Notas iniciais
Chegamos ao fim! Sei que vocês estão malucos para saber desse epílogo que eu fiz taaaanto suspense! Vou deixar as despedidas para as notas finais, maaaaas tem algo muito importante a ser compartilhado..... A FIC GANHOU UMA RECOMENDAÇÃO!!!! SIM! Fomos recomendados pela Carter, essa fofa maravilhosa que super se engajou na fic e todo capítulo tava lá torcendo pelo nosso casal favorito! Obrigada pela delicadeza em falar dessa fic que é, sinceramente, meu xodozinho! Sinta-se homenageada, esse capítulo é todo seu, com muito amor e carinho! Vejo vocês nas notas finais uma última vez!

(Notas iniciais são importantes, não pulem! Amo vocês, boa leitura!)

EPÍLOGO

— Então seus pais não vão estranhar esse monte de adolescentes desembarcando na estação para ir para sua casa? – perguntou Marlene Mckinnon pela trigésima vez naquele dia.

— Não, Lene! Tia Euph e tio Flea estão acostumados com essa bagunça em casa!

Sirius ocupava um sofá inteiro do salão comunal da grifinória, deitado displicentemente, com uma das mãos arrastando no chão e a outra brincando de aparar uma goles de quadribol afanada do material de treino do time.

— Tá tudo bem, Marlene... eu avisei meus pais que iria levar algumas pessoas nessa Páscoa. – respondeu James, fazendo um gesto indicativo com a cabeça.

Sentada no tapete em frente a lareira e entre as pernas de James, Lily concentrava-se em tomar notas em um livro avançado sobre o preparo de poções, parcialmente absorta do assunto, mas atenta ao cafuné que James fazia em seu cabelo há quase meia hora.

— Pena que você desistiu de se juntar a nós, Rabicho... vai perder a torta de legumes e o pão de frutas da Sra. Potter! – acrescentou Remo, que dividia uma poltrona com Dorcas.

— Meus pais acharam melhor que eu ficasse... já abusei demais da gentileza dos pais do Pontas. E tenho mesmo algumas coisas para estudar, trabalhos para pôr em dia, já que você não me dá mais cola em feitiços, Aluado!

No entanto, Rabicho não parecia realmente frustrado, e Remo achou que era uma tentativa de não demonstrar que sentia muito não estar viajando com os amigos pelo recesso de 10 dias.

—Se eu fosse a Sra. Potter eu enlouqueceria! Imagina, o melhor amigo do filho vira inquilino da minha casa...

— Ei! Ela me adora, para sua informação, viu?! Sou o filho favorito já!

— Mesmo assim. O melhor amigo inquilino, conhecer a nora e mais meia dúzia de adolescentes barulhentos enchendo a casa num feriado de Páscoa! Eu surtaria!

— Então vamos agradecer que a Alice não é mãe do Pontas! – Dorcas acrescentou, fazendo os amigos rirem.

— Minha mãe adora a casa cheia, infelizmente ela realmente ama o Almofadinhas, e já está mais do que acostumada com Aluado indo nos ver, algumas pessoas a mais não vão fazer diferença... e agora ela também está me tirando do sério para conhecer a ruiva!

Lily enrubesceu ao ouvir o comentário de James, e não moveu os olhos do livro que lia para disfarçar a vergonha e o nervosismo.

— Queridinha da sogrinha! – cantarolou Sirius, esticando-se para dar um peteleco na cabeça de Lily, que resmungou e mostrou-lhe o dedo do meio.

Na manhã do dia seguinte, Dorcas, Marlene, Alice, Frank, Remo, Sirius, James e Lily junto a dezenas de outros alunos de Hogwarts pegaram seus malões e caminharam até Hogsmeade para embarcar no trem das 11h, com destino à plataforma 9 ¾, em Kings Cross, Londres. Espremeram-se em uma única cabine e passaram todas as 7h de viagem excessivamente animados.

Após o almoço, Lily adormeceu no ombro de James, e Alice saiu com Frank para “dar uma volta e esticar as pernas”. Dorcas e Marlene engajaram uma conversa empolgada sobre a vida afetiva de Mary McDonald, uma amiga de quem tinham se afastado, enquanto Sirius e Remo jogavam xadrez, com ocasionais comentários de James sobre os lances.

