Isabella Marie Crouch
4 Capítulo 4
Isabella Crouch POV:
Velho estúpido! Filho de um trasgo!
Não bastava me mandar para esse fim de mundo, ainda tinha que colocar uma restrição nos meus poderes, uma restrição que me impedia de revelar qualquer coisa sobre o mundo mágico para alguém, uma restrição que me impedia de machucar os trouxas, forçando-me a me tornar ‘dócil e boazinha’ apesar de que eu ainda me sentia eu mesma por dentro eu não podia nem xingar esses trouxas lerdos em voz alta.
Era obrigada a agir boazinha. E ainda tinha o feitiço na minha aparência. O velho miserável me fez mais baixa, diminuiu meus seios e meu traseiro, me tornando magra como uma tábua, ele ainda me deu uma palidez quase de um defunto, meus olhos ao invés de parecerem pedras de esmeraldas meio peroladas, pareciam duas poças de lama, meus cabelos antes sedosos e minimamente crespos, pareciam selvagens e cheios de pontas duplas.
Ele também comprou um guarda-roupa inteiro trouxa para mim, com roupas feias, em tons que variavam de marrom, verde lodo, bege, rosa claro, sem nenhum salto, nenhuma saia, me vestindo como uma adolescente trouxa nerd que não tem senso de moda, velho estúpido, nem se preocupou em lembrar que eu vivi quase toda a minha vida em um estúpido orfanato trouxa, e tinha meu próprio guarda roupa que eu comprei com a herança que minha mãe me deixou. Embora desde que eu tinha 15 eu consegui falsificar um documento de emancipação supostamente feito por minha mãe morta que me permitia pleno acesso à minha fortuna e então eu passei a morar na antiga mansão da minha família no mundo bruxo.
A única coisa boa é que todos os meus pertences mágicos inclusive a minha varinha estavam dentro de um baú escondido dentro da minha mala trouxa, e o fato de que se eu estiver em perigo meus poderes poderão lentamente se desencadear. Embora eu não pudesse fugir do mundo trouxa pelas suas restrições. Isso era praticamente uma prisão! Eu não podia ter nenhum contato com o mundo mágico. Ele nem mesmo me deixou trazer meu familiar!
Dumbledore modificou a memória de um trouxa para pensar que eu era sua filha que tinha morrido meses atrás, assim como a memória da ex mulher dele, minha suposta mãe e qualquer um que conhecia a garota real, para pensar que eu era sua filha e que eu tinha morado com ela e seu namorado nos últimos anos. E agora eu descia do avião trouxa indo de encontro ao trouxa imbecil. Charlie Swan, o que me lembrava que o velho também tinha mudado meu nome. Agora eu era Isabella Marie Swan.
Charlie estava me esperando no carro-patrulha. Já era de se esperar pelo que o velho disse, ele é o Chefe de Polícia, que era como um chefe de aurores só que sem magia, e carros ao invés de vassouras, para os bons cidadãos de Forks. Charlie me deu um abraço meio estranho, de um braço só, quando sai tropeçando do avião. Outro ponto estúpido das restrições de Dumbledore, um dos feitiços que ele lançou em mim, reverteria algumas das minhas características usuais, ou seja, foda-se ao meu bom equilíbrio.
— Bom te ver, Bells. — disse o trouxa sorrindo, enquanto automaticamente me segurava para eu não cair como se fizesse aquilo sempre. — Você não mudou muito. Como vai Renée? – Esse era o suposto nome da minha suposta mãe, ex mulher de Charlie.
— Mamãe vai bem. É bom te ver também, pai. — Respondi com um sorriso tímido, foda-se também a minha liberdade de expressão e facilidade de falar com as pessoas e persuadi-las ao meu gosto. O velho tinha me dado um tipo de poção que me faria me acostumar mais rapidamente ao mundo trouxa, assim como me fez ver em sua penseira algumas memórias sobre o mundo dos trouxas, assumindo que eu não sabia nada sobre eles. As informações que ele me deu não eram nem o suficiente para eu ter uma conversa curta com um trouxa sem me atrapalhar, ainda bem que eu conhecia algumas coisas a mais sobre o mundo trouxa desde a minha vida no orfanato. Depois da morte da minha mãe e prisão do meu pai, o velho estúpido do meu avô paterno, o mesmo que mandou meu pai para Azkaban, me mandou para um orfanato, bloqueando minhas memórias sobre o mundo mágico, apesar de que eu ainda me lembrava de ser filha dos Crouch. Minha mãe tinha se preparado e colocado suas memórias em um frasco para mim, caso algo acontecesse com ela. Ela também me deu uma penseira junto com as memórias colocando-as sempre comigo no meu dia a dia, para que eu não as perdesse. Levou alguns meses para que eu lembrasse sobre como usar a penseira, então eu vi as memórias da minha mãe, o que desencadeou as minhas bloqueadas pelo velho. Quando recebi minha carta de Hogwarts foi quando eu decidi fingir que não me lembrava. Eu já tinha modificado meu nome no orfanato anos atrás planejando minha entrada em Hogwarts, e quando recebi a carta foi com meu nome adotado, o que fez todos pensar ou que eu tinha morrido ou ido para outra escola. Um ótimo álibi.
