderia se aquietar de uma vez e convencer-se de que interpretou os olhares que ela mandou a ele de maneira errada. Mas se ela não bebeu Ashton não queria nem pensar no que isso poderia significar...

—O que foi?

—Você bebeu...

—Nada oferecido por estranhos – completou Julie, interpretando errado o mais novo silencio de Ashton.

—Não é isso – disse ele, revirando os olhos. – Você bebeu álcool?

—Ponche conta?

—Ótimo – suspirou Ashton, aliviado. Ele tinha bastante conhecimento a cerca dos ponche de festas.

—Por que “ótimo”? – perguntou Julie, rolando na cama para poder olhá-lo.

—Nada, Julie. Volte a dormir – disse Ashton, virando-a para que ela estivesse de costas para ele. – Boa noite.

Ash duvidava que conseguisse dormir de frente a ela. Mas ele dormiu. Eles dormiram. E continuariam dormindo por um bom tempo se não houvessem sido acordados com os gritos do quarto ao lado.

Julie abriu os olhos como se estivesse acordada durante todas as três horas que passou na cama – ela não estava e nem sabia como acordou só com alguns gritos, ate perceber que seu sono não estava tão profundo assim ao ver 06:30 piscando no relógio ao lado da sua cama – e sorriu, sabendo a razão do grito. Até perceber com quem ela própria dividia a cama. Quem se importava com Calum e Luke quando ela própria tinha um cara ao seu lado? E isso nem era a parte mais surpreendente!

Ashton nem tinha dormido direito para começo de conversa. Não tinha como ele ter dormido direito deitado com Julie ao seu lado e sem poder fazer nada. Ash sabia que não era a primeira vez que ambos dormiam juntos – e nem queria que apenas dormir juntos tornasse um habito... Ou talvez quisesse. O que ele sabia da sua própria vida? – mas dessa vez ele estava consciente que dormiam juntos. Na mesma cama. Um ao lado do outro.

Por um momento, naquele instante, enquanto observava Julie dormir – ela tinha rolado novamente e estava mais uma vez de frente a ele – Ashton perguntou-se se teria a cara de pau de deslizar ao lado dela e dizer depois que foi uma ação inconsciente. Uma busca por calor, talvez? Foi um momento de reflexão muito curto, porque Ashton Irwin tinha sim a cara de pau para isso.

Deslizando para ainda mais perto de Julie, Ashton puxou o corpo dela de encontro ao seu e não ouviu nenhuma reclamação quando ela se aninhou nele. E nem ouviu as reclamações que sua própria mente tratou de lhe sussurrar, de todos os porquês que ela lhe contou, naquele momento, Ashton apenas queria dormir ao lado de Julie, ele pensaria no que aquilo significava depois de acordar, pois, já que ficar com ela não era possível, ele ao menos poderia dormir com ela, não? Dividir a cama com Julie não poderia significar nada, não é? Amigos viviam fazendo isso, e se beijando, e...

Em meio a esses pensamentos conflitantes, Ashton tinha adormecido e acordado numa posição mais conflitante ainda. Não tinha como Julie saber o que era aquilo, tinha? Da ultima vez que dormiram juntos, Ashton acordou do mesmo modo e Julie tinha permanecido indiferente a sua situação. Mas quando ele levantou a cabeça , Ash percebeu que ela sabia.

—Ahn, Julie... – começou ele sem saber o que dizer. Não era culpa dele que não conseguisse controlar sua excitação! Ela não vinha com um liga e desliga!

—E-eu vou ver os meninos – anunciou Julie, apontando para a parede que dividia com o quarto do seu irmão antes de cair da cama.

Realmente cair da cama. De forma meio embolada, enrolando-se cada vez mais no lençol, Julie tentou se afastar de Ashton e conseguiu quando bateu no chão. Pondo-se de pé, ela correu – tropeçando pelo caminho, mas correu – porta a fora. Ashton suspirou, surpreso pela reação de Julie, embora aquela fosse uma típica reação de virgem. Ele não sabia porque esperou algo diferente dela, talvez por sua Julie não ser igual a outras garotas...