Londres escurecia quando chegaram a estação, e para a felicidade de todos, Euphemia e Fleamont esperavam James e os amigos na plataforma, com sorrisos cheio de expectativas. James saiu a frente abraçou os pais, saudoso.

— Mas que pena eim, você nem ficou verde! – brincou o pai, atrapalhando o cabelo espetado de James e fazendo referência a varíola de dragão que James tivera dois meses e meio atrás.

— Fleamont! Não ligue para o seu pai, querido... ele está com saudade de ser adolescente, e inveja por não ser mais bonito como você.

Os pais de James eram bem mais velhos, e ambos beiravam os sessenta anos. Ninguém podia, no entanto, dizer que tinham essa idade, pois eram joviais e animados, e elegantes e bonitos como adultos de trinta anos.

— Eu sei... ele pensa que eu esqueci que ele me deve uma partida de quadribol.

— Deve a mim também, Pontas... nosso pai é um devedor! – Sirius se aproximou, carregando um carrinho com os malões dele, de Remo, James e Lily.

Euphemia o abraçou do mesmo modo que fizera com James, pois Sirius era como seu segundo filho, e beijou-lhe os cabelos compridos.

— Eu vou passar uma tesoura nessa bagunça!

— Nem amarrado!

— Mãe, pai... deixem eu apresentar o pessoal! O Aluado vocês conhecem... esses são Frank e Alice, eles vão se casar no verão, mãe. – Euphemia sorriu contente, apertando a mão de ambos. – Essas são Marlene e Dorcas...

— Peter não veio esse ano?

— Ele não gosta mais de nós, pai! Nos largou pelo castelo!

— Mentira! Para, Almofadinhas, eles vão acreditar! Não, pai... o Peter só não quis vir mesmo... não quis dar trabalho.

Fleamont meneou a cabeça, como se dissesse que não era incômodo algum.

— E você é a famosa Lily Evans.

Lily corou dos pés a cabeça, constrangida. Tinha ficado entre as últimas do grupinho, meio tímida, apertando os braços contra o corpo, com frio. James foi até ela e entrelaçou seus dedos na mão gelada da menina, trazendo-a para junto de Sirius e dos pais.

— Essa é a Lily, mãe, pai... minha namorada.

Euphemia adiantou-se e abraçou Lily como a uma filha que não via há bastante tempo, e Fleamont educadamente perguntou se ela fizera uma boa viagem, acrescentando que estava curioso para saber mais do mundo trouxa. A tensão pareceu se dissipar um pouco, e logo todos estavam conversando animadamente e trocando piadinhas. Aos poucos a estação foi esvaziando e logo os únicos ali era a enorme família Potter e Agregados.

— Seu pai conseguiu pedir um carro do ministério, Jay... é mais seguro, e se ele pode, por que não, não é mesmo?

— Os privilégios de ser chefe da sessão de aurores tinham que ser usados em algum momento! – Sirius acrescentou rindo, acompanhado de Remo e Frank, que empurravam carrinhos com malões rumo à saída da estação.

— Bem, vocês pediram uma van, né? Porque somos um batalhão, impossível cabermos num carro normal!

— Nada é impossível, Remo... achei que Euphemia e eu já tínhamos ensinado isso a vocês!

Uma mini van preta, com o símbolo do Ministério da Magia estava estacionada na frente da estação de Kings Cross, e num minuto todos estavam acomodados, com os malões devidamente encaixados na mala do carro, equipada com feitiço indetectável de extensão, viajando por mais hora e meia até o sul de Londres, perto de West Norwood.

A casa de James não era exatamente o que se podia chamar de modesta, ao contrário, era um elegante e suntuoso sobrado em estilo vitoriano, com as paredes em azul escuro, frontões brancos e telhado colonial acinzentado, além das janelas grandes e baixas no primeiro piso, dando a impressão de que o jardim se estendia para dentro da casa.

