Is good enough for me

1 Is good enough for me


Chu WanNing não acreditava no quão inocente eram seus discípulos. Eles acreditavam em tudo o que ouvia. É claro que ele não queria que os três descobrissem que Xia Sini era seu alter ego forçado. Mesmo assim, conseguia visualizar até mesmo um traço de inocência quando Mo Ran o levava para comer tortas, ou quando Xue Meng ouvia atentamente suas críticas no treinamento. E, apesar de Shi Mei estar sempre ocupado em suas tarefas, ele também sempre sorria gentilmente antes de se afastar.

Sentado com uma cesta de nêsperas aos seus pés, Xia Sini assistia Mo Ran e Xue Meng disputando uma pequena luta, enquanto pareciam chamar a atenção dele.

— Veja, irmãozinho, eu vou derrubá-lo. — Xue Meng riu, mas a velocidade de Mo Ran não foi páreo para ele.

Com uma risada orgulhosa, Mo Ran estufou o peito e virou-se para Xia Sini.

— Aprenda com o melhor.

Xue Meng não deixou por menos e eles começaram a discutir. Chu WanNing olhou para as mãos sujas de nêsperas, aquelas estavam bem docinhas e macias, o gosto era suculento e havia sujado toda a boca no processo. Ele pulou o muro e desceu para baixo da ponte, onde molhou as mãos na água, lavando o rosto em seguida.

Ainda era possível ouvir a discussão daqueles dois e Chu WanNing balançou a cabeça de forma negativa. Era engraçado a imagem de uma criança de aproximadamente seis anos julgando dois jovens mestres mais velhos do que ele. Com certeza seu aquele ar de disciplina tornava seu rosto infantil mais divertido, porque Mo Ran e Xue Meng começaram a discutir outro assunto. O quanto Xia Sini era adorável.

A criança, no mesmo instante, virou o rosto emburrado. Suas bochechas avermelhadas se tornaram infladas. Ele cruzou os braços e girou o corpo.

— Eu não vou perder meu tempo com esse tipo de comentários. — Disse, Chu WanNing, com uma voz de criança. Isso fez com que seus discípulos caíssem na gargalhada, como se tivessem acabado de assistir a ópera mais divertida dos últimos tempos.

Chu WanNing, que já se sentia mal por estar em um corpo de criança, ficou ainda mais irritadiço com aquele comportamento dos dois. Subiu as pedras da ribanceira do riacho com passos fortes, porém não tão certeiros. Suas pernas eram curtas e ainda finas, sem a força e o vigor de um cultivador adulto. Dessa forma, não levou mais do que dois passos para ele se desequilibrar e cair, rolando a ribanceira.

Enquanto Chu WanNing, no corpo de Xia Sini, rolava seu pequeno corpo, ele acabou engolindo pequenos tufos de grama e flores. Seus cabelos também ficaram emaranhados nas plantas e um galho solto grudou na coroa de borboleta que segurava metade do cabelo.

Houve um momento que Chu WanNing achou que nada poderia acontecer de pior, mas ele estava sendo resgatado pelo seu discípulo mais problemático.

Mo Ran o ergueu rapidamente no colo, seu olhar estava vasculhando o corpo pequeno em busca de machucados, enquanto ele dava ordens para que Xia Sini não se mexesse. Ele começou a tirar a grama e as flores das roupas sujas e o galho emaranhado no cabelo.

Chu WanNing podia sentir a pele arder de tão vermelha que estava. Não sabia se era pela vergonha ou se havia esfolado a pele na rolagem.

Xue Meng chegou em seguida, na companhia de Shi Mei, que se sentou ao lado de Xia Sini para fazer um curativo. Os três discípulos sentaram-se ao redor dele, enquanto falavam suas recomendações e pedidos para que ele não se sentisse envergonhado por isso.

— Uma vez, estávamos em uma missão e eu decidi pegar algumas frutas na árvore para oferecer ao meu Shizun. — Xue Meng começou a falar, roçando em seguida a mão no pescoço, embaraçado. — Eu acabei encontrando uma colmeia de abelhas e fui picado. No fim das contas ainda recebi um castigo porque desviei do meu caminho.

Chu WanNing se recordava daquele dia. Xue Meng era mais jovem naquela época e muito mais exibido. Ele se lembrava de que o rapaz retornou com as mãos inchadas devido as picadas e algumas frutas que foram entregues nas mãos dele.

Shi Mei inclinou a cabeça e moveu uma mecha de cabelo, seus cílios eram fartos e sua beleza ainda mais graciosa com a luz do fim da tarde, que fazia seus olhos parecerem pedras preciosas. Chu WanNing abaixou a cabeça, desviando o olhar, enquanto ele falava sobre uma experiência pessoal.

— No meu primeiro dia, Shizun pediu para eu fazer alguns exercícios. Por mais que eu me esforçasse, não conseguia entregar com perfeição o exercício que ele propôs. Me senti muito mal, acabei me desequilibrando e caí no chão. Eu voltei no outro dia e novamente aconteceu a mesma coisa, foi assim por um longo mês, até que finalmente eu consegui. — Shi Mei suspirou e Mo Ran ofereceu algumas palavras de consolo para ele.

Chu WanNing depois olhou para Mo Ran, esse ainda estava com sua cara totalmente caída na direção de Shi Mei, mais parecia um cachorro flertando com uma coxa de frango de cima da mesa. Quase podia ver ele babar. Xia Sini girou os olhos e perguntou a ele.

— E você? Não tem nenhuma história embaraçosa com seu Shizun? — Chu WanNing esperou a resposta e ouviu uma risada longa.

— O que mais tenho são histórias de meu corpo indo de encontro ao chão. — Mo Ran ergueu a mão e Chu WanNing achou que ele fosse dar alguns tapinhas ou bagunçar seu cabelo. Contudo, a mão de Mo Ran desceu delicada e gentil na sua cabeça, pegando os fios negros de sua cabeleira bagunçada e arrumando com os dedos em forma de garra, removendo os nós causados pela queda. Ele então prendeu o cabelo dele com a coroa de borboleta e sorriu. — Uma queda é apenas uma queda, nós aprendemos a levantar e seguir em frente. Vamos, eu vou levar você para a Madame Wang dar uma olhada.

Mo Ran pegou Xia Sini e o colocou em suas costas, pedindo para ele segurar forte.

Chu WanNing não disse nada, apenas ficou em silêncio, sendo carregado por essa pessoa que não parava de falar agora, contando para ele histórias sobre suas quedas. Todas, é claro, pareciam ter uma pitada de humor ácido, já que a verdade por trás de cada uma daquelas histórias, Chu WanNing tinha conhecimento.

Eles caminharam, os três discípulos de Chu WanNing e essa criança nas costas de Mo Ran, conversando.

Chu WanNing pousou a sua cabeça no ombro de Mo Ran, ele podia sentir os braços dele o segurando com cuidado. Uma sensação de proteção invadiu o pequeno corpo daquela criança. Ele virou o rosto para que nenhum deles pudesse ver e sorriu.

Era bom ser cuidado.

Era bom.

Ele queria poder dizer isso em palavras também quando retomasse seu corpo adulto.

De que era bom estar entre eles.

— Obrigado. — Xia Sini disse, baixinho.

Notas finais
Algum fã? Beijos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!