Charlie e eu conversamos um pouco durante a viagem, os feitiços não me deixando exatamente ser rude de e ignorá-lo. Ele me falou que tinha comprado um carro do tempo em que minha avó ainda era viva, para mim, dizendo que seria melhor para eu ir para a escola com um carro próprio ao invés dele ter que me levar todos os dias com a viatura.
Sim, o velho me matriculou na escola trouxa estúpida. Sim, eu sei dirigir, o velho implantou memórias sensoriais sobre isso em mim. Porque pessoalmente eu nunca tentaria aprender isso sozinha.
Meu quarto era pequeno, as paredes era de um amarelo muito Lufano pro meu gosto, a colcha da cama era roxa, as portas e móveis eram marrom, e a única coisa verde que eu vi nisso tudo era a floresta através da janela embaçada pela chuva, ocorrência normal de acordo com Charlie. Eu estava na cidade mais chuvosa do país. Forks.
Na segunda feira, dois dias depois, quando acordei, Charlie já tinha ido para o trabalho, e eu tinha uma terrível dor nas costas por conta da cama dura e desconfortável. Diferente da que eu estava acostumada. Fiz minha higiene matinal vestindo um jeans feio, tênis, uma blusa de mangas longas ridícula, um casaco — que me fazia sentir como numa roupa anti-nuclear – achado na minha mala, eu não encontrei nenhuma maquiagem, e sai para a chuva constate, sem tomar café, pois odiava cozinhar, e evitaria ao máximo fazer isso quando não era necessário, compraria um lanche na escola, afinal pelo menos o velho tinha me dado dinheiro. Eu carregava uma bolsa cheia de livros, que eu tinha lido no fim de semana para não estar atrasada em sala de aula, eu sempre fui uma das melhores da turma em Hogwarts, e não seria nessa escola mixuruca que eu baixaria minhas notas.
A caminhonete era velha e aos pedaços, enorme e chamativa, em uma cor desgastada de vermelho, fazia mais barulho do que um estádio de quadribol lotado, e dentro cheirava vagamente à tabaco, gasolina e menta.
Achar a escola não foi uma tarefa difícil, apesar de nunca ter estado lá antes, mas assim como quase todos os lugares nessa cidade minúscula, ela ficava bem perto da estrada. Não se parecia nada com uma escola. Foi realmente a placa, onde dizia "Escola de Forks", que me fez parar. Parecia uma coleção de casas geminadas, construídas com tijolos marrons. Havia tantas árvores e moitas que quase pude perceber seu tamanho logo no início. Onde estava a aparência de lugar público? Mesmo nas séries mais baixas em que eu estudei as escolas eram bem maiores e mais... Seguras... Onde estavam as cercas e os detectores de metais? Geralmente as escolas têm isso como método de segurança... Ou será que isso acontecia só em Londres?
Estacionei a lata velha em frente ao primeiro prédio, onde havia uma pequena placa que dizia "secretaria". Não havia mais carros estacionados ali, provavelmente era proibido, mas foda-se eu pegaria instruções lá dentro ao invés de ficar andando em círculos na chuva como uma idiota. Saí da caminhonete e fui por um caminho de pedra circundado por uma sebe escura. E entrei no prédio que por dentro era mais quente do que lá fora, mas eu morei em uma masmorra por sete anos! Frio não era problema.
A secretaria era pequena, provavelmente caberia no hall de entrada de Hogwarts. E toda a escola caberia dentro do campo de quadribol, tinha uma pequena sala de espera com cadeiras dobráveis, carpete laranja (Ugh! Muito Grifo-Weasley) , avisos e prêmios abarrotados pelas paredes e um grande e ruidoso relógio velho. A sala era partida ao meio por um grande balcão, cheia de cestas de arame repletas de papéis e anúncios coloridos colados na parte da frente, sério, tantas cores estão me enjoando... Havia três mesas atrás do balcão, uma delas ocupada por uma mulher ruiva e grande, usando óculos, provavelmente parente distante e trouxa dos Weasleys pelo cabelo, sardas e cara de besta. Ela vestia uma camiseta roxa (¬¬’), horrorosa, com um gato amarelo na frente.
