Isabella Marie Crouch
3 Capítulo 3
Terceira Pessoa POV:
— OH Merlin! – Exclamou McGonagall olhando horrorizada para seus dois alunos desacordados em seguida olhando para o lugar onde Crouch desaparecera.
— Severo — virou-se Dumbledore para Snape — Por favor, peça a madame Pomfrey para vir até aqui. Precisamos levar Alastor Moody para a ala hospitalar. Pegue outra dose de Veritaserum e Vá para a minha sala depois disso. Minerva acorde Harry, e fique aqui para mostrar a Madame Pomfrey onde encontrar Alastor, em seguida vá aos jardins, procure Cornélio Fudge. Diga-lhe que estarei na ala hospitalar dentro de duas horas, caso precise de mim. Eu levarei a garota comigo, por favor não comente nada sobre ela com ninguém. – Snape concordou silenciosamente com um aceno de cabeça e saiu da sala. McGonagall acordou Harry fazendo-o acompanhar Dumbledore que levitava a garota para o seu escritório. Rapidamente chegaram à gárgula de pedra. Dumbledore disse a senha, ela saltou para o lado, e o diretor e Harry subiram a escada rolante circular até a porta de carvalho. Dumbledore abriu-a. Sirius estava parado ali. Num átimo, ele atravessou a sala.
— Harry, você está bem? Eu sabia... Eu sabia que uma coisa assim... O que aconteceu?
As mãos dele tremiam ao ajudar Harry a se sentar em uma cadeira diante da escrivaninha. Enquanto Dumbledore prendia a garota numa cadeira ainda desacordada.
— O Que aconteceu? Quem é ela? — perguntou Sirius. Dumbledore começou a contar a Sirius tudo que Bartô Crouch dissera, a distração e como fugira. Harry ouvia apenas com metade de sua atenção. Tão cansado que cada osso do seu corpo doía, ele só tinha vontade de ficar sentado ali, sossegado, durante horas e horas, até adormecer e não precisar mais pensar nem sentir nada. Ouviu-se um leve rumorejo de asas. Fawkes, a fênix, deixara o poleiro, voara pela sala e pousara no joelho de Harry.
— Alô, Fawkes — disse o garoto de mansinho. E alisou a bela plumagem vermelha e dourada da ave. Fawkes piscou sem medo para ele. Havia um certo consolo em seu peso morno. Dumbledore parara de falar. Sentou-se diante de Harry, à escrivaninha. Encarou o menino, que procurou evitar os seus olhos. Dumbledore ia interrogá-lo. Ia fazer Harry desabafar tudo.
— Preciso saber o que foi que aconteceu depois que você tocou a Chave de Portal no labirinto, Harry — disse o diretor.
— Podemos esperar até de manhã para isso, não Dumbledore? — disse Sirius com aspereza. Ele pousou a mão no ombro de Harry. — Deixe o garoto dormir. Deixe-o descansar.
Harry sentiu um assomo de gratidão com relação ao padrinho, mas Dumbledore não deu atenção às palavras de Sirius. Curvou-se para Harry. De má vontade, o garoto ergueu a cabeça e encarou aqueles olhos azuis.
— Se eu achasse que poderia ajudá-lo — disse Dumbledore brandamente — mergulhar você em um sono encantado e permitir que adiasse o momento em que terá de pensar no que aconteceu esta noite, eu faria isso. Mas sei que não posso. Amortecer a dor por algum tempo apenas a tornará pior quando você finalmente a sentir. Você demonstrou uma coragem acima da que eu poderia ter esperado. Estou pedindo que a demonstre mais uma vez. Estou pedindo que nos conte o que aconteceu.
