Is not my fault
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dean não conseguia acreditar em seus olhos. Aquilo só poderia ser mais umas das brincadeiras de Sammy, para ver se ele caia. Aquele devia ser um garotinho qualquer que o irmão encontrara na rua e oferecera dinheiro para a pegadinha. Mas ele era tão novo... será que já sabia o valor do dinheiro? Enfim... não poderia ser verdade.
—Tá bom Sammy, quanto você vai ganhar? É uma aposta, finalmente ensinou alguma coisa errada pro Cas? –Dean falou, e notou o menino no colo do mais novo se mexer, embora ainda estivesse dormindo.
—Me diz, o que eu ganharia com uma aposta com ele? Seria como tirar doce de um bebê, e eu não sou assim. –Sam respondeu, mas o loiro não estava prestando muita atenção, na verdade, estava andando por todo o cômodo do motel procurando por qualquer sinal do anjo “real”.
—Qual é, vai dizer que eu fui comprar um lanche e nisso, sei lá, uma bruxa apareceu e transformou o Castiel em garoto? Isso é ridículo. –Dean depois se um tempo parou, desistindo de procurar.
—Eu já disse que não sei. Num minuto o Cas estava ali – Sam apontou para a janela- Depois falou que ia ver o gato que estava na rua, e simplesmente desapareceu. Você sabe como ele é. Aí então eu continuei a pesquisa. Depois ouvi um par de asinhas e bum: Esse garoto apareceu dizendo que seu nome era Castiel. Olha bem a roupa dele Dean... Pode muito bem ser ele...
—Sam...
—Ele já foi até transformado em um boneco, eu não duvidaria muito disso.
Dean Winchester encarou o irmão um pouco incerto, mas acabou por apenas consentir, ao não ver sinal de qualquer humor na cara de Sam. Voltou a andar pelo cômodo, para a geladeira, resolveu que ia encher a cara depois daquela.
—Dean...?- O moreno sentou na cama, procurando um jeito melhor de ajeitar o menino no colo.
—Uhm? –Respondeu, enquanto abria a garrafa de cerveja com a boca, fechando a geladeira com um leve chute e indo até a mesa da sala/quarto.
—Alguém vai ter que ir atrás daquela bruxa hoje, porque eu localizei onde ela vai estar...
—Ótimo, eu vou. Não quero ter que ficar aqui de... — Dean ia continuar falando, quando ouviu um baixo suspiro, e depois os irmãos viram o garoto se espreguiçar. Ambos pararam de falar, prestando atenção a qualquer gesto do pequeno. Quando abriu os olhos, olhou para Sam e depois para Dean, que então teve a certeza que se tratava realmente de Castiel. Aqueles olhos completamente azuis e a pele clara, ainda mais do que quando era adulto.
—Dean? –O menino perguntou um pouco apreensivo, ainda agarrado a Sam.
—S-sim Cas?- Dean tinha deixado a cerveja na mesa, afastada.
—Não foi minha culpa. –O pequeno olhou para baixo, juntando as duas mãos no colo. Seu tom de voz era baixo e fino, quase meigo. –Me perdoa.
Dean olhava para o garoto quase sem reação, buscando em Sam alguma ajuda, mas agora via que o irmão se divertia. O loiro deu um pigarro, pensando bem em quais palavras usar para falar com uma criança.
—Olha Cas... Está tudo bem. Sei que não deve ter sido sua culpa. –Dean ergueu as sobrancelhas, esperando pela reação do anjinho. E essa foi a que ele menos esperava. Castiel ergueu o olhar para Dean e desceu do colo de Sam, quase num pulo, e foi para Dean, e o abraçou, tentando subir no colo do loiro.
—Obrigado Dean. Eu pensei que você ia brigar comigo. –Depois de conseguir subir (com uma ajudinha) no colo do loiro, ele enterrou o rosto no pescoço do mesmo o abraçando ainda mais, com os bracinhos curtos.
Dean ainda continuava sem reação, é claro. Nunca foi realmente bom com crianças, e agora aquilo. Quem quer que tenha feito aquilo, certamente sabia desse detalhe.
—Acho que temos um vencedor. – Sam falou alto, caminhando até o notebook. Aquilo atraiu a atenção de Castiel, que virou o rosto para olhar o Winchester mais novo, ainda sentado no colo de Dean.
—Vencedor de que? –O menino perguntou quase empolgado.
—De quem vai ficar com você, Cas. E vai ser ele. – Sam apontou para Dean, que tirou o menino do colo quase bruscamente.
—Não vou não. Você leva jeito com crianças, não eu. –Protestou.
—O anjo é seu. Você cuida dele e ponto final. De qualquer jeito, você não sabe para onde a bruxa vai. Chaves. – Sam tinha guardado alguns objetos no bolso, mas tudo que precisava estava no impala.
