Isolada

3 A festa: Parte 2


Notas iniciais
Essa é a continuação da Parte 1 da Festa. Este capítulo está mais focado sobre o relacionamento da Allison com as pessoas de sua escola e não tanto sobre o misterioso Liam. Aproveitem! ;)

Sem querer derrubei vodca no tapete da casa do Derek. Sou um verdadeiro desastre. Nem sei por que aceitei vir a essa festa, acho que fiz isso mais pela Kaya, não sei qual seria a reação dela se eu dissesse que não queria ir. Na verdade posso imaginar ela surtando e me chamando de louca que nem na vez que estávamos na casa do lago do pai dela em Oak Creek, Califórnia e eu disse que não queria ir ao musical de peter pan. Ela não gosta muito que eu fale sobre isso, o pai dela, mas ela perdeu ele quando tinha 12 anos. Lembro da reação dela e preferia não ter visto. Foi assustador. Acho que é por isso que nos damos bem como melhores amigas, eu sei pelo que ela passou e agora mais do que nunca ela sabe pelo que eu passei quando perdi meus pais. Eu sinto falta deles sempre mas Charlote diz que eu preciso seguir em frente porque eles sempre vão me amar independente de onde estejam.

—Você vai limpar isso não vai? — perguntou Derek.

—Am? O que disse? — perguntei eu assustada, dava muito bem para perceber que eu estava viajando completamente no meu pensamento e também era claro que ele ia achar que eu era louca.

—O tapete. Você vai limpar isso? — perguntou novamente.

—Ah sim, me desculpa. Eu estava distraída e uns garotos bateram no meu braço e o copo caiu da minha mão — respondi.

—Não me importaria se fosse outra bebida que tivesse caído no tapete, a menos que fosse vinho. Mas a minha mãe sentiria o cheiro da vodca no tapete então preciso mesmo que você limpe. — falou ele parecendo um pouco ignorante mas acho que ele estava certo eu não gostaria de dar uma festa e pessoas derrubassem bebida pela minha casa.

—Claro. — respondi.

Fiquei sem reação, na verdade envergonhada por essa ser nossa primeira conversa. E onde estava a Kaya? Por onde ela andava quando eu mais precisava dela?

—Terra chamando Allison, alo! — finalmente Kaya apareceu e esperando que eu não tivesse em mais de um dos meus pensamentos malucos.

—Onde você esteve? — perguntei um tanto zangada por ela não está ao meu lado quando Derek veio falar comigo.

—Tinha muita gente querendo usar o banheiro sabia? E o que foi aquilo era impressão minha ou o Derek tava falando com você? — falou num tom persuasivo.

—Nada que se diga "Ó ela estava falando com ele nossa!" — disse.

—O que vocês conversaram tanto? Fiquei curiosa, não é todo mundo que fala com Derek Martin. — falou.

Realmente ela tinha razão. Ele quase não conversava com ninguém tirando os amigos mais próximos dele e o Arthur, a pessoa que ele mais confiava eles sempre andam juntos. Até surgiram boatos de que os dois poderiam ser mais que amigos mas eu não consigo imaginar Derek Martin gay. Eu ainda tinha muitas dúvidas sobre o Liam. Quem era esse garoto? Precisava mesmo saber. Se preciso até me aproximaria mais do Arthur para perguntar mais sobre ele no entanto ficaria na cara que eu estava afim dele. A verdade é que eu já o vi em algum lugar, o rosto dele é similar a um rosto que vi há alguns anos atrás. No momento em que eu ia responder a pergunta que a Kaya me fiz uma pessoa entra em nossa conversa...

—Olá! — falou uma voz extremamente tranquila. Nesse mesmo instante fiquei gelada, sentia meu coração bater mais forte a cada segundo.

—Oi! — Disse Kaya olhando para mim com um sorrisinho no rosto.

—Oi. — Eu disse.