A ruiva olhou para mim.
— Posso ajudá-la? – Perguntou, enquanto eu tentava fazer uma careta de nojo tanto para sua voz, quanto para seu vestuário, mas as restrições do velho não deixavam.
— Sou Isabella Swan — informei-lhe, e vi seus olhos demonstrarem reconhecimento Imediato, Chefe Swan era conhecido... Mas quem não era nessa cidade minúscula?
— Claro — ela disse. Ela percorreu uma pilha precária de documentos em sua mesa até achar os que procurava. — Seu horário está aqui, e um mapa da escola. — Ela trouxe várias folhas até o balcão para me mostrar, eram fácil, comparado a Hogwarts eu não me perderia nem uma vez.
Ela me ditou todas as minhas aulas, mostrando-me no mapa a melhor maneira de chegar até elas, e me deu um papel para que todos os professores assinassem, que deveria trazer de volta no fim do dia, o que na minha opinião era estúpido... Mas considerando que eu não podia reclamar...
Velho maldito! Nem me disse quanto tempo eu teria que ficar aqui... Eu espero que essa cidade tenha algo perigoso porque eu vou fazer de tudo para quebrar essas restrições malditas em meus poderes e com isso quebrar as restantes, provavelmente o velho pensa que depois disso eu voltarei correndo de coração mole para a ordem sangrenta. Ele está muito enganado! Eu não sigo ninguém! E sou território neutro nessa guerra, exceto para minha vontade ainda crescente de matar o velho estúpido... Talvez eu não seja tão imparcial assim...
A ruiva sorriu para mim e desejou que eu gostasse de Forks.
“Impossível” Eu pensei, mas sorri de volta da maneira mais convincente possível.
A sala de aula era pequena, não uma surpresa. A minha frente tinham duas garotas. Uma loira com cara de metida, outra, também com cara de mal comida, tinha cabelos castanho claro.
Levei o papel que peguei na secretaria para o professor, um homem alto, calvo e feio. Sua mesa tinha uma placa que o identificava como Sr. Mason. Ele ficou me olhando assim que leu meu nome — o que não era encorajador — e para a minha desgraça eu fiquei vermelha igual a uma bandeira da Grifinória. Mas pelo menos ele me mandou sentar numa classe vazia no fundo da sala sem me apresentar à turma, um costume estúpido, porque diabos eu iria querer me apresentar para um bando de adolescentes trouxas e imbecis?
Era mais difícil para os trouxas ficarem me encarando enquanto eu estava no fundo da sala, mas de alguma forma eles conseguiam, bando de fofoqueiro! Tão pior que a Rita Skeeter... Bem, não, a Skeeter é delirante... E eu ainda não escutei o que todos falam de mim nessa budega. Fixei meu olhar na lista de leitura que o professor tinha me dado. Era bem básica: Brontë, Shakespeare, Chaucer, Faulkner. Já tinha lido todos, mesmo antes do velho me mandar para cá. Shakespeare era na verdade um bruxo que escreveu romances trouxas em sua época que ficou bem conhecido, eu li alguns, e como sempre soube apreciar uma leitura de clássicos, mesmo que sejam trouxas, eu li vários livros de todos esses autores. Isso era bom, eu não ficaria atrasada, mas também era chato...
Quando bateu o sinal, um garoto meio desajeitado, alto, com problemas de pele e cabelo preto como carvão se encostou no batente da porta para falar comigo.
— Você é Isabella Swan, não é? — Ele tinha cara de nerd do clube de xadrez. Que por sinal no mundo trouxa é muito chato.
— Bella — Corrigi, eu não sei de onde isso apareceu, eu adoro meu nome! Aposto que é mais um truque do velho babão. Todo mundo em volta se virou para me olhar, como eu disse, fofoqueiros...
— Onde é sua próxima aula — Perguntou o Nerd do clube de xadrez.
—Governo, com o professor Jefferson, no prédio seis. – Respondi sem hesitar. Tinha decorado o maldito horário e o maldito mapa.