—Da onde você tirou essa de “meu anjo” hein Sammy? Nada disso. Eu não vou... –Dean pegou as chaves no bolso e colocou atrás de si- Te entregar. Sam nada disse, apenas mudou o gesto da mão que pedia as chaves e apontou para o garotinho parado perto da cama, que estava com os olhos lacrimejando. Aquilo foi o suficiente para tirar a atenção de Dean para que Sam pegasse as chaves e saísse do quarto sem tempo para resposta.
—Droga... — O loiro xingou, baixinho, e voltou a sentar à mesa para beber a cerveja, que ainda por cima, já estava sem gelo.
Dean deu um gole na bebida, esperando que o menino falasse alguma coisa, mas o máximo que fez foi se sentar no tapete, olhando para o Winchester.
—Vai ser assim então? Não tem nada melhor para fazer não? –Perguntou, depois de um tempo, incomodado com o silencio.
Castiel apenas negou com a cabeça, num gesto rápido.
—Uhm. –Dean crispou os lábios, tentando desviar do olhar direto do pequeno. – Quer assistir TV?
O menino negou, novamente.
—Desenhar, talvez?
Negou.
—Quer comer alguma coisa?
Dessa vez negou apenas um gesto do dedinho na mão.
—Mas que por...caria você quer fazer?- Dean aquele momento já teria perdido a paciência, se não se tratasse do seu anjo. Sim, seu.
—Olhar você. — Respondeu, inocentemente. Aquilo bastou para que o loiro se levantasse, pegando a chave do quarto.
—Vem, Cas. Vamos dar uma volta, não agüento mais você me encarando.
O garoto se levantou, e quando Dean já estava na porta, ele estava parado no meio do quarto, com os braços abertos.
—Que que é isso aí?- Abriu a porta, ainda encarando o menino.
—Colo. –O pequeno Castiel respondeu simplesmente.
—Ah, não? Você já é bem grandinho pra andar. E o parque é aqui perto.
O pequeno Castiel andou, fazendo um bico, até Dean, e depois do mesmo fechar a porta, saíram caminhando do motel. Uma cena até estranha, se ele já não estivesse acostumado a coisas piores. Quando chegaram à calçada, o loiro pegou na mão de Cas, que só fez o bico do menor ser ainda maior, quase uma careta.
—eu não gosto disso... — Cas murmurou.
—acha que eu gosto?
—andar é ruim. –Continuou falando- eu não gosto de andar.
—Okay, eu entendi. – Dean ignorou o protesto.
Caminharam alguns minutos mais, até o anjo murmurar novamente.
—eu não gosto.
Depois de respirar fundo, o Winchester pegou o menino no colo, que deu um largo sorriso, apoiando a cabeça no ombro do mesmo.
—Do que você gosta hein, anjinho? –Falou quase para si mesmo.
—você.
Continuaram o trajeto até o parque mais rapidamente, considerando que era realmente perto, cerca de quatro quadras do motel até ali. Ao chegarem, Dean colocou Castiel no chão e mostrou toda a área ao redor. Não estava cheio, apenas com algumas crianças e mães pó perto. Parecia seguro.
—Pronto, agora pode olhar a natureza. — Deu um sorriso para o pequeno, que nem esperou o resto da frase e saiu andando até a arvore mais próxima.
Como não tinha o que fazer, Dean procurou um banco para se sentar onde pudesse ficar de olho no pequeno, e o único disponível para isso era um que tinha duas crianças e a mãe juntas, tomando sorvete. Como não tinha outra opção, se sentou ao lado deles, dando um sorriso simpático para todos e voltando a olhar para o anjo.
Castiel estava agora mexendo em algum objeto no chão, totalmente alheio a todas as crianças por perto. Dean desconfiava que ele estivesse olhando algum inseto, mas nada disse.
—Parece ser um bom menino.- Uma voz feminina soou ao lado do loiro, e ele se virou para ver que era a mãe sozinha, que as crianças já tinham ido brincar.
—Ele é um bebê de sobretudo. –Deu uma leve risada, e a mulher o acompanhou.
—Eles crescem rápido, vou vai ver. Você vai sentir falta desse bebê, depois. — a mulher disse, fitando ele.
Dean agora já tinha desviado a atenção do menino para ela, e deu um sorriso mais largo.
—Você é bem nova para uma mãe, não é? — Depois de reparar bem, ele notou que não estava mentindo.
—Eu? Não sou a mãe deles. -Ela disse, olhando para uma das meninas que tinha tomado sorvete com ela- sou só a babá. É que eu amo crianças.
—Oh, então temos uma coisa em comum. -Dean improvisou uma piscadela para a moça, que deu uma leve corada, e então nem percebeu quando Castiel sentou na ponta do banco. Só parou de olhar a mulher quando sentiu uma puxada na jaqueta, e então olhou para o lado.