—Allison e Kaya. Certo? — falou.

Então ele nos conhecia? Quem teria falado de nós para ele? Arthur mal nos conhecia e ele mesmo disse que só nos chamou porque o Derek tinha pedido que ele nos convidasse pessoalmente. A única pessoa que poderia ter falado de nós foi ele.

—Certo! Qual seu nome, misterioso? — perguntou Kaya num tom de brincadeira.

—Hahaha — ele riu.

—Meu nome é Liam, sou irmão do Derek. — disse.

Na mesma hora esbocei um gesto de surpreendida ou de dúvida, eu sempre ponho a mão no pescoço quando estou surpresa ou tenho dúvidas sobre alguma coisa e ele não parecia ser irmão do Derek, os dois eram bonitos mas isso não significava nada.

—Vocês não se parecem muito. — falei, esperando que a resposta fosse uma mais convincente. Ou talvez eu estivesse errada e eles fossem irmãos. Eu sempre fui assim, duvido muito do que as pessoas me dizem é um problema de confiança.

—Você acha? — disse.

—Eu nunca o vi por aqui. De onde você é? — perguntei.

—Acabei de terminar a faculdade, estava morando na Califórnia. — respondeu rapidamente.

—Por que você não morava junto com o Derek ou ele com você? — perguntou Kaya. Ela sabia que tinha alguma coisa de errada com a família Martin. Se eles eram irmãos por que não moravam juntos ou por que ninguém nunca tinha ouvido falar dele?

—Por causa da faculdade. Eu fui pra Universidade da Califórnia e ele ficou com nossos pais. — respondeu.

—Que curso você fazia lá na califórnia? — Kaya perguntou interessada mesmo em saber se tudo o que ele dizia era verdade. Se ele estava realmente mentindo sobre morar na califórnia, faculdade e sobre ser irmão do Derek ele fingia muito bem.

—É.. Alguma coisa sobre mecânica, algo assim — respondeu.

O que? "algo assim"? não conheço nada sobre mecânica mas meu tio era mecânico e ele passou muito tempo estudando sobre isso e sei que se era realmente isso que ele fazia ele deveria saber não?

—Muito bom! — disse K.

—Liam!- uma voz interrompeu.

—Preciso dele por uns minutos, licença. — falou Arthur como se soubesse que estávamos fazendo perguntas de mais ao irmão do Derek.

23h

Já eram 23h e eu estava exausta. Só queria ir para casa, sair dali o mais rápido mas toda vez que eu tentava fugir de alguma conversa outra aparecia. Esqueci completamente de que tinha de ter mandando uma mensagem a minha tia avisando que estava na casa da Ka, mas convenci a mim mesma de que aquilo não era preciso. Afinal, eu estava bem.

Kaya já estava totalmente bêbada e eu era a única ser viva sóbria na casa. Decidi tomar um ar do lado de fora quando percebo algo estranho, um vermelho escuro, pensei ser vinho mas estava espalhado por quase todo o chão, segui o rastro de tal coisa e me assusto com a cena que vi. Eu conhecia aquela garota, ela devia ter uns 13 a 14 anos de idade, estava coberta pelo próprio sangue mas eu ainda conseguia vê-la respirar mesmo não tendo chegado tão perto. Imediatamente pedi por ajuda mas o que aconteceu ali? Eu estava desesperada, aquilo me angustiava por saber que aquela garota nunca tinha feito mal a ninguém. Em poucos minutos a polícia chegou, fazendo diversas perguntas. Talvez eu fosse a principal suspeita do crime por ter achado o corpo primeiro. E agora? Deveria ser apenas uma festa e eu deveria apenas ser a garota que ia dormir na casa da melhor amiga na sexta-feira. Eu estava ferrada.

—Quem encontrou o corpo? — Perguntou o oficial Rogers.