— Estou indo para o prédio quatro, posso te mostrar o caminho... — Falou ele. Rolei os olhos mentalmente, não precisava de ajuda, mas não conseguia ser mal educada. — Sou Eric. — Ele adicionou.
Sorri discretamente. — Obrigada. – Argh! Odeio essas restrições! Eu não agradecia ninguém desde que tinha seis anos! E era uma mentira! Bem, agora também é, mas ainda assim, eu estou muito fora do meu personagem!
— Então, aqui é bem diferente de Phoenix, hein? — ele perguntou.
— Muito. – ironizei. Nunca tinha estado em Phoenix.
— Não chove muito lá, não é?
— Três ou quatro vezes por ano. – Chutei.
— Uau, como será que é isso? — ele ficou imaginando.
— Ensolarado. — eu lhe sem conseguir passar corretamente o sarcasmo necessário.
— Você não parece bronzeada.
— Minha mãe é parte albina. – Inventei.
Ele analisou meu rosto com apreensão e eu suspirei. Andamos de volta ao redor do refeitório, em direção aos prédios que ficavam no sul, ao lado do ginásio. Eric me levou até a porta, apesar de estar bem claro que aquele era o prédio.
— Bem, boa sorte. — Ele disse enquanto eu alcançava a maçaneta. — Talvez tenhamos outras aulas juntos. — Ele soava esperançoso. Sorri vagamente para ele totalmente contrária à idéia e entrei.
O resto da manhã passou na mesma merda. Meu professor de trigonometria, o Sr. Eu-sou-estúpido-Varner, a quem eu detestaria de qualquer forma, foi o único que me fez ficar na frente da turma e me apresentar. Eu gaguejei, fiquei vermelha, e tropecei no caminho para a minha classe. O maior mico da minha vida! Acrescentado à lista de motivos para matar o velho e lançar uma bomba mágica, na porra dessa cidade. Pelo menos uma bomba de bosta...
Depois de duas aulas, comecei a reconhecer muitos dos rostos em cada uma delas. Sempre havia aqueles que eram mais imbecis e vinham se apresentar e me perguntar se estava gostando de Forks. Quem gosta desse fim de mundo? Tentei ser diplomática, mas o que mais fiz foi mentir bastante, o que eu descobri com alegria que eu podia fazer a vontade apesar de não poder ser violenta e perigosa... Não podia assustar os trouxas... Trágico eu sei!
Uma garota sentou do meu lado em ambas Trigonometria e Espanhol, e foi comigo até o refeitório na hora do almoço. Ela era bem baixinha, com vários centímetros do que os meus 1,65m atual, mas o cabelo escuro e encaracolado ajudava a balancear nossa diferença de alturas. Não conseguia lembrar o nome dela, então eu sorria e balançava a cabeça enquanto ela discorria sobre os professores e sobre as aulas. Não tentei acompanhar a conversa, não estava interessada.
Sentamos no final de uma mesa cheia dos amigos dela, os quais ela me apresentou. Esqueci os nomes assim que ela os disse. Eles pareciam impressionados com a coragem dela para falar comigo. O garoto do Inglês, Eric, acenou para mim do outro lado do refeitório.
Foi então que eu os notei pela primeira vez.
Eles estavam sentados num canto do refeitório, o mais longe possível de onde eu estava. Eram cinco. Não conversavam e não comiam, apesar de cada um deles ter uma bandeja intocada de comida na sua frente. Eles não estavam me encarando, como a maior parte dos outros alunos,. Mas não foi nenhuma dessas coisas que chamou, minha atenção (Foi a estranheza mesmo). Eles não se pareciam em nada. Dos três garotos, um era grande — musculoso como um jogador de quadribol profissional, com cabelo escuro e encaracolado. Outro era alto, mais magro, mas ainda musculoso, e com cabelo loiro escuro, bem bonitinho, apesar de ter várias cicatrizes, mas o fazia parecer mais guerreiro e... Intocável. O outro era mais magro, menos musculoso, com cabelo cor de bronze, meio bagunçado. Ele parecia mais jovem do que os outros, que pareciam que poderiam estar na faculdade, ou até mesmo serem professores ao invés de alunos.
As garotas eram opostos. A mais alta era um tipo de beleza esculpida. Ela tinha uma silhueta linda, do tipo que se vê na capa de revista Witchy Beaulty, na edição de roupas de banho, e daquelas que fazem as outras garotas se sentirem mal consigo mesma só por estarem na mesma sala, não que esse fosse o meu caso é claro, eu era muito mais bonita em minha forma original. O cabelo dela era dourado, gentilmente balançando até o meio das costas. A outra garota era mais baixa e parecia uma fadinha. Bem magra, com feições pequenas. O cabelo dela era totalmente preto, cortado curtinho e apontando para todas as direções, semelhante aos cabelos desalinhados do Potter.