Espere, sua Julie? Tudo estaria bem, pensou ele, tentando se confortar – e encontrar uma posição confortável – embora soubesse que não conseguiria – nos dois sentidos – se, bem, eu não estivesse com uma ereção tão visível.

Julie definitivamente discordaria disso se soubesse a direção dos pensamentos de Ashton. Sua própria situação estava bem difícil ate dá-se conta da situação alheia. Não que ela estivesse excitada como Ashton, seu problema era leve comparado ao dele, ate inocente, se Julie estivesse comparando. Ou se importasse. Seus próprios pensamentos já estavam muito confusos sem saber os dos outros!

Dado aos últimos acontecimentos, chegar no quarto do seu irmão e vê-lo num canto e Calum no outro não a surpreenderia, mas... Eles não estavam em cantos opostos! Os dois se encaravam, próximos de mais. E, sinceramente, Julie não se importaria se eles começassem a se beijar, pensando bem ela até os shipparia juntos, mas eles pareciam mais inclinados a brigarem do que darem uns pegas com Julie como voyeur.

—Ahn, garotos... – começou ela, indecisa quanto ao que dizer.

Julie nem conseguia se lembrar da ultima vez que eles brigaram – Quando estavam no jardim de infância? Quando ela quebrou o carrinho de Luke e Calum disse que foi ele, pois ela estava com medo do seu irmão ficar com raiva dela? Quando a primeira garota que Luke gostou declarou-se para Calum na frente dele? – mas todas essas vezes foram motivos idiotas. Ao menos, eles eram motivos idiotas agora que se pensava neles.

—Alguém quer me explicar o que está acontecendo?

—Nada – responderam os dois em conjunto.

—Nada? O fato de vocês dois estarem tão próximos que eu acharia que se beijariam, mas que parecia que você queriam se matar, não é nada? – perguntou Julie, decidindo-se dizer o que pensava sem filtro. Ou tão sem filtro quanto possível sem assustá-los.

—Não é nada que você precise se preocupar – murmurou Luke.

—A verdade – pediu Julie.

—Eu acho que você quem deve dizer – disse Calum, dando de ombros para o amigo, fazendo Julie estranhar o comportamento dele. Eles já estavam de bem?

—Certo – disse Luke, retirando a mão que mantinha ao lado da cabeça de Calum e colocando-a na nuca, suspirando. – Lydia deu a entender para Calum...

—Ela disse com todas as palavras sem dizer as palavras – interrompeu Calum, mas Luke continuou como se não tivesse ouvido-o:

—Que queria algo com ele...

—Lydia? Lydia, tipo sua namorada Lydia? – interrompeu Julie, chocada. Ela sabia que Lydia era uma vadia, mas não vadia ao ponto de dar em cima do melhor amigo do namorado.

—A mesma – concordou Calum com um aceno.

—Que vadia! – assobiou Julie.

—Mas Luke não acredita – contou Calum, lançando um rápido olhar ao próprio.

—Ele é um idiota.

—Eu estou aqui – lembrou o quase traído. Ou talvez completamente traído. Se Lydia tinha se oferecido para Calum, ela muito provavelmente já tinha tido outros e só faltava ele para completar sua coleção.

—Você é um idiota – disse Julie diretamente a seu irmão.

—Eu sei – murmurou Luke, passando por Julie que continuava na porta, como se ele não tivesse ouvido e concordado na primeira vez.

Notas finais
Bem, vamos as explicações do porque não postei antes (são muitas), vamos por dia (cada dia o motivo é diferente): —Quarta - eu tinha uma atividade com mais de 20 questões para responder e não pude escrever nada; se fosse de outra matéria, quem sabe, mas era de português e, superando as expectativas, é a matéria que sou a pior. E a professora me odeia. —Quinta - minha irmã estava fazendo trabalhos da faculdade no pc e não pude usá-lo, e eu gosto de escrever no pc, até escrevo algumas partes no celular ou no papel, mas gosto de revisá-los no pc. Eu até tentei esperá-la terminar, mas acabei dormindo... —Sexta - mesma história. E aí, o que acharam? Alguma ideia de como melhorar o capitulo? Vale lembrar que basorexia existe mesmo, o google que me disse.