—Eu, senhor. — respondi. Minhas mãos estavam tremendo, meu coração batia mais rápido e eu estava gelada. As mesmas sensações que eu senti quando o Liam falou comigo e a Kaya.

—Onde estão os donos da casa? — Perguntou o policial.

—Somos eu e meu irmão. — respondeu Liam, referindo-se a ele e ao Derek.

—Onde estão seus pais? Tem muitas crianças aqui e bebidas são ilegais para menores de 21 anos sabia? — Disse o oficial deixando claro que aquilo não ia ficar nada bem para os dois.

—Sim senhor. Mas só há vodca aqui e não obrigamos ninguém a beber. — respondeu Liam.

—Mesmo assim. Se vocês são maiores de idade terão que ir a delegacia e se seus pais estiverem fora da cidade passarão a noite lá a menos que tenham outro responsável.

—O que acontece com o resto de nós? — Perguntou Brett ao oficial. Naquele momento eu só me perguntava onde Kaya estava.

—Todos aqui terão que passar pelo teste de bafômetro e seus pais serão avisados sobre isso. Até lá teremos que manter vocês aqui por alguns minutos para colher mais informações sobre a garota, pessoas que falaram com ela antes da tentativa do homicídio e se alguém viu algo suspeito.

Eu estava assustada demais para pensar sobre ficar de castigo, aquela garota quase foi assassinada, estavam todos bêbados e ninguém se lembraria de nada. Eu estava em choque e ainda não fazia a mínima ideia de onde a Kaya estava.

—Brett, você viu a Ka? — perguntei preocupada.

—Não. Pensei que ela estava com você. — respondeu ele realmente surpreso por ela não estar comigo.

—Não estava não! Faz algum tempo que não a vejo. — respondi.

—Todos vocês fiquem aqui fora, ninguém sai, nada de celulares. Vamos tentar manter a calma é mais perigoso lá fora do que aqui. Logo seus pais viram busca-los só preciso que vocês deem o nome, endereço e número de seus responsáveis. — disse uma oficial.

Eu ainda não acreditava que aquilo tudo estava realmente acontecendo. Menti para minha tia, Kaya estava bêbada e eu não a encontrava, uma garota quase foi morta e o assassino ainda estava solto. Ninguém tinha dúvidas de que alguém queria ferir aquela garota. Ferir é a palavra certa porque se ele quisesse mata-la ele teve a oportunidade perfeita, todos estavam embriagados ninguém o veria, talvez isso fosse um aviso. E se ele estivesse seguindo alguém da festa e a garota tivesse visto ou ouvido alguma coisa? Agora não há como saber, eu só preciso me acalmar e sair dessa situação.

00:30

Os oficias deixaram bem claro de que só iríamos para casa depois que tudo fosse explicado, afinal tudo que eles tinham era uma garota quase morta, sangue que supostamente seria só dela, pois ouvi eles dizerem que não havia sinais de luta corporal o que indica que talvez um homem tivesse feito aquilo, assim ela não teria capacidade de reagir. E se aquilo fosse uma mensagem? Ouvi um policial atender um chamado pelo rádio dizendo que havia encontrado mais dois corpos, dessa vez o de duas mulheres. Agora eu estava desesperada, avisei imediatamente ao policial que não conseguia encontrar minha amiga e perguntei se tinha mais alguém dentro da casa e ele respondeu-me que tinha uma garota inconsciente dentro do banheiro com características de olhos verdes, cabelo comprido loiro e pouco esguia. Era a K. Pedi que ele me levasse até ela e ele me disse que ela teve que ser levada já que ela estava desacordada.

Depois de alguns minutos a policia resolveu liberar todos já que não era bom que todos estivessem ali, mas no dia seguinte teríamos que comparecer para prestar alguns esclarecimentos e ninguém seria descartado como suspeito. Segui direto para o hospital junto com a Melissa para ir ver a K. O doutor nos disse que estava tudo bem e que ela só tinha apagado devido ao excesso de álcool.