Como viagem fora longa cansativa, ninguém estava muito disposto a grandes animações ou interações demoradas, de fato todo mundo desejava apenas comer alguma coisa quente, pois o dia estava estranhamente frio e acinzentado para a primavera, e ir se deitar para uma noite de sono. Após a sopa de batatas que a Sra. Potter tão carinhosamente preparara, todos dirigiram-se aos quarto. Sirius já tinha o seu próprio, assim como James. Frank e Remo dividiriam o quarto menor, no térreo, enquanto Alice, Lily, Dorcas e Marlene ficariam no grande quarto de visitas do primeiro andar. Antes mesmo das dez da noite reinava o silêncio na casa, e a noite pareceu passar num segundo.

A manhã do sábado de páscoa passou mais rápido do que todos esperavam, e Lily pode ficar à vontade na cozinha com a mãe de James, ajudando-a a preparar o banquete do almoço. Euphemia estava encantada com o jeito de Lily: a delicadeza da menina ao preparar os pratos, a dedicação escolar, o jeito com que Lily era meiga e educada sem ser forçada ou mimada.

— E como vão as duas mulheres da minha vida?

Lily enrubesceu violentamente quando James invadiu a cozinha, apenas em roupa de piscina, sapecando um beijo na bochecha da mãe e abraçando Lily por trás, tentando roubar uma das batatas gratinadas que ela organizava em uma bandeja. Com algum esforço, Lily não observou demais o peito definido de James, e usou todo seu autocontrole para não dar uma segunda olhada no corpo escondido pela sunga azul escura que caía tão bem no maroto.

A cozinha tinha ficado quente de repente, não?

— Você está é muito folgado se acha que vai roubar comida antes de todo mundo! – disse Lily, dando um tapinha nas mãos furtivas de James, que a puxou para um beijo, fazendo Lily se derreter.

A Sra. Potter concentrou-se no molho que preparava, achando graça e fofura do casal adolescente. Lily logo se desvencilhou do abraço de James e murmurou, extremamente constrangida, que ele a envergonhava.

— Você acha que minha mãe nunca beijou ninguém, ruiva? – gargalhou James em bom humor, fazendo cócegas em Lily por sobre o avental de cozinha, e então afanando duas fatias de batatas já cozidas e temperadas antes de voltar para a área de lazer.

Lily continuou sua tarefa culinária, embaraçada demais com a presença da sogra para falar alguma coisa. A Sra. Potter parecia saber como a menina se sentia, pois alguns segundos depois se aproximou da bancada e, com um aceno de varinha, fez uma faca picar tomates em cubos.

— Ele sempre foi assim, sabia? Bem humorado demais, e todo galante. – as duas riram. Lily não poderia discordar de que James tinha habilidade em ser carismático. Após um breve silêncio, a Sra. Potter acrescentou, encarando o jardim através da janela – James parece outra pessoa quando está com você. Ele gosta muito de você, sabe querida?

— Eu posso sentir... James é muito gentil e atencioso.

— Não se trata só disso, meu bem. James é como o pai, em todos os sentidos, como deve ter reparado. E não se trata só de ser um romântico incorrigível, – Lily não pode evitar rir. – mas sobre como ele é leal a quem ama.

Lily a encarou, embora Euphemia ainda olhasse para o jardim.

— Trabalhamos na sessão de aurores, Lily, e temos visto de perto tudo que está acontecendo. O que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado tem feito com nascidos trouxas, e mesmo com pessoas inocentes que nem sequer sabem da existência.

“É cruel e lamentável, e gostaríamos de poder fazer mais, James gostaria... mas não podemos. Nem tudo está no nosso controle... mas saiba que James faria o que fosse preciso para proteger você, minha querida. Ele fará a prova para o setor de aurores em julho, e eu não posso dizer que não tenho medo por ele... mas sei que James não ficaria satisfeito se não pudesse proteger quem precisa...”

— Ah, senhora Potter... – lamentou Lily com os olhos cheios de água.

— Ele comentou algumas coisas por carta... de que vocês não se davam muito bem no começo, que houve algumas diferenças entre os dois. Foi uma surpresa quando ele nos contou que estavam namorando e que íamos conhecer você no feriado. Não sei o que aconteceu, e nem espero saber! – o tom de Euphemia era descontraído, fazendo Lily rir enquanto secava os olhos discretamente. – Mas estou tão feliz! Pelos dois... meu James merece alguém que o ame tanto quanto ele, com aquele coração enorme e lesado, é capaz de amar todo mundo!