E ainda assim, eles se pareciam muito. Todos eram muito pálidos, os mais pálidos de todos os alunos dessa cidade sem sol. Mais pálidos do que eu, inclusive e isso queria dizer algo. Todos tinham olhos bem escuros, apesar da diferença na cor dos cabelos. Além disso, eles tinham olheiras — sombras arroxeadas, como machucados. Como se todos eles tivessem passado a noite em claro, ou quase se recuperando de ter o nariz quebrado. Apesar de seus narizes, de todas as partes de seus corpos, serem perfeitamente retos e angulares.
Mas não era por causa de tudo isso que não conseguia tirar os olhos deles. Eu estava tendo flashs de uma aula de Defesa Contra as Artes das Trevas com meu pai. Como reconhecer seres sobrenaturais, era o tema. Lembro-me de que na terceira aula, o professor começou a abordar o tema de vampiros, falando das diversas raças existentes, uma delas sendo os frios, embora ele não tenha se aprofundado nessa espécie, portanto eu não sabia muito sobre elas, somente coisas básicas, para ajudar a reconhecê-los. Somente com uma olhada para os cinco no outro lado do refeitório fez alarmes crescer em minha mente. Vampiros. Eles eram vampiros.
Lentamente um sorriso se abriu em meu rosto desaparecendo rapidamente para não dar alarme aos trouxas para minha expressão maldosa de triunfo. É exatamente o que eu queria! Perigo! Perigo o suficiente para me ajudar a quebrar as barreiras nos meus poderes!
— Quem são eles? — perguntei à garota da aula de espanhol, de quem eu não lembrava o nome. Precisava começar a colher informações.
Enquanto ela olhava para ver de quem eu estava falando, de repente ele olhou para ela, o mais magro, o mais garoto de todos, talvez o mais jovem. Ele olhou para a garota do meu lado por só uma fração de segundo e então seus olhos escuros se dirigiram aos meus. Ele olhou para longe bem rápido, mais rápido do que eu conseguiria, apesar de numa onde de vergonha eu tenha baixado meus olhos na mesma hora, Droga! Eu estou parecendo uma Lufa Lufa Sangrenta! Naquele pequeno instante, seu rosto não aparentou interesse — era como se ela tivesse chamado o nome dele, e ele olhara numa resposta involuntária, já tendo decidido que não ia responder.
Hmmm... Talvez ele tenha algum tipo de poder? Melhor ainda! Provavelmente era algo ameaçador e perigoso... Isso poderia me ajudar ainda mais...
A garota do meu lado riu envergonhada, olhando para a mesa, assim como eu.
— Aqueles são Edward e Emmett Cullen e Rosalie e Jasper Hale. A que foi embora é Alice Cullen. Todos vivem juntos com o Dr. Cullen e a esposa dele. — Ela falou isso meio entre os dentes.
Olhei meio de lado para o garoto de bronze, que agora olhava para a bandeja dele, picando um pãozinho com dedos pálidos e longos. Seus lábios se moviam rapidamente, seus lábios mal se abrindo. Os outros três ainda olhavam para longe, ainda assim eu sabia que ele estava falando com eles.
Nomes estranhos e pouco populares, eu pensei. Os tipos de nomes que avós tinham, mas não tão incomum assim... Apenas ultrapassados.
Finalmente lembrei que a garota ao meu lado se chamava Jessica, um nome perfeitamente comum.
— Eles são... Muito bonitos. — Falei tentando instigá-la a falar mais.
— Sim! — Jessica concordou dando outro risinho. — Mas eles já estão juntos – Emmett e Rosalie, e Jasper e Alice. E moram juntos. — A voz dela continha todo o choque e reprovação de uma cidade e mente pequena, pensei criticamente, se ela soubesse... No mundo bruxo é comum ocorrerem casamentos arranjados entre a família ou amigos bem próximos, ou até mesmo estranhos, conhecidos apenas pelo sobrenome.
— Quais são os Cullens? — Perguntei — Eles não se parecem...
— Ah, mas não são. O Dr. Cullen é bem jovem, tem uns 20 ou 30 e poucos. São todos adotados. Já os Halle são irmão e irmã, gêmeos — são os loiros — e vivem com eles.