A fênix deixou escapar uma nota branda e trêmula. A nota estremeceu no ar, e Harry sentiu como se uma gota de líquido morno tivesse descido por sua garganta até o estômago, aquecendo-o e lhe dando forças. Ele inspirou profundamente e começou a contar. Enquanto falava, visões de tudo que se passara àquela noite pareciam desfilar diante de seus olhos, ele viu a superfície borbulhante da poção que revivera Voldemort, viu os Comensais da Morte aparatando entre os túmulos em volta deles, viu o corpo de Cedrico, caído no chão ao lado da Taça. Ele ouviu mais uma vez o discurso de Moody, a chegada da garota misteriosa.
Uma ou duas vezes, Sirius emitiu um som como se fosse falar alguma coisa, sua mão ainda apertando o ombro do afilhado, mas Dumbledore ergueu a mão para fazê-lo calar, e Harry se sentiu grato por isso, porque era mais fácil continuar agora que já começara. Era até um alívio, o garoto teve a sensação de que alguma coisa venenosa estava sendo extraída dele, custava-lhe toda a determinação que possuía continuar falando, contudo, ele percebia que uma vez que tivesse terminado, iria se sentir melhor. Quando Harry contou que Rabicho espetara seu braço com o punhal, porém, Sirius deixou escapar uma exclamação veemente e Dumbledore se levantou tão depressa que Harry se assustou. O diretor deu a volta à escrivaninha e pediu a Harry que esticasse o braço. O garoto mostrou aos dois o lugar em que suas vestes estavam rasgadas e o corte sob as mesmas.
— Ele falou que o meu sangue o tornaria mais forte do que se usasse o de outro — disse Harry a Dumbledore. — Falou que a proteção que minha... Minha mãe tinha deixado em mim, seria dele, também. E estava certo, ele pôde me tocar sem se machucar, ele tocou o meu rosto.
Por um instante fugaz, Harry viu um brilho que lembrava triunfo nos olhos do diretor. Mas no segundo seguinte teve certeza de que imaginara, porque quando Dumbledore voltou à cadeira atrás da escrivaninha, pareceu velho e cansado como Harry jamais o vira.
— Muito bem — disse ao se sentar. — Voldemort superou esta barreira. Continue, Harry, por favor. Harry prosseguiu, explicou como Voldemort emergira do caldeirão, e repetiu para eles tudo que conseguiu se lembrar do discurso do lorde aos Comensais da Morte. Então contou como Voldemort o desamarrara, devolvera sua varinha e se preparara para duelar. Mas quando chegou à parte do raio de luz dourada que ligara sua varinha à de Voldemort, ele descobriu que estava com a garganta embargada. Harry tentou continuar falando, mas as lembranças do que saíra da varinha do bruxo inundavam sua mente. Reviu Cedrico saindo, o velho, Berta Jorkins... Sua mãe... Seu pai... Ele ficou feliz quando Sirius rompeu o silêncio.
— As varinhas se ligaram? — perguntou ele, olhando de Harry para Dumbledore. — Por quê?
Harry tornou a erguer os olhos para Dumbledore, em cujo rosto havia uma expressão tensa.
— Prioni Incantatem — murmurou.
Seus olhos fitaram os de Harry e foi quase como se um raio invisível de compreensão passasse entre os dois.
— A reversão do feitiço? — perguntou Sirius alerta.
— Exatamente — disse Dumbledore. — A varinha de Harry e a de Voldemort têm o mesmo cerne. Cada uma contém uma pena da cauda da mesma fênix. Com efeito, desta fênix — acrescentou ele, apontando para a ave vermelha e dourada, empoleirada tranqüilamente no joelho de Harry.
— A pena da minha varinha veio de Fawkes? — perguntou Harry, admirado.
— Veio — disse Dumbledore. — O Sr. Olivaras me escreveu dizendo que você comprara a segunda varinha, no instante em que você saiu da loja dele, há quatro anos.
— Então o que acontece quando uma varinha encontra sua irmã? — perguntou Sirius.
— Elas não funcionam bem uma contra a outra. Se, no entanto, o dono de uma das varinhas forçar uma luta entre as varinhas... Produzirá um efeito muito raro. Uma das varinhas forçará a outra a regurgitar os feitiços que realizou, na ordem inversa. O mais recente primeiro... Depois os que o antecederam...