As duas trocaram um abraço e logo serviram um almoço. Houve um brinde, com direito a uísque de fogo, a todos que estavam naquele banquete de Páscoa e, após a refeição, Euphemia e Fleamont foram chamados numa emergência do Ministério.

Apesar do frio, todos estavam mais que dispostos a aproveitar a enorme piscina da casa de James. O fato de poderem usar magia fora da escola foi um adendo maravilhoso, de modo que os mais variados feitiços foram usados para que a bagunça ficasse maior.

Marlene e Alice fizeram espuma colorida, Remo transfigurou as plantas em boias, para tentar relaxar (o que deu errado, obviamente, pois Sirius conjurou um trampolim e adicionou um feitiço de extensão na piscina, passando o resto da tarde dando pulos "bomba" dentro d'água).

Frank e James preparam cerveja amanteigada para todos e, em geral, o clima foi leve e descontraído, interrompido apenas quando Sirius e James seguraram Lily por pernas e braços e a lançaram dentro da piscina, começando uma pequena confusão de guerra de água.

Os dias seguintes eram passados, basicamente, entre banhos na piscina magicamente aquecida, jogando quadribol em duplas e beliscando alguma das comidas deliciosas que a mãe de James sempre tinha pronta, como a famosa torta de legumes, e o pão de frutas. Alice, Frank e Dorcas foram embora na segunda-feira pela manhã, via rede flu. Marlene ficaria o feriado todo pois seus pais estavam fora do país, e Remo voltou para casa na semana seguinte, a da lua cheia.

— Você acha que o Remo está bem?

— Com certeza, meu amor! Aluado sabe se cuidar, e tem toda a estrutura para ficar seguro em casa. Era melhor do que ficar aqui.

Já era relativamente tarde, um dos últimos dias do recesso de Páscoa. Sirius e Marlene vinham tendo um clima nos últimos dias, após terem ficado durante uma brincadeira de verdade ou consequência nos primeiros dias na casa de James. Lily seriamente suspeitava que Lene estivesse ocupada demais no quarto de Sirius para se importar aonde a amiga estava.

E, no caso, Lily estava confortavelmente deitada na cama de James, com a cabeça descansando no ombro dele, recebendo cafuné no cabelo enquanto acarinhava o peito de James com toques suaves, conversando sobre tudo e mais um pouco.

Passada a confusão emocional que fora aquele isolamento no começo do ano, Lily e James tinham tido algumas sérias conversas. Lily estava disposta a conhecê-lo mais a fundo, dar uma chance aos passeios a Hogsmeade que ele tanto a convidava, e até mesmo a repetir com muita frequência todos aqueles beijos que roubara de James.

Suavemente e sem qualquer cobrança, James e Lily começaram um relacionamento, primeiro meio às escondidas dos amigos, pois haveria escárnio e provocações, e nenhum deles estava realmente pronto para outras pessoas opinando naquele frágil começo de namoro. Era gostosa a adrenalina de fugir com James para a sala dos monitores após as rodas para terem alguns minutinhos a sós, apenas para sentarem-se de mãos dadas e trocarem carinhos.

James era cavalheiro, e sempre dava um jeito de surpreendê-la, fosse com um bolinho roubado da cozinha, fosse com um pacote de Delícias Gasosas que secretamente colocava em sua mochila com um bilhetinho combinando aonde se encontrariam. Uma vez conhecendo-o, era fácil gostar de James, pois tinha um sorriso acolhedor, incentivava os amigos, e o senso de humor dele não deixava ninguém desanimado.

E claro, havia todo o conjunto biológico. James era alto sem ser desengonçado, havia elegância no seu cabelo propositalmente despenteado, e Lily descobriu que gostava de lhe bagunçar o cabelo ainda mais durante os amassos que trocavam. Os óculos redondos pareciam parte de James, e Lily gostava de encarar os olhos castanho-esverdeados por através deles.