— Eles não são um pouco velhos pra isso? – Perguntei não conseguindo colocar a borda necessária de desdém na voz.
— Agora sim, Jasper e Rosalie já têm dezoito anos, mas vivem com a Sra. Cullen desde que tinham oito. Ela é tia deles ou algo assim.
— Isso é bem legal – Continue a falar... Quanto mais informação melhor.
— Acho que sim. — Jessica admitiu relutantemente, e fiquei com a impressão de que ela não gostava do doutor e da esposa dela por algum motivo. Com os olhares que ela dava na direção deles, imaginei que o motivo fosse inveja. — Mas acho que a Sra. Cullen não pode ter filhos. — ela disse, como se isso diminuísse a bondade deles, no mundo trouxa isso acontecia muito, mas não era tão julgado como no mundo bruxo, se uma mulher não pode ter herdeiros... Isso se torna um grande problema.
Durante toda essa conversa, meus olhos iam e voltavam para a mesa onde a estranha Família de vampiros estava sentada. Eles continuavam olhando para as paredes e não comendo, obviamente comida trouxa era nojento para eles, me perguntei vagamente se eles sabiam que comida bruxa era deliciosa, mesmo para os frios.
— Eles sempre moraram em Forks? — perguntei.
— Não. — ela disse num tom de voz que implicava que isso era óbvio, até alguém recém chegado como eu deveria saber, só podia ser trouxa (¬¬’). — Eles vieram para cá dois anos atrás, vindos de algum lugar no Alasca.
Enquanto eu os analisava, o mais novo, um dos Cullens, olhou para mim e nossos olhos se encontraram, dessa vez com uma expressão evidente de curiosidade. Enquanto eu esquivava meu olhar, me pareceu que no dele havia alguma expectativa não alcançada. Hmmm tentando usar seus poderes em mim danadinho? Nananinanão! Eu ainda tenho uma forte oclumencia e se você tentar algo físico, só me ajudará ainda mais...
— Qual deles é o garoto de cabelos castanhos avermelhados? — perguntei. Espiei com o canto do olho e ele ainda me encarava, mas não como os outros alunos tinham feito durante todo o dia — a expressão dele era meio frustrada. Olhei para baixo novamente. Odeio essas restrições! Eu não tinha vergonha desde os 10 anos! E agora eu não só fiquei envergonhada pelo menos uma cem vezes numa só manhã, como corei uma centena de vezes.
— Aquele é Edward. Ele é maravilhoso, lógico, mas não perca tempo. Ele não namora. Nenhuma das garotas daqui são bonitas o suficiente para ele, aparentemente. — ela desdenhou, um caso claro de rejeição. Fiquei me perguntando quando ele tinha rejeitado ela.
Mordi o lábio para esconder um sorriso desdenhoso, não que estivesse realmente preocupada em esconder, mas as restrições do velho me obrigavam.
- O inferno não tem fúria e desprezo como uma mulher rejeitada... – Sussurrei por baixo da respiração com óbvio divertimento. Não estava falando com os trouxas então não precisava manter a voz ‘bondosa’. Olhei para o Cullen novamente. Seu rosto estava virado para o outro lado, mas me pareceu, pelos músculos do rosto, que ele sorria também.
Após mais alguns minutos os outros quatro deixaram a mesa juntos. Todos eram notoriamente graciosos — até mesmo o grandalhão, obviamente uma característica dos frios. O que se chamava Edward não olhou para mim novamente, graças a Merlin! Imagina se o vampurpurina se interessa por mim? Se bem que não seria tão Mal. Namorar um vampiro é perigoso... Principalmente um frio... E faria minhas barreiras caírem mais rápido. Fiquei na mesa com Jessica e seus amigos mais tempo do que ficaria se estivesse sozinha ali.
Uma das minhas novas conhecidas, que gentilmente me lembrou que seu nome era Angela, tinha Biologia II comigo no próximo período. Fomos juntas para a aula, em silêncio. Ela era verdadeiramente tímida como eu era obrigada a fingir ser. Quando entramos na sala de aula, Angela foi sentar-se numa mesa de laboratório, com tampa preta, exatamente como as que eu estava acostumada. Ela já tinha um par. Na verdade, todas as mesas estavam ocupadas, com a exceção de uma. Ao lado da fileira do meio, reconheci Edward Cullen por seu cabelo peculiar, sentado ao lado da única cadeira vazia.