O menino segurava com todo o cuidado um passarinho azul, visivelmente caído, quase morto.
—Quero ajudar ele. Eu consigo? -O anjo perguntou, olhando diretamente nos olhos de Dean.
—Tenta. Talvez dê certo. Você consegue. -Ele colocou a mão no ombro do pequeno, para incentivar.
Cas fechou os olhos e respirou fundo, se concentrando, mas nada aconteceu.
A moça tinha se levantado, e Dean quando notou se levantou também, para se despedir com um abraço.
—Foi bom te conhe... -A mulher disse, durante o abraço, mas foi interrompida por um grito. Castiel tinha gritado, e os dois se afastaram.
—Não. Não abraça ele. — Falou, ainda segurando o passarinho com cuidado, apesar da expressão brava.
—O quê...? Acho que não entendi. -Ela tentou parecer educada.
—Ele é meu. Eu abraço ele.
Dean olhava para o anjo com a sobrancelha erguida, sem entender aquela reação.
— Cas... para de besteira.
—Ele é meu! -Lançou um olhar furioso para a mulher que se afastou, e apenas se despediu de Dean com um breve aceno.
O garoto depois desviou a atenção para o passarinho, fechando os olhos novamente. Mas Dean não estava nem um pouco contente com o que tinha acontecido.
—Castiel, o que foi aquilo? — Ainda estava em pé, com os braços cruzados, mas não obteve resposta.
—Cas? — Insistiu, mas uma luz quase cegante iluminou os dois, e quando esta sumiu, o passarinho deixou a mão de Castiel voando.
Dean deixou tudo o que ia dizer de lado ao ver o sorriso largo e inocente de Castiel e seus olhos azuis o olhando.
—Dean, eu consegui. -falou pulando do banco, e ficando parado em frente ao loiro, com a mão estendida. Dean pegou na mão dele, a mãozinha macia e um pouco suja de terra.
—Depois disso você merece um sorvete, sabia? -Dean falou, brincando.
—Não sabia! — O anjo puxou a mão do loiro para que fossem até o carrinho de sorvete, e assim foi. Castiel escolheu um sorvete de chocolate e confeito, enquanto Dean pegou um de creme. Como já estava tarde, foram caminhando direto para o motel.
—Estou orgulhoso de você... -Dean confessou, ainda tomando o sorvete.
Não precisou para que dissesse mais para ver o pequeno ficar corado e com um sorriso que queria sair de sua face, com a boca toda suja de chocolate.
Quando chegaram ao motel, já estava escuro, então Dean se apressou ao fechar a porta e checar no celular alguma mensagem de Sam.
Castiel tinha ido ao banheiro, lavar o rosto, conforme Dean mandou, mesmo que de má vontade.
Infelizmente, não havia nenhuma mensagem de texto ou de áudio, e o máximo que fez foi suspirar. Gostava do pequeno Castiel, mas ele não seria útil, naqueles dias. Seria só mais um peso, se não conseguissem reverter o feitiço.
—Pode me ajudar ? — Castiel estava na porta do banheiro, sem o sobretudo e de meias, com o rosto e cabelos molhados, tentando tirar a gravata.
—O que vai fazer? — Dean foi até ele, e se ajoelhou a sua frente para ficar da altura do mesmo.
—Dormir. — O loiro deu um suspiro como se aquela fosse a coisa mais óbvia do mundo, e soltou facilmente a gravata do menor, depois pegou no colo. Dean o colocou na cama, e depois o cobriu com o cobertor. Castiel já estava deitado, olhando para cima.
—Dean? -chamou.
—Estou com medo. -admitiu, depois de fitar o loiro.- De ficar sozinho.
— Eu to aqui Cas, ok? Não precisa ter medo.
—Jura?
—juro.
Só então o anjinho fechou os olhos e relaxou para dormir. Dean, pelo contrário, foi até a mesa do notebook e ficou navegando em alguns sites, esperando por qualquer notícia do irmão.
Em torno das onze horas Sam ligou, pedindo para Dean que o dissesse se o contra feitiço surtisse efeito.
—Okay Sammy. To de olho nele. -Dean se virou, ainda observando um Castiel dormindo profundamente.
Em questão de segundos, toda a silhueta que estava na cama mudou, revelando adulto e o mesmo Castiel que já estavam habituados.
—Dean? Deu certo?—Sam perguntou, ao telefone.
—Sim. Bom trabalho Sammy. -Dean falou, e desligou.
"Será que ele vai continuar dormindo? Bom, pelo menos eu posso contar que foi um sonho." Pensou Dean, e foi a vez dele de cair na outra cama e adormecer.
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