James era um pacote completo, e Lily frequentemente se perguntava o porquê de nunca ter aceitado sair com ele antes. Sentia ciúmes de vê-lo falar com outras meninas, ainda que soubesse que James não faria nada que ela não gostaria. Era só que havia a necessidade de dizer que ele era seu, e exclusivamente seu.

Então, em um dia de fevereiro após o primeiro jogo dequadribol daquele trimestre, quando a Grifinória ganhara da Lufa-Lufa por uma vantagem colossal de pontos, Lily simplesmente tascou um enorme beijo em James no meio da confraternização no salão comunal, deixando claro para quem quisesse saber que os dois estavam comprometidos.

Houve um barulho alto e agudo no outro lado do corredor, como um gritinho, seguido de uma risada que mais parecia um latido, e então tudo ficou quieto. Lily sentou-se na cama em um sobressalto.

— O que diabos foi isso?

James gargalhou, levemente corado, puxando Lily de volta para seu lado.

— Uhm... acho que Marlene se empolgou e... uhm, se esqueceu de que estamos em casa também.

— Oh! Ela... isso foi um...? – perguntou Lily corando.

— Almofadinhas deve ter colocado um Abafiatto no quarto dele para garantir que não vamos mais ouvir nada, ruiva. Não se preocupe... tenho certeza de que a Lene está muito bem, melhor do que a gente.

Lily não pode evitar rir, deitando-se contra os travesseiros da cabeceira da cama e corando de constrangimento ao imaginar a intimidade de que Marlene e Sirius estavam compartilhando.

— Como seus pais vão em missões tranquilos em deixar dois casais adolescentes sozinhos em casa?

— Acho que eles supõem que isso já aconteça no dormitório masculino mesmo, e que não faz muita diferença tentarem controlar qualquer coisa... acho que preferem deixar a gente à vontade. Como disse, eles já foram adolescentes. – riu James, passando uma das mãos pelo rosto de Lily, observando-a rir, corada.

E como não precisava mais de qualquer desculpa para fazer isso, Lily puxou James para perto, dando-lhe um beijo suave e carinhoso. Suas mãos brincavam pelo cabelo curto e arrepiado de dele, e ocasionalmente deslizavam pelas costas de James, brincando com a borda de sua camisa de pijama.

James apoiava-se na cama com um dos cotovelos, deitado meio de lado, inclinado sobre o corpo de Lily, e segurando suavemente o pescoço dela, ora descendo os dedos pelos braços e pela lateral do corpo, em um carinho delicado.

Aquele clima ameno logo foi se aprofundando, e o quarto de James pareceu esquentar ao menos dois graus quando os beijos se tornaram mais intensos e as carícias mais ávidas. A camisa de dele logo achou seu caminho para o chão, e Lily sentiu-se tremer quando os lábios de James encontraram a lateral de seu pescoço. Havia uma queimação no final de sua barriga, e Lily sentia-se escaldante, sem qualquer relação à febre ou varíola de dragão. A pressão suave que James fazia em sua cintura era particularmente boa, e Lily pensava (no pouco de lucidez que ainda lhe restava) que jamais tinha se sentido tão relaxada e, ao mesmo tempo, tão tensa.

Era tudo novo, todas aquelas sensações e carícias ousadas que James fazia. A sensação da pele quente dele contra seus dedos, a respiração rápida de James entre os beijos quase agressivos que trocavam. Lily sentia que era impossível ficar mais perto dele, embora desejasse isso ardentemente, deixando escapar alguns gemidos sufocados no processo de tentar grudar-se mais ainda em James.

Deitado sobre Lily, James foi, pouco a pouco, diminuindo a intensidade de todos aqueles beijos e carinhos, sentindo seu coração acelerado. A testa encostada na de Lily, embora enxergasse tudo meio borrado graças a ausência dos óculos, que há um bom tempo tinham saído de cena.

— Você não... – Lily quis perguntar, corando em meio à agitação.

— Claro que quero, Lily! Merlin, como eu desejo você! – James a beijou outra vez, achando graça da insegurança e timidez dela. – Tudo que eu queria era arrancar essa sua blusa, sabe? – sussurrou ao pé do ouvido dela.