Enquanto fui até o professor para me apresentar e pedir para que ele assinasse meu papel, secretamente observava Edward. No momento em que passei, ele ficou rígido de repente. Ele me encarou novamente, seus olhos encontraram os meus com a mais estranha das expressões em seu rosto — era hostil, furiosa, porra! Esqueci o fato de quanto mais poder mais doce o sangue é. Mesmo com as barreiras eu ainda era poderosa, e meu sangue cheirava muito bem para ele. Poderia ser algo bom e me ajudar a quebrar as barreiras, ou algo ruim, no caso dele se descontrolar e me matar sem que eu possa me defender.
Olhei para longe rapidamente, ficando vermelha novamente. Tropecei num livro e precisei me segurar em uma mesa. A menina sentada ali riu, VADIA!. Tinha notado que os olhos dele eram negros, como carvão.
O Sr. Banner assinou meu papel e me entregou um livro sem o besteirol das apresentações. Obviamente, ele não tinha escolha a não ser mandar eu me sentar na única classe vazia no meio da sala.
Não olhei para cima enquanto colocava o livro na mesa e me sentava, mas vi, com o canto do olho, sua postura mudar. Ele estava se inclinando para longe de mim, sentado bem na ponta da cadeira e virando a cara como seu eu tivesse cheiro ruim, sendo que era provavelmente o contrário. Deixei meu cabelo cair sobre meu ombro direito, criando uma cortina escura entre nós, e tentei prestar atenção no professor.
Infelizmente a aula era sobre anatomia celular, algo que eu já tinha estudado, mesmo no ramo bruxo, no curso do sétimo ano para medi-bruxa. Eu fiz dois na verdade. Para Auror e Medi-bruxa, apenas um preparatório, que tinha assuntos mais avançados que esse.
A aula parecia se arrastar mais do que as outras. Quando o alarme bateu alto, me assustando, e Edward Cullen já tinha se levantado. Ele era muito mais alto do que tinha imaginado, e de costas para mim ele se foi fluidamente. Antes que qualquer um dos outros estivesse de pé, ele já tinha saído pela porta, metido!
Comecei a juntar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que me consumia sanguessuga filho da puta! Quem ele pensa que é para me desdenhar? Eu sou a bruxa mais poderosa viva!
Por algum motivo o velho achou divertido ligar meu humor com meus canais lacrimais. E nesse momento eu sentia lágrimas pressionando contra meus olhos, ignorei-as o melhor possível, eu só chorei quando era bebê, e quando minha mãe morreu, então foda-se, o sanguessuga não era importante o suficiente para me fazer chorar.
— Você não é Isabella Swan? — perguntou uma voz masculina.
Olhei para ver um, o cabelo loiro claro cuidadosamente moldado com gel, sorrindo para mim de um jeito amigável.
— Bella. — corrigi com um sorriso.
— Sou Mike.
— Oi, Mike.
— Precisa de ajuda pra encontrar sua próxima aula?
— Na verdade, estou indo para o ginásio. Acho que consegui achá-lo.
— Essa é minha próxima aula também. — ele parecia extasiado, apesar de não ser muita coincidência numa escola tão pequena. Fomos para a aula juntos. Ele era um conversador — ele falava bastante, não ligando para o meu silêncio. Ele tinha morado na Califórnia até os dez anos, E ele estava na minha aula de inglês também.
Mas enquanto entrávamos no ginásio ele perguntou — Então, você fincou o lápis no Edward Cullen ou o quê? Nunca o vi agir assim.
Então não tinha sido só eu que notara. Decidi bancar a desentendida.
— Era o garoto sentado do meu lado em biologia? — perguntei ingenuamente.
— Sim. — ele disse — Parecia que ele estava com dor ou algo parecido.
— Não sei. — respondi — Nunca conversei com ele.
— É um cara estranho. — Mike ficou por ali ao invés de ir para o vestiário. — Se eu tivesse tido a sorte de sentar do seu lado, teria conversado com você.
Sorri para ele antes de ir para o vestiário das meninas. Ele era legal e claramente gostava de mim, mas isso não foi o bastante para diminuir minha irritação. A aula de educação Física foi chata, mas pelo menos eu não tive que usar o uniforme horrível. Eu era boa em quadribol, mas jogos trouxas era chatos e fáceis de mais.
Quando entrei na quente secretaria, para entregar o papel assinado pelos professores, Edward Cullen estava parado à mesa logo na minha frente. Ele pareceu não perceber a minha entrada. Me encostei na parede, esperando a recepcionista poder me atender. Ele estava conversando com ela numa voz baixa e atraente. Logo peguei o motivo da conversa: ele queria trocar o período da aula de biologia para outro horário, qualquer outro.
