Ismália
1 Ismália
Quando Ismália enlouqueceu, pôs-se na torre a lembrar...
Desde muito jovem se apaixonara por Crevan. Ela o via todas as manhãs e se despedia dele todas as noites.
Mas não passavam de amigos.
No entanto, para aquela pequena garota, amizade era apenas um dos sentimentos que nutria por ele.
Na lembrança em que se perdeu, banhou-se toda em luar...
Até que um dia em sua vida apareceu uma outra moça que se dizia melhor amiga. Ela era mais velha e de corpo formado, que chamava a atenção por onde passava.
Viveram os três juntos muito bem, até que a moça soube que Crevan por Ismália era almejado. Os olhos brilharam num fogo inumano e a língua tiniu qual a de uma serpente.
E, no desvairo seu, na torre pôs-se a chorar...
Numa noite chuvosa, que até mesmo à lua assustava, Ismália foi de encontro a Crevan levar-lhe um par de velas. Quando então um relâmpado rompeu o céu e revelou por entre a escuridão, o corpo dos dois amantes sobre o divã.
A moça sobre ele, montada como que em um cavalo, o corpo arqueado e suando, tão quente quanto o coação de Ismália.
E como um anjo, pendeu as asas para voar...
Não conseguindo acreditar naquilo que via, deixou o castiçal cair por terra. Urrou de dor ao sentir o coração partido, chamando a atenção dos traidores.
Ismália enfraquecida correu para a torre com a cabeça cheia e o coração vazio. Agora seu amor de nada valia, e à loucura já sucumbia.
As asas que Deus lhe deu, ruflaram de par em par...
Seu corpo pendeu para a frente, indo de encontro ao mar. A brisa salgada lhe gelava o rosto, empurrando para longe as lágrimas que caíam.
De longe Crevan a observava. O braço esticado na tentativa de alcança-la, mas agora era tarde demais. Ele perdera a chance de segurá-la.
Sua alma subiu ao céu, seu corpo desceu ao mar.
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