O diretor olhou interrogativamente para Harry e o garoto confirmou com a cabeça.
— O que significa — disse Dumbledore lentamente, seus olhos no rosto de Harry — que alguma forma de Cedrico deve ter reaparecido. Harry tornou a confirmar.
— Diggory voltou à vida? — perguntou Sirius abruptamente.
— Nenhum feitiço pode ressuscitar os mortos — disse Dumbledore em tom sentencioso. — Só o que pode ocorrer é uma espécie de eco inverso. Uma sombra do Cedrico vivente teria emergido da varinha... Estou certo, Harry?
— Ele falou comigo — disse Harry. De repente o garoto voltou a tremer. — O... O fantasma de Cedrico, ou o que seja, falou.
— Um eco — disse Dumbledore — que reteve a aparência e o caráter de Cedrico. Imagino que outras formas semelhantes tenham aparecido... Vítimas menos recentes da varinha de Voldemort...
— Um velho — respondeu Harry, com um aperto na garganta. — Berta Jorkins. E...
— Seus pais? — perguntou Dumbledore calmamente.
–Foi.
A mão de Sirius no ombro de Harry agora o apertava com tanta força que chegava a doer.
— As últimas mortes executadas pela varinha — confirmou Dumbledore com um aceno de cabeça. — Na ordem inversa. Mais teriam aparecido, é claro, se vocês continuassem a manter a ligação. Muito bem, Harry, esses ecos, essas sombras... Que foi que elas fizeram?
O garoto descreveu como as figuras que haviam saído da varinha tinham ficado rondando o interior da teia dourada, como Voldemort pareceu temê-las, como a sombra do pai de Harry lhe disse o que fazer, como a de Cedrico fizera um último pedido. Neste ponto, Harry descobriu que não conseguiria continuar. Olhou para Sirius e viu que o padrinho segurava o rosto nas mãos. Harry de repente tomou consciência de que Fawkes deixara seu joelho. A ave voara para o chão. E descansou a bela cabeça na perna machucada do menino, grossas lágrimas peroladas caíram dos seus olhos sobre a ferida feita pela aranha. A dor desapareceu. A pele se recompôs. A perna ficou boa.
— Vou repetir mais uma vez — disse Dumbledore, quando a fênix levantou vôo e tornou a se acomodar em seu poleiro junto à porta. — Esta noite você revelou uma bravura que ultrapassou o que eu teria esperado de você, Harry. Revelou uma bravura igual à daqueles que morreram combatendo Voldemort no auge do seu poder. Você carregou o fardo de um bruxo adulto e esteve à altura dele, e você agora nos deu tudo o que temos direito a esperar. Você vai à ala hospitalar. Não quero que volte para o dormitório esta noite. Uma Poção do Sono e algum sossego...
– O que vão fazer com ela? – Perguntou Sirius apontando para a garota.
– Não se preocupe. Cuidarei disso agora mesmo. – Disse o diretor. – Sirius, você gostaria de ficar com ele? – Perguntou Dumbledore. Sirius confirmou com a cabeça e se levantou. Tornou a se transformar no enorme cachorro preto.
– Vão na frente. Irei logo em seguida, vou apenas interrogar a garota.- Disse aos dois. Harry e Sirius em sua forma animaga saíram do escritório passando por Snape na escada em espiral da sala do diretor.
– Trouxe a poção. – Snape falou retirando o vidro de dentro das vestes e dando ao diretor que abriu o frasco despejando um pouco na boca da garota erguendo seu rosto e fazendo-a beber. Ele então apontou a varinha para ela acordando-a.
Ela se sobressaltou olhando ao redor parando seus olhos primeiramente em Snape então em Dumbledore.
– Qual o seu nome? – Perguntou Dumbledore.
– Isabella Marie Crouch. – Respondeu numa voz sem emoção.