Lily sentiu que derretia, e beijou James aonde alcançava, as bochechas, a lateral do pescoço...

— Mas... argh, Lily! – murmurou, parecendo dolorido de desejo. Ele se afastou alguns centímetros, num esforço cruel para parar aquele amasso, que, céus, estava bom demais! – Vamos com calma, meu lírio... Nós temos tempo, e eu não gostaria nada de precipitar alguma coisa que podemos esperar.

Lily respirou fundo, diminuindo a ardência que sentia, e então respondeu, em voz baixa, olhando James nos olhos, completamente entregue ao carinho dele.

— Você não existe, Potter.

O beijo carinhoso que James deixou na testa dela após falar fez Lily pensar que jamais seria capaz de amar alguém como amava James Potter. Chegava a sufocá-la a intensidade do que sentia por James, que entrara em sua vida de uma maneira tão inesperada e virara tudo de cabeça para baixo. Com ele era tudo intenso e passional, Lily achava que perdia a razão perto de James, porque tudo que queria era sempre se inebriar mais e mais nele, e, ao mesmo tempo, era tudo muito certo e tranquilo, porque havia esse desejo de que as coisas se encaixassem, de que fizessem sentido.

Namorar James era como pular de asa delta, Lily pensava. Era assustador, e parecia algo impossível, cheio de receios de dar errado e machucar. Mas após um pouco de coragem e uma tentativa, talvez até meio de olho fechado pelo medo, valia tão a pena. Revelava um mundo mais bonito, de outra perspectiva, e tudo parecia iluminado e colorido de outro jeito. Era viciante, e Lily não achava que seria capaz de ficar sem pelo resto da vida. James Potter era como uma asa delta, e não havia outro jeito de explicar isso.

— Eu estou apavorada com tudo que vai acontecer depois que acabarmos Hogwarts, Jay. Sua mãe falou comigo sobre tudo que os aurores tem visto, e como você quer entrar naquele horror de duelos contra Você-Sabe-Quem... eu não quero perder você.

Havia uma mão de Lily acariciando o rosto de James, deitada contra o corpo quente e ainda sem camisa dele. Já fazia algum tempo que estavam ali, só sentindo aqueles carinhos, quase adormecendo. Era tarde, passava da meia noite, e tudo estava escuro, só uma meia luz do poste do outro lado da rua entrava pela janela do quarto.

— Não vai. E sim, eu quero entrar para o setor de aurores, Lils. Para eu não perder você. Para ninguém perder nascidos trouxas, para inocentes não morrerem. Esse mundo é uma loucura, e eu não quero ficar isolado, vendo tudo acontecer. Eu quero proteger as pessoas... proteger você.

James sentia que os olhos de Lily invadiam sua alma. Úmidos, eles entregavam todo aquele turbilhão de sentimentos que ela vinha partilhando, e, de fato, não havia como evitar todo aquele medo, evitar todo aquele sentimento. Eram jovens em meio a uma guerra iminente, em meio a um mar de violência e preconceito, sentiam tudo: ódio, medo, desespero, desejo, amor...

— Só não me faça ter que nos contaminar com varíola de dragão de novo para ganhar uns dias sozinha com você, Potter! – James riu, apertando Lily ainda mais perto e beijando o topo de sua cabeça.

— Se for para usar aquela banheira da sala dos monitores de novo, não sei não, eim, ruiva...

Notas finais
*Corações Jily explodem de amor* Esses dois são tãaaaaao fofos e perfeitos, não são?! Eu estou absurdamente feliz e grata por essa fic, foi um processo maravilhoso escrever, postar e interagir com todo mundo que se dispôs a comentar e participar da história enquanto foi acontecendo. Durante esse período de quarentena, escrever Isolated foi uma forma de desconectar do mundo, principalmente por tudo que tem acontecido, e ter um momento de afeto clichê. De verdade, muito obrigada a todo mundo que acompanhou, vocês são incríveis! E para quem leu a nota até o final, um beijo enorme, você também é parte de Isolated! ESPERO VOCÊS NOS COMENTÁRIOS!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!