Sanguessuga imbecil! Deixe-me ter meus poderes de volta e eu vou te mostrar o que é dor!
A porta abriu novamente, e o vento frio entrou de repente, levantando os papéis sobre a mesa, jogando meu cabelo sobre meu rosto. A garota que entrara simplesmente chegou na mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Edward Cullen ficou rígido e se virou lentamente para me olhar com olhos fulminantes e cheios de ódio. Por um instante senti puro medo, provavelmente por causa das restrições do velho, se não tenho medo de Voldemort não será uma purpurina sanguessuga que me assustará, mas eu estava em desvantagem sem os meus poderes, corpo a corpo não me ajudaria contra ele. O olhar só durou um segundo então, ele se virou novamente para a recepcionista.
— Deixa para lá, então. — ele disse apressadamente com uma voz aveludada. — Vejo que é impossível. Muito obrigado pela ajuda. — se virou sem olhar para mim de novo e saiu pela porta. Maldito!
Fui calmamente até a mesa, meu rosto branco ao invés de vermelho, e entreguei o papel assinado.
— Como foi seu primeiro dia, querida? — a recepcionista perguntou, maternalmente.
— Bem. — menti. Ela não pareceu convencida. Caminhei a passos duros para a caminhonete e batendo a porta com força saí do estacionamento dirigindo para a casa Swan.
Fiz o jantar depois de perceber que a maioria das coisas na geladeira eram enlatadas e congeladas. Conversamos um pouco, e ele me contou sobre os Cullens, em especial Dr Carlisle Cullen.
O resto da semana o Cullen não voltou pra escola, o que me ajudou a controlar minha raiva para ele, não tão bem como normalmente faria, mas bom o suficiente.
Exatamente uma semana depois eu já tinha me acostumado em não me preocupar com sua presença, ou a ausência dela. Eu não me sentia particularmente bem aquele dia. Estava nevando, mas não era bom e bonito como era em Londres e na escola, aqui era sujo e irritante. Eu sentia meu estômago embrulhando e minha mente um pouco turva.
Peguei apenas um refrigerante no almoço, mal tocando no liquido. Não escutei nada da conversa entre Jessica e os outros olhando com fadiga para o refrigerante em minhas mãos. Tomei um gole quase engasgando quando Jéssica bateu em meu braço e sussurrou.
– Edward Cullen está te encarando — Jéssica deu uma risadinha no meu ouvido. Tossi um pouco, foda-se! Eu pensava que o sanguessuga tinha desistido da escola. Olhei discretamente para a mesa dos Cullens, mas não pude observar muito sentindo meu estômago embrulhar mais forte, e um súbito enjôo se apoderando de mim.
– Preciso ir. – Disse por entre os dentes me levantando rapidamente, pegando minha mochila e correndo para fora do refeitório sem esperar sua resposta. Surpreendentemente eu não tropecei enquanto corria, sem olhar para onde andava. Parei a beira da floresta perto do estacionamento e do ginásio, caindo de joelhos na neve suja e vomitando tudo o que tinha no estômago. Observei com receio que não era só alimento que eu tinha colocado para fora. Mas sangue.
Senti-me tonta e me afastei do vômito colocando a mão fria em minha testa que parecia queimar. Droga! O que estava acontecendo?
- Você está bem? – Me assustei ao ouvir uma voz feminina que parecia tilintar como sinos e olhei para cima dando de cara com a Cullen que tinha os cabelos do Potter. Os olhos dela estavam negros, é claro, pelo aroma de sangue.
Assenti para ela me levantando rapidamente e quase caindo pela tontura. Ela me segurou e eu a olhei assustada me afastando.
- Eu estou bem. – Murmurei. – Obrigado. – Agradeci começando a me afastar.
- Espera! – Ela gritou. Me virei em sua direção engolindo em seco.
- Tem certeza que está bem? – Perguntou. Assenti me virando e caminhando a passos rápidos para a enfermaria, iria pegar um passe para me livrar do resto das aulas e ir para a casa de Charlie. Precisaria ler alguns livros de medicina bruxa para tentar descobrir o que tinha acontecido comigo, sem precisar usar magia seria mais difícil, mas pelo menos eu ainda podia fazer poções, e eu tinha colocado um grande estoque de ingredientes dentro do meu malão mágico, assim como caldeirões, e tudo o mais necessário para o preparo de poções.
Fim do Capitulo.
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