– Quantos anos você têm? – Perguntou o diretor.
– Dezessete. – Respondeu ela no mesmo tom.
– Você é filha de Bartolomeu Crouch Jr? – Perguntou.
– Sim. – Respondeu ela.
– Quem é sua mãe? – Perguntou o diretor com os olhos brilhando estranhamente.
– Elizabeth Crouch.
– Qual o sobrenome de solteira dela? – Perguntou o diretor recebendo um olhar confuso de Snape.
– Grindelwald Ravenclawn. – Snape engasgou olhando para a garota, Grindelwald? Como o Lord das Trevas, antecessor de Voldemort? E Ravenclawn como... Uma dos fundadores de Hogwarts?
– Você teve contato com o seu pai depois que ele se libertou de Azkaban? – Continuou o diretor.
– Não. – Respondeu ela.
– Você sabia do plano dele?
– Sim.
– Você o ajudou com alguma coisa além de libertá-lo?
– Não.
– Você também serve ao Lord das Trevas?
– Não.
– Então porque ajudou Crouch?
– Ele me colocou sob o Império. No inicio do ano letivo, quando eu desconfiei dele, e ele me colocou sob o feitiço para que eu ficasse calada. – Ela respondeu.
– Você teria feito de boa vontade?
– Talvez. Ele é minha única família afinal.
– O que você acha dos trouxas e nascidos trouxas.
– Não me importo com eles. Falo com uma nascida trouxa às vezes na biblioteca, mas não sou muito próxima, afinal eu sou uma Sonserina e ela uma Grifinória.
– Como você pode ser uma Sonserina se eu não a reconheço? Eu conheço todos os meus alunos. – Snape interrompeu.
– É um glamour que modifica minha aparência. – Respondeu ela.
– Qual o nome que você usa na escola?
– Isabella Rosier. – Respondeu ela.
– O sobrenome da sua avó antes de se casar com Crouch certo?
– Sim.
– Você pensa em se juntar ao lado das trevas? – Perguntou o diretor.
– Talvez. – Respondeu ela. – Não sei ao certo.
– Escolheria o lado da Luz? – Perguntou Dumbledore.
– Há uma chance. – Respondeu ela. – Mas não tenho certeza. Não sei muito sobre os dois lados.
– Muito bem. – O Diretor falou. Ele então chamou Severo para um canto da sala e os dois começaram a falar, nenhum deles percebendo que os olhos da garota se focaram por um instante e um sorriso maldoso se formou em seus lábios desaparecendo tão rápido quanto apareceu.
– O que você acha? – Perguntou Dumbledore.
– Ela é descendente de bruxos poderosos... Faria uma boa adição... E o lado que ela escolher provavelmente ganhará. Ela conseguiu, sozinha enganar a Minerva, Potter, você e eu, ela é esperta... Mas a decisão não é minha. – Deu de ombros.
– Ela disse que há uma chance de escolher o lado da Luz. Não podemos simplesmente descartá-la ou enviá-la a Azkaban. Tom e Crouch certamente virão atrás dela, e certamente Azkaban não irá impedi-los.
– Mas se a deixarmos solta haverá mais possibilidades deles a encontrarem. – Snape apontou.
– Certo... Bem... Não vejo opções. – Exasperou-se o diretor. Snape arqueou uma sobrancelha em questionamento. – Vou mandá-la para o mundo trouxa, ela já terminou seus estudos aqui, e quem sabe um tempo longe disso tudo a ajudará a se apegar mais aos trouxas, isso pode amolecer seu coração... Será uma boa experiência boa para ela. – Disse o Diretor.
– Mas eles não deixarão de procurá-la.
– É por isso que eu colocarei um feitiço que modifica sua aparência, assim como reprime seus poderes, ela viverá como uma trouxa por um tempo. Para a sua própria segurança. – Disse ele olhando para a garota que os observava com os olhos desfocados e uma expressão vazia.
Fim do